Definição 32.1Matemática do ensino médio · Capítulo 32 — Probabilidade condicional e independência
Seja B um evento com P(B)>0. A probabilidade de A dado B é
PB(A)=P(B)P(A∩B).
Uma árvore de dois níveis: multiplique ao longo de um caminho, some sobre as folhas. Por exemplo, P(A) é a soma das probabilidades da primeira e da terceira folhas.
Exemplos
Exemplo 32.6(Teste de triagem)
Uma doença atinge 1% de uma população. Um teste a detecta com probabilidade0.99 (sensibilidade) e dá um falso positivo com probabilidade0.05. Dado um teste positivo, a probabilidade de realmente ter a doença é
Exemplo 21.12(O condicionamento pode criar uniformidade)
Lance dois dados honestos e condicione a soma valer 7: para cada k∈[[1,6]],
P{S=7}(X=k)=P(S=7)P(X=k,Y=7−k)=6/361/36=61:
dada uma soma de 7, o primeiro dado é exatamente uniforme — 7 é o único total compatível com todas as faces, de modo que o condicionamento apaga toda informação sobre X. Qualquer outro total enviesa a lei (dado S=4, o primeiro dado é uniforme apenas em {1,2,3}). Calcular uma lei condicional significa renormalizar os pesos conjuntos ao longo do evento condicionante, nada mais.
Exemplo 21.13(O segundo sorteio vale tanto quanto o primeiro)
Uma urna contém 3 bolas brancas e 2 pretas; sorteiam-se duas sem reposição. Todos concordam que P(W1)=53; quanto vale P(W2)? Probabilidade total ao longo do primeiro sorteio:
exatamente P(W1). Nenhum cálculo era necessário: por simetria, toda bola tem a mesma chance de ser a segunda sorteada, de modo que o segundo sorteio — incondicionalmente — tem a mesma lei que o primeiro. Condicionar ao primeiro resultado muda as chances; não conhecê-lo, não. Esse argumento de permutabilidade volta no próximo capítulo para a amostragem sem reposição, em que dá a média hipergeométrica np sem identidade binomial alguma.
Exemplo 21.15(A colisão de aniversários, pela regra da cadeia)
Com n pessoas cujos aniversários são independentes e uniformes em 365 dias, seja Dn=“todos os n aniversários diferem”. Condicionando pessoa a pessoa (regra da cadeia):
P(Dn)=k=1∏n−1(1−365k),
cada nova pessoa tendo de evitar os k dias já ocupados. Para n=23: P(D23)≈0.493 — um aniversário compartilhado já é mais provável do que não. A heurística que explica a pequenez de 23: tomando logaritmos, −lnP(Dn)≈∑k<n365k=365(2n), e (223)=253 dá 253/365≈0.693≈ln2. O que importa é o número de pares, que cresce quadraticamente: os problemas de colisão vivem na escala n∼365, e não n∼365 — o paradoxo dos aniversários é uma raiz quadrada disfarçada.