Matemática · Glossário

O que é Equipotência, enumerabilidade?

Também chamado de: equipotência · conjunto enumerável

Definição 1.5 Matemática universitária — Graduação 2 · Capítulo 1 — Conjuntos e estruturas

Dois conjuntos são equipotentes quando uma bijeção os liga. Um conjunto é enumerável quando é equipotente a N\N (alguns autores incluem os conjuntos finitos; dizemos no máximo enumerável para “finito ou enumerável”).

Exemplos

Exemplo 1.7 (Uma função de emparelhamento, na prática)

A bijeção (p,q)2p(2q+1)1(p, q) \mapsto 2^p(2q + 1) - 1 da demonstração merece ser vista em ação. Seus primeiros valores:

q=0q=1q=2q=3q=4p=002468p=11591317p=2311192735p=3723395571\begin{array}{c|ccccc} & q = 0 & q = 1 & q = 2 & q = 3 & q = 4\\ \hline p = 0 & 0 & 2 & 4 & 6 & 8\\ p = 1 & 1 & 5 & 9 & 13 & 17\\ p = 2 & 3 & 11 & 19 & 27 & 35\\ p = 3 & 7 & 23 & 39 & 55 & 71 \end{array}

A linha pp reúne os inteiros nn para os quais n+1n + 1 é divisível por 2p2^p exatamente: todo número natural aparece exatamente uma vez. Decodificar é tão explícito quanto codificar: para n=43n = 43, fatore n+1=44=2211=22(25+1)n + 1 = 44 = 2^2\cdot 11 = 2^2(2\cdot5 + 1), donde (p,q)=(2,5)(p, q) = (2, 5). A lição final: as demonstrações de enumerabilidade são muitas vezes algoritmos disfarçados — aqui, “ponha os fatores dois em evidência”.

Exemplo 1.8 (Os números algébricos são enumeráveis)

Um número complexo é algébrico quando anula algum polinômio não nulo com coeficientes racionais. O conjunto Q\overline\Q dos números algébricos é enumerável: os polinômios de grau d\leq d sobre Q\Q injetam-se em Qd+1\Q^{d+1}, produto finito de conjuntos enumeráveis (Proposição 1.6 (2)); a união sobre dd enumera os polinômios racionais não nulos como P0,P1,P2,P_0, P_1, P_2, \dots; cada PkP_k tem um número finito de raízes; e

Q=kN {raıˊzes de Pk}\overline\Q = \bigcup_{k \in \N}\ \{\text{raízes de } P_k\}

é uma união enumerável de conjuntos finitos (Proposição 1.6 (3)), infinita pois contém Q\Q. Combinado com a não enumerabilidade de R\R (Teorema 1.9 adiante), isso prova — sem exibir um único deles — que os números transcendentes existem e formam uma maioria não enumerável: o argumento de contagem de Cantor de 1874, a existência apenas pela cardinalidade.

Exemplo 1.11

(0,1)\intoo{0}{1} e [0,1]\intcc{0}{1} são equipotentes: a identidade injeta num sentido, xx+13x \mapsto \frac{x + 1}{3} no outro; o teorema fabrica a bijeção (necessariamente descontínua). Do mesmo modo R\R, (0,1)\intoo{0}{1} (por bijeções do tipo tanh\tanh) e P(N)\mathcal{P}(\N) (expansões binárias, Exercício 1.3) são todos equipotentes: “a cardinalidade do contínuo”.

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