Um tumor (neoplasia) é um clone de células que escapou dos controles de seu crescimento e se acumula num tecido. Ele é benigno se permanece confinado e encapsulado, e maligno — um câncer — se suas células invadem o tecido vizinho e semeiam tumores secundários em outros lugares (a metástase), que é o que mata. Os cânceres são nomeados pela célula de origem: os carcinomas vêm dos epitélios ( dos cânceres humanos), os sarcomas do tecido conjuntivo, as leucemias e os linfomas das células formadoras do sangue, os gliomas da glia. Seja qual for o tecido, um clone maligno adquiriu o mesmo conjunto de capacidades, as marcas do câncer: ele prolifera sem sinais externos de crescimento e ignora os sinais que o deteriam; resiste à apoptose; divide-se sem limite, tendo reativado a telomerase; induz vasos sanguíneos; invade e metastatiza; e, por baixo de tudo isso, seu genoma é instável, ele reprograma seu metabolismo rumo à glicólise mesmo na presença de oxigênio (o efeito Warburg), recruta células inflamatórias que o ajudam, e escapa do sistema imune. Cada marca é um controle do tecido normal derrotado, e cada uma corresponde a genes.
Exemplos
Exemplo 11.4 (Ler o expoente)
A incidência da maioria dos carcinomas em adultos sobe como cerca da quinta à sexta potência da idade — de cerca de em por ano aos trinta a em aos oitenta, um fator de para um fator na idade, e —, o que sugere seis ou sete eventos limitantes da taxa. A estimativa é grosseira: a expansão de um clone depois de cada golpe eleva o número de células sob risco do golpe seguinte, de modo que menos eventos com crescimento clonal entre eles dão a mesma inclinação, e o número de mutações condutoras encontradas em tumores sequenciados é de duas a oito. O retinoblastoma de Knudson se encaixa exatamente na segunda afirmação do teorema: a doença esporádica, que precisa de dois golpes, tem uma incidência que sobe com a idade (ao longo dos poucos anos em que os retinoblastos existem); a doença hereditária, que precisa de um, está presente a uma taxa quase constante desde o nascimento e ataca cedo e repetidamente.
Exemplo 11.14 (As terapias e sua lógica)
A cirurgia e a radioterapia removem ou matam um tumor localizado; a radiação mata por quebras de fita dupla, e seu fracionamento em doses diárias deixa o tecido normal reparar entre elas (Capítulo 3). A quimioterapia citotóxica — agentes alquilantes, antimetabólitos, venenos de microtúbulos, inibidores de topoisomerase — mata células em divisão de qualquer tipo, as tumorais um pouco mais, e segue uma lei de morte logarítmica: cada ciclo mata uma fração constante, digamos , de modo que seis ciclos reduzem células a uma, e os mesmos seis ciclos são necessários seja o tumor grande ou pequeno; o cabelo, o intestino e a medula do paciente, que também se dividem, fixam a dose. A terapia alvo ataca uma lesão de que o tumor depende: o imatinibe bloqueia a cinase BCR–ABL e converteu a leucemia mieloide crônica de uma doença fatal numa doença crônica; o trastuzumabe se liga ao HER2; os inibidores de PARP, os inibidores de Cdk4/6 e o venetoclax dos capítulos anteriores exploram, cada um, um defeito. A imunoterapia solta os linfócitos T. E o teorema diz como devem ser usados: em combinação, cedo, quando é menor — que é o que faz a quimioterapia adjuvante depois da cirurgia — e com fármacos cujos mecanismos de resistência não se sobreponham. O tumor é uma população em evolução, e o tratamento é seleção.