Matemática universitária — Graduação 1 · Bachelor Year 1
5Equações Diferenciais Lineares
Encontradas pela primeira vez no volume do ensino médio, as equações diferenciais são tratadas aqui com demonstrações completas e em maior generalidade: equações lineares de primeira ordem com coeficientes variáveis (resolvidas completamente pelo método da variação das constantes) e equações lineares de segunda ordem com coeficientes constantes, o modelo das oscilações. Os dois casos exibem a mesma estrutura: solução geral uma solução particular solução geral da equação homogênea.
5.1 Equações lineares de primeira ordem
Definição 5.1
Sejam um intervalo e (ou ) funções contínuas. A equação
na função incógnita derivável (ou ), é uma equação diferencial linear de primeira ordem. A equação é a sua equação homogênea.
Teorema 5.2 (Resolvendo a equação homogênea)
Seja uma primitiva de em (ela existe: Capítulo 15). As soluções de em são exatamente as funções
Demonstração. Essas funções são soluções: . Reciprocamente, seja uma solução de e ponha . Então
de modo que é constante no intervalo , digamos : . (Note a lógica: nenhuma solução se perde, porque toda solução foi escrita na forma anunciada.) ∎
Exemplo 5.3 (Uma equação homogênea com coeficiente variável)
Resolva em . Uma primitiva de é , de modo que as soluções são
Duas leituras. Toda solução é periódica (de período ) e nunca se anula, a menos que — o sinal de é para sempre o sinal de , pois uma exponencial não pode cruzar o zero. E a solução que passa por é : exatamente uma curva da família por cada ponto inicial, o retrato unidimensional do Teorema 5.4 (2).
Teorema 5.4 (Variação das constantes; problema de Cauchy)
Com as notações acima:
As soluções de em são exatamente
em que está fixado. Equivalentemente: solução geral de mais uma solução particular de .
- Para todos e , o problema de Cauchy “ e ” tem exatamente uma solução em .
Demonstração. (1) Seguindo o método chamado variação das constantes, procuremos soluções da forma com derivável — nenhuma generalidade se perde, pois toda função em pode ser assim escrita (). Substituindo,
de modo que é solução de se, e somente se, , se e somente se para alguma constante (duas primitivas de uma mesma função contínua num intervalo diferem por uma constante).
(2) Na fórmula, : a condição determina de modo único. ∎
Exemplo 5.5
Resolva em . Aqui , , . Soluções homogêneas: . Variação das constantes: , de modo que , e
Com a condição inicial : . Verificação: .
Exemplo 5.6 (Adivinhar bate integrar)
Resolva em . A variação das constantes funciona (, , ), mas observar que a constante resolve a equação () é mais rápido. Com as soluções homogêneas :
Toda solução converge para extremamente depressa quando : a solução particular constante é um equilíbrio ao qual todas as soluções se juntam. A ideia: antes de lançar o método geral, gaste dez segundos procurando uma solução particular óbvia (constante, monômio, múltiplo do lado direito); o teorema de estrutura conclui então o trabalho.
Observação 5.7 (Os intervalos importam)
O teorema vive num intervalo em que e são contínuas. Para em , as soluções são em e em , com constantes independentes: não há razão para uma única fórmula colar através da singularidade em .
Exemplo 5.8 (Um lado direito complexo, duas respostas reais)
Resolva e de uma só vez. Trabalhe em com o lado direito : tentar dá , de modo que
Como a equação tem coeficientes reais, as partes real e imaginária se separam: resolve , e resolve (verifique a primeira: a derivada , menos a função, dá ). Uma linha complexa substituiu duas execuções da variação das constantes — a mesma economia que o Método 5.13 sistematiza para a segunda ordem, e um dividendo recorrente do Capítulo 3.
5.2 Equações lineares de segunda ordem com coeficientes constantes
Definição 5.9
Sejam e contínua. A equação
é uma equação linear de segunda ordem com coeficientes constantes; é a sua equação homogênea, e , o seu polinômio característico.
Teorema 5.10 (Soluções homogêneas)
Seja o discriminante de . As soluções reais de em são:
- se , com as duas raízes reais: ;
- se , com a raiz dupla: ;
- se , com raízes (): ;
em cada caso com percorrendo .
Demonstração. Observe primeiro que, para , é solução de se, e somente se, (substitua: ). É por isso que as exponenciais são o primeiro palpite natural: a derivação age sobre como a multiplicação pelo número , de modo que a equação diferencial se torna a equação numérica — todo o problema analítico fica comprimido em encontrar as raízes de uma equação do segundo grau.
O passo-chave é uma mudança de incógnita que reduz a ordem. Seja uma raiz (possivelmente complexa) de e escreva , o que não faz perder generalidade. Então
de modo que se torna a equação de primeira ordem para .
Caso : escolha ; então (pois ). Pelo Teorema 5.2, para alguma constante ; integrando em , com e, portanto, . Quando , as raízes são e as soluções complexas são com . Quais delas assumem valores reais? Como , o conjugado de é , e para todo força (as duas exponenciais são linearmente independentes: avalie em dois pontos, ou compare em depois de dividir por ). Escrevendo com reais:
e, reciprocamente, toda função desse tipo é solução (parte real de uma solução complexa de uma equação real): o espaço das soluções reais é o anunciado.
Caso : , , de modo que : e . ∎
Exemplo 5.11 (Um problema de Cauchy, do início ao fim)
Resolva com , . O polinômio característico tem as raízes reais e : solução geral . As duas condições dão o sistema linear
de modo que , :
Verificação: ; tem ; e . Note a forma da resposta: perto de domina o modo lento ; perto de , o modo rápido . Ler as soluções como superposições de modos com taxas diferentes de decaimento ou crescimento é o hábito rentável — é assim que a separação transitório/regime permanente do problema de fim de semana é organizada.
Teorema 5.12 (Estrutura e problema de Cauchy)
- Se é uma solução particular de , as soluções de são exatamente , com percorrendo as soluções de .
- (Superposição) Se resolve e resolve , então resolve a equação com lado direito .
- Para todos e , o problema de Cauchy “, , ” tem exatamente uma solução em . (Existência dada uma solução particular; unicidade em geral.)
Demonstração. (1) resolve se, e somente se, resolve , pela linearidade de . (2) é a mesma linearidade.
(3) Por (1), basta demonstrar que as constantes podem sempre ser ajustadas, de modo único, a quaisquer dados . Transladando a variável, suponha . No caso (1) do Teorema 5.10, dá
um sistema linear em cujo determinante é ; resolvendo-o explicitamente, e : exatamente uma solução. No caso (2), e : o sistema é triangular, com determinante , resolvido por , . No caso (3), e : determinante , resolvido por , . Em cada caso, a aplicação é uma bijeção linear — a linguagem do Capítulo 20 comprimirá esta verificação por casos numa única frase. ∎
Método 5.13 (Solução particular para )
Quando o lado direito é com um polinômio e (isso cobre polinômios, exponenciais e, via complexo ou superposição, e ), procure uma solução particular da forma
com um polinômio do mesmo grau que , cujos coeficientes se encontram por substituição e identificação. Para (ou ), resolva com lado direito e tome a parte real (resp. imaginária).
Exemplo 5.14 (Superposição em ação)
Resolva em . Homogênea: , raízes , de modo que . Separe o lado direito e trate cada parcela pelo quadro do método. Parcela : aqui é raiz simples de , então tente : nesse caso , o que dá . Parcela : não é raiz; a constante serve. Por superposição (Teorema 5.12 (2)):
Note como as duas parcelas exigiram formas diferentes ( contra ): o teste de multiplicidade é aplicado a cada expoente separadamente, o que é toda a razão de separar o lado direito antes de adivinhar.
Exemplo 5.15 (A regra da multiplicidade em ação)
Resolva em . O lado direito é com , e é raiz simples de : logo , e o palpite correto é , um grau acima de . Substituindo:
e a identificação com dá , : . Solução geral: . Se tivéssemos adivinhado (ignorando a multiplicidade), a substituição daria , uma constante — nenhuma escolha de pode igualar , e a falha é estrutural: as constantes já resolvem a equação homogênea, de modo que são invisíveis ao lado esquerdo. O fator existe precisamente para sair do espaço das soluções homogêneas.
Observação 5.16 (A apólice de seguro de trinta segundos)
Toda equação resolvida neste capítulo termina com uma verificação por substituição, e isso não é decorativo. Um cálculo de equação diferencial encadeia muitos passos pequenos (uma primitiva, uma regra do produto, duas constantes), e um único erro de sinal se propaga invisivelmente; substituir a fórmula final na equação captura essencialmente todos eles ao custo de uma derivação. Cultive o reflexo em três camadas: verifique a solução particular sozinha (a parte homogênea se cancela de qualquer modo), verifique as condições iniciais na solução completa e, quando houver um parâmetro, verifique um valor degenerado (a fórmula para geral reproduz a resposta conhecida em ?). O hábito custa meio minuto e converte “provavelmente certo” em “verificado”.
Observação 5.17 (Armadilhas frequentes)
- Normalize primeiro. As fórmulas supõem que a equação se lê — coeficiente em . Para , divida por (num intervalo que evite ) antes de identificar e , como no Exercício 5.2.
- Uma constante por dimensão, fixada no fim. A solução geral de primeira ordem carrega uma constante; a de segunda ordem, duas; as condições iniciais são impostas à solução completa , nunca a sozinha — impô-las antes de somar é o erro estrutural mais frequente.
- Atenção à multiplicidade. Um palpite de solução particular que resolve a equação homogênea é invisível ao lado esquerdo; o fator do Método 5.13 não é opcional (Exemplo 5.15).
- Os intervalos fazem parte da resposta. As soluções vivem em intervalos nos quais os coeficientes são contínuos; colar através de uma singularidade pode criar constantes espúrias (Exercício 5.12) ou destruir a unicidade. “Resolva em ” significa dois problemas independentes.
Exemplo 5.18 (Forçamento fora de ressonância)
Resolva em . Frequência natural , frequência de forçamento : como não é raiz de , a multiplicidade é e uma senoide simples basta. Tentando (nenhum cosseno é necessário: a equação não tem termo em , e regenera ):
de modo que , e a solução geral é
Toda solução permanece limitada: uma superposição de duas oscilações nas frequências (forçada) e (natural). Compare com o exemplo seguinte, em que forçar na frequência natural muda a própria forma da resposta.
Exemplo 5.19 (Uma oscilação forçada)
Resolva , , .
Homogênea: , raízes : .
Particular: lado direito com raiz simples de : tente (). Então , o que é igual a para . Logo, e .
Solução geral: . Condições: ; , de modo que . Resposta: — uma oscilação cuja amplitude cresce linearmente: o fenômeno da ressonância, causado por forçar o sistema na sua frequência natural.
Observação 5.20 (Interlúdio: a linearidade é uma geometria)
Olhe de novo a forma de cada conjunto solução deste capítulo: uma solução especial mais um espaço de soluções homogêneas com uma constante livre (primeira ordem) ou duas (segunda ordem). Os capítulos de álgebra linear (Capítulos 18, 19 e 20) fornecerão o vocabulário exato: a aplicação é linear, as suas soluções homogêneas formam o núcleo de , um espaço vetorial cuja dimensão é igual à ordem da equação — eis o conteúdo honesto de “uma constante por ordem” — e o conjunto solução de é um subespaço afim, um transladado do núcleo. Até a aplicação de Cauchy do Teorema 5.12 é uma bijeção linear entre dois planos, isto é, um sistema invertível (Capítulo 21). Nada neste capítulo precisará ser refeito — apenas rebatizado, e o rebatismo é o melhor aquecimento possível para a álgebra linear: toda definição abstrata de lá já ganhou o seu sustento aqui.
Observação 5.21 (Onde este capítulo é usado)
O teorema de estrutura — as soluções de formam “uma solução particular mais as soluções de ” — é a primeira aparição de um padrão que o Capítulos 18 e 20 nomeará: o conjunto solução de é o núcleo da aplicação linear , e o conjunto solução de é um transladado afim dele. O polinômio característico reaparece como o polinômio característico de uma matriz no Capítulo 21: uma equação de segunda ordem é um sistema de primeira ordem disfarçado, ponto de vista que o volume do segundo ano de graduação sistematiza. As integrais exigidas pela variação das constantes são fornecidas pelo Capítulo 15, e o problema de fim de semana abaixo — o oscilador amortecido e forçado — é o caso modelo de toda questão de oscilação nas ciências, dos circuitos às pontes suspensas.
5.3 Exercícios
Exercício 5.1 ★
Resolva em : ; depois o problema de Cauchy .
Solução
Solução de Exercício 5.1.
Homogênea: . Particular: tente ( não é raiz de ): , . Solução geral: . Com : , , de modo que .
Exercício 5.2 ★
Resolva em : (coloque a equação na forma normalizada primeiro).
Solução
Solução de Exercício 5.2.
Em , divida por : . Aqui , : soluções homogêneas . Variação das constantes: , de modo que e
Verificação: .
Exercício 5.3 ★
Resolva em , dando a solução geral real: ; ; .
Solução
Solução de Exercício 5.3.
: raízes e ; .
: raiz dupla ; .
: raízes ; .
Exercício 5.4 ★
Resolva em e depois o problema de Cauchy , .
Solução
Solução de Exercício 5.4.
Homogênea: raízes , . Particular com lado direito polinomial ( não é raiz): ; substituindo, dá , , : . Solução geral: .
Cauchy: e : , . Logo, .
Exercício 5.5 ★★
Resolva em : .
Solução
Solução de Exercício 5.5.
, (válido: no intervalo), : soluções homogêneas . Variação das constantes: , de modo que e
Verificação: e ; a soma vale , como exigido.
Exercício 5.6 ★★
Resolva em . (Atenção à multiplicidade: é raiz do polinômio característico?)
Solução
Solução de Exercício 5.6.
: é raiz simples (). Tente . Com ,
Identificando com : e , de modo que , . Solução geral:
Exercício 5.7 ★★
Resolva em (superposição; trate cada lado direito separadamente).
Solução
Solução de Exercício 5.7.
Homogênea: .
Lado direito ( não é raiz): com : .
Lado direito , sendo raiz simples de : tente ; então , igual a para . Logo, e .
Por superposição:
Exercício 5.8 ★★
Uma xícara de café à temperatura C está numa sala a C. A lei do resfriamento de Newton diz que com . Resolva para e, sabendo que o café está a C após minutos, determine quando ele atinge C.
Solução
Solução de Exercício 5.8.
A equação tem a solução particular constante e as soluções homogêneas : , e dá :
: , de modo que . Então exige , isto é,
Exercício 5.9 ★★★
(Oscilador amortecido) Para , considere .
- Resolva para , e .
- Mostre que, para , toda solução tende a em , e que, para , as soluções não nulas não tendem.
- Para , mostre que os zeros de uma solução não nula são regularmente espaçados, com passo .
Solução
Solução de Exercício 5.9.
- , . Para : raízes , de modo que com . Para : raiz dupla , . Para : raízes reais , ambas , e .
- Para : . Para : (a exponencial vence o polinômio, Proposição 4.6). Para : as duas exponenciais decaem, pois (com efeito, ). Para : tem amplitude constante , a menos que .
- Escreva com . Os zeros de são os de (o fator nunca se anula): , uma progressão aritmética de passo .
Exercício 5.10 ★★★
Encontre todas as funções , duas vezes deriváveis, tais que
com e não constante. Sugestão: fixe , derive duas vezes em relação a em ; mostre que e para alguma constante ; depois resolva conforme o sinal de e verifique quais soluções satisfazem a equação funcional.
Solução
Solução de Exercício 5.10.
Ponha : , e dá . Fixe e derive duas vezes a equação em relação a :
Fazendo : , isto é,
Caso : ; dá . Substituindo na equação funcional e usando as fórmulas de adição (Proposição 4.18), a equação força (compare os coeficientes de ou avalie em ): , que de fato satisfaz .
Caso : do mesmo modo, (), que satisfaz a equação.
Caso : é afim com : ; a equação força , o que está excluído ( não constante).
Conclusão: as soluções são e , .
Exercício 5.11 ★★
(Equação de Euler) Resolva em . Sugestão: ponha , isto é, substitua , e mostre que satisfaz uma equação linear com coeficientes constantes.
Solução
Solução de Exercício 5.11.
Ponha , de modo que para . Então
e, substituindo na equação:
Polinômio característico : raiz dupla , de modo que e, de volta à variável :
Exercício 5.12 ★★★
Considere a equação em toda a reta real, na função incógnita derivável .
- Resolva em e em .
- Mostre que, para quaisquer constantes , a função igual a para e a para é derivável em e resolve a equação em toda parte.
- Conclua que o conjunto solução em é uma família a dois parâmetros e explique por que isso não contradiz a unicidade do Teorema 5.4.
Solução
Solução de Exercício 5.12.
- Na forma normalizada em cada intervalo: , de modo que as soluções são em e em , com constantes independentes (Teorema 5.2).
- Seja para e para . Em cada semirreta aberta, é derivável com . Em : os quocientes de diferenças ou tendem a , de modo que existe, e a equação em diz que : satisfeita. Logo, resolve a equação em todo o .
- As soluções em são exatamente essas funções coladas: uma família a dois parâmetros para uma equação de primeira ordem. Não há contradição com o Teorema 5.4, cujas hipóteses falham aqui: escrito como , o coeficiente não é contínuo em — nem sequer está definido — de modo que não é um intervalo no qual o teorema se aplique. A singularidade em desconecta as duas semirretas, e o valor fica forçado, sem transportar informação alguma de um lado ao outro. Todo dado de Cauchy em determina a solução apenas na semirreta que contém .
5.4 Problema: O oscilador amortecido e forçado
Problema 5.1
Uma única equação governa uma massa presa a uma mola num meio viscoso, a carga num circuito RLC e um prédio balançando ao vento:
com o amortecimento, a frequência natural, e , a amplitude e a frequência do forçamento. Este problema extrai o seu comportamento completo: o decaimento dos transitórios, o único regime permanente periódico, a curva de ressonância e a sua nitidez (o fator de qualidade), os batimentos do caso não amortecido e o balanço de energia que sustenta a oscilação. Salvo menção em contrário, (regime subamortecido) e escrevemos .
Parte I — O oscilador livre. Aqui .
- Resolva a equação homogênea para e para . (Os regimes foram tratados no Exercício 5.9; cite-os.)
- Mostre que, para todo , todas as soluções de tendem a em — nos três regimes.
- Defina a energia ao longo de uma solução de . Mostre que e deduza (sem resolver nada) que o problema de Cauchy “, ” só tem a solução nula, para todo .
- Para , escreva a solução não nula como e seja o pseudoperíodo. Mostre que : cada oscilação é a anterior encolhida pelo fator constante , (o decremento logarítmico). Calcule para , .
- Defina o fator de qualidade . Mostre que, após o tempo (uma multiplicação da amplitude por ), o oscilador completou pseudoperíodos, o que, para amortecimento fraco (), é aproximadamente : o fator de qualidade conta, a menos de , as oscilações sobreviventes antes de a amplitude decair por um fator .
Parte II — O regime permanente. Agora e .
Procure uma solução particular como parte real de com (Método 5.13). Mostre que isso funciona com
Deduza o regime permanente na forma amplitude–fase: com
- Interprete os dois regimes extremos: calcule os limites de e quando (resposta quase estática , fase ) e quando (, fase : a massa se move em oposição a um forçamento rápido demais).
- Mostre que toda solução de é mais uma solução de e, portanto, converge para o regime permanente quando , quaisquer que sejam as condições iniciais: depois que o transitório morre, o oscilador não guarda memória de como começou.
- Mostre que é a única solução periódica de .
Leve um problema de Cauchy até o fim: para com , mostre que a solução é
e identifique as partes transitória e permanente.
Parte III — A curva de ressonância. Estudo de em .
Pondo e , mostre que: se , então atinge um máximo estrito na frequência de ressonância , com
- Mostre que : na ressonância, o forçamento é amplificado (essencialmente) pelo fator de qualidade.
- Demonstre que a amplitude da velocidade é máxima exatamente em (e não em ), e que ali a fase vale : em a velocidade está exatamente em fase com a força.
- (Largura de banda) Resolva exatamente, em que , e deduza que as duas frequências em que satisfazem ; conclua que, para amortecimento fraco, a largura de banda é , isto é, : picos de ressonância agudos correspondem a sistemas de alto.
- Retrato numérico para , (), : calcule , , a resposta estática e a largura de banda aproximada.
- Mostre que, se , então é estritamente decrescente em : sistemas fortemente amortecidos não têm pico de ressonância algum.
Parte IV — Sem amortecimento: batimentos e ressonância. Aqui .
- Para , encontre a solução geral de .
Resolva o problema de Cauchy e transforme a resposta na forma de produto
- Para próximo de , leia o produto como uma oscilação rápida de frequência modulada por um envelope lento de frequência : os batimentos. Dê o período do envelope e a amplitude máxima, e note como ambos explodem quando .
Fixe e faça na fórmula da questão 19: mostre que o limite é
e verifique diretamente que resolve a equação ressonante com (compare com o Exemplo 5.19): a ressonância é o limite de batimentos cada vez mais lentos e cada vez maiores.
- Contraste os dois destinos da ressonância: crescimento linear sem amortecimento, contra saturação em com amortecimento fraco. Em uma frase: que mecanismo físico converte o primeiro no segundo?
Parte V — Balanço de energia e síntese.
- No regime permanente da Parte II, calcule a média ao longo de um período de (a) a potência injetada pelo forçamento, , e (b) a potência dissipada pelo amortecimento, . Mostre que as duas médias valem : o forçamento injeta exatamente o que o amortecimento queima — eis por que o regime permanente é permanente.
- Onde exatamente o problema usou: (i) o teorema de estrutura Teorema 5.12; (ii) o método da exponencial complexa; (iii) um estudo de função de variável real ao estilo do Capítulo 4? Uma frase para cada.
- Síntese: descreva o mapa completo de comportamentos de — livre contra forçado, amortecido contra não amortecido, o papel de como o único mostrador adimensional que ajusta altura do pico, largura de banda e tempo de vida do transitório — e mencione onde a história continua: sistemas de primeira ordem (Capítulo 21 e o volume do segundo ano de graduação) e a decomposição de um forçamento periódico geral em senoides (séries de Fourier, no volume do terceiro ano de graduação), para as quais o caso senoidal deste problema é o tijolo fundamental.
Solução
Solução de Problema 5.1.
1. , para : raízes , de modo que, pelo Teorema 5.10,
Para : . Os regimes crítico () e superamortecido () são os do Exercício 5.9 (após reescalonar o tempo): , resp. combinações de com .
2. Subamortecido: . Crítico: , pois as exponenciais vencem os polinômios (Proposição 4.6). Superamortecido: porque ; as duas exponenciais decaem.
3. Ao longo de uma solução de , usando :
Se , então ; é não negativa e não crescente, de modo que em , o que força ali; para , aplique o mesmo argumento a , que resolve a equação com amortecimento , mas ainda tem e com ; não negativa, não decrescente e nula na extremidade direita de significa nula em toda parte. Logo, em — uma demonstração de unicidade por energia, válida para todo .
4. . O fator de encolhimento por pseudoperíodo é com . Para , : , de modo que : cada oscilação guarda da sua amplitude.
5. O fator de amplitude é , que decai por um fator ao longo de . Esse intervalo contém pseudoperíodos. Para , e isso vale . Uma corda de violão com soa por cerca de cem períodos; um amortecedor de porta com não completa nem um.
6. Substituir no lado esquerdo dá , que é igual a exatamente para (o denominador é não nulo: a sua parte imaginária é ). Como os coeficientes são reais, a parte real resolve a equação com lado direito .
7. Escreva com e (a parte imaginária é positiva), de modo que . Então e
8. Quando : , de modo que e com : . A massa segue a força quase estaticamente, deslocada por força/rigidez. Quando : , de modo que , e (o número complexo vai para o segundo quadrante, com argumento ): a massa mal se move, e em oposição de fase — a inércia domina.
9. Pelo Teorema 5.12 (1), toda solução é com resolvendo ; pela questão 2, , de modo que : todas as soluções convergem ao mesmo regime permanente. As condições iniciais só moldam o transitório.
10. Se é uma solução periódica, é uma solução periódica de que tende a em ; uma função periódica com limite é identicamente (os seus valores num período se repetem para sempre, de modo que todo valor é limite de uma subsequência que tende a ). Portanto, .
11. Aqui , , , : , de modo que
Homogênea: as raízes de são : . Condições: dá ; derivando, dá . Portanto,
com o transitório morrendo como .
12. Expandindo, com e
Se , então é uma frequência ao quadrado admissível: tem ali um mínimo estrito, de modo que tem um máximo estrito em , com .
13. , de modo que
Para amortecimento fraco, o fator de correção é próximo de : a ressonância multiplica o deslocamento estático essencialmente por .
14. com . A sua derivada tem o sinal de , positivo para e negativo além disso: máximo estrito exatamente em , para todo amortecimento. Ali explode, com : , e está exatamente em fase com a força: transferência ótima de potência.
15. , o que dá
Então e, para , ambos : , de modo que . Medir a largura de um pico de ressonância é medir o seu fator de qualidade.
16. ; ; ; resposta estática ; largura de banda . Um pico alto e fino, de altura , sobre um platô de altura .
17. Se , então e para todo : cresce estritamente em , de modo que decresce estritamente a partir de : a resposta é máxima na frequência zero e não há pico algum.
18. não é raiz de (pois ), de modo que o Método 5.13 com dá (substitua e verifique: vezes o cosseno). Solução geral:
19. força , e força :
pela fórmula de transformação em produto aplicada com , .
20. Para próximo de , o segundo seno oscila na frequência rápida , ao passo que o primeiro é um envelope lento de frequência : a amplitude da oscilação rápida cresce e mingua, com período do envelope (dois batimentos por período do envelope), atingindo máximos . Quando , os batimentos ficam ao mesmo tempo mais lentos (período ) e mais altos (amplitude ).
21. Fixe . Quando :
ao passo que : o limite é . Verificação direta: com , tem , de modo que , com e — para isso é exatamente o Exemplo 5.19. A ressonância é a degeneração dos batimentos: o primeiro inchaço do envelope, esticado até um comprimento infinito.
22. Sem amortecimento, a amplitude ressonante cresce linearmente e sem limite; com amortecimento , o crescimento satura em . O mecanismo: a dissipação retira energia a uma taxa que cresce com a amplitude (questão 23), de modo que o acúmulo para exatamente quando o amortecimento queima energia tão depressa quanto o forçamento a fornece.
23. Com , ao longo de um período as médias e dão:
e, expandindo :
Como , isso vale : as potências injetada e dissipada se equilibram exatamente — a propriedade que define um regime permanente.
24. (i) O teorema de estrutura separou cada solução em regime permanente mais transitório (questões 9–11) e reduziu a unicidade ao problema homogêneo. (ii) O método complexo transformou a busca de uma solução particular numa única divisão de números complexos (questão 6), com amplitude e fase lidas num módulo e num argumento. (iii) A curva de ressonância é um puro estudo de função — uma quadrática em , o seu mínimo, os seus conjuntos de nível — ao estilo do Capítulo 4 (questões 12–17).
25. Livre e amortecido: pseudo-oscilações que decaem, tempo de vida , cerca de oscilações. Forçado e amortecido: os transitórios morrem e sobrevive um único regime permanente senoidal na frequência de forçamento, com amplitude que atinge o pico perto de (altura a resposta estática, largura ) e fase varrendo de a , passando por em . Livre e não amortecido: oscilação perpétua. Forçado e não amortecido: batimentos, degenerando numa ressonância de crescimento linear na sintonia exata. Um único número adimensional, , ajusta tudo — altura do pico, largura de banda e tempo de vida do transitório são três leituras do mesmo mostrador. A continuação: reescrever como um sistema de primeira ordem abre os métodos matriciais do Capítulo 21 e do volume do segundo ano de graduação, e decompor um forçamento periódico arbitrário em senoides (séries de Fourier, volume do terceiro ano de graduação) torna a análise a uma só frequência deste problema o tijolo universal: resolva para cada frequência e superponha.