Matemática · Glossário

O que é Polinômio, grau?

Também chamado de: polinômio · polinômio mônico

Definição 8.1 Matemática universitária — Graduação 1 · Capítulo 8 — Polinômios

Um polinômio com coeficientes em KK é uma soma formal

P=a0+a1X+a2X2++anXn=kakXk,P = a_0 + a_1 X + a_2 X^2 + \dots + a_n X^n = \sum_{k} a_k X^k,

com akKa_k \in K todos nulos a partir de um certo índice. Com a adição natural e o produto

(iaiXi)(jbjXj)=k(i+j=kaibj)Xk,\Bigl(\sum_i a_i X^i\Bigr)\Bigl(\sum_j b_j X^j\Bigr) = \sum_k \Bigl(\sum_{i+j=k} a_i b_j\Bigr) X^k,

o conjunto K[X]K[X] é um anel comutativo. O grau degP\deg P de P0P \neq 0 é o maior nn com an0a_n \neq 0; ana_n é o coeficiente líder (PP é mônico quando an=1a_n = 1) e, por convenção, deg0=\deg 0 = -\infty. Todo polinômio define uma função xP(x)x \mapsto P(x) em KK por substituição.

Exemplos

Exemplo 8.4

Divida A=X4+X32X+1A = X^4 + X^3 - 2X + 1 por B=X2+1B = X^2 + 1:

X4+X32X+1=(X2+1)(X2+X1)+(3X+2).X^4 + X^3 - 2X + 1 = (X^2 + 1)(X^2 + X - 1) + (-3X + 2).

(Cálculo: subtraia X2BX^2 B, depois XBX B, depois B-B; o resto 3X+2-3X + 2 tem grau 1<21 < 2.)

Exemplo 8.9 (O truque do polinômio auxiliar)

Seja PP o polinômio de grau n\leq n com

P(k)=kk+1(k=0,1,,n);P(k) = \frac{k}{k+1} \qquad (k = 0, 1, \dots, n) ;

ele existe e é único pela interpolação de Lagrange, abaixo. Quanto vale P(n+1)P(n+1)? Elimine os denominadores: o polinômio Q=(X+1)PXQ = (X+1)P - X tem grau n+1\leq n + 1 e se anula nos n+1n + 1 pontos 0,1,,n0, 1, \dots, n, de modo que, pelo Teorema 8.7,

Q=cX(X1)(X2)(Xn)Q = c\,X(X-1)(X-2)\cdots(X-n)

para alguma constante cc. Avalie onde QQ é conhecido de modo independente: em X=1X = -1, Q(1)=0P(1)+1=1Q(-1) = 0 \cdot P(-1) + 1 = 1, ao passo que o produto vale (1)(2)(1n)=(1)n+1(n+1)!(-1)(-2)\cdots(-1-n) = (-1)^{n+1}(n+1)!; portanto, c=(1)n+1(n+1)!c = \frac{(-1)^{n+1}}{(n+1)!}. Agora avalie em X=n+1X = n + 1:

(n+2)P(n+1)(n+1)=Q(n+1)=c(n+1)!=(1)n+1,(n+2)\,P(n+1) - (n+1) = Q(n+1) = c\,(n+1)! = (-1)^{n+1} ,

de modo que P(n+1)=(n+1)+(1)n+1n+2P(n+1) = \dfrac{(n+1) + (-1)^{n+1}}{n+2}: igual a 11 para nn ímpar, e a nn+2\frac{n}{n+2} para nn par — o polinômio interpolador não continua o padrão n+1n+2\frac{n+1}{n+2}. O truque a reter: codifique os dados como raízes de um polinômio auxiliar, identifique a constante desconhecida num ponto fora dos dados e colha o resultado.

Exemplo 8.13 (Detectando raízes múltiplas com um mdc)

Quando nenhuma raiz é conhecida, a Proposição 8.11 ainda fornece um detector global de raízes múltiplas: aa é raiz múltipla de PP se, e somente se, é raiz comum de PP e PP', de modo que PP tem raiz múltipla (em C\C) se, e somente se, gcd(P,P)1\gcd(P, P') \neq 1 — o que é computável pelo algoritmo de Euclides sem resolver nada. Exemplo: P=X33X+2P = X^3 - 3X + 2, P=3X23=3(X1)(X+1)P' = 3X^2 - 3 = 3(X - 1)(X + 1). Testando as raízes ±1\pm1 de PP' dentro de PP: P(1)=0P(1) = 0, mas P(1)=4P(-1) = 4, logo

gcd(P,P)=X1:\gcd(P, P') = X - 1 :

a raiz 11 é múltipla; dividindo duas vezes, P=(X1)2(X+2)P = (X - 1)^2(X + 2). O mdc chega a relatar o conjunto completo das raízes múltiplas, cada uma com multiplicidade abaixada de uma unidade — fato que todo sistema de álgebra computacional explora para “fatorar sem quadrados” antes de qualquer caça a raízes, e o gêmeo polinomial dos argumentos de ausência de raiz múltipla do Exercício 8.9.

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