Os vírus se escondem dentro das células, onde o complemento e os fagócitos não os alcançam. As células natural killer patrulham em busca de células que pararam de exibir o MHC de classe I — a “ausência do próprio” de uma célula cujo ocupante viral ou tumoral desligou a apresentação de antígeno para escapar das células T (Capítulo 16) — e de proteínas de estresse que células infectadas e transformadas põem em sua superfície; receptores inibitórios do MHC I e receptores ativadores dos ligantes de estresse são somados, e a célula que desequilibra a balança é morta em minutos pela perforina e pelas granzimas injetadas nela, que disparam sua apoptose. Os interferons do tipo I ( e ) são feitos por qualquer célula cuja RIG-I ou cGAS tenha detectado ácido nucleico viral; secretados, ligam-se a receptores das células vizinhas e, pela via JAK–STAT, induzem centenas de genes que põem essas células num estado antiviral: uma quinase que desliga a tradução quando encontra RNA de fita dupla, uma nuclease que degrada RNA, proteínas que bloqueiam a entrada e a montagem virais, e mais MHC I para mostrar às células T o que há dentro. A célula que fez o interferon pode morrer; suas vizinhas ficam avisadas. O interferon foi descoberto por Isaacs e Lindenmann (1957) como o fator, presente no meio de células infectadas por vírus, que tornava resistentes células novas, e é a razão pela qual uma célula infectada por um vírus resiste a um segundo.
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