Física · Glossário

O que é Momento em relação a um ponto; em relação a um eixo?

Definição 15.1 Física universitária — 1.º ano · Capítulo 15 — Momento angular

O momento (ou torque) em relação a um ponto OO de uma força F\vect F aplicada em MM é o vetor

MO(F)=OMF(Nm),\vect{\mathcal M}_O(\vect F) = \vect{OM}\wedge\vect F \qquad (\mathrm{N}\,\mathrm{m}),

perpendicular ao plano de OM\vect{OM} e F\vect F, de norma OMFsinα=FdOM\cdot F\sin\alpha = F\,d, em que dd — o braço de alavanca — é a distância de OO à linha de ação de F\vect F. O momento em relação a um eixo orientado Δ\Delta (vetor unitário eΔ\vect e_\Delta) que passa por OO é o escalar MΔ=MOeΔ\mathcal M_\Delta = \vect{\mathcal M}_O\cdot\vect e_\Delta, independente da escolha de OO sobre Δ\Delta; ele se anula se F\vect F for paralela a Δ\Delta ou o encontrar. Duas forças opostas sobre linhas de ação diferentes formam um binário, cujo momento FAB\vect F\wedge\vect{AB} é o mesmo em relação a todos os pontos.

O momento de F em relação a O: o produto vetorial OM F, de norma F\,d, sendo d a distância de O à linha de ação (o braço de alavanca), dirigido perpendicularmente à figura — aqui, para fora do papel.
O momento de F\vect F em relação a OO: o produto vetorial OMF\vect{OM}\wedge\vect F, de norma FdF\,d, sendo dd a distância de OO à linha de ação (o braço de alavanca), dirigido perpendicularmente à figura — aqui, para fora do papel.

Exemplos

Exemplo 15.2 (A porta)

Um empurrão de 20N20\,\mathrm{N} perpendicular a uma porta, a 0.80m0.80\,\mathrm{m} das dobradiças, tem momento 16Nm16\,\mathrm{N}\,\mathrm{m} em relação ao eixo das dobradiças; o mesmo empurrão a 0.10m0.10\,\mathrm{m}, 2Nm2\,\mathrm{N}\,\mathrm{m}; ao longo da porta (linha de ação passando pelas dobradiças), zero. A reação da própria dobradiça, que encontra o eixo, não tem momento em relação a ele: é isso que faz do eixo o lugar natural para tomar momentos.

Exemplo 15.6 (O pêndulo pelos momentos)

Pêndulo simples, com eixo Δ\Delta pelo pivô e perpendicular ao plano de oscilação: LΔ=m2θ˙L_\Delta = m\ell^2\dot\theta; a tensão encontra o eixo (momento nulo) e o momento do peso vale mgsinθ-mg\ell\sin\theta (braço de alavanca sinθ\ell\sin\theta, restaurador). O teorema dá m2θ¨=mgsinθm\ell^2\ddot\theta = -mg\ell\sin\theta, a equação do Exemplo 12.12 sem jamais escrever a tensão — a principal vantagem dos momentos: as forças que passam pelo eixo desaparecem.

Exemplo 15.10 (A patinadora)

De braços abertos, o corpo de uma patinadora tem J4kgm2J \approx 4\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{2} mais dois braços de 3kg3\,\mathrm{kg} a 0.8m0.8\,\mathrm{m}: J1=4+2×3×0.64=7.8kgm2J_1 = 4 + 2 \times 3 \times 0.64 = 7.8\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{2}. Braços recolhidos (0.2m0.2\,\mathrm{m}): J2=4.2kgm2J_2 = 4.2\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{2}. A reação do gelo e o peso não têm momento em relação ao eixo vertical: JωJ\omega se conserva e a taxa de giro sobe por J1/J2=1.85J_1/J_2 = 1.85 — de 22 para 3.73.7 voltas por segundo — enquanto a energia cinética sobe pelo mesmo fator, paga pelos músculos que recolhem os braços.

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