Para soluções X1,…,Xn do sistema homogêneo, o wronskiano é W(t)=det(X1(t),…,Xn(t)). Pelo isomorfismo acima, ou W se anula identicamente (a família é ligada) ou nunca se anula (um sistema fundamental); quantitativamente, W′=tr(A(t))W, de modo que
W(t)=W(t0)exp(∫t0ttrA(s)ds)(foˊrmula de Liouville).
Exemplos
Exemplo 16.7 (Liouville conferido numa equação de Euler)
Em (0,∞), a equação t2y′′+ty′−y=0 tem as soluções y1(t)=t e y2(t)=t1 (substitua). Seu wronskiano:
W(t)=det(t1t1−t21)=−t1−t1=−t2,
nunca nulo: um sistema fundamental. Confira agora Liouville: na forma normalizada y′′+t1y′−t21y=0, a matriz companheira A(t)=(0t211−t1) tem traço −t1, logo
W(t)=W(1)exp(−∫1tsds)=−2e−lnt=−t2.✓
Lição final: Liouville prevê a forma do wronskiano antes de qualquer solução ser conhecida — aqui, que W tem de ser tc; é isso que move o método de redução de ordem (Proposição 16.15), em que conhecer y1 e a forma do wronskiano determina y2 por uma quadratura.
Exemplo 16.5 (O isomorfismo de avaliação, concretamente)
Para y′′+y=0, visto como o sistema X′=(0−110)X com X=(y,y′): o teorema diz que o espaço de soluções é um plano e que X↦X(0)=(y(0),y′(0)) é um isomorfismo sobre R2. As soluções cos e sin avaliam em (1,0) e (0,1) — a base canônica de R2 — de modo que elas formam uma base do espaço de soluções, e toda solução é
y(t)=y(0)cost+y′(0)sint,
com os coeficientes lidos diretamente nos dados iniciais, sem sistema linear a resolver. Lição final: escolher o sistema fundamental cujos valores iniciais são a base canônica (aqui cos,sin) é exatamente escolher as colunas de etA; o isomorfismo de avaliação é a razão pela qual as condições iniciais parametrizam as trajetórias — o conteúdo geométrico de “dinâmica determinística” para equações lineares.