Pelo Lema 11.1: convergência absoluta para ∣z∣<R (normal em subdiscos compactos), divergência — com termos até ilimitados — para ∣z∣>R. No círculo de fronteira, tudo pode acontecer (Exercício 11.2). Na prática, R é calculado pelo critério da razão de d’Alembert em ∣an∣∣z∣n ou por comparação.
Exemplos
Exemplo 11.3(Um raio sem critério da razão)
Qual é o raio de ∑sin(n)zn? A razão ∣sin(n+1)/sinn∣ não tem limite, mas a definição funciona diretamente. R≥1:∣sinn∣≤1, logo (sinn⋅rn) é limitada para todo r<1 — de fato, para r=1. R≤1: basta que sinn→0. Suponha sinn→0; a fórmula de adição
sin(n+1)=sinncos1+cosnsin1
forçaria cosn→0 (resolva para cosn: sin1=0), contradizendo sin2n+cos2n=1. Assim os termos sin(n)1n não tendem a 0: a série diverge em z=1, e R≤1. Conclusão: R=1. Lição final: o raio é um enunciado sobre ∣an∣rn ser limitada — nenhum limite de razões é jamais exigido, e argumentos de limitação resolvem casos que o critério da razão não consegue tocar (compare os coeficientes oscilantes do Exercício 11.1).
Exemplo 11.6(Multiplicar por 1−x1 soma os coeficientes)
Um produto de Cauchy contra a série geométrica tem um significado memorável: para qualquer ∑anxn de raio R>0 e ∣x∣<min(R,1),
1−x1n≥0∑anxn=n≥0∑(k=0∑nak)xn:
multiplicar por 1−x1 substitui os coeficientes por suas somas parciais (convolução com a sequência de uns). Exemplo: 1−xex=∑nsnxn com sn=∑k≤nk!1, as somas parciais de e — compare com o Exercício 11.11, em que o mesmo produto com e−x codifica as contagens de desarranjos. Lição final: operações sobre séries de potências são operações sobre sequências de coeficientes disfarçadas (multiplicar por 1−x1: somar; multiplicar por x: deslocar; derivar: multiplicar por n e deslocar) — um dicionário que o capítulo de funções geradoras lerá com fluência.
Exemplo 11.20(A fórmula de Binet, executada)
Sejam φ=21+5 e ψ=21−5, as raízes de X2=X+1; como φ+ψ=1 e φψ=−1,
1−x−x2=(1−φx)(1−ψx).
Frações parciais: procurando (1−φx)(1−ψx)x=1−φxA+1−ψxB, o termo constante dá A+B=0 e o coeficiente de x dá −Aψ−Bφ=1, logo A(φ−ψ)=1: A=51=−B. Duas séries geométricas depois,
F(x)=51n≥0∑(φn−ψn)xn⟹Fn=5φn−ψn
pela unicidade dos coeficientes (Teorema 11.7). Como ∣ψ∣<1, o termo 5ψn tem valor absoluto <21: Fn é o inteiro mais próximo de 5φn. Lição final: o raio φ1 de F é o inverso da raiz dominante — o crescimento dos coeficientes e o raio de convergência são a mesma informação lida em sentidos opostos.