Sejam B,B′ bases de E. A matriz de mudança de base P=PB→B′ tem por colunas as coordenadas dos vetores da nova base na base antiga. Ela é invertível, P−1=PB′→B, e as coordenadas transformam-se por X=PX′ (antigas = P⋅ novas).
Exemplos
Exemplo 21.9 (Ler a matriz de mudança de base)
Em R2, da base canônica B para B′=((1,1),(1,−1)):
P=PB→B′=(111−1)
(os vetores novos escritos em coordenadas antigas, coluna a coluna). O vetor de coordenadas antigas X=(3,1)T tem coordenadas novas X′=P−1X=21(3+1, 3−1)T=(2,1)T: de fato 2(1,1)+1(1,−1)=(3,1). Atenção ao sentido — a matriz P é construída a partir da base nova mas converte coordenadas novas em antigas (X=PX′); passar de antigas para novas custa a inversa. Escrever a verificação 2(1,1)+(1,−1)=(3,1) depois de cada conversão pega o erro do P invertido, que é o mais comum do capítulo.
Exemplo 21.11 (Uma boa base torna uma aplicação transparente)
Seja u(x,y)=(y,x) (a troca), com matriz A=(0110) na base canônica. Na base B′=((1,1),(1,−1)):
P=(111−1),P−1=21(111−1),P−1AP=(100−1).
Nenhum produto de matrizes foi realmente necessário: u fixa (1,1) e inverte (1,−1), logo em B′ a sua matriz tem de ser diag(1,−1) — a troca é a reflexão em torno da reta y=x. Encontrar, para um dado endomorfismo, uma base em que a sua matriz se torne diagonal é o problema central do volume do segundo ano de graduação (a teoria da redução); o problema de fim de semana abaixo mostra quão longe as identidades polinomiais sozinhas já levam.
Exemplo 21.12 (Mudança de base, executada ao contrário)
A projeção sobre F=Vect(1,1) ao longo de G=Vect(1,−1) tem, na base adaptada B′=((1,1),(1,−1)), a matriz transparente A′=diag(1,0). Para obter a sua matriz na base canônica, execute o Teorema 21.10 ao contrário, A=PA′P−1:
P=(111−1),P−1=21(111−1),A=P(1000)P−1=21(1111).
Verificação: A2=A (idempotente), trA=1=rkA, e A(11)=(11), A(−11)=0, como prescrito. Este sentido inverso — desenhar a matriz na base boa e depois conjugar de volta — é como as matrizes de rotação, de reflexão e de projeção são de fato produzidas na prática.