Sejam a,b∈R e f:I→R contínua. A equação
(E):y′′+ay′+by=f(x)
é uma equação linear de segunda ordem com coeficientes constantes; (H):y′′+ay′+by=0 é a sua equação homogênea, e χ(r)=r2+ar+b, o seu polinômio característico.
Exemplos
Exemplo 5.11 (Um problema de Cauchy, do início ao fim)
Resolva y′′−3y′+2y=0 com y(0)=0, y′(0)=1. O polinômio característico r2−3r+2=(r−1)(r−2) tem as raízes reais 1 e 2: solução geral y=λex+μe2x. As duas condições dão o sistema linear
λ+μ=0,λ+2μ=1,
de modo que μ=1, λ=−1:
y(x)=e2x−ex.
Verificação: y(0)=0; y′=2e2x−ex tem y′(0)=1; e y′′−3y′+2y=(4−6+2)e2x+(−1+3−2)ex=0. Note a forma da resposta: perto de −∞ domina o modo lento −ex; perto de +∞, o modo rápido e2x. Ler as soluções como superposições de modos com taxas diferentes de decaimento ou crescimento é o hábito rentável — é assim que a separação transitório/regime permanente do problema de fim de semana é organizada.
Exemplo 5.14 (Superposição em ação)
Resolva y′′−y=ex+4 em R. Homogênea: χ(r)=r2−1, raízes ±1, de modo que yh=λex+μe−x. Separe o lado direito e trate cada parcela pelo quadro do método. Parcela ex: aqui γ=1 é raiz simples de χ, então tente y1=cxex: nesse caso y1′′−y1=c(x+2)ex−cxex=2cex, o que dá c=21. Parcela 4: γ=0 não é raiz; a constante y2=−4 serve. Por superposição (Teorema 5.12 (2)):
y=2xex−4+λex+μe−x,(λ,μ)∈R2.
Note como as duas parcelas exigiram formas diferentes (m=1 contra m=0): o teste de multiplicidade é aplicado a cada expoente separadamente, o que é toda a razão de separar o lado direito antes de adivinhar.
Exemplo 5.15 (A regra da multiplicidade em ação)
Resolva y′′+y′=x em R. O lado direito é P(x)e0⋅x com P(x)=x, e γ=0 é raiz simples de χ(r)=r2+r=r(r+1): logo m=1, e o palpite correto é yp=x(αx+β)=αx2+βx, um grau acima de P. Substituindo:
yp′′+yp′=2α+(2αx+β)=2αx+(2α+β),
e a identificação com x dá α=21, β=−1: yp=2x2−x. Solução geral: y=2x2−x+λ+μe−x. Se tivéssemos adivinhado yp=αx+β (ignorando a multiplicidade), a substituição daria yp′′+yp′=α, uma constante — nenhuma escolha de α,β pode igualar x, e a falha é estrutural: as constantes já resolvem a equação homogênea, de modo que são invisíveis ao lado esquerdo. O fator xm existe precisamente para sair do espaço das soluções homogêneas.