Um vetor de expressão põe a sequência codificadora clonada sob um promotor forte e controlável do hospedeiro (o promotor lac ou o T7 em E. coli, induzidos por um análogo de açúcar), com um sítio de ligação ao ribossomo, um terminador e, muitas vezes, uma etiqueta — seis histidinas, uma pequena proteína — fundida ao produto para purificação numa coluna. As bactérias produzem gramas por litro de uma proteína simples (insulina, hormônio de crescimento, enzimas), mas não conseguem glicosilar nem enovelar proteínas de mamífero complexas; a levedura acrescenta açúcares à sua própria maneira; células de inseto e de mamífero (as células de ovário de hamster chinês são o padrão da indústria) produzem anticorpos e fatores de coagulação enovelados e glicosilados como num humano. Um anticorpo monoclonal é feito por um hibridoma — um linfócito B produtor de anticorpo fundido a uma célula imortal de mieloma (Köhler e Milstein, 1975) — ou, hoje, clonando os genes do anticorpo numa linhagem de expressão de mamífero, em que o arcabouço murino pode ser substituído por sequência humana para evitar a rejeição imune (Capítulo 16).
Exemplos
Exemplo 6.7 (Insulina)
A insulina humana são duas cadeias, a A (21 resíduos) e a B (30), unidas por pontes dissulfeto e recortadas na célula a partir de um único precursor, a pró-insulina. O primeiro processo expressava as duas cadeias separadamente em E. coli, cada uma fundida à -galactosidase, clivava-as quimicamente e as unia in vitro; os processos posteriores expressam a pró-insulina e a clivam com as enzimas que o pâncreas usa. Desde 1996 a própria sequência vem sendo alterada: trocar ou acrescentar um resíduo ou dois dá análogos que se dissociam mais depressa (para uma refeição) ou que precipitam no local da injeção e se liberam ao longo de um dia. Uma proteína que exigia oito toneladas de glândulas por quilograma é hoje feita num fermentador, idêntica à humana ou melhor que ela.