Dois conjuntos são equipotentes quando uma bijeção os liga. Um conjunto é enumerável quando é equipotente a (alguns autores incluem os conjuntos finitos; dizemos no máximo enumerável para “finito ou enumerável”).
Exemplos
Exemplo 1.7 (Uma função de emparelhamento, na prática)
A bijeção da demonstração merece ser vista em ação. Seus primeiros valores:
A linha reúne os inteiros para os quais é divisível por exatamente: todo número natural aparece exatamente uma vez. Decodificar é tão explícito quanto codificar: para , fatore , donde . A lição final: as demonstrações de enumerabilidade são muitas vezes algoritmos disfarçados — aqui, “ponha os fatores dois em evidência”.
Exemplo 1.8 (Os números algébricos são enumeráveis)
Um número complexo é algébrico quando anula algum polinômio não nulo com coeficientes racionais. O conjunto dos números algébricos é enumerável: os polinômios de grau sobre injetam-se em , produto finito de conjuntos enumeráveis (Proposição 1.6 (2)); a união sobre enumera os polinômios racionais não nulos como ; cada tem um número finito de raízes; e
é uma união enumerável de conjuntos finitos (Proposição 1.6 (3)), infinita pois contém . Combinado com a não enumerabilidade de (Teorema 1.9 adiante), isso prova — sem exibir um único deles — que os números transcendentes existem e formam uma maioria não enumerável: o argumento de contagem de Cantor de 1874, a existência apenas pela cardinalidade.
Exemplo 1.11
e são equipotentes: a identidade injeta num sentido, no outro; o teorema fabrica a bijeção (necessariamente descontínua). Do mesmo modo , (por bijeções do tipo ) e (expansões binárias, Exercício 1.3) são todos equipotentes: “a cardinalidade do contínuo”.