Seja U⊆R2 um aberto. Uma superfície parametrizada de classe Ck (k≥1) é uma aplicação σ:U→R3, (u,v)↦σ(u,v), de classe Ck. Um ponto é regular se os vetores derivadas parciais
σu(u,v)=∂u∂σ(u,v),σv(u,v)=∂v∂σ(u,v)
forem linearmente independentes, isto é, σu∧σv=0; a superfície é regular se todos os seus pontos o forem.
Exemplos
Exemplo 19.2(As três descrições padrão)
Gráfico:σ(u,v)=(u,v,f(u,v)) para f∈C1(U). Sempre regular: σu=(1,0,fu) e σv=(0,1,fv) são independentes.
Esfera (coordenadas esféricas): para a esfera de raio R,
com θ a longitude e φ a latitude. Verifica-se que ∥σθ∧σφ∥=R2cosφ>0: regular fora dos polos (que esta carta omite).
Conjunto de nível:S={(x,y,z):f(x,y,z)=c} em que f é C1 e ∇f=0 em S. Perto de cada ponto, uma coordenada pode ser expressa como função das outras duas pelo teorema da função implícita (Capítulo 15), de modo que S é localmente um gráfico.
Exemplo 19.3(Do conjunto de nível ao gráfico)
O teorema da função implícita do item 3 merece uma passagem explícita. Tome a esfera x2+y2+z2=R2 perto de seu polo norte (0,0,R): ali ∂z∂f=2z=2R=0 e, resolvendo em z, obtém-se a carta gráfico
z=R2−x2−y2,x2+y2<R2,
regular em todo o seu domínio (aberto) — inclusive no polo que a carta esférica perdia. Perto de um ponto do equador como (R,0,0), o mesmo teorema resolve em x (∂x∂f=2R=0). A regra prática: uma superfície de nível é um gráfico sobre o plano coordenado ortogonal à maior componente do gradiente e, cobrindo a esfera com seis dessas cartas gráfico, verifica-se sua suavidade em toda parte sem trigonometria alguma.