Mathematics · Livro 4 · Bachelor Year 2

Matemática universitária — Graduação 2

Matemática universitária — Graduação 2 · Bachelor Year 2

6Comparação de funções

A análise assintótica — a arte de substituir uma quantidade complicada por outra simples mais um erro controlado — foi iniciada no volume do primeiro ano de graduação com os desenvolvimentos de Taylor. Este capítulo faz dela uma disciplina autônoma: desenvolvimentos ao longo de escalas gerais, a comparação série–integral com toda a sua força assintótica, a fórmula de Stirling (demonstrada por completo) e o estudo sistemático das sequências definidas implicitamente. Essas técnicas são o pão de cada dia da análise assintótica, e todo capítulo posterior que estime seja o que for — séries, integrais, probabilidades — come desta mesa.

6.1 Relações de comparação e escalas

Definição 6.1

Perto de um ponto aa (a∈Ra \in \R ou ±∞\pm\infty), para funções (ou sequências, com n→∞n \to \infty): f=o(g)f = o(g), f=O(g)f = O(g), f∼gf \sim g como no volume do primeiro ano de graduação. Uma escala de comparação em aa é uma família de funções positivas, duas a duas comparáveis, totalmente ordenada por o(⋅)o(\cdot) — a escala padrão em +∞+\infty sendo

xα(ln⁡x)β(α,β∈R),x^{\alpha} (\ln x)^{\beta} \qquad (\alpha, \beta \in \R),

ordenada lexicograficamente em (α,β)(\alpha, \beta), refinada quando preciso por exponenciais eγx\eu^{\gamma x}.

Definição 6.2 (Desenvolvimento assintótico)

ff admite o desenvolvimento assintótico

f=c1φ1+c2φ2+⋯+ckφk+o(φk)(φi+1=o(φi) na escala)f = c_1 \varphi_1 + c_2\varphi_2 + \dots + c_k \varphi_k + o(\varphi_k) \qquad (\varphi_{i+1} = o(\varphi_i) \text{ na escala})

quando os restos sucessivos satisfazem as estimativas exibidas. Os coeficientes são então únicos: c1=lim⁡f/φ1c_1 = \lim f/\varphi_1 e, indutivamente, ci+1=lim⁡ (f−∑j≤icjφj)/φi+1c_{i+1} = \lim\,(f - \sum_{j \leq i} c_j\varphi_j)/\varphi_{i+1}.

Exemplo 6.3

Os desenvolvimentos de Taylor são desenvolvimentos assintóticos ao longo da escala (x−a)k(x - a)^k em aa. Mas a noção é estritamente mais ampla: em +∞+\infty,

1x−ln⁡x=1x⋅11−ln⁡xx=1x+ln⁡xx2+o(ln⁡xx2),\frac{1}{x - \ln x} = \frac1x \cdot \frac{1}{1 - \frac{\ln x}{x}} = \frac1x + \frac{\ln x}{x^2} + o\Bigl(\frac{\ln x}{x^2}\Bigr),

um desenvolvimento ao longo de uma escala mista — nenhum teorema de Taylor se aplica, apenas o desenvolvimento geométrico e o cálculo dos oo.

Exemplo 6.4 (A escala padrão é realmente ordenada)

A afirmação lexicográfica da Definição 6.1 exige uma linha de demonstração por caso. Compare xα(ln⁡x)βx^{\alpha}(\ln x)^{\beta} e xα′(ln⁡x)β′x^{\alpha'}(\ln x)^{\beta'} em +∞+\infty. Se α<α′\alpha < \alpha': a razão é xα−α′(ln⁡x)β−β′→0x^{\alpha - \alpha'}(\ln x)^{\beta - \beta'} \to 0, porque uma potência negativa de xx esmaga qualquer potência de ln⁡x\ln x (ponha x=etx = \eu^t: e(α−α′)t tβ−β′→0\eu^{(\alpha - \alpha')t}\,t^{\beta - \beta'} \to 0 pelo limite “a exponencial vence a polinomial” do volume do primeiro ano de graduação). Se α=α′\alpha = \alpha' e β<β′\beta < \beta': a razão é (ln⁡x)β−β′→0(\ln x)^{\beta - \beta'} \to 0 diretamente. Assim os pares (α,β)(\alpha, \beta), ordenados lexicograficamente, ordenam a escala por o(⋅)o(\cdot) — e a substituição x=etx = \eu^t é o truque universal para comparações mistas de potências e logaritmos.

Exemplo 6.5 (Ordenando um bestiário)

As escalas precisam ser ordenadas; eis o treino padrão. Em +∞+\infty, compare n10n^{10}, eln⁡n ⋅ n\eu^{\sqrt{\ln n}\,\cdot\,\sqrt n}, 2n2^n e nln⁡nn^{\ln n} tomando logaritmos:

10ln⁡n  ≪  (ln⁡n)2  ≪  nln⁡n  ≪  nln⁡2,10\ln n \;\ll\; (\ln n)^2 \;\ll\; \sqrt{n\ln n} \;\ll\; n\ln 2 ,

em que an≪bna_n \ll b_n significa an=o(bn)a_n = o(b_n); a segunda entrada é ln⁡(nln⁡n)\ln(n^{\ln n}). As exponenciais preservam esses saltos estritos (se ln⁡un−ln⁡vn→−∞\ln u_n - \ln v_n \to -\infty então un/vn→0u_n/v_n \to 0), logo

n10=o(nln⁡n),nln⁡n=o(enln⁡n),enln⁡n=o(2n).n^{10} = o\bigl(n^{\ln n}\bigr), \qquad n^{\ln n} = o\bigl(\eu^{\sqrt{n\ln n}}\bigr), \qquad \eu^{\sqrt{n\ln n}} = o(2^n) .

A moral, em dose dupla: compare sempre por logaritmos (diferenças de logaritmos, e não razões de logaritmos), e nunca conclua un∼vnu_n \sim v_n a partir de ln⁡un∼ln⁡vn\ln u_n \sim \ln v_n — o par n10n^{10} e nln⁡nn^{\ln n} tem razão de ln⁡\ln tendendo a ∞\infty, mas 2n2^n e 4n4^n têm razão de ln⁡\ln exatamente igual a 22 e são totalmente não equivalentes.

6.2 Comparação série–integral, assintoticamente

Teorema 6.6

Seja ff contínua, positiva e decrescente em [1, +∞)\intco{1}{+\infty}.

  1. Se ∫1∞f\int_1^{\infty} f converge, os restos satisfazem

    ∫n+1∞f  ≤  ∑k>nf(k)  ≤  ∫n∞f.\int_{n+1}^{\infty} f \;\leq\; \sum_{k > n} f(k) \;\leq\; \int_{n}^{\infty} f .
  2. Se ∫1∞f\int_1^\infty f diverge, as somas parciais satisfazem ∑k=1nf(k)=∫1nf+C+o(1)\sum_{k=1}^{n} f(k) = \int_1^n f + C + o(1) para alguma constante CC: a diferença ∑k≤nf(k)−∫1nf\sum_{k \leq n} f(k) - \int_1^n f converge.

Demonstração. O enquadramento f(k+1)≤∫kk+1f≤f(k)f(k+1) \leq \int_k^{k+1} f \leq f(k) (decrescimento) era o recurso do primeiro ano; somando sobre k≥n+1k \geq n+1, resp. k≥nk \geq n, obtém-se (1). Para (2), ponha uk=f(k)−∫kk+1fu_k = f(k) - \int_k^{k+1} f: pelo enquadramento, 0≤uk≤f(k)−f(k+1)0 \leq u_k \leq f(k) - f(k+1), de modo que as somas parciais de ∑uk\sum u_k são majoradas pela soma telescópica f(1)−f(n+1)≤f(1)f(1) - f(n+1) \leq f(1): a série converge. Além disso, a sequência (∫nn+1f)n\bigl(\int_n^{n+1} f\bigr)_n é não crescente (ff decresce) e não negativa, logo convergente. Escrevendo

∑k=1nf(k)−∫1nf=∑k=1nuk+∫nn+1f,\sum_{k=1}^{n} f(k) - \int_1^n f = \sum_{k=1}^{n} u_k + \int_n^{n+1} f ,

o membro da direita converge quando n→∞n \to \infty: a diferença converge para uma constante CC, que é o enunciado (2). ∎

Exemplo 6.7 (O desenvolvimento harmônico)

Para f(t)=1tf(t) = \frac1t: Hn=ln⁡n+γ+o(1)H_n = \ln n + \gamma + o(1), recuperando a constante de Euler (volume do primeiro ano de graduação) com uma demonstração mais limpa. Levando uma ordem adiante (Exercício 6.3):

Hn=ln⁡n+γ+12n+o(1n).H_n = \ln n + \gamma + \frac{1}{2n} + o\Bigl(\frac1n\Bigr).

Os números tornam o ganho visível em n=10n = 10: H10=2.928968…H_{10} = 2.928968\dots e ln⁡10=2.302585…\ln 10 = 2.302585\dots, de modo que a estimativa bruta de γ\gamma dá H10−ln⁡10=0.626383H_{10} - \ln 10 = 0.626383, errando por 0.0490.049; subtrair a correção 120\frac1{20} dá 0.5763830.576383, que difere de γ=0.577216\gamma = 0.577216 por apenas 8.3⋅10−48.3\cdot10^{-4} — que é ele próprio o termo seguinte 112⋅100\frac{1}{12\cdot100} do desenvolvimento, como demonstra o problema de fim de semana (questão 8).

Exemplo 6.8 (Um ln⁡(n!)\ln(n!) bruto sem Stirling)

Só o enquadramento já localiza ln⁡(n!)\ln(n!). Como ln⁡\ln é crescente,

∫k−1kln⁡t  ⁣dt  ≤  ln⁡k  ≤  ∫kk+1ln⁡t  ⁣dt,\int_{k-1}^{k}\ln t\,\dd t \;\leq\; \ln k \;\leq\; \int_{k}^{k+1}\ln t\,\dd t ,

e somando sobre k=2,…,nk = 2, \dots, n (com ∫1nln⁡=nln⁡n−n+1\int_1^n\ln = n\ln n - n + 1):

nln⁡n−n+1  ≤  ln⁡(n!)  ≤  (n+1)ln⁡(n+1)−n.n\ln n - n + 1 \;\leq\; \ln(n!) \;\leq\; (n+1)\ln(n+1) - n .

As duas cercas são nln⁡n−n+O(ln⁡n)n\ln n - n + O(\ln n): logo ln⁡(n!)=nln⁡n−n+O(ln⁡n)\ln(n!) = n\ln n - n + O(\ln n) e, em particular, ln⁡(n!)∼nln⁡n\ln(n!) \sim n\ln n. O que Stirling acrescenta são os dois degraus seguintes — o 12ln⁡n\frac12\ln n e a constante ln⁡2π\ln\sqrt{2\pi} — que custam a soma telescópica mais fina do Teorema 6.13. Saber que precisão cada ferramenta compra é metade do ofício assintótico.

Exemplo 6.9 (O cancelamento exige desenvolvimentos)

Calcule o limite de n2+n−n\sqrt{n^2 + n} - n. Os dois termos são ∼n\sim n, e “∼n−n\sim n - n” não significa nada: equivalentes não se subtraem. Desenvolva, em vez disso:

n2+n−n=n(1+1n−1)=n(12n−18n2+O(1n3))=12−18n+O(1n2):\sqrt{n^2 + n} - n = n\Bigl(\sqrt{1 + \tfrac1n} - 1\Bigr) = n\Bigl(\frac{1}{2n} - \frac{1}{8n^2} + O\Bigl(\frac1{n^3}\Bigr)\Bigr) = \frac12 - \frac{1}{8n} + O\Bigl(\frac1{n^2}\Bigr) :

limite 12\frac12, com a velocidade de aproximação 18n\frac1{8n} de brinde. O mecanismo merece um nome: uma diferença de duas quantidades grandes equivalentes vive inteiramente em seus termos seguintes, de modo que é preciso desenvolver até a primeira ordem em que os dois lados diferem — e carregar o resto para certificar que nada mais sobrevive nessa ordem.

Exemplo 6.10 (Uma comparação divergente, trabalhada)

Para f(t)=1tln⁡tf(t) = \frac{1}{t\ln t} em [2, +∞)\intco{2}{+\infty} (contínua, positiva, decrescente): ∫2xf=ln⁡ln⁡x−ln⁡ln⁡2→∞\int_2^x f = \ln\ln x - \ln\ln 2 \to \infty, logo, pelo Teorema 6.6 (2),

∑k=2n1kln⁡k=ln⁡ln⁡n+C+o(1)\sum_{k=2}^{n}\frac{1}{k\ln k} = \ln\ln n + C + o(1)

para alguma constante CC. Duas lições. Primeiro, a divergência é real mas glacial: a soma parcial só ultrapassa 44 por volta de n≈ee4−Cn \approx \eu^{\eu^{4 - C}}, astronomicamente grande. Segundo, a forma ln⁡ln⁡n\ln\ln n foi entregue por uma primitiva, não adivinhada: para termos monótonos, a integral é o dispositivo canônico de somação, e a constante CC — como o γ\gamma de Euler — é a memória dos termos iniciais.

6.3 A fórmula de Stirling

Lema 6.11 (Integrais de Wallis, revisitadas)

Seja Wn=∫0π/2sin⁡nt  ⁣dtW_n = \int_0^{\pi/2} \sin^n t\,\dd t. Então nWnWn−1=π2nW_nW_{n-1} = \frac\pi2 para n≥1n \geq 1, (Wn)(W_n) decresce, e Wn∼π2nW_n \sim \sqrt{\dfrac{\pi}{2n}}.

Demonstração. A integração por partes dá nWn=(n−1)Wn−2nW_n = (n-1)W_{n-2} (n≥2n \geq 2), logo nWnWn−1nW_nW_{n-1} é constante em nn, igual a 1⋅W1W0=π21 \cdot W_1 W_0 = \frac\pi2. Decrescimento: sin⁡n+1≤sin⁡n\sin^{n+1} \leq \sin^n em [0, π2]\intcc{0}{\frac\pi2}. O confronto, em detalhe: a monotonicidade dá Wn+1≤Wn≤Wn−1W_{n+1} \leq W_n \leq W_{n-1} e, dividindo por Wn−1>0W_{n-1} > 0,

nn+1=Wn+1Wn−1≤WnWn−1≤1,\frac{n}{n+1} = \frac{W_{n+1}}{W_{n-1}} \leq \frac{W_n}{W_{n-1}} \leq 1 ,

vindo a identidade da esquerda da recorrência no índice n+1n + 1. As duas cotas tendem a 11: Wn∼Wn−1W_n \sim W_{n-1}, donde

nWn2∼nWnWn−1=π2⟹Wn∼π2n.nW_n^2 \sim nW_nW_{n-1} = \frac\pi2 \qquad\Longrightarrow\qquad W_n \sim \sqrt{\frac{\pi}{2n}} .

∎

Exemplo 6.12 (As primeiras integrais de Wallis)

De W0=π2W_0 = \frac\pi2, W1=1W_1 = 1 e da recorrência nWn=(n−1)Wn−2nW_n = (n-1)W_{n-2}:

W2=π4,W3=23,W4=3π16,W5=815,W6=5π32.W_2 = \frac\pi4, \qquad W_3 = \frac23, \qquad W_4 = \frac{3\pi}{16}, \qquad W_5 = \frac{8}{15}, \qquad W_6 = \frac{5\pi}{32}.

Os índices pares carregam um π\pi, os ímpares são racionais — os dois produtos entrelaçados das formas fechadas. Numericamente, W6≈0.4909W_6 \approx 0.4909 contra a assintótica π/12≈0.5116\sqrt{\pi/12} \approx 0.5116: em n=6n = 6 o equivalente já está a menos de 5%5\%, e a identidade do produto é exata em todo nn: 6 W6W5=6⋅5π32⋅815=π26\,W_6W_5 = 6\cdot\frac{5\pi}{32}\cdot\frac8{15} = \frac\pi2. Tabelinhas como esta são o modo mais barato de apanhar um deslize algébrico antes que ele infecte um argumento assintótico.

Teorema 6.13 (Stirling)

n!  ∼  2πn (ne) ⁣n.n! \;\sim\; \sqrt{2\pi n}\, \Bigl(\frac{n}{\eu}\Bigr)^{\!n} .

Demonstração. Etapa 1: n!∼Cn (n/e)nn! \sim C \sqrt n\, (n/\eu)^n para alguma constante C>0C > 0. Ponha

dn=ln⁡(n!)−(n+12)ln⁡n+n.d_n = \ln(n!) - \Bigl(n + \frac12\Bigr)\ln n + n .

Então

dn−dn+1=(n+12)ln⁡n+1n−1=(n+12)(1n−12n2+13n3+o(n−3))−1=112n2+o(1n2),d_n - d_{n+1} = \Bigl(n + \frac12\Bigr) \ln\frac{n+1}{n} - 1 = \Bigl(n + \frac12\Bigr)\Bigl(\frac1n - \frac{1}{2n^2} + \frac{1}{3n^3} + o\bigl(n^{-3}\bigr)\Bigr) - 1 = \frac{1}{12n^2} + o\Bigl(\frac{1}{n^2}\Bigr),

pelo desenvolvimento de Taylor de ln⁡(1+1n)\ln(1 + \frac1n). A série ∑(dn−dn+1)\sum (d_n - d_{n+1}) converge portanto absolutamente (comparação com ∑n−2\sum n^{-2}), de modo que (dn)(d_n) converge, digamos para dd; exponenciando, n!∼Cn (n/e)nn! \sim C\sqrt n\,(n/\eu)^n com C=edC = \eu^{d}.

Etapa 2: C=2πC = \sqrt{2\pi} via Wallis. A forma fechada W2p=(2p)!4p(p!)2⋅π2W_{2p} = \frac{(2p)!}{4^p (p!)^2}\cdot\frac\pi2 (vinda da recorrência, cálculo do primeiro ano refeito no contexto do Lema 6.11) combina-se com a Etapa 1:

W2p∼C2p (2p/e)2p4p (Cp (p/e)p)2⋅π2=2pC p⋅π2=πC⋅12p.W_{2p} \sim \frac{C\sqrt{2p}\,(2p/\eu)^{2p}} {4^p\,\bigl(C\sqrt p\,(p/\eu)^p\bigr)^2}\cdot\frac{\pi}{2} = \frac{\sqrt{2p}}{C\,p}\cdot\frac{\pi}{2} = \frac{\pi}{C}\cdot\frac{1}{\sqrt{2p}} .

Comparando com W2p∼π4pW_{2p} \sim \sqrt{\frac{\pi}{4p}} (Lema 6.11): πC2p=π4p (1+o(1))\frac{\pi}{C\sqrt{2p}} = \sqrt{\frac{\pi}{4p}}\,(1 + o(1)) força C=π4p2p π=2πC = \pi \sqrt{\frac{4p}{2p\,\pi}} = \sqrt{2\pi}. ∎

Exemplo 6.14 (Coeficiente binomial central)

(2nn)=(2n)!(n!)2∼4πn (2n/e)2n2πn (n/e)2n=4nπn:\binom{2n}{n} = \frac{(2n)!}{(n!)^2} \sim \frac{\sqrt{4\pi n}\,(2n/\eu)^{2n}}{2\pi n\,(n/\eu)^{2n}} = \frac{4^n}{\sqrt{\pi n}} :

a probabilidade de um passeio aleatório simétrico voltar a 00 no instante 2n2n é ∼1πn\sim \frac{1}{\sqrt{\pi n}} — um anúncio do Capítulo 22.

Observação 6.15 (Perspectivas dentro deste volume)

Todo capítulo quantitativo adiante fala a língua deste capítulo. O Capítulo 7 classifica séries comparando termos com a escala n−α(ln⁡n)−βn^{-\alpha}(\ln n)^{-\beta} — seu problema de fim de semana mapeia essa fronteira por completo. O Capítulo 9 faz o mesmo para integrais impróprias, com a escala idêntica na variável contínua. O Capítulo 11 calcula raios de convergência a partir de lim sup⁡∣an∣1/n\limsup\abs{a_n}^{1/n}, um exercício de equivalentes de raízes nn-ésimas em que Stirling é a chave padrão (n!n∼ne\sqrt[n]{n!} \sim \frac n\eu, Exercício 6.4). E os capítulos de probabilidade descontam Stirling diretamente: as estimativas locais do Capítulo 22 para coeficientes binomiais são Exemplo 6.14 e Exemplo 6.21 palavra por palavra. A assintótica não é um capítulo aqui; é o sotaque do volume.

Método 6.16 (A lista de verificação do refinamento sucessivo)

Antes de confiar num desenvolvimento obtido por refinamentos sucessivos, audite quatro pontos. (1) Existência primeiro: a raiz ou a sequência precisa estar fixada (monotonicidade, valores intermediários) antes de qualquer desenvolvimento — símbolos sem referente desenvolvem-se lindamente e não significam nada. (2) Uma ordem por passagem: cada substituição só pode ser levada a sério até a ordem da estimativa nela injetada; extrair dois termos novos de uma só passagem é a fonte clássica de coeficientes errados. (3) Os restos viajam junto: carregue o o(⋅)o(\cdot) por todo passo algébrico e deixe a absorção (termos menores engolidos por restos maiores) acontecer no fim, explicitamente. (4) Auditoria numérica: avalie num valor honesto de nn; um erro de coeficiente sobrevive à redemonstração algébrica com surpreendente frequência, e quase nunca sobrevive à aritmética.

Observação 6.17 (Armadilhas comuns)

(i) Os equivalentes somam-se mal: de un∼n+ln⁡nu_n \sim n + \ln n e vn∼−nv_n \sim -n não se pode concluir un+vn∼ln⁡nu_n + v_n \sim \ln n; os cancelamentos exigem desenvolvimentos com restos explícitos, nunca equivalentes nus. (ii) Nunca exponencie uma equivalência: n+1∼nn + 1 \sim n mas en+1≁en\eu^{n+1} \not\sim \eu^n; a direção segura é tomar logaritmos de equivalentes que tendem a +∞+\infty (problema de fim de semana deste capítulo, questão 24). (iii) Um desenvolvimento assintótico está preso a uma escala: escrever f=1x+o(1x2)f = \frac1x + o\bigl(\frac1{x^2}\bigr) afirma mais que f=1x+o(1x)f = \frac1x + o\bigl(\frac1x\bigr), e misturar os dois invalida a álgebra seguinte. (iv) Nos refinamentos, substitua o desenvolvimento atual inteiro, resto incluído — descartar um o(⋅)o(\cdot) no meio da passagem produz coeficientes plausíveis mas errados. (v) A comparação série–integral precisa de monotonicidade: para termos oscilantes ela falha sem cerimônia (compare ∑sin⁡kk\sum\frac{\sin k}k, Capítulo 7).

Exemplo 6.18 (Stirling em números)

Em n=10n = 10: a fórmula dá 20π (10/e)10≈3 598 696\sqrt{20\pi}\,(10/\eu)^{10} \approx 3\,598\,696 contra 10!=3 628 80010! = 3\,628\,800: erro relativo 8.3⋅10−38.3\cdot10^{-3}, notável para um enunciado “assintótico” em n=10n = 10. O erro tem estrutura — o refinamento exato n!=2πn (n/e)n(1+112n+O(n−2))n! = \sqrt{2\pi n}\,(n/\eu)^n\bigl(1 + \frac1{12n} + O(n^{-2})\bigr) — cuja primeira correção 1120≈8.3⋅10−3\frac1{120} \approx 8.3\cdot10^{-3} explica quase exatamente a diferença observada. A maquinaria de Euler–Maclaurin do problema de fim de semana é precisamente a fonte sistemática desses termos de correção.

Observação 6.19 (Onde este capítulo é usado)

A comparação assintótica é a gramática de tudo o que é quantitativo adiante: os testes de convergência e o panorama de Bertrand do Capítulo 7, os critérios de integrabilidade do Capítulo 9, os cálculos de raio de convergência do Capítulo 11 e os teoremas limite do Capítulo 22 (onde Stirling conduz as estimativas de de Moivre–Laplace). O volume do terceiro ano de graduação industrializa a única ideia que aqui demonstramos à mão — extrair o termo principal, majorar o resto — no método de Laplace e na convergência dominada.

Exemplo 6.20 (Uma integral comparada a si mesma: ∫2x ⁣dtln⁡t\int_2^x \frac{\dd t}{\ln t})

A caixa de ferramentas da comparação também roda sobre integrais. Seja F(x)=∫2x ⁣dtln⁡tF(x) = \int_2^x\frac{\dd t}{\ln t} (o integrando é contínuo em [2, ∞)\intco2\infty). Integre por partes:

F(x)=[tln⁡t]2x+∫2x ⁣dt(ln⁡t)2=xln⁡x+O(∫2x ⁣dt(ln⁡t)2)+O(1),F(x) = \Bigl[\frac{t}{\ln t}\Bigr]_2^x + \int_2^x\frac{\dd t}{(\ln t)^2} = \frac{x}{\ln x} + O\Bigl(\int_2^x\frac{\dd t}{(\ln t)^2}\Bigr) + O(1),

e a integral restante é o(xln⁡x)o\bigl(\frac{x}{\ln x}\bigr): separe-a em x\sqrt x, majorando por

∫2x ⁣dt(ln⁡t)2≤xe∫xx ⁣dt(ln⁡t)2≤x(ln⁡x)2=4x(ln⁡x)2.\int_2^{\sqrt x}\frac{\dd t}{(\ln t)^2} \leq \sqrt x \qquad\text{e}\qquad \int_{\sqrt x}^{x}\frac{\dd t}{(\ln t)^2} \leq \frac{x}{(\ln\sqrt x)^2} = \frac{4x}{(\ln x)^2} .

Logo F(x)∼xln⁡xF(x) \sim \frac{x}{\ln x}. Quem encontrou o teorema dos números primos no problema de fim de semana deste capítulo reconhecerá FF: é a integral logarítmica, o melhor estimador de π(x)\pi(x), e o cálculo mostra que ela coincide com xln⁡x\frac{x}{\ln x} em primeira ordem.

Exemplo 6.21 (Stirling num binomial desequilibrado)

A mesma rotina de três fatoriais usada para Exemplo 6.14 dá, para (3nn)=(3n)!n! (2n)!\binom{3n}{n} = \frac{(3n)!}{n!\,(2n)!}:

(3nn)∼6πn (3n/e)3n2πn (n/e)n⋅4πn (2n/e)2n=34πn (274) ⁣n.\binom{3n}{n} \sim \frac{\sqrt{6\pi n}\,(3n/\eu)^{3n}} {\sqrt{2\pi n}\,(n/\eu)^{n}\cdot\sqrt{4\pi n}\,(2n/\eu)^{2n}} = \sqrt{\frac{3}{4\pi n}}\, \Bigl(\frac{27}{4}\Bigr)^{\!n} .

A taxa exponencial 274=3322\frac{27}4 = \frac{3^3}{2^2} é e3n H(1/3)\eu^{3n\,H(1/3)} na notação de entropia da teoria da informação: os binomiais desequilibrados crescem estritamente mais devagar do que o central 4n4^n por dois passos — aqui (27/4)1/3≈1.89<2(27/4)^{1/3} \approx 1.89 < 2 por passo. Toda assintótica binomial em combinatória e probabilidade (Capítulo 22) é este mesmo cálculo com pesos diferentes.

6.4 Sequências definidas implicitamente

Método 6.22

Para achar a assintótica das soluções xnx_n de uma equação F(x,n)=0F(x, n) = 0:

  1. Localize: demonstre a existência e a unicidade de xnx_n num intervalo bem determinado (monotonicidade, teorema do valor intermediário) e ache seu comportamento bruto (limite, ordem de crescimento).
  2. Refine: substitua a forma bruta xn=(termo principal)(1+εn)x_n = (\text{termo principal})(1 + \varepsilon_n) na equação e resolva para a ordem seguinte de εn\varepsilon_n; repita, cada passagem refinando uma ordem.

Exemplo 6.23

Para n≥1n \geq 1, a equação tan⁡x=x\tan x = x tem exatamente uma solução xnx_n em (nπ−π2, nπ+π2)\intoo{n\pi - \frac\pi2}{n\pi + \frac\pi2} (a função tan⁡x−x\tan x - x cresce de −∞-\infty a +∞+\infty aí, sendo sua derivada tan⁡2x≥0\tan^2 x \geq 0). Bruto: xn=nπ+π2−ynx_n = n\pi + \frac\pi2 - y_n com yn∈(0, π)y_n \in \intoo{0}{\pi}; como xn→∞x_n \to \infty e tan⁡xn=xn→+∞\tan x_n = x_n \to +\infty, xnx_n aproxima-se da assíntota pela esquerda: yn→0y_n \to 0. Refinamento: tan⁡xn=cot⁡yn=1tan⁡yn∼1yn\tan x_n = \cot y_n = \frac{1}{\tan y_n} \sim \frac{1}{y_n}, e a equação cot⁡yn=xn∼nπ\cot y_n = x_n \sim n\pi dá yn∼1nπy_n \sim \frac{1}{n\pi}. Logo

xn=nπ+π2−1nπ+o(1n),x_n = n\pi + \frac\pi2 - \frac{1}{n\pi} + o\Bigl(\frac1n\Bigr),

e o processo continua até qualquer ordem (Exercício 6.6).

Exemplo 6.24 (Uma segunda rodada do método)

Resolva x+ln⁡x=nx + \ln x = n assintoticamente. Localize: x↦x+ln⁡xx \mapsto x + \ln x cresce de −∞-\infty a +∞+\infty em (0, +∞)\intoo{0}{+\infty}: uma única raiz xnx_n, e xn→∞x_n \to \infty. Bruto: ln⁡xn=o(xn)\ln x_n = o(x_n) dá xn∼nx_n \sim n. Refinamento: de xn=n−ln⁡xnx_n = n - \ln x_n e ln⁡xn=ln⁡n+o(1)\ln x_n = \ln n + o(1) (logaritmos de equivalentes, ambos os lados →∞\to \infty):

xn=n−ln⁡n+o(1);x_n = n - \ln n + o(1) ;

mais uma passagem, com ln⁡xn=ln⁡(n−ln⁡n+o(1))=ln⁡n−ln⁡nn+o(ln⁡nn)\ln x_n = \ln\bigl(n - \ln n + o(1)\bigr) = \ln n - \frac{\ln n}{n} + o\bigl(\frac{\ln n}n\bigr):

xn=n−ln⁡n+ln⁡nn+o(ln⁡nn).x_n = n - \ln n + \frac{\ln n}{n} + o\Bigl(\frac{\ln n}{n}\Bigr).

(Verificação em n=100n = 100: a raiz é x≈95.4415x \approx 95.4415; a fórmula de três termos dá 100−4.6052+0.0461=95.4409100 - 4.6052 + 0.0461 = 95.4409 e a de dois termos 95.394895.3948 — cada passagem ganha a ordem prevista.) Mesmo laço, terceira paisagem: o método do Método 6.22 não se importa com a cara da equação, apenas com que cada passagem isole a incógnita dominante.

6.5 Exercícios

Exercício 6.1 ★

Desenvolva em +∞+\infty, dois termos além do dominante:

x2+x+1,ln⁡(x2+x)−2ln⁡x,x+sin⁡xx−ln⁡x.\sqrt{x^2 + x + 1} , \qquad \ln(x^2 + x) - 2\ln x, \qquad \frac{x + \sin x}{x - \ln x} .
Solução

Solução de Exercício 6.1.

x2+x+1=x1+1x+1x2=x+12+38⋅1x+o(1x)\sqrt{x^2 + x + 1} = x\sqrt{1 + \tfrac1x + \tfrac{1}{x^2}} = x + \frac12 + \frac38\cdot\frac1x + o\bigl(\frac1x\bigr) (desenvolvimento binomial: 12u−18u2\frac12 u - \frac18 u^2 com u=1x+1x2u = \frac1x + \frac{1}{x^2} dá 12x+12x2−18x2=12x+38x2\frac{1}{2x} + \frac{1}{2x^2} - \frac{1}{8x^2} = \frac{1}{2x} + \frac{3}{8x^2}, e depois multiplique por xx).

ln⁡(x2+x)−2ln⁡x=ln⁡(1+1x)=1x−12x2+o(1x2)\ln(x^2 + x) - 2\ln x = \ln\bigl(1 + \tfrac1x\bigr) = \frac1x - \frac{1}{2x^2} + o\bigl(\frac{1}{x^2}\bigr).

Terceira função: desenvolva cada fator,

x+sin⁡xx−ln⁡x=(1+sin⁡xx)(1+ln⁡xx+(ln⁡x)2x2+O((ln⁡x)3x3)).\frac{x + \sin x}{x - \ln x} = \Bigl(1 + \frac{\sin x}{x}\Bigr) \Bigl(1 + \frac{\ln x}{x} + \frac{(\ln x)^2}{x^2} + O\Bigl(\frac{(\ln x)^3}{x^3}\Bigr)\Bigr).

Ordene as contribuições na escala em +∞+\infty: ln⁡xx≫1x≥∣sin⁡xx∣≫(ln⁡x)2x2\frac{\ln x}{x} \gg \frac{1}{x} \geq \bigl|\frac{\sin x}{x}\bigr| \gg \frac{(\ln x)^2}{x^2}. Os dois termos que seguem o dominante 11 são, portanto, ln⁡xx\frac{\ln x}{x} e depois o termo de oscilação limitada sin⁡xx\frac{\sin x}{x}:

x+sin⁡xx−ln⁡x=1+ln⁡xx+sin⁡xx+O((ln⁡x)2x2).\frac{x + \sin x}{x - \ln x} = 1 + \frac{\ln x}{x} + \frac{\sin x}{x} + O\Bigl(\frac{(\ln x)^2}{x^2}\Bigr).

Exercício 6.2 ★

Dê a natureza (convergência/divergência) e, quando divergente, a assintótica dominante de ∑k≤nkα\sum_{k \leq n} k^\alpha para α>−1\alpha > -1, α=−1\alpha = -1, α<−1\alpha < -1, via o Teorema 6.6.

Solução

Solução de Exercício 6.2.

f(t)=tαf(t) = t^\alpha (t≥1t \geq 1).

α>−1\alpha > -1: divergência e, pelo Teorema 6.6 (2), ∑k≤nkα=nα+1α+1+C+o(1)\sum_{k\leq n} k^\alpha = \frac{n^{\alpha+1}}{\alpha+1} + C + o(1) se α<0\alpha < 0 (onde ff decresce); para α≥0\alpha \geq 0 (ff crescente) o mesmo enquadramento com desigualdades invertidas dá ∑k≤nkα∼nα+1α+1\sum_{k \leq n} k^\alpha \sim \frac{n^{\alpha + 1}}{\alpha + 1}.

α=−1\alpha = -1: Hn=ln⁡n+γ+o(1)H_n = \ln n + \gamma + o(1) (Exemplo 6.7).

α<−1\alpha < -1: convergência, com resto ∑k>nkα∼nα+1−(α+1)\sum_{k > n} k^\alpha \sim \frac{n^{\alpha+1}}{-(\alpha+1)} pelo enquadramento (1) (as duas cotas integrais são equivalentes a esse valor).

Exercício 6.3 ★★

Prove que Hn=ln⁡n+γ+12n+o(1n)H_n = \ln n + \gamma + \frac{1}{2n} + o\bigl(\frac1n\bigr). (Estude vn=Hn−ln⁡n−γv_n = H_n - \ln n - \gamma: mostre que vn−vn+1=12n2+O(n−3)v_n - v_{n+1} = \frac{1}{2n^2} + O(n^{-3}) e some a cauda, comparando com ∑k≥n12k2∼12n\sum_{k \geq n} \frac{1}{2k^2} \sim \frac{1}{2n} — Teorema 6.6 (1).)

Solução

Solução de Exercício 6.3.

Seja vn=Hn−ln⁡n−γ→0v_n = H_n - \ln n - \gamma \to 0. Então

vn−vn+1=ln⁡n+1n−1n+1=(1n−12n2)−(1n−1n2)+O(1n3)=12n2+O(1n3),v_n - v_{n+1} = \ln\frac{n+1}{n} - \frac{1}{n+1} = \Bigl(\frac1n - \frac{1}{2n^2}\Bigr) - \Bigl(\frac1n - \frac{1}{n^2}\Bigr) + O\Bigl(\frac{1}{n^3}\Bigr) = \frac{1}{2n^2} + O\Bigl(\frac{1}{n^3}\Bigr),

usando 1n+1=1n−1n2+O(n−3)\frac{1}{n+1} = \frac1n - \frac{1}{n^2} + O(n^{-3}). Como vn→0v_n \to 0, telescopando a cauda:

vn=∑k≥n(vk−vk+1)=∑k≥n(12k2+O(k−3))=12n+O(1n2),v_n = \sum_{k \geq n} (v_k - v_{k+1}) = \sum_{k\geq n} \Bigl(\frac{1}{2k^2} + O(k^{-3})\Bigr) = \frac{1}{2n} + O\Bigl(\frac{1}{n^2}\Bigr),

pelo Teorema 6.6 (1) aplicado a t−2t^{-2} (resto ∼1n\sim \frac1n, dividido por dois) e a t−3t^{-3}. Logo Hn=ln⁡n+γ+12n+o(1n)H_n = \ln n + \gamma + \frac{1}{2n} + o(\frac1n).

Exercício 6.4 ★★

Usando Stirling, ache equivalentes de: (3n)!(n!)3\dfrac{(3n)!}{(n!)^3};   n!nn\;\dfrac{n!}{n^n};   n!n\;\sqrt[n]{n!} (quando ne(1+o(1))\frac n\eu(1 + o(1)), precisado até dois termos).

Solução

Solução de Exercício 6.4.

Stirling três vezes:

(3n)!(n!)3∼6πn (3n/e)3n(2πn)3/2 (n/e)3n=6  27 n2πn⋅12πn⋅2πn  =3 27n2πn.\frac{(3n)!}{(n!)^3} \sim \frac{\sqrt{6\pi n}\,(3n/\eu)^{3n}} {(2\pi n)^{3/2}\,(n/\eu)^{3n}} = \frac{\sqrt{6}\; 27^{\,n}}{2\pi n} \cdot \frac{1}{\sqrt{2\pi n}}\cdot\sqrt{2\pi n}\; = \frac{\sqrt3\,27^n}{2\pi n} .

(Com cuidado: 6πn(2πn)3/2=6(2πn)2πnπn=32πn\frac{\sqrt{6\pi n}}{(2\pi n)^{3/2}} = \frac{\sqrt6}{(2\pi n)\sqrt{2\pi n}}\sqrt{\pi n} = \frac{\sqrt3}{2\pi n}.)

n!nn∼2πn e−n\dfrac{n!}{n^n} \sim \sqrt{2\pi n}\,\eu^{-n}.

n!n=exp⁡(ln⁡n!n)\sqrt[n]{n!} = \exp\bigl(\frac{\ln n!}{n}\bigr) com ln⁡n!=nln⁡n−n+12ln⁡(2πn)+o(1)\ln n! = n\ln n - n + \frac12\ln(2\pi n) + o(1):

n!n=exp⁡(ln⁡n−1+ln⁡(2πn)2n+o(ln⁡nn))=ne(1+ln⁡(2πn)2n+o(ln⁡nn)).\sqrt[n]{n!} = \exp\Bigl(\ln n - 1 + \frac{\ln(2\pi n)}{2n} + o\Bigl(\frac{\ln n}{n}\Bigr)\Bigr) = \frac{n}{\eu}\Bigl(1 + \frac{\ln(2\pi n)}{2n} + o\Bigl(\frac{\ln n}{n}\Bigr)\Bigr).

Exercício 6.5 ★★

Para n≥2n \geq 2, prove que xn+x=1x^n + x = 1 tem uma única solução xn∈(0, 1)x_n \in \intoo{0}{1}, que xn→1x_n \to 1, e estabeleça

xn=1−ln⁡nn+o(ln⁡nn).x_n = 1 - \frac{\ln n}{n} + o\Bigl(\frac{\ln n}{n}\Bigr).

(De xnn=1−xnx_n^n = 1 - x_n: tome logaritmos e refine com xn=1−εnx_n = 1 - \varepsilon_n.)

Solução

Solução de Exercício 6.5.

g(x)=xn+x−1g(x) = x^n + x - 1 cresce estritamente em [0, 1]\intcc{0}{1} de −1-1 a 11: raiz única xnx_n. Como xnn=1−xn∈(0, 1)x_n^n = 1 - x_n \in \intoo{0}{1}: se xn≤c<1x_n \leq c < 1 ao longo de uma subsequência, então xnn≤cn→0x_n^n \leq c^n \to 0, logo 1−xn→01 - x_n \to 0: contradição com xn≤cx_n \leq c. Logo xn→1x_n \to 1.

Escreva xn=1−εnx_n = 1 - \varepsilon_n, εn→0+\varepsilon_n \to 0^+. A equação se lê (1−εn)n=εn(1 - \varepsilon_n)^n = \varepsilon_n, isto é,

nln⁡(1−εn)=ln⁡εn⟹−nεn(1+o(1))=ln⁡εn.n\ln(1 - \varepsilon_n) = \ln \varepsilon_n \quad\Longrightarrow\quad -n\varepsilon_n\bigl(1 + o(1)\bigr) = \ln\varepsilon_n .

Assim nεn=−ln⁡εn (1+o(1))→+∞n\varepsilon_n = -\ln\varepsilon_n\,(1 + o(1)) \to +\infty e, tomando logaritmos de novo: ln⁡n+ln⁡εn=ln⁡(−ln⁡εn)+o(1)\ln n + \ln\varepsilon_n = \ln(-\ln\varepsilon_n) + o(1). Como ln⁡(−ln⁡εn)=o(ln⁡(1/εn))\ln(-\ln \varepsilon_n) = o(\ln(1/\varepsilon_n)), isso dá ln⁡εn∼−ln⁡n\ln\varepsilon_n \sim -\ln n, donde εn=−ln⁡εnn(1+o(1))∼ln⁡nn\varepsilon_n = \frac{-\ln\varepsilon_n}{n}(1 + o(1)) \sim \frac{\ln n}{n}:

xn=1−ln⁡nn+o(ln⁡nn).x_n = 1 - \frac{\ln n}{n} + o\Bigl(\frac{\ln n}{n}\Bigr) .

Exercício 6.6 ★★

Leve o Exemplo 6.23 uma ordem adiante:

xn=nπ+π2−1nπ+12n2π+o(1n2).x_n = n\pi + \frac\pi2 - \frac{1}{n\pi} + \frac{1}{2n^2\pi} + o\Bigl(\frac{1}{n^2}\Bigr).

(Escreva cot⁡yn=xn\cot y_n = x_n exatamente, desenvolva cot⁡y=1y−y3+o(y)\cot y = \frac1y - \frac y3 + o(y) e xn=nπ(1+12n−… )x_n = n\pi(1 + \frac{1}{2n} - \dots), e identifique.)

Solução

Solução de Exercício 6.6.

Relação exata: cot⁡yn=xn=nπ+π2−yn\cot y_n = x_n = n\pi + \frac\pi2 - y_n, com yn∼1nπy_n \sim \frac{1}{n\pi} (Exemplo 6.23). Desenvolva cot⁡y=1y−y3+O(y3)\cot y = \frac1y - \frac y3 + O(y^3):

1yn−yn3+O(yn3)=nπ+π2−yn⟹1yn=nπ+π2+O(1n),\frac{1}{y_n} - \frac{y_n}{3} + O(y_n^3) = n\pi + \frac\pi2 - y_n \quad\Longrightarrow\quad \frac{1}{y_n} = n\pi + \frac\pi2 + O\Bigl(\frac1n\Bigr),

(os termos −yn-y_n e −yn3-\frac{y_n}{3} são O(1n)O(\frac1n)). Inverta:

yn=1nπ⋅11+12n+O(n−2)=1nπ(1−12n+O(1n2))=1nπ−12n2π+O(1n3).y_n = \frac{1}{n\pi}\cdot\frac{1}{1 + \frac{1}{2n} + O(n^{-2})} = \frac{1}{n\pi}\Bigl(1 - \frac{1}{2n} + O\Bigl(\frac{1}{n^2}\Bigr)\Bigr) = \frac{1}{n\pi} - \frac{1}{2n^2\pi} + O\Bigl(\frac{1}{n^3}\Bigr).

Logo

xn=nπ+π2−yn=nπ+π2−1nπ+12n2π+o(1n2).x_n = n\pi + \frac{\pi}{2} - y_n = n\pi + \frac\pi2 - \frac{1}{n\pi} + \frac{1}{2n^2\pi} + o\Bigl(\frac{1}{n^2}\Bigr).

Exercício 6.7 ★★

Determine lim⁡n→∞1n!∑k=0nk!\lim_{n\to\infty} \dfrac{1}{n!}\sum_{k=0}^{n} k! (majore a soma de todos os termos exceto os dois últimos) e deduza o desenvolvimento assintótico ∑k≤nk!=n!(1+1n+O(n−2))\sum_{k \leq n} k! = n!\bigl(1 + \frac1n + O(n^{-2})\bigr).

Solução

Solução de Exercício 6.7.

Separe os dois maiores termos:

∑k=0nk!=n!+(n−1)!+∑k≤n−2k!,∑k≤n−2k!≤(n−1) (n−2)!=(n−1)!.\sum_{k=0}^{n} k! = n! + (n-1)! + \sum_{k \leq n-2} k! , \qquad \sum_{k\leq n-2} k! \leq (n-1)\,(n-2)! = (n-1)! .

Assim 1≤1n!∑k!≤1+2n1 \leq \frac{1}{n!}\sum k! \leq 1 + \frac{2}{n}: o limite é 11. Refinando: (n−1)!n!=1n\frac{(n-1)!}{n!} = \frac1n, e a cota bruta ∑k≤n−2k!≤(n−1)!\sum_{k \leq n-2}k! \leq (n-1)! pode ser afinada do mesmo modo: ∑k≤n−2k!=(n−2)! (1+O(1n))=O(n!n2)\sum_{k\leq n-2} k! = (n-2)!\,(1 + O(\frac1n)) = O\bigl(\frac{n!}{n^2}\bigr). Logo

∑k=0nk!=n!(1+1n+O(1n2)).\sum_{k=0}^{n} k! = n!\Bigl(1 + \frac1n + O\Bigl(\frac{1}{n^2}\Bigr)\Bigr).

Exercício 6.8 ★★★

Sejam u0>0u_0 > 0 e un+1=un+1unu_{n+1} = u_n + \dfrac{1}{u_n}. Prove que un→∞u_n \to \infty, depois que un∼2nu_n \sim \sqrt{2n} (estude un2u_n^2: seus incrementos são 2+un−22 + u_n^{-2}; some), e refine:

un=2n(1+ln⁡n8n+o(ln⁡nn)).u_n = \sqrt{2n}\Bigl(1 + \frac{\ln n}{8n} + o\Bigl(\frac{\ln n}{n}\Bigr)\Bigr).

(De un2=2n+∑k<nuk−2+u02u_n^2 = 2n + \sum_{k<n} u_k^{-2} + u_0^2 e uk2∼2ku_k^2 \sim 2k: a soma vale ∼12ln⁡n\sim \frac12\ln n pelo Teorema 6.6.)

Solução

Solução de Exercício 6.8.

(un)(u_n) cresce; se fosse limitada, convergiria para ℓ\ell com ℓ=ℓ+1ℓ\ell = \ell + \frac1\ell: absurdo. Logo un→∞u_n \to \infty.

Quadrados: un+12=un2+2+un−2u_{n+1}^2 = u_n^2 + 2 + u_n^{-2}, logo

un2=u02+2n+∑k=0n−11uk2.u_n^2 = u_0^2 + 2n + \sum_{k=0}^{n-1} \frac{1}{u_k^2} .

A soma é o(n)o(n) (os termos tendem a 00, Cesàro), logo un2∼2nu_n^2 \sim 2n e un∼2nu_n \sim \sqrt{2n}.

Refinamento: 1uk2∼12k\frac{1}{u_k^2} \sim \frac{1}{2k}, logo, por comparação (Teorema 6.6, ou por equivalentes de somas parciais de séries positivas), ∑k<nuk−2∼12ln⁡n\sum_{k<n} u_k^{-2} \sim \frac12 \ln n. Portanto

un2=2n+ln⁡n2 (1+o(1))+O(1)⟹un=2n1+ln⁡n4n+o(ln⁡nn)=2n(1+ln⁡n8n+o(ln⁡nn)).u_n^2 = 2n + \frac{\ln n}{2}\,(1 + o(1)) + O(1) \quad\Longrightarrow\quad u_n = \sqrt{2n}\sqrt{1 + \frac{\ln n}{4n} + o\Bigl(\frac{\ln n}{n}\Bigr)} = \sqrt{2n}\Bigl(1 + \frac{\ln n}{8n} + o\Bigl(\frac{\ln n}{n}\Bigr)\Bigr).

Exercício 6.9 ★★★

(Uma soma de Riemann com um detalhe) Determine o comportamento assintótico de

Sn=∑k=1n1n+kln⁡n.S_n = \sum_{k=1}^{n} \frac{1}{n + k\ln n} .

(Ponha nn em evidência: Sn=1n∑k(1+kln⁡nn)−1S_n = \frac1n\sum_k \bigl(1 + \frac{k\ln n}{n}\bigr)^{-1}; reconheça uma soma do tipo Riemann com um parâmetro t=ln⁡nt = \ln n que varia lentamente, calcule ∫01 ⁣du1+tu=ln⁡(1+t)t\int_0^1 \frac{\dd u}{1 + tu} = \frac{\ln(1+t)}{t} e conclua Sn∼ln⁡ln⁡nln⁡nS_n \sim \frac{\ln\ln n}{\ln n}.)

Solução

Solução de Exercício 6.9.

Ponha nn em evidência e faça t=ln⁡nt = \ln n:

Sn=1n∑k=1n11+t kn.S_n = \frac1n \sum_{k=1}^{n} \frac{1}{1 + t\,\frac kn} .

Para tt fixo, a soma é uma soma de Riemann de u↦11+tuu \mapsto \frac{1}{1 + tu} em [0, 1]\intcc{0}{1}; a função é monótona em uu, de modo que a soma de Riemann fica enquadrada pela integral deslocada de uma malha:

∫01 ⁣du1+tu−1n≤Sn≤∫01 ⁣du1+tu+1n\int_0^1 \frac{\dd u}{1 + tu} - \frac1n \leq S_n \leq \int_0^1 \frac{\dd u}{1 + tu} + \frac1n

(comparação das somas de Riemann de uma função monótona com sua integral, válida para cada nn com seu próprio t=ln⁡nt = \ln n). Ora, ∫01 ⁣du1+tu=ln⁡(1+t)t\int_0^1 \frac{\dd u}{1 + tu} = \frac{\ln(1 + t)}{t} e 1n=o(ln⁡tt)\frac1n = o\bigl(\frac{\ln t}{t}\bigr): logo

Sn=ln⁡(1+ln⁡n)ln⁡n+O(1n)  ∼  ln⁡ln⁡nln⁡n.S_n = \frac{\ln(1 + \ln n)}{\ln n} + O\Bigl(\frac 1n\Bigr) \;\sim\; \frac{\ln\ln n}{\ln n} .

Exercício 6.10 ★

Demonstre a identidade (ln⁡n)ln⁡n=nln⁡ln⁡n(\ln n)^{\ln n} = n^{\ln\ln n} e depois ordene as seguintes por o(⋅)o(\cdot) crescente no infinito, com demonstrações: n2n^2, (ln⁡n)ln⁡n(\ln n)^{\ln n}, 2n2^n, n!n!, nnn^n.

Solução

Solução de Exercício 6.10.

Identidade: (ln⁡n)ln⁡n=eln⁡n ln⁡ln⁡n=(eln⁡n)ln⁡ln⁡n=nln⁡ln⁡n(\ln n)^{\ln n} = \eu^{\ln n\,\ln\ln n} = \bigl(\eu^{\ln n}\bigr)^{\ln\ln n} = n^{\ln\ln n}. Ordenação: compare logaritmos. ln⁡(n2)=2ln⁡n\ln(n^2) = 2\ln n; ln⁡((ln⁡n)ln⁡n)=ln⁡nln⁡ln⁡n\ln\bigl((\ln n)^{\ln n}\bigr) = \ln n\ln\ln n; ln⁡(2n)=nln⁡2\ln(2^n) = n\ln2; ln⁡(n!)=nln⁡n−n+O(ln⁡n)\ln(n!) = n\ln n - n + O(\ln n) (Stirling, ou o enquadramento mais bruto ln⁡n!∼nln⁡n\ln n! \sim n\ln n); ln⁡(nn)=nln⁡n\ln(n^n) = n\ln n. Como 2ln⁡n=o(ln⁡nln⁡ln⁡n)2\ln n = o(\ln n\ln\ln n), ln⁡nln⁡ln⁡n=o(n)\ln n\ln\ln n = o(n), nln⁡2=o(nln⁡n−n)n\ln 2 = o(n\ln n - n) e nln⁡n−n∼nln⁡nn \ln n - n \sim n\ln n mas n!/nn→0n! / n^n \to 0 (a diferença dos logaritmos é −n+O(ln⁡n)→−∞-n + O(\ln n) \to -\infty):

n2=o((ln⁡n)ln⁡n),(ln⁡n)ln⁡n=o(2n),2n=o(n!),n!=o(nn).n^2 = o\bigl((\ln n)^{\ln n}\bigr),\quad (\ln n)^{\ln n} = o(2^n),\quad 2^n = o(n!),\quad n! = o(n^n).

(Para cada passo: a diferença dos logaritmos tende a +∞+\infty, logo a razão tende a 00.)

Exercício 6.11 ★★

(Cauda de ∑1/k2\sum 1/k^2, dois termos) Usando a soma telescópica exata ∑k>n1k(k+1)=1n+1\sum_{k > n} \frac{1}{k(k+1)} = \frac{1}{n+1} e a decomposição 1k2=1k(k+1)+1k2(k+1)\frac1{k^2} = \frac{1}{k(k+1)} + \frac{1}{k^2(k+1)}, prove

∑k>n1k2=1n−12n2+O(1n3).\sum_{k > n} \frac{1}{k^2} = \frac1n - \frac{1}{2n^2} + O\Bigl(\frac{1}{n^3}\Bigr).
Solução

Solução de Exercício 6.11.

Decomponha 1k2=1k(k+1)+1k2(k+1)\frac1{k^2} = \frac1{k(k+1)} + \frac1{k^2(k+1)} e some para k>nk > n:

∑k>n1k2=1n+1+∑k>n1k2(k+1),\sum_{k>n}\frac1{k^2} = \frac1{n+1} + \sum_{k>n}\frac{1}{k^2(k+1)} ,

telescopando a primeira soma exatamente (1k(k+1)=1k−1k+1\frac1{k(k+1)} = \frac1k - \frac1{k+1}). Para a segunda: 1k2(k+1)=1k3+O(1k4)\frac{1}{k^2(k+1)} = \frac1{k^3} + O\bigl(\frac1{k^4}\bigr) (pois 1k2(k+1)−1k3=−1k3(k+1)\frac{1}{k^2(k+1)} - \frac1{k^3} = \frac{-1}{k^3(k+1)}) e, pela comparação integral ∑k>n1k3=12n2+O(1n3)\sum_{k>n}\frac1{k^3} = \frac1{2n^2} + O\bigl(\frac1{n^3}\bigr), ∑k>n1k4=O(1n3)\sum_{k>n}\frac1{k^4} = O\bigl(\frac1{n^3}\bigr). Logo

∑k>n1k2=1n+1+12n2+O(1n3)=1n−1n2+12n2+O(1n3)=1n−12n2+O(1n3),\sum_{k>n}\frac1{k^2} = \frac1{n+1} + \frac{1}{2n^2} + O\Bigl(\frac1{n^3}\Bigr) = \frac1n - \frac1{n^2} + \frac{1}{2n^2} + O\Bigl(\frac1{n^3}\Bigr) = \frac1n - \frac{1}{2n^2} + O\Bigl(\frac1{n^3}\Bigr),

usando 1n+1=1n−1n2+O(1n3)\frac1{n+1} = \frac1n - \frac1{n^2} + O\bigl(\frac1{n^3}\bigr).

Exercício 6.12 ★★★

Sejam u0=12u_0 = \frac12 e un+1=un+e−unu_{n+1} = u_n + \eu^{-u_n}. Prove que un→∞u_n \to \infty, depois — pondo vn=eunv_n = \eu^{u_n} e mostrando que vn+1=vn+1+12vn+O(vn−2)v_{n+1} = v_n + 1 + \frac{1}{2v_n} + O\bigl(v_n^{-2}\bigr) — estabeleça

un=ln⁡n+ln⁡n2n+O(1n).u_n = \ln n + \frac{\ln n}{2n} + O\Bigl(\frac1n\Bigr).
Solução

Solução de Exercício 6.12.

(un)(u_n) cresce; se fosse limitada, convergiria para um ℓ\ell finito com ℓ=ℓ+e−ℓ\ell = \ell + \eu^{-\ell}: impossível. Logo un→∞u_n \to \infty. Seja vn=eun→∞v_n = \eu^{u_n} \to \infty: então

vn+1=eun+e−un=vn e1/vn=vn(1+1vn+12vn2+O(vn−3))=vn+1+12vn+O(vn−2).v_{n+1} = \eu^{u_n + \eu^{-u_n}} = v_n\,\eu^{1/v_n} = v_n\Bigl(1 + \frac1{v_n} + \frac1{2v_n^2} + O\bigl(v_n^{-3}\bigr)\Bigr) = v_n + 1 + \frac{1}{2v_n} + O\bigl(v_n^{-2}\bigr).

Somar vk+1−vk=1+O(1)v_{k+1} - v_k = 1 + O(1) primeiro dá vn=n+O(n)v_n = n + O(n), logo vn≥cnv_n \geq cn a partir de certa ordem; ressomando com 12vk=O(1k)\frac1{2v_k} = O(\frac1k) obtém-se vn=n+O(ln⁡n)v_n = n + O(\ln n). Mais uma passagem: 12vk=12k(1+O(ln⁡kk))\frac{1}{2v_k} = \frac{1}{2k}\bigl(1 + O\bigl(\tfrac{\ln k}k\bigr)\bigr), logo

vn=n+∑k<n12k+O(1)=n+ln⁡n2+O(1).v_n = n + \sum_{k<n}\frac1{2k} + O(1) = n + \frac{\ln n}2 + O(1).

Finalmente, un=ln⁡vn=ln⁡n+ln⁡(1+ln⁡n2n+O(1n))=ln⁡n+ln⁡n2n+O(1n)u_n = \ln v_n = \ln n + \ln\Bigl(1 + \frac{\ln n}{2n} + O\bigl(\tfrac1n\bigr)\Bigr) = \ln n + \frac{\ln n}{2n} + O\bigl(\tfrac1n\bigr).

6.6 Problema: refinamentos sucessivos, de Euler–Maclaurin aos primos

Uma quantidade implícita ou acumulada raramente entrega sua assintótica de uma vez; ela é extraída em passagens, cada passagem reinjetando a estimativa anterior na relação de definição. Este problema de fim de semana treina esse laço em equações novas, demonstra a fórmula de Euler–Maclaurin de primeira ordem (a versão com trapézios da comparação série–integral, com barras de erro rigorosas), inverte xln⁡x=nx\ln x = n e desconta o cheque mais famoso do método: a partir do teorema dos números primos admitido, a lei assintótica pn∼nln⁡np_n \sim n\ln n do nn-ésimo primo.

Problema 6.1

Problema de fim de semana — a correção de Euler–Maclaurin e a assintótica do nn-ésimo primo

Parte I — O laço de refinamento numa equação nova.

  1. Demonstre a afirmação de unicidade da Definição 6.2: se f=∑i≤kciφi+o(φk)=∑i≤kci′φi+o(φk)f = \sum_{i\leq k} c_i\varphi_i + o(\varphi_k) = \sum_{i \leq k} c_i'\varphi_i + o(\varphi_k) ao longo da mesma escala, então ci=ci′c_i = c_i' para todo ii. Depois leve o exemplo misto do curso um degrau adiante:

    1x−ln⁡x=1x+ln⁡xx2+(ln⁡x)2x3+o((ln⁡x)2x3)(x→+∞),\frac{1}{x - \ln x} = \frac1x + \frac{\ln x}{x^2} + \frac{(\ln x)^2}{x^3} + o\Bigl(\frac{(\ln x)^2}{x^3}\Bigr) \qquad (x \to +\infty),

    e explique por que não aparece nenhum termo cx2\frac{c}{x^2}.

  2. Mostre que, para todo n≥1n \geq 1, a equação ex+x=n\eu^x + x = n tem exatamente uma solução real xnx_n, e que xn→+∞x_n \to +\infty com xn∼ln⁡nx_n \sim \ln n.
  3. Refine duas vezes:

    xn=ln⁡n−ln⁡nn−(ln⁡n)22n2+o((ln⁡n)2n2).x_n = \ln n - \frac{\ln n}{n} - \frac{(\ln n)^2}{2n^2} + o\Bigl(\frac{(\ln n)^2}{n^2}\Bigr).
  4. Verifique numericamente em n=1000n = 1000: compare x1000≈6.90083x_{1000} \approx 6.90083 com os valores de um, dois e três termos da questão 3, até cinco casas decimais.

Parte II — Euler–Maclaurin, ordem um.

  1. Demonstre a identidade do núcleo do trapézio: para gg de classe C2C^2 em [0, 1]\intcc{0}{1},

    ∫01g(t)  ⁣dt=g(0)+g(1)2−12∫01t(1−t) g′′(t)  ⁣dt\int_0^1 g(t)\,\dd t = \frac{g(0) + g(1)}{2} - \frac12\int_0^1 t(1 - t)\,g''(t)\,\dd t

    (integre 12t(1−t)g′′\frac12 t(1-t)g'' por partes duas vezes).

  2. Seja ff de classe C2C^2 em [1, +∞)\intco{1}{+\infty} com ∫1∞∣f′′∣<∞\int_1^\infty \abs{f''} < \infty. Mostre que

    En=∑k=1nf(k)−∫1nf−f(1)+f(n)2E_n = \sum_{k=1}^{n} f(k) - \int_1^n f - \frac{f(1) + f(n)}{2}

    converge para uma constante EE, com a cota de cauda ∣E−En∣≤18∫n∞∣f′′∣\abs{E - E_n} \leq \frac18\int_n^\infty\abs{f''}: a fórmula de Euler–Maclaurin em primeira ordem.

  3. Aplique isso a f(t)=1tf(t) = \frac1t: prove

    Hn=ln⁡n+γ+12n+εn,∣εn∣≤18n2,H_n = \ln n + \gamma + \frac{1}{2n} + \varepsilon_n, \qquad \abs{\varepsilon_n} \leq \frac{1}{8n^2},

    reforçando o Exercício 6.3 (identifique a constante com γ\gamma comparando com Exemplo 6.7).

  4. Extraia o coeficiente seguinte: mostre que εn=−112n2+o(1n2)\varepsilon_n = -\frac{1}{12n^2} + o\bigl(\frac1{n^2}\bigr) (os incrementos de EnE_n são 12∫01t(1−t)f′′(n+t) ⁣dt=112f′′(n)+o(f′′(n))\frac12\int_0^1t(1-t)f''(n+t)\dd t = \frac1{12}f''(n) + o(f''(n)); some a cauda com Teorema 6.6).
  5. Aplique a questão 6 a f=ln⁡f = \ln: redemonstre em três linhas a convergência de dn=ln⁡n!−(n+12)ln⁡n+nd_n = \ln n! - (n + \frac12)\ln n + n (Etapa 1 do Teorema 6.13), com a taxa de erro dn=d+O(1n)d_n = d + O\bigl(\frac1n\bigr) de brinde.
  6. Aplique a questão 6 a f(t)=1tf(t) = \frac{1}{\sqrt t}: mostre que

    ∑k=1n1k=2n+c+12n+O(1n3/2)\sum_{k=1}^{n}\frac1{\sqrt k} = 2\sqrt n + c + \frac{1}{2\sqrt n} + O\Bigl(\frac{1}{n^{3/2}}\Bigr)

    para alguma constante cc, e avalie todos os termos em n=104n = 10^4 (a constante vale c≈−1.4604c \approx -1.4604).

Parte III — Inversão: a equação xln⁡x=nx\ln x = n.

  1. Mostre que xln⁡x=nx\ln x = n tem exatamente uma solução xn∈[1, +∞)x_n \in \intco{1}{+\infty} para n≥1n \geq 1, que xn→∞x_n \to \infty e que ln⁡xn∼ln⁡n\ln x_n \sim \ln n.
  2. Deduza a inversão de um termo xn∼nln⁡nx_n \sim \dfrac{n}{\ln n} e depois refine mais uma vez:

    ln⁡xn=ln⁡n−ln⁡ln⁡n+o(1),xn=nln⁡n(1+ln⁡ln⁡nln⁡n+o(ln⁡ln⁡nln⁡n)).\ln x_n = \ln n - \ln\ln n + o(1), \qquad x_n = \frac{n}{\ln n}\Bigl(1 + \frac{\ln\ln n}{\ln n} + o\Bigl(\frac{\ln\ln n}{\ln n}\Bigr)\Bigr).
  3. Teste em n=106n = 10^6: a raiz verdadeira é x≈87 848x \approx 87\,848; compare com os valores de um termo (≈72 382\approx 72\,382) e de dois termos (≈86 140\approx 86\,140), e explique o ganho lento (o parâmetro do desenvolvimento é ln⁡ln⁡nln⁡n\frac{\ln\ln n}{\ln n}, apenas ≈0.19\approx 0.19 em n=106n = 10^6).
  4. Admitimos agora o teorema dos números primos: o número π(x)\pi(x) de primos ≤x\leq x satisfaz π(x)∼xln⁡x\pi(x) \sim \frac{x}{\ln x} quando x→∞x \to \infty (demonstrado honestamente no volume do terceiro ano de graduação). Escrevendo pnp_n para o nn-ésimo primo, justifique π(pn)=n\pi(p_n) = n e rode a inversão das questões 11–12 para provar

    pn∼nln⁡n.p_n \sim n \ln n .
  5. Dividendos: (a) mostre que ∑k≤npk∼n2ln⁡n2\sum_{k \leq n} p_k \sim \frac{n^2\ln n}{2} (compare ∑kln⁡k\sum k\ln k com ∫tln⁡t  ⁣dt\int t\ln t\,\dd t); (b) calcule a chance aproximada de um inteiro uniformemente aleatório com 100100 algarismos ser primo (ln⁡10100≈230.26\ln 10^{100} \approx 230.26: cerca de um em 230230).

Parte IV — O método exportado: xtan⁡x=1x\tan x = 1.

  1. Mostre que, para cada n≥1n \geq 1, a equação tan⁡x=1x\tan x = \frac1x tem exatamente uma solução xnx_n em (nπ,  nπ+π2)\intoo{n\pi}{\,n\pi + \frac\pi2}, e que zn=xn−nπ→0+z_n = x_n - n\pi \to 0^+.
  2. Um termo: zn∼1nπz_n \sim \dfrac{1}{n\pi}.
  3. Mostre que o desenvolvimento de znz_n não tem termo em cn2\frac{c}{n^2}: zn=1nπ+O(1n3)z_n = \frac1{n\pi} + O\bigl(\frac{1}{n^3}\bigr).
  4. Três termos: usando arctan⁡u=u−u33+O(u5)\arctan u = u - \frac{u^3}3 + O(u^5) e 1xn=1nπ−zn(nπ)2+O(n−3⋅zn2)\frac1{x_n} = \frac{1}{n\pi} - \frac{z_n}{(n\pi)^2} + O(n^{-3}\cdot z_n^2), prove

    xn=nπ+1nπ−43π3n3+o(1n3).x_n = n\pi + \frac{1}{n\pi} - \frac{4}{3\pi^3 n^3} + o\Bigl(\frac{1}{n^3}\Bigr).
  5. Verifique em n=3n = 3: raiz verdadeira x3≈9.5293344x_3 \approx 9.5293344; compare os valores de um e de três termos, e contraste em uma frase com o tan⁡x=x\tan x = x do curso (Exemplo 6.23): onde cada sequência se situa em sua janela, e por quê.

Parte V — Um refinamento dinâmico, regras do jogo, síntese.

  1. Sejam u0∈(0, π)u_0 \in \intoo{0}{\pi} e un+1=sin⁡unu_{n+1} = \sin u_n. Mostre que un→0u_n \to 0 decrescendo, e calcule o limite de 1un+12−1un2\dfrac{1}{u_{n+1}^2} - \dfrac{1}{u_n^2} (desenvolva sin⁡−2\sin^{-2} via sin⁡u=u−u36+o(u3)\sin u = u - \frac{u^3}6 + o(u^3)).
  2. Deduza, pelas médias de Cesàro (volume do primeiro ano de graduação), o clássico

    un∼3n.u_n \sim \sqrt{\frac{3}{n}} .
  3. (Numérica certificada) Usando a cota rigorosa da questão 7, mostre que avaliar ln⁡n+γ+12n\ln n + \gamma + \frac1{2n} em n=106n = 10^6 fornece H106H_{10^6} com erro no máximo 1.25⋅10−131.25\cdot10^{-13} — uma soma de um milhão de termos calculada com treze algarismos por meio de três termos.
  4. (Regras do jogo) Demonstre ou refute, com demonstrações ou contraexemplos: (a) se un∼vn→+∞u_n \sim v_n \to +\infty então ln⁡un∼ln⁡vn\ln u_n \sim \ln v_n; (b) se un∼vnu_n \sim v_n então eun∼evn\eu^{u_n} \sim \eu^{v_n}; (c) se f∼gf \sim g em +∞+\infty (f,gf, g deriváveis) então f′∼g′f' \sim g'.
  5. (Síntese) Uma frase para cada: o laço de refinamento do Método 6.22 tal como usado nas Partes I, III e IV; o que a correção do trapézio acrescenta ao Teorema 6.6; por que a inversão de xln⁡xx\ln x é exatamente a ponte de π(x)\pi(x) para pnp_n; e qual das regras da questão 24 protegeu qual passo. Nomeie os dois cumes: a fórmula de Euler–Maclaurin (primeira ordem) e a lei assintótica do nn-ésimo primo.
Solução

Solução de Problema 6.1.

1. Subtraindo os dois desenvolvimentos: ∑i(ci−ci′)φi=o(φk)\sum_i (c_i - c_i')\varphi_i = o(\varphi_k). Se algum coeficiente diferir, seja i0i_0 o primeiro: dividir por φi0\varphi_{i_0} e usar φj=o(φi0)\varphi_j = o(\varphi_{i_0}) para j>i0j > i_0 dá ci0−ci0′=o(1)c_{i_0} - c_{i_0}' = o(1): zero, contradição. Para o desenvolvimento: com u=ln⁡xx→0u = \frac{\ln x}x \to 0,

1x−ln⁡x=1x⋅11−u=1x(1+u+u2+O(u3))=1x+ln⁡xx2+(ln⁡x)2x3+o((ln⁡x)2x3).\frac{1}{x - \ln x} = \frac1x\cdot\frac{1}{1 - u} = \frac1x\bigl(1 + u + u^2 + O(u^3)\bigr) = \frac1x + \frac{\ln x}{x^2} + \frac{(\ln x)^2}{x^3} + o\Bigl(\frac{(\ln x)^2}{x^3}\Bigr).

Nenhum termo em cx2\frac c{x^2} aparece porque o desenvolvimento é uma série geométrica em u=ln⁡xxu = \frac{\ln x}{x}: todo termo carrega tantas potências de ln⁡x\ln x quantas de 1x\frac1x além da primeira; o degrau 1x2\frac1{x^2} da escala (coeficiente de (ln⁡x)0(\ln x)^0) simplesmente não existe, com coeficiente 00.

2. f(x)=ex+xf(x) = \eu^x + x é contínua, estritamente crescente, com limites −∞-\infty e +∞+\infty: uma bijeção R→R\R \to \R, logo xn=f−1(n)x_n = f^{-1}(n) existe e é único, e xn→+∞x_n \to +\infty (f−1f^{-1} cresce para +∞+\infty). De exn=n−xn\eu^{x_n} = n - x_n: xn=ln⁡(n−xn)≤ln⁡nx_n = \ln(n - x_n) \leq \ln n, logo xn/n→0x_n/n \to 0 e xn=ln⁡n+ln⁡(1−xn/n)=ln⁡n+o(1)∼ln⁡nx_n = \ln n + \ln(1 - x_n/n) = \ln n + o(1) \sim \ln n.

3. Escreva un=xn/nu_n = x_n/n. Segunda passagem: un=ln⁡n+o(1)nu_n = \frac{\ln n + o(1)}{n}, logo

xn=ln⁡n+ln⁡(1−un)=ln⁡n−un+O(un2)=ln⁡n−ln⁡nn+o(ln⁡nn).x_n = \ln n + \ln(1 - u_n) = \ln n - u_n + O(u_n^2) = \ln n - \frac{\ln n}{n} + o\Bigl(\frac{\ln n}n\Bigr).

Terceira passagem: agora un=ln⁡nn−ln⁡nn2+o(ln⁡nn2)u_n = \frac{\ln n}{n} - \frac{\ln n}{n^2} + o\bigl(\frac{\ln n}{n^2}\bigr), e ln⁡(1−un)=−un−un22+O(un3)\ln(1 - u_n) = -u_n - \frac{u_n^2}2 + O(u_n^3):

xn=ln⁡n−ln⁡nn+ln⁡nn2−(ln⁡n)22n2+o((ln⁡n)2n2)=ln⁡n−ln⁡nn−(ln⁡n)22n2+o((ln⁡n)2n2),x_n = \ln n - \frac{\ln n}n + \frac{\ln n}{n^2} - \frac{(\ln n)^2}{2n^2} + o\Bigl(\frac{(\ln n)^2}{n^2}\Bigr) = \ln n - \frac{\ln n}{n} - \frac{(\ln n)^2}{2n^2} + o\Bigl(\frac{(\ln n)^2}{n^2}\Bigr),

sendo o termo ln⁡nn2\frac{\ln n}{n^2} absorvido em o((ln⁡n)2n2)o\bigl(\frac{(\ln n)^2}{n^2}\bigr).

4. Em n=1000n = 1000: ln⁡1000≈6.90776\ln 1000 \approx 6.90776 (erro 7⋅10−37\cdot10^{-3}); dois termos: 6.900856.90085 (erro 2⋅10−52\cdot10^{-5}); três termos: 6.900826.90082 (erro abaixo de 10−510^{-5}), contra x1000≈6.90083x_{1000} \approx 6.90083. Cada passagem compra aproximadamente o fator previsto ln⁡nn\frac{\ln n}{n}.

5. Duas integrações por partes, começando pela direita: com  ⁣d ⁣dt[12t(1−t)]=12−t\frac{\dd}{\dd t}\bigl[\tfrac12t(1-t)\bigr] = \tfrac12 - t e t(1−t)t(1-t) anulando-se nas duas extremidades,

12∫01t(1−t)g′′(t) ⁣dt=−∫01(12−t)g′(t) ⁣dt=−[(12−t)g]01−∫01g=g(0)+g(1)2−∫01g.\frac12\int_0^1 t(1-t)g''(t)\dd t = -\int_0^1\Bigl(\frac12 - t\Bigr)g'(t)\dd t = -\Bigl[\Bigl(\frac12 - t\Bigr)g\Bigr]_0^1 - \int_0^1 g = \frac{g(0) + g(1)}2 - \int_0^1 g .

Reorganizado, isso é a identidade enunciada.

6. Calcule o incremento e depois aplique a questão 5 a g(t)=f(n+t)g(t) = f(n + t):

En+1−En=f(n+1)−∫nn+1 ⁣f−f(n+1)−f(n)2=f(n)+f(n+1)2−∫nn+1 ⁣f=12∫01t(1−t)f′′(n+t) ⁣dt.\begin{align*} E_{n+1} - E_n &= f(n{+}1) - \int_n^{n+1}\!f - \frac{f(n{+}1) - f(n)}2 \\ &= \frac{f(n) + f(n{+}1)}2 - \int_n^{n+1}\!f = \frac12\int_0^1 t(1-t)f''(n+t)\dd t . \end{align*}

Como 0≤t(1−t)≤140 \leq t(1-t) \leq \frac14: ∣En+1−En∣≤18∫nn+1∣f′′∣\abs{E_{n+1} - E_n} \leq \frac18\int_n^{n+1}\abs{f''}, cuja soma sobre nn converge por hipótese: (En)(E_n) converge (incrementos absolutamente somáveis) para algum EE, com

∣E−En∣≤∑k≥n∣Ek+1−Ek∣≤18∫n∞∣f′′∣.\abs{E - E_n} \leq \sum_{k\geq n}\abs{E_{k+1} - E_k} \leq \frac18\int_n^\infty\abs{f''} .

7. f(t)=1tf(t) = \frac1t: f′′(t)=2t3f''(t) = \frac2{t^3}, ∫1∞∣f′′∣=1<∞\int_1^\infty\abs{f''} = 1 < \infty. Questão 6:

Hn=ln⁡n+1+1n2+E+(En−E)=ln⁡n+(E+12)+12n+εn,H_n = \ln n + \frac{1 + \frac1n}{2} + E + (E_n - E) = \ln n + \Bigl(E + \frac12\Bigr) + \frac1{2n} + \varepsilon_n,

com ∣εn∣=∣En−E∣≤18∫n∞2 ⁣dtt3=18n2\abs{\varepsilon_n} = \abs{E_n - E} \leq \frac18\int_n^\infty\frac{2\dd t}{t^3} = \frac1{8n^2}. Comparar com Hn=ln⁡n+γ+o(1)H_n = \ln n + \gamma + o(1) (Exemplo 6.7) identifica E+12=γE + \frac12 = \gamma.

8. Pela fórmula do incremento da questão 6,

εn=En−E=−∑k≥n12∫01t(1−t) 2  ⁣dt(k+t)3=−∑k≥n(1k3∫01t(1−t) ⁣dt+O(1k4)),\varepsilon_n = E_n - E = -\sum_{k\geq n}\frac12\int_0^1 t(1-t)\,\frac{2\,\dd t}{(k+t)^3} = -\sum_{k \geq n}\Bigl(\frac1{k^3}\int_0^1t(1-t)\dd t + O\Bigl(\frac1{k^4}\Bigr)\Bigr),

usando 1(k+t)3=1k3+O(1k4)\frac{1}{(k+t)^3} = \frac1{k^3} + O\bigl(\frac1{k^4}\bigr) uniformemente para t∈[0, 1]t \in \intcc01. Com ∫01t(1−t)=16\int_0^1 t(1-t) = \frac16 e ∑k≥n1k3∼12n2\sum_{k\geq n}\frac1{k^3} \sim \frac{1}{2n^2} (Teorema 6.6):

εn=−16⋅12n2+o(1n2)=−112n2+o(1n2).\varepsilon_n = -\frac16\cdot\frac{1}{2n^2} + o\Bigl(\frac1{n^2}\Bigr) = -\frac{1}{12n^2} + o\Bigl(\frac{1}{n^2}\Bigr).

9. f=ln⁡f = \ln: f′′(t)=−1t2f''(t) = -\frac1{t^2}, absolutamente integrável. A questão 6 dá

ln⁡n!=∫1nln⁡t  ⁣dt+ln⁡n2+E+O(18∫n∞ ⁣dtt2)=(n+12)ln⁡n−n+1+E+O(1n),\ln n! = \int_1^n\ln t\,\dd t + \frac{\ln n}2 + E + O\Bigl( \frac1{8}\int_n^\infty\frac{\dd t}{t^2}\Bigr) = \Bigl(n + \frac12\Bigr)\ln n - n + 1 + E + O\Bigl(\frac1n\Bigr),

logo dn=1+E+O(1n)d_n = 1 + E + O\bigl(\frac1n\bigr): a convergência de (dn)(d_n) — Etapa 1 do Teorema 6.13 — mais a taxa O(1/n)O(1/n). (O valor do limite dado por Stirling dá E=ln⁡2π−1E = \ln\sqrt{2\pi} - 1.)

10. f(t)=t−1/2f(t) = t^{-1/2}: f′′(t)=34t−5/2f''(t) = \frac34 t^{-5/2}, absolutamente integrável. Questão 6:

∑k=1n1k=2n−2+1+1n2+E+O(n−3/2)=2n+c+12n+O(n−3/2),\sum_{k=1}^n \frac1{\sqrt k} = 2\sqrt n - 2 + \frac{1 + \frac1{\sqrt n}}2 + E + O\bigl(n^{-3/2}\bigr) = 2\sqrt n + c + \frac{1}{2\sqrt n} + O\bigl(n^{-3/2}\bigr),

com c=E−32c = E - \frac32. Em n=104n = 10^4: 2n=2002\sqrt n = 200, c≈−1.46035c \approx -1.46035, 12n=0.005\frac1{2\sqrt n} = 0.005: previsto 198.54465198.54465, e de fato ∑k≤104k−1/2=198.544645…\sum_{k\leq10^4}k^{-1/2} = 198.544645\dots — três termos, sete algarismos.

11. t↦tln⁡tt \mapsto t\ln t é contínua e estritamente crescente em [1, ∞)\intco1\infty (derivada ln⁡t+1≥1\ln t + 1 \geq 1), de 00 a +∞+\infty: existe um único xnx_n, e xn→∞x_n \to \infty (caso contrário xnln⁡xnx_n\ln x_n ficaria limitado). Tomando logaritmos em xnln⁡xn=nx_n\ln x_n = n: ln⁡xn+ln⁡ln⁡xn=ln⁡n\ln x_n + \ln\ln x_n = \ln n; como ln⁡ln⁡xn=o(ln⁡xn)\ln\ln x_n = o(\ln x_n), dividir por ln⁡xn\ln x_n dá ln⁡nln⁡xn→1\frac{\ln n}{\ln x_n} \to 1: ln⁡xn∼ln⁡n\ln x_n \sim \ln n.

12. De xn=nln⁡xnx_n = \frac{n}{\ln x_n} e ln⁡xn∼ln⁡n\ln x_n \sim \ln n: xn∼nln⁡nx_n \sim \frac{n}{\ln n}. Passagem seguinte: ln⁡ln⁡xn=ln⁡(ln⁡n (1+o(1)))=ln⁡ln⁡n+o(1)\ln\ln x_n = \ln\bigl(\ln n\,(1 + o(1))\bigr) = \ln\ln n + o(1), logo ln⁡xn=ln⁡n−ln⁡ln⁡n+o(1)\ln x_n = \ln n - \ln\ln n + o(1) e

xn=nln⁡n−ln⁡ln⁡n+o(1)=nln⁡n⋅11−ln⁡ln⁡n+o(1)ln⁡n=nln⁡n(1+ln⁡ln⁡nln⁡n+o(ln⁡ln⁡nln⁡n)).x_n = \frac{n}{\ln n - \ln\ln n + o(1)} = \frac{n}{\ln n}\cdot\frac{1}{1 - \frac{\ln\ln n + o(1)}{\ln n}} = \frac{n}{\ln n}\Bigl(1 + \frac{\ln\ln n}{\ln n} + o\Bigl(\frac{\ln\ln n}{\ln n}\Bigr)\Bigr).

13. Em n=106n = 10^6: nln⁡n≈72 382\frac{n}{\ln n} \approx 72\,382 (errando por 18%18\%); dois termos dão ≈86 140\approx 86\,140 (errando por 1.9%1.9\%), contra o valor verdadeiro x≈87 848x \approx 87\,848. O ganho por passagem é apenas o fator ln⁡ln⁡nln⁡n≈2.6313.8≈0.19\frac{\ln\ln n}{\ln n} \approx \frac{2.63}{13.8} \approx 0.19: as escalas logarítmicas convergem com lentidão exasperante — um fato da vida sempre que primos estão envolvidos.

14. Há exatamente nn primos ≤pn\leq p_n (a saber, p1,…,pnp_1, \dots, p_n): π(pn)=n\pi(p_n) = n. O teorema dos números primos (admitido; volume do terceiro ano de graduação) dá n=π(pn)∼pnln⁡pnn = \pi(p_n) \sim \frac{p_n}{\ln p_n}, isto é, pn∼nln⁡pnp_n \sim n\ln p_n: essa é a equação xln⁡x≈nx\ln x \approx n lida ao contrário. Tomando logaritmos: ln⁡pn=ln⁡n+ln⁡ln⁡pn+o(1)\ln p_n = \ln n + \ln\ln p_n + o(1), e ln⁡ln⁡pn=o(ln⁡pn)\ln\ln p_n = o(\ln p_n) força ln⁡pn∼ln⁡n\ln p_n \sim \ln n como na questão 11. Substituindo de volta:

pn∼nln⁡pn=n ln⁡n ln⁡pnln⁡n∼nln⁡n.p_n \sim n\ln p_n = n\,\ln n\,\frac{\ln p_n}{\ln n} \sim n\ln n .

15. (a) Fixe ε>0\varepsilon > 0; para kk grande, (1−ε)kln⁡k≤pk≤(1+ε)kln⁡k(1 - \varepsilon)k\ln k \leq p_k \leq (1 + \varepsilon)k\ln k. Por comparação com a crescente tln⁡tt\ln t (enquadramento do tipo Teorema 6.6), ∑k≤nkln⁡k=∫1ntln⁡t  ⁣dt+O(nln⁡n)=n2ln⁡n2−n24+O(nln⁡n)∼n2ln⁡n2\sum_{k\leq n}k\ln k = \int_1^n t\ln t\,\dd t + O(n\ln n) = \frac{n^2\ln n}2 - \frac{n^2}4 + O(n\ln n) \sim \frac{n^2\ln n}2. Logo ∑k≤npk=n2ln⁡n2(1+O(ε)+o(1))\sum_{k\leq n}p_k = \frac{n^2\ln n}{2}(1 + O(\varepsilon) + o(1)) para todo ε\varepsilon: ∑k≤npk∼n2ln⁡n2\sum_{k\leq n}p_k \sim \frac{n^2\ln n}2. (b) Pelo teorema dos números primos, entre os inteiros até 1010010^{100} uma proporção ∼1ln⁡10100=1230.26…\sim \frac{1}{\ln 10^{100}} = \frac1{230.26\dots} é prima: um inteiro uniformemente aleatório com 100100 algarismos é primo com probabilidade cerca de 1230\frac1{230}.

16. Em (nπ, nπ+π2)\intoo{n\pi}{n\pi + \frac\pi2}, g(x)=tan⁡x−1xg(x) = \tan x - \frac1x é contínua e estritamente crescente (g′=1+tan⁡2x+1x2>0g' = 1 + \tan^2x + \frac1{x^2} > 0), com g→−1nπ<0g \to -\frac1{n\pi} < 0 na extremidade esquerda e g→+∞g \to +\infty na direita: exatamente uma raiz xnx_n. Como tan⁡zn=tan⁡xn=1xn→0\tan z_n = \tan x_n = \frac1{x_n} \to 0 com zn∈(0, π2)z_n \in \intoo{0}{\frac\pi2}: zn→0+z_n \to 0^+.

17. tan⁡zn∼zn\tan z_n \sim z_n e 1xn∼1nπ\frac1{x_n} \sim \frac1{n\pi}: zn∼1nπz_n \sim \frac1{n\pi}.

18. zn=arctan⁡1xnz_n = \arctan\frac1{x_n} e arctan⁡u=u+O(u3)\arctan u = u + O(u^3). Com zn=O(1n)z_n = O(\frac1n):

1xn=1nπ⋅11+znnπ=1nπ−znn2π2+O(1n4)=1nπ+O(1n3),\frac1{x_n} = \frac{1}{n\pi}\cdot\frac1{1 + \frac{z_n}{n\pi}} = \frac1{n\pi} - \frac{z_n}{n^2\pi^2} + O\Bigl(\frac1{n^4}\Bigr) = \frac1{n\pi} + O\Bigl(\frac1{n^3}\Bigr),

logo zn=1nπ+O(1n3)z_n = \frac1{n\pi} + O\bigl(\frac1{n^3}\bigr): o degrau cn2\frac{c}{n^2} tem coeficiente 00, porque a primeira correção a 1xn\frac1{x_n} é ela mesma de tamanho znn2=O(n−3)\frac{z_n}{n^2} = O(n^{-3}).

19. Insira zn=1nπ+O(n−3)z_n = \frac1{n\pi} + O(n^{-3}) na fórmula anterior:

1xn=1nπ−1n3π3+O(1n5),\frac{1}{x_n} = \frac{1}{n\pi} - \frac{1}{n^3\pi^3} + O\Bigl(\frac1{n^5}\Bigr),

depois zn=arctan⁡1xn=1xn−13(1xn)3+O(1n5)=1nπ−1n3π3−13n3π3+O(1n5)z_n = \arctan\frac1{x_n} = \frac1{x_n} - \frac{1}{3}\Bigl(\frac1{x_n}\Bigr)^3 + O\Bigl(\frac1{n^5}\Bigr) = \frac1{n\pi} - \frac{1}{n^3\pi^3} - \frac{1}{3n^3\pi^3} + O\Bigl(\frac1{n^5}\Bigr):

xn=nπ+1nπ−43π3n3+O(1n5).x_n = n\pi + \frac{1}{n\pi} - \frac{4}{3\pi^3n^3} + O\Bigl(\frac1{n^5}\Bigr).

20. Em n=3n = 3: um termo 9.530889.53088, três termos 9.529299.52929, raiz verdadeira 9.529339.52933: erros 1.5⋅10−31.5\cdot10^{-3} e 5⋅10−55\cdot10^{-5}. Contraste: para tan⁡x=x\tan x = x a raiz precisa tornar tan⁡\tan enorme, logo ela se cola à extremidade direita nπ+π2n\pi + \frac\pi2 da janela, a distância ∼1nπ\sim\frac1{n\pi} antes da assíntota; para xtan⁡x=1x\tan x = 1 a raiz precisa tornar tan⁡\tan minúsculo, logo ela fica logo depois da extremidade esquerda nπn\pi, a distância ∼1nπ\sim\frac1{n\pi} depois do zero. Mesmo método, geografia espelhada.

21. sin⁡u<u\sin u < u em (0, π)\intoo0\pi e sin⁡\sin leva (0, π)\intoo0\pi em (0, 1]⊆(0, π)\intoc01 \subseteq \intoo0\pi: após um passo u1∈(0, 1]u_1 \in \intoc{0}{1}, depois (un)(u_n) decresce e é minorada por 00: ela converge para um ponto fixo de sin⁡\sin, isto é, para 00. Desenvolvimento: sin⁡u=u(1−u26+o(u2))\sin u = u(1 - \frac{u^2}6 + o(u^2)), logo

1un+12−1un2=1un2((1−un26+o(un2))−2−1)=1un2(un23+o(un2))⟶13.\frac{1}{u_{n+1}^2} - \frac1{u_n^2} = \frac{1}{u_n^2}\Bigl(\bigl(1 - \tfrac{u_n^2}6 + o(u_n^2)\bigr)^{-2} - 1\Bigr) = \frac{1}{u_n^2}\Bigl(\frac{u_n^2}{3} + o(u_n^2)\Bigr) \longrightarrow \frac13 .

22. Por Cesàro (volume do primeiro ano de graduação), a média dos incrementos converge para o mesmo limite:

1n⋅1un2=1n(1u02+∑k=0n−1(1uk+12−1uk2))⟶13,\frac{1}{n}\cdot\frac{1}{u_n^2} = \frac1n\Bigl(\frac1{u_0^2} + \sum_{k=0}^{n-1} \Bigl(\frac1{u_{k+1}^2} - \frac1{u_k^2}\Bigr)\Bigr) \longrightarrow \frac13 ,

logo un2∼3nu_n^2 \sim \frac3n e, sendo todos os termos positivos, un∼3/nu_n \sim \sqrt{3/n}.

23. Pela questão 7, ∣Hn−ln⁡n−γ−12n∣≤18n2\abs{H_n - \ln n - \gamma - \frac1{2n}} \leq \frac1{8n^2}. Em n=106n = 10^6 essa cota vale 18⋅1012=1.25⋅10−13\frac{1}{8\cdot10^{12}} = 1.25\cdot10^{-13}: três termos calculados entregam a soma harmônica de um milhão de termos com treze algarismos, com um certificado de erro plenamente rigoroso — exatamente o propósito de uma fórmula assintótica com resto explícito.

24. (a) Verdadeiro: ln⁡un−ln⁡vn=ln⁡unvn→0\ln u_n - \ln v_n = \ln\frac{u_n}{v_n} \to 0 enquanto ln⁡vn→+∞\ln v_n \to +\infty, logo a razão dos logaritmos tende a 11. (b) Falso: un=n+1∼vn=nu_n = n + 1 \sim v_n = n, mas eun/evn=e≠1\eu^{u_n}/\eu^{v_n} = \eu \neq 1. A equivalência tolera erros aditivos o(1)o(1) no expoente, não O(1)O(1). (c) Falso: f(x)=x+sin⁡(x2)∼g(x)=xf(x) = x + \sin(x^2) \sim g(x) = x em +∞+\infty, mas f′(x)=1+2xcos⁡(x2)f'(x) = 1 + 2x\cos(x^2) oscila ilimitadamente enquanto g′=1g' = 1: as derivadas de funções equivalentes podem não ser comparáveis de modo algum.

25. O laço do Método 6.22 rodou identicamente três vezes: localizar a raiz, extrair um termo bruto, reinjetá-lo para a ordem seguinte — em ex+x=n\eu^x + x = n (Parte I), em xln⁡x=nx\ln x = n (Parte III), em xtan⁡x=1x\tan x = 1 (Parte IV). A correção do trapézio eleva a comparação série–integral de “a diferença converge” a um termo explícito em f(1)+f(n)2\frac{f(1) + f(n)}2 com resto certificado O(∫n∞∣f′′∣)O(\int_n^\infty \abs{f''}) — constantes e barras de erro em vez de mera convergência. A ponte para os primos é pura inversão: o teorema dos números primos diz que π(x)ln⁡x≈x\pi(x)\ln x \approx x, logo pnp_n, definido por π(pn)=n\pi(p_n) = n, resolve uma equação do tipo xln⁡x=nx\ln x = n — e herda a assintótica dela. A regra (a) da questão 24 legitimou toda passagem de un∼vnu_n \sim v_n para ln⁡un∼ln⁡vn\ln u_n \sim \ln v_n (questões 11 e 14); a falsidade de (b) é a razão pela qual nunca exponenciamos equivalências. Cumes: a fórmula de Euler–Maclaurin em primeira ordem (questão 6) e a lei assintótica pn∼nln⁡np_n \sim n\ln n do nn-ésimo primo (questão 14).

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