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Ciências da Terra e do espaço do ensino fundamental · শ্রেণি 1–9
10A água modela a terra
A noite inteira, a tempestade tamborilou no telhado da escola. De manhã o céu está abrindo, e Lena e Tom correm até o riachinho atrás do pátio. Ontem ele estava limpo e tranquilo: dava para contar os seixos no fundo. Hoje ele está largo, rápido e marrom, da cor de chocolate ao leite. Ele leva gravetos, folhas e uma coisa que eles não conseguem ver grão por grão: lama e areia, arrancadas das suas margens e dos campos rio acima.
“Para onde vai toda essa lama?”, pergunta Tom. Rio abaixo, um pouco mais longe a cada minuto. O riacho está levando a terra embora, grão por grão. Neste capítulo vamos seguir esses grãos, desde a rocha de onde eles vêm até o lugar onde eles se depositam.
O que você já sabe
A rocha é o material duro da Terra; quebrada em pedaços, ela dá pedras, seixos arredondados pela água, areia, cujos grãos vemos um por um, e lama, cujos grãos são pequenos demais para ver (Capítulo 5). Um rio corre sem parar num canal comprido, de um terreno mais alto até um lago ou até o mar (Capítulo 2). A chuva que cai na terra escorre para os riachos e os rios, que levam a água de volta para o mar (Capítulo 3).
10.1 A rocha se quebra no lugar onde está
Nem a rocha mais dura dura para sempre. Onde ela fica exposta, ao sol, à chuva e à geada, ela vai rachando e se esfarelando devagar.
Definição 10.1 (Intemperismo)
O intemperismo é a fragmentação lenta da rocha no lugar onde ela está, pela geada, pela água, pelas raízes das plantas e pelo calor e pelo frio. A rocha se quebra em pedaços, mas os pedaços ficam no lugar.
A geada é uma das ferramentas mais fortes do intemperismo. A água da chuva se infiltra numa rachadura fina da rocha. Numa noite fria, ela congela, e, quando a água congela, ela ocupa um pouco mais de espaço: o gelo empurra os lados da rachadura e a abre só mais um pouquinho. No dia seguinte o gelo derrete, entra mais água, e na noite seguinte ela congela de novo. Depois de muitos invernos, um pedaço de rocha se solta.
Embaixo de um paredão de rocha nua, no alto das montanhas, os pedaços soltos pela geada escorregam e rolam encosta abaixo, e se acumulam numa rampa de pedras pontudas. Elas não são arredondadas: nenhuma água as fez rolar ainda.
As plantas também ajudam. Uma raiz de árvore entra numa rachadura e, à medida que engrossa ano após ano, racha a rocha como uma cunha lenta. A própria água da chuva amolece devagar algumas rochas e as transforma em argila e areia: é assim que o solo ganha os seus grãos minerais.
10.2 A água leva os pedaços embora
Depois que a rocha se quebra, os pedaços podem se mover. Alguma coisa precisa carregá-los.
Definição 10.2 (Erosão)
A erosão é o desgaste do terreno e o transporte dos pedaços de rocha, sobretudo pela água corrente, mas também pelo vento, pelo gelo e pelas ondas do mar.
A água corrente faz a maior parte do trabalho. A chuva lava o solo e os grãos encosta abaixo até os riachos; os riachos arrancam mais das suas próprias margens, como fez o riacho de Tom e Lena depois da tempestade. Quanto mais rápido a água corre, mais ela consegue carregar, e maiores são os pedaços que ela consegue mover: um riacho calmo só carrega lama fina; um riacho em cheia rola seixos e até matacões pelo seu leito.
No caminho, as pedras batem umas nas outras e no leito. Os cantos se quebram, e elas viram seixos arredondados, depois grãos cada vez menores: areia e lama.
O vento faz o mesmo trabalho nos lugares secos, onde nada segura a areia: ele a sopra e forma dunas. O gelo, nas montanhas e perto dos polos, arrasta pedras embaixo do seu enorme peso. No litoral, as ondas batem nos penhascos e fazem os seixos da praia rolar para lá e para cá.
Observação 10.3 (Quanto?)
Juntos, todos os rios do mundo levam mais de 12 bilhões de toneladas de lama e de areia para o mar todo ano. Isso dá cerca de um bilhão de toneladas por mês.
10.3 A água deposita os pedaços
Um rio não consegue carregar a sua carga para sempre. Onde ele fica mais lento, ele não tem mais força para mover os seus grãos maiores, e eles se depositam no leito.
Definição 10.4 (Deposição)
A deposição é o assentamento dos pedaços de rocha carregados pela água, pelo vento ou pelo gelo, onde eles ficam mais lentos e param.
Os pedaços mais pesados se depositam primeiro: os seixos caem onde a correnteza diminui um pouco, a areia onde ela diminui mais, e a lama fina só onde a água está quase parada, num lago ou no mar. É por isso que o leito de um rio é de seixos nas montanhas e de areia ou de lama perto do mar.
O intemperismo, a erosão e a deposição são três etapas de uma mesma longa viagem: a rocha se quebra no lugar onde está, os seus pedaços são levados embora e são depositados em outro lugar. Devagar, a água leva as montanhas, grão por grão, até as planícies e o mar.
Método 10.5 (Dar nome ao que a água faz)
Para dar nome ao que está acontecendo com a rocha numa imagem ou numa história, faça três perguntas:
- A rocha está sendo quebrada, mas os pedaços ficam onde estão? Isso é o intemperismo.
- Os pedaços estão sendo desgastados e levados embora? Isso é a erosão.
- Os pedaços estão se depositando e se acumulando? Isso é a deposição.
Exemplo 10.6 (O riacho depois da tempestade)
A água marrom do riacho de Tom e Lena carrega lama arrancada das suas margens: isso é erosão. Uma semana depois, o riacho está limpo de novo, e uma camada fina de lama cobre o fundo da poça calma no fim do pátio: isso é deposição.
10.4 Um rio da nascente à foz
Todo rio tem um começo e um fim.
Definição 10.7 (Nascente, foz e afluente)
A nascente de um rio é o lugar onde ele começa: uma fonte, uma geleira que derrete, ou uma terra alta e encharcada onde nascem muitos riachinhos. A sua foz é o lugar onde ele termina, desaguando no mar, num lago ou num rio maior. Um afluente é um rio menor que deságua num rio maior.
Ao longo do caminho, um rio muda. Dividimos o seu comprimento em três partes: o curso superior, o curso médio e o curso inferior.
No seu curso superior, nas montanhas, o rio é jovem e íngreme. A água desce com pressa, rola matacões pelo leito e escava a rocha para baixo. Ele cava um vale estreito, de encostas íngremes, com a forma da letra V.
No seu curso médio, o declive é mais suave. O rio vai de um lado para o outro, fazendo grandes curvas.
Definição 10.8 (Meandro)
Um meandro é uma curva de um rio que serpenteia pelo fundo plano de um vale.
Um meandro não fica parado: ele se desloca. Do lado de fora de cada curva, a água corre rápida e funda: ela escava a margem, que vira um pequeno barranco. Do lado de dentro da curva, a água corre devagar: ela deixa areia e cascalho, que formam uma praia suave. Ano após ano, a margem de fora recua e a praia de dentro cresce, e a curva fica cada vez mais aberta.
Às vezes duas curvas crescem tanto que ficam muito próximas e, durante uma cheia, o rio rompe a estreita faixa de terra entre elas e pega o atalho. A curva antiga fica para trás como um lago curvo.
No seu curso inferior, o terreno é quase plano. O rio corre devagar por um fundo de vale largo e plano, feito da lama e da areia que ele mesmo depositou ao longo de muito tempo.
Por fim, o rio chega à sua foz. Ali a água fica quase parada, e o rio deixa o resto da sua carga. Onde as ondas e as marés do mar são fracas demais para levar tudo embora, a lama e a areia se acumulam, e uma terra nova avança sobre o mar.
Definição 10.9 (Delta)
Um delta é uma terra nova e plana construída por um rio na sua foz, com a lama e a areia que ele deposita. O rio se divide em vários braços que se espalham sobre ela, muitas vezes em forma de leque.
O nome vem da letra grega (delta), um triângulo, porque o delta do Nilo, no Egito, tem essa forma.
Alguns rios terminam sem delta. Onde ondas e marés fortes levam a lama embora, o rio termina numa foz larga, em forma de funil, por onde o mar entra e sai com as marés: um estuário.

10.5 As inundações
Depois de muitos dias de chuva, ou quando a neve derrete depressa na primavera, um rio recebe mais água do que o seu canal consegue conter.
Definição 10.10 (Inundação e planície de inundação)
Uma inundação acontece quando a água cobre uma terra que normalmente fica seca. Um rio transborda quando sobe acima das suas margens e se espalha pela terra plana dos dois lados. Essa terra plana, que o rio cobre de vez em quando, é a sua planície de inundação.
Um rio que transborda não está fazendo nada de estranho: ele está fazendo o que os rios sempre fizeram. A planície de inundação é o território dele. Na verdade, foi o rio que a construiu: cada cheia deixa uma camada fina de lama sobre os campos, e é por isso que as planícies de inundação têm um solo tão rico. Antigamente, os agricultores do Egito esperavam a cheia anual do Nilo, que regava os seus campos e lhes trazia lama nova.
Mas uma inundação é perigosa para quem mora na planície de inundação. As casas construídas ali podem ficar cheias de água, e a água rápida de uma enchente pode arrastar carros e pessoas. Uma cidade sensata constrói em terreno mais alto e deixa a planície de inundação para plantações, pastos e parques. No Capítulo 12 vamos ver como as pessoas se preparam para as inundações e se protegem.
Segurança
Nunca ande, pedale ou brinque na água de uma enchente, e nunca chegue perto de um rio em cheia: a água é mais forte e mais funda do que parece, e pode esconder buracos e bueiros abertos. Fique longe até os adultos responsáveis dizerem que não há mais perigo.
10.6 Exercícios
Exercício 10.1 ★
Dê o nome do processo: intemperismo, erosão ou deposição?
- [(a)] O gelo numa rachadura racha uma rocha numa montanha.
- [(b)] Um rio em cheia leva embora a areia das suas margens.
- [(c)] Uma camada de lama se deposita no fundo de um lago calmo.
- [(d)] Uma raiz de árvore racha um muro de pedra.
Solução
Solução de Exercício 10.1.
(a) Intemperismo: a rocha se quebra no lugar onde está. (b) Erosão: a areia é desgastada e levada embora. (c) Deposição: a lama se deposita. (d) Intemperismo: a raiz quebra a pedra no lugar onde ela está.
Exercício 10.2 ★
O que é a nascente de um rio? O que é a sua foz? O que é um afluente?
Exercício 10.3 ★
Coloque estas partes de um rio em ordem, da nascente até o mar: os meandros; o delta; o vale estreito em V; a nascente.
Exercício 10.4 ★
Verdadeiro ou falso? Explique.
- [(a)] A rocha dura nunca muda.
- [(b)] Um rio rápido consegue carregar pedras maiores que um rio lento.
- [(c)] A lama mais fina se deposita primeiro, perto da nascente.
Solução
Solução de Exercício 10.4.
(a) Falso: a geada, a água, as raízes, o calor e o frio quebram devagar até a rocha dura (intemperismo). (b) Verdadeiro: quanto mais rápida a água, maiores os pedaços que ela consegue mover. (c) Falso: os pedaços mais pesados se depositam primeiro; a lama mais fina se deposita por último, onde a água está quase parada, num lago ou no mar.
Exercício 10.5 ★
Veja uma curva de um rio vista de cima.
Em que margem, A ou B, o rio desgasta o terreno? Em que margem ele deixa areia?
Exercício 10.6 ★
Nas montanhas, o leito de um rio é coberto de pedras grandes. Perto do mar, ele é coberto de areia e de lama. Por quê?
Solução
Solução de Exercício 10.6.
Nas montanhas, o rio é íngreme e rápido: ele consegue rolar pedras grandes e leva os grãos pequenos embora. Perto do mar, o rio é lento: ele não consegue mais mover pedras grandes, só areia e lama, e as deixa ali. No caminho, além disso, as pedras foram quebradas e desgastadas em grãos cada vez menores.
Exercício 10.7 ★★
Um rio tem 600 quilômetros de comprimento. O seu curso superior é o primeiro do seu comprimento, e o seu curso médio, a metade seguinte, .
- [(a)] Qual é o comprimento do curso superior? E do curso médio?
- [(b)] Qual é o comprimento do curso inferior? Que fração do rio ele representa?
Solução
Solução de Exercício 10.7.
(a) Curso superior: quilômetros. Curso médio: quilômetros. (b) Curso inferior: quilômetros. Como , ele é do rio. (Verificação: .)
Exercício 10.8 ★★
Observe de novo a foto do rio Mamoré vista da estação espacial, na página 66. O que são as manchas claras do lado de dentro das curvas? O que são os lagos curvos e escuros ao lado do rio? Como eles se formaram?
Solução
Solução de Exercício 10.8.
As manchas claras são areia e cascalho depositados do lado de dentro das curvas, onde a água é lenta (deposição). Os lagos curvos e escuros são curvas antigas do rio: duas curvas cresceram até ficar muito próximas, o rio rompeu a faixa de terra entre elas, pegou o atalho e deixou a curva antiga para trás, como um lago.
Exercício 10.9 ★★
Uma cidade quer construir uma escola nova nos pastos verdes e planos ao lado do seu rio, porque ali o terreno é plano e barato. O que você diria à câmara municipal? Use as palavras inundação e planície de inundação.
Solução
Solução de Exercício 10.9.
Os pastos planos ao lado do rio são a sua planície de inundação: a terra que o rio cobre quando transborda. Eles são planos justamente porque o rio os construiu com a sua própria lama. Um dia o rio vai transbordar de novo e encher a escola de água, e a água rápida de uma enchente é perigosa. A escola deve ser construída num terreno mais alto, e os pastos devem continuar sendo campos, pastos ou um parque.
Exercício 10.10 ★★
Os rios do mundo levam cerca de 12 bilhões de toneladas de lama e de areia para o mar todo ano.
- [(a)] Quantas toneladas isso dá por mês, em média?
- [(b)] Um caminhão grande carrega 10 toneladas. Quantas cargas de caminhão seriam necessárias para levar a lama e a areia de um mês?
Solução
Solução de Exercício 10.10.
(a) Um ano tem 12 meses: bilhões bilhão de toneladas por mês, em média. (b) Um bilhão é ; dividido por 10, dá : cem milhões de cargas de caminhão.
Exercício 10.11 ★★★
Conte a história de um grão de areia. Ele começa como parte de uma rocha no alto de uma montanha e termina, muitos anos depois, num delta. Use as palavras intemperismo, erosão e deposição, e diga o que acontece com o grão no curso superior, no curso médio e no curso inferior do rio.
Solução
Solução de Exercício 10.11.
Uma história possível. O grão faz parte de uma rocha no alto de uma montanha. A geada abre uma rachadura em volta dele, noite após noite, até que um pedaço de rocha se solta: isso é o intemperismo. O pedaço cai no riacho lá embaixo. No curso superior, a água é rápida e íngreme: ela faz o pedaço rolar (erosão) e, batendo em outras pedras, ele se quebra em seixos e depois em grãos de areia. No curso médio, o rio fica mais lento; o grão descansa por um tempo na praia de areia do lado de dentro da curva de um meandro, até que uma cheia o pega de novo. No curso inferior, o rio é lento e largo; o grão viaja com a água até a foz. Ali a água quase para, e o grão se deposita com a lama e a areia do delta: isso é a deposição.