পৃথিবী ও মহাকাশ বিজ্ঞান · বই 2 · শ্রেণি 10–12

Ciências da Terra e do espaço do ensino médio

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Ciências da Terra e do espaço do ensino médio · শ্রেণি 10–12

5Trovoadas e ciclones tropicais

Uma tarde quente de verão termina em temporal. O céu escurece, uma rajada de vento frio varre a rua, um clarão ilumina as nuvens — e você começa a contar: um, dois, três, … nove segundos depois, o trovão ribomba. A tempestade está a uns três quilômetros. Em uma hora ela terá passado, e o ar estará fresco e limpo. Sobre os oceanos tropicais quentes, os mesmos ingredientes — ar quente e úmido que sobe e se condensa — podem se organizar em tempestades de um tamanho completamente diferente: os ciclones tropicais, com centenas de quilômetros de diâmetro, que duram dias e trazem ventos fortes o bastante para derrubar florestas e uma subida do mar que inunda costas inteiras. Este capítulo trata das trovoadas, dos tornados e dos ciclones tropicais, e de onde vem a sua energia.

Segurança

Se você consegue ouvir o trovão, o raio pode atingi-lo. Entre num prédio ou num carro fechado e fique ali até bem depois do último trovão. Nunca se abrigue sob uma árvore isolada, e fique longe do alto dos morros, dos campos abertos e da água.

O que você já sabe

As massas de ar, as frentes, as depressões (zonas de baixa pressão) e os anticiclones são desenhados nas cartas do tempo com isóbaras, linhas de mesma pressão (Livro 1, 8º ano). Uma ameaça natural é um fenômeno natural que pode causar danos às pessoas e ao que elas constroem (Livro 1, 5º ano). O som se propaga no ar a cerca de 340 m/s340\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, e a luz quase instantaneamente (os livros de física). O ar quente e úmido que sobe se resfria, se condensa em nuvem no seu nível de condensação e libera calor latente; o ar saturado é muitas vezes instável (Capítulo 4).

5.1 As trovoadas

Definição 5.1 (Trovoada)

Uma trovoada é uma tempestade produzida por uma nuvem cumulonimbo, com raios e trovões, em geral com aguaceiros fortes e rajadas de vento, às vezes com granizo.

Uma trovoada nasce de um ar instável e úmido. Na primeira fase, um cúmulo cresce para cima, alimentado por uma forte corrente ascendente; a condensação libera calor latente e mantém o ar que sobe mais quente que o ar em volta. Na fase madura, a nuvem chega ao ar estável lá no alto e se espalha numa bigorna; gotas e pedras de granizo ficam grandes o bastante para cair, e a chuva que cai arrasta consigo o ar frio para baixo: uma corrente descendente que se espalha junto ao chão numa frente de rajada fria. Na última fase, a corrente descendente toma conta da nuvem inteira, cortando o fornecimento de ar quente e úmido, e a tempestade se esgota em chuva.

As três fases de uma trovoada (esquema, fora de escala): um cúmulo em crescimento alimentado por correntes ascendentes; o cumulonimbo maduro, com a sua bigorna, a sua corrente ascendente e uma corrente descendente arrastada pela chuva; a tempestade em dissipação, só corrente descendente.
As três fases de uma trovoada (esquema, fora de escala): um cúmulo em crescimento alimentado por correntes ascendentes; o cumulonimbo maduro, com a sua bigorna, a sua corrente ascendente e uma corrente descendente arrastada pela chuva; a tempestade em dissipação, só corrente descendente.

Dentro da nuvem, as colisões entre partículas de gelo levadas para cima e para baixo pelo ar separam cargas elétricas: a nuvem fica carregada, em geral negativamente embaixo e positivamente em cima, e o chão sob ela ganha uma carga própria.

Definição 5.2 (Raio)

O raio é uma faísca elétrica gigante que descarrega as regiões carregadas de uma tempestade, dentro da nuvem, entre nuvens ou entre a nuvem e o chão. Ele aquece um canal estreito de ar tão de repente que o ar se expande num choque: o som dessa expansão é o trovão.

Raios, entre nuvens e da nuvem ao chão, durante uma trovoada noturna. Fotografia: C. Clark, NOAA National Severe Storms Laboratory (domínio público).
Raios, entre nuvens e da nuvem ao chão, durante uma trovoada noturna. Fotografia: C. Clark, NOAA National Severe Storms Laboratory (domínio público).

Os satélites que contam os clarões de luz sobre o planeta inteiro encontram cerca de 1.4 bilhão de raios por ano, ou 44 a cada segundo.

Método 5.3 (A distância de uma tempestade, do clarão ao trovão)

  1. A luz do clarão chega praticamente na hora; o trovão viaja à velocidade do som, cerca de 343 m/s343\,\mathrm{m}/\mathrm{s} a 20∘C20{}^{\circ}\mathrm{C}.
  2. Conte os segundos tt entre o clarão e o trovão.
  3. A distância é de 343 t343\,t metros: cerca de 1 km1\,\mathrm{km} a cada três segundos.

5.2 Os tornados

Definição 5.4 (Tornado)

Um tornado é uma coluna de ar em rotação violenta, em contato com o chão, pendurada na base de um cumulonimbo.

Os tornados mais fortes vêm das supercélulas, trovoadas cuja corrente ascendente gira como um todo. Um tornado é pequeno e breve: tipicamente algumas centenas de metros de diâmetro, durando minutos, com uma trajetória média de cerca de 5.6 km5.6\,\mathrm{km}. Mas os seus ventos são os mais fortes da superfície da Terra: um radar móvel mediu cerca de 135 m/s135\,\mathrm{m}/\mathrm{s} (uns 480 km/h480\,\mathrm{km}/\mathrm{h}) acima do chão num tornado em Oklahoma, em maio de 1999. Os Estados Unidos têm mais tornados que qualquer outro país, cerca de 1200 por ano; entre as outras regiões onde eles são frequentes estão as pradarias canadenses, Bangladesh, o norte da Argentina e o sul do Brasil, e a Grã-Bretanha.

Um tornado sobre as planícies do Kansas, em maio de 2008: o funil pende da base da nuvem de tempestade. Fotografia: Sean Waugh, NOAA National Severe Storms Laboratory (domínio público).
Um tornado sobre as planícies do Kansas, em maio de 2008: o funil pende da base da nuvem de tempestade. Fotografia: Sean Waugh, NOAA National Severe Storms Laboratory (domínio público).

5.3 Os ciclones tropicais

Definição 5.5 (Ciclone tropical; olho; parede do olho)

Um ciclone tropical é uma tempestade, com centenas de quilômetros de diâmetro, que se forma sobre um mar tropical quente em torno de um centro de baixa pressão, com ventos que espiralam em direção ao centro e faixas de trovoadas. Quando os seus ventos sustentados chegam a 6464 nós, cerca de 119 km/h119\,\mathrm{km}/\mathrm{h}, ele é chamado de furacão no Atlântico e no Pacífico leste, de tufão no Pacífico oeste, e simplesmente de ciclone no oceano Índico e no Pacífico Sul. O seu centro calmo e quase sem nuvens é o olho; o anel de trovoadas altíssimas em volta dele, onde os ventos são mais fortes, é a parede do olho.

O furacão Isabel, em 15 de setembro de 2003, fotografado por um astronauta da Estação Espacial Internacional: o olho, a parede do olho e a espiral de nuvens em volta deles. Imagem: Mike Trenchard, Earth Sciences and Image Analysis Laboratory, NASA Johnson Space Center (domínio público).
O furacão Isabel, em 15 de setembro de 2003, fotografado por um astronauta da Estação Espacial Internacional: o olho, a parede do olho e a espiral de nuvens em volta deles. Imagem: Mike Trenchard, Earth Sciences and Image Analysis Laboratory, NASA Johnson Space Center (domínio público).

Perto da superfície do mar, o ar úmido flui em direção à baixa pressão do centro. A rotação da Terra desvia o ar em movimento para a direita no hemisfério norte: em vez de ir direto para o centro, o ar gira em torno dele, no sentido anti-horário visto de cima (no sentido horário no hemisfério sul). Perto do centro, ele sobe na parede do olho, se condensa e escoa pelo topo da tempestade. No olho, um pouco de ar desce, se aquece e se seca: o céu se abre.

Um ciclone tropical em corte (esquema, altura muito exagerada): o ar úmido entra sobre o mar quente, sobe na parede do olho e nas faixas de chuva e sai pelo topo; um pouco de ar desce no olho. À direita: visto de cima, no hemisfério norte, o ar que entra gira no sentido anti-horário em torno do centro.
Um ciclone tropical em corte (esquema, altura muito exagerada): o ar úmido entra sobre o mar quente, sobe na parede do olho e nas faixas de chuva e sai pelo topo; um pouco de ar desce no olho. À direita: visto de cima, no hemisfério norte, o ar que entra gira no sentido anti-horário em torno do centro.

Os ciclones tropicais precisam de um oceano quente: água de pelo menos cerca de 27∘C27{}^{\circ}\mathrm{C} na superfície, quente até uma profundidade de uns 46 m46\,\mathrm{m}. Eles não se formam no próprio equador, onde a rotação da Terra não dá nenhum giro ao ar que entra: uma tempestade precisa estar a pelo menos cerca de 480 km480\,\mathrm{km} do equador para que a rotação comece.

Ciclones tropicais: as trajetórias de todas as tempestades das temporadas de 2015–2024 (em vermelho) e o lugar onde cada tempestade das temporadas de 1980–2024 atingiu pela primeira vez a força de tempestade tropical (pontos azuis). Dados: IBTrACS v04r01, NOAA National Centers for Environmental Information.
Ciclones tropicais: as trajetórias de todas as tempestades das temporadas de 2015–2024 (em vermelho) e o lugar onde cada tempestade das temporadas de 1980–2024 atingiu pela primeira vez a força de tempestade tropical (pontos azuis). Dados: IBTrACS v04r01, NOAA National Centers for Environmental Information.

O mapa mostra a regra em ação. Das 3 888 tempestades de 1980–2024, só 24 atingiram a força de tempestade tropical a menos de 5∘5{}^{\circ} do equador. A maioria se forma entre 10∘10{}^{\circ} e 30∘30{}^{\circ} de latitude, depois deriva para oeste com os alísios e se curva em direção aos polos, onde o mar frio as enfraquece. O Atlântico Sul, mais frio e menos favorável, viu apenas três em 45 anos. Cerca de 87 ciclones tropicais se formam num ano médio, sete em cada dez no hemisfério norte, e pouco mais da metade chega à força de furacão.

Proposição 5.6 (A fonte de energia de um ciclone tropical)

Um ciclone tropical tira a sua energia do mar quente: o calor latente absorvido pela evaporação na superfície do mar é liberado na parede do olho e nas faixas de chuva quando o vapor se condensa. Um furacão médio libera dessa maneira cerca de 6×1014 W6 \times 10^{14}\,\mathrm{W}; apenas uma pequena fração disso, cerca de 1.5×1012 W1.5 \times 10^{12}\,\mathrm{W}, vai para a energia cinética dos seus ventos.

Justificativa. Um furacão médio despeja 1.5 cm1.5\,\mathrm{cm} de chuva por dia sobre um círculo de raio 665 km665\,\mathrm{km}, uma área de π×(665 000)2≈1.39×1012 m2\pi \times (665\,000)^2 \approx 1.39 \times 10^{12}\,\mathrm{m}^{2}: 2.1×1010 m32.1 \times 10^{10}\,\mathrm{m}^{3}, ou 2.1×1013 kg2.1 \times 10^{13}\,\mathrm{kg}, de água por dia. Cada quilograma que se condensa libera cerca de 2.5 MJ2.5\,\mathrm{MJ}: 2.1×1013×2.5×106≈5.2×1019 J2.1\times10^{13} \times 2.5\times10^6 \approx 5.2 \times 10^{19}\,\mathrm{J} por dia, isto é, 5.2×1019/86 400≈6.0×1014 W5.2\times10^{19}/86\,400 \approx 6.0 \times 10^{14}\,\mathrm{W}. A potência dos ventos é uma estimativa a partir de campos de vento medidos, citada da mesma fonte. ∎

A tempestade funciona como um motor: calor recebido na superfície quente do mar, cedido lá no alto, no ar frio de altitude, e parte da diferença transformada no movimento do vento. É por isso que um ciclone tropical se enfraquece depressa quando passa sobre a terra ou sobre águas frias: ele perde o seu suprimento de água que evapora.

5.4 Intensidade, ventos e marés de tempestade

Definição 5.7 (Escala de Saffir–Simpson)

A escala de Saffir–Simpson classifica os furacões em cinco categorias segundo o seu vento máximo sustentado; as categorias 3 a 5 são os furacões intensos.

categorianósm/s\mathrm{m}/\mathrm{s}km/h\mathrm{km}/\mathrm{h}
164–8233–42119–153
283–9543–49154–177
396–11249–58178–208
4113–13658–70209–251
5137 ou mais70 ou mais252 ou mais

Quanto mais profunda a baixa pressão no centro, mais fortes os ventos que sopram à sua volta: é a diferença de pressão entre o centro e os arredores que empurra o ar para dentro.

Cada ponto é um ciclone tropical das temporadas de 2000–2024: o seu vento sustentado mais forte e a sua pressão central mais baixa. A reta é o melhor ajuste linear: cerca de 1.6\, hPa a menos para cada metro por segundo a mais. Linhas cinzentas tracejadas: os limites das categorias de Saffir–Simpson (numeradas em cima). Dados: IBTrACS v04r01, NOAA NCEI.
Cada ponto é um ciclone tropical das temporadas de 2000–2024: o seu vento sustentado mais forte e a sua pressão central mais baixa. A reta é o melhor ajuste linear: cerca de 1.6 hPa1.6\,\mathrm{hPa} a menos para cada metro por segundo a mais. Linhas cinzentas tracejadas: os limites das categorias de Saffir–Simpson (numeradas em cima). Dados: IBTrACS v04r01, NOAA NCEI.

O recorde das tempestades de 1980–2024 do arquivo pertence ao furacão Patricia, ao largo da costa pacífica do México, em outubro de 2015: ventos sustentados de 185 nós, cerca de 95 m/s95\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, e uma pressão central de 872 hPa872\,\mathrm{hPa}.

Definição 5.8 (Maré de tempestade)

Uma maré de tempestade é a subida do mar acima do seu nível normal, sem contar a maré astronômica, causada por uma tempestade: o vento empilha a água contra a costa, e a baixa pressão deixa o mar se elevar sob a tempestade.

Proposição 5.9 (A elevação barométrica)

Sob uma tempestade cuja pressão central fica Δp\Delta p hectopascals abaixo da dos arredores, o mar sobe cerca de Δp\Delta p centímetros.

Demonstração. Bem abaixo da superfície, a pressão deve ser a mesma sob a tempestade e fora dela, senão a água escoaria. O ar acima da tempestade pesa Δp\Delta p a menos; uma coluna de água do mar de altura hh compensa isso se ρgh=Δp\rho g h = \Delta p. Para Δp=1 hPa=100 Pa\Delta p = 1\,\mathrm{hPa} = 100\,\mathrm{Pa}, com ρ=1025 kg/m3\rho = 1025\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3} e g=9.81 m/s2g = 9.81\,\mathrm{m}/\mathrm{s}^{2}: h=100/(1025×9.81)≈0.0099 mh = 100/(1025 \times 9.81) \approx 0.0099\,\mathrm{m}, cerca de 1 cm1\,\mathrm{cm}. ∎

A elevação barométrica é a parte menor da maioria das marés de tempestade: sob uma pressão central de 920 hPa920\,\mathrm{hPa}, 90 hPa90\,\mathrm{hPa} abaixo dos arredores, ela é de cerca de 0.9 m0.9\,\mathrm{m}. O vento faz o resto, empurrando a água em direção à costa, sobretudo sobre um fundo marinho largo e raso. Chegando com uma maré alta, uma maré de tempestade de vários metros pode inundar costas baixas até bem para dentro do continente.

Uma maré de tempestade (esquema, alturas muito exageradas): o mar sobe cerca de 1\, cm para cada hectopascal de baixa pressão sob a tempestade, e o vento que sopra para a costa empilha a água contra ela.
Uma maré de tempestade (esquema, alturas muito exageradas): o mar sobe cerca de 1 cm1\,\mathrm{cm} para cada hectopascal de baixa pressão sob a tempestade, e o vento que sopra para a costa empilha a água contra ela.
Uma rua do litoral na manhã seguinte a uma maré de tempestade: água do mar, palmeiras quebradas e cercas arrancadas.
Uma rua do litoral na manhã seguinte a uma maré de tempestade: água do mar, palmeiras quebradas e cercas arrancadas.

5.5 Exercícios

Exercício 5.1 ★

Defina uma trovoada e o raio. O que produz o som do trovão?

Solução

Solução de Exercício 5.1.

Uma trovoada é uma tempestade produzida por um cumulonimbo, com raios e trovões, em geral aguaceiros fortes e rajadas, às vezes granizo. O raio é uma faísca elétrica gigante que descarrega as regiões carregadas da tempestade. O trovão é o som do ar do canal do raio, aquecido tão de repente que se expande num choque.

Exercício 5.2 ★

Defina um ciclone tropical, o seu olho e a parede do olho. Onde os seus ventos são mais fortes?

Solução

Solução de Exercício 5.2.

Um ciclone tropical é uma tempestade com centenas de quilômetros de diâmetro, formada sobre um mar tropical quente em torno de um centro de baixa pressão, com ventos que espiralam para dentro e faixas de trovoadas. O olho é o seu centro calmo e quase sem nuvens; a parede do olho é o anel de trovoadas altíssimas em volta do olho. Os ventos são mais fortes na parede do olho.

Exercício 5.3 ★

Em que categoria de Saffir–Simpson fica um furacão com ventos sustentados de 7070 nós? E de 120120 nós? E de 140140 nós? Quais deles são furacões intensos?

Solução

Solução de Exercício 5.3.

7070 nós: categoria 1. 120120 nós: categoria 4. 140140 nós: categoria 5. Os dois últimos são furacões intensos (categoria 3 ou mais).

Exercício 5.4 ★

Você conta 99 segundos entre um clarão e o seu trovão, e depois 1515 segundos para o clarão seguinte. A que distância estava cada um, e a tempestade está se aproximando?

Solução

Solução de Exercício 5.4.

343×9≈3.1 km343 \times 9 \approx 3.1\,\mathrm{km}, depois 343×15≈5.1 km343 \times 15 \approx 5.1\,\mathrm{km}. O segundo clarão está mais longe: a tempestade está se afastando.

Exercício 5.5 ★

Explique por que uma árvore sozinha num campo é um abrigo perigoso durante uma trovoada, e para onde se deve ir em vez disso.

Solução

Solução de Exercício 5.5.

O raio tende a cair no ponto mais alto das redondezas: uma árvore sozinha num campo é esse ponto, e a corrente de uma descarga desce por ela e se espalha pelo chão em volta. Entre num prédio ou num carro fechado e fique ali até bem depois do último trovão.

Exercício 5.6 ★★

Um nó equivale a 1852 m1852\,\mathrm{m} por hora. Converta 6464 nós e 137137 nós em m/s\mathrm{m}/\mathrm{s} e em km/h\mathrm{km}/\mathrm{h}.

Solução

Solução de Exercício 5.6.

Um nó vale 1852/3600≈0.514 m/s1852/3600 \approx 0.514\,\mathrm{m}/\mathrm{s}. 6464 nós: 64×0.514≈32.9 m/s64 \times 0.514 \approx 32.9\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, e 32.9×3.6≈119 km/h32.9 \times 3.6 \approx 119\,\mathrm{km}/\mathrm{h}. 137137 nós: 70.5 m/s70.5\,\mathrm{m}/\mathrm{s}, cerca de 254 km/h254\,\mathrm{km}/\mathrm{h} (a tabela oficial, arredondada passando por outra unidade, dá 252 km/h252\,\mathrm{km}/\mathrm{h}).

Exercício 5.7 ★★

Há 44 raios por segundo na Terra. Quantos são num dia, e num ano?

Solução

Solução de Exercício 5.7.

44×86 400≈3.8×10644 \times 86\,400 \approx 3.8 \times 10^{6} raios por dia, e 3.8×106×365.25≈1.4×1093.8\times10^6 \times 365.25 \approx 1.4 \times 10^{9}, cerca de 1.4 bilhão por ano.

Exercício 5.8 ★★

Um furacão tem uma pressão central de 935 hPa935\,\mathrm{hPa} em arredores a 1010 hPa1010\,\mathrm{hPa}. Qual é a altura da elevação barométrica do mar sob ele?

Solução

Solução de Exercício 5.8.

Δp=1010−935=75 hPa\Delta p = 1010 - 935 = 75\,\mathrm{hPa}: uma elevação de cerca de 75 cm75\,\mathrm{cm}.

Exercício 5.9 ★★

Usando o mapa das trajetórias, descreva onde os ciclones tropicais se formam e para onde eles vão depois de se formar. Por que eles estão ausentes do próprio equador?

Solução

Solução de Exercício 5.9.

Eles se formam sobre os oceanos tropicais quentes, sobretudo entre 10∘10{}^{\circ} e 30∘30{}^{\circ} de latitude nos dois hemisférios, com muito poucos no Atlântico Sul. Derivam para oeste e depois se curvam em direção aos polos, onde se enfraquecem sobre águas mais frias. Estão ausentes do equador porque ali a rotação da Terra não dá nenhum giro ao ar que entra: sem ele, o ar flui direto para a baixa pressão e a preenche, e nenhuma tempestade em rotação pode começar.

Exercício 5.10 ★★

A reta do gráfico pressão–vento é p≈1031−1.56 vp \approx 1031 - 1.56\,v (pp em hPa\mathrm{hPa}, vv em m/s\mathrm{m}/\mathrm{s}). Que pressão central ela dá para o limite inferior da categoria 5, 70 m/s70\,\mathrm{m}/\mathrm{s}? E para uma tempestade de 40 m/s40\,\mathrm{m}/\mathrm{s}?

Solução

Solução de Exercício 5.10.

1031−1.56×70≈922 hPa1031 - 1.56 \times 70 \approx 922\,\mathrm{hPa}; 1031−1.56×40≈969 hPa1031 - 1.56 \times 40 \approx 969\,\mathrm{hPa}.

Exercício 5.11 ★★

Explique por que um ciclone tropical se enfraquece depressa quando passa sobre a terra, e por que ele se enfraquece sobre águas frias.

Solução

Solução de Exercício 5.11.

Sobre a terra, a tempestade perde o seu suprimento de água que evapora, e com ele o calor latente que a move; a superfície rugosa também freia os ventos. Sobre águas frias, a evaporação é muito mais fraca, já que o ar frio contém muito menos vapor de água na saturação: o suprimento de calor latente diminui.

Exercício 5.12 ★★★

A velocidade do som no ar é 1.4 R T/M\sqrt{1.4\,R\,T/M}, com R=8.314 J mol−1 K−1R = 8.314\,\mathrm{J}\,\mathrm{mol}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1}, TT em kelvins e M=0.028 97 kg/molM = 0.028\,97\,\mathrm{kg}/\mathrm{mol}. Calcule-a a 0∘C0{}^{\circ}\mathrm{C} e a 30∘C30{}^{\circ}\mathrm{C}. Para um atraso de 9 s9\,\mathrm{s}, quanto as duas distâncias diferem? A regra “3 s3\,\mathrm{s} por quilômetro” é boa o bastante?

Solução

Solução de Exercício 5.12.

A 0∘C0{}^{\circ}\mathrm{C}: 1.4×8.314×273.15/0.02897≈331 m/s\sqrt{1.4 \times 8.314 \times 273.15/0.02897} \approx 331\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; a 30∘C30{}^{\circ}\mathrm{C}, com T=303.15 KT = 303.15\,\mathrm{K}: 349 m/s349\,\mathrm{m}/\mathrm{s}. Para 9 s9\,\mathrm{s}: 9×331≈2980 m9 \times 331 \approx 2980\,\mathrm{m} e 9×349≈3140 m9 \times 349 \approx 3140\,\mathrm{m}, uma diferença de cerca de 160 m160\,\mathrm{m}, cerca de 5 %5\,\%. A regra dá 3 km3\,\mathrm{km}: o bastante para saber a que distância está a tempestade, que é tudo o que se pede dela.

Exercício 5.13 ★★★

Uma maré de tempestade de 4.0 m4.0\,\mathrm{m} é medida numa costa quando um furacão com pressão central de 940 hPa940\,\mathrm{hPa} (arredores a 1010 hPa1010\,\mathrm{hPa}) chega à terra. Quanto da maré de tempestade se deve à elevação barométrica, e quanto ao vento? Se ela chegar na maré alta, 1.5 m1.5\,\mathrm{m} acima do nível médio do mar, a que altura acima do nível médio do mar a água chega?

Solução

Solução de Exercício 5.13.

Δp=1010−940=70 hPa\Delta p = 1010 - 940 = 70\,\mathrm{hPa}: a elevação barométrica é de cerca de 0.7 m0.7\,\mathrm{m}, a parte do vento 4.0−0.7=3.3 m4.0 - 0.7 = 3.3\,\mathrm{m}, mais de quatro vezes mais. Na maré alta, a água chega a 4.0+1.5=5.5 m4.0 + 1.5 = 5.5\,\mathrm{m} acima do nível médio do mar.

Exercício 5.14 ★★★

Um tornado gira com ventos de 90 m/s90\,\mathrm{m}/\mathrm{s} a 100 m100\,\mathrm{m} do seu eixo; um furacão, com ventos de 60 m/s60\,\mathrm{m}/\mathrm{s} numa parede do olho a 30 km30\,\mathrm{km} do centro. Quanto tempo o ar leva para dar uma volta em cada caso? Compare.

Solução

Solução de Exercício 5.14.

Tornado: uma volta mede 2π×100≈628 m2\pi \times 100 \approx 628\,\mathrm{m}, percorrida em 628/90≈7 s628/90 \approx 7\,\mathrm{s}. Furacão: 2π×30 000≈188 km2\pi \times 30\,000 \approx 188\,\mathrm{km}, percorridos em 188 000/60≈3140 s188\,000/60 \approx 3140\,\mathrm{s}, cerca de 52 min52\,\mathrm{min}. O tornado gira umas 450 vezes mais depressa: é um redemoinho pequeno e muito rápido; o furacão, um redemoinho imenso e mais lento.

Exercício 5.15 ★★★

Dos 3 888 ciclones tropicais de 1980–2024, 24 atingiram a força de tempestade tropical a menos de 5∘5{}^{\circ} do equador, 414 a menos de 10∘10{}^{\circ} e 121 além de 30∘30{}^{\circ}. Calcule as três porcentagens. A faixa a menos de 5∘5{}^{\circ} do equador cobre cerca de 9 %9\,\% da superfície da Terra: o que você esperaria se a latitude não importasse, e o que você conclui?

Solução

Solução de Exercício 5.15.

24/3888≈0.6 %24/3888 \approx 0.6\,\%; 414/3888≈10.6 %414/3888 \approx 10.6\,\%; 121/3888≈3.1 %121/3888 \approx 3.1\,\%. Se a latitude não importasse, cerca de 9 %9\,\% das tempestades, umas 350, começariam a menos de 5∘5{}^{\circ} do equador; só 24 o fazem, cerca de quinze vezes menos. Perto do equador, a rotação da Terra é fraca demais para dar início ao giro.

5.6 Problema: o motor térmico de um furacão

Problema 5.1

Problema de fim de semana — da chuva de um dia à potência do vento

Um furacão médio despeja 1.5 cm1.5\,\mathrm{cm} de chuva por dia sobre um círculo de raio 665 km665\,\mathrm{km}. Use um calor latente de 2.5 MJ/kg2.5\,\mathrm{MJ}/\mathrm{kg}, uma massa específica da água de 1000 kg/m31000\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3}, 86 400 s86\,400\,\mathrm{s} num dia e a potência dos ventos de um furacão médio, 1.5×1012 W1.5 \times 10^{12}\,\mathrm{W}.

Parte I — A chuva de um dia.

  1. Calcule a área do círculo.
  2. Calcule o volume de chuva que cai sobre ele num dia.
  3. Expresse-o em quilômetros cúbicos.
  4. Calcule a sua massa.

Parte II — O calor liberado.

  1. Calcule o calor latente liberado num dia pela condensação dessa água.
  2. Converta-o numa potência.
  3. A Terra inteira absorve cerca de 1.22×1017 W1.22 \times 10^{17}\,\mathrm{W} de luz solar (Capítulo 3). Que fração disso um único furacão libera?
  4. A luz solar média absorvida é de 240 W/m2240\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}. Calcule a luz solar absorvida pela área da tempestade e compare-a com o calor latente da tempestade.
  5. O que essa comparação mostra sobre o lugar onde a energia da tempestade foi reunida?

Parte III — De onde vem a água.

  1. Que massa de água precisa evaporar a cada dia para alimentar essa chuva?
  2. A evaporação média da superfície da Terra leva 82 W/m282\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}. Sobre que área a evaporação média forneceria o calor latente da tempestade? Compare com a área da tempestade.
  3. Usando a tabela dos teores de saturação do Capítulo 4, compare a água que um ar saturado contém a 28∘C28{}^{\circ}\mathrm{C} e a 20∘C20{}^{\circ}\mathrm{C}.
  4. Explique por que os ciclones tropicais só se formam sobre mares quentes.
  5. Explique por que eles se enfraquecem sobre a terra.

Parte IV — O vento.

  1. Calcule a energia cinética fornecida aos ventos num dia.
  2. Converta o limite inferior da categoria 3, 9696 nós, em m/s\mathrm{m}/\mathrm{s} (11 nó = 1852 m/h1852\,\mathrm{m}/\mathrm{h}).
  3. O ar perto da superfície do mar tem uma massa específica de cerca de 1.16 kg/m31.16\,\mathrm{kg}/\mathrm{m}^{3}. Calcule a energia cinética de um metro cúbico dele movendo-se a essa velocidade.
  4. Compare o calor latente liberado num dia com a energia dos ventos num dia.
  5. Em que se transforma o resto do calor liberado?
  6. Que fração do calor liberado pela condensação se torna vento?
Solução

Solução de Problema 5.1.

1. π×(665 000)2≈1.39×1012 m2\pi \times (665\,000)^2 \approx 1.39 \times 10^{12}\,\mathrm{m}^{2}.

2. 0.015×1.39×1012≈2.08×1010 m30.015 \times 1.39\times10^{12} \approx 2.08 \times 10^{10}\,\mathrm{m}^{3}.

3. Um quilômetro cúbico são 109 m310^{9}\,\mathrm{m}^{3}: cerca de 21 km321\,\mathrm{km}^{3}.

4. 2.08×1010×1000≈2.08×1013 kg2.08\times10^{10} \times 1000 \approx 2.08 \times 10^{13}\,\mathrm{kg}.

5. 2.08×1013×2.5×106≈5.2×1019 J2.08\times10^{13} \times 2.5\times10^6 \approx 5.2 \times 10^{19}\,\mathrm{J}.

6. 5.2×1019/86 400≈6.0×1014 W5.2\times10^{19}/86\,400 \approx 6.0 \times 10^{14}\,\mathrm{W}.

7. 6.0×1014/1.22×1017≈0.0056.0\times10^{14}/1.22\times10^{17} \approx 0.005, cerca de 0.5 %0.5\,\%.

8. 240×1.39×1012≈3.3×1014 W240 \times 1.39\times10^{12} \approx 3.3 \times 10^{14}\,\mathrm{W}. A tempestade libera quase o dobro do calor da luz solar absorvida por toda a sua área.

9. A tempestade não funciona com a luz solar que cai sobre ela: ela libera um calor armazenado como vapor de água, evaporado de uma área maior de mar quente e trazido pelos ventos. A tempestade concentra uma energia reunida sobre uma região muito maior.

10. A mesma massa que a chuva, cerca de 2.1×1013 kg2.1 \times 10^{13}\,\mathrm{kg} por dia (o vapor trazido precisa ser renovado tão depressa quanto cai como chuva).

11. 6.0×1014/82≈7.3×1012 m26.0\times10^{14}/82 \approx 7.3 \times 10^{12}\,\mathrm{m}^{2}, cerca de cinco vezes a área da tempestade: a tempestade precisa tirar vapor de uma área muito maior, e os seus ventos fazem o mar sob ela evaporar muito mais depressa que a média.

12. 24.1 g/kg24.1\,\mathrm{g}/\mathrm{kg} a 28∘C28{}^{\circ}\mathrm{C} contra 14.7 g/kg14.7\,\mathrm{g}/\mathrm{kg} a 20∘C20{}^{\circ}\mathrm{C}: 24.1/14.7≈1.6424.1/14.7 \approx 1.64, cerca de 64 %64\,\% a mais.

13. A água quente evapora depressa e o ar quente contém muito mais vapor: o ar que entra traz muito mais calor latente para liberar e, saturado, sobe livremente. Sobre mares mais frios, o suprimento é pequeno demais para mover o motor.

14. Sobre a terra não há mar para evaporar: o suprimento de calor latente para, e o chão rugoso freia os ventos.

15. 1.5×1012×86 400≈1.3×1017 J1.5\times10^{12} \times 86\,400 \approx 1.3 \times 10^{17}\,\mathrm{J}.

16. 96×1852/3600≈49.4 m/s96 \times 1852/3600 \approx 49.4\,\mathrm{m}/\mathrm{s}.

17. 12×1.16×49.42≈1.4×103 J\frac12 \times 1.16 \times 49.4^2 \approx 1.4 \times 10^{3}\,\mathrm{J}.

18. 5.2×1019/1.3×1017=4005.2\times10^{19}/1.3\times10^{17} = 400: o calor latente é cerca de 400 vezes a energia fornecida aos ventos.

19. A maior parte dele aquece o ar alto da tempestade, que se espalha pelo topo e cede o calor ao espaço como radiação infravermelha; os próprios ventos perdem a sua energia por atrito contra o mar e o chão.

20. 1/400=0.25 %1/400 = 0.25\,\% (o programa de cálculo dá uma razão de 402): cerca de uma parte em 400 do calor liberado pela condensação se torna vento.

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