x⊥y quando ⟨x,y⟩=0. Uma família é ortogonal quando os seus vetores são dois a dois ortogonais, e ortonormal quando, além disso, cada um tem norma 1. O complemento ortogonal de um subespaçoF é
Esta verificação por soma dos quadrados das coordenadas (uma identidade de Parseval finita) custa segundos e pega erros de sinal e de normalização com quase certeza — torne-a um hábito sempre que calcular um desenvolvimento ortonormal; a sua versão em dimensão infinita, para os coeficientes de Fourier do Exemplo 23.14, é um teorema do volume do terceiro ano de graduação.
Exemplo 23.9(Gram–Schmidt sobre polinômios, por extenso)
Ortonormalize (1,X,X2) em R2[X] com ⟨P,Q⟩=∫01PQ. Passo 1: ∥1∥2=1, logo e1=1. Passo 2: w2=X−⟨X,1⟩1=X−21, e ∥w2∥2=∫01(x−21)2dx=121: e2=12(X−21). Passo 3: ⟨X2,e1⟩=31 e
A sua norma foi calculada no Exercício 23.9: ∥w3∥2=1801, donde e3=180(X2−X+61). Os polinômios1, X−21, X2−X+61 são, a menos de escala, os primeiros polinômios de Legendre do intervalo[0,1]; a construção prossegue um grau de cada vez, cada novo polinômioortogonal a todos os seus antecessores. Note como o algoritmo reaproveita o trabalho anterior: a projeção subtraída no passo 3 é exatamente a melhor aproximação afim de X2 encontrada no Exemplo 23.12 — Gram–Schmidt éprojeção ortogonal iterada.
Exemplo 23.11(As projeções nunca alongam)
Aplicando Pitágoras à decomposição x=pF(x)+(x−pF(x)):
∥pF(x)∥2=∥x∥2−∥x−pF(x)∥2≤∥x∥2,
com igualdade se e somente se x∈F. Numa baseortonormal(e1,…,ek) de F isto lê-se ∑i≤k⟨x,ei⟩2≤∥x∥2 (uma desigualdade de Bessel): por mais direções ortonormais que se meçam, as coordenadas ao quadrado nunca ultrapassam o comprimento ao quadrado — compare com a igualdade exata do Exemplo 23.7 quando a família é uma base completa. Esta desigualdade de uma linha é o que torna somáveis os coeficientes de Fourier no volume do terceiro ano de graduação; aqui ela já explica por que acrescentar mais funções de base a um ajuste de mínimos quadrados só pode diminuir o resíduo.