Quando a cadeia entra no lúmen, um oligossacarídeo pré-montado de catorze açúcares (duas N-acetilglicosaminas, nove manoses, três glicoses) é transferido de um carreador lipídico para asparaginas na sequência Asn-X-Ser/Thr — a N-glicosilação. As três glicoses são então aparadas uma a uma, e a aparagem é um relógio do enovelamento: uma proteína que ainda carrega uma glicose é retida pela chaperona calnexina; uma proteína cuja última glicose foi removida mas que ainda não está enovelada é reglicosilada por uma enzima que reconhece trechos hidrofóbicos expostos, e volta à calnexina — o ciclo da calnexina. As proteínas que falham repetidamente são puxadas de volta ao citosol, ubiquitinadas e destruídas pelo proteassomo: a degradação associada ao RE (ERAD). Quando as proteínas mal enoveladas se acumulam mais depressa do que podem ser enoveladas ou destruídas, sensores da membrana do retículo disparam a resposta a proteínas mal enoveladas: a tradução é retardada, os genes de chaperonas são induzidos, o retículo é expandido e, se o estresse persistir, a célula é morta. A mutação mais comum da fibrose cística (F508 no CFTR) produz um canal que funcionaria, mas se enovela devagar demais, é capturado pela ERAD e nunca chega à superfície; fármacos que o ajudam a enovelar-se são hoje um tratamento.