O zigoto se divide num suspensor, que empurra o embrião para dentro do endosperma, e num embrião propriamente dito, que passa pelos estágios globular, cordiforme e de torpedo enquanto estabelece os polos da raiz e do caule e um ou dois cotilédones (folhas da semente) — a distinção entre monocotiledôneas e dicotiledôneas. Em muitas dicotiledôneas (feijão, ervilha), os cotilédones em crescimento absorvem o endosperma e se tornam eles mesmos a reserva de alimento; nos cereais e na maioria das monocotiledôneas, o endosperma persiste e o único cotilédone é um órgão de absorção. Os tegumentos endurecem e formam o tegumento da semente; a semente se desidrata até de água, o metabolismo para, e ela entra em dormência, que só termina quando um sinal — água, frio, luz, fogo, a passagem por um tubo digestório — indica que a estação é propícia. Enquanto isso, a parede do ovário cresce e forma o fruto, cuja forma é uma estratégia de dispersão: frutos secos que se abrem (vagens, cápsulas) ou não (grãos, nozes, sâmaras aladas), frutos carnosos que são comidos (bagas, drupas com caroço, a maçã, cuja polpa é receptáculo); a semente atravessa o animal intacta, com o tegumento escarificado, e é depositada, com adubo, a quilômetros de distância.
Exemplos
Exemplo 6.9 (Distâncias de dispersão)
Um aquênio de dente-de-leão com seu paraquedas desce a ; a partir de , num vento de , ele voa e, numa corrente térmica, centenas. Uma sâmara de bordo desce em autorrotação a a partir de : . Um caroço de cereja largado por uma ave depois de um voo de vinte minutos a : até . As bolotas de um carvalho caem a seus pés, a menos que um gaio as leve, o que ele faz aos milhares, a um quilômetro ou mais, esquecendo um décimo delas: os carvalhos que recolonizaram a Europa depois da última glaciação avançaram para o norte a centenas de metros por ano, muito mais depressa do que uma bolota rola, e foram as aves que os levaram.