O dual de E é E∗=L(E,K), o espaço das formas lineares. Se B=(e1,…,en) é uma base de E, as formas coordenadas e1∗,…,en∗ definidas por ei∗(ej)=δij (Kronecker: 1 se i=j, e 0 caso contrário) formam a base dual B∗ de E∗; em particular dimE∗=dimE, e
x=i=1∑nei∗(x)ei(x∈E),φ=i=1∑nφ(ei)ei∗(φ∈E∗).
Exemplos
Exemplo 2.2
Em Kn[X] com a base (1,X,…,Xn): a base dual é P↦k!P(k)(0) (coeficientes de Taylor). Outra base do dual: as avaliações P↦P(xi) em n+1 pontos distintos — sua base “pré-dual” em Kn[X] é exatamente a família dos polinômios de Lagrange Li (volume do primeiro ano de graduação), pois Li(xj)=δij. A interpolação é dualidade.
Exemplo 2.4 (Uma base dual de R2, inteiramente calculada)
Para a base b1=(1,1), b2=(1,−1) de R2: a base dual (b1∗,b2∗) deve satisfazer bi∗(bj)=δij. Escrevendo b1∗(x,y)=αx+βy, as condições α+β=1 e α−β=0 dão
b1∗(x,y)=2x+y,e do mesmo modob2∗(x,y)=2x−y.
Verificações de bom senso: b1∗ não é e1∗+e2∗ avaliado ingenuamente — a base dual depende da base inteira, e não de cada vetor separadamente (substituir b2 por (0,1) transforma b1∗ em x↦x). E a fórmula de desenvolvimento funciona: (x,y)=2x+yb1+2x−yb2, a decomposição par/ímpar de um par — as bases duais são extratoras de coordenadas, e esta extrai as partes simétrica e antissimétrica.
Exemplo 2.9 (A transposta, entrada por entrada)
Seja u:R2→R3 de matriz A=(103210) nas bases canônicas. Para ψ=b1f1∗+b2f2∗+b3f3∗∈(R3)∗, calcule uT(ψ)=ψ∘u na base de R2:
(ψ∘u)(e1)=ψ(1,0,3)=b1+3b3,(ψ∘u)(e2)=ψ(2,1,0)=2b1+b2.
Logo uT(ψ)=(b1+3b3)e1∗+(2b1+b2)e2∗ e, nas bases duais, a matriz de uT é
(120130)=AT:
a transposta abstrata é a matriz virada, sem nenhum cálculo que reste a aceitar por fé. Note o mecanismo: a j-ésima coluna de A tornou-se a j-ésima linha da nova matriz porque ψ∘u lê as saídas de u através dos coeficientes de ψ.