地球与空间科学 · 第 2 册 · 10–12 年级

Ciências da Terra e do espaço do ensino médio

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Ciências da Terra e do espaço do ensino médio · 10–12 年级

24O calor interno da Terra

Entre 1987 e 1995, perto do vilarejo de Windischeschenbach, na Baviera, geólogos perfuraram um furo de 9101 m9101\,\mathrm{m} de profundidade na crosta continental. No fundo, a rocha estava a cerca de 265 ∘C265\,{}^{\circ}\mathrm{C}, quente demais para perfurar mais fundo.

De cerca de 10 ∘C10\,{}^{\circ}\mathrm{C} na superfície a 265 ∘C265\,{}^{\circ}\mathrm{C} a 9.1 km9.1\,\mathrm{km}, a temperatura sobe cerca de 28 ∘C28\,{}^{\circ}\mathrm{C} por quilômetro, um valor típico. Em toda parte da Terra, fica mais quente para baixo, por isso o calor sai da Terra o tempo todo. Este capítulo mede esse fluxo, pergunta de onde vem o calor, e mostra como ele se desloca.

O que você já sabe

A geoterma é a curva da temperatura em função da profundidade sob um lugar, e o gradiente geotérmico a subida da temperatura por quilômetro; os furos de sondagem medem de 25 a 30 ∘C30\,{}^{\circ}\mathrm{C} por quilômetro perto da superfície (Capítulo 12). Alguns átomos são radioativos: eles decaem ao acaso, o número dos que restam caindo pela metade a cada meia-vida, e cada decaimento libera energia, que acaba virando calor (os livros de física). Uma célula de convecção é um circuito de fluido aquecido por baixo, que sobe, se espalha, esfria e desce (Livro 1, 8º ano). Num ponto quente, uma placa se move sobre uma pluma de manto quente (Capítulo 13).

24.1 Gradiente e fluxo de calor

Definição 24.1 (Fluxo de calor)

O fluxo de calor (ou fluxo térmico) num lugar é a potência que sai do interior da Terra através de cada metro quadrado da sua superfície ali. Ele se mede em miliwatts por metro quadrado (mW/m2\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}).

O calor flui do quente para o frio, e quanto mais íngreme o gradiente de temperatura, mais depressa ele flui. Quanto flui depende também da rocha: cada rocha tem uma condutividade térmica kk, em watts por metro por kelvin, que os livros de física definem.

Proposição 24.2 (Fluxo de calor e gradiente)

Através de uma rocha de condutividade térmica kk na qual a temperatura sobe com a profundidade segundo um gradiente GG (em kelvins por metro), o fluxo de calor para cima, em direção à superfície, é

q=k G.q = k\,G .

Essa lei da condução, devida a Fourier, é admitida aqui; os livros de física a demonstram numa forma geral.

Método 24.3 (Um fluxo de calor a partir de um furo de sondagem)

  1. Meça a temperatura a várias profundidades de um furo de sondagem, depois que o furo teve tempo de voltar à temperatura da rocha.
  2. Represente a temperatura em função da profundidade e tome a inclinação: o gradiente GG, convertido em kelvins por metro.
  3. Meça a condutividade kk da rocha em testemunhos, no laboratório.
  4. Multiplique: q=kGq = kG, em W/m2\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, e depois converta em mW/m2\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}.

Exemplo 24.4 (Um furo de sondagem no granito)

Um furo de sondagem num granito de condutividade 2.72 W/(m K)2.72\,\mathrm{W}/(\mathrm{m}\,\mathrm{K}) mede um gradiente de 29 ∘C29\,{}^{\circ}\mathrm{C} por quilômetro, isto é, 0.029 K/m0.029\,\mathrm{K}/\mathrm{m}. Então q=2.72×0.029≈0.079 W/m2q = 2.72 \times 0.029 \approx 0.079\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, cerca de 79 mW/m279\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}.

Mais de 38 000 medições desse tipo foram combinadas num mapa da Terra inteira. Os continentes perdem em média 70.9 mW/m270.9\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}, o fundo oceânico 105.4 mW/m2105.4\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}; sobre toda a superfície, 91.6 mW/m291.6\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}. Multiplicado pela área da Terra, 5.101×1014 m25.101 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2}, o total é

0.0916×5.101×1014≈4.67×1013 W=46.7 TW,0.0916 \times 5.101 \times 10^{14} \approx 4.67 \times 10^{13}\,\mathrm{W} = 46.7\,\mathrm{TW},

cerca de 47 terawatts, com uma margem de 2.

O fundo oceânico perde mais onde é mais jovem. A nova litosfera deixa uma dorsal quente, e esfria à medida que se afasta; o seu fluxo de calor cai como um sobre a raiz quadrada da sua idade.

O fluxo de calor através do fundo oceânico em função da sua idade, calculado para o resfriamento da litosfera (t em milhões de anos); além de 66.5 milhões de anos (pontilhado), sabe-se que a lei se ajusta menos bem. Fonte: Davies e Davies (2010).
O fluxo de calor através do fundo oceânico em função da sua idade, calculado para o resfriamento da litosfera (tt em milhões de anos); além de 66.5 milhões de anos (pontilhado), sabe-se que a lei se ajusta menos bem. Fonte: Davies e Davies (2010).

24.2 De onde vem o calor

O calor tem duas fontes. A primeira é a radioatividade.

Definição 24.5 (Produção de calor radiogênico)

A produção de calor radiogênico de uma rocha é o calor liberado dentro dela pelo decaimento dos seus átomos radioativos, por unidade de volume e de tempo, em microwatts por metro cúbico (µW/m3\text{µ}\mathrm{W}/\mathrm{m}^{3}). Quase todo ele vem de quatro isótopos: o urânio-238, o urânio-235, o tório-232 e o potássio-40.

Esses elementos estão concentrados nas rochas da crosta continental. Em 2188 análises, a produção de calor mediana do granito é de 2.43 µW/m32.43\,\text{µ}\mathrm{W}/\mathrm{m}^{3}, a do basalto 0.21 µW/m30.21\,\text{µ}\mathrm{W}/\mathrm{m}^{3}, e a das rochas ultramáficas do manto só 0.11 µW/m30.11\,\text{µ}\mathrm{W}/\mathrm{m}^{3}, cerca de vinte vezes menos que o granito. Uma camada de granito de 10 km10\,\mathrm{km} de espessura produz 2.43×10−6×10 000≈0.024 W2.43 \times 10^{-6} \times 10\,000 \approx 0.024\,\mathrm{W} sob cada metro quadrado, 24 mW/m224\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}: um terço do fluxo de calor dos continentes.

Quanto calor a radioatividade produz na Terra inteira? O KamLAND, um detector subterrâneo no Japão que contém 1000 toneladas de líquido, capta os geoneutrinos, os antineutrinos liberados pelo decaimento do urânio e do tório no interior da Terra: ele viu os primeiros em 2005 e, em 2135 dias de registro, cerca de 106 deles entre 841 eventos candidatos. A partir dessa contagem, com as de um detector na Itália, o urânio-238 e o tório-232 juntos liberam cerca de 20 terawatts. O potássio-40 escapa ao detector; sabe-se que ele acrescenta cerca de 4 TW4\,\mathrm{TW}, e o urânio-235, calculado a partir do urânio-238, cerca de 0.4 TW0.4\,\mathrm{TW}. A radioatividade fornece portanto cerca de 24 TW24\,\mathrm{TW}, aproximadamente a metade dos 47 TW47\,\mathrm{TW} que a Terra perde.

Definição 24.6 (Resfriamento secular)

O resfriamento secular da Terra é a sua lenta perda do calor armazenado no seu interior desde que ela se formou, o calor primordial: a parte do fluxo de calor que a radioatividade não repõe, pela qual o manto e o núcleo ficam mais frios ao longo das eras.

O balanço de calor da Terra hoje: o que sai pela superfície (barra de cima) e o que o fornece (barra de baixo). Fontes: KamLAND (2011); Davies e Davies (2010); Dye (2012).
O balanço de calor da Terra hoje: o que sai pela superfície (barra de cima) e o que o fornece (barra de baixo). Fontes: KamLAND (2011); Davies e Davies (2010); Dye (2012).

A radioatividade era mais forte no passado. Cada isótopo decai, então havia mais dele muito tempo atrás: uma meia-vida antes, o dobro, e o dobro de calor. Voltar tt anos atrás multiplica o calor de um isótopo de meia-vida TT por 2t/T2^{t/T}.

Proposição 24.7 (O calor radiogênico no passado)

Se um isótopo de meia-vida TT libera uma potência H0H_0 hoje, ele liberava

H(t)=H0 2t/T=H0 eλt,λ=ln⁡2T,H(t) = H_0 \, 2^{t/T} = H_0\, e^{\lambda t}, \qquad \lambda = \frac{\ln 2}{T},

há um tempo tt.

Demonstração. A potência é proporcional ao número NN de átomos que restam, já que cada um decai com a mesma probabilidade por segundo. Pela lei do decaimento, NN é dividido por 2 a cada meia-vida: Nagora=N(t) 2−t/TN_{\text{agora}} = N(t)\,2^{-t/T}, logo N(t)=Nagora 2t/TN(t) = N_{\text{agora}}\,2^{t/T}, e a potência segue. Por fim, 2t/T=e(t/T)ln⁡2=eλt2^{t/T} = e^{(t/T)\ln 2} = e^{\lambda t}. ∎

O calor liberado pelos quatro isótopos radioativos desde a formação da Terra, calculado a partir dos valores de hoje com a lei do decaimento. Meias-vidas: tório-232, 14.0 bilhões de anos; urânio-238, 4.468; potássio-40, 1.248; urânio-235, 0.704.
O calor liberado pelos quatro isótopos radioativos desde a formação da Terra, calculado a partir dos valores de hoje com a lei do decaimento. Meias-vidas: tório-232, 14.0 bilhões de anos; urânio-238, 4.468; potássio-40, 1.248; urânio-235, 0.704.

Há quatro bilhões e meio de anos, a radioatividade liberava cerca de 116 TW116\,\mathrm{TW}, quase cinco vezes o valor de hoje, e a maior parte vinha do urânio-235 e do potássio-40, os dois isótopos de vida curta, que desde então quase desapareceram. A jovem Terra era muito mais quente por dentro do que hoje.

24.3 Condução e convecção

O calor só pode atravessar um sólido por condução, de átomo em átomo, e na rocha isso é muito lento. O calor atravessa uma distância LL por condução num tempo de cerca de L2/κL^2/\kappa, em que κ\kappa, a difusividade térmica da rocha, é de cerca de 1×10−6 m2/s1 \times 10^{-6}\,\mathrm{m}^{2}/\mathrm{s}. Para os 2891 km2891\,\mathrm{km} do manto,

(2.891×106)21×10−6≈8.4×1018 s≈2.6×1011 anos,\frac{(2.891 \times 10^{6})^2}{1 \times 10^{-6}} \approx 8.4 \times 10^{18}\,\mathrm{s} \approx 2.6 \times 10^{11} \text{ anos},

cerca de 260 bilhões de anos, quase sessenta vezes a idade da Terra. Se o manto só conduzisse calor, o calor das suas profundezas ainda estaria quase todo lá.

O manto é sólido, mas ao longo de milhões de anos ele flui, muito lentamente, como um fluido muito rígido: a astenosfera escoa (Capítulo 12). Assim, o manto perde o seu calor como o ar acima de um aquecedor, carregando-o.

Definição 24.8 (Convecção térmica; convecção do manto)

A convecção térmica é o transporte de calor pelo movimento do próprio material: o material mais quente e mais leve sobe, o mais frio e mais denso desce, como numa célula de convecção. A convecção do manto é a convecção térmica do manto sólido da Terra, que flui a alguns centímetros por ano e leva o calor do interior em direção à superfície.

As placas são a parte superior dessa convecção. Nas dorsais, o manto quente sobe e se junta às placas; a litosfera esfria à medida que se afasta, fica densa, e afunda sob o seu próprio peso nas zonas de subducção: as lajes são a parte fria e descendente do fluxo, e as imagens sísmicas as mostram afundando fundo no manto. Pensa-se que plumas de rocha quente sobem sob os pontos quentes a partir de grandes profundidades do manto, talvez logo acima do núcleo.

A convecção do manto (esquemático, fora de escala). As placas são o seu limite superior frio: o manto quente sobe sob as dorsais, as placas esfriam à medida que se afastam e voltam a afundar como lajes nas fossas, algumas delas até o manto inferior. Plumas podem subir de grandes profundidades sob os pontos quentes.
A convecção do manto (esquemático, fora de escala). As placas são o seu limite superior frio: o manto quente sobe sob as dorsais, as placas esfriam à medida que se afastam e voltam a afundar como lajes nas fossas, algumas delas até o manto inferior. Plumas podem subir de grandes profundidades sob os pontos quentes.

Assim, a maior parte do calor sai do manto por convecção, e só as últimas dezenas de quilômetros, através da litosfera rígida, são atravessadas por condução — a condução que os furos de sondagem medem.

24.4 A energia geotérmica

Definição 24.9 (Energia geotérmica)

A energia geotérmica é o calor do interior da Terra usado pelas pessoas: água quente ou vapor de rocha quente, trazidos por poços para aquecimento ou para produzir eletricidade.

O calor que sai da Terra é minúsculo onde chega à superfície, cerca de 0.1 W0.1\,\mathrm{W} sob cada metro quadrado, pouco demais para ser usado diretamente. Ele se torna utilizável onde está concentrado a pequena profundidade. Perto de vulcões, de riftes e de pontos quentes, e ao longo dos limites de placas, a rocha quente chega perto da superfície, e a água que circula na rocha permeável volta quente. Uma usina precisa de água muito quente ou de vapor, de cerca de 150 a 370 ∘C370\,{}^{\circ}\mathrm{C}; alguns campos dão vapor seco, que gira as turbinas diretamente. A primeira eletricidade produzida pelo calor da Terra foi gerada em 1904 em Larderello, na Toscana: ela acendeu cinco lâmpadas. Em outros lugares, a água quente de perto da superfície é canalizada para dentro de edifícios para aquecê-los.

Uma fonte termal fumegando numa paisagem nevada: a água aquecida a grande profundidade volta à superfície. Ilustração gerada por IA.
Uma fonte termal fumegando numa paisagem nevada: a água aquecida a grande profundidade volta à superfície. Ilustração gerada por IA.
A usina geotérmica de Nesjavellir, na área vulcânica de Hengill, na Islândia: até 120\, MW de eletricidade e até 300\, MW de calor, levados pela água quente. Fotografia Gretar Ívarsson (domínio público).
A usina geotérmica de Nesjavellir, na área vulcânica de Hengill, na Islândia: até 120 MW120\,\mathrm{MW} de eletricidade e até 300 MW300\,\mathrm{MW} de calor, levados pela água quente. Fotografia Gretar Ívarsson (domínio público).

Um campo geotérmico não é inesgotável na escala de uma vida humana. Em The Geysers, na Califórnia, poços demais exploraram o vapor, mais depressa do que o lento fluxo de calor e a chuva podiam repô-lo: a pressão do vapor caiu a menos da metade do seu pico, e mais de 40 %40\,\% da capacidade das usinas se perdeu. Hoje, água é injetada de volta no campo para frear o declínio.

24.5 Exercícios

Exercício 24.1 ★

Dê a palavra: (a) a potência que sai do interior através de cada metro quadrado de superfície; (b) o calor liberado pelo decaimento dos átomos radioativos numa unidade de volume de rocha; (c) a perda do calor armazenado desde que a Terra se formou; (d) o transporte de calor pelo movimento do próprio material; (e) o calor interno da Terra usado pelas pessoas.

Solução

Solução de Exercício 24.1.

(a) o fluxo de calor; (b) a produção de calor radiogênico; (c) o resfriamento secular; (d) a convecção térmica; (e) a energia geotérmica.

Exercício 24.2 ★

Converta: (1) 91.6 mW/m291.6\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2} em W/m2\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}; (2) 46.7 TW46.7\,\mathrm{TW} em watts; (3) 29 ∘C29\,{}^{\circ}\mathrm{C} por quilômetro em kelvins por metro.

Solução

Solução de Exercício 24.2.

(1) 0.0916 W/m20.0916\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}. (2) 4.67×1013 W4.67 \times 10^{13}\,\mathrm{W}. (3) 0.029 K/m0.029\,\mathrm{K}/\mathrm{m}: uma diferença de um grau Celsius é uma diferença de um kelvin.

Exercício 24.3 ★

Cite os quatro isótopos que produzem quase todo o calor radiogênico, e diga quais dois o detector KamLAND consegue ver.

Solução

Solução de Exercício 24.3.

Tório-232, urânio-238, potássio-40 e urânio-235. O KamLAND só vê os geoneutrinos do tório-232 e do urânio-238.

Exercício 24.4 ★

Usando q=490/tq = 490/\sqrt{t}, calcule o fluxo de calor através de um fundo oceânico de 1, 4, 25 e 49 milhões de anos.

Solução

Solução de Exercício 24.4.

490/1=490 mW/m2490/\sqrt{1} = 490\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}; 490/2=245 mW/m2490/2 = 245\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}; 490/5=98 mW/m2490/5 = 98\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}; 490/7=70 mW/m2490/7 = 70\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}, cerca da média dos continentes.

Exercício 24.5 ★

Por que o fluxo de calor é medido em furos de sondagem e não na própria superfície? Por que é preciso esperar depois da perfuração antes de medir?

Solução

Solução de Exercício 24.5.

Perto da superfície, a temperatura do solo acompanha os dias e as estações; só abaixo de alguns metros ela fica na temperatura média do ano, e só mais fundo ainda ela mostra o calor que vem de baixo. A perfuração agita a rocha e a água do furo e muda a sua temperatura, por isso se espera até que o furo tenha voltado à temperatura da rocha.

Exercício 24.6 ★★

No furo de sondagem KTB, a rocha estava a cerca de 265 ∘C265\,{}^{\circ}\mathrm{C} a 9.1 km9.1\,\mathrm{km}. (1) Tomando 10 ∘C10\,{}^{\circ}\mathrm{C} na superfície, calcule o gradiente médio. (2) Com uma condutividade de 2.72 W/(m K)2.72\,\mathrm{W}/(\mathrm{m}\,\mathrm{K}), que fluxo de calor ele dá? (3) Compare com a média dos continentes.

Solução

Solução de Exercício 24.6.

(1) (265−10)/9.1≈28.0 ∘C(265 - 10)/9.1 \approx 28.0\,{}^{\circ}\mathrm{C} por quilômetro, isto é, 0.0280 K/m0.0280\,\mathrm{K}/\mathrm{m}. (2) q=2.72×0.0280≈0.0762 W/m2q = 2.72 \times 0.0280 \approx 0.0762\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, cerca de 76 mW/m276\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}. (3) Um pouco acima da média dos continentes, 70.9 mW/m270.9\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}, em cerca de 7 %7\,\%: um valor continental típico.

Exercício 24.7 ★★

Os continentes cobrem 2.073×1014 m22.073 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2} com um fluxo de calor médio de 70.9 mW/m270.9\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}, os oceanos 3.028×1014 m23.028 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2} com 105.4 mW/m2105.4\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}. Calcule a potência perdida por cada um, o total, e a parte perdida através do fundo oceânico.

Solução

Solução de Exercício 24.7.

Continentes: 0.0709×2.073×1014≈1.47×1013 W=14.7 TW0.0709 \times 2.073 \times 10^{14} \approx 1.47 \times 10^{13}\,\mathrm{W} = 14.7\,\mathrm{TW}. Oceanos: 0.1054×3.028×1014≈3.19×1013 W=31.9 TW0.1054 \times 3.028 \times 10^{14} \approx 3.19 \times 10^{13}\,\mathrm{W} = 31.9\,\mathrm{TW}. Total de cerca de 46.6 TW46.6\,\mathrm{TW}, dos quais 31.9/46.6≈68 %31.9/46.6 \approx 68\,\%, dois terços, saem através do fundo oceânico.

Exercício 24.8 ★★

Uma camada de granodiorito de 8 km8\,\mathrm{km} de espessura tem uma produção de calor de 1.88 µW/m31.88\,\text{µ}\mathrm{W}/\mathrm{m}^{3}. (1) Que fluxo de calor ela produz na superfície? (2) Que parte de 70.9 mW/m270.9\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2} é isso?

Solução

Solução de Exercício 24.8.

(1) 1.88×10−6×8000≈0.0150 W/m2=15.0 mW/m21.88 \times 10^{-6} \times 8000 \approx 0.0150\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} = 15.0\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}. (2) 15.0/70.9≈21 %15.0/70.9 \approx 21\,\%, um quinto do fluxo de calor.

Exercício 24.9 ★★

Com que idade o fundo oceânico perde tanto calor quanto o continente médio, 70.9 mW/m270.9\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}, segundo q=490/tq = 490/\sqrt{t}?

Solução

Solução de Exercício 24.9.

t=490/70.9≈6.91\sqrt{t} = 490/70.9 \approx 6.91, logo t≈47.8t \approx 47.8 milhões de anos: o fundo oceânico com mais de cerca de 48 milhões de anos perde menos calor que o continente médio.

Exercício 24.10 ★★

Quanto mais calor o urânio-235 liberava há 1.4 bilhão de anos do que hoje? E o potássio-40, há 2.5 bilhões de anos?

Solução

Solução de Exercício 24.10.

Urânio-235: 21.4/0.704=21.99≈42^{1.4/0.704} = 2^{1.99} \approx 4 vezes mais. Potássio-40: 22.5/1.248=22.00≈42^{2.5/1.248} = 2^{2.00} \approx 4 vezes mais. Os dois estão duas meias-vidas atrás.

Exercício 24.11 ★★

Usando t≈L2/κt \approx L^2/\kappa com κ=1×10−6 m2/s\kappa = 1 \times 10^{-6}\,\mathrm{m}^{2}/\mathrm{s}, quanto tempo o calor leva para atravessar por condução (1) um derrame de lava de 10 m10\,\mathrm{m} de espessura; (2) uma litosfera de 100 km100\,\mathrm{km} de espessura; (3) o manto? Expresse cada resultado em unidades sensatas.

Solução

Solução de Exercício 24.11.

(1) 102/10−6=1×108 s10^2/10^{-6} = 1 \times 10^{8}\,\mathrm{s}, cerca de 3 anos. (2) (105)2/10−6=1×1016 s(10^5)^2/10^{-6} = 1 \times 10^{16}\,\mathrm{s}, cerca de 320 milhões de anos. (3) (2.891×106)2/10−6≈8.4×1018 s(2.891 \times 10^{6})^2/10^{-6} \approx 8.4 \times 10^{18}\,\mathrm{s}, cerca de 265 bilhões de anos. O tempo cresce como o quadrado da distância: dez vezes mais espesso, cem vezes mais longo.

Exercício 24.12 ★★★

Hoje, o tório-232 libera cerca de 10.4 TW10.4\,\mathrm{TW}, o urânio-238 9.6 TW9.6\,\mathrm{TW}, o potássio-40 4.0 TW4.0\,\mathrm{TW} e o urânio-235 0.42 TW0.42\,\mathrm{TW}. Usando as meias-vidas da figura, calcule o calor de cada um há 3 bilhões de anos, o total, e a parte dos dois isótopos de vida curta.

Solução

Solução de Exercício 24.12.

Multiplique cada um por 23/T2^{3/T}: tório-232, 10.4×23/14.0≈12.1 TW10.4 \times 2^{3/14.0} \approx 12.1\,\mathrm{TW}; urânio-238, 9.6×23/4.468≈15.3 TW9.6 \times 2^{3/4.468} \approx 15.3\,\mathrm{TW}; potássio-40, 4.0×23/1.248≈21.2 TW4.0 \times 2^{3/1.248} \approx 21.2\,\mathrm{TW}; urânio-235, 0.42×23/0.704≈8.1 TW0.42 \times 2^{3/0.704} \approx 8.1\,\mathrm{TW}. Total de cerca de 56.7 TW56.7\,\mathrm{TW}, mais que o dobro dos 24.4 TW24.4\,\mathrm{TW} de hoje. Os dois isótopos de vida curta dão (21.2+8.1)/56.7≈52 %(21.2 + 8.1)/56.7 \approx 52\,\% dele, contra 4.42/24.4≈18 %4.42/24.4 \approx 18\,\% hoje.

Exercício 24.13 ★★★

A usina de Nesjavellir pode fornecer até 300 MW300\,\mathrm{MW} de calor, levados por cerca de 1640 L1640\,\mathrm{L} de água quente por segundo. Com um calor específico de 4180 J/(kg K)4180\,\mathrm{J}/(\mathrm{kg}\,\mathrm{K}) e uma massa de 1 kg1\,\mathrm{kg} por litro, em quantos graus essa água foi aquecida? Que área de continente médio perde 300 MW300\,\mathrm{MW} de calor?

Solução

Solução de Exercício 24.13.

A potência é a massa por segundo vezes o calor específico vezes o aquecimento: 3×108=1640×4180×ΔT3 \times 10^{8} = 1640 \times 4180 \times \Delta T, logo ΔT=3×108/(1640×4180)≈44 K\Delta T = 3 \times 10^{8}/(1640 \times 4180) \approx 44\,\mathrm{K}. O continente médio perde 0.0709 W0.0709\,\mathrm{W} por metro quadrado, então 300 MW300\,\mathrm{MW} são a perda natural de calor de 3×108/0.0709≈4.2×109 m23 \times 10^{8}/0.0709 \approx 4.2 \times 10^{9}\,\mathrm{m}^{2}, cerca de 4200 km24200\,\mathrm{km}^{2}: a usina reúne o calor que a Terra deixa sair naturalmente em milhares de quilômetros quadrados.

Exercício 24.14 ★★★

Suponha que uma placa leva 100 milhões de anos para ir de uma dorsal a uma fossa, e que um circuito de convecção através de todo o manto leva cerca de 200 milhões de anos. (1) Compare esses tempos com os 260 bilhões de anos da condução através do manto. (2) Por que a convecção pode levar o calor tão mais depressa, embora o manto se mova só alguns centímetros por ano?

Solução

Solução de Exercício 24.14.

(1) 100 milhões de anos é 2.6×1011/1×108=26002.6 \times 10^{11}/1 \times 10^{8} = 2600 vezes mais curto que 260 bilhões de anos; 200 milhões de anos, 1300 vezes mais curto. (2) A convecção leva o calor com a rocha que se move: o tempo para atravessar o manto é a sua espessura dividida pela velocidade, 2891 km2891\,\mathrm{km} a alguns centímetros por ano, cerca de cem milhões de anos. A condução não tem esse veículo: o seu tempo cresce como o quadrado da distância, e ao longo de milhares de quilômetros ele se torna enorme.

Exercício 24.15 ★★★

Suponha que o núcleo perde cerca de 10 TW10\,\mathrm{TW} de calor para o manto através do limite manto–núcleo, a 2891 km2891\,\mathrm{km} de profundidade. (1) Que parte do resfriamento secular, 22.3 TW22.3\,\mathrm{TW}, isso seria? De onde vem o resto? (2) Calcule o fluxo de calor médio através do limite manto–núcleo, e compare-o com o fluxo de calor médio na superfície, 91.6 mW/m291.6\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}. (3) Por que o núcleo quente pode aquecer a base do manto embora o manto seja sólido?

Solução

Solução de Exercício 24.15.

(1) 10/22.3≈45 %10/22.3 \approx 45\,\%; o resto é o resfriamento do próprio manto, que perde o seu próprio calor armazenado. (2) O limite fica no raio 6371−2891=3480 km6371 - 2891 = 3480\,\mathrm{km}; a sua área é 4π(3.48×106)2≈1.52×1014 m24\pi (3.48 \times 10^{6})^2 \approx 1.52 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2}, e 1×1013/1.52×1014≈0.066 W/m21 \times 10^{13}/1.52 \times 10^{14} \approx 0.066\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, cerca de 66 mW/m266\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}, uns 72 %72\,\% da média na superfície. (3) O calor atravessa o limite por condução até a camada mais baixa do manto; aquecida, essa rocha fica mais leve que o manto acima dela e pode subir, levando o calor para cima: é assim que se pensa que as plumas começam, em grande profundidade.

Problema 24.1

Problema de fim de semana — o balanço de calor da Terra

O fluxo de calor da Terra foi medido em mais de 38 000 lugares. Em média, os continentes perdem 70.9 mW/m270.9\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2} em 2.073×1014 m22.073 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2}, e o fundo oceânico 105.4 mW/m2105.4\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2} em 3.028×1014 m23.028 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2}.

Parte I — Fluxo de calor e áreas.

  1. Verifique que as duas áreas somam a área de uma esfera de raio 6371 km6371\,\mathrm{km}.
  2. Que fração da superfície é fundo oceânico?
  3. Por que o fundo oceânico perde mais calor por metro quadrado que os continentes?
  4. Usando q=490/tq = 490/\sqrt{t}, calcule o fluxo de calor através de um fundo oceânico de 4 milhões de anos.
  5. Um furo de sondagem no granito (2.72 W/(m K)2.72\,\mathrm{W}/(\mathrm{m}\,\mathrm{K})) mede 26 ∘C26\,{}^{\circ}\mathrm{C} por quilômetro. O seu fluxo de calor fica acima ou abaixo da média continental?

Parte II — O total.

  1. Calcule a potência perdida através dos continentes.
  2. Calcule a potência perdida através do fundo oceânico.
  3. Some-as: o fluxo de calor total da Terra, em terawatts.
  4. Qual é o fluxo de calor médio sobre toda a superfície?
  5. Se 10 km10\,\mathrm{km} de granito (24.3 mW/m224.3\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}) estivessem sob todos os continentes, quantos terawatts eles produziriam? Compare com a potência perdida através dos continentes.

Parte III — O calor radiogênico.

  1. O KamLAND conta os geoneutrinos do urânio-238 e do tório-232: juntos, eles liberam cerca de 20.0 TW20.0\,\mathrm{TW}, com 3.9 kg3.9\,\mathrm{kg} de tório na Terra para cada quilograma de urânio. Um quilograma de urânio libera 94.4 µW94.4\,\text{µ}\mathrm{W} pelo seu urânio-238 e 4.10 µW4.10\,\text{µ}\mathrm{W} pelo seu urânio-235; um quilograma de tório, 26.3 µW26.3\,\text{µ}\mathrm{W}. Calcule o calor do urânio-238, depois o do urânio-235.
  2. O potássio-40 acrescenta cerca de 4 TW4\,\mathrm{TW}. Calcule o calor radiogênico total.
  3. Que tipo de rocha contém a maior parte desses elementos, e onde ela fica?
  4. O calor radiogênico era maior ou menor há 3 bilhões de anos? Por quê?

Parte IV — O resfriamento secular.

  1. Que potência não é fornecida pela radioatividade?
  2. De onde ela vem?
  3. Calcule a parte do fluxo de calor fornecida pelo resfriamento secular.
  4. Os modelos da composição da Terra dão um calor radiogênico de 11 a 38 TW38\,\mathrm{TW}. Entre que partes fica então a parte radiogênica?
  5. O que leva a maior parte desse calor através do manto?
  6. Resuma: que parte da perda de calor da Terra a radioatividade fornece hoje?
Solução

Solução de Problema 24.1.

1. 4π(6.371×106)2≈5.101×1014 m24\pi (6.371 \times 10^{6})^2 \approx 5.101 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2}, e 2.073+3.028=5.1012.073 + 3.028 = 5.101: sim.

2. 3.028/5.101≈59 %3.028/5.101 \approx 59\,\%, cerca de três quintos.

3. O fundo oceânico é jovem: ele é produzido quente nas dorsais e esfria à medida que se afasta, e a litosfera jovem perde muito calor.

4. 490/4=245 mW/m2490/\sqrt{4} = 245\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}.

5. 2.72×0.026≈0.0707 W/m2=70.7 mW/m22.72 \times 0.026 \approx 0.0707\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2} = 70.7\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}: um pouco abaixo da média, praticamente igual a ela.

6. 0.0709×2.073×1014≈14.7 TW0.0709 \times 2.073 \times 10^{14} \approx 14.7\,\mathrm{TW}.

7. 0.1054×3.028×1014≈31.9 TW0.1054 \times 3.028 \times 10^{14} \approx 31.9\,\mathrm{TW}.

8. 14.7+31.9≈46.6 TW14.7 + 31.9 \approx 46.6\,\mathrm{TW}, os 47 TW47\,\mathrm{TW} da estimativa publicada (a média global do capítulo dá 46.7 TW46.7\,\mathrm{TW}, o valor usado a seguir).

9. 4.66×1013/5.101×1014≈0.0914 W/m24.66 \times 10^{13}/5.101 \times 10^{14} \approx 0.0914\,\mathrm{W}/\mathrm{m}^{2}, cerca de 91 mW/m291\,\mathrm{mW}/\mathrm{m}^{2}.

10. 0.0243×2.073×1014≈5.0 TW0.0243 \times 2.073 \times 10^{14} \approx 5.0\,\mathrm{TW}, um terço dos 14.7 TW14.7\,\mathrm{TW} perdidos através dos continentes: a radioatividade da crosta continental é uma grande parte do seu fluxo de calor.

11. Para cada quilograma de urânio, a Terra contém 3.9 kg3.9\,\mathrm{kg} de tório, que liberam 3.9×26.3≈102.6 µW3.9 \times 26.3 \approx 102.6\,\text{µ}\mathrm{W}, contra 94.4 µW94.4\,\text{µ}\mathrm{W} para o urânio-238. O urânio-238 produz assim 94.4/(94.4+102.6)≈0.47994.4/(94.4 + 102.6) \approx 0.479 dos 20.0 TW20.0\,\mathrm{TW}: cerca de 9.6 TW9.6\,\mathrm{TW}. Urânio-235: 9.59×4.10/94.4≈0.42 TW9.59 \times 4.10/94.4 \approx 0.42\,\mathrm{TW}.

12. 20.0+0.42+4≈24.4 TW20.0 + 0.42 + 4 \approx 24.4\,\mathrm{TW}.

13. O granito e as outras rochas da crosta continental, cerca de vinte vezes mais ricos que as rochas ultramáficas do manto.

14. Maior: cada isótopo era mais abundante então, o dobro para cada meia-vida atrás; há 3 bilhões de anos, o total era mais que o dobro do de hoje.

15. 46.7−24.4=22.3 TW46.7 - 24.4 = 22.3\,\mathrm{TW}.

16. Do calor armazenado desde que a Terra se formou: o resfriamento secular do manto e do núcleo.

17. 22.3/46.7≈48 %22.3/46.7 \approx 48\,\%.

18. De 11/46.7≈24 %11/46.7 \approx 24\,\% a 38/46.7≈81 %38/46.7 \approx 81\,\%: os geoneutrinos estreitam muito essa faixa.

19. A convecção do manto, que leva a maior parte do calor; só as últimas dezenas de quilômetros são atravessadas por condução.

20. 24.4/46.7≈0.5224.4/46.7 \approx 0.52: a radioatividade fornece cerca da metade da perda de calor da Terra hoje, e o lento resfriamento do planeta a outra metade.

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