Uma fração racional sobre K (=R ou C) é um quociente F=BA com A,B∈K[X], B=0; dois quocientes BA e B′A′ são identificados quando AB′=A′B. Toda fração tem uma forma reduzida com gcd(A,B)=1, única a menos de constantes. Com as operações naturais, o conjunto K(X) é um corpo.
Os polos de F (na forma reduzida) são as raízes de B; a ordem de um polo é a sua multiplicidade como raiz de B. O grau de F é degF=degA−degB∈Z∪{−∞}.
Exemplos
Exemplo 9.2 (Lendo polos, ordens e grau)
Seja F=X4−2X3+X2X3−X. Fatore as duas camadas: o numerador, X(X−1)(X+1), e o denominador, X2(X−1)2; cancele o fator comum X(X−1):
F=X(X−1)X+1(forma reduzida).
Polos: 0 e 1, ambos simples — as ordens são lidas no denominador reduzido, de modo que as aparentes raízes duplas do original são irrelevantes. Grau: degF=1−2=−1, visível assintoticamente (xF(x)→1 quando x→∞). O grau se comporta como o grau polinomial (degFG=degF+degG, deg(F+G)≤max), regra de escrituração usada constantemente nas caças a coeficientes abaixo: cada argumento do tipo “limite de xF(x)” é uma contagem de graus disfarçada.
Exemplo 9.4 (Reduza primeiro, divida depois)
Encontre a parte inteira de F=X2−1X3+1. Dividindo às cegas: X3+1=(X2−1)X+(X+1), de modo que F=X+X2−1X+1. Mas a fração não estava reduzida: X3+1=(X+1)(X2−X+1) e X2−1=(X+1)(X−1) partilham o fator X+1, e
F=X−1X2−X+1=X+X−11:
a mesma parte inteira X, mas a parte fracionária colapsa num único tijolo, e o “polo” em −1 nunca foi polo algum. Reduza sempre à forma irredutível antes de caçar polos: os polos de F são as raízes do denominador reduzido. (A parte inteira é insensível à simplificação, como a unicidade da Proposição 9.3 garante.)
Exemplo 9.8
Decomponha F=X(X−1)(X−2)1. Três polos simples; multiplicação-avaliação em cada um:
c0=(0−1)(0−2)1=21,c1=1×(1−2)1=−1,c2=2×11=21,
de modo que F=X1/2−X−11+X−21/2. Verificação em X=3: diretamente, F(3)=3⋅2⋅11=61; pela decomposição, 31/2−21+11/2=61−21+21=61.