Quando a luz bate numa superfície e volta em vez de atravessá-la ou morrer ali, chamamos isso de reflexão: a luz é refletida. Um espelho é uma superfície tão lisa que reflete a luz de um jeito perfeitamente ordenado — metal polido atrás de um vidro, água parada, uma colher reluzente.
Exemplos
Exemplo 32.3 (Mirando um quique)
Como o quique é tão ordenado, ele pode ser mirado: com um espelhinho ao sol dá para jogar uma mancha de luz em qualquer parede que você escolher — incline o espelho e a mancha obedece. Os navegantes e os montanhistas em apuros usam exatamente isso: um espelho piscando na direção de um navio ou de um helicóptero distante é um sinal visível por muitos quilômetros, movido inteiramente pelo Sol.
Exemplo 32.4 (Por que as paredes não são espelhos)
Uma parede branca reflete bastante luz — se não fosse assim, o cômodo ficaria sombrio — então por que ela não mostra imagem nenhuma? Vista de pertinho, a superfície dela é uma paisagem de saliências minúsculas: cada raio que chega obedece à regra do quique na sua ladeirinha particular, e o exército ordenado de raios se espalha em todas as direções. O polimento de um espelho mantém as ladeirinhas planas, o exército continua em formação e a imagem sobrevive ao quique. É a ordem, e não só o brilho, que produz uma imagem.
Exemplo 32.6 (Por que a imagem mora atrás)
O seu olho é uma alma simples: ele supõe que todo raio viajou em linha reta. O raio quicado vem mesmo da vela, passando pelo espelho — mas o olho o prolonga para trás, através do vidro, até o ponto de onde o raio parece ter partido. Todos os raios quicados concordam com esse ponto de partida fantasma: os raios de uma vela, uma vela fantasma bem nítida. Não há nada atrás da parede, claro — a imagem é a ilusão mais convincente da luz.