地球与空间科学 · 第 2 册 · 10–12 年级

Ciências da Terra e do espaço do ensino médio

书籍暂未推出简体中文版——当前显示 Português 版。

Ciências da Terra e do espaço do ensino médio · 10–12 年级

3O balanço de energia da Terra

No dia mais longo do ano, o Sol nunca se põe no Polo Norte. Ele dá a volta no céu o dia inteiro à mesma altura, cerca de 23∘23{}^{\circ} acima do horizonte, e o topo da atmosfera acima do polo recebe num só dia mais luz solar por metro quadrado do que qualquer outro lugar da Terra — 13.0 kWh13.0\,\mathrm{kWh}, contra 9.5 kWh9.5\,\mathrm{kWh} acima do equador. E, no entanto, o mar em torno do polo continua coberto de gelo durante todo o verão. Ao longo de um ano inteiro, por outro lado, o equador recebe duas vezes e meia mais luz solar que o polo, e os trópicos ficam quentes o ano todo. Este capítulo acompanha a energia da luz do Sol: quanto chega, onde e quando; quanto é refletido diretamente de volta para o espaço; como o resto se reparte entre o ar e o chão, é levado dos trópicos para os polos e finalmente devolvido ao espaço como luz infravermelha — e que parte minúscula dele acaba armazenada pelos seres vivos.

Gelo marinho no oceano Glacial Ártico em julho, sob um Sol que não se põe: gelo branco, poças de água de degelo na sua superfície e o mar aberto, escuro, entre os blocos. Dois cientistas coletam amostras das poças. Fotografia: NASA Goddard Space Flight Center, 2011 (domínio público).
Gelo marinho no oceano Glacial Ártico em julho, sob um Sol que não se põe: gelo branco, poças de água de degelo na sua superfície e o mar aberto, escuro, entre os blocos. Dois cientistas coletam amostras das poças. Fotografia: NASA Goddard Space Flight Center, 2011 (domínio público).

O que você já sabe

As estações vêm da inclinação do eixo da Terra, 23.44∘23.44{}^{\circ} em relação à perpendicular ao plano da sua órbita: em junho, o hemisfério norte se inclina na direção do Sol, que sobe mais alto no céu e fica mais tempo acima do horizonte (os livros de física e o Livro 1). A irradiância à distância da Terra, S0=1361 W/m2S_0 = 1361\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, o albedo de Bond de um planeta e a sua temperatura de equilíbrio foram vistos no Capítulo 2. Os gases de efeito estufa absorvem parte do infravermelho emitido pela superfície (os livros de química). O ar quente sobe e o ar frio desce, o que põe o ar a girar em células de convecção e move os ventos globais (Livro 1, 8º ano). Plantas, algas e algumas bactérias fabricam açúcares a partir do gás carbônico e da água com a energia da luz: é a fotossíntese (os livros de biologia).

3.1 A luz solar recebida

Vista do Sol, a Terra é um disco. A cada segundo, ela intercepta a luz solar que cai sobre um disco de raio RR, o seu próprio raio; mas essa luz se reparte entre todos os pontos de uma esfera, metade dos quais está na noite.

Proposição 3.1 (Um quarto da constante solar)

Em média sobre toda a superfície da Terra e sobre o dia e a noite, a potência da luz solar que chega ao topo da atmosfera é

S04=13614≈340 W/m2.\frac{S_0}{4} = \frac{1361}{4} \approx 340\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}.

Demonstração. A Terra intercepta a luz solar que atravessa um disco de área πR2\pi R^2 perpendicular aos raios, isto é, uma potência S0 πR2S_0\,\pi R^2. Espalhada pela área da esfera, 4πR24\pi R^2, isso dá S0 πR2/(4πR2)=S0/4S_0\,\pi R^2/(4\pi R^2) = S_0/4 por metro quadrado. ∎

A Terra intercepta a luz solar que cai sobre um disco do seu próprio raio, mas a reparte pela área quatro vezes maior de uma esfera: em média, cada metro quadrado do topo da atmosfera recebe um quarto da constante solar.
A Terra intercepta a luz solar que cai sobre um disco do seu próprio raio, mas a reparte pela área quatro vezes maior de uma esfera: em média, cada metro quadrado do topo da atmosfera recebe um quarto da constante solar.

A média esconde grandes diferenças de um lugar para outro. Um feixe de luz solar que atinge o chão de modo oblíquo se espalha por uma área maior que um feixe que o atinge de frente.

Proposição 3.2 (A luz solar numa superfície horizontal)

Quando o Sol está a uma altura hh acima do horizonte, um metro quadrado horizontal no topo da atmosfera recebe a potência S0sin⁡hS_0 \sin h.

Demonstração. Tome um feixe de luz solar de seção quadrada de 1 m21\,\mathrm{m}^{2}, que transporta S0S_0. No chão, o seu traço é um retângulo com um lado de 1 m1\,\mathrm{m} e o outro de comprimento ℓ\ell ao longo da inclinação dos raios. No triângulo retângulo formado por esse lado, o raio e a seção do feixe, o ângulo junto ao chão é hh e sin⁡h=1/ℓ\sin h = 1/\ell. A potência do feixe se espalha por ℓ\ell metros quadrados: S0/ℓ=S0sin⁡hS_0/\ell = S_0 \sin h por metro quadrado. ∎

Luz solar que chega a uma altura h acima do horizonte: o mesmo feixe cobre 1/ h metros quadrados de chão horizontal, logo cada metro quadrado recebe S_0 h. Quanto mais baixo o Sol, mais fraca a luz solar no chão.
Luz solar que chega a uma altura hh acima do horizonte: o mesmo feixe cobre 1/sin⁡h1/\sin h metros quadrados de chão horizontal, logo cada metro quadrado recebe S0sin⁡hS_0 \sin h. Quanto mais baixo o Sol, mais fraca a luz solar no chão.

A altura do Sol muda ao longo do dia, e a duração do dia muda com as estações; as duas contam na energia que um lugar recebe.

Definição 3.3 (Insolação)

A insolação de um lugar é a potência da luz solar recebida por um metro quadrado horizontal no topo da atmosfera acima dele. Em média sobre as vinte e quatro horas de um dia, é a insolação média diária; em média sobre um ano, a insolação média anual; as duas são medidas em W/m2\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}.

Calcular a média diária exige a altura do Sol em cada momento do dia, o que usa uma matemática que vai além deste livro; o computador que traçou as curvas abaixo fez isso. Dois casos são simples. No equador, num equinócio, o Sol nasce exatamente a leste, passa a pino ao meio-dia e se põe exatamente a oeste depois de doze horas; em média sobre vinte e quatro horas, isso dá S0/π≈433 W/m2S_0/\pi \approx 433\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} (admitido). No Polo Norte, o Sol simplesmente dá a volta no céu a uma altura constante, o que o exemplo seguinte usa.

Exemplo 3.4 (O polo em junho)

No solstício de junho, o Sol fica 23.44∘23.44{}^{\circ} acima do horizonte do Polo Norte o dia inteiro. A insolação média diária ali é de 1361×sin⁡23.44∘≈541 W/m21361 \times \sin 23.44^\circ \approx 541\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}; em vinte e quatro horas, isso dá 541×24≈13 000 Wh541 \times 24 \approx 13\,000\,\mathrm{Wh}, 13.0 kWh13.0\,\mathrm{kWh} por metro quadrado. No mesmo dia, o equador recebe uma média diária de 397 W/m2397\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, ou 9.5 kWh9.5\,\mathrm{kWh} por metro quadrado: ali o Sol sobe mais alto ao meio-dia, mas fica abaixo do horizonte durante doze horas.

Insolação média diária no topo da atmosfera ao longo do ano em quatro latitudes do hemisfério norte (calculada para uma órbita circular, a partir da constante solar e da inclinação do eixo). O polo não recebe nada durante metade do ano e, em torno do solstício de junho, recebe mais que qualquer outro lugar.
Insolação média diária no topo da atmosfera ao longo do ano em quatro latitudes do hemisfério norte (calculada para uma órbita circular, a partir da constante solar e da inclinação do eixo). O polo não recebe nada durante metade do ano e, em torno do solstício de junho, recebe mais que qualquer outro lugar.

Observação 3.5 (Leitura das curvas)

A insolação do equador quase não muda: dois máximos suaves nos equinócios, quando o Sol passa a pino ao meio-dia. Quanto mais ao norte, maior a oscilação entre o verão e o inverno. Além de 90∘−23.44∘=66.56∘90^\circ - 23.44^\circ = 66.56{}^{\circ}, em direção ao polo, o Sol fica abaixo do horizonte no solstício de dezembro: é a noite polar. De cerca de 10 de maio até o fim de julho, o Polo Norte e a latitude 60∘60{}^{\circ} N recebem ambos mais que o equador.

Ao longo de um ano inteiro, o quadro muda: a insolação média anual, traçada na seção sobre excedente e déficit, mais abaixo, cai de 416 W/m2416\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} no equador para 172 W/m2172\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} nos polos. A abundância de verão das regiões polares não compensa a sua longa noite nem o seu Sol baixo.

Observação 3.6 (A distância ao Sol não faz as estações)

A órbita da Terra não é exatamente um círculo: a sua distância ao Sol varia entre 147.1147.1 e 152.1152.1 milhões de quilômetros, cerca de 3 %3\,\%, logo a luz solar varia cerca de 7 %7\,\%. A Terra fica mais perto do Sol no início de janeiro, no meio do inverno do hemisfério norte. As curvas acima desprezam essa pequena variação; as estações vêm da inclinação do eixo, e são opostas nos dois hemisférios.

3.2 O albedo

Parte da luz solar que chega à Terra nunca aquece nada: as nuvens, o ar, a neve e o mar a devolvem para o espaço.

Definição 3.7 (Albedo)

O albedo de uma superfície é a fração da luz solar que incide sobre ela que ela reflete, um número entre 0 (toda a luz absorvida) e 1 (toda ela refletida). O albedo de Bond do Capítulo 2 é o albedo de um planeta tomado como um todo.

Albedos típicos de superfícies e da Terra como um todo; a parte clara de uma barra é a faixa habitual. Dados: Universidade do Colorado em Boulder, expedição MOSAiC; National Snow and Ice Data Center.
Albedos típicos de superfícies e da Terra como um todo; a parte clara de uma barra é a faixa habitual. Dados: Universidade do Colorado em Boulder, expedição MOSAiC; National Snow and Ice Data Center.

A neve fresca devolve a maior parte da luz que recebe; o oceano aberto, quase nada. É por isso que o gelo marinho da fotografia de abertura conserva o seu frio durante o verão polar: a neve sobre ele reflete até nove décimos da luz solar, enquanto a água escura entre os blocos absorve cerca de 94 por cento dela. Quando o gelo derrete, a água escura toma o seu lugar e absorve mais luz solar, o que derrete mais gelo: um ciclo que se reforça e que o Capítulo 28 avalia entre as retroações do clima.

Uma manhã de inverno depois de alguns dias de sol: a neve ainda cobre o prado, mas derreteu sobre o campo arado escuro, que absorve muito mais luz solar.
Uma manhã de inverno depois de alguns dias de sol: a neve ainda cobre o prado, mas derreteu sobre o campo arado escuro, que absorve muito mais luz solar.

Para a Terra como um todo, os satélites medem diretamente a luz solar refletida para o espaço: em média 100 W/m2100\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} dos 340 W/m2340\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} que chegam, um albedo de 100/340≈0.29100/340 \approx 0.29. As nuvens são o principal refletor: as mesmas medidas, com as nuvens retiradas por cálculo, dão apenas 53 W/m253\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} refletidos.

Exemplo 3.8 (A luz solar que a Terra absorve)

Com um albedo de Bond de 0.294, cada metro quadrado absorve em média 340×(1−0.294)≈240 W/m2340 \times (1 - 0.294) \approx 240\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}. Sobre a esfera inteira, de área 4πR2=4π×(6.371×106 m)2≈5.10×1014 m24\pi R^2 = 4\pi \times (6.371 \times 10^{6}\,\mathrm{m})^2 \approx 5.10 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2}, a Terra absorve 240×5.10×1014≈1.22×1017 W240 \times 5.10\times10^{14} \approx 1.22 \times 10^{17}\,\mathrm{W} de luz solar: essa potência move os ventos, as correntes oceânicas e o ciclo da água.

3.3 O balanço global de energia

Para onde vão esses 240 W/m2240\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}? Medidas feitas por satélites, por instrumentos no chão e a bordo de navios, combinadas com modelos da atmosfera, dão hoje uma resposta coerente, em média sobre o globo e sobre vários anos. A avaliação científica de 2021 a resume no diagrama abaixo e afirma que as componentes médias globais são hoje conhecidas com mais exatidão, no topo da atmosfera e na superfície (alta confiança).

Definição 3.9 (Balanço de energia)

O balanço de energia de um sistema — a Terra inteira, a sua superfície ou a sua atmosfera — é a contabilidade de toda a energia que entra nele e sai dele, cada fluxo dado como uma potência média por metro quadrado da superfície da Terra. O balanço está equilibrado quando o que entra é igual ao que sai; caso contrário, o sistema ganha ou perde energia e se aquece ou se resfria.

A superfície também perde energia sem nenhuma radiação: a água evapora do mar e das folhas, e o chão aquece o ar em contato com ele.

Definição 3.10 (Calor latente; calor sensível)

O calor latente de uma substância é a energia que ela absorve quando muda de estado sem mudar de temperatura — ao fundir ou ao evaporar — e que devolve quando volta ao estado anterior. Para a água que evapora a 15∘C15{}^{\circ}\mathrm{C}, ele vale cerca de 2.47 MJ2.47\,\mathrm{MJ} por quilograma. No balanço de energia, o fluxo de calor latente é a energia que a evaporação retira da superfície e que o vapor de água libera no ar onde se condensa em nuvens. O fluxo de calor sensível é a energia que a superfície passa ao ar em contato com ela, aquecendo-o, e que o ar que sobe leva para cima.

O balanço médio global de energia da Terra no início do século XXI, em W/ m2 médios sobre toda a superfície. Laranja: luz solar; verde: calor levado pela evaporação e pelo ar quente; vermelho: infravermelho. Dos 100 refletidos, 25 vêm da superfície e 75 das nuvens, do ar e das suas poeiras. O infravermelho para o espaço inclui a parte da emissão da superfície que escapa diretamente através do ar. Dados: IPCC, Sexto Relatório de Avaliação, Grupo de Trabalho I, Figura 7.2.
O balanço médio global de energia da Terra no início do século XXI, em W/m2\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} médios sobre toda a superfície. Laranja: luz solar; verde: calor levado pela evaporação e pelo ar quente; vermelho: infravermelho. Dos 100 refletidos, 25 vêm da superfície e 75 das nuvens, do ar e das suas poeiras. O infravermelho para o espaço inclui a parte da emissão da superfície que escapa diretamente através do ar. Dados: IPCC, Sexto Relatório de Avaliação, Grupo de Trabalho I, Figura 7.2.

Método 3.11 (Ler um diagrama de balanço de energia)

  1. Escolha o sistema: a Terra inteira (uma linha acima da atmosfera), a superfície ou a atmosfera (a camada entre as duas).
  2. Liste as setas que entram nele e some-as; liste as setas que saem dele e some-as.
  3. Compare as duas somas. Se forem iguais, dentro do arredondamento dos números, o sistema está em equilíbrio; a diferença é o que ele ganha (ou perde) a cada segundo por metro quadrado.

Proposição 3.12 (O balanço fecha)

Dentro do arredondamento dos valores, o balanço do diagrama acima está equilibrado para a Terra como um todo, para a superfície e para a atmosfera, com exceção de um pequeno excedente de cerca de 0.7 W/m20.7\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} que a Terra absorve e não devolve.

Demonstração. Terra inteira: entram 340; saem 100+239=339100 + 239 = 339. Superfície: entram 160+342=502160 + 342 = 502; saem 82+21+398=50182 + 21 + 398 = 501. Nos dois casos, o excedente, cerca de 1, é o desequilíbrio de 0.7 arredondado. Atmosfera: chame de WW a parte do infravermelho da superfície que escapa através do ar para o espaço. O ar recebe 80+82+21+(398−W)=581−W80 + 82 + 21 + (398 - W) = 581 - W e emite 342342 para baixo e 239−W239 - W para cima, 581−W581 - W ao todo: equilibrado, qualquer que seja WW. ∎

O diagrama também mostra o efeito estufa em ação. A superfície recebe do ar, como infravermelho, 342 W/m2342\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} — mais que o dobro da luz solar que ela absorve, 160 W/m2160\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}. É por isso que ela pode emitir 398 W/m2398\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, a emissão de um corpo a cerca de 15∘C15{}^{\circ}\mathrm{C}, enquanto a Terra envia apenas 239 W/m2239\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} para o espaço. Os livros de física constroem o modelo que liga esses números à temperatura; este livro usa os fluxos medidos.

Exemplo 3.13 (Um metro de água por ano)

O fluxo de calor latente, 82 W/m282\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, evapora a cada segundo 82/2.47×106≈3.3×10−5 kg82/2.47\times 10^6 \approx 3.3 \times 10^{-5}\,\mathrm{kg} de água por metro quadrado. Em um ano, 3.16×1073.16\times10^7 segundos, isso dá cerca de 1050 kg1050\,\mathrm{kg}, uma camada de água de 1.05 m1.05\,\mathrm{m} de espessura sobre a Terra inteira. O ar só contém um pouco de água de cada vez, de modo que praticamente toda ela volta a cair como chuva e neve: o fluxo de calor latente e a chuva anual do planeta são duas faces do mesmo ciclo da água.

Observação 3.14 (O desequilíbrio)

O excedente de 0.7 W/m20.7\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} parece minúsculo ao lado de fluxos de centenas de watts, mas sobre a Terra inteira ele dá 0.7×5.10×1014≈3.6×1014 W0.7 \times 5.10\times10^{14} \approx 3.6 \times 10^{14}\,\mathrm{W}, armazenados sobretudo no oceano, que se aquece. Não é uma constante natural: ele cresceu nas últimas décadas, como explica o Capítulo 28.

3.4 Excedente e déficit

O balanço fecha para a Terra como um todo, mas não em cada latitude.

Insolação média anual no topo da atmosfera em função da latitude (a mesma nos dois hemisférios; calculada a partir da constante solar e da inclinação do eixo). Entre o equador e cerca de 37, ela supera a média global; mais perto dos polos, fica abaixo dela.
Insolação média anual no topo da atmosfera em função da latitude (a mesma nos dois hemisférios; calculada a partir da constante solar e da inclinação do eixo). Entre o equador e cerca de 37∘37{}^{\circ}, ela supera a média global; mais perto dos polos, fica abaixo dela.

Os trópicos absorvem muito mais luz solar que as regiões polares, e o seu albedo baixo aumenta a diferença. O infravermelho que eles enviam para o espaço também é maior, porque eles são mais quentes, mas varia muito menos com a latitude. Em consequência, as regiões em torno do equador absorvem em média cerca de 200 W/m2200\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} a mais do que refletem e irradiam, e as regiões perto dos polos irradiam cerca de 200 W/m2200\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} a mais do que absorvem.

Definição 3.15 (Transporte de calor para os polos)

O transporte de calor para os polos é o fluxo de energia levado dos trópicos em direção aos polos pelos movimentos da atmosfera e do oceano. Ele é medido, através de um círculo de latitude, em petawatts (1 PW1\,\mathrm{PW} = 1015 W10^{15}\,\mathrm{W}).

Sem ele, os trópicos ficariam cada vez mais quentes e os polos cada vez mais frios, até que cada latitude equilibrasse o seu próprio balanço. A atmosfera faz a maior parte do transporte: ar quente que se desloca em direção aos polos e ar frio que volta para o equador, e vapor de água que libera o seu calor latente longe de onde evaporou. As correntes oceânicas levam o resto. Estimativas feitas a partir de medidas situam o máximo do transporte atmosférico para os polos em cerca de 5.0 PW5.0\,\mathrm{PW} perto de 43∘43{}^{\circ} N, com valores semelhantes perto de 40∘40{}^{\circ} S; o oceano só transporta mais que a atmosfera perto do equador, entre 0∘0{}^{\circ} e 17∘17{}^{\circ} N, e a 35∘35{}^{\circ} N, onde o transporte total é máximo, a atmosfera leva 78 %78\,\% dele. O total é máximo ali porque 35∘35{}^{\circ} é mais ou menos onde o excedente dá lugar ao déficit: em direção ao equador, o transporte vai acumulando o excedente de cada latitude que atravessa; em direção ao polo, cada latitude retira dele a sua parte.

Entre cerca de 35 S e 35 N, a Terra absorve mais energia do que irradia; além dessas latitudes, em direção aos polos, ela irradia mais do que absorve. A atmosfera (laranja) e o oceano (verde) levam o excedente para os polos. Esquema: as larguras das setas não estão em escala.
Entre cerca de 35∘35{}^{\circ} S e 35∘35{}^{\circ} N, a Terra absorve mais energia do que irradia; além dessas latitudes, em direção aos polos, ela irradia mais do que absorve. A atmosfera (laranja) e o oceano (verde) levam o excedente para os polos. Esquema: as larguras das setas não estão em escala.

Esse transporte é o motor do tempo. As células de convecção e os ventos globais do Livro 1, as tempestades do Capítulo 5 e as grandes correntes oceânicas do Capítulo 6 levam todos o calor de onde o Sol dá demais para onde ele dá de menos.

3.5 Para onde vai a energia

Quase toda a energia da luz solar que a Terra absorve acaba como calor: ela aquece o chão, o mar e o ar, evapora a água, move os ventos e as correntes, e sai de novo como luz infravermelha. Uma parte minúscula segue outro caminho: a fotossíntese a armazena nas ligações químicas dos açúcares e, dali, em toda a matéria viva do planeta.

Exemplo 3.16 (A parte da fotossíntese)

As plantas em terra e as algas no mar armazenam, depois das suas próprias necessidades, cerca de 105105 bilhões de toneladas de carbono em nova matéria viva a cada ano, mais ou menos metade em terra e metade no oceano: os ecólogos chamam isso de produção primária líquida do planeta. Queimar um mol de glicose, CX6HX12OX6\ce{C6H12O6}, que contém seis mols de carbono, 72 g72\,\mathrm{g}, libera 2805 kJ2805\,\mathrm{kJ}: cerca de 38.9 kJ38.9\,\mathrm{kJ} por grama de carbono. A energia armazenada a cada ano é 1.049×1017 g×38.9×103 J/g≈4.1×1021 J1.049\times10^{17}\,\mathrm{g} \times 38.9 \times 10^{3}\,\mathrm{J}/\mathrm{g} \approx 4.1 \times 10^{21}\,\mathrm{J}, uma potência de 4.1×1021/3.16×107≈1.3×1014 W4.1\times10^{21}/3.16\times10^{7} \approx 1.3 \times 10^{14}\,\mathrm{W}. Comparada com os 1.22×1017 W1.22 \times 10^{17}\,\mathrm{W} de luz solar que a Terra absorve, isso é cerca de 0.1 %0.1\,\%.

Observação 3.17 (Uma parte pequena, um papel grande)

Um milésimo da luz solar absorvida alimenta quase toda a vida da Terra, e os restos de plantas e algas enterrados ao longo de centenas de milhões de anos formam o carvão, o petróleo e o gás natural (Capítulo 18). O resto da luz solar — mais de 99.9 por cento — mantém o planeta quente e o seu ar, a sua água e o seu tempo em movimento.

3.6 Exercícios

Exercício 3.1 ★

Defina a insolação de um lugar e o albedo de uma superfície. Qual reflete a maior fração da luz solar, a neve fresca ou o oceano aberto?

Solução

Solução de Exercício 3.1.

A insolação de um lugar é a potência da luz solar recebida por um metro quadrado horizontal no topo da atmosfera acima dele (em média sobre um dia ou um ano). O albedo de uma superfície é a fração da luz solar que incide sobre ela que ela reflete. A neve fresca (0.8 a 0.9) reflete muito mais que o oceano aberto (0.06).

Exercício 3.2 ★

Usando o diagrama do balanço de energia deste capítulo, dê, em porcentagem dos 340 W/m2340\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} que chegam ao topo da atmosfera, a parte refletida para o espaço, a parte absorvida pelo ar e a parte absorvida pela superfície.

Solução

Solução de Exercício 3.2.

Refletida: 100/340≈29 %100/340 \approx 29\,\%; absorvida pelo ar: 80/340≈24 %80/340 \approx 24\,\%; absorvida pela superfície: 160/340≈47 %160/340 \approx 47\,\%.

Exercício 3.3 ★

Um sol de verão fornece 800 W/m2800\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} ao chão. Que potência absorve um metro quadrado coberto de asfalto novo (albedo 0.04), e de neve fresca (albedo 0.85)?

Solução

Solução de Exercício 3.3.

Asfalto: 800×(1−0.04)=768 W800 \times (1 - 0.04) = 768\,\mathrm{W}. Neve: 800×(1−0.85)=120 W800 \times (1 - 0.85) = 120\,\mathrm{W}, mais de seis vezes menos.

Exercício 3.4 ★

O que leva mais energia para longe da superfície da Terra: a evaporação ou o aquecimento do ar em contato com o chão? Descreva em duas frases como a energia retirada do mar pela evaporação chega ao ar lá no alto.

Solução

Solução de Exercício 3.4.

Evaporação: 82 W/m282\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, contra 21 W/m221\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} para o aquecimento do ar. A água que evapora retira o seu calor latente do mar; o vapor sobe com o ar e, onde se condensa em gotículas de nuvem, muitas vezes quilômetros mais acima, devolve essa energia ao ar em volta.

Exercício 3.5 ★

Explique por que a insolação média diária é nula no Polo Norte em dezembro e dê a latitude além da qual isso acontece no solstício de dezembro.

Solução

Solução de Exercício 3.5.

Em dezembro, o hemisfério norte se inclina para longe do Sol: no polo, o Sol fica abaixo do horizonte o dia inteiro, logo nenhuma luz solar chega. No solstício de dezembro, isso vale em toda parte, em direção ao polo, além de 90∘−23.44∘=66.56∘90^\circ - 23.44^\circ = 66.56{}^{\circ} N.

Exercício 3.6 ★★

Usando a Proposição 3.2, calcule a potência recebida por um metro quadrado horizontal no topo da atmosfera quando o Sol está a 90∘90{}^{\circ}, 30∘30{}^{\circ} e 10∘10{}^{\circ} acima do horizonte. A que altura do Sol o metro quadrado recebe a metade de S0S_0?

Solução

Solução de Exercício 3.6.

1361sin⁡90∘=1361 W1361 \sin 90^\circ = 1361\,\mathrm{W}; 1361sin⁡30∘=680.5 W1361 \sin 30^\circ = 680.5\,\mathrm{W}; 1361sin⁡10∘≈236 W1361 \sin 10^\circ \approx 236\,\mathrm{W}. A metade de S0S_0 exige sin⁡h=0.5\sin h = 0.5, isto é, h=30∘h = 30{}^{\circ}.

Exercício 3.7 ★★

Seguindo o Método 3.11, verifique o balanço apenas da luz solar: dos 340 W/m2340\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} que chegam, quanto é refletido, absorvido pelo ar e absorvido pela superfície? Os três somam 340? Verifique também que a luz solar que chega à superfície, 185 W/m2185\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, é ali refletida ou absorvida.

Solução

Solução de Exercício 3.7.

Refletidos 100, absorvidos pelo ar 80, absorvidos pela superfície 160: 100+80+160=340100 + 80 + 160 = 340, toda a luz solar está contabilizada. Na superfície, 185=25+160185 = 25 + 160: o que não é refletido é absorvido.

Exercício 3.8 ★★

Com o raio médio da Terra, 6371 km6371\,\mathrm{km}, calcule a área do disco que intercepta a luz solar e a potência que ele intercepta e, depois, a área da esfera. Deduza a potência média por metro quadrado da esfera.

Solução

Solução de Exercício 3.8.

Disco: π×(6.371×106)2≈1.275×1014 m2\pi \times (6.371\times10^6)^2 \approx 1.275 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2}; potência: 1361×1.275×1014≈1.74×1017 W1361 \times 1.275\times10^{14} \approx 1.74 \times 10^{17}\,\mathrm{W}. Esfera: 4πR2≈5.10×1014 m24\pi R^2 \approx 5.10 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2}. Média: 1.74×1017/5.10×1014≈340 W/m21.74\times10^{17}/5.10\times 10^{14} \approx 340\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, um quarto de S0S_0.

Exercício 3.9 ★★

O excedente da Terra é de 0.7 W/m20.7\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} sobre uma área de 5.10×1014 m25.10 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2}. Quanta energia, em joules, a Terra ganha num ano de 3.16×1073.16\times10^7 segundos?

Solução

Solução de Exercício 3.9.

0.7×5.10×1014×3.16×107≈1.1×1022 J0.7 \times 5.10\times10^{14} \times 3.16\times10^7 \approx 1.1 \times 10^{22}\,\mathrm{J} em um ano.

Exercício 3.10 ★★

Com as nuvens retiradas por cálculo, a Terra refletiria 53 W/m253\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} em vez de 100 W/m2100\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} e enviaria 267 W/m2267\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} de infravermelho para o espaço em vez de 239 W/m2239\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}. Quanto as nuvens mudam a luz solar absorvida e o infravermelho perdido? No saldo, as nuvens aquecem ou resfriam a Terra?

Solução

Solução de Exercício 3.10.

As nuvens refletem 100−53=47 W/m2100 - 53 = 47\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} a mais de luz solar, que portanto não é absorvida. Elas retêm 267−239=28 W/m2267 - 239 = 28\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} de infravermelho. No saldo, a Terra perde 47−28=19 W/m247 - 28 = 19\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}: as nuvens, como um todo, a resfriam.

Exercício 3.11 ★★

Leia as curvas de insolação média diária deste capítulo. Em que meses a insolação média diária no Polo Norte é maior que no equador? Por que a curva do equador mostra dois máximos e não um só?

Solução

Solução de Exercício 3.11.

De cerca de 10 de maio até o fim de julho, isto é, em maio, junho e julho. No equador, o Sol passa a pino ao meio-dia nos dois equinócios, em março e em setembro; nos solstícios, ele passa a 23.44∘23.44{}^{\circ} do zênite, logo o equador recebe um pouco menos em junho e em dezembro.

Exercício 3.12 ★★★

O calor latente de evaporação da água é de 2.47 MJ/kg2.47\,\mathrm{MJ}/\mathrm{kg} e o fluxo de calor latente, de 82 W/m282\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}. Calcule a espessura de água, em milímetros, evaporada do metro quadrado médio da Terra a cada dia, e em metros a cada ano (um litro de água espalhado sobre um metro quadrado forma uma camada de 1 mm1\,\mathrm{mm} de espessura).

Solução

Solução de Exercício 3.12.

A cada segundo: 82/(2.47×106)≈3.32×10−5 kg82/(2.47\times10^6) \approx 3.32 \times 10^{-5}\,\mathrm{kg}. A cada dia: 3.32×10−5×86 400≈2.9 kg3.32\times10^{-5} \times 86\,400 \approx 2.9\,\mathrm{kg}, uma camada de cerca de 2.9 mm2.9\,\mathrm{mm}. A cada ano: 3.32×10−5×3.16×107≈1050 kg3.32\times10^{-5} \times 3.16\times10^7 \approx 1050\,\mathrm{kg}, cerca de 1.05 m1.05\,\mathrm{m} de água.

Exercício 3.13 ★★★

No Polo Norte, o Sol dá a volta no céu a uma altura igual à sua declinação δ\delta, de modo que a insolação média diária ali é S0sin⁡δS_0 \sin \delta. Encontre a declinação para a qual o polo recebe, em média sobre o dia, tanto quanto o equador num equinócio, S0/πS_0/\pi. A declinação obedece a sin⁡δ=sin⁡23.44∘×sin⁡λ\sin\delta = \sin 23.44^\circ \times \sin\lambda, em que o ângulo λ\lambda cresce regularmente 360∘360{}^{\circ} por ano, a partir de 0∘0{}^{\circ} no equinócio de março (90∘90{}^{\circ} no solstício de junho). Durante aproximadamente quantos dias por ano o polo recebe mais que S0/πS_0/\pi?

Solução

Solução de Exercício 3.13.

S0sin⁡δ=S0/πS_0 \sin\delta = S_0/\pi dá sin⁡δ=1/π≈0.318\sin\delta = 1/\pi \approx 0.318, logo δ≈18.6∘\delta \approx 18.6{}^{\circ}. Então sin⁡λ=0.318/sin⁡23.44∘≈0.318/0.398≈0.800\sin\lambda = 0.318/\sin 23.44^\circ \approx 0.318/0.398 \approx 0.800: λ≈53.15∘\lambda \approx 53.15{}^{\circ} ou 180∘−53.15∘=126.85∘180^\circ - 53.15^\circ = 126.85{}^{\circ}. Entre os dois, λ\lambda cresce 73.7∘73.7{}^{\circ}, isto é, 73.7/36073.7/360 de ano, cerca de 7575 dias, de meados de maio ao fim de julho.

Exercício 3.14 ★★★

Suponha que, no verão, uma área de 1×1012 m21 \times 10^{12}\,\mathrm{m}^{2} de gelo marinho (albedo 0.6) derreta e seja substituída por oceano aberto (albedo 0.06), sob uma luz solar de 300 W/m2300\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} em média na superfície. Calcule a potência absorvida a mais. Compare-a com a potência armazenada por toda a fotossíntese da Terra, 1.3×1014 W1.3 \times 10^{14}\,\mathrm{W}, e explique por que essa troca de superfícies se reforça a si mesma.

Solução

Solução de Exercício 3.14.

O gelo absorve 1−0.6=0.401 - 0.6 = 0.40 da luz solar, o oceano 1−0.06=0.941 - 0.06 = 0.94. Potência a mais: (0.94−0.40)×300×1012≈1.6×1014 W(0.94 - 0.40) \times 300 \times 10^{12} \approx 1.6 \times 10^{14}\,\mathrm{W}, mais que toda a fotossíntese do planeta. A energia a mais aquece a água, que derrete mais gelo nas bordas dos blocos, o que expõe mais água escura: a mudança se alimenta a si mesma.

Exercício 3.15 ★★★

A distância da Terra ao Sol é de 147.1147.1 milhões de quilômetros no ponto mais próximo e de 152.1152.1 milhões no mais afastado, para uma média de 149.6149.6 milhões, onde S0=1361 W/m2S_0 = 1361\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}. Calcule a irradiância solar nos dois extremos. A diferença é de cerca de 90 W/m290\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}; a 60∘60{}^{\circ} N, a insolação média diária é de cerca de 490 W/m2490\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} em junho e de 24 W/m224\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} em dezembro. Explique por que a distância não pode ser a causa das estações.

Solução

Solução de Exercício 3.15.

Ponto mais próximo: 1361×(149.6/147.1)2≈1408 W/m21361 \times (149.6/147.1)^2 \approx 1408\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}; mais afastado: 1361×(149.6/152.1)2≈1317 W/m21361 \times (149.6/152.1)^2 \approx 1317\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}; cerca de 7 %7\,\% de diferença. A 60∘60{}^{\circ} N, a insolação é vinte vezes maior em junho do que em dezembro: uma variação de alguns por cento não pode causar isso. Além disso, a Terra fica mais perto do Sol no início de janeiro, durante o inverno do hemisfério norte, e os dois hemisférios, à mesma distância do Sol, têm estações opostas: é a inclinação do eixo, e não a distância, que faz as estações.

3.7 Problema: seguindo um raio de sol

Problema 3.1

Problema de fim de semana — da luz solar que chega à Terra à parte que a vida armazena

Use S0=1361 W/m2S_0 = 1361\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, o raio da Terra R=6371 kmR = 6371\,\mathrm{km}, σ=5.67×10−8 W m−2 K−4\sigma = 5.67 \times 10^{-8}\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-2}\,\mathrm{K}^{-4}, um ano de 3.156×1073.156\times10^7 segundos, os fluxos do diagrama do balanço de energia, um calor latente de evaporação de 2.47 MJ/kg2.47\,\mathrm{MJ}/\mathrm{kg}, uma produção primária líquida global de 104.9104.9 bilhões de toneladas de carbono por ano e 2805 kJ2805\,\mathrm{kJ} liberados pela queima de um mol de glicose (72.07 g72.07\,\mathrm{g} de carbono).

Parte I — A geometria da luz solar.

  1. Calcule a área do disco que intercepta a luz solar, πR2\pi R^2, em metros quadrados.
  2. Calcule a potência da luz solar que ele intercepta.
  3. Calcule a área da superfície da Terra, 4πR24\pi R^2.
  4. Deduza a potência média que chega por metro quadrado do topo da atmosfera.
  5. Num equinócio, ao meio-dia, o Sol está a pino no equador e a 30∘30{}^{\circ} acima do horizonte a 60∘60{}^{\circ} N. O que recebe um metro quadrado horizontal em cada lugar?

Parte II — O albedo.

  1. A partir dos 100 W/m2100\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} refletidos, calcule o albedo da Terra.
  2. Calcule a potência absorvida por metro quadrado e pela Terra inteira.
  3. Sem nuvens, 53 W/m253\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} seriam refletidos. Qual seria o albedo? Por que fator as nuvens o aumentam?
  4. Calcule a temperatura de equilíbrio correspondente à potência absorvida da questão 7 (Capítulo 2) e compare-a com os 288 K288\,\mathrm{K} da superfície.

Parte III — A superfície.

  1. Some os fluxos de energia que entram na superfície.
  2. Some os que saem dela e compare.
  3. Quantas vezes maior que a luz solar absorvida pela superfície é o infravermelho que ela recebe do ar? O que isso mostra?
  4. Calcule a massa de água evaporada de um metro quadrado em um ano e a espessura da camada que ela forma.
  5. Calcule a potência total do desequilíbrio, 0.7 W/m20.7\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, sobre a Terra inteira.

Parte IV — A parte da vida.

  1. Calcule a energia armazenada por grama de carbono fixado na glicose.
  2. Calcule a energia armazenada em um ano pela produção primária líquida.
  3. Converta-a numa potência.
  4. Expresse-a por metro quadrado da superfície da Terra.
  5. Compare-a com o desequilíbrio da questão 14.
  6. Que parte da luz solar absorvida pela Terra (questão 7) a fotossíntese armazena?
Solução

Solução de Problema 3.1.

1. π×(6.371×106)2≈1.275×1014 m2\pi \times (6.371\times10^6)^2 \approx 1.275 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2}.

2. 1361×1.275×1014≈1.735×1017 W1361 \times 1.275\times10^{14} \approx 1.735 \times 10^{17}\,\mathrm{W}.

3. 4πR2≈5.101×1014 m24\pi R^2 \approx 5.101 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2}.

4. 1.735×1017/5.101×1014≈340 W/m21.735\times10^{17}/5.101\times10^{14} \approx 340\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, isto é, S0/4S_0/4.

5. Equador: 1361 W1361\,\mathrm{W}; 60∘60{}^{\circ} N: 1361sin⁡30∘=680.5 W1361 \sin 30^\circ = 680.5\,\mathrm{W}.

6. 100/340≈0.294100/340 \approx 0.294.

7. 340−100=240 W/m2340 - 100 = 240\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}; sobre a Terra, 240×5.101×1014≈1.224×1017 W240 \times 5.101\times10^{14} \approx 1.224 \times 10^{17}\,\mathrm{W}.

8. 53/340≈0.15653/340 \approx 0.156. As nuvens aumentam o albedo por um fator 100/53≈1.9100/53 \approx 1.9: elas quase o dobram.

9. (240/5.67×10−8)1/4≈255 K(240/5.67\times10^{-8})^{1/4} \approx 255\,\mathrm{K}, cerca de 33 K33\,\mathrm{K} abaixo dos 288 K288\,\mathrm{K} da superfície.

10. 160+342=502 W/m2160 + 342 = 502\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}.

11. 82+21+398=501 W/m282 + 21 + 398 = 501\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}. A superfície ganha cerca de 1 W/m21\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}: o desequilíbrio de 0.7 W/m20.7\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, arredondado.

12. 342/160≈2.1342/160 \approx 2.1. O ar envia à superfície, como infravermelho, mais que o dobro da energia da luz solar que ela absorve: é o efeito estufa.

13. 82×3.156×107/(2.47×106)≈1050 kg82 \times 3.156\times10^7/(2.47\times10^6) \approx 1050\,\mathrm{kg}, uma camada de cerca de 1.05 m1.05\,\mathrm{m} de espessura.

14. 0.7×5.101×1014≈3.6×1014 W0.7 \times 5.101\times10^{14} \approx 3.6 \times 10^{14}\,\mathrm{W}.

15. 2805/72.07≈38.9 kJ2805/72.07 \approx 38.9\,\mathrm{kJ} por grama de carbono.

16. 104.9×109104.9\times10^9 toneladas são 1.049×10171.049\times10^{17} g; 1.049×1017×38.9×103≈4.08×1021 J1.049\times10^{17} \times 38.9\times10^3 \approx 4.08 \times 10^{21}\,\mathrm{J}.

17. 4.08×1021/3.156×107≈1.29×1014 W4.08\times10^{21}/3.156\times10^7 \approx 1.29 \times 10^{14}\,\mathrm{W}.

18. 1.29×1014/5.101×1014≈0.25 W/m21.29\times10^{14}/5.101\times10^{14} \approx 0.25\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}.

19. 0.7/0.25≈2.80.7/0.25 \approx 2.8: o desequilíbrio da Terra é quase três vezes a potência que a fotossíntese armazena.

20. 1.29×1014/1.224×1017≈0.00111.29\times10^{14}/1.224\times10^{17} \approx 0.0011: a fotossíntese armazena cerca de 0.1 %0.1\,\% da luz solar que a Terra absorve — um milésimo.

本章定义的术语

在术语表中查看全部 957 个术语