Uma patinadora que gira de braços abertos os recolhe e, sem que ninguém a empurre, roda duas vezes mais depressa. Uma porta cede à ponta de um dedo na maçaneta e resiste a um ombro junto à dobradiça. Os planetas varrem áreas iguais em tempos iguais — Kepler notou isso há quatro séculos, muito antes que alguém pudesse dizer por quê. E a Lua, puxada pelas marés que levanta, se afasta da Terra alguns centímetros por ano enquanto os nossos dias se alongam imperceptivelmente. Por trás dos quatro casos está uma única grandeza vetorial, o momento angular, e uma única lei: a sua taxa de variação é igual ao momento das forças. Este capítulo define os dois, demonstra a lei para um ponto material e para um sistema, e a põe a trabalhar em pêndulos, órbitas e coisas que giram.
Definição 15.1(Momento em relação a um ponto; em relação a um eixo)
O momento (ou torque) em relação a um ponto O de uma força F aplicada em M é o vetor
MO(F)=OM∧F(Nm),
perpendicular ao plano de OM e F, de norma OM⋅Fsinα=Fd, em que d — o braço de alavanca — é a distância de O à linha de ação de F. O momento em relação a um eixo orientado Δ (vetor unitário eΔ) que passa por O é o escalar MΔ=MO⋅eΔ, independente da escolha de O sobre Δ; ele se anula se F for paralela a Δ ou o encontrar. Duas forças opostas sobre linhas de ação diferentes formam um binário, cujo momento F∧AB é o mesmo em relação a todos os pontos.
Exemplo 15.2(A porta)
Um empurrão de 20N perpendicular a uma porta, a 0.80m das dobradiças, tem momento16Nm em relação ao eixo das dobradiças; o mesmo empurrão a 0.10m, 2Nm; ao longo da porta (linha de ação passando pelas dobradiças), zero. A reação da própria dobradiça, que encontra o eixo, não tem momento em relação a ele: é isso que faz do eixo o lugar natural para tomar momentos.
O momento de F em relação a O: o produto vetorial OM∧F, de norma Fd, sendo d a distância de O à linha de ação (o braço de alavanca), dirigido perpendicularmente à figura — aqui, para fora do papel.
15.2 Momento angular de um ponto material
Definição 15.3(Momento angular)
O momento angular em relação a O de um ponto material de massa m em M com velocidade v é
LO=OM∧mv(kgm2/s),
e, em relação a um eixo Δ que passa por O, LΔ=LO⋅eΔ. Para um movimento num plano perpendicular a Δ, em coordenadas polares em torno do eixo, LΔ=mr2θ˙; num círculo de raio R, LΔ=mR2ω=mRv.
para um eixo fixo Δ. Se o momento total em relação a O se anula, LO se conserva.
Demonstração.d(OM∧mv)/dt=v∧mv+OM∧ma=0+OM∧∑Fi, usando a segunda lei de Newton (O fixo, de modo que dOM/dt=v). Projete sobre eΔ. ∎
Corolário 15.5(Forças centrais: movimento plano e lei das áreas)
Um ponto material submetido apenas a uma força central (sempre dirigida ao longo de OM, para o centro fixo O ou para longe dele) mantém LO constante. O seu movimento permanece no plano que passa por O perpendicular a LO e, nesse plano, r2θ˙=C (constante): o raio vetor OM varre área com a velocidade areolar constante
dtdA=21r2θ˙=2mLO=2C.
Demonstração.OM∧F=0 para F∥OM: LO é constante. Sempre OM⊥LO, donde o plano; LO=mr2θ˙ é constante. A área varrida durante dt é a do triângulo de lados OM e vdt: dA=21OM∧vdt=21r2θ˙dt. ∎
A lei das áreas para uma força central: em tempos iguais o raio vetor traçado a partir do centro O varre áreas iguais, de modo que o ponto material se move depressa quando está perto de O e devagar quando está longe — a segunda lei de Kepler, uma consequência apenas da conservação de LO, qualquer que seja a lei de força.
Exemplo 15.6(O pêndulo pelos momentos)
Pêndulo simples, com eixo Δ pelo pivô e perpendicular ao plano de oscilação: LΔ=mℓ2θ˙; a tensão encontra o eixo (momento nulo) e o momento do peso vale −mgℓsinθ (braço de alavancaℓsinθ, restaurador). O teorema dá mℓ2θ¨=−mgℓsinθ, a equação do Exemplo 12.12 sem jamais escrever a tensão — a principal vantagem dos momentos: as forças que passam pelo eixo desaparecem.
Exemplo 15.7(Puxando um disco para dentro)
Um disco desliza sem atrito no gelo em círculo, preso a um fio que passa por um furo no centro; puxa-se o fio de modo que o raio caia à metade. A tensão é central: L=mr2ω se conserva, de modo que ω fica multiplicada por 4, a velocidade rω por 2 e a energia cinética por 4 — a energia extra é o trabalho da puxada, à qual o disco resiste todo o caminho para dentro. Os braços da patinadora são a mesma física, com a massa distribuída (Exercício 15.4).
15.3 Sistemas de pontos e rotação em torno de um eixo fixo
só contam os momentos das forças externas; as forças internas, que obedecem à lei da ação e reação ao longo da reta que une os pontos, nada contribuem.
Demonstração. Some os teoremas de cada ponto. Para um par interno, OMi∧Fj→i+OMj∧Fi→j=(OMi−OMj)∧Fj→i=MjMi∧Fj→i=0, pois a força é dirigida ao longo de MjMi. ∎
Proposição 15.9(Rotação rígida em torno de um eixo fixo)
Se os pontos mantêm distâncias fixas ri a um eixo Δ e todos giram em torno dele com a mesma velocidade angularω (uma rotação rígida),
LΔ=JΔω,JΔ=i∑miri2,Ek=21JΔω2,
sendo JΔ o momento de inércia em relação a Δ, e o teorema se lê JΔω˙=∑MΔ(Fext).
Demonstração. Cada ponto contribui com miri2ω para LΔ e com 21mi(riω)2 para Ek. O Capítulo 19 estende isso a sólidos contínuos. ∎
Exemplo 15.10(A patinadora)
De braços abertos, o corpo de uma patinadora tem J≈4kgm2 mais dois braços de 3kg a 0.8m: J1=4+2×3×0.64=7.8kgm2. Braços recolhidos (0.2m): J2=4.2kgm2. A reação do gelo e o peso não têm momento em relação ao eixo vertical: Jω se conserva e a taxa de giro sobe por J1/J2=1.85 — de 2 para 3.7 voltas por segundo — enquanto a energia cinética sobe pelo mesmo fator, paga pelos músculos que recolhem os braços.
Pontos materiais em rotação rígida em torno de um eixo: cada um percorre o seu próprio círculo com o ω comum, contribuindo com miri2ω para o momento angular em relação ao eixo. A massa longe do eixo conta com o quadrado da sua distância — os braços abertos da patinadora.
Observação 15.11(Estática)
Um sólido em repouso tem LO=0 constante: as forças externas devem ter resultante nula emomento total nulo em relação a qualquer ponto. A segunda condição é a lei da alavanca, da balança, da gangorra e do pé de cabra: uma força pequena longe do pivô equilibra uma grande perto dele.
15.4 Exercícios
Exercício 15.1★
Uma força de 50N numa chave a 0.30m da porca: momento quando a força é perpendicular ao cabo; a 60∘ dele; ao longo dele.
Solução
Solução de Exercício 15.1.
Fd=50×0.30=15Nm; Fdsin60∘=13Nm; ao longo do cabo a linha de ação passa pela porca: 0.
Um pêndulo cônico (fio de 1.0m, 30∘ com a vertical, Exercício 12.9). Calcule L em relação ao eixo vertical que passa pelo pivô, por unidade de massa, e explique por que ele se conserva embora a tensão do fio e o peso atuem.
Solução
Solução de Exercício 15.3.
r=ℓsin30∘=0.50m, ω=3.4rad/s: Lz/m=r2ω=0.84m2/s. A linha de ação da tensão passa pelo pivô (momento nulo em relação a qualquer eixo que passe por ele); o peso é paralelo ao eixo vertical (momento nulo em relação a ele): Lz se conserva.
Exercício 15.4★
O tronco de uma patinadora tem J=4.0kgm2 em relação ao eixo de giro; cada braço (3.0kg) é tratado como um ponto a 0.80m e depois a 0.20m. Taxa de giro depois de recolher os braços, partindo de 2.0 voltas por segundo; razão das energias cinéticas; de onde vem a energia extra?
Solução
Solução de Exercício 15.4.
J1=4.0+2×3.0×0.64=7.8kgm2, J2=4.0+2×3.0×0.04=4.2kgm2; ω2=ω1J1/J2=1.85ω1: 3.7 voltas por segundo. Ek=L2/2J: razão J1/J2=1.85; são os músculos, ao recolher os braços contra a tendência centrífuga, que realizam o trabalho.
Exercício 15.5★★
Deduza a equação do pêndulo ℓθ¨+gsinθ=0 a partir do teorema do momento angular em relação ao eixo do pivô, e dê o momento de cada força.
Solução
Solução de Exercício 15.5.
LΔ=mℓ2θ˙; tensão: momento nulo (encontra o eixo); peso: −mgℓsinθ (braço de alavancaℓsinθ, restaurador). mℓ2θ¨=−mgℓsinθ.
Exercício 15.6★★
A distância da Terra ao Sol varia de 1.471×1011m (periélio) a 1.521×1011m (afélio). Pela lei das áreas, encontre a razão entre as suas velocidades nesses pontos; com uma velocidade média de 29.8km/s, dê as duas velocidades.
Solução
Solução de Exercício 15.6.
rpvp=rava: vp/va=ra/rp=1.034; com (vp+va)/2≈29.8km/s: vp=30.3km/s, va=29.3km/s.
Exercício 15.7★★
Um disco de 0.20kg gira a 2.0m/s preso a um fio de 0.50m que passa por um furo; o fio é puxado até que o raio valha 0.25m. Nova velocidade e nova velocidade angular; energias cinéticas antes e depois; trabalho realizado pela puxada. Por que a tensão consegue realizar trabalho aqui?
Solução
Solução de Exercício 15.7.
L=mrv se conserva: v2=v1r1/r2=4.0m/s, ω2=v2/r2=16rad/s (partindo de 4rad/s). E1=0.40J, E2=1.6J: a puxada realiza 1.2J. A tensão é radial, mas o deslocamento do disco passa a ter uma componente radial (ele entra em espiral): o trabalho T⋅dℓ deixa de ser nulo.
Exercício 15.8★★
Uma prancha uniforme de massa 20kg e comprimento 4.0m repousa sobre um pivô a 1.5m da sua extremidade esquerda; uma criança de 30kg senta-se na extremidade esquerda. Onde deve sentar-se uma criança de 45kg para haver equilíbrio? O que o pivô sustenta?
Solução
Solução de Exercício 15.8.
Momentos em relação ao pivô (comprimentos medidos a partir dele): criança 30×1.5=45 (à esquerda); peso da prancha no seu centro, 0.5 à direita: 20×0.5=10 (à direita); segunda criança a x à direita: 45x. Equilíbrio: 45=10+45x, x=0.78m. O pivô sustenta o peso total, 95×9.81=932N.
Exercício 15.9★★
Uma máquina de Atwood (m1=2.0kg, m2=1.0kg) pende sobre uma polia de raio 0.10m e momento de inércia0.010kgm2 na qual o fio não escorrega. Usando o teorema do momento angular para a polia e a lei de Newton para as massas, encontre a aceleração e as duas tensões. Compare com a polia sem massa.
Solução
Solução de Exercício 15.9.
Massas: m1a=m1g−T1, m2a=T2−m2g; polia: Jω˙=(T1−T2)R com a=Rω˙. Somando: a=(m1−m2)g/(m1+m2+J/R2)=9.81/(3.0+1.0)=2.5m/s2 (contra 3.3m/s2); T1=m1(g−a)=14.7N, T2=m2(g+a)=12.3N — desiguais, pois a polia precisa de um momento resultante.
Exercício 15.10★★★
Um cometa passa pelo seu periélio a 0.50AU do Sol a 40km/s. Quando está a 10AU, qual é a componente da sua velocidade perpendicular ao raio vetor? A lei das áreas pode dar a sua velocidade total?
Solução
Solução de Exercício 15.10.
r1v1=r2v⊥2: v⊥2=40×0.5/10=2.0km/s. A lei das áreas dá apenas a componente perpendicular; a radial exige a conservação da energia (Capítulo 16).
Exercício 15.11★★★
Uma estrela como o Sol (R=7.0×108m, período de rotação 25d) colapsa numa estrela de nêutrons de raio 10km, conservando a sua massa e o seu momento angular (J∝MR2). Novo período? Velocidade equatorial? O que esta última diz sobre a hipótese feita?
Solução
Solução de Exercício 15.11.
Jω constante com J∝R2: T′=T(R′/R)2=25×86400×(104/7×108)2=4.4×10−4s. Velocidade equatorial 2πR′/T′=1.4×108m/s, metade da velocidade da luz: o colapso não pode conservar todo o momento angular — boa parte é expelida (e a relatividade entra em cena).
Exercício 15.12★★★
Uma conta desliza sem atrito ao longo de uma haste reta que gira num plano horizontal com ω constante em torno de um eixo vertical que passa por uma extremidade. Escreva o Lz da conta; mostre que ele não se conserva e calcule o momento que a haste deve exercer; deduza a reação transversal da haste sobre a conta.
Solução
Solução de Exercício 15.12.
Lz=mr2ω, e r varia: dLz/dt=2mrr˙ω=0. Isso deve ser o momento da reação transversal N da haste: rN=2mrr˙ω, logo N=2mr˙ω — a haste empurra a conta lateralmente enquanto ela desliza para fora (o termo de Coriolis do Capítulo 18).
15.5 Problema: por que a Lua está indo embora
Problema 15.1
Problema de fim de semana — as marés que a Lua levanta na Terra a puxam para a frente e freiam a Terra: como o momento angular flui dos nossos dias para a órbita da Lua, centímetro a centímetro, e para onde vai a energia
Dados: G=6.67×10−11SI; Terra M=5.97×1024kg, R=6.37×106m, rotação Ω=2π/(86164s), momento de inérciaJ=0.33MR2; Lua m=7.35×1022kg, órbita tratada como circular, r=3.84×108m; a telemetria laser lunar mede dr/dt=3.8cm/yr; o dia se alonga 2.3ms por século; 1 século =3.16×109s.
Mostre que, para uma órbita circular, Lorb=mGMr, e deduza dLorb/dr=Lorb/2r.
Calcule o momento angular de rotação da Terra, Lrot=JΩ, e compare com Lorb.
A Lua gira uma vez por mês: estime o seu momento angular de rotação (Jm≈0.4mRm2, Rm=1.74×106m) e justifique desprezá-lo.
Que momentos externos agem sobre o sistema Terra–Lua em relação ao seu centro de massa? Argumente que, com boa aproximação, o total L=Lrot+Lorb se conserva.
Parte II — O torque de maré. A Lua levanta duas protuberâncias de água na Terra; como a Terra gira mais depressa do que a Lua orbita, o atrito arrasta as protuberâncias à frente da linha Terra–Lua por um pequeno ângulo.
Esboce a Terra, a protuberância adiantada e a Lua. Em que sentido age a atração da Lua sobre a protuberância mais próxima, em relação à rotação da Terra?
Deduza o sinal do momento sobre a rotação da Terra: o dia se alonga ou encurta?
Por ação e reação, que momento age sobre o movimento orbital da Lua? Lorb cresce ou diminui?
Pela questão 3, r cresce ou diminui? E a velocidade orbital da Lua, v=GM/r?
Resolva o aparente paradoxo: a Lua é empurrada para a frente e, ainda assim, acaba se movendo mais devagar.
Para que estado final tende essa troca?
Parte III — Os números.
A partir do alongamento do dia, calcule a variação relativa ΔΩ/Ω por século.
Deduza a variação de Lrot por século.
Deduza a variação de Lorb por século.
Usando a questão 3, converta-a numa variação de r por século e por ano. Compare com o valor da telemetria laser.
Em que fração, e em quantos segundos, o mês sideral se alonga por século (T∝r3/2)?
Calcule a variação da energia cinética de rotação da Terra por século (ΔE=LrotΔΩ em primeira ordem).
Calcule a variação da energia mecânica orbital da Lua, Eorb=−GMm/2r, por século.
Parte IV — A energia.
Mostre que a Terra perde mais energia do que a Lua ganha, e calcule a diferença por século e a potência correspondente. Para onde ela vai?
Compare essa potência com o consumo da humanidade, cerca de 18TW, e com o fluxo de calor interno da Terra, cerca de 47TW.
No estado final da questão 12, dia e mês são iguais: Ω=ω=GM/r3. Escrevendo a conservação de Lrot+Lorb, verifique que r≈5.5×108m a satisfaz, e dê o período comum em dias.
Por que esse estado nunca será de fato alcançado? (Pense nas marés do Sol.)
A Lua já mostra sempre a mesma face à Terra. Explique pelo mesmo mecanismo e diga por que isso aconteceu primeiro com a Lua.
Resuma em três linhas: o que se conserva, o que é trocado, o que é dissipado.
Solução
Solução de Problema 15.1.
1.mω2r=GMm/r2: ω=GM/r3=3.98×1014/5.66×1025=2.65×10−6rad/s, período 2π/ω=2.37×106s=27.4d.
4.J=0.33×5.97×1024×4.06×1013=8.0×1037kgm2; Ω=7.29×10−5rad/s; Lrot=5.8×1033kgm2/s, um quinto de Lorb.
5.Jm≈0.4×7.35×1022×3.0×1012=8.9×1034kgm2, vezes ω: 2.4×1029kgm2/s, 10−5 do valor orbital: desprezível.
6. A atração do Sol age sobre o centro de massa do sistema (sem momento em relação a ele, em primeira ordem); o seu efeito de maré sobre o par é pequeno: o L total se conserva com a precisão necessária aqui.
7. A protuberância mais próxima, adiantada em relação à linha Terra–Lua, é puxada pela Lua com uma força cuja componente tangencial se opõe à rotação da Terra.
8.Momento negativo sobre a rotação: a Terra desacelera e o dia se alonga.
9. A protuberância puxa a Lua para a frente: momento positivo sobre a órbita, e Lorb cresce.
10.Lorb∝r cresce, logo r cresce; v∝1/r diminui.
11. A puxada para a frente realiza trabalho positivo, elevando a energia da Lua; uma órbita mais alta é uma órbita mais lenta: a energia vai para a altura (potencial), mais do que a energia cinética perdida.
12. Acoplamento de maré da Terra: dia igual ao mês, sem protuberância adiantada, sem torque.
13.ΔΩ/Ω=−2.3×10−3s/86164s=−2.7×10−8 por século.
14.ΔLrot=LrotΔΩ/Ω=−1.55×1026kgm2/s por século.
15.ΔLorb=+1.55×1026kgm2/s por século.
16.Δr=2rΔL/L=2×3.84×108×1.55×1026/2.9×1034=4.1m por século, ou 4.1cm/yr: próximo dos 3.8cm/yr medidos (o alongamento do dia também tem uma parte não devida às marés).
17.ΔT/T=23Δr/r=1.6×10−8: 2.37×106×1.6×10−8=0.04s por século.
18.ΔErot=LrotΔΩ=5.8×1033×7.29×10−5×(−2.7×10−8)=−1.1×1022J por século.
19.ΔEorb=GMmΔr/2r2=2.93×1037×4.1/(2×1.475×1017)=+4.1×1020J por século.
20. Saldo −1.1×1022+4×1020≈−1.06×1022J por século: 3.4×1012W, dissipados como calor pelo atrito de maré nos oceanos e na Terra sólida.
21. Um quinto da potência da humanidade e um catorze avos do fluxo geotérmico — um aquecedor pequeno, mas permanente.
22.Ltot=3.5×1034. Em r=5.5×108: ω=GM/r3=1.55×10−6rad/s, Jω=1.2×1032, mGMr=7.35×1022×4.68×1011=3.44×1034; soma 3.45×1034: coerente. Período 2π/ω=4.1×106s=47d.
23. As marés do Sol continuam freando a Terra abaixo da taxa orbital da Lua, de modo que o torque Terra–Lua se inverteria; além disso, o Sol terá evoluído muito antes (a escala de tempo é de dezenas de bilhões de anos).
24. A Terra levantou marés na Lua, que frearam a sua rotação até que uma face ficasse voltada para nós; sendo mais leve e mais próxima de um parceiro mais pesado, o acoplamento da Lua foi muito mais rápido.
25. Conserva-se: o momento angular total. É trocado: momento angular da rotação da Terra para a órbita da Lua, cerca de 1.6×1026SI por século. É dissipada: a energia mecânica, alguns terawatts, como calor de maré.