数学 · 第 3 册 · 本科一年级

Matemática universitária — Graduação 1

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Matemática universitária — Graduação 1 · 本科一年级

2Contagem

Contar conjuntos finitos parece elementar — e logo se torna sutil. Este capítulo define a cardinalidade como se deve (por meio de bijeções, no espírito do Capítulo 1), estabelece o punhado de princípios de contagem dos quais tudo decorre e deduz as contagens clássicas: listas, permutações, subconjuntos, coeficientes binomiais.

2.1 Cardinalidade dos conjuntos finitos

Definição 2.1 (Conjunto finito, cardinalidade)

Para n∈N∗n \in \N^*, escreva [ ⁣[1, n] ⁣]={1,2,…,n}\intint{1}{n} = \{1, 2, \dots, n\}. Um conjunto EE é finito quando E=∅E = \emptyset ou existe uma bijeção de [ ⁣[1, n] ⁣]\intint{1}{n} sobre EE para algum n∈N∗n \in \N^*; esse nn é único (Teorema 2.2) e é a cardinalidade de EE, escrita ∣E∣\abs{E} (com ∣∅∣=0\abs{\emptyset} = 0).

Teorema 2.2 (A cardinalidade está bem definida)

Se m≠nm \neq n, não existe bijeção de [ ⁣[1, m] ⁣]\intint{1}{m} sobre [ ⁣[1, n] ⁣]\intint{1}{n}. Mais precisamente, se m>nm > n não existe injeção de [ ⁣[1, m] ⁣]\intint{1}{m} em [ ⁣[1, n] ⁣]\intint{1}{n}.

Demonstração. Demonstramos por indução em nn o enunciado: para todo m>nm > n, não existe injeção [ ⁣[1, m] ⁣]→[ ⁣[1, n] ⁣]\intint{1}{m} \to \intint{1}{n}. Para n=0n = 0 o contradomínio é vazio e m≥1m \geq 1: não existe aplicação alguma. Suponha o enunciado para nn e suponha que f ⁣:[ ⁣[1, m] ⁣]→[ ⁣[1, n+1] ⁣]f \colon \intint{1}{m} \to \intint{1}{n+1} seja uma injeção com m>n+1m > n + 1. Se o valor n+1n + 1 não é atingido, ff é uma injeção em [ ⁣[1, n] ⁣]\intint{1}{n}, o que contradiz a hipótese de indução. Caso contrário, f(a)=n+1f(a) = n + 1 para exatamente um aa; troque f(a)f(a) e f(m)f(m) (formalmente: componha com a transposição dos dois valores), de modo que a nova injeção gg tenha g(m)=n+1g(m) = n + 1. Então a restrição de gg a [ ⁣[1, m−1] ⁣]\intint{1}{m-1} é uma injeção em [ ⁣[1, n] ⁣]\intint{1}{n} com m−1>nm - 1 > n — contradição, novamente. ∎

Corolário 2.3 (Princípio da casa dos pombos)

Se ∣E∣>∣F∣\abs{E} > \abs{F}, nenhuma aplicação f ⁣:E→Ff \colon E \to F é injetiva: dois elementos de EE partilham a mesma imagem.

Demonstração. Escreva ∣E∣=m\abs E = m, ∣F∣=n\abs F = n com m>nm > n e escolha bijeções u ⁣:[ ⁣[1, m] ⁣]→Eu \colon \intint1m \to E e v ⁣:F→[ ⁣[1, n] ⁣]v \colon F \to \intint1n. Se ff fosse injetiva, v∘f∘uv \circ f \circ u seria uma injeção de [ ⁣[1, m] ⁣]\intint1m em [ ⁣[1, n] ⁣]\intint1n (composta de injeções, Proposição 1.26), contradizendo o Teorema 2.2. ∎

Observação 2.4 (Interlúdio: por que a troca na demonstração do teorema?)

A demonstração do Teorema 2.2 contém a primeira jogada genuinamente engenhosa do capítulo, que vale a pena revisitar devagar. O obstáculo: para aplicar a hipótese de indução queremos apagar o último ponto mm do domínio e o último ponto n+1n+1 do contradomínio, mas ff pode enviar algum outro ponto aa a n+1n + 1, e então apagar o ponto do contradomínio estraga a aplicação em outro lugar. O remédio: compor ff com a transposição dos dois valores f(a)f(a) e f(m)f(m) — uma bijeção do contradomínio, de modo que a injetividade se preserva — após o que o valor incômodo n+1n + 1 passa a ocupar a posição inofensiva mm, e as duas remoções ficam limpas. Esse padrão “normalizar primeiro, cortar depois” reaparece: é assim que a recorrência dos desarranjos redireciona σ−1(n+1)\sigma^{-1}(n+1) no problema de fim de semana deste capítulo, e assim que as permutações são remendadas ao longo de todo o problema do Capítulo 7 sobre o grupo simétrico.

Proposição 2.5 (Injeções, sobrejeções e cardinalidade)

Sejam E,FE, F conjuntos finitos com ∣E∣=∣F∣\abs{E} = \abs{F}, e seja f ⁣:E→Ff \colon E \to F. Então

f injetiva  ⟺  f sobrejetiva  ⟺  f bijetiva.f \text{ injetiva} \iff f \text{ sobrejetiva} \iff f \text{ bijetiva}.

Demonstração. Suponha ff injetiva. Então ff é uma bijeção de EE sobre f(E)f(E), logo ∣f(E)∣=∣E∣=∣F∣\abs{f(E)} = \abs{E} = \abs{F}. Se f(E)f(E) deixasse de fora um ponto y0y_0 de FF, então ff seria uma injeção de EE em F∖{y0}F \setminus \{y_0\}, conjunto de cardinalidade ∣F∣−1<∣E∣\abs{F} - 1 < \abs{E} — impossível pelo princípio da casa dos pombos. Logo f(E)=Ff(E) = F: ff é sobrejetiva e, portanto, bijetiva.

Suponha ff sobrejetiva. Escolha para cada y∈Fy \in F uma pré-imagem s(y)∈Es(y) \in E; então f∘s=idFf \circ s = \mathrm{id}_F, de modo que ss é injetiva (Proposição 1.26). Pelo parágrafo anterior aplicado a ss (as cardinalidades são iguais), ss é bijetiva. De f∘s=idFf \circ s = \mathrm{id}_F obtemos f=idF∘s−1=s−1f = \mathrm{id}_F \circ s^{-1} = s^{-1}, logo ff é bijetiva. Por fim, uma aplicação bijetiva é, por definição, ao mesmo tempo injetiva e sobrejetiva, o que fecha o ciclo de implicações. ∎

Exemplo 2.6 (A finitude é essencial)

Num conjunto finito, a Proposição 2.5 é um atalho poderoso: toda aplicação injetiva de EE em si mesmo é automaticamente uma permutação de EE — metade da bijetividade vem de graça. As duas implicações desmoronam em conjuntos infinitos: n↦n+1n \mapsto n + 1 é injetiva de N\N em N\N, mas não atinge 00, e a aplicação N→N\N \to \N que envia 0↦00 \mapsto 0 e n↦n−1n \mapsto n - 1 para n≥1n \geq 1 é sobrejetiva, mas não injetiva. Sempre que esta proposição é invocada, a hipótese de finitude está fazendo trabalho de verdade — tema que o problema de fim de semana do Capítulo 1 explora pelo outro lado, em que os conjuntos infinitos são precisamente os que admitem tais aplicações de si em si.

Exemplo 2.7 (Metade do trabalho, de graça)

Considere a aplicação ff em {0,1,…,6}\{0, 1, \dots, 6\} que envia kk ao resto da divisão de 3k3k por 77; sua tabela de valores é

0, 3, 6, 2, 5, 1, 4.0,\ 3,\ 6,\ 2,\ 5,\ 1,\ 4 .

ff é uma bijeção? A injetividade sozinha basta (Proposição 2.5): se 3k3k e 3k′3k' têm o mesmo resto, 77 divide 3(k−k′)3(k - k') e, como 77 é primo e não divide 33, ele divide k−k′k - k' (lema de Euclides, usado aqui no nível do ensino médio e demonstrado no Capítulo 6); com ∣k−k′∣≤6\abs{k - k'} \leq 6 isso força k=k′k = k'. A sobrejetividade vem de graça — não é preciso resolver 3k≡c3k \equiv c para cada cc, embora a tabela confirme que todo valor aparece exatamente uma vez. O atalho é um cavalo de batalha: demonstra a invertibilidade da multiplicação modular (Capítulo 6), alimenta o emparelhamento do teorema de Wilson e reaparece em álgebra linear como “um endomorfismo de um espaço de dimensão finita é injetivo se, e somente se, é sobrejetivo” (Capítulo 19).

2.2 Os princípios de contagem

Proposição 2.8 (Regras da soma e do produto)

Sejam E,FE, F conjuntos finitos.

  1. Se E∩F=∅E \cap F = \emptyset, então ∣E∪F∣=∣E∣+∣F∣\abs{E \cup F} = \abs{E} + \abs{F}; mais geralmente, para uma partição de EE em peças E1,…,EkE_1, \dots, E_k, ∣E∣=∑i∣Ei∣\abs{E} = \sum_i \abs{E_i}.
  2. Em geral, ∣E∪F∣=∣E∣+∣F∣−∣E∩F∣\abs{E \cup F} = \abs{E} + \abs{F} - \abs{E \cap F}.
  3. ∣E×F∣=∣E∣×∣F∣\abs{E \times F} = \abs{E} \times \abs{F}.
  4. O conjunto FEF^E de todas as aplicações de EE em FF satisfaz ∣FE∣=∣F∣∣E∣\abs{F^E} = \abs{F}^{\abs{E}}.
  5. ∣P(E)∣=2∣E∣\abs{\mathcal{P}(E)} = 2^{\abs{E}}.

Demonstração. (1) Concatene enumerações: se E={x1,…,xm}E = \{x_1, \dots, x_m\} e F={y1,…,yn}F = \{y_1, \dots, y_n\} sem repetição, então x1,…,xm,y1,…,ynx_1, \dots, x_m, y_1, \dots, y_n enumera E∪FE \cup F sem repetição (por serem disjuntos). A indução estende isso a kk peças.

(2) E∪FE \cup F é a união disjunta de EE e F∖EF \setminus E, e FF é a união disjunta de F∩EF \cap E e F∖EF \setminus E; logo ∣E∪F∣=∣E∣+∣F∖E∣=∣E∣+∣F∣−∣E∩F∣\abs{E \cup F} = \abs{E} + \abs{F \setminus E} = \abs{E} + \abs{F} - \abs{E \cap F}.

(3) E×FE \times F é a união disjunta, sobre x∈Ex \in E, dos conjuntos {x}×F\{x\} \times F, cada um de cardinalidade ∣F∣\abs{F}; aplique (1).

(4) Uma aplicação de E={x1,…,xm}E = \{x_1, \dots, x_m\} em FF é exatamente a escolha da mm-upla (f(x1),…,f(xm))∈Fm(f(x_1), \dots, f(x_m)) \in F^m; essa correspondência é uma bijeção, e ∣Fm∣=∣F∣m\abs{F^m} = \abs{F}^m por (3) e indução.

(5) Os subconjuntos de EE correspondem bijetivamente às aplicações E→{0,1}E \to \{0, 1\} (envie AA à sua função indicadora); aplique (4). ∎

Exemplo 2.9 (Contagem pelo complementar)

Quantas senhas de 44 dígitos (algarismos de 00 a 99, a ordem importa, repetições permitidas) contêm pelo menos um algarismo repetido? Contá-las diretamente significa manejar os casos “exatamente um par, dois pares, uma trinca, uma quadra” — cinco configurações que se sobrepõem. Conte antes o complementar: as senhas em geral somam 104=10 00010^4 = 10\,000 (regra do produto) e as senhas com quatro algarismos distintos somam 10×9×8×7=5 04010 \times 9 \times 8 \times 7 = 5\,040 (44-arranjos), de modo que a resposta é

104−10⋅9⋅8⋅7=10 000−5 040=4 960.10^4 - 10 \cdot 9 \cdot 8 \cdot 7 = 10\,000 - 5\,040 = 4\,960 .

Quase metade de todas as senhas repete um algarismo. A ideia: sempre que uma contagem é formulada com “pelo menos” ou “nem todos”, tente primeiro o complementar — a regra da soma garante que ∣A∣=∣E∣−∣A‾∣\abs{A} = \abs{E} - \abs{\overline A}, e o complementar é muitas vezes uma única configuração limpa.

Exemplo 2.10 (Caminhos na grade)

Conte os caminhos mínimos do canto (0,0)(0,0) ao canto (4,3)(4, 3) de uma grade, movendo-se apenas um passo para a direita (D) ou um passo para cima (C) de cada vez. Todo caminho desses tem exatamente 77 passos, dos quais 44 são D e 33 são C; reciprocamente, qualquer palavra de comprimento 77 nas letras D, C com quatro D descreve exatamente um caminho. Os caminhos correspondem, portanto, bijetivamente às escolhas das posições dos D:

(74)=35.\binom{7}{4} = 35 .

A ideia é a codificação: a contagem tornou-se trivial no momento em que cada caminho foi traduzido em uma palavra, isto é, em um subconjunto de posições — mais uma instância do lema de que uma contagem correta é uma bijeção disfarçada (Método 2.19).

Um dos 74 = 35 caminhos mínimos de (0,0) a (4,3): o caminho mostrado codifica a palavra DCDDCDC, isto é, a escolha das posições \1,3,4,6\ para a letra D entre os sete passos.
Um dos (74)=35\binom74 = 35 caminhos mínimos de (0,0)(0,0) a (4,3)(4,3): o caminho mostrado codifica a palavra DCDDCDC, isto é, a escolha das posições {1,3,4,6}\{1,3,4,6\} para a letra D entre os sete passos.

2.3 Listas, permutações, subconjuntos

Definição 2.11 (Arranjos, permutações, combinações)

Seja EE um conjunto com ∣E∣=n\abs{E} = n e seja 0≤k≤n0 \leq k \leq n.

  • Um kk-arranjo de EE é uma kk-upla injetiva de elementos de EE (uma seleção ordenada sem repetição);
  • uma permutação de EE é uma bijeção de EE em si mesmo — equivalentemente, um nn-arranjo;
  • uma kk-combinação é um subconjunto de EE com kk elementos (uma seleção não ordenada e sem repetição). O seu número escreve-se (nk)\binom{n}{k}, lido “combinações de nn, kk a kk” .

Teorema 2.12 (As três contagens)

Com n=∣E∣n = \abs{E} e 0≤k≤n0 \leq k \leq n:

  1. o número de kk-arranjos de EE é n(n−1)⋯(n−k+1)=n!(n−k)!n (n-1) \cdots (n-k+1) = \dfrac{n!}{(n-k)!};
  2. o número de permutações de EE é n!n!;
  3. (nk)=n!k! (n−k)!\dbinom{n}{k} = \dfrac{n!}{k!\,(n-k)!}.

Demonstração. (1) Escolha a primeira coordenada (nn modos), depois a segunda (n−1n - 1 escolhas restantes), …, depois a kk-ésima (n−k+1n - k + 1 escolhas). Formalmente, faça indução em kk. Para k=1k = 1 há nn uplas injetivas de um só termo. Suponha a contagem para k−1k - 1. Cada kk-arranjo (x1,…,xk)(x_1, \dots, x_k) é obtido de exatamente um (k−1)(k-1)-arranjo — o seu truncamento (x1,…,xk−1)(x_1, \dots, x_{k-1}) — acrescentando uma última coordenada fora de {x1,…,xk−1}\{x_1, \dots, x_{k-1}\}, para a qual há exatamente n−(k−1)n - (k - 1) valores disponíveis. Os kk-arranjos ficam assim repartidos, pelo truncamento, em classes de tamanho comum n−k+1n - k + 1 indexadas pelos (k−1)(k-1)-arranjos, e a regra da soma dá

n!(n−k+1)!  (n−k+1)=n!(n−k)!.\frac{n!}{(n-k+1)!}\;(n - k + 1) = \frac{n!}{(n-k)!} .

(2) é (1) com k=nk = n.

(3) Cada kk-subconjunto se ordena de k!k! modos distintos, dando kk-arranjos distintos, e todo kk-arranjo provém de exatamente um subconjunto: logo n!(n−k)!=(nk)⋅k!\frac{n!}{(n-k)!} = \binom nk \cdot k!. ∎

Exemplo 2.13 (Mesas redondas: quocientar pela simetria)

De quantos modos nn convidados podem se sentar em torno de uma mesa redonda, sendo duas disposições idênticas quando cada convidado tem os mesmos vizinhos à esquerda e à direita — isto é, a menos de rotação? Cada disposição circular corresponde a exatamente nn disposições lineares (corte o círculo em qualquer dos nn lugares), de modo que as n!n! ordens lineares se agrupam de nn em nn:

n!n=(n−1)!disposic¸o˜es circulares.\frac{n!}{n} = (n-1)! \quad\text{disposições circulares.}

Equivalentemente: sente um convidado distinguido em qualquer lugar (matando a liberdade de rotação) e depois ordene os n−1n - 1 convidados restantes no sentido horário. Para n=6n = 6: 120120 mesas. As duas soluções ilustram os dois remédios usuais para a contagem excessiva: dividir pelo número exato de repetições ou quebrar a simetria fixando um objeto. Ambos exigem que o grupo de repetições tenha o mesmo tamanho em toda configuração — o que a demonstração da fórmula (nk)=n!k! (n−k)!\binom nk = \frac{n!}{k!\,(n-k)!} acima também usou, com k!k! no lugar de nn.

Exemplo 2.14 (Acrescentando uma restrição)

Continuando com a mesa redonda: entre as (n−1)!(n-1)! mesas de n≥3n \geq 3 convidados, quantas mantêm dois convidados dados AA e BB separados (não adjacentes)? Conte o complementar. Mesas em que AA e BB se sentam juntos: cole-os num único bloco — n−1n - 1 objetos em torno da mesa, isto é, (n−2)!(n-2)! disposições circulares — e depois ordene o par dentro do bloco (22 modos): 2 (n−2)!2\,(n-2)! mesas com adjacência. Portanto

(n−1)!−2 (n−2)!=(n−2)! ((n−1)−2)=(n−3) (n−2)!(n-1)! - 2\,(n-2)! = (n-2)!\,\bigl((n - 1) - 2\bigr) = (n-3)\,(n-2)!

mesas os mantêm separados. Verificações de sanidade: n=3n = 3 dá 00 (em torno de um triângulo, todos se tocam) e n=4n = 4 dá 22, facilmente listadas à mão. O truque da colagem — tratar um bloco forçado como um único objeto e depois contar suas disposições internas — é o remédio usual para restrições de adjacência, lineares ou circulares.

Proposição 2.15 (Identidades básicas)

Para 0≤k≤n0 \leq k \leq n:

(nk)=(nn−k),(nk)=(n−1k−1)+(n−1k)(1≤k≤n−1),∑k=0n(nk)=2n.\binom{n}{k} = \binom{n}{n-k}, \qquad \binom{n}{k} = \binom{n-1}{k-1} + \binom{n-1}{k} \quad (1 \leq k \leq n-1), \qquad \sum_{k=0}^{n} \binom{n}{k} = 2^n .

Demonstração. Primeira identidade: A↦E∖AA \mapsto E \setminus A é uma bijeção entre os kk-subconjuntos e os (n−k)(n-k)-subconjuntos. Regra de Pascal: fixe um elemento a∈Ea \in E; os kk-subconjuntos se repartem entre os que contêm aa (escolha os k−1k - 1 restantes: (n−1k−1)\binom{n-1}{k-1}) e os que evitam aa ((n−1k)\binom{n-1}{k}). Terceira identidade: os dois lados contam todos os subconjuntos de EE, à esquerda separados por tamanho (Proposição 2.8 (1) e (5)). ∎

Teorema 2.16 (Teorema binomial)

Para todos a,ba, b num anel comutativo (digamos R\R ou C\C) e n∈Nn \in \N:

(a+b)n=∑k=0n(nk)akb n−k.(a + b)^n = \sum_{k=0}^{n} \binom{n}{k} a^k b^{\,n-k} .

Demonstração. Expandir (a+b)(a+b)⋯(a+b)(a+b)(a+b)\cdots(a+b) distributivamente produz um termo por escolha, em cada fator, de aa ou de bb: o termo akbn−ka^k b^{n-k} aparece uma vez para cada modo de escolher quais kk dos nn fatores contribuem com aa — isto é, (nk)\binom nk vezes. (Alternativamente: faça indução em nn usando a regra de Pascal.) ∎

Exemplo 2.17

Duas especializações clássicas: a=b=1a = b = 1 recupera ∑k(nk)=2n\sum_k \binom nk = 2^n; a=−1a = -1, b=1b = 1 dá ∑k(−1)k(nk)=0\sum_{k} (-1)^k \binom nk = 0 para n≥1n \geq 1: entre os subconjuntos de um conjunto não vazio, exatamente metade tem cardinalidade par.

Exemplo 2.18 (Uma identidade, duas demonstrações)

A especialização a=2a = 2, b=1b = 1 do teorema binomial diz que

∑k=0n(nk) 2k=3n.\sum_{k=0}^{n} \binom nk\,2^k = 3^n .

Eis a mesma identidade sem álgebra nenhuma. O lado direito conta as palavras de comprimento nn sobre o alfabeto {0,1,2}\{0, 1, 2\} (regra do produto). Classifique cada palavra pelo conjunto KK das posições que carregam uma letra não nula: escolher KK com ∣K∣=k\abs K = k custa (nk)\binom nk, e depois cada posição de KK carrega, independentemente, 11 ou 22: 2k2^k modos. A regra da soma sobre kk dá o lado esquerdo. Além do prazer da concordância, as duas demonstrações têm virtudes diferentes: a algébrica se generaliza a qualquer valor de aa; a combinatória explica a fórmula e se adapta a restrições (proibir a letra 22 na última posição, digamos) que substituição alguma capta. Manter as duas técnicas em atividade é a habilidade prática que este capítulo treina.

Método 2.19 (Que contagem se aplica?)

Antes de calcular, responda a duas perguntas sobre a seleção: a ordem importa e as repetições são permitidas?

a ordem importaa ordem não importa
sem repetiçãon!(n−k)!\dfrac{n!}{(n-k)!}(nk)\dbinom{n}{k}
[6pt] com repetiçãonkn^k(Exercício 2.10)

Depois, procure uma bijeção ou uma partição que reduza o problema a essas contagens modelo; uma contagem correta é uma bijeção disfarçada.

Observação 2.20 (Armadilhas frequentes em contagem)

  1. Somar casos não disjuntos. A regra da soma exige uma partição; se configurações podem satisfazer dois casos ao mesmo tempo, elas são contadas duas vezes — o remédio é a inclusão–exclusão (Teorema 2.24) ou uma separação de casos mais fina.
  2. Ordenado versus não ordenado. Escolher “uma comissão de duas pessoas” é (n2)\binom n2, e não n(n−1)n(n-1): decida antes de calcular se a seleção carrega uma ordem e, se a contagem ordenada for mais fácil, divida no fim pelo número de ordenações — mas só quando cada objeto não ordenado provier do mesmo número de objetos ordenados.
  3. Escolhas em várias etapas que não são independentes. A regra do produto exige que o número de opções em cada etapa seja independente das escolhas anteriores. “Escolha um capitão e depois um vice-capitão diferente” é legítimo (n(n−1)n(n-1)); “escolha dois jogadores que se deem bem” não é de modo algum um produto em duas etapas.
  4. Contagem dupla por construção. Construir cada objeto duas vezes — por exemplo, contar as mãos com pelo menos um ás como (escolher um ás) ×\times (escolher mais 44 cartas) — conta em excesso as mãos com dois ases. “Pelo menos” quase sempre pede o complementar (Exemplo 2.9).

Exemplo 2.21 (Uma contagem de pôquer)

De um baralho de 5252 cartas, o número de mãos de 55 cartas é (525)=2 598 960\binom{52}{5} = 2\,598\,960. Mãos contendo exatamente um ás: escolha o ás (44 modos) e depois 44 cartas entre as 4848 que não são ases: 4(484)=778 3204 \binom{48}{4} = 778\,320. A regra do produto se aplica porque a escolha se divide em etapas independentes.

Método 2.22 (Contagem dupla)

Para demonstrar uma identidade entre duas expressões de contagem, encontre um único conjunto finito que ambos os lados contam — tipicamente um conjunto de pares — e avalie sua cardinalidade em duas ordens diferentes. O protótipo é o lema do aperto de mão: numa festa, conte os pares (pessoa, mão apertada). Somando sobre as pessoas obtém-se ∑pdp\sum_p d_p (o número de apertos de mão de cada pessoa pp); somando sobre os apertos obtém-se o dobro do número de apertos (cada um envolve duas pessoas). Portanto ∑pdp\sum_p d_p é par — de modo que o número de pessoas que apertaram um número ímpar de mãos é sempre par, conclusão não trivial obtida sem fórmula alguma. O mesmo motor aciona o Exercício 2.12 e várias questões do problema de fim de semana abaixo.

Exemplo 2.23 (O subconjunto médio)

Qual é a cardinalidade média de um subconjunto de um conjunto EE de nn elementos, sendo todos os 2n2^n subconjuntos igualmente prováveis? Conte duas vezes os pares (A,a)(A, a) com a∈Aa \in A: somando sobre os subconjuntos obtém-se ∑A∣A∣\sum_A \abs A, o total que queremos; somando sobre os elementos obtém-se n⋅2n−1n \cdot 2^{n-1} (cada um dos nn elementos está em exatamente metade dos subconjuntos — emparelhe cada AA que contém aa com A∖{a}A \setminus \{a\}). Portanto

12n∑A⊆E∣A∣=n 2n−12n=n2:\frac{1}{2^n}\sum_{A \subseteq E} \abs A = \frac{n\,2^{n-1}}{2^n} = \frac n2 :

os subconjuntos estão, em média, pela metade — como a simetria A↔A‾A \leftrightarrow \overline A (que emparelha os tamanhos kk e n−kn - k) também prevê. Duas demonstrações, uma só resposta, e ambas evitam o cálculo direto ∑kk(nk)\sum_k k\binom nk do Exercício 2.5: um emparelhamento bem escolhido substitui muitas vezes uma identidade.

2.4 Inclusão–exclusão

Teorema 2.24 (Inclusão–exclusão)

Para conjuntos finitos A1,…,ApA_1, \dots, A_p:

∣ ⋃i=1pAi ∣=∑∅≠I⊆[ ⁣[1, p] ⁣](−1)∣I∣+1∣ ⋂i∈IAi ∣.\Bigl|\, \bigcup_{i=1}^{p} A_i \,\Bigr| = \sum_{\emptyset \neq I \subseteq \intint{1}{p}} (-1)^{\abs{I}+1} \Bigl|\, \bigcap_{i \in I} A_i \,\Bigr| .

Para p=3p = 3: ∣A∪B∪C∣=∣A∣+∣B∣+∣C∣−∣A∩B∣−∣A∩C∣−∣B∩C∣+∣A∩B∩C∣\abs{A \cup B \cup C} = \abs A + \abs B + \abs C - \abs{A \cap B} - \abs{A \cap C} - \abs{B \cap C} + \abs{A \cap B \cap C}.

Demonstração. Fixe um elemento xx da união e conte a sua contribuição ao lado direito. Seja J={i:x∈Ai}J = \{i : x \in A_i\}, de cardinalidade m≥1m \geq 1. O elemento xx é contado uma vez em ∣⋂i∈IAi∣\abs{\bigcap_{i \in I} A_i} exatamente quando ∅≠I⊆J\emptyset \neq I \subseteq J, com sinal (−1)∣I∣+1(-1)^{\abs I + 1}; sua contribuição total é

∑k=1m(mk)(−1)k+1=1−∑k=0m(mk)(−1)k=1−0=1\sum_{k=1}^{m} \binom{m}{k} (-1)^{k+1} = 1 - \sum_{k=0}^{m} \binom mk (-1)^k = 1 - 0 = 1

pelo Exemplo 2.17. Assim, cada elemento da união é contado exatamente uma vez. ∎

Exemplo 2.25 (Contando os inteiros coprimos)

Quantos inteiros de [ ⁣[1, 120] ⁣]\intint1{120} são coprimos com 120=23×3×5120 = 2^3 \times 3 \times 5? Um inteiro tem um fator comum com 120120 exatamente quando é divisível por 22, 33 ou 55; conte então o complementar de A2∪A3∪A5A_2 \cup A_3 \cup A_5, em que AdA_d reúne os múltiplos de dd. Dentro de [ ⁣[1, 120] ⁣]\intint1{120}, os múltiplos de dd somam 120/d120/d sempre que dd divide 120120 — sem necessidade de partes inteiras — e A2∩A3=A6A_2 \cap A_3 = A_6, etc. Inclusão–exclusão:

∣A2∪A3∪A5∣=60+40+24−20−12−8+4=88,\abs{A_2 \cup A_3 \cup A_5} = 60 + 40 + 24 - 20 - 12 - 8 + 4 = 88 ,

de modo que 120−88=32120 - 88 = 32 inteiros são coprimos com 120120. É instrutivo reagrupar o cálculo como um produto:

120−88=120(1−12)(1−13)(1−15)=120⋅12⋅23⋅45=32:120 - 88 = 120\Bigl(1 - \frac12\Bigr)\Bigl(1 - \frac13\Bigr)\Bigl(1 - \frac15\Bigr) = 120 \cdot \frac12 \cdot \frac23 \cdot \frac45 = 32 :

expandir os três parênteses reproduz exatamente os oito termos com sinal da inclusão–exclusão, um por subconjunto de {2,3,5}\{2, 3, 5\}. Essa forma de produto define a função totiente de Euler, cujo papel aritmético aparece com as congruências do Capítulo 6 e é desenvolvido no volume do segundo ano de graduação.

Exemplo 2.26 (Desarranjos)

Um desarranjo é uma permutação sem ponto fixo. Seja AiA_i o conjunto das permutações de [ ⁣[1, n] ⁣]\intint{1}{n} que fixam ii; então ∣⋂i∈IAi∣=(n−∣I∣)!\abs{\bigcap_{i \in I} A_i} = (n - \abs I)!, e a inclusão–exclusão conta as permutações com pelo menos um ponto fixo; os desarranjos somam

Dn=n!∑k=0n(−1)kk!.D_n = n! \sum_{k=0}^{n} \frac{(-1)^k}{k!} .

Como ∑(−1)k/k!→e−1\sum (-1)^k / k! \to \eu^{-1} (veja o Capítulo 17), cerca de 37%37\% de todas as permutações são desarranjos, seja qual for nn.

Observação 2.27 (Onde este capítulo é usado)

Os coeficientes binomiais são os objetos deste capítulo mais reutilizados: eles conduzem o teorema binomial no Capítulo 8 (expansão de (X+a)n(X + a)^n), a fórmula de Leibniz para a nn-ésima derivada de um produto no Capítulo 14 e os coeficientes das expansões de Taylor no Capítulo 16. As permutações voltam como um grupo — com o sinal construído a partir da contagem das inversões — no Capítulo 7, e o sinal, por sua vez, define os determinantes no Capítulo 22. A inclusão–exclusão e os princípios de contagem são a espinha dorsal finita da probabilidade discreta, desenvolvida no volume do segundo ano de graduação; os números de desarranjos do Exemplo 2.26 são estudados a fundo no problema de fim de semana abaixo.

2.5 Exercícios

Exercício 2.1 ★

Uma placa de veículo é formada por duas letras (A–Z), depois três algarismos e depois duas letras. Quantas placas são possíveis? E quantas sem letra repetida entre as quatro?

Solução

Solução de Exercício 2.1.

Etapas independentes e regra do produto: 262×103×262=264×1000=456 976 00026^2 \times 10^3 \times 26^2 = 26^4 \times 1000 = 456\,976\,000 placas. Com as quatro letras duas a duas distintas, as etapas das letras formam um 44-arranjo do alfabeto: 26×25×24×23=358 80026 \times 25 \times 24 \times 23 = 358\,800 modos, logo 358 800×1000=358 800 000358\,800 \times 1000 = 358\,800\,000 placas.

Exercício 2.2 ★

Quantos anagramas (rearranjos das letras, com ou sem sentido) tem a palavra orange? E banana?

Solução

Solução de Exercício 2.2.

orange tem 66 letras distintas: 6!=7206! = 720 anagramas. banana tem 66 letras com repetições (33 letras a, 22 letras n, 11 letra b): cada anagrama fica determinado pelas posições dos a ((63)\binom 63 escolhas), depois dos n entre os 33 lugares restantes ((32)\binom 32), ficando o b com o último lugar: (63)(32)=20×3=60\binom{6}{3}\binom{3}{2} = 20 \times 3 = 60 anagramas (equivalentemente, 6!/(3! 2! 1!)=606!/(3!\,2!\,1!) = 60).

Exercício 2.3 ★

Uma comissão de 44 pessoas é escolhida entre 77 mulheres e 55 homens. Quantas comissões há: no total? com exatamente 22 mulheres? com pelo menos um homem?

Solução

Solução de Exercício 2.3.

Total: (124)=495\binom{12}{4} = 495. Exatamente 22 mulheres: escolha-as ((72)=21\binom 72 = 21) e 22 homens ((52)=10\binom 52 = 10): 210210 comissões. Pelo menos um homem: complementar de “nenhum homem”, (124)−(74)=495−35=460\binom{12}{4} - \binom{7}{4} = 495 - 35 = 460.

Exercício 2.4 ★

Demonstre que, em qualquer grupo de 1313 pessoas, duas fazem aniversário no mesmo mês; e que, entre quaisquer n+1n + 1 inteiros escolhidos em [ ⁣[1, 2n] ⁣]\intint{1}{2n}, dois são consecutivos. (Casa dos pombos nas duas vezes: nomeie as casas.)

Solução

Solução de Exercício 2.4.

Aniversários: as casas são os 1212 meses; 1313 pessoas em 1212 casas forçam duas na mesma casa (Corolário 2.3).

Inteiros consecutivos: as casas são os nn pares {1,2},{3,4},…,{2n−1,2n}\{1,2\}, \{3,4\}, \dots, \{2n-1, 2n\}, que formam uma partição de [ ⁣[1, 2n] ⁣]\intint{1}{2n}. Escolher n+1n + 1 inteiros coloca dois no mesmo par, e os dois elementos de um par são consecutivos.

Exercício 2.5 ★

Calcule ∑k=0nk(nk)\sum_{k=0}^{n} k \binom{n}{k}. Sugestão: derive (1+x)n(1 + x)^n, ou use k(nk)=n(n−1k−1)k \binom nk = n \binom{n-1}{k-1} (demonstre esta igualdade).

Solução

Solução de Exercício 2.5.

Para 1≤k≤n1 \leq k \leq n,

k(nk)=k n!k! (n−k)!=n (n−1)!(k−1)! (n−k)!=n(n−1k−1).k \binom nk = k\,\frac{n!}{k!\,(n-k)!} = n\,\frac{(n-1)!}{(k-1)!\,(n-k)!} = n \binom{n-1}{k-1}.

Somando e reindexando com j=k−1j = k - 1:

∑k=0nk(nk)=n∑j=0n−1(n−1j)=n 2n−1\sum_{k=0}^{n} k \binom nk = n \sum_{j=0}^{n-1} \binom{n-1}{j} = n\, 2^{n-1}

pela Proposição 2.15. (Alternativa: derive (1+x)n=∑k(nk)xk(1+x)^n = \sum_k \binom nk x^k e faça x=1x = 1.)

Exercício 2.6 ★★

Quantas aplicações estritamente crescentes existem de [ ⁣[1, k] ⁣]\intint{1}{k} em [ ⁣[1, n] ⁣]\intint{1}{n}? Deduza o número de aplicações crescentes (não necessariamente estritamente). Sugestão para a segunda contagem: ff crescente ↦\mapsto g(i)=f(i)+i−1g(i) = f(i) + i - 1.

Solução

Solução de Exercício 2.6.

Uma aplicação estritamente crescente f ⁣:[ ⁣[1, k] ⁣]→[ ⁣[1, n] ⁣]f \colon \intint{1}{k} \to \intint{1}{n} fica determinada por sua imagem, um kk-subconjunto de [ ⁣[1, n] ⁣]\intint{1}{n} (liste o subconjunto em ordem crescente); reciprocamente, todo kk-subconjunto dá exatamente uma aplicação desse tipo. Portanto, há (nk)\binom nk aplicações estritamente crescentes.

Se ff é apenas crescente, ponha g(i)=f(i)+i−1g(i) = f(i) + i - 1. Então gg é estritamente crescente (entre argumentos consecutivos, ff ganha ≥0\geq 0 e i−1i - 1 ganha 11), com valores em [ ⁣[1, n+k−1] ⁣]\intint{1}{n + k - 1}; e f(i)=g(i)−i+1f(i) = g(i) - i + 1 recupera ff a partir de qualquer gg estritamente crescente em [ ⁣[1, n+k−1] ⁣]\intint{1}{n+k-1}. Isso é uma bijeção, de modo que há (n+k−1k)\binom{n + k - 1}{k} aplicações crescentes.

Exercício 2.7 ★★

(Vandermonde) Demonstre, contando os kk-subconjuntos de um conjunto repartido em dois blocos de tamanhos mm e nn:

(m+nk)=∑j=0k(mj)(nk−j).\binom{m+n}{k} = \sum_{j=0}^{k} \binom{m}{j} \binom{n}{k-j} .

Deduza que ∑j=0n(nj)2=(2nn)\sum_{j=0}^{n} \binom nj^2 = \binom{2n}{n}.

Solução

Solução de Exercício 2.7.

Reparta um conjunto EE com m+nm + n elementos em blocos MM (mm elementos) e NN (nn elementos). Um kk-subconjunto de EE contém certos jj elementos de MM (0≤j≤k0 \leq j \leq k) e k−jk - j de NN; para jj fixado há (mj)(nk−j)\binom mj \binom{n}{k-j} subconjuntos desses, e os casos j=0,…,kj = 0, \dots, k repartem os kk-subconjuntos. A regra da soma dá a identidade de Vandermonde.

Com m=n=km = n = k: (2nn)=∑j=0n(nj)(nn−j)=∑j=0n(nj)2\binom{2n}{n} = \sum_{j=0}^{n} \binom nj \binom{n}{n-j} = \sum_{j=0}^{n} \binom nj^2, usando (nn−j)=(nj)\binom{n}{n-j} = \binom nj.

Exercício 2.8 ★★

Quantos inteiros de [ ⁣[1, 1000] ⁣]\intint{1}{1000} são divisíveis por 22, por 33 ou por 55? (Inclusão–exclusão; ⌊1000/6⌋\lfloor 1000/6 \rfloor conta os múltiplos de 66, etc.)

Solução

Solução de Exercício 2.8.

Seja AdA_d o conjunto dos múltiplos de dd em [ ⁣[1, 1000] ⁣]\intint{1}{1000}, de modo que ∣Ad∣=⌊1000/d⌋\abs{A_d} = \lfloor 1000/d \rfloor. Inclusão–exclusão (Teorema 2.24) com A2,A3,A5A_2, A_3, A_5, notando que A2∩A3=A6A_2 \cap A_3 = A_6, etc.:

500+333+200−166−100−66+33=734.500 + 333 + 200 - 166 - 100 - 66 + 33 = 734 .

Logo 734734 inteiros são divisíveis por 22, 33 ou 55.

Exercício 2.9 ★★

Conte as sobrejeções de um conjunto de 44 elementos sobre um conjunto de 22 elementos; depois sobre um conjunto de 33 elementos. Sugestão: conte as aplicações não sobrejetivas com inclusão–exclusão sobre os valores não atingidos.

Solução

Solução de Exercício 2.9.

Sobre 22 elementos: todas as 24=162^4 = 16 aplicações, exceto as 22 constantes: 1414 sobrejeções.

Sobre 33 elementos: por inclusão–exclusão sobre os valores não atingidos, o número de aplicações de um conjunto de 44 elementos num de 33 que deixam de fora pelo menos um valor é (31)24−(32)14=48−3=45\binom 31 2^4 - \binom 32 1^4 = 48 - 3 = 45; total de aplicações: 34=813^4 = 81; sobrejeções: 81−45=3681 - 45 = 36. (Verificação: uma sobrejeção de 44 sobre 33 elementos duplica exatamente um valor: escolha o valor duplicado (33), o par que é enviado a ele ((42)=6\binom 42 = 6) e uma bijeção para o resto (22): 3×6×2=363 \times 6 \times 2 = 36.)

Exercício 2.10 ★★

(Estrelas e barras) Demonstre que o número de kk-seleções de nn objetos com repetição, ignorando a ordem — equivalentemente, o número de (x1,…,xn)∈Nn(x_1, \dots, x_n) \in \N^n com x1+⋯+xn=kx_1 + \dots + x_n = k — é (n+k−1k)\binom{n + k - 1}{k}. Sugestão: codifique uma solução como uma fila de kk estrelas e n−1n - 1 barras.

Solução

Solução de Exercício 2.10.

Uma solução de x1+⋯+xn=kx_1 + \dots + x_n = k em Nn\N^n codifica-se como uma fila de kk estrelas e n−1n - 1 barras: escreva x1x_1 estrelas, uma barra, x2x_2 estrelas, uma barra, …, terminando com xnx_n estrelas. Isso é uma bijeção sobre as palavras de comprimento k+n−1k + n - 1 com kk estrelas e n−1n - 1 barras, e essas palavras ficam determinadas pelas posições das estrelas: (n+k−1k)\binom{n + k - 1}{k}. As seleções com repetição correspondem a soluções da equação (xix_i = número de cópias do objeto ii), de modo que a contagem é a mesma.

Exercício 2.11 ★★★

Demonstre em detalhe a fórmula do Exemplo 2.26 para DnD_n e deduza que n!=∑k=0n(nk)Dn−kn! = \sum_{k=0}^{n} \binom{n}{k} D_{n-k} (demonstre também esta identidade diretamente, classificando as permutações pelo seu conjunto de pontos fixos).

Solução

Solução de Exercício 2.11.

Com Ai={σ:σ(i)=i}A_i = \{\sigma : \sigma(i) = i\}, uma permutação de ⋂i∈IAi\bigcap_{i \in I} A_i fixa todo i∈Ii \in I e permuta livremente os outros n−∣I∣n - \abs I pontos: ∣⋂i∈IAi∣=(n−∣I∣)!\abs{\bigcap_{i \in I} A_i} = (n - \abs I)!. Inclusão–exclusão:

∣⋃iAi∣=∑k=1n(−1)k+1(nk)(n−k)!=∑k=1n(−1)k+1n!k!,\Bigl|\bigcup_i A_i\Bigr| = \sum_{k=1}^{n} (-1)^{k+1} \binom nk (n-k)! = \sum_{k=1}^{n} (-1)^{k+1} \frac{n!}{k!} ,

pois há (nk)\binom nk subconjuntos II de tamanho kk. Portanto

Dn=n!−∣⋃iAi∣=n!(1−∑k=1n(−1)k+1k!)=n!∑k=0n(−1)kk!.D_n = n! - \Bigl|\bigcup_i A_i\Bigr| = n!\Bigl(1 - \sum_{k=1}^{n} \frac{(-1)^{k+1}}{k!}\Bigr) = n! \sum_{k=0}^{n} \frac{(-1)^k}{k!} .

Para a segunda identidade: classifique as permutações σ\sigma de [ ⁣[1, n] ⁣]\intint{1}{n} pelo seu conjunto de pontos fixos F(σ)F(\sigma). Para um kk-subconjunto FF fixado, as permutações com F(σ)=FF(\sigma) = F são exatamente os desarranjos do complementar: Dn−kD_{n-k} delas. Somando sobre as (nk)\binom nk escolhas de FF para cada kk: n!=∑k=0n(nk)Dn−kn! = \sum_{k=0}^{n} \binom nk D_{n-k}.

Exercício 2.12 ★★★

Para n∈N∗n \in \N^*, demonstre por uma contagem dupla de pares (subconjunto, elemento marcado):

∑k=1nk(nk)=n 2n−1,enta˜o∑k=1nk2(nk)=n(n+1) 2n−2.\sum_{k=1}^{n} k \binom{n}{k} = n\, 2^{n-1}, \qquad\text{então}\qquad \sum_{k=1}^{n} k^2 \binom{n}{k} = n(n+1)\, 2^{n-2} .

Para a segunda: conte pares de elementos marcados, iguais ou não.

Solução

Solução de Exercício 2.12.

Primeira identidade. Conte os pares (A,a)(A, a) com A⊆EA \subseteq E (∣E∣=n\abs E = n) e a∈Aa \in A. Pelo tamanho de AA: ∑k(nk)k\sum_k \binom nk k pares. Escolhendo primeiro o elemento marcado: nn escolhas para aa e depois um subconjunto qualquer dos n−1n - 1 elementos restantes para completar AA: n 2n−1n\,2^{n-1} pares.

Segunda identidade. Conte as triplas (A,a,b)(A, a, b) com a,b∈Aa, b \in A (podendo ser a=ba = b). Pelo tamanho: ∑kk2(nk)\sum_k k^2 \binom nk. Diretamente: ou a=ba = b (n 2n−1n\,2^{n-1} triplas, contagem anterior), ou a≠ba \neq b (n(n−1)n(n-1) escolhas ordenadas e depois um subconjunto qualquer dos outros n−2n - 2 elementos: n(n−1) 2n−2n(n-1)\,2^{n-2}). Total

n 2n−1+n(n−1) 2n−2=n 2n−2 (2+n−1)=n(n+1) 2n−2.n\,2^{n-1} + n(n-1)\,2^{n-2} = n\,2^{n-2}\,(2 + n - 1) = n(n+1)\,2^{n-2} .

2.6 Problema: Desarranjos, ou as cartas trocadas

Problema 2.1

Uma secretária coloca nn cartas em nn envelopes endereçados ao acaso: qual é a chance de que ninguém receba a carta certa? Esta questão clássica (Montmort, 1708) leva aos números de desarranjos DnD_n do Exemplo 2.26. A fórmula de inclusão–exclusão é apenas a jogada de abertura: este problema desenvolve as recorrências que calculam DnD_n, duas outras demonstrações independentes da fórmula, o notável teorema de que DnD_n é o inteiro mais próximo de n!/en!/\eu, a distribuição completa dos pontos fixos de uma permutação aleatória e a curiosa aritmética da sequência (Dn)(D_n). Ao longo do problema, DnD_n denota o número de desarranjos (permutações sem pontos fixos) de [ ⁣[1, n] ⁣]\intint1n, com a convenção D0=1D_0 = 1 (a permutação vazia não tem ponto fixo).

Parte I — Casos pequenos e o censo dos pontos fixos.

  1. Calcule D1,D2,D3D_1, D_2, D_3 diretamente, e D4D_4 listando os desarranjos de {1,2,3,4}\{1, 2, 3, 4\} agrupados pelo valor de σ(1)\sigma(1). (Você deve encontrar D4=9D_4 = 9.)
  2. Para 0≤k≤n0 \leq k \leq n, mostre que o número Pk(n)P_k(n) de permutações de [ ⁣[1, n] ⁣]\intint1n com exatamente kk pontos fixos é (nk)Dn−k\binom nk D_{n-k}.
  3. Verifique o censo para n=4n = 4: calcule P0(4),…,P4(4)P_0(4), \dots, P_4(4) e confira que a soma é 4!=244! = 24. O que é mais provável com quatro cartas: nenhum acerto ou exatamente um?
  4. Por contagem dupla (Método 2.22) dos pares (σ,i)(\sigma, i) com σ(i)=i\sigma(i) = i, mostre que

    ∑σ∣Fix(σ)∣=n!:\sum_{\sigma} \abs{\mathrm{Fix}(\sigma)} = n! :

    em média, uma permutação aleatória tem exatamente um ponto fixo, seja qual for n≥1n \geq 1.

Parte II — Duas recorrências e duas novas demonstrações da fórmula.

  1. Demonstre combinatoriamente, para n≥1n \geq 1:

    Dn+1=n (Dn+Dn−1).D_{n+1} = n\,(D_n + D_{n-1}) .

    (Classifique os desarranjos σ\sigma de [ ⁣[1, n+1] ⁣]\intint1{n+1} por j=σ(n+1)j = \sigma(n+1) e depois conforme σ(j)=n+1\sigma(j) = n + 1 ou não; no caso σ(j)≠n+1\sigma(j) \neq n+1, construa uma bijeção com os desarranjos de [ ⁣[1, n] ⁣]\intint1n redirecionando a pré-imagem de n+1n + 1 para jj.) Verifique a recorrência numericamente até D6D_6.

  2. Pondo un=Dn−nDn−1u_n = D_n - n D_{n-1}, deduza da questão 5 que un+1=−unu_{n+1} = -u_n, e conclua a segunda recorrência:

    Dn=nDn−1+(−1)n(n≥1).D_n = n D_{n-1} + (-1)^n \qquad (n \geq 1).
  3. A partir da questão 6, demonstre por indução a fórmula do Exemplo 2.26,

    Dn=n!∑k=0n(−1)kk!,D_n = n! \sum_{k=0}^{n} \frac{(-1)^k}{k!},

    — demonstração inteiramente independente da inclusão–exclusão.

  4. (Inversão binomial) Sejam (an)(a_n) e (bn)(b_n) duas sequências tais que an=∑k=0n(nk)bka_n = \sum_{k=0}^n \binom nk b_k para todo nn. Demonstre que

    bn=∑k=0n(−1)n−k(nk)ak(n∈N).b_n = \sum_{k=0}^{n} (-1)^{n-k} \binom nk a_k \qquad (n \in \N).

    (Estabeleça primeiro a revisão trinomial (nk)(kj)=(nj)(n−jk−j)\binom nk \binom kj = \binom nj \binom{n-j}{k-j}, e depois use a soma alternada de uma linha do Exemplo 2.17.)

  5. Aplique a questão 8 à identidade n!=∑k(nk)Dn−kn! = \sum_k \binom nk D_{n-k} do Exercício 2.11 para obter uma terceira demonstração da fórmula de DnD_n.

Parte III — O inteiro mais próximo de n!/en!/\eu. Admita nesta parte — a teoria é construída no Capítulo 17 — que e−1=lim⁡n→∞sn\eu^{-1} = \lim_{n \to \infty} s_n, em que sn=∑k=0n(−1)kk!s_n = \sum_{k=0}^{n} \frac{(-1)^k}{k!}, com a estimativa estrita das séries alternadas ∣e−1−sn∣<1(n+1)!\abs{\eu^{-1} - s_n} < \frac1{(n+1)!} para todo nn.

  1. Mostre que ∣Dn−n!/e∣<1n+1\bigl| D_n - n!/\eu \bigr| < \frac1{n+1} para todo n∈Nn \in \N.
  2. Deduza o teorema central: para todo n≥1n \geq 1, DnD_n é o inteiro mais próximo de n!/en!/\eu. Por que o argumento precisa de n≥1n \geq 1?
  3. Determine o sinal do erro: mostre que Dn>n!/eD_n > n!/\eu exatamente quando nn é par. (Localize o primeiro termo desprezado da série alternada.)
  4. Calcule D7D_7 até D10D_{10} com a recorrência da questão 5 e depois confira D10D_{10} contra 10!/e10!/\eu (10!=3 628 80010! = 3\,628\,800, e≈2.718281828\eu \approx 2.718281828).
  5. (A probabilidade do chapeleiro) Seja pn=Dn/n!p_n = D_n/n! a probabilidade de que uma permutação uniformemente aleatória seja um desarranjo. Mostre que ∣pn−e−1∣<1(n+1)!\abs{p_n - \eu^{-1}} < \frac1{(n+1)!} e calcule p6p_6 com cinco casas decimais. Comente: por que a resposta à questão de Montmort é essencialmente independente de nn — já para uma dúzia de cartas?

Parte IV — A distribuição dos pontos fixos.

  1. Fixe k∈Nk \in \N. Mostre que a proporção das permutações de [ ⁣[1, n] ⁣]\intint1n com exatamente kk pontos fixos satisfaz

    Pk(n)n!=sn−kk!  →n→∞  e−1k!.\frac{P_k(n)}{n!} = \frac{s_{n-k}}{k!} \;\xrightarrow[n \to \infty]{}\; \frac{\eu^{-1}}{k!} .

    (Esses valores-limite, cuja soma é 11, formam a distribuição de Poisson de parâmetro 11, objeto central do curso de probabilidade do volume do segundo ano de graduação.)

  2. Por contagem dupla das triplas (σ,i,j)(\sigma, i, j), em que i≠ji \neq j são ambos fixados por σ\sigma, mostre que ∑σ∣Fix(σ)∣ (∣Fix(σ)∣−1)=n!\sum_\sigma \abs{\mathrm{Fix}(\sigma)}\, (\abs{\mathrm{Fix}(\sigma)} - 1) = n! para n≥2n \geq 2. Combinado com a questão 4: a média de ∣Fix∣2\abs{\mathrm{Fix}}^2 é 22, de modo que a “dispersão” (variância) do número de pontos fixos vale 11 — de novo independentemente de nn, de novo em acordo com a lei de Poisson.
  3. Calcule a proporção das permutações que têm pelo menos um ponto fixo para n=4,5,6n = 4, 5, 6 (em frações e com quatro casas decimais) e compare com 1−e−1≈0.63211 - \eu^{-1} \approx 0.6321.
  4. Mostre diretamente — sem precisar de limites — que sn+2−sn=(−1)n+1(1(n+1)!−1(n+2)!)s_{n+2} - s_n = (-1)^{n+1}\bigl(\frac1{(n+1)!} - \frac1{(n+2)!}\bigr), e deduza que as probabilidades pn=snp_n = s_n da questão 14 oscilam: p0>p2>p4>…p_0 > p_2 > p_4 > \dots e p1<p3<p5<…p_1 < p_3 < p_5 < \dots, os valores pares (resp. ímpares) decrescendo (resp. crescendo) rumo ao limite comum e−1\eu^{-1}.
  5. (Amigo oculto) nn pessoas tiram, cada uma, um nome de um chapéu; se alguém tira o próprio nome, o sorteio inteiro é reiniciado do zero. Usando o fato usual de que um evento de probabilidade pp exige em média 1/p1/p tentativas, estime o número médio de sorteios completos necessários e conclua que o procedimento custa cerca de e≈2.72\eu \approx 2.72 sorteios em média, essencialmente de modo independente de nn.

Parte V — A aritmética de DnD_n, e uma síntese.

  1. Refine a questão 5: mostre que, para j∈[ ⁣[2, n] ⁣]j \in \intint2n fixado, os desarranjos de [ ⁣[1, n] ⁣]\intint1n com σ(1)=j\sigma(1) = j somam exatamente Dn−1+Dn−2D_{n-1} + D_{n-2}, independentemente de jj. Deduza que n−1n - 1 divide DnD_n para todo n≥2n \geq 2.
  2. Demonstre que DnD_n é ímpar se, e somente se, nn é par. (Trabalhe módulo 22 na recorrência da questão 6.)
  3. Demonstre que Dn≡(−1)n(modn)D_n \equiv (-1)^n \pmod n para n≥1n \geq 1 e confira a congruência no último algarismo de D10D_{10}.
  4. Mostre, a partir da questão 6, que DnDn−1=n+(−1)nDn−1\dfrac{D_n}{D_{n-1}} = n + \dfrac{(-1)^n}{D_{n-1}} para n≥3n \geq 3, de modo que a razão entre números de desarranjos consecutivos é quase exatamente nn; explique em uma frase por que isso é coerente com Dn≈n!/eD_n \approx n!/\eu.
  5. Onde exatamente este problema usou: (i) as regras do produto e da soma; (ii) a contagem dupla; (iii) o teorema binomial; (iv) a estimativa admitida das séries alternadas? Uma frase para cada.
  6. Síntese. A fórmula de DnD_n tem agora três demonstrações (inclusão–exclusão, recorrência mais indução, inversão binomial). Num parágrafo curto, compare o que cada demonstração explica: qual delas calcula mais rápido, qual se generaliza a outras contagens de pontos fixos e qual revela por que e\eu aparece num problema sobre envelopes.
Solução

Solução de Problema 2.1.

1. D1=0D_1 = 0 (a única permutação fixa 11), D2=1D_2 = 1 (a troca), D3=2D_3 = 2 (em notação de uma linha: 231231 e 312312). Para n=4n = 4, agrupe por σ(1)\sigma(1): com σ(1)=2\sigma(1) = 2 os desarranjos são 21432143, 23412341, 24132413; com σ(1)=3\sigma(1) = 3: 31423142, 34123412, 34213421; com σ(1)=4\sigma(1) = 4: 41234123, 43124312, 43214321. Três em cada grupo: D4=9D_4 = 9.

2. Uma permutação com exatamente kk pontos fixos fica determinada pela escolha do seu conjunto de pontos fixos FF ((nk)\binom nk modos) junto com a sua restrição ao complementar, que deve ser uma permutação de n−kn - k pontos sem ponto fixo (Dn−kD_{n-k} modos). As duas escolhas são independentes e a correspondência é bijetiva: Pk(n)=(nk)Dn−kP_k(n) = \binom nk D_{n-k}.

3. P0(4)=D4=9P_0(4) = D_4 = 9; P1(4)=(41)D3=4×2=8P_1(4) = \binom41 D_3 = 4 \times 2 = 8; P2(4)=(42)D2=6P_2(4) = \binom42 D_2 = 6; P3(4)=(43)D1=0P_3(4) = \binom43 D_1 = 0 (três pontos fixos forçam um quarto); P4(4)=1P_4(4) = 1. Soma: 9+8+6+0+1=24=4!9 + 8 + 6 + 0 + 1 = 24 = 4!. Nenhum acerto (99 casos) supera exatamente um acerto (88 casos) — por pouco.

4. Conte os pares (σ,i)(\sigma, i) com σ(i)=i\sigma(i) = i. Para ii fixado, as permutações que fixam ii são as permutações dos outros n−1n - 1 pontos: (n−1)!(n-1)! delas. Portanto, o número de pares é n⋅(n−1)!=n!n \cdot (n-1)! = n!, e esse número é também ∑σ∣Fix(σ)∣\sum_\sigma \abs{\mathrm{Fix}(\sigma)}. Dividindo pelo número n!n! de permutações: o número médio de pontos fixos é exatamente 11, para todo n≥1n \geq 1.

5. Seja σ\sigma um desarranjo de [ ⁣[1, n+1] ⁣]\intint1{n+1} e j=σ(n+1)∈[ ⁣[1, n] ⁣]j = \sigma(n+1) \in \intint1n: nn valores possíveis. Caso σ(j)=n+1\sigma(j) = n+1: os pontos jj e n+1n+1 se trocam, e σ\sigma restrito aos n−1n - 1 pontos restantes é um desarranjo arbitrário deles: Dn−1D_{n-1} possibilidades. Caso σ(j)≠n+1\sigma(j) \neq n+1: seja i0=σ−1(n+1)i_0 = \sigma^{-1}(n+1); aqui i0≠ji_0 \neq j e i0≤ni_0 \leq n. Defina τ\tau em [ ⁣[1, n] ⁣]\intint1n por τ(i)=σ(i)\tau(i) = \sigma(i) para i≠i0i \neq i_0 e τ(i0)=j\tau(i_0) = j. Então τ\tau é uma permutação de [ ⁣[1, n] ⁣]\intint1n (o valor n+1n+1 foi substituído pelo valor jj, que estava faltando), e é um desarranjo: τ(i0)=j≠i0\tau(i_0) = j \neq i_0 e τ(i)=σ(i)≠i\tau(i) = \sigma(i) \neq i nos demais pontos. Reciprocamente, a partir de um desarranjo τ\tau de [ ⁣[1, n] ⁣]\intint1n e do valor jj, recupera-se σ\sigma pondo σ(n+1)=j\sigma(n+1) = j, σ(τ−1(j))=n+1\sigma(\tau^{-1}(j)) = n+1 e σ=τ\sigma = \tau nos demais pontos: uma bijeção, o que dá DnD_n possibilidades. Somando sobre jj: Dn+1=n(Dn+Dn−1)D_{n+1} = n(D_n + D_{n-1}). Numericamente: D5=4(9+2)=44D_5 = 4(9 + 2) = 44, D6=5(44+9)=265D_6 = 5(44 + 9) = 265.

6. Da questão 5, Dn+1=nDn+nDn−1D_{n+1} = nD_n + nD_{n-1}, logo

un+1=Dn+1−(n+1)Dn=nDn+nDn−1−(n+1)Dn=−(Dn−nDn−1)=−un.u_{n+1} = D_{n+1} - (n+1)D_n = nD_n + nD_{n-1} - (n+1)D_n = -(D_n - nD_{n-1}) = -u_n .

Como u1=D1−1⋅D0=−1u_1 = D_1 - 1 \cdot D_0 = -1, a indução dá un=(−1)nu_n = (-1)^n, isto é, Dn=nDn−1+(−1)nD_n = nD_{n-1} + (-1)^n para n≥1n \geq 1.

7. Indução em nn. Base: D0=1=0! s0D_0 = 1 = 0!\,s_0. Passo: supondo Dn−1=(n−1)! sn−1D_{n-1} = (n-1)!\,s_{n-1},

Dn=nDn−1+(−1)n=n! sn−1+(−1)n=n!(sn−1+(−1)nn!)=n! sn,D_n = nD_{n-1} + (-1)^n = n!\,s_{n-1} + (-1)^n = n!\Bigl(s_{n-1} + \frac{(-1)^n}{n!}\Bigr) = n!\,s_n ,

que é a fórmula. Nenhuma inclusão–exclusão foi usada: apenas a recorrência combinatória da questão 5.

8. Revisão trinomial, por fatoriais:

(nk)(kj)=n!k! (n−k)!⋅k!j! (k−j)!=n!j! (n−j)!⋅(n−j)!(k−j)! (n−k)!=(nj)(n−jk−j).\binom nk \binom kj = \frac{n!}{k!\,(n-k)!} \cdot \frac{k!}{j!\,(k-j)!} = \frac{n!}{j!\,(n-j)!} \cdot \frac{(n-j)!}{(k-j)!\,(n-k)!} = \binom nj \binom{n-j}{k-j} .

Agora substitua ak=∑j(kj)bja_k = \sum_j \binom kj b_j e troque as duas somas finitas:

∑k=0n(−1)n−k(nk)ak=∑j=0nbj(nj)∑k=jn(−1)n−k(n−jk−j)=∑j=0nbj(nj)∑i=0n−j(−1)(n−j)−i(n−ji).\sum_{k=0}^{n} (-1)^{n-k} \binom nk a_k = \sum_{j=0}^{n} b_j \binom nj \sum_{k=j}^{n} (-1)^{n-k} \binom{n-j}{k-j} = \sum_{j=0}^{n} b_j \binom nj \sum_{i=0}^{n-j} (-1)^{(n-j)-i} \binom{n-j}{i} .

A soma interna é a expansão de (1+(−1))n−j=0n−j(1 + (-1))^{n-j} = 0^{n-j} (teorema binomial, Teorema 2.16): ela se anula para j<nj < n e vale 11 para j=nj = n. Só j=nj = n sobrevive, e o lado direito é bnb_n, como afirmado.

9. Pela simetria (nk)=(nn−k)\binom nk = \binom n{n-k}, a identidade do Exercício 2.11 reescreve-se como n!=∑k=0n(nk)Dkn! = \sum_{k=0}^n \binom nk D_k. Aplique a questão 8 com an=n!a_n = n! e bk=Dkb_k = D_k:

Dn=∑k=0n(−1)n−k(nk)k!=∑k=0n(−1)n−kn!(n−k)!=n!∑j=0n(−1)jj!,D_n = \sum_{k=0}^{n} (-1)^{n-k} \binom nk k! = \sum_{k=0}^{n} (-1)^{n-k} \frac{n!}{(n-k)!} = n! \sum_{j=0}^{n} \frac{(-1)^j}{j!} ,

reindexando por j=n−kj = n - k: a fórmula pela terceira vez.

10. Dn=n! snD_n = n!\,s_n (questão 7), logo

∣Dn−n!e∣=n! ∣sn−e−1∣<n!(n+1)!=1n+1.\Bigl| D_n - \frac{n!}{\eu} \Bigr| = n!\,\abs{s_n - \eu^{-1}} < \frac{n!}{(n+1)!} = \frac1{n+1} .

11. Para n≥1n \geq 1, 1n+1≤12\frac1{n+1} \leq \frac12, e a desigualdade da questão 10 é estrita: DnD_n está a distância <12< \frac12 de n!/en!/\eu, logo é o único inteiro mais próximo. Para n=0n = 0 a estimativa só dá distância <1< 1 e, de fato, a afirmação falha aí: 0!/e≈0.3680!/\eu \approx 0.368 tem como inteiro mais próximo 00, ao passo que D0=1D_0 = 1.

12. e−1−sn=∑k≥n+1(−1)k/k!\eu^{-1} - s_n = \sum_{k \geq n+1} (-1)^k/k! é uma série alternada com termos estritamente decrescentes, de modo que o seu sinal é o sinal do primeiro termo (−1)n+1/(n+1)!(-1)^{n+1}/(n+1)!. Portanto, sn−e−1s_n - \eu^{-1} tem o sinal de (−1)n(-1)^n: para nn par, sn>e−1s_n > \eu^{-1} e Dn=n! sn>n!/eD_n = n!\,s_n > n!/\eu; para nn ímpar, Dn<n!/eD_n < n!/\eu.

13. D7=6(265+44)=6×309=1854D_7 = 6(265 + 44) = 6 \times 309 = 1854; D8=7(1854+265)=7×2119=14 833D_8 = 7(1854 + 265) = 7 \times 2119 = 14\,833; D9=8(14 833+1854)=8×16 687=133 496D_9 = 8(14\,833 + 1854) = 8 \times 16\,687 = 133\,496; D10=9(133 496+14 833)=9×148 329=1 334 961D_{10} = 9(133\,496 + 14\,833) = 9 \times 148\,329 = 1\,334\,961. Verificação: 10!/e=3 628 800/2.718281828≈1 334 960.9210!/\eu = 3\,628\,800 / 2.718281828 \approx 1\,334\,960.92, cujo inteiro mais próximo é 1 334 9611\,334\,961 — e D10>10!/eD_{10} > 10!/\eu, como a questão 12 prevê para nn par.

14. ∣pn−e−1∣=∣sn−e−1∣<1(n+1)!\abs{p_n - \eu^{-1}} = \abs{s_n - \eu^{-1}} < \frac1{(n+1)!}. Para n=6n = 6: p6=265/720=0.36806p_6 = 265/720 = 0.36806 (cinco casas decimais), contra e−1=0.36788\eu^{-1} = 0.36788; a diferença é inferior a 1/7!=1/5040<2×10−41/7! = 1/5040 < 2 \times 10^{-4}. A estimativa 1/(n+1)!1/(n+1)! decresce tão depressa que a probabilidade fica fixada em muitas casas decimais já para uma dúzia de cartas: a resposta “cerca de 36.8%36.8\%” é, para todo efeito prático, independente de nn — a famosa surpresa do problema.

15. Pela questão 2 e por Dm=m! smD_m = m!\,s_m:

Pk(n)n!=(nk)Dn−kn!=Dn−kk! (n−k)!=sn−kk!  ⟶  e−1k!\frac{P_k(n)}{n!} = \frac{\binom nk D_{n-k}}{n!} = \frac{D_{n-k}}{k!\,(n-k)!} = \frac{s_{n-k}}{k!} \;\longrightarrow\; \frac{\eu^{-1}}{k!}

quando n→∞n \to \infty, com kk fixado, pois sn−k→e−1s_{n-k} \to \eu^{-1}. Os valores-limite e−1/k!\eu^{-1}/k! (k∈Nk \in \N) são os pesos da distribuição de Poisson de parâmetro 11.

16. Conte as triplas (σ,i,j)(\sigma, i, j) com i≠ji \neq j, σ(i)=i\sigma(i) = i, σ(j)=j\sigma(j) = j. Escolhendo primeiro o par ordenado: n(n−1)n(n-1) modos; as permutações que fixam ii e jj são as permutações dos n−2n - 2 pontos restantes: (n−2)!(n-2)! delas. Total: n(n−1)(n−2)!=n!n(n-1)(n-2)! = n!. Somando antes sobre σ\sigma, conta-se, para cada σ\sigma, os pares ordenados de pontos fixos distintos: ∣Fix(σ)∣(∣Fix(σ)∣−1)\abs{\mathrm{Fix}(\sigma)}(\abs{\mathrm{Fix}(\sigma)}-1). Daí a identidade enunciada; dividindo por n!n!, a média de ∣Fix∣(∣Fix∣−1)\abs{\mathrm{Fix}}(\abs{\mathrm{Fix}} - 1) é 11, logo a média de ∣Fix∣2\abs{\mathrm{Fix}}^2 é 1+1=21 + 1 = 2 e a variância é 2−12=12 - 1^2 = 1.

17. As proporções 1−pn1 - p_n: para n=4n = 4, 1−924=1524=0.62501 - \frac 9{24} = \frac{15}{24} = 0.6250; para n=5n = 5, 1−44120=76120=0.63331 - \frac{44}{120} = \frac{76}{120} = 0.6333; para n=6n = 6, 1−265720=455720=0.63191 - \frac{265}{720} = \frac{455}{720} = 0.6319. Todas a menos de um por cento de 1−e−1≈0.63211 - \eu^{-1} \approx 0.6321, oscilando em torno desse valor.

18. Diretamente:

sn+2−sn=(−1)n+1(n+1)!+(−1)n+2(n+2)!=(−1)n+1(1(n+1)!−1(n+2)!),s_{n+2} - s_n = \frac{(-1)^{n+1}}{(n+1)!} + \frac{(-1)^{n+2}}{(n+2)!} = (-1)^{n+1}\Bigl(\frac1{(n+1)!} - \frac1{(n+2)!}\Bigr),

e o parêntese é >0> 0. Para nn par a diferença é negativa: sn+2<sns_{n+2} < s_n, logo p0>p2>p4>…p_0 > p_2 > p_4 > \dots; para nn ímpar ela é positiva: p1<p3<p5<…p_1 < p_3 < p_5 < \dots Combinado com a questão 12 (os pares acima de e−1\eu^{-1}, os ímpares abaixo) e com a questão 14 (a distância a e−1\eu^{-1} tende a 00): as duas escadas comprimem e−1\eu^{-1} entre elas.

19. Um sorteio completo é uma permutação aleatória uniforme, válido quando é um desarranjo: probabilidade pn≈e−1p_n \approx \eu^{-1}. Pelo fato citado, o número médio de sorteios até o sucesso é 1/pn1/p_n, e a questão 14 dá 1/pn≈e1/p_n \approx \eu a menos de um erro já desprezível para nn pequeno. Assim, um amigo oculto com reinícios custa em média cerca de e≈2.72\eu \approx 2.72 sorteios completos — tenha o escritório 66 pessoas ou 600600.

20. Fixe j≥2j \geq 2 e aplique a classificação da questão 5 ao valor σ(1)=j\sigma(1) = j. Se σ(j)=1\sigma(j) = 1: os n−2n - 2 pontos restantes carregam um desarranjo arbitrário, Dn−2D_{n-2} modos. Se σ(j)≠1\sigma(j) \neq 1: redirecione a pré-imagem i0=σ−1(1)i_0 = \sigma^{-1}(1) para jj exatamente como na questão 5; isso é uma bijeção com os desarranjos dos n−1n - 1 pontos {2,…,n}\{2, \dots, n\}: Dn−1D_{n-1} modos. Total Dn−1+Dn−2D_{n-1} + D_{n-2}, o mesmo para todo jj. Somando sobre os n−1n - 1 valores de jj: Dn=(n−1)(Dn−1+Dn−2)D_n = (n-1)(D_{n-1} + D_{n-2}), o que exibe o fator n−1n - 1: (n−1)∣Dn(n-1) \mid D_n.

21. Afirmação: DnD_n é ímpar se, e somente se, nn é par. Indução usando Dn=nDn−1+(−1)nD_n = nD_{n-1} + (-1)^n, isto é, Dn≡nDn−1+1(mod2)D_n \equiv nD_{n-1} + 1 \pmod 2. Base: D1=0D_1 = 0 é par, e n=1n = 1 é ímpar: a afirmação vale. Se nn é par, nDn−1nD_{n-1} é par e Dn≡1D_n \equiv 1: ímpar, como afirmado. Se nn é ímpar, então n−1n - 1 é par, logo Dn−1D_{n-1} é ímpar pela hipótese, e Dn≡Dn−1+1≡0D_n \equiv D_{n-1} + 1 \equiv 0: par. A indução se fecha.

22. Reduzir Dn=nDn−1+(−1)nD_n = nD_{n-1} + (-1)^n módulo nn mata o primeiro termo: Dn≡(−1)n(modn)D_n \equiv (-1)^n \pmod n. Para n=10n = 10: (−1)10=1(-1)^{10} = 1 e, de fato, D10=1 334 961D_{10} = 1\,334\,961 termina no algarismo 11.

23. Para n≥3n \geq 3, Dn−1≥1D_{n-1} \geq 1 e a divisão da recorrência da questão 6 por Dn−1D_{n-1} dá Dn/Dn−1=n+(−1)n/Dn−1D_n/D_{n-1} = n + (-1)^n/D_{n-1}, com ∣(−1)n/Dn−1∣≤1\abs{(-1)^n/D_{n-1}} \leq 1 e tendendo rapidamente a 00. Coerência: se Dn≈n!/eD_n \approx n!/\eu, então Dn/Dn−1≈n!/(n−1)!=nD_n/D_{n-1} \approx n!/(n-1)! = n — o fator e\eu se cancela na razão, e a recorrência confirma isso com precisão 1/Dn−11/D_{n-1}.

24. (i) As regras do produto e da soma sustentam toda contagem: as questões 2 e 5 repartem conjuntos de permutações em etapas independentes. (ii) A contagem dupla deu a média (questão 4) e a variância (questão 16) do número de pontos fixos sem fórmula alguma para DnD_n. (iii) O teorema binomial avaliou a soma interna alternada (1−1)n−j(1-1)^{n-j} que faz a inversão binomial funcionar (questão 8). (iv) A estimativa das séries alternadas converteu a soma exata mas opaca n! snn!\,s_n no enunciado transparente “inteiro mais próximo de n!/en!/\eu” (questões 10–14).

25. A inclusão–exclusão (Exemplo 2.26 e Exercício 2.11) é a demonstração conceitual: ela explica a soma alternada como correções de contagem excessiva e se generaliza literalmente à contagem dos elementos que evitam qualquer família de conjuntos “ruins”. A via da recorrência (questões 5–7) é a que calcula mais rápido — tempo linear, aritmética inteira exata, sem fatoriais — e é a fonte dos fatos aritméticos da Parte V. A inversão binomial (questões 8–9) insere a fórmula numa transformada geral que reaparecerá sempre que dois sistemas triangulares de identidades se defrontarem. E o aparecimento de e\eu é melhor explicado pela própria fórmula: a proporção de desarranjos é a soma parcial sns_n da série de e−1\eu^{-1}, de modo que os envelopes de Montmort já calculavam o número e\eu três décadas antes da notação de Euler.

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