O som é uma onda de pressão; o problema do ouvido é detectar variações de pressão de algumas dezenas de micropascais no ar e separá-las por frequência. O tímpano e os três ossículos do ouvido médio concentram a força dos da membrana nos da janela oval, elevando a pressão umas vinte vezes — o casamento de impedâncias entre o ar e o líquido do ouvido interno, sem o qual a maior parte do som se refletiria. Dentro da cóclea, um tubo enrolado de de comprimento, a onda de pressão percorre a membrana basilar, que é estreita e rígida na base e larga e frouxa no ápice; cada frequência faz a membrana vibrar mais num lugar — as frequências altas perto da base, as baixas perto do ápice — um mapa tonotópico que o encéfalo lê como altura do som. Sobre a membrana ficam as células ciliadas: células ciliadas internas numa única fileira, cada uma coroada por um tufo de estereocílios unidos ponta a ponta por finas ligações de ponta; curvar o tufo em direção ao seu cílio mais alto estira as ligações e abre canais de cátions em microssegundos, sem segundo mensageiro algum, e o potássio entra vindo da endolinfa, cuja composição incomum e cujo potencial de dão uma força motriz de . As células ciliadas internas sinalizam ao nervo auditivo; as células ciliadas externas, movidas pelo mesmo movimento, se contraem e se alongam com o som por meio da proteína motora prestina e bombeiam energia de volta à vibração da membrana — um amplificador que afina a sintonia cem vezes e é o que falha na maioria das surdezes. A intensidade é medida em decibéis: , com o limiar da audição; o ouvido funciona ao longo de , um trilhão de vezes em intensidade.
Exemplos
Exemplo 18.6 (Os números do ouvido)
No limiar da audição a membrana basilar se move cerca de e a amplitude de pressão é de , dois bilionésimos da atmosférica; a a pressão é um milhão de vezes maior e o movimento da membrana, de dezenas de nanômetros. Um ouvido jovem escuta de a e separa tons distantes entre si, com a discriminação do código de lugar afinada pelas células ciliadas externas. As fibras do nervo auditivo disparam em compasso com a onda de pressão até cerca de (travamento de fase), carregando temporização com precisão de dezenas de microssegundos, a partir da qual o encéfalo calcula a direção de um som pela diferença de chegada aos dois ouvidos — de apenas . Os órgãos do equilíbrio usam as mesmas células ciliadas: nos canais semicirculares a inércia do líquido as curva quando a cabeça gira (aceleração angular), e nos órgãos otolíticos uma camada de cristais de carbonato de cálcio as carrega com a gravidade e a aceleração linear.