Um subespaço afim é um conjunto com um subespaço vetorial (sua direção); equivalentemente, um conjunto não vazio estável por baricentros. Os subespaços afins de são exatamente os conjuntos solução de sistemas lineares (primeiro ano: solução particular mais núcleo). Uma aplicação é afim quando preserva baricentros — equivalentemente, quando
para uma (única) aplicação linear , a parte linear. Aplicações afins de : . As composições são afins com partes lineares compostas; é bijetiva se e somente se o é.
Exemplos
Exemplo 17.9 (Classificar uma aplicação afim, do começo ao fim)
Seja em . Sua parte linear é , cujo espectro evita : pelo critério de ponto fixo demonstrado adiante (Proposição 17.17), tem exatamente um ponto fixo, achado resolvendo
Recentrando em (ponha , ):
no referencial em , é sua parte linear, uma dilatação anisotrópica que estica por na horizontal e por na vertical a partir do centro . A lição geral: uma aplicação afim é “aplicação linear mais dado de posição”, e o dado de posição colapsa numa única origem bem escolhida sempre que não é autovalor. Reciprocamente, transladar mal a origem cria os termos constantes: a geometria afim é a arte de escolher onde pôr .
Exemplo 17.2 (Um espaço afim sem origem natural)
O plano solução não é um subespaço vetorial (), mas é um espaço afim dirigido por : para a diferença cai em (as somas se cancelam), Chasles é herdado de , e é bijetiva sobre . Nenhum ponto de é distinguido — qualquer escolha de “origem” funciona igualmente bem, e todas as identificações diferem por translações. Essa é a situação típica: os conjuntos solução de problemas lineares não homogêneos (sistemas lineares, equações diferenciais lineares no Capítulo 16) são afins, nunca lineares, e o lema “solução particular mais núcleo” é exatamente o enunciado da definição seguinte.
Exemplo 17.18 (Isometrias do plano, completadas)
Uma isometria afim do plano euclidiano tem parte linear em : uma rotação ou uma reflexão (volume do primeiro ano de graduação). Se : , de modo que a aplicação é uma rotação em torno de um centro único (Proposição 17.17). Se a parte linear é uma reflexão: ou uma reflexão num eixo (há pontos fixos) ou uma reflexão deslizante (reflexão composta com uma translação ao longo do eixo, sem ponto fixo). Com as translações, essa é a classificação completa das isometrias do plano.