Matemática · Glossário

O que é curva polar?

Definição 24.6 Matemática universitária — Graduação 1 · Capítulo 24 — Curvas Planas

Uma curva polar é dada por r=r(θ)r = r(\theta): o ponto de parâmetro θ\theta é

M(θ)=r(θ)u(θ),u(θ)=(cosθ,sinθ).M(\theta) = r(\theta)\,\vec u(\theta), \qquad \vec u(\theta) = (\cos\theta, \sin\theta).

Com v(θ)=(sinθ,cosθ)=u(θ)\vec v(\theta) = (-\sin\theta, \cos\theta) = \vec u\,'(\theta), a velocidade é

M(θ)=r(θ)u(θ)+r(θ)v(θ).M'(\theta) = r'(\theta)\, \vec u(\theta) + r(\theta)\, \vec v(\theta) .

Consequências: onde r0r \neq 0, o ponto é regular, e a tangente faz com o raio o ângulo VV dado por tanV=rr\tan V = \frac{r}{r'} (ângulo entre MM' e u\vec u); onde r(θ0)=0r(\theta_0) = 0, a curva passa pela origem com tangente o raio θ=θ0\theta = \theta_0 (direção u(θ0)\vec u(\theta_0), lida em M(θ0)=r(θ0)u(θ0)M'(\theta_0) = r'(\theta_0)\vec u(\theta_0), ou a partir da corda limite: a corda de OO a M(θ)M(\theta) é carregada pelo próprio u(θ)\vec u(\theta), que tende a u(θ0)\vec u(\theta_0) — de modo que a regra vale mesmo quando r(θ0)=0r'(\theta_0) = 0 e o ponto é singular, razão pela qual as cúspides polares na origem, como a da cardioide, ganham a sua tangente de graça).

A rosácea de quatro pétalas r = 2 (o ). As pétalas ao longo do eixo y são traçadas com r < 0 (o ponto é marcado no raio oposto a ); as diagonais tracejadas = ± π4 são as tangentes na origem, onde r se anula.
A rosácea de quatro pétalas r=cos2θr = \cos 2\theta (o Exercício 24.4). As pétalas ao longo do eixo yy são traçadas com r<0r < 0 (o ponto é marcado no raio oposto a θ\theta); as diagonais tracejadas θ=±π4\theta = \pm\frac\pi4 são as tangentes na origem, onde rr se anula.
A cardioide r = 1 +. As curvas polares leem-se varrendo o ângulo: o raio incha e encolhe à medida que  gira.
A cardioide r=1+cosθr = 1 + \cos\theta. As curvas polares leem-se varrendo o ângulo: o raio incha e encolhe à medida que θ\theta gira.

Exemplos

Exemplo 24.7 (A cardioide)

r(θ)=1+cosθr(\theta) = 1 + \cos\theta. Simetria: r(θ)=r(θ)r(-\theta) = r(\theta): reflexão no eixo xx; estude θ[0,π]\theta \in \intcc{0}{\pi}. rr decresce de 22 a 00; em θ=π\theta = \pi, r=0r = 0: a curva atinge a origem tangencialmente ao raio θ=π\theta = \pi (o eixo xx), formando ali uma cúspide — a ponta do coração. Tangente em θ=0\theta = 0: r=0r' = 0, logo tanV=\tan V = \infty: perpendicular ao eixo.

O ângulo VV merece mais uma leitura. Em θ=π2\theta = \frac\pi2: r=1r = 1 e r=1r' = -1, logo tanV=rr=1\tan V = \frac{r}{r'} = -1: a tangente faz três quartos de um ângulo reto com o raio que sai — a curva já está dobrando de volta rumo à sua cúspide. A fórmula tanV=r/r\tan V = r/r' entrega direções tangentes ao longo de toda a curva sem calcular M(θ)M'(\theta) coisa alguma: é o análogo polar de ler um coeficiente angular.

Exemplo 24.8 (De polar a cartesiana: um círculo escondido)

O que é a curva polar r=2cosθr = 2\cos\theta? Multiplique por rr: r2=2rcosθr^2 = 2r\cos\theta, isto é, x2+y2=2xx^2 + y^2 = 2x, isto é,

(x1)2+y2=1:(x - 1)^2 + y^2 = 1 :

o círculo de centro (1,0)(1, 0) e raio 11, que passa pela origem. A contabilidade importa: quando θ\theta percorre (π2,π2]\intoc{-\frac\pi2}{\frac\pi2}, o círculo inteiro é varrido exatamente uma vez (rr anula-se nas duas extremidades), e em θ=±π2\theta = \pm\frac\pi2 a regra “tangente na origem ao longo do raio θ=θ0\theta = \theta_0” dá ali uma tangente vertical — coerente com a geometria, já que o eixo vertical é de fato tangente a este círculo em OO. Para θ\theta além desse intervalo, r<0r < 0 percorre de novo o mesmo círculo: um lembrete de que uma curva polar é um objeto parametrizado, autorizado a passar por cima de si mesmo.

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