Uma aplicação (ou função) f:E→F associa a cada elemento x do conjuntoE (o domínio) exatamente um elemento f(x) do conjuntoF (o contradomínio). Para A⊆E e B⊆F:
f(A)={f(x):x∈A}⊆F,f−1(B)={x∈E:f(x)∈B}⊆E
são a imagem direta de A e a pré-imagem de B. A composta de f:E→F com g:F→G é g∘f:E→G, x↦g(f(x)).
Para a primeira: todo x∈[−1,2] tem x2∈[0,4], e todo y∈[0,4] é atingido como y=(y)2 com y∈[0,2]⊆[−1,2] — note que a imagem não é [1,4]={(−1)2,22}: imagens de intervalos não se calculam apenas a partir dos extremos. Para a segunda: 1≤x2≤4⟺1≤∣x∣≤2, o que se desdobra em duas peças. A terceira ilustra que uma pré-imagem pode ser vazia — f−1(B) sempre faz sentido, por menor que seja a interseção de B com a imagem. Por fim, observe neste exemplo o fenômeno de estrita inclusão da observação acima: com A=[−1,0] e A′=[0,1], tem-se f(A∩A′)=f({0})={0}, ao passo que f(A)∩f(A′)=[0,1].
Exemplo 1.27(O ponto (2) não pode ser reforçado)
Na Proposição 1.26 (2), não se pode reforçar as conclusões: g∘fbijetivanão obriga f a ser sobrejetiva nem g a ser injetiva. Tome E=G={1}, F={1,2}, com f(1)=1 e g(1)=g(2)=1: então g∘f=idE é bijetiva e, no entanto, f não atinge o elemento 2 e g colapsa os dois elementos. A moral é uma regra precisa de escrituração: a informação da composta flui para a aplicaçãointerna no caso da injetividade e para a aplicaçãoexterna no caso da sobrejetividade, nunca no sentido contrário. (O Exercício 1.9 constrói o mesmo fenômeno com conjuntos infinitos, onde ele é o motor por trás das inversas unilaterais.)
Exemplo 1.28
f:R→R, x↦x2 não é injetiva (f(−1)=f(1)) nem sobrejetiva (−1 não tem pré-imagem). Restringindo o domínio e o contradomínio, f:R+→R+, x↦x2 é bijetiva, com inversa y↦y. A injetividade ou a sobrejetividade de uma aplicação dependem do domínio e do contradomínio anunciados, e não apenas da fórmula.