Para u∈L(E,F):
keru={x∈E:u(x)=0}⊆E,imu=u(E)⊆F,
ambos subespaços (verificação direta com o critério).
Exemplos
Exemplo 20.8 (Construir uma aplicação sob encomenda)
Construa u∈L(R3) com keru=Vect(1,1,1) e imu={z=0}. Primeiro a coerência: o teorema do núcleo e da imagem exige 1+2=3 — coerente, logo pode existir uma solução. Escolha uma base adaptada ao núcleo, digamos ((1,1,1), e1, e2) (o Exemplo 19.7), e prescreva as imagens (a Proposição 20.2):
u(1,1,1)=0,u(e1)=e1,u(e2)=e2.
Então keru⊇Vect(1,1,1) e imu=Vect(e1,e2)={z=0}; o teorema do núcleo e da imagem força dimkeru=1, logo o núcleo é exatamente a reta prescrita. Explicitamente, decompondo (x,y,z)=z(1,1,1)+(x−z)e1+(y−z)e2:
u(x,y,z)=(x−z, y−z, 0).
A receita generaliza-se: uma aplicação linear com núcleo prescrito N e imagem prescrita I existe exatamente quando dimN+dimI=dimE — a necessidade é o teorema do núcleo e da imagem, e a suficiência é esta construção.
Exemplo 20.10 (Interpolação, estruturalmente)
Fixe x0,…,xn distintos e seja u:Rn[X]→Rn+1, P↦(P(x0),…,P(xn)): linear. O seu núcleo é {P:degP≤n, n+1 roots}={0} (o Corolário 8.8). Dimensões iguais n+1: u é um isomorfismo — existência e unicidade do interpolante de Lagrange (o Teorema 8.23) numa linha.
O mesmo padrão de uma linha trata dados que misturam valores e derivadas: v:R3[X]→R4, P↦(P(0),P′(0),P(1),P′(1)) é linear, e o seu núcleo consiste nos polinômios de grau ≤3 com raízes duplas em 0 e em 1, isto é, divisíveis por X2(X−1)2, de grau 4: só P=0. Dimensões iguais de novo: toda quádrupla de dados (P(0),P′(0),P(1),P′(1)) é realizada por exatamente uma cúbica — a interpolação de Hermite, garantida por um cálculo de núcleo antes de escrever qualquer fórmula (o problema de fim de semana do Capítulo 22 encontra o seu determinante).
Exemplo 20.11 (O teorema do núcleo e da imagem em ação: o operador de diferenças)
Seja Δ:Rn[X]→Rn[X], P↦P(X+1)−P(X): linear. Núcleo: se ΔP=0, então P(0)=P(1)=P(2)=…, logo P−P(0) tem infinitas raízes e se anula (o Corolário 8.8): kerΔ é a reta das constantes. Pelo teorema do núcleo e da imagem: rkΔ=(n+1)−1=n. Como degΔP<degP para P não constante (os termos de topo se cancelam), imΔ⊆Rn−1[X], que tem dimensão exatamente n: a inclusão é uma igualdade. Conclusão, sem calcular nenhuma pré-imagem: todo polinômio Q de grau ≤n−1 é uma diferença Q=P(X+1)−P(X) — a primitiva discreta existe. (Compare com o problema de fim de semana do Capítulo 18, em que Δ foi invertido explicitamente na base binomial.)