A transposta de A=(aij)∈Mn,p é AT=(aji)∈Mp,n; ela satisfaz (AB)T=BTAT e (AT)T=A. O traço de uma matriz quadrada é trA=∑iaii; ele é linear, e
tr(AB)=tr(BA)(A∈Mn,p,B∈Mp,n).
Exemplos
Exemplo 21.6(O traço em ação)
A projeção do Capítulo 20 sobre Vect(1,1) ao longo de Vect(0,1), p(x,y)=(x,x), tem matriz A=(1100) na base canônica: de fato A2=A, e
trA=1=rkA,
ilustrando o Exercício 21.8: para idempotentes, o traçoconta a dimensão da imagem, seja qual for a base enviesada em que a matriz está escrita. O mecanismo da invariância é a identidade tr(AB)=tr(BA):
tr(P−1(AP))=tr((AP)P−1)=trA,
logo todas as matrizes semelhantes a A partilham o seu traço — o primeiro invariante numérico de um endomorfismo, ao qual se juntará o determinante no Capítulo 22 (o par (s,p) do problema de fim de semana abaixo).
Exemplo 21.7(Simétrica mais antissimétrica)
Chame A de simétrica quando AT=A, e de antissimétrica quando AT=−A. Toda matriz quadrada se decompõe de modo único como uma mais a outra:
A=simeˊtrica2A+AT+antissimeˊtrica2A−AT,
e uma matriz que é as duas coisas é nula (A=−A): os dois conjuntos são subespaços suplementares de Mn(K) — o análogo exato da decomposição par/ímpar de funções (o Exemplo 18.11), com a transposição a fazer o papel de x↦−x. Dimensões: uma matriz simétrica é livre na diagonal e acima dela, e uma antissimétrica estritamente acima (diagonal nula):
2n(n+1)+2n(n−1)=n2,
e o fechamento da contagem é a confirmação, por Grassmann, do caráter direto. Para n=2: (1152)=(1332)+(0−220). As matrizes simétricas voltam como os dados de segunda ordem do Capítulo 25 (a tripla de Monge r,s,t), e as simétricas ortogonais são classificadas no Exercício 23.12.