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Ciências da Terra e do espaço do ensino médio · শ্রেণি 10–12
11As ondas sísmicas revelam o interior
Em 8 de outubro de 1909, um terremoto sacudiu o vale do rio Kupa, a cerca de a sudeste de Zagreb, na Croácia. Alguns meses antes, Andrija Mohorovičić tinha instalado um novo sismógrafo no Observatório Meteorológico de Zagreb, e ele registrou todo o evento. Depois, ele pediu a outros observatórios os seus registros e reuniu os de 41 estações. Nos registros das estações mais distantes, ele encontrou algo inesperado: duas ondas P separadas, uma fraca e depois uma mais forte, onde deveria haver uma só. Desse par de ondas, ele deduziu que a rocha sob a crosta é diferente, e mediu a profundidade da fronteira. Este capítulo mostra como os tempos de chegada das ondas dos terremotos revelam as camadas da Terra: a base da crosta, o núcleo e a sua parte externa líquida, e todo o interior, profundidade por profundidade.
O que você já sabe
Um terremoto começa num ponto dentro da Terra, o foco; o ponto da superfície logo acima dele é o epicentro. Um sismômetro registra a vibração do solo, e a magnitude mede o tamanho de um terremoto (Livro 1, 7º ano). A Terra tem uma crosta, um manto e um núcleo; o núcleo tem uma parte externa líquida e uma parte interna sólida. As ondas dos terremotos são de dois tipos principais, as ondas P, mais rápidas, e as ondas S, mais lentas, e as ondas S não conseguem atravessar um líquido (Livro 1, 6º ano). Uma onda que atravessa a fronteira entre dois materiais nos quais se propaga com as velocidades e é refratada: , onde os ângulos são medidos a partir da perpendicular à fronteira (lei de Snell; os livros de física).
11.1 As ondas sísmicas e os tempos de percurso
11.1.1 Dois tipos de ondas de volume
Um terremoto envia ondas em todas as direções. Algumas se propagam ao longo da superfície; outras, as ondas de volume, atravessam o interior da Terra, e são elas que o revelam.
Definição 11.1 (Onda P; onda S)
Uma onda P é uma onda sísmica que alternadamente comprime e estica a rocha: a rocha vai e volta ao longo da direção em que a onda se propaga. Ela atravessa sólidos, líquidos e gases, e é a onda sísmica mais rápida, por isso chega primeiro. Uma onda S cisalha a rocha: a rocha se move perpendicularmente à direção em que a onda se propaga. Ela só atravessa sólidos, e chega depois da onda P.
Um líquido escoa e não oferece resistência a uma mudança de forma, de modo que não consegue transmitir um cisalhamento: é por isso que as ondas S param na superfície de um líquido. Na maioria das rochas, uma onda P se propaga cerca de vezes mais depressa que uma onda S. Na crosta superior, uma onda P se propaga a cerca de e uma onda S a cerca de ; logo abaixo da crosta, elas chegam a cerca de e .
11.1.2 As curvas de tempo de percurso
A distância de um terremoto a uma estação distante é medida como um ângulo: o ângulo no centro da Terra entre o epicentro e a estação, a distância epicentral. Um grau dela corresponde a ao longo da superfície.
Definição 11.2 (Tempo de percurso; curva de tempo de percurso)
O tempo de percurso de uma onda sísmica até uma estação é o tempo que ela leva para ir do foco até a estação. A curva de tempo de percurso de uma onda é o gráfico do seu tempo de percurso em função da distância epicentral da estação.
Uma estação registra o instante em que cada onda chega; quando o instante do terremoto é conhecido, a diferença é o tempo de percurso. Milhares de terremotos registrados por milhares de estações deram as curvas de tempo de percurso com grande precisão. Na figura, as curvas são calculadas a partir do modelo de referência da Terra da Seção 11.4, e os pontos são tempos de percurso observados em terremotos reais: os dois concordam em menos de dois por cento em toda parte, e quase sempre em um ou dois segundos.
A curva S sobe mais abruptamente que a curva P, de modo que o atraso entre as duas chegadas cresce com a distância. Isso dá a distância de um terremoto a partir de um único registro.
Método 11.3 (Distância de um terremoto pelo atraso S–P)
- No registro, leia o instante da primeira onda P e o da primeira onda S; a sua diferença é o atraso S–P.
- Nas curvas de tempo de percurso (ou numa tabela delas), encontre a distância epicentral em que a curva S fica esse atraso acima da curva P.
- Converta em quilômetros, se necessário, com por grau.
Com três estações, o epicentro é o ponto que fica à distância certa das três.
Exemplo 11.4 (Um terremoto a )
Os tempos de percurso observados são de para P e para S a , e de e a . Uma estação que registra uma onda S (8 minutos e 13 segundos) depois da onda P fica, portanto, a do epicentro: cerca de . A , o atraso seria de apenas .
11.2 A refração e o Moho
11.2.1 A onda que corre ao longo de uma fronteira
No interior da Terra, a velocidade das ondas sísmicas muda com a profundidade, quase sempre gradualmente, mas em alguns lugares de uma vez.
Definição 11.5 (Descontinuidade sísmica)
Uma descontinuidade sísmica é uma superfície no interior da Terra através da qual a velocidade das ondas sísmicas muda bruscamente — numa espessura muito menor que o comprimento das ondas.
Numa descontinuidade, parte de uma onda é refletida e parte é refratada. Tome uma camada de espessura na qual as ondas P se propagam a , sobre uma camada na qual elas são mais rápidas, . Um raio que desce com o ângulo em relação à vertical é refratado com o ângulo dado por : ele se afasta da vertical. Quando chega a , o raio refratado corre exatamente ao longo da fronteira. O ângulo
é o ângulo crítico. A onda refratada no ângulo crítico se propaga ao longo do topo da camada mais rápida com a velocidade e, à medida que avança, envia ondas de volta para cima, para a camada superior, todas com o ângulo : elas chegam à superfície como a onda frontal.
Proposição 11.6 (Tempo de percurso da onda frontal)
Para uma fonte na superfície, uma estação à distância recebe a onda frontal depois de
A sua curva de tempo de percurso é uma reta de inclinação que, prolongada para trás, corta o eixo dos tempos no tempo de intercepto .
Demonstração. O raio desce por um trecho inclinado de comprimento , que avança horizontalmente ; ele faz o mesmo na subida. Entre os dois, ele corre ao longo da fronteira por . O tempo é
Como , os dois últimos termos dão . ∎
A onda direta chega depois de : a sua curva é uma reta que passa pela origem, mais inclinada que a reta da onda frontal. Perto da fonte, a onda direta chega primeiro; longe, a onda frontal, que percorreu a maior parte do caminho na velocidade maior, a ultrapassa.
Proposição 11.7 (Distância de cruzamento)
A onda frontal chega antes da onda direta além da distância de cruzamento
Demonstração. As duas chegam juntas quando , isto é, , logo . Ora, , portanto . Além dela, a onda frontal, cuja reta é menos inclinada, chega primeiro. ∎
11.2.2 A base da crosta
Definição 11.8 (Moho)
A descontinuidade de Mohorovičić, ou Moho, é a descontinuidade sísmica na base da crosta, onde a velocidade das ondas P salta de no máximo cerca de para cerca de , a velocidade no topo do manto.
História — Mohorovičić e as duas ondas P, 1909
Andrija Mohorovičić (1857–1936) descobriu, nos registros do terremoto de 1909, que além de uma certa distância — em geral entre 100 e — uma onda P fraca e mais rápida chegava antes da onda P forte. Ele a explicou como uma onda que tinha atravessado uma rocha mais rápida sob a crosta. Ele chamou as duas ondas de Pg (a onda direta na crosta) e Pn (a onda frontal ao longo do topo do manto), fez o mesmo para as ondas S, e deduziu as velocidades das duas camadas e a profundidade da fronteira entre elas. A onda Pn se propaga a cerca de , a velocidade do topo do manto. Os seus artigos de 1910 provaram que a crosta e o manto são diferentes; a fronteira leva o seu nome.
Método 11.9 (Profundidade do Moho a partir de um diagrama de tempos de percurso)
- Represente os tempos das primeiras chegadas em função da distância ao epicentro.
- Trace a reta da onda direta (pela origem) e a reta da onda frontal; as suas inclinações são e .
- Prolongue a reta da onda frontal para trás até o eixo dos tempos: ela o corta no tempo de intercepto .
- Com , a espessura da crosta é .
Exemplo 11.10 (Uma crosta de de espessura)
Com e , , e . Um tempo de intercepto de dá . A onda frontal chega à superfície pela primeira vez a e ultrapassa a onda direta além de .
Medido dessa maneira no mundo inteiro, o Moho fica apenas a cerca de abaixo do fundo dos oceanos. Sob os continentes, ele fica em média a cerca de de profundidade: cerca de onde a crosta foi estirada, mais de sob as cadeias de montanhas, e até cerca de sob as cordilheiras mais altas. A crosta é uma pele fina: mesmo são menos de um por cento do raio da Terra.
11.3 O núcleo
11.3.1 Raios que se curvam
No manto, a velocidade das ondas sísmicas aumenta com a profundidade. Um raio que desce atravessa rochas cada vez mais rápidas e, pela lei de Snell, se afasta um pouco mais da vertical a cada passo: o seu trajeto se curva e volta a subir em direção à superfície. Quanto mais fundo um raio faz a curva, mais longe do terremoto ele volta à superfície. A figura mostra raios desse tipo, calculados com as velocidades do modelo de referência da Terra.
11.3.2 A zona de sombra e o núcleo externo líquido
Em 1906, o sismólogo Oldham percebeu que as ondas P registradas do outro lado da Terra em relação a um terremoto chegavam atrasadas em comparação com os tempos esperados, e propôs um núcleo central no qual elas se propagam mais devagar. Em 1912, Gutenberg mostrou que as ondas P não chegam a toda uma faixa de distâncias, entre cerca de e , com chegadas fortes logo além de ; em 1914, ele situou o topo do núcleo a de profundidade.
Definição 11.11 (Zona de sombra)
A zona de sombra de uma onda sísmica é a faixa de distâncias epicentrais que a onda não consegue alcançar diretamente a partir de um terremoto, porque o núcleo a desvia ou a detém.
Os raios a explicam. Os raios P que fazem a curva logo acima do núcleo voltam à superfície a cerca de do terremoto. Um raio que desce um pouco mais inclinado entra no núcleo, onde a velocidade P cai bruscamente de para cerca de : pela lei de Snell, ele se inclina em direção à vertical, atravessa o núcleo e sai muito mais longe, além de cerca de . Nenhum raio P que faz a curva no manto e nenhum raio P que atravessa o núcleo cai entre os dois. No modelo de referência, a zona de sombra P vai de a , perto dos – de Gutenberg.
As ondas S dizem mais. Nenhuma onda S atravessa o núcleo externo: o núcleo externo não transmite ondas de cisalhamento, logo ele é líquido. Em consequência, nenhuma onda S chega diretamente além de cerca de no modelo de referência — em todo o lado oposto da Terra.
Definição 11.12 (Limite manto–núcleo; limite do núcleo interno)
O limite manto–núcleo é a descontinuidade sísmica entre o manto sólido e o núcleo externo líquido, a uma profundidade de ; ali, a velocidade P cai de cerca de para cerca de , e as ondas S param. O limite do núcleo interno, a uma profundidade de , separa o núcleo externo líquido do núcleo interno sólido; ali, a velocidade P salta de cerca de para cerca de .
A zona de sombra não é completamente silenciosa: ondas P fracas chegam a ela. Inge Lehmann as explicou em 1936 com um núcleo interno sólido, no qual as ondas P se propagam mais depressa (Livro 1, 6º ano). Os raios mostram como. Um raio P que chega ao núcleo interno se afasta da vertical onde a velocidade salta para cima, como no Moho, e sai do núcleo mais cedo: no modelo de referência, os raios que atravessam o núcleo interno chegam à superfície a partir de cerca de , dentro da zona de sombra (curva pontilhada da figura dos tempos de percurso).
11.4 Um modelo de referência da Terra
Reunidos, milhões de tempos de percurso dão a velocidade das ondas P e S em cada profundidade. As suas velocidades dependem da rocha e da sua densidade, e a massa total da Terra fixa a sua densidade média; juntas, elas dão também a densidade em cada profundidade.
Definição 11.13 (Modelo de referência da Terra)
Um modelo de referência da Terra é uma tabela da velocidade das ondas P, da velocidade das ondas S e da densidade em função da profundidade, a mesma em todas as direções, escolhida para concordar com os tempos de percurso observados das ondas sísmicas e com a massa da Terra.
O mais usado é o Preliminary Reference Earth Model (PREM), publicado por A. M. Dziewonski e D. L. Anderson em 1981. Os raios e os tempos de percurso deste capítulo foram calculados com ele: o tempo de percurso P a , por exemplo, sai , contra observados.
Lendo o modelo de cima para baixo:
- a crosta, com velocidades P de 5.8 a , termina no Moho ( neste modelo médio);
- no manto, as velocidades sobem com a profundidade, com saltos bruscos menores, os maiores perto de e de ;
- a , a velocidade S cai a zero e a velocidade P cai mais de : o núcleo externo líquido;
- a , as ondas S voltam a existir: o núcleo interno sólido, de de raio.
A densidade sobe de na crosta para na base do manto, depois salta para no topo do núcleo e chega a no centro. A densidade média de todo o modelo é de , o dobro da das rochas da crosta: o interior profundo, e sobretudo o núcleo, é feito de um material muito mais denso que a superfície. O núcleo contém cerca de um terço da massa da Terra.
11.5 Exercícios
Exercício 11.1 ★
Dê duas diferenças entre as ondas P e as ondas S. Qual delas é registrada primeiro por um sismômetro, e por quê?
Solução
Solução de Exercício 11.1.
Uma onda P comprime e estica a rocha, que se move ao longo da direção de propagação; uma onda S a cisalha, e a rocha se move perpendicularmente a essa direção. As ondas P atravessam sólidos e líquidos; as ondas S, só sólidos. A onda P é registrada primeiro, porque é a mais rápida das duas.
Exercício 11.2 ★
Uma estação fica a de um epicentro. A que distância ela está, medida ao longo da superfície? A quantos graus fica uma estação a de um epicentro?
Solução
Solução de Exercício 11.2.
, cerca de . .
Exercício 11.3 ★
Os tempos de percurso observados a são de para P e para S. Converta-os em minutos e segundos, e dê o atraso S–P.
Solução
Solução de Exercício 11.3.
são 7 minutos e 36 segundos; são 13 minutos e 42 segundos. O atraso S–P é de , isto é, 6 minutos e 6 segundos.
Exercício 11.4 ★
Uma crosta na qual as ondas P se propagam a repousa sobre um manto onde elas se propagam a . Calcule o ângulo crítico.
Solução
Solução de Exercício 11.4.
, logo .
Exercício 11.5 ★
No modelo de referência, o limite manto–núcleo fica a de profundidade e o limite do núcleo interno a ; o raio da Terra é de . Calcule a espessura do núcleo externo, o raio do núcleo e o raio do núcleo como fração do raio da Terra.
Solução
Solução de Exercício 11.5.
O núcleo externo tem de espessura. O raio do núcleo é , e : um pouco mais da metade do raio da Terra.
Exercício 11.6 ★★
Os atrasos S–P observados são de a , a , a , a e a . Uma estação registra uma onda S 6 minutos e 6 segundos depois da onda P. A que distância está o terremoto, em graus e em quilômetros? Por que uma única estação não consegue dizer onde está o terremoto?
Solução
Solução de Exercício 11.6.
6 minutos e 6 segundos são : o terremoto está a , isto é, . Um único atraso só dá a distância: o epicentro pode estar em qualquer ponto de um círculo desse raio em torno da estação. São precisas mais duas estações para encontrar o único ponto que fica à distância certa das três.
Exercício 11.7 ★★
Com as velocidades do Exercício 11.4 e uma crosta de de espessura, calcule os tempos de percurso da onda direta e da onda frontal numa estação a do epicentro. Qual chega primeiro?
Solução
Solução de Exercício 11.7.
e . Onda direta: . Onda frontal: . A onda frontal chega primeiro, cerca de antes.
Exercício 11.8 ★★
Para a crosta do Exercício 11.7, calcule a distância crítica e a distância de cruzamento. Verifique que a resposta ao Exercício 11.7 concorda.
Solução
Solução de Exercício 11.8.
: a distância crítica é . A distância de cruzamento é . A estação do Exercício 11.7 fica a , além do cruzamento: a onda frontal chega primeiro, como se encontrou.
Exercício 11.9 ★★
Sob um oceano, uma crosta de de espessura, na qual as ondas P se propagam a , repousa sobre um manto a . Calcule o ângulo crítico, o tempo de intercepto e a distância de cruzamento. Por que as estações precisam estar muito mais próximas umas das outras para encontrar o Moho sob um oceano do que sob um continente?
Solução
Solução de Exercício 11.9.
, e . Tempo de intercepto: . Distância de cruzamento: . Sob um continente, o cruzamento fica perto de , de modo que estações a algumas dezenas de quilômetros umas das outras captam as duas retas; sob o oceano, a onda frontal já chega primeiro além de cerca de , e a reta da onda direta tem apenas algumas dezenas de quilômetros de comprimento: as estações precisam estar a alguns quilômetros umas das outras para traçá-la.
Exercício 11.10 ★★
Um raio P no manto mais profundo, onde se propaga a , encontra o limite manto–núcleo a da perpendicular. Abaixo do limite, a velocidade P é de . Calcule o ângulo do raio refratado. O raio se inclina em direção à perpendicular ou se afasta dela? Use isso para explicar por que os raios P que entram no núcleo saem longe do terremoto.
Solução
Solução de Exercício 11.10.
, logo : o raio se inclina em direção à perpendicular, isto é, em direção ao centro da Terra. Ele atravessa, portanto, o núcleo por um longo trajeto perto do seu meio, e volta a sair bem longe, do outro lado: os raios P que entram no núcleo saem muito mais longe do terremoto que os raios que passam logo ao lado dele.
Exercício 11.11 ★★
No modelo de referência, uma onda P que desce em linha reta passando pelo centro leva para chegar ao ponto oposto da Terra. Quanto tempo ela levaria se percorresse todo o diâmetro () a , a velocidade P na base do manto? O que Oldham concluiu desses atrasos?
Solução
Solução de Exercício 11.11.
, cerca de 15.5 minutos, enquanto a onda leva , cerca de 20 minutos: ela chega uns 280 segundos atrasada. Mesmo na velocidade mais alta do manto, a onda chegaria muito antes, de modo que o meio da Terra precisa freá-la. Oldham concluiu que a Terra tem um núcleo central no qual as ondas P se propagam mais devagar que no manto.
Exercício 11.12 ★★★
(1) A partir da Proposição 11.6, mostre que a espessura da crosta é
(2) Aplique-a a , e .
Solução
Solução de Exercício 11.12.
(1) Pela proposição, , e . Logo
(2) .
Exercício 11.13 ★★★
A densidade média da Terra é de . Trate a Terra como um núcleo de raio e densidade uniforme , dentro de um manto e de uma crosta de densidade uniforme (a média do modelo de referência). (1) Que fração do volume da Terra é o núcleo? (2) Calcule . (3) Compare com a densidade no topo do núcleo no modelo de referência, , e com a densidade da crosta.
Solução
Solução de Exercício 11.13.
(1) : o núcleo é cerca de do volume. (2) A densidade média é a média ponderada pelos volumes: , logo . (3) Isso é mais que , como deve ser, já que a densidade do núcleo aumenta em direção ao centro (até ); é cerca de quatro vezes a densidade da crosta, . O núcleo é feito de um material muito mais denso que as rochas da superfície.
Exercício 11.14 ★★★
A zona de sombra P de Gutenberg vai de a . (1) Dê os seus limites em quilômetros ao longo da superfície. (2) Numa esfera, a área entre as distâncias angulares e de um ponto é a fração de toda a superfície. Que fração da superfície da Terra não recebe nenhuma onda P direta de um dado terremoto? (3) Por que cada terremoto tem a sua própria zona de sombra?
Solução
Solução de Exercício 11.14.
(1) e . (2) : cerca de da superfície, um anel em torno do ponto oposto ao terremoto. (3) A zona de sombra é uma faixa de distâncias ao epicentro: ela se desloca com o terremoto. Cada terremoto tem o seu próprio anel.
Exercício 11.15 ★★★
Sob uma alta cadeia de montanhas, um levantamento de refração encontra , e um tempo de intercepto de . (1) Calcule a espessura da crosta ali. (2) Que tempo de intercepto daria uma crosta de de espessura com as mesmas velocidades? (3) Compare com a espessura média da crosta continental.
Solução
Solução de Exercício 11.15.
(1) . (2) , , e . (3) A crosta sob a cordilheira tem cerca de de espessura, mais que a média continental de cerca de e perto da média das cadeias de montanhas: as cordilheiras altas se apoiam numa crosta espessa.
11.6 Problema: encontrar o Moho
Problema 11.1
Problema de fim de semana — a profundidade da crosta a partir de quinze estações
Um pequeno terremoto ocorre a uma profundidade muito rasa sob um continente. Quinze estações dispostas numa linha reta a partir do epicentro registram os instantes de chegada da primeira onda P e, onde é possível lê-los, de uma segunda. As leituras abaixo são inventadas, mas calculadas como um levantamento real as encontraria, ao décimo de segundo. Pg é a onda que se propaga pela crosta, Pn a que correu ao longo do topo do manto.
| distância () | Pg () | Pn () | distância () | Pg () | Pn () |
|---|---|---|---|---|---|
| 20 | 3.3 | — | 180 | 29.0 | 28.5 |
| 40 | 6.5 | — | 200 | 32.3 | 30.9 |
| 60 | 9.7 | — | 220 | — | 33.3 |
| 80 | 12.8 | 16.2 | 240 | — | 35.8 |
| 100 | 16.1 | 18.6 | 260 | — | 38.3 |
| 120 | 19.3 | 21.1 | 280 | — | 40.8 |
| 140 | 22.6 | 23.6 | 300 | — | 43.2 |
| 160 | 25.8 | 26.0 |
Parte I — A onda direta.
- Em papel milimetrado, represente os tempos Pg e Pn em função da distância ( para e para ). Como se dispõem os pontos Pg?
- Por que a reta Pg passa perto da origem?
- Usando as estações a 20 e a , calcule a inclinação da reta Pg em segundos por quilômetro.
- Deduza a velocidade das ondas P na crosta.
- Se a crosta continuasse, quando a onda Pg chegaria à estação a ?
Parte II — A onda refratada.
- Usando as estações a 100 e a , calcule a inclinação da reta Pn e a velocidade das ondas P sob a crosta.
- Compare com a velocidade da onda Pn que Mohorovičić mediu, cerca de . Que rocha fica sob a crosta?
- Calcule o ângulo crítico .
- Nenhuma estação mais próxima que registra uma onda Pn. Usando a Proposição 11.6, explique por que existe uma distância mínima a partir da qual a onda frontal pode ser registrada.
- Entre 80 e , Pn chega depois de Pg. Por que ela ainda é registrada?
Parte III — O cruzamento.
- Pela tabela, entre quais duas estações a primeira onda a chegar passa de Pg para Pn?
- Escreva as equações das duas retas, usando os pontos a (Pg) e a (Pn).
- Calcule a distância em que as duas retas se cruzam.
- Além de , nenhuma estação registra Pg como uma onda separada. Que onda uma estação a registra primeiro, e quando?
Parte IV — A profundidade do Moho.
- Prolongue a reta Pn para trás até o eixo dos tempos: qual é o tempo de intercepto ?
- Calcule , e a espessura da crosta pelo Método 11.9.
- Verifique: com esse , calcule a distância de cruzamento com a Proposição 11.7 e compare com a questão 13.
- Verifique de novo: calcule a distância crítica e compare com a estação mais próxima que registra Pn.
- Os sismólogos dão apenas a alguns quilômetros. Por que um valor mais fino não se justifica?
- Conclua: a que profundidade fica o Moho sob esta região? A crosta aqui é fina ou espessa para um continente?
Solução
Solução de Problema 11.1.
1. Os pontos Pg ficam numa reta; os pontos Pn ficam em outra reta, menos inclinada.
2. O terremoto está a uma profundidade muito rasa sob o epicentro: uma estação à distância zero registraria a onda imediatamente.
3. por quilômetro.
4. .
5. .
6. por quilômetro, logo .
7. Ela é próxima de : sob a crosta fica a rocha do topo do manto.
8. , logo .
9. A onda frontal desce com o ângulo e volta a subir com o mesmo ângulo. O primeiro ponto em que ela pode voltar à superfície fica além do ponto em que ela chegou ao Moho, que por sua vez fica a da fonte: nenhuma estação mais próxima que pode recebê-la.
10. Um sismômetro registra todas as ondas que chegam até ele, não só a primeira; a onda Pn chega depois da onda Pg, mas ainda aparece como uma onda separada no registro.
11. A , Pg () vem antes de Pn (); a , Pn () vem antes de Pg (). A mudança acontece entre essas duas estações.
12. Pg: . Pn: ( em quilômetros, em segundos).
13. dá .
14. Pn, depois de .
15. .
16. , logo .
17. , a menos de dos da questão 13.
18. : . A estação mais próxima que registra Pn fica a , e a de não registra: os dois resultados concordam.
19. Os tempos são lidos a , e um erro de só em muda em cerca de ; as velocidades, tiradas de inclinações, também são incertas, e o terremoto não estava exatamente na superfície. A crosta também não é perfeitamente uniforme. Uma precisão de um ou dois quilômetros é o máximo que os dados permitem.
20. O Moho fica a cerca de sob esta região: a crosta aqui é do lado fino para um continente, cuja crosta tem em média cerca de ; é típico das regiões onde a crosta foi estirada.