Tome un(x)=nxn em [0,1). Pontualmente: converge para todo x∈[0,1) (comparação com a série geométrica). Normalmente em [0,a], a<1:∥un∥∞,[0,a]=nan, somável. Não normalmente em [0,1):∥un∥∞,[0,1)=n1, e ∑n1 diverge. Nem sequer uniformemente em [0,1): o resto resiste perto de 1,
logo sup[0,1)∣RN∣≥21 para todo N. Lição final: os quatro veredictos convivem em paz — a soma −ln(1−x) é contínua em [0,1) porque a continuidade só precisa de uniformidade perto de cada ponto, isto é, nos segmentos [0,a]; explodir na borda é direito da soma.
Exemplo 10.13(A função ζ de Riemann)
ζ(s)=∑n≥1n−s converge normalmente em toda semirreta [a,+∞), a>1 (∥n−s∥∞=n−a, somável): ζ é contínua em (1,+∞); derivando termo a termo (a série derivada ∑−lnnn−s também converge normalmente em [a,∞)), ζ é C1 — e, iterando, C∞ — com ζ′(s)=−∑nslnn. Note a disciplina: a convergência normal é verificada em sub-semirretas, nunca no aberto(1,∞) propriamente dito, onde ela falha.
Exemplo 10.14(Uma série logarítmica, trabalhada até o fim)
Seja F(x)=∑n≥1ne−nx em (0,∞). Cada termo é majorado em [δ,∞) por ne−nδ≤e−nδ, uma série geométrica convergente: convergência normal em todo [δ,∞), logo F é contínua em (0,∞). A série derivada ∑−e−nx é igualmente normalmente convergente em [δ,∞) (∥e−nx∥∞,[δ,∞)=e−nδ), de modo que F é C1 com derivada geométrica:
F′(x)=−n≥1∑e−nx=1−e−x−e−x=ex−1−1.
Iterando, F é C∞. Integrando F′ (tanto F quanto x↦−ln(1−e−x) se anulam em +∞ e têm a mesma derivada em (0,∞)):
F(x)=−ln(1−e−x),
a série logarítmica em t=e−x. Lição final: quando x→0+, F(x)=−ln(x+O(x2))=lnx1+O(x) — a série diverge logaritmicamente na fronteira, exatamente como a série harmônica em que ela se transforma em x=0; a convergência normal em [δ,∞) mas não em (0,∞) é o sintoma.