A epigenética é o estudo das mudanças hereditárias na atividade dos genes que não são mudanças na sequência do DNA: estados carregados pela metilação do DNA, pelas marcas das histonas ou por circuitos autossustentados de fatores de transcrição, e copiados através da divisão celular. Dois alelos de sequência idêntica, mas com estado epigenético estável diferente, são epialelos. A herança através da mitose é a regra e é o que faz uma célula diferenciada continuar diferenciada. A herança através da meiose, de genitor para descendente, é a exceção nos mamíferos, porque as marcas são apagadas em duas ondas de reprogramação: nas células germinativas primordiais, onde os imprintings e a maior parte da metilação são varridos e depois fixados de novo conforme o sexo, e outra vez no zigoto e no embrião inicial, onde o genoma paterno é ativamente desmetilado pela TET3 e o materno passivamente, antes que os padrões próprios do embrião sejam estabelecidos pelas DNMT3.
Exemplos
Exemplo 1.19 (O camundongo agouti viável amarelo)
No alelo um retrotranspóson se inseriu a montante do gene de cor de pelagem agouti. Onde o promotor do transpóson está não metilado, ele aciona o agouti constantemente em todas as células; o camundongo é amarelo, obeso e propenso ao diabetes. Onde está metilado, o gene segue seu controle normal e o camundongo é pardo (“pseudoagouti”). Irmãos de ninhada geneticamente idênticos se distribuem por todo o espectro, e uma mãe amarela tem mais filhotes amarelos do que uma parda: o epialelo é apagado de forma incompleta através da linhagem germinativa materna. Waterland e Jirtle (2003) alimentaram mães prenhes com uma dieta rica em doadores de metila (folato, vitamina B12, colina, betaína) e deslocaram a pelagem dos filhotes rumo ao pardo. O ambiente de uma geração fixara uma marca que a geração seguinte carregou.