O hipotálamo, alguns gramas de encéfalo acima da hipófise, converte informação neural — estresse, frio, duração do dia, a osmolaridade e a glicose do sangue — em ordens hormonais. Suas células neurossecretoras liberam hormônios liberadores (peptídeos: CRH, TRH, GnRH, GHRH, e o inibidor somatostatina; dopamina para a prolactina) num sistema porta privativo de vasos que os carrega, sem diluição, um centímetro abaixo até a adeno-hipófise, cujas células respondem com hormônios tróficos: ACTH para o córtex da adrenal, TSH para a tireoide, LH e FSH para as gônadas, hormônio do crescimento para o fígado e os tecidos, prolactina para a mama. Os hormônios das glândulas-alvo — cortisol, tiroxina, esteroides sexuais — retroalimentam tanto a hipófise quanto o hipotálamo para desligar suas próprias ordens: retroalimentação negativa, em três níveis. A neuro-hipófise não é uma glândula, mas os terminais axonais de neurônios hipotalâmicos, que liberam vasopressina e ocitocina direto no sangue. Cada eixo tem sua própria dinâmica: o eixo tireoidiano é lento e estável, mantendo um ponto de ajuste por anos; o eixo adrenal é pulsátil e circadiano, com o cortisol atingindo o pico antes do amanhecer e secretado em salvas a cada hora; o eixo gonadal de uma mulher roda um ciclo mensal sobre uma retroalimentação positiva que os outros não têm.
Exemplos
Exemplo 21.6 (Cortisol: o eixo do estresse)
O cortisol, do córtex da adrenal sob o ACTH, mobiliza combustível (glicose do fígado, aminoácidos do músculo, ácidos graxos da gordura), sensibiliza os vasos à adrenalina e suprime a inflamação e a resposta imune — razão pela qual seus parentes sintéticos são os anti-inflamatórios mais comuns. Seu ritmo é fixado pelo relógio: às 8 da manhã, um quinto disso à meia-noite, e pulsos a cada uma ou duas horas o tempo todo, já que os neurônios hipotalâmicos de CRH disparam em salvas. O estresse — hemorragia, infecção, cirurgia, medo — o eleva dez vezes em minutos, sobrepondo-se à retroalimentação. Pouco demais (doença de Addison, a destruição do córtex da adrenal) dá fraqueza, pressão arterial baixa, glicose baixa e, sob estresse, colapso e morte se não houver reposição; demais (síndrome de Cushing: um tumor hipofisário produtor de ACTH, um tumor da adrenal ou, o mais frequente, esteroides prescritos) dá o rosto arredondado, a pele fina, o músculo consumido, a glicose alta, a pressão alta e os ossos quebradiços da exposição prolongada. Interromper de repente um longo curso de esteroides é perigoso pela razão que o eixo prevê: o hipotálamo e a hipófise suprimidos levam semanas para se recuperar, e a adrenal, sem estímulo, encolheu.