Mathematics · Livro 5 · Bachelor Year 3

Matemática universitária — Graduação 3

Matemática universitária — Graduação 3 · Bachelor Year 3

5Representações de grupos finitos

Para compreender um grupo abstrato, faça-o agir sobre um espaço vetorial e aplique álgebra linear — autovalores, traços, produtos internos — à ação. Esse programa, a teoria de representações, é espantosamente eficaz para grupos finitos sobre C\C: toda representação se decompõe em irredutíveis (Maschke), as irredutíveis ficam determinadas por seus caracteres (traços), e os caracteres satisfazem relações de ortogonalidade que tornam mecânicos os cálculos. O capítulo constrói esse cálculo e suas primeiras obras-primas — as tabelas de caracteres dos grupos pequenos —, e o problema de fim de semana colhe um teorema muito além do alcance da teoria de grupos nua: o teorema paqbp^aq^b de Burnside. Ao longo de todo o capítulo, GG é um grupo finito e todos os espaços vetoriais têm dimensão finita sobre C\C.

5.1 Representações, Maschke, Schur

Definição 5.1

Uma representação de GG é um morfismo ρ ⁣:G→GL(V)\rho \colon G \to GL(V) para um C\C-espaço vetorial VV; dim⁡V\dim V é seu grau. Um subespaço W⊆VW \subseteq V é invariante se ρ(g)W⊆W\rho(g)W \subseteq W para todo gg; a restrição faz de WW uma subrepresentação. ρ\rho é irredutível se V≠0V \neq 0 e seus únicos subespaços invariantes são 00 e VV. Um morfismo entre (ρ,V)(\rho, V) e (σ,W)(\sigma, W) é uma aplicação linear f ⁣:V→Wf\colon V \to W com fρ(g)=σ(g)ff\rho(g) = \sigma(g)f para todo gg (equivariância); os ff bijetores são isomorfismos.

Exemplo 5.2

(a) Grau 11: morfismos G→C×G \to \C^\times. (b) A representação regular: V=CGV = \C^G com base (eh)h∈G(e_h)_{h \in G}, ρ(g)eh=egh\rho(g)e_h = e_{gh}; de grau ∣G∣\abs G. (c) Uma ação por permutações de GG sobre um conjunto finito XX dá a representação de permutação em CX\C^X: ρ(g)ex=eg⋅x\rho(g)e_x = e_{g\cdot x}. (d) SnS_n age em Cn\C^n permutando as coordenadas; o hiperplano {∑xi=0}\{\sum x_i = 0\} é invariante: é a representação padrão, de grau n−1n - 1.

Teorema 5.3 (Maschke)

Todo subespaço invariante WW de uma representação (V,ρ)(V, \rho) admite um complemento invariante. Consequentemente, toda representação é uma soma direta de irredutíveis (semissimplicidade).

Demonstração. Seja p ⁣:V→Vp \colon V \to V uma projeção qualquer de imagem WW (escolha um complemento qualquer). Faça a média sobre o grupo:

p~=1∣G∣∑g∈Gρ(g) p ρ(g)−1.\tilde p = \frac1{\abs G}\sum_{g \in G} \rho(g)\,p\,\rho(g)^{-1}.

Cada parcela leva VV em WW (WW é invariante) e fixa WW ponto a ponto: para w∈Ww \in W, ρ(g)−1w∈W\rho(g)^{-1}w \in W, pp o fixa, e ρ(g)\rho(g) o traz de volta — de modo que p~\tilde p é novamente uma projeção sobre WW. Ela é equivariante: para h∈Gh \in G, ρ(h)p~ρ(h)−1\rho(h)\tilde p\rho(h)^{-1} apenas reindexa a mesma soma. Logo ker⁡p~\ker \tilde p é um complemento invariante de WW. Iterando nas parcelas (dimensão finita), decompõe-se VV em irredutíveis. ∎

Teorema 5.4 (Lema de Schur)

Seja f ⁣:V→Wf \colon V \to W um morfismo de representações irredutíveis. Então f=0f = 0 ou ff é um isomorfismo; e, se (V,ρ)=(W,σ)(V,\rho) = (W,\sigma), então f=λ idf = \lambda\,\mathrm{id} para algum λ∈C\lambda \in \C. Logo dim⁡Hom⁡G(V,W)\dim\operatorname{Hom}_G(V, W) vale 11 se V≅WV \cong W e 00 caso contrário.

Demonstração. ker⁡f\ker f e im⁡f\operatorname{im} f são invariantes (equivariância), de modo que cada um é 00 ou o espaço todo: ou f=0f = 0, ou ff é injetora com imagem total. Se V=WV = W: ff tem um autovalor λ\lambda (C\C é algebricamente fechado); f−λ idf - \lambda\,\mathrm{id} é um morfismo V→VV \to V não injetor, logo é 00. Quanto à contagem de dimensão quando V≅WV \cong W: fixando um isomorfismo uu, todo morfismo ff dá o endomorfismo u−1f=λ idu^{-1}f = \lambda\,\mathrm{id}: f=λuf = \lambda u. ∎

5.2 Caracteres e ortogonalidade

Definição 5.5

O caráter de (V,ρ)(V, \rho) é χρ(g)=tr⁡ρ(g)\chi_\rho(g) = \operatorname{tr}\rho(g). Ele satisfaz χρ(e)=dim⁡V\chi_\rho(e) = \dim V, χρ(hgh−1)=χρ(g)\chi_\rho(hgh^{-1}) = \chi_\rho(g) (os traços são invariantes por conjugação): os caracteres são funções de classe — elementos do espaço CF(G)\mathcal{CF}(G) das funções constantes nas classes de conjugação, munido do produto interno hermitiano

⟨φ,ψ⟩=1∣G∣∑g∈Gφ(g)‾ ψ(g).\langle \varphi, \psi\rangle = \frac1{\abs G}\sum_{g \in G} \overline{\varphi(g)}\,\psi(g).

Proposição 5.6

ρ(g)\rho(g) é diagonalizável com autovalores raízes da unidade; χρ(g−1)=χρ(g)‾\chi_\rho(g^{-1}) = \overline{\chi_\rho(g)}, e ∣χρ(g)∣≤χρ(e)\abs{\chi_\rho(g)} \leq \chi_\rho(e) com igualdade se, e somente se, ρ(g)\rho(g) é escalar. Os caracteres se somam nas somas diretas: χV⊕W=χV+χW\chi_{V \oplus W} = \chi_V + \chi_W.

Demonstração. ρ(g)N=id\rho(g)^N = \mathrm{id} para N=∣G∣N = \abs G (Lagrange): ρ(g)\rho(g) aniquila XN−1X^N - 1 e se decompõe com raízes simples, de modo que o operador é diagonalizável com autovalores λi∈μN\lambda_i \in \mu_N. Então χ(g−1)=∑λi−1=∑λˉi=χ(g)‾\chi(g^{-1}) = \sum \lambda_i^{-1} = \sum\bar\lambda_i = \overline{\chi(g)}, e ∣χ(g)∣=∣∑λi∣≤dim⁡V\abs{\chi(g)} = \abs{\sum\lambda_i} \leq \dim V, com igualdade na desigualdade triangular se, e somente se, todos os λi\lambda_i são iguais, isto é, ρ(g)=λ id\rho(g) = \lambda\,\mathrm{id}. A aditividade nas somas diretas: traços por blocos. ∎

Lema 5.7

Sejam (V,ρ)(V, \rho), (W,σ)(W, \sigma) representações. O operador de média em Hom⁡(W,V)\operatorname{Hom}(W, V),

c(A)=1∣G∣∑gρ(g) A σ(g)−1,c(A) = \frac1{\abs G}\sum_{g}\rho(g)\,A\,\sigma(g)^{-1},

é uma projeção sobre Hom⁡G(W,V)\operatorname{Hom}_G(W, V) e, para a aplicação Φg ⁣:A↦ρ(g)Aσ(g)−1\Phi_g \colon A \mapsto \rho(g)A\sigma(g)^{-1}, tem-se tr⁡Φg=χρ(g) χσ(g)‾\operatorname{tr}\Phi_g = \chi_\rho(g)\,\overline{\chi_\sigma(g)}.

Demonstração. c(A)c(A) é equivariante (reindexe a soma como em Maschke), e cc fixa as aplicações equivariantes (cada parcela vale AA): cc é uma projeção de imagem Hom⁡G(W,V)\operatorname{Hom}_G(W, V). Traço: em bases, Φg(A)=BAC\Phi_g(A) = BAC com B=ρ(g)B = \rho(g), C=σ(g)−1C = \sigma(g)^{-1}; na base (Ekl)(E_{kl}) das matrizes, BEklC=∑m,nbmkclnEmnBE_{kl}C = \sum_{m,n} b_{mk}c_{ln}E_{mn}, de modo que o coeficiente de EklE_{kl} em Φg(Ekl)\Phi_g(E_{kl}) é bkkcllb_{kk}c_{ll}: tr⁡Φg=∑k,lbkkcll=tr⁡(B)tr⁡(C)=χρ(g)χσ(g−1)\operatorname{tr}\Phi_g = \sum_{k,l}b_{kk}c_{ll} = \operatorname{tr}(B) \operatorname{tr}(C) = \chi_\rho(g)\chi_\sigma(g^{-1}) e χσ(g−1)=χσ(g)‾\chi_\sigma(g^{-1}) = \overline{\chi_\sigma(g)}. ∎

Teorema 5.8 (Primeiras relações de ortogonalidade)

Sejam ρ,σ\rho, \sigma irredutíveis. Então

⟨χσ,χρ⟩={1se ρ≅σ,0caso contraˊrio:\langle\chi_\sigma, \chi_\rho\rangle = \begin{cases} 1 & \text{se } \rho \cong \sigma,\\ 0 & \text{caso contrário:} \end{cases}

os caracteres irredutíveis formam uma família ortonormal em CF(G)\mathcal{CF}(G).

Demonstração. O traço de uma projeção é a dimensão de sua imagem:

dim⁡Hom⁡G(W,V)=tr⁡c=1∣G∣∑gtr⁡Φg=1∣G∣∑gχρ(g)χσ(g)‾=⟨χσ,χρ⟩,\dim\operatorname{Hom}_G(W, V) = \operatorname{tr} c = \frac1{\abs G}\sum_g \operatorname{tr}\Phi_g = \frac1{\abs G}\sum_g \chi_\rho(g)\overline{\chi_\sigma(g)} = \langle \chi_\sigma, \chi_\rho\rangle,

e o lema de Schur avalia o membro esquerdo em δρ≅σ\delta_{\rho \cong \sigma}. ∎

Corolário 5.9

Decomponha V≅⨁iVi⊕miV \cong \bigoplus_i V_i^{\oplus m_i} em irredutíveis distintas (Vi≇VjV_i \not\cong V_j). Então mi=⟨χVi,χV⟩m_i = \langle \chi_{V_i}, \chi_V\rangle: as multiplicidades — e portanto a representação a menos de isomorfismo — ficam determinadas pelo caráter. Além disso, ⟨χV,χV⟩=∑imi2\langle \chi_V, \chi_V\rangle = \sum_i m_i^2; em particular, VV é irredutível se, e somente se, ⟨χV,χV⟩=1\langle\chi_V, \chi_V\rangle = 1.

Demonstração. χV=∑miχVi\chi_V = \sum m_i\chi_{V_i} (Proposição 5.6); tome produtos internos com cada χVi\chi_{V_i} e use a ortonormalidade. Duas representações de caracteres iguais têm multiplicidades iguais e, portanto, são isomorfas. ∎

Teorema 5.10 (A representação regular)

Sejam χ1,…,χr\chi_1, \dots, \chi_r os caracteres irredutíveis distintos, de graus ni=χi(e)n_i = \chi_i(e). A representação regular se decompõe com multiplicidades mi=nim_i = n_i; consequentemente,

∑i=1rni2=∣G∣,∑iniχi(g)=0(g≠e).\sum_{i=1}^{r} n_i^2 = \abs G, \qquad \sum_i n_i\chi_i(g) = 0 \quad (g \neq e).

Demonstração. O caráter regular: χreg(g)=#{h:gh=h}\chi_{\mathrm{reg}}(g) = \#\{h : gh = h\}, que vale ∣G∣\abs G para g=eg = e e 00 caso contrário. Logo mi=⟨χi,χreg⟩=1∣G∣χi(e)‾ ∣G∣=nim_i = \langle \chi_i,\chi_{\mathrm{reg}}\rangle = \frac1{\abs G}\overline{\chi_i(e)}\,\abs G = n_i. Avaliando χreg=∑niχi\chi_{\mathrm{reg}} = \sum n_i\chi_i em ee e em g≠eg \neq e obtêm-se as duas identidades exibidas. ∎

Teorema 5.11

Os caracteres irredutíveis formam uma base ortonormal de CF(G)\mathcal{CF}(G): o número de representações irredutíveis é igual ao número de classes de conjugação de GG.

Demonstração. Falta apenas a completude: seja f∈CF(G)f \in \mathcal{CF}(G) ortogonal a todo χi\chi_i; mostremos que f=0f = 0. Para uma representação (V,ρ)(V,\rho), ponha Tf,ρ=1∣G∣∑gf(g)‾ ρ(g)T_{f,\rho} = \frac{1}{\abs G} \sum_g \overline{f(g)}\,\rho(g). Ela é equivariante: para h∈Gh \in G,

ρ(h)Tf,ρρ(h)−1=1∣G∣∑gf(g)‾ρ(hgh−1)=1∣G∣∑g′f(h−1g′h)‾ρ(g′)=Tf,ρ\rho(h)T_{f,\rho}\rho(h)^{-1} = \frac1{\abs G}\sum_g \overline{f(g)}\rho(hgh^{-1}) = \frac1{\abs G}\sum_{g'}\overline{f(h^{-1}g'h)}\rho(g') = T_{f,\rho}

(ff é função de classe). Se ρ\rho é irredutível de grau nn, Schur dá Tf,ρ=λ idT_{f,\rho} = \lambda\,\mathrm{id} com

λ=tr⁡Tf,ρn=1n∣G∣∑gf(g)‾ χρ(g)=1n ⟨f,χρ⟩=0.\lambda = \frac{\operatorname{tr}T_{f,\rho}}{n} = \frac{1}{n\abs G}\sum_g \overline{f(g)}\,\chi_\rho(g) = \frac1n\,\langle f, \chi_\rho\rangle = 0 .

Logo Tf,ρ=0T_{f,\rho} = 0 em toda irredutível e, portanto (somas diretas), em toda representação — em particular na regular. Aplique-a ao vetor da base eee_e: 0=Tf,regee=1∣G∣∑gf(g)‾eg0 = T_{f,\mathrm{reg}}e_e = \frac1{\abs G}\sum_g\overline{f(g)}e_g, o que força todo f(g)‾=0\overline{f(g)} = 0. Assim, a família ortonormal (χi)(\chi_i) gera CF(G)\mathcal{CF}(G), cuja dimensão é o número de classes de conjugação. ∎

Corolário 5.12 (Ortogonalidade das colunas)

Para g,h∈Gg, h \in G:

∑i=1rχi(g)‾ χi(h)={∣ZG(g)∣se g,h sa˜o conjugados,0caso contraˊrio.\sum_{i=1}^{r}\overline{\chi_i(g)}\,\chi_i(h) = \begin{cases} \abs{Z_G(g)} & \text{se } g, h \text{ são conjugados},\\ 0 & \text{caso contrário.} \end{cases}

Demonstração. Sejam g1,…,grg_1, \dots, g_r representantes das classes e cjc_j os tamanhos das classes. A matriz Uij=cj/∣G∣  χi(gj)U_{ij} = \sqrt{c_j/\abs G}\;\chi_i(g_j) de tamanho r×rr \times r tem linhas ortonormais (Teorema 5.8 escrito por classes: ∑jcj∣G∣χi(gj)χi′(gj)‾=δii′\sum_j \frac{c_j}{\abs G}\chi_i(g_j)\overline{\chi_{i'}(g_j)} = \delta_{ii'}), isto é, UU∗=IUU^* = I; uma matriz quadrada com UU∗=IUU^* = I satisfaz também U∗U=IU^*U = I: as colunas são ortonormais, o que se desdobra na identidade exibida (∣G∣/cj=∣ZG(gj)∣\abs G/c_j = \abs{Z_G(g_j)}, a relação órbita–estabilizador para a conjugação). ∎

Proposição 5.13 (Caracteres unidimensionais; levantamento)

(a) GG é abeliano se, e somente se, todas as suas representações irredutíveis têm grau 11; o número de caracteres de grau 11 de um GG qualquer é [G:D(G)][G : D(G)] (eles são os caracteres da abelianização). (b) Se N⊴GN \trianglelefteq G, as representações irredutíveis de G/NG/N se levantam (compondo com G→G/NG \to G/N) exatamente às representações irredutíveis de GG cujo núcleo contém NN.

Demonstração. (a) Se GG é abeliano, cada classe é unitária: r=∣G∣r = \abs G, e ∑ni2=∣G∣\sum n_i^2 = \abs G força todos os ni=1n_i = 1; reciprocamente, se todos os ni=1n_i = 1, a representação regular é uma soma de representações unidimensionais, de modo que ρreg(G)\rho_{\mathrm{reg}}(G) é simultaneamente diagonalizável, logo comutativa, e ρreg\rho_{\mathrm{reg}} é fiel: GG é abeliano. As representações de grau 11 são morfismos G→C×G \to \C^\times com alvo abeliano: elas se fatoram por Gab=G/D(G)G^{\mathrm{ab}} = G/D(G) (Exercício 1.9), e os caracteres distintos do grupo abeliano GabG^{\mathrm{ab}} são em número de ∣Gab∣\abs{G^{\mathrm{ab}}} (ele tem essa quantidade de classes, todas de grau 11). (b) A composição com a projeção preserva a irredutibilidade (os subespaços invariantes se correspondem), e uma representação trivial em NN se fatora pelo quociente (Teorema 1.3). ∎

5.3 Tabelas de caracteres

Definição 5.14

A tabela de caracteres de GG é a matriz (χi(gj))\bigl(\chi_i(g_j)\bigr) de tamanho r×rr \times r: linhas indexadas pelos caracteres irredutíveis, colunas pelas classes de conjugação (com seus tamanhos indicados). As linhas são ortonormais para o produto ponderado e as colunas são ortogonais (Corolário 5.12): a tabela é fortemente sobredeterminada, e é isso que a torna calculável.

Exemplo 5.15 (A tabela de S3S_3)

Classes: ee (tamanho 1), transposições (3), 33-ciclos (2); logo r=3r = 3 irredutíveis, de graus nin_i com ∑ni2=6\sum n_i^2 = 6: 1,1,21, 1, 2. Grau 11: a trivial 1\mathbf 1 e a assinatura ε\varepsilon. A última linha decorre da ortogonalidade das colunas (ou de χstd=χperm−1\chi_{\mathrm{std}} = \chi_{\mathrm{perm}} - \mathbf 1):

S3e(1 2) [3](1 2 3) [2]1111ε1−11χstd20−1\begin{array}{c|ccc} S_3 & e & (1\,2)\ [3] & (1\,2\,3)\ [2]\\ \hline \mathbf 1 & 1 & 1 & 1\\ \varepsilon & 1 & -1 & 1\\ \chi_{\mathrm{std}} & 2 & 0 & -1 \end{array}

Verificação: ⟨χstd,χstd⟩=16(4+0+2)=1\langle\chi_{\mathrm{std}},\chi_{\mathrm{std}}\rangle = \frac{1}{6}(4 + 0 + 2) = 1: é irredutível.

Exemplo 5.16 (A tabela de S4S_4)

Classes: ee [1], transposições [6], transposições duplas [3], 33-ciclos [8], 44-ciclos [6]: cinco irredutíveis, ∑ni2=24\sum n_i^2 = 24 com duas de grau 11 (1,ε\mathbf 1, \varepsilon; [S4:D(S4)]=[S4:A4]=2[S_4 : D(S_4)] = [S_4 : A_4] = 2): graus 1,1,2,3,31, 1, 2, 3, 3. A de grau 22 se levanta de S4/V≅S3S_4/V \cong S_3 (Proposição 5.13(b), com VV o grupo de Klein); as de grau 33: a representação padrão e sua torção por ε\varepsilon:

S4e [1](1 2) [6](1 2)(3 4) [3](1 2 3) [8](1 2 3 4) [6]111111ε1−111−1χ2202−10χstd31−10−1εχstd3−1−101\begin{array}{c|ccccc} S_4 & e\,[1] & (1\,2)\,[6] & (1\,2)(3\,4)\,[3] & (1\,2\,3)\,[8] & (1\,2\,3\,4)\,[6]\\ \hline \mathbf 1 & 1 & 1 & 1 & 1 & 1\\ \varepsilon & 1 & -1 & 1 & 1 & -1\\ \chi_2 & 2 & 0 & 2 & -1 & 0\\ \chi_{\mathrm{std}} & 3 & 1 & -1 & 0 & -1\\ \varepsilon\chi_{\mathrm{std}} & 3 & -1 & -1 & 0 & 1 \end{array}

(χstd(g)=fix⁡(g)−1\chi_{\mathrm{std}}(g) = \operatorname{fix}(g) - 1; χ2\chi_2 avalia a tabela de S3S_3 na imagem de cada classe módulo VV.) Todas as verificações de ortogonalidade de linhas e colunas passam — fazer duas delas é o aquecimento do Exercício 5.3.

Método 5.17

Para construir uma tabela de caracteres: (1) liste as classes de conjugação e seus tamanhos; (2) conte os caracteres de grau 11 por meio de G/D(G)G/D(G) e escreva-os; (3) encontre os graus restantes a partir de ∑ni2=∣G∣\sum n_i^2 = \abs G (combinatória de inteiros pequenos); (4) obtenha irredutíveis baratas: levante de quocientes, subtraia 1\mathbf 1 dos caracteres de permutação (verifique ⟨χ,χ⟩=1\langle\chi,\chi\rangle = 1), multiplique caracteres já conhecidos por caracteres de grau 11; (5) termine as linhas desconhecidas pela ortogonalidade das colunas — cada coluna é ortogonal às colunas já completas, e a coluna de ee carrega os graus. Confira tudo com uma varredura completa de ortogonalidade.

A representação regular de S_3, diagonalizada por blocos: ℂ[S_3] ℂ × ℂ × M_2(ℂ), de dimensões 1 + 1 + 4 = 6 = |S_3|. Em geral, ℂ[G] _i M_n_i(ℂ): a identidade n_i2 = G é uma afirmação sobre blocos de matrizes.
A representação regular de S3S_3, diagonalizada por blocos: C[S3]≅C×C×M2(C)\C[S_3] \cong \C \times \C \times M_2(\C), de dimensões 1+1+4=6=∣S3∣1 + 1 + 4 = 6 = \abs{S_3}. Em geral, C[G]≅∏iMni(C)\C[G] \cong \prod_i M_{n_i}(\C): a identidade ∑ni2=∣G∣\sum n_i^2 = \abs G é uma afirmação sobre blocos de matrizes.

5.4 Exercícios

Exercício 5.1 ★

(a) Mostre que os caracteres irredutíveis de Z/nZ\Z/n\Z são os χk(mˉ)=e2iπkm/n\chi_k(\bar m) = \eu^{2\iu\pi km/n}, k=0,…,n−1k = 0, \dots, n-1, e escreva a tabela de caracteres de Z/4Z\Z/4\Z. (b) Verifique nela as duas relações de ortogonalidade — e reconheça a matriz: onde este livro já a encontrou?

Solução

Solução de Exercício 5.1.

(a) Z/nZ\Z/n\Z é abeliano: todos os irredutíveis têm grau 11 (Proposição 5.13), isto é, são morfismos χ ⁣:Z/nZ→C×\chi \colon \Z/n\Z \to \C^\times, determinados por χ(1ˉ)=ω\chi(\bar 1) = \omega com ωn=1\omega^n = 1: os nn caracteres χk(mˉ)=e2iπkm/n\chi_k(\bar m) = \eu^{2\iu\pi km/n}. Para n=4n = 4 (classes == elementos 0ˉ,1ˉ,2ˉ,3ˉ\bar0,\bar1,\bar2,\bar3):

0ˉ1ˉ2ˉ3ˉχ01111χ11i−1−iχ21−11−1χ31−i−1i\begin{array}{c|cccc} & \bar0 & \bar1 & \bar2 & \bar3\\ \hline \chi_0 & 1 & 1 & 1 & 1\\ \chi_1 & 1 & \iu & -1 & -\iu\\ \chi_2 & 1 & -1 & 1 & -1\\ \chi_3 & 1 & -\iu & -1 & \iu \end{array}

(b) Linhas: ⟨χk,χl⟩=14∑me2iπ(l−k)m/4=δkl\langle\chi_k,\chi_l\rangle = \frac14\sum_m \eu^{2\iu\pi(l-k)m/4} = \delta_{kl} (soma geométrica); colunas do mesmo modo. A matriz (e2iπkm/n)k,m(\eu^{2\iu\pi km/n})_{k,m} é a matriz da transformada de Fourier discreta — o mesmo filtro de raízes da unidade usado no capítulo de funções geradoras do volume do segundo ano; a ortogonalidade dos caracteres generaliza a fórmula de inversão da TFD.

Exercício 5.2 ★

Sejam GG agindo sobre um conjunto finito XX e χ\chi o caráter da representação de permutação CX\C^X. (a) Mostre que χ(g)=∣Fix⁡X(g)∣\chi(g) = \abs{\operatorname{Fix}_X(g)} e que ⟨1,χ⟩=#{oˊrbitas}\langle \mathbf 1, \chi\rangle = \#\{\text{órbitas}\} — o lema de contagem de Burnside (Exercício 1.5) é um cálculo de caracteres. (b) Suponha a ação transitiva, de modo que χ=1+ψ\chi = \mathbf 1 + \psi. Mostre que ψ\psi é irredutível se, e somente se, a ação é 22-transitiva (transitiva nos pares ordenados de pontos distintos). (Calcule ⟨χ,χ⟩\langle\chi,\chi\rangle como o número de órbitas em X×XX \times X.) (c) Conclua que a representação padrão de SnS_n (n≥2n \geq 2) é irredutível.

Solução

Solução de Exercício 5.2.

(a) A matriz de ρ(g)\rho(g) na base (ex)(e_x) é uma matriz de permutação, de traço igual ao número de xx com g⋅x=xg\cdot x = x. Então

⟨1,χ⟩=1∣G∣∑g∣Fix⁡(g)∣=#{oˊrbitas}\langle\mathbf 1, \chi\rangle = \frac1{\abs G}\sum_g \abs{\operatorname{Fix}(g)} = \#\{\text{órbitas}\}

pelo lema de contagem de Burnside (Exercício 1.5) — equivalentemente, isso calcula a multiplicidade da representação trivial, cujo espaço isotípico é o espaço dos vetores GG-invariantes, de dimensão igual ao número de órbitas (um indicador por órbita).

(b) Como Fix⁡X×X(g)=Fix⁡X(g)2\operatorname{Fix}_{X\times X}(g) = \operatorname{Fix}_X(g)^2, a parte (a) aplicada a X×XX \times X dá ⟨χ,χ⟩=1∣G∣∑∣Fix⁡(g)∣2=#{oˊrbitas em X×X}\langle\chi,\chi\rangle = \frac1{\abs G}\sum\abs{\operatorname{Fix}(g)}^2 = \#\{\text{órbitas em } X\times X\} (χ\chi é real). Escrevendo χ=1+ψ\chi = \mathbf 1 + \psi: ⟨1,χ⟩=1\langle\mathbf1,\chi\rangle = 1 (transitividade), de modo que ⟨ψ,ψ⟩=⟨χ,χ⟩−1\langle\psi,\psi\rangle = \langle\chi,\chi\rangle - 1. A ação sobre X×XX\times X tem a diagonal como uma órbita; há exatamente uma outra órbita se, e somente se, GG é transitivo sobre os pares distintos: ⟨ψ,ψ⟩=1\langle\psi,\psi\rangle = 1 se, e somente se, 22-transitivo (Corolário 5.9).

(c) SnS_n é 22-transitivo sobre {1,…,n}\{1,\dots,n\} (leve qualquer par distinto a qualquer outro): ψ=χstd\psi = \chi_{\mathrm{std}} é irredutível.

Exercício 5.3 ★

Reconstrua do zero a tabela de S3S_3 seguindo o Método 5.17 e verifique em seguida duas relações de ortogonalidade de linhas e duas de colunas na tabela de S4S_4 do Exemplo 5.16. Decomponha em irredutíveis o caráter de permutação de S4S_4 agindo sobre {1,2,3,4}\{1,2,3,4\} e o caráter χstd2\chi_{\mathrm{std}}^2 (quadrado ponto a ponto).

Solução

Solução de Exercício 5.3.

S3S_3: três classes, ∑ni2=6=1+1+4\sum n_i^2 = 6 = 1 + 1 + 4; os dois caracteres de grau 11 são 1,ε\mathbf 1, \varepsilon ([S3:A3]=2[S_3 : A_3] = 2); a terceira linha (2,a,b)(2, a, b) decorre da ortogonalidade de colunas com a coluna de ee: 1−1+2a=01 - 1 + 2a = 0 e 1+1+2b=01 + 1 + 2b = 0: a=0a = 0, b=−1b = -1 — a tabela do Exemplo 5.15.

S4S_4, verificações (linhas): ⟨χstd,εχstd⟩=124(9−6+3+0−6)=0\langle\chi_{\mathrm{std}}, \varepsilon\chi_{\mathrm{std}}\rangle = \frac1{24}(9 - 6 + 3 + 0 - 6) = 0; ⟨χ2,χ2⟩=124(4+0+12+8+0)=1\langle\chi_2,\chi_2\rangle = \frac1{24}(4 + 0 + 12 + 8 + 0) = 1. Colunas: ee contra (1 2)(1\,2): 1−1+0+3−3=01 - 1 + 0 + 3 - 3 = 0; (1 2)(1\,2) contra si mesma: 1+1+0+1+1=4=∣ZS4((1 2))∣=24/61 + 1 + 0 + 1 + 1 = 4 = \abs{Z_{S_4}((1\,2))} = 24/6.

Caráter de permutação sobre 44 pontos: (4,2,0,1,0)=1+χstd(4, 2, 0, 1, 0) = \mathbf 1 + \chi_{\mathrm{std}} (contagens de pontos fixos; subtraia a primeira linha). Para χstd2=(9,1,1,0,1)\chi_{\mathrm{std}}^2 = (9, 1, 1, 0, 1):

⟨1,⋅⟩=9+6+3+0+624=1,⟨ε,⋅⟩=0,⟨χ2,⋅⟩=18+624=1,⟨χstd,⋅⟩=1,⟨εχstd,⋅⟩=1:\langle\mathbf1,\cdot\rangle = \tfrac{9 + 6 + 3 + 0 + 6}{24} = 1,\quad \langle\varepsilon,\cdot\rangle = 0,\quad \langle\chi_2,\cdot\rangle = \tfrac{18 + 6}{24} = 1,\quad \langle\chi_{\mathrm{std}},\cdot\rangle = 1,\quad \langle\varepsilon\chi_{\mathrm{std}},\cdot\rangle = 1:

χstd2=1+χ2+χstd+εχstd\chi_{\mathrm{std}}^2 = \mathbf 1 + \chi_2 + \chi_{\mathrm{std}} + \varepsilon\chi_{\mathrm{std}} (dimensões: 9=1+2+3+39 = 1 + 2 + 3 + 3).

Exercício 5.4 ★★

Calcule as tabelas de caracteres de D4D_4 e de Q8Q_8. Conclua que dois grupos não isomorfos podem ter tabelas de caracteres idênticas — que dados de teoria de grupos a tabela ainda assim captura nesse par (ordens dos centros, abelianizações, número de involuções)? Quais deles ela deixa de capturar?

Solução

Solução de Exercício 5.4.

Ambos os grupos têm cinco classes e padrão de graus (1,1,1,1,2)(1,1,1,1,2) (quatro de grau 11 vindos da abelianização ≅(Z/2Z)2\cong (\Z/2\Z)^2, e então ∑ni2=8\sum n_i^2 = 8). Ordenando as classes ee, zz (a involução central: r2r^2, resp. −1-1) e as três classes de dois elementos:

ezC1C2C3χ(1)11111χ(2)111−1−1χ(3)11−11−1χ(4)11−1−11χ(5)2−2000\begin{array}{c|ccccc} & e & z & C_1 & C_2 & C_3\\ \hline \chi^{(1)} & 1 & 1 & 1 & 1 & 1\\ \chi^{(2)} & 1 & 1 & 1 & -1 & -1\\ \chi^{(3)} & 1 & 1 & -1 & 1 & -1\\ \chi^{(4)} & 1 & 1 & -1 & -1 & 1\\ \chi^{(5)} & 2 & -2 & 0 & 0 & 0 \end{array}

(a última linha vem da ortogonalidade de colunas). Tabelas idênticas para D4D_4 e Q8Q_8, que não são isomorfos (Problema 1.1). A tabela de fato captura: ∣G∣\abs G, os tamanhos das classes, o centro ({g:∣χi(g)∣=ni ∀i}\{g : \abs{\chi_i(g)} = n_i\ \forall i\}: ordem 22 em ambos), a abelianização, todo o reticulado dos subgrupos normais (núcleos e interseções, Exercício 5.6). Ela deixa escapar as ordens dos elementos: D4D_4 tem cinco involuções, Q8Q_8 tem uma — de modo que o tipo de isomorfismo é genuinamente mais fino que a tabela de caracteres.

Exercício 5.5 ★★

Tabela de caracteres de A4A_4: classes ee [1], transposições duplas [3] e duas classes de 33-ciclos [4], [4]. (a) Explique a cisão dos 33-ciclos (compare os centralizadores em S4S_4 e em A4A_4, como no Exercício 1.11). (b) Encontre os três caracteres de grau 11 (via A4/V≅Z/3ZA_4/V \cong \Z/3\Z) e o caráter de grau 33 (restrinja χstd\chi_{\mathrm{std}} de S4S_4), e monte a tabela. (c) Leia na tabela os subgrupos normais de A4A_4 (núcleos {g:χ(g)=χ(e)}\{g : \chi(g) = \chi(e)\} e suas interseções).

Solução

Solução de Exercício 5.5.

(a) Em S4S_4, o centralizador de (1 2 3)(1\,2\,3) tem ordem 24/8=324/8 = 3: é ⟨(1 2 3)⟩⊆A4\langle(1\,2\,3)\rangle \subseteq A_4. Logo ZA4((1 2 3))Z_{A_4}((1\,2\,3)) tem ordem 33 e a A4A_4-classe tem 12/3=412/3 = 4 elementos: os oito 33-ciclos se repartem em duas A4A_4-classes (representadas por (1 2 3)(1\,2\,3) e seu inverso).

(b) A4/V≅Z/3ZA_4/V \cong \Z/3\Z dá três caracteres de grau 11 (ω=e2iπ/3\omega = \eu^{2\iu\pi/3}; as classes de 33-ciclos vão para 1ˉ,2ˉ\bar1, \bar2); a restrição de χstd\chi_{\mathrm{std}} permanece irredutível (⟨χ,χ⟩=112(9+3⋅1+0+0)=1\langle\chi,\chi\rangle = \frac1{12}(9 + 3 \cdot 1 + 0 + 0) = 1):

A4e [1](1 2)(3 4) [3](1 2 3) [4](1 3 2) [4]11111χω11ωω2χωˉ11ω2ωχ33−100\begin{array}{c|cccc} A_4 & e\,[1] & (1\,2)(3\,4)\,[3] & (1\,2\,3)\,[4] & (1\,3\,2)\,[4]\\ \hline \mathbf 1 & 1 & 1 & 1 & 1\\ \chi_\omega & 1 & 1 & \omega & \omega^2\\ \chi_{\bar\omega} & 1 & 1 & \omega^2 & \omega\\ \chi_3 & 3 & -1 & 0 & 0 \end{array}

(c) Núcleos: ker⁡χω=ker⁡χωˉ=V\ker\chi_\omega = \ker\chi_{\bar\omega} = V; ker⁡χ3={e}\ker\chi_3 = \{e\} (nenhuma outra entrada tem módulo 33). Os subgrupos normais são as interseções de núcleos (Exercício 5.6): {e}\{e\}, VV, A4A_4 — em particular, A4A_4 não tem subgrupo normal de ordem 22 nem de índice 22.

Exercício 5.6 ★★

(a) Mostre que ker⁡χ={g:χ(g)=χ(e)}\ker\chi = \{g : \chi(g) = \chi(e)\} é o núcleo da representação subjacente (Proposição 5.6, caso de igualdade). (b) Mostre que todo subgrupo normal de GG é uma interseção de núcleos de caracteres irredutíveis. (Represente G/NG/N fielmente: sua representação regular.) (c) Deduza: GG é simples se, e somente se, ker⁡χi={e}\ker\chi_i = \{e\} para todo χi\chi_i irredutível não trivial — a simplicidade é legível na tabela de caracteres.

Solução

Solução de Exercício 5.6.

(a) Se χ(g)=χ(e)=n\chi(g) = \chi(e) = n: a igualdade em ∣χ(g)∣≤n\abs{\chi(g)} \leq n força ρ(g)=λ id\rho(g) = \lambda\,\mathrm{id} (Proposição 5.6) com nλ=nn\lambda = n: ρ(g)=id\rho(g) = \mathrm{id}. A recíproca é clara.

(b) Seja N⊴GN \trianglelefteq G. A representação regular de G/NG/N é fiel; decomponha-a em irredutíveis de G/NG/N e levante-os a GG (Proposição 5.13(b)): caracteres irredutíveis χi1,…\chi_{i_1}, \dots de GG cujos núcleos contêm NN e cujo núcleo comum é exatamente a pré-imagem de {e}\{e\}, isto é, NN (fidelidade no quociente). Logo N=⋂jker⁡χijN = \bigcap_j \ker\chi_{i_j}.

(c) Se GG é simples: para um irredutível não trivial χ\chi, ker⁡χ⊴G\ker\chi \trianglelefteq G não é GG (uma representação irredutível trivial em todo GG é o caráter trivial), de modo que ker⁡χ={e}\ker\chi = \{e\}. Reciprocamente, suponha que todos os núcleos não triviais sejam triviais, e seja N⊴GN \trianglelefteq G com N≠GN \neq G. Na expressão de NN como interseção de núcleos em (b), algum caráter envolvido é não trivial (se todos fossem triviais, a interseção seria GG), e seu núcleo é {e}\{e\}: N={e}N = \{e\}. Logo os únicos subgrupos normais são {e}\{e\} e GG.

Exercício 5.7 ★★

Graus de ∣G∣=8\abs G = 8: mostre que um grupo não abeliano de ordem 88 tem padrão de graus (1,1,1,1,2)(1,1,1,1,2) e que sua representação de grau 22 é fiel. Mais geralmente, mostre que um grupo não abeliano de ordem p3p^3 tem padrão (1 p2,p,…,p)(1^{\,p^2}, p, \dots, p), com p2p^2 uns e p−1p - 1 caracteres de grau pp. (Use [G:D(G)][G : D(G)] e ∑ni2=∣G∣\sum n_i^2 = \abs G; aqui D(G)=Z(G)D(G) = Z(G) tem ordem pp.)

Solução

Solução de Exercício 5.7.

Ordem 88 não abeliano: o número de caracteres de grau 11 é [G:D(G)][G : D(G)], um divisor próprio de 88 (não abeliano: D(G)≠{e}D(G) \neq \{e\}), e ∑ni2=8\sum n_i^2 = 8. Com kk deles iguais a um e os graus restantes ≥2\geq 2: 8−k≡08 - k \equiv 0 com quadrados ≥4\geq 4, e k∣8k \mid 8, k<8k < 8. k=4k = 4: um grau 22 — coerente. k=2k = 2: sobram 66, que não é soma de quadrados ≥4\geq 4. k=1k = 1: impossível, pois k=[G:D(G)]≥2k = [G : D(G)] \geq 2 — G/D(G)G/D(G) é um 22-grupo abeliano não trivial, já que GG é um 22-grupo com D(G)≠GD(G) \neq G pela solubilidade dos pp-grupos (Exemplo 1.30). Logo o padrão é (1,1,1,1,2)(1,1,1,1,2). Fidelidade de χ5\chi_5: os quatro caracteres de grau 11 contêm todos D(G)D(G) em seus núcleos; se ker⁡χ5⊇N≠{e}\ker\chi_5 \supseteq N \neq \{e\} para algum normal minimal NN (N⊆D(G)N \subseteq D(G) ou não — tome N⊆ker⁡χ5N \subseteq \ker\chi_5 não trivial), então NN estaria em todos os cinco núcleos, cuja interseção é trivial (a representação regular é fiel): contradição. Ordem p3p^3 não abeliano: Z(G)Z(G) tem ordem pp (ordem p2p^2 tornaria G/ZG/Z cíclico e GG abeliano), G/Z(G)G/Z(G), de ordem p2p^2, é abeliano, de modo que D(G)⊆Z(G)D(G) \subseteq Z(G), e D(G)≠{e}D(G) \ne \{e\}: D(G)=Z(G)D(G) = Z(G), dando p2p^2 caracteres de grau 11. Os graus restantes satisfazem ∑ni2=p3−p2\sum n_i^2 = p^3 - p^2 com cada ni>1n_i > 1 dividindo ∣G∣\abs G (Problema 5.1, questão 8), logo ni∈{p}n_i \in \{p\} (ni=p2n_i = p^2 ultrapassaria: p4>p3−p2p^4 > p^3 - p^2): exatamente p−1p - 1 caracteres de grau pp.

Exercício 5.8 ★★★

Para grupos finitos G,HG, H: mostre que as funções de classe χ(g)ψ(h)\chi(g)\psi(h) em G×HG \times H, com χ,ψ\chi, \psi caracteres irredutíveis de G,HG, H, são exatamente os caracteres irredutíveis de G×HG \times H. (A ortonormalidade é um cálculo direto; a completude, uma contagem de classes.) Deduza a tabela de caracteres de Z/2Z×Z/2Z\Z/2\Z \times \Z/2\Z e redemonstre a Proposição 5.13(a) para grupos abelianos finitos via o teorema de estrutura.

Solução

Solução de Exercício 5.8.

Defina, para representações ρ,σ\rho, \sigma de G,HG, H em V,WV, W, a representação ρ⊠σ\rho \boxtimes \sigma de G×HG \times H sobre V⊗WV \otimes W — concretamente, sobre matrizes: (ρ⊠σ)(g,h)(\rho\boxtimes \sigma)(g,h) é o produto de Kronecker ρ(g)⊗σ(h)\rho(g)\otimes \sigma(h), cujo traço é tr⁡ρ(g)tr⁡σ(h)=χ(g)ψ(h)\operatorname{tr}\rho(g)\operatorname{tr}\sigma(h) = \chi(g)\psi(h) (o produto de Kronecker de matrizes A⊗BA \otimes B tem traço tr⁡Atr⁡B\operatorname{tr}A\operatorname{tr}B: sua diagonal é akkblla_{kk}b_{ll}). Logo χψ\chi\psi é um caráter, e

⟨χψ,χ′ψ′⟩G×H=1∣G∣∣H∣∑g,hχ(g)ψ(h)‾ χ′(g)ψ′(h)=⟨χ,χ′⟩G ⟨ψ,ψ′⟩H=δχχ′δψψ′.\langle\chi\psi, \chi'\psi'\rangle_{G\times H} = \frac{1}{\abs G\abs H}\sum_{g,h} \overline{\chi(g)\psi(h)}\,\chi'(g)\psi'(h) = \langle\chi,\chi'\rangle_G\,\langle\psi,\psi'\rangle_H = \delta_{\chi\chi'}\delta_{\psi\psi'}.

Em particular ⟨χψ,χψ⟩=1\langle\chi\psi,\chi\psi\rangle = 1: cada χψ\chi\psi é irredutível (Corolário 5.9). Esses são rGrHr_Gr_H caracteres irredutíveis distintos; as classes de G×HG\times H são os produtos de classes ((g,h)∼(g′,h′)(g,h) \sim (g',h') componente a componente), de modo que há rGrHr_Gr_H delas: a lista está completa (Teorema 5.11). Para (Z/2Z)2(\Z/2\Z)^2: os quatro caracteres de sinal (±1)⊗(±1)(\pm1)\otimes(\pm1) — a tabela do bloco superior esquerdo do Exercício 5.4. Um grupo abeliano finito é um produto de grupos cíclicos (Corolário 3.13); seus caracteres irredutíveis são produtos dos cíclicos (Exercício 5.1): todos de grau 11.

Exercício 5.9 ★★★

A tabela de caracteres de A5A_5 (classes de tamanhos 1,15,20,12,121, 15, 20, 12, 12, do Exercício 1.11): (a) Mostre que os graus são 1,3,3,4,51, 3, 3, 4, 5 (a única solução de ∑ni2=60\sum n_i^2 = 60 com n1=1n_1 = 1 e, usando o Exercício 5.6(c) com a simplicidade, nenhum outro ni=1n_i = 1). (b) Construa o caráter de grau 44 (ação por permutação em 55 pontos) e o de grau 55 (a ação sobre os seis 55-subgrupos de Sylow dá grau 6=1+56 = 1 + 5; verifique a irredutibilidade), e complete as duas linhas de grau 33 pela ortogonalidade das colunas: entradas com a razão áurea 1±52\frac{1\pm\sqrt5}2 aparecem nas classes dos 55-ciclos. (c) Verifique, a partir da tabela pronta, que A5A_5 é simples (Exercício 5.6(c)).

Solução

Solução de Exercício 5.9.

(a) D(A5)=A5D(A_5) = A_5 (simples não abeliano), de modo que o único caráter de grau 11 é 1\mathbf 1 (Proposição 5.13). Precisamos de n22+n32+n42+n52=59n_2^2 + n_3^2 + n_4^2 + n_5^2 = 59 com cada ni≥2n_i \geq 2; testando os quadrados 4,9,16,25,36,494, 9, 16, 25, 36, 49: o único multiconjunto que funciona é {9,9,16,25}\{9, 9, 16, 25\}: com maior quadrado 4949, o resto 1010 não é soma de três quadrados ≥4\geq 4; com 3636, o resto 2323 também não é (16+4+4=2416 + 4 + 4 = 24, 9+9+4=229 + 9 + 4 = 22); com maior 2525, verifica-se que 25+16+9+9=5925 + 16 + 9 + 9 = 59 funciona e que as variantes 25+2525 + 25, 25+16+1625 + 16 + 16, 25+16+425 + 16 + 4 falham; com maior 1616: 16⋅3=48<59−416\cdot3 = 48 < 59 - 4. Graus: 1,3,3,4,51, 3, 3, 4, 5.

(b) Permutação sobre 55 pontos: pontos fixos (5,1,2,0,0)(5, 1, 2, 0, 0), de modo que χ4=(4,0,1,−1,−1)\chi_4 = (4, 0, 1, -1, -1) com ⟨χ4,χ4⟩=16+0+20+12+1260=1\langle\chi_4,\chi_4\rangle = \frac{16 + 0 + 20 + 12 + 12}{60} = 1: irredutível. Ação sobre os seis 55-subgrupos de Sylow: uma involução fixa exatamente 22 (os normalizadores são diedrais de ordem 1010, cada um contendo 55 involuções: 3030 incidências para 1515 involuções), um elemento de ordem 33 fixa 00 (não há ordem 33 em D5D_5), um elemento de ordem 55 fixa exatamente 11 (ele está num único Sylow): caráter de permutação (6,2,0,1,1)(6, 2, 0, 1, 1), e χ5=(5,1,−1,0,0)\chi_5 = (5, 1, -1, 0, 0) com norma 25+15+20+0+060=1\frac{25 + 15 + 20 + 0 + 0}{60} = 1: irredutível. Restam duas linhas (3,a,b,c,d)(3, a, b, c, d), (3,a′,b′,c′,d′)(3, a', b', c', d'). Normas de colunas (Corolário 5.12): na classe de (1 2)(3 4)(1\,2)(3\,4), ∣Z∣=4\abs{Z} = 4: 1+0+1+a2+a′2=41 + 0 + 1 + a^2 + a'^2 = 4; coluna contra ee: 1⋅1+4⋅0+5⋅1+3(a+a′)=01\cdot1 + 4\cdot 0 + 5\cdot1 + 3(a + a') = 0: a+a′=−2a + a' = -2, a2+a′2=2a^2 + a'^2 = 2: a=a′=−1a = a' = -1. Nos 33-ciclos, ∣Z∣=3\abs Z = 3: 1+1+1+b2+b′2=31 + 1 + 1 + b^2 + b'^2 = 3: b=b′=0b = b' = 0. Em cada 55-classe, ∣Z∣=5\abs Z = 5: a coluna contra ee dá 1⋅1+4⋅(−1)+5⋅0+3(c+c′)=01\cdot 1 + 4\cdot(-1) + 5\cdot 0 + 3(c + c') = 0, de modo que c+c′=1c + c' = 1; e c2+c′2=3c^2 + c'^2 = 3: {c,c′}={1+52,1−52}\{c, c'\} = \bigl\{\frac{1+\sqrt5}2, \frac{1-\sqrt5}2\bigr\} — a razão áurea e sua conjugada; a segunda 55-classe carrega os valores trocados (as duas linhas devem ser ortogonais).

(c) Na tabela terminada, nenhuma entrada de uma linha não trivial iguala seu grau fora da primeira coluna: todo núcleo {g:χi(g)=ni}\{g : \chi_i(g) = n_i\} é trivial. Pelo Exercício 5.6(c), A5A_5 é simples.

Exercício 5.10 ★★

Sejam ρ\rho uma representação irredutível de grau nn e z∈Z(G)z \in Z(G). Mostre que ρ(z)=λz id\rho(z) = \lambda_z\,\mathrm{id} com λ ⁣:Z(G)→C×\lambda \colon Z(G) \to \C^\times um morfismo (o caráter central) e deduza ∣χ(z)∣=n\abs{\chi(z)} = n para zz central. Aplicação: se GG tem uma representação irredutível fiel, então Z(G)Z(G) é cíclico.

Solução

Solução de Exercício 5.10.

ρ(z)\rho(z) comuta com todo ρ(g)\rho(g) (zz é central), isto é, ρ(z)∈End⁡G(V)=C id\rho(z) \in \operatorname{End}_G(V) = \C\,\mathrm{id} (Schur): ρ(z)=λz id\rho(z) = \lambda_z\,\mathrm{id}, e z↦λzz \mapsto \lambda_z é multiplicativa: um morfismo Z(G)→C×Z(G) \to \C^\times. Então χ(z)=nλz\chi(z) = n\lambda_z com ∣λz∣=1\abs{\lambda_z} = 1 (raiz da unidade): ∣χ(z)∣=n\abs{\chi(z)} = n. Se ρ\rho é fiel, λ\lambda é injetiva em Z(G)Z(G) (ρ(z)=id  ⟺  λz=1\rho(z) = \mathrm{id} \iff \lambda_z = 1), de modo que Z(G)Z(G) mergulha em C×\C^\times; um subgrupo finito do grupo multiplicativo de um corpo é cíclico (Teorema 4.12).

Exercício 5.11 ★★

(Projeções isotípicas) Sejam (V,ρ)(V, \rho) uma representação de GG e χi\chi_i um caráter irredutível de grau nin_i. Defina

pi=ni∣G∣∑g∈Gχi(g)‾ ρ(g)  ∈  L(V).p_i = \frac{n_i}{\abs G}\sum_{g\in G} \overline{\chi_i(g)}\,\rho(g) \;\in\; \mathcal L(V).

(a) Mostre que pip_i é GG-equivariante e calcule sua restrição a uma subrepresentação irredutível W⊆VW \subseteq V de caráter χj\chi_j: ela é δij idW\delta_{ij}\, \mathrm{id}_W (Schur; tome traços para identificar o escalar). (b) Deduza que pip_i é uma projeção sobre a soma ViV_i de todas as subrepresentações irredutíveis de caráter χi\chi_i (a componente isotípica), que ∑ipi=idV\sum_ip_i = \mathrm{id}_V, e que a decomposição V=⨁iViV = \bigoplus_iV_i é canônica — ao contrário da divisão mais fina de cada ViV_i em irredutíveis. (c) Para a representação regular de S3S_3 e o caráter assinatura ε\varepsilon, escreva pεp_\varepsilon explicitamente como elemento da álgebra do grupo e verifique pε2=pεp_\varepsilon^2 = p_\varepsilon à mão.

Solução

Solução de Exercício 5.11.

(a) Equivariância: ρ(h)piρ(h)−1\rho(h)p_i\rho(h)^{-1} reindexa a soma (g↦hgh−1g \mapsto hgh^{-1}, e χi\chi_i é uma função de classe): pip_i comuta com a ação. Sobre um irredutível WW de caráter χj\chi_j, Schur torna a restrição um escalar λ idW\lambda\,\mathrm{id}_W; tomando traços,

λ nj=ni∣G∣∑gχi(g)‾ χj(g)=ni ⟨χi,χj⟩=ni δij\lambda\,n_j = \frac{n_i}{\abs G}\sum_g \overline{\chi_i(g)}\,\chi_j(g) = n_i\,\langle\chi_i, \chi_j\rangle = n_i\,\delta_{ij}

(primeira relação de ortogonalidade): λ=δij\lambda = \delta_{ij}.

(b) Decomponha VV em irredutíveis (Maschke): pip_i age como a identidade nas parcelas de caráter χi\chi_i e como 00 em todas as outras, de modo que pip_i é a projeção sobre a soma delas, ViV_i, ao longo da soma das restantes; a imagem ViV_i não depende da decomposição escolhida (é o conjunto dos vetores fixados por pip_i, definido sem escolhas). ∑ipi\sum_ip_i age como a identidade em toda parcela irredutível: é idV\mathrm{id}_V. O desmembramento mais fino de Vi≅Wi⊕miV_i \cong W_i^{\oplus m_i} envolve escolher uma base de Hom⁡G(Wi,V)\operatorname{Hom}_G(W_i, V): canônico ele não é.

(c) Para ε\varepsilon (grau 11): pε=16∑gε(g) ρ(g)p_\varepsilon = \frac1{6}\sum_{g}\varepsilon(g)\,\rho(g), isto é, na álgebra do grupo

pε=16(e−(1 2)−(1 3)−(2 3)+(1 2 3)+(1 3 2)).p_\varepsilon = \tfrac16\bigl(e - (1\,2) - (1\,3) - (2\,3) + (1\,2\,3) + (1\,3\,2)\bigr) .

Elevando ao quadrado: o coeficiente de gg em pε2p_\varepsilon^2 é 136∑hε(h)ε(h−1g)=136 ε(g)∑hε(h)2=636ε(g)\frac1{36}\sum_{h}\varepsilon(h)\varepsilon(h^{-1}g) = \frac1{36}\,\varepsilon(g)\sum_h\varepsilon(h)^2 = \frac{6}{36}\varepsilon(g): pε2=pεp_\varepsilon^2 = p_\varepsilon. (Sua imagem na representação regular é a reta gerada por ∑gε(g)eg\sum_g\varepsilon(g)e_g: a representação sinal aparece com multiplicidade 11, como a teoria geral exige.)

Exercício 5.12 ★★

(Lendo uma tabela) A tabela de caracteres de um certo grupo GG de ordem 2424 é parcialmente conhecida: ele tem 55 classes, de tamanhos 1,6,8,6,31, 6, 8, 6, 3, e graus 1,1,2,3,31, 1, 2, 3, 3. (a) Recupere a tabela completa: os dois caracteres lineares (um trivial; o outro assume o valor −1-1 exatamente nas classes de tamanhos 66 e 66), depois o caráter de grau 22 pela ortogonalidade com a coluna da identidade e, do mesmo modo, os dois caracteres de grau 33 (um deles é χ2χ4\chi_2\chi_4). (b) Identifique GG (≅S4\cong S_4: compare as classes com os tipos de ciclo) e extraia da tabela os subgrupos normais via o Exercício 5.6: os núcleos de χ2\chi_2 (índice 22: A4A_4) e de χ3\chi_3 (o grupo de Klein V4V_4), e nada mais além de {e},G\{e\}, G. (c) Explique como a tabela mostra que G/V4≅S3G/V_4 \cong S_3 (quais caracteres se fatoram pelo quociente?).

Solução

Solução de Exercício 5.12.

(a) Ordene as classes ee [1], transposições [6], 33-ciclos [8], 44-ciclos [6], transposições duplas [3]. O segundo caráter linear é χ2=ε\chi_2 = \varepsilon, com valores 1,−1,1,−1,11, -1, 1, -1, 1. Para o caráter de grau 22 χ3\chi_3, a ortogonalidade de cada coluna com a coluna da identidade (∑iniχi(g)=0\sum_in_i\chi_i(g) = 0 para g≠eg \neq e) dá, nas transposições: 1−1+2χ3+3(χ4+χ5)=01 - 1 + 2\chi_3 + 3(\chi_4 + \chi_5) = 0; o truque do sinal χ5=εχ4\chi_5 = \varepsilon\chi_4 (um caráter de grau 33 vezes um linear é de novo irredutível — mesma norma) faz χ4+χ5\chi_4 + \chi_5 se anular nas classes ímpares: χ3=0\chi_3 = 0 ali. Nos 33-ciclos: 1+1+2χ3(c3)+3(χ4+χ5)(c3)=01 + 1 + 2\chi_3(c_3) + 3(\chi_4 + \chi_5)(c_3) = 0 com χ5=χ4\chi_5 = \chi_4 nas classes pares; a coluna de c3c_3 consigo mesma dá informação sobre ∣χ3∣2\abs{\chi_3}^2; resolvendo o pequeno sistema (use também a ortogonalidade de linhas de χ3\chi_3 com 1\mathbf 1 e ε\varepsilon): χ3=(2,0,−1,0,2)\chi_3 = (2, 0, -1, 0, 2), e então χ4=(3,1,0,−1,−1)\chi_4 = (3, 1, 0, -1, -1) e χ5=εχ4=(3,−1,0,1,−1)\chi_5 = \varepsilon\chi_4 = (3, -1, 0, 1, -1). A tabela completa:

ee6 t6\,t8 c38\,c_36 c46\,c_43 v3\,v
χ1\chi_11111111111
χ2\chi_211−1-111−1-111
χ3\chi_32200−1-10022
χ4\chi_4331100−1-1−1-1
χ5\chi_533−1-10011−1-1

(Todas as linhas têm norma 11; todas as colunas são ortogonais: as verificações passam.)

(b) Os dados de classes 1,6,8,6,31, 6, 8, 6, 3 com esses graus são os de S4S_4 (tipos de ciclo ee, 22, 33, 44, 2+22{+}2). Núcleos: ker⁡χ2={g:ε(g)=1}=A4\ker\chi_2 = \{g : \varepsilon(g) = 1\} = A_4 (classes e,c3,ve, c_3, v: 1+8+3=121 + 8 + 3 = 12, índice 22); ker⁡χ3={g:χ3(g)=2}\ker\chi_3 = \{g : \chi_3(g) = 2\} = classes e,ve, v: o grupo de Klein V4V_4, de ordem 44, normal. χ4,χ5\chi_4, \chi_5 são fiéis (χi(g)=ni\chi_i(g) = n_i só em ee). Interseções de núcleos: {e}\{e\}, V4V_4, A4A_4, GG — pelo Exercício 5.6(b), esses são todos os subgrupos normais de S4S_4.

(c) Os caracteres com V4⊆ker⁡V_4 \subseteq \ker são χ1,χ2,χ3\chi_1, \chi_2, \chi_3: eles se fatoram através de G/V4G/V_4, um grupo de ordem 66 que possui graus irredutíveis 1,1,21, 1, 2 — a tabela de S3S_3. Como a tabela do quociente é um invariante completo entre os dois grupos de ordem 66 (Z/6Z\Z/6\Z teria seis caracteres lineares), G/V4≅S3G/V_4 \cong S_3: o quociente é visível dentro da tabela como o bloco de linhas que contêm V4V_4 em seu núcleo.

5.5 Problema: o teorema paqbp^aq^b de Burnside

Problema 5.1

Problema de fim de semana — solubilidade dos grupos de ordem paqbp^aq^b

Burnside demonstrou em 1904 que todo grupo cuja ordem tem no máximo dois fatores primos é solúvel — uma afirmação sobre grupos abstratos cujas únicas demonstrações conhecidas durante meio século passavam pela teoria de caracteres. Este problema constrói a demonstração por inteiro, reunindo o Capítulo 1 (solubilidade), o Capítulo 3 (Z\Z-módulos finitamente gerados) e este capítulo. Ao longo de todo o problema, χ1,…,χr\chi_1, \dots, \chi_r são os caracteres irredutíveis de GG, ni=χi(e)n_i = \chi_i(e).

Parte I — Inteiros algébricos. Um inteiro algébrico é uma raiz de um polinômio mônico de Z[X]\Z[X].

  1. Mostre que α\alpha é um inteiro algébrico se, e somente se, o anel Z[α]\Z[\alpha] é um Z\Z-módulo finitamente gerado.
  2. Deduza que os inteiros algébricos formam um subanel de C\C. (Se Z[α],Z[β]\Z[\alpha], \Z[\beta] são finitamente gerados, Z[α,β]\Z[\alpha, \beta] também é, e os submódulos de Z\Z-módulos finitamente gerados são finitamente gerados, pelo Teorema 3.5 e por um argumento de apresentação — ou diretamente: um submódulo de Zn\Z^n é livre de posto ≤n\leq n.)
  3. Mostre que um inteiro algébrico racional é um inteiro. (Teorema da raiz racional.)
  4. Mostre que todo valor de caráter χ(g)\chi(g) é um inteiro algébrico.

Parte II — As relações das somas de classe. Fixe uma representação irredutível (V,ρ)(V, \rho) de grau nn e caráter χ\chi. Para uma classe de conjugação CC, ponha SC=∑g∈Cρ(g)∈L(V)S_C = \sum_{g \in C}\rho(g) \in \mathcal L(V).

  1. Mostre que SCS_C é equivariante, logo SC=ωC idS_C = \omega_C\,\mathrm{id} com

    ωC=∣C∣ χ(gC)n(gC∈C qualquer representante).\omega_C = \frac{\abs C\,\chi(g_C)}{n} \qquad (g_C \in C \text{ qualquer representante}).
  2. Mostre que SCSC′=∑C′′aCC′C′′ SC′′S_CS_{C'} = \sum_{C''} a_{CC'C''}\,S_{C''}, em que aCC′C′′∈Na_{CC'C''} \in \N conta, para um z∈C′′z \in C'' fixado, os pares (x,y)∈C×C′(x, y) \in C \times C' com xy=zxy = z. Deduza que os ωC\omega_C satisfazem ωC ωC′=∑C′′aCC′C′′ ωC′′\omega_C\,\omega_{C'} = \sum_{C''} a_{CC'C''}\,\omega_{C''}.
  3. Conclua que cada ωC\omega_C é um inteiro algébrico. (O Z\Z-módulo gerado por 11 e pelos ωC\omega_C é um anel finitamente gerado; aplique o critério da questão 1 — mais precisamente, mostre que M=Z-gerado(1,(ωC)C)M = \Z\text{-gerado} (1, (\omega_C)_C) satisfaz ωC0M⊆M\omega_{C_0} M \subseteq M e use um truque de determinante/Cayley–Hamilton, ou o argumento de subanel da questão 2.)
  4. Deduza a divisibilidade de Frobenius: nin_i divide ∣G∣\abs G para todo grau irredutível. (Calcule ∣G∣n=∣G∣n⟨χ,χ⟩=∑CωC χ(gC)‾\frac{\abs G}{n} = \frac{\abs G}{n} \langle\chi,\chi\rangle = \sum_C \omega_C\, \overline{\chi(g_C)}: um inteiro algébrico que é racional.)

Parte III — O critério de simplicidade de Burnside.

  1. Sejam χ\chi irredutível de grau nn e CC uma classe com gcd⁡(∣C∣,n)=1\gcd(\abs C, n) = 1. Usando Bézout e as questões 4–7, mostre que χ(gC)n\frac{\chi(g_C)}{n} é um inteiro algébrico.
  2. Suponha, além disso, 0<∣χ(gC)∣<n0 < \abs{\chi(g_C)} < n. Mostre que isso é impossível: o inteiro algébrico α=χ(gC)/n\alpha = \chi(g_C)/n tem todos os seus conjugados — os números ασ=1nσ(χ(gC))\alpha_\sigma = \frac1n\sigma(\chi(g_C)) para σ∈Gal⁡(Q(ζ∣G∣)/Q)\sigma \in \operatorname{Gal}(\Q(\zeta_{\abs G})/\Q), cada um uma média de nn raízes da unidade — de módulo ≤1\leq 1, de modo que o produto N=∏σασN = \prod_\sigma\alpha_\sigma é um inteiro algébrico racional com 0<∣N∣<10 < \abs N < 1 — justifique cada afirmação, citando o Teorema 4.23 para o grupo de Galois e o fato de que σ\sigma permuta raízes da unidade. Conclua: ou χ(gC)=0\chi(g_C) = 0, ou ρ(gC)\rho(g_C) é escalar (Proposição 5.6).
  3. (Critério de Burnside) Seja C≠{e}C \neq \{e\} uma classe de conjugação de tamanho potência de primo pk>1p^k > 1, e suponha GG simples não abeliano. A ortogonalidade da coluna de CC contra a coluna de ee dá 1+∑i≥2niχi(gC)=01 + \sum_{i \geq 2} n_i\chi_i(g_C) = 0. Mostre que algum χi\chi_i não trivial com p∤nip \nmid n_i satisfaz χi(gC)≠0\chi_i(g_C) \neq 0 (do contrário, 1p\frac1p seria um inteiro algébrico); pela questão 10, ρi(gC)\rho_i(g_C) é escalar; obtenha uma contradição com a simplicidade (o conjunto dos gg com ρi(g)\rho_i(g) escalar é um subgrupo normal; use a fidelidade, do Exercício 5.6). Conclua: nenhum grupo simples não abeliano tem uma classe de conjugação de tamanho potência de primo >1> 1.

Parte IV — O teorema.

  1. Seja ∣G∣=paqb\abs G = p^aq^b com a+b≥1a + b \geq 1. Se GG é simples, mostre que ele é abeliano: escolha z≠ez \neq e no centro de um qq-subgrupo de Sylow (Teorema 1.12) e considere o tamanho de sua classe de conjugação [G:ZG(z)][G : Z_G(z)], uma potência de pp (por quê?); aplique a questão 11.
  2. Conclua por indução sobre ∣G∣\abs G: todo grupo de ordem paqbp^aq^b é solúvel (Burnside). Por que o argumento se quebra para três primos — e por que ele tem de se quebrar, dado que ∣A5∣=22⋅3⋅5\abs{A_5} = 2^2\cdot3\cdot5?

Parte V — A tabela de caracteres de A5A_5. O menor grupo que o teorema de Burnside não alcança merece seu retrato completo; tudo o que vem abaixo usa apenas este capítulo e o Exercício 1.11.

  1. Recorde do Exercício 1.11 as cinco classes de conjugação de A5A_5: {e}\{e\}, as 1515 transposições duplas, os 2020 ciclos de comprimento três e duas classes de 1212 ciclos de comprimento cinco cada, representadas por c=(1 2 3 4 5)c = (1\,2\,3\,4\,5) e c2c^2. Explique por que os ciclos de comprimento cinco se cindem em duas A5A_5-classes, embora formem uma única S5S_5-classe.
  2. Mostre que os graus irredutíveis de A5A_5 são exatamente 1,3,3,4,51, 3, 3, 4, 5: use ∑ini2=60\sum_in_i^2 = 60 com r=5r = 5 classes e o fato de que A5A_5 é perfeito (D(A5)=A5D(A_5) = A_5), de modo que o caráter trivial é seu único caráter linear; depois elimine todo outro multiconjunto (escreva 5959 como soma de quatro quadrados de inteiros ≥2\geq 2: verifique que isso ocorre de um único modo com todas as parcelas sendo graus plausíveis).
  3. Seja π\pi o caráter de permutação de A5A_5 em {1,…,5}\{1, \dots, 5\}: π(g)=#Fix⁡(g)\pi(g) = \#\operatorname{Fix}(g), de valores 5,1,2,0,05, 1, 2, 0, 0 nas cinco classes. Calcule ⟨π,1⟩\langle\pi, \mathbf 1\rangle e ⟨π,π⟩\langle\pi, \pi\rangle, e deduza que χ4=π−1\chi_4 = \pi - \mathbf 1 é irredutível de grau 44, de valores 4,0,1,−1,−14, 0, 1, -1, -1.
  4. Mesmo jogo nos 1010 pares não ordenados {i,j}\{i, j\}: as contagens de pontos fixos são 10,2,1,0,010, 2, 1, 0, 0. Calcule ⟨π10,π10⟩\langle\pi_{10}, \pi_{10}\rangle, ⟨π10,1⟩\langle\pi_{10}, \mathbf 1\rangle e ⟨π10,χ4⟩\langle\pi_{10}, \chi_4\rangle, deduza a decomposição π10=1+χ4+χ5\pi_{10} = \mathbf 1 + \chi_4 + \chi_5 e obtenha o caráter irredutível χ5\chi_5 de grau 55, de valores 5,1,−1,0,05, 1, -1, 0, 0.
  5. As duas irredutíveis restantes χ2,χ3\chi_2, \chi_3 têm grau 33. A ortogonalidade das colunas (cada coluna não identidade contra a coluna da identidade, e cada coluna consigo mesma) determina seus valores fora dos ciclos de comprimento cinco: mostre que χ2(g)=χ3(g)=−1\chi_2(g) = \chi_3(g) = -1 nas transposições duplas e 00 nos ciclos de comprimento três.
  6. Nas classes dos ciclos de comprimento cinco, ponha x=χ2(c)x = \chi_2(c) e y=χ2(c2)y = \chi_2(c^2); a simetria permite tomar χ3(c)=y\chi_3(c) = y, χ3(c2)=x\chi_3(c^2) = x. Da coluna de cc emparelhada com a coluna da identidade e com a coluna de c2c^2, deduza x+y=1x + y = 1 e xy=−1xy = -1 (e confira o valor x2+y2=3x^2 + y^2 = 3 dado pela coluna de cc consigo mesma), donde

    {x,y}={1+52, 1−52}:\{x, y\} = \Bigl\{\frac{1 + \sqrt5}2,\ \frac{1 - \sqrt5}2\Bigr\} :

    a razão áurea e sua conjugada. Monte a tabela de caracteres completa de A5A_5.

  7. Faça as verificações: a norma da linha de χ2\chi_2 é 11 (use φ2+φˉ2=3\varphi^2 + \bar\varphi^2 = 3), ⟨χ2,χ3⟩=0\langle\chi_2, \chi_3\rangle = 0, e a divisibilidade de Frobenius (questão 8) para os cinco graus. Onde, na tabela, você vê uma diferença em relação a S5S_5, cujos valores de caráter são todos inteiros racionais?
  8. Deduza apenas da tabela que A5A_5 é simples: um subgrupo normal é uma reunião de classes de conjugação que contém ee e cuja cardinalidade divide 6060 — verifique que nenhuma subsoma própria de 1+15+20+12+121 + 15 + 20 + 12 + 12 contendo a parcela 11 divide 6060. Confronte com o critério da questão 11: verifique que nenhuma classe de A5A_5 tem tamanho potência de primo >1> 1.
  9. (Coda icosaédrica) A5A_5 é o grupo de rotações do icosaedro, e as representações de grau 33 são as duas ações geométricas em R3\R^3. Verifique a identidade dos traços: uma rotação de ângulo θ\theta tem traço 1+2cos⁡θ1 + 2\cos\theta, e 1+2cos⁡2π5=1+52=φ1 + 2\cos\frac{2\pi}5 = \frac{1+\sqrt5}2 = \varphi. Explique sem nenhum cálculo por que o outro caráter de grau 33 tem de carregar o valor conjugado: o grupo de Galois de Q(5)/Q\Q(\sqrt5)/\Q age sobre a tabela de caracteres inteira (entrada a entrada), permutando os caracteres irredutíveis.

Parte VI — Complementos: uma cota central e o quadrado tensorial.

  1. (Mais fino do que uma divisibilidade) Seja χ\chi irredutível de grau nn. Mostre que ∣χ(z)∣=n\abs{\chi(z)} = n para todo z∈Z(G)z \in Z(G) (lema de Schur: ρ(z)\rho(z) é escalar, de ordem finita) e deduza de ⟨χ,χ⟩=1\langle\chi, \chi\rangle = 1 a cota

    n2≤[G:Z(G)].n^2 \leq [G : Z(G)] .

    Mostre que os grupos não abelianos de ordem 88 têm graus irredutíveis 1,1,1,1,21, 1, 1, 1, 2 (cinco classes de conjugação; escreva 88 como soma de cinco quadrados) e atingem a igualdade 4=[G:Z(G)]4 = [G : Z(G)]; verifique a cota em A5A_5, cujo centro é trivial.

  2. (Quadrado tensorial de χ2\chi_2) Para gg de ordem finita, ρ(g)\rho(g) é diagonalizável com autovalores raízes da unidade; deduza as fórmulas de caráter

    χSym⁡2V(g)=χ(g)2+χ(g2)2,χΛ2V(g)=χ(g)2−χ(g2)2.\chi_{\operatorname{Sym}^2 V}(g) = \frac{\chi(g)^2 + \chi(g^2)}2, \qquad \chi_{\Lambda^2 V}(g) = \frac{\chi(g)^2 - \chi(g^2)}2 .

    Aplique-as a χ2\chi_2 de A5A_5 (note que g2g^2 percorre a classe de c2c^2 quando gg percorre a de cc, e reciprocamente): mostre que Λ2χ2=χ2\Lambda^2\chi_2 = \chi_2 e Sym⁡2χ2=1+χ5\operatorname{Sym}^2\chi_2 = \mathbf 1 + \chi_5, donde

    χ2⊗χ2=1+χ2+χ5.\chi_2\otimes\chi_2 = \mathbf 1 + \chi_2 + \chi_5 .

    Interprete Λ2χ2=χ2\Lambda^2\chi_2 = \chi_2 geometricamente por meio do produto vetorial em R3\R^3.

  3. (Auditoria final da tabela) Verifique numericamente: a ortogonalidade entre as duas colunas dos ciclos de comprimento cinco (φφˉ=−1\varphi\bar\varphi = -1), o valor 5=∣ZA5(c)∣5 = \abs{Z_{A_5}(c)} para a coluna de cc consigo mesma, e o anulamento do caráter regular ∑iniχi(g)=0\sum_i n_i\chi_i(g) = 0 em cada uma das quatro colunas não identidade da tabela.
Solução

Solução de Problema 5.1.

1. Se αn+cn−1αn−1+⋯+c0=0\alpha^n + c_{n-1}\alpha^{n-1} + \dots + c_0 = 0 (ci∈Zc_i \in \Z), então αn∈Z-gerado(1,…,αn−1)\alpha^n \in \Z\text{-gerado}(1, \dots, \alpha^{n-1}), e, indutivamente, toda potência o é: Z[α]\Z[\alpha] é gerado por 1,α,…,αn−11, \alpha, \dots, \alpha^{n-1}. Reciprocamente, seja Z[α]=Zg1+⋯+Zgm\Z[\alpha] = \Z g_1 + \dots + \Z g_m. Escreva αgi=∑jmijgj\alpha g_i = \sum_j m_{ij}g_j com M=(mij)∈Mm(Z)M = (m_{ij}) \in M_m(\Z): o vetor g=(gi)g = (g_i) satisfaz (αI−M)g=0(\alpha I - M)g = 0; multiplicando pela matriz adjunta, det⁡(αI−M) gi=0\det(\alpha I - M)\,g_i = 0 para todo ii, e, como 1∈Z[α]1 \in \Z[\alpha] é uma Z\Z-combinação dos gig_i, det⁡(αI−M)=0\det(\alpha I - M) = 0: α\alpha é raiz do mônico det⁡(XI−M)∈Z[X]\det(XI - M) \in \Z[X].

2. Se Z[α]\Z[\alpha] é gerado pelas potências de α\alpha até n−1n-1 e Z[β]\Z[\beta] pelas de β\beta até m−1m - 1, então Z[α,β]\Z[\alpha,\beta] é gerado pelos nmnm produtos αiβj\alpha^i\beta^j (reduza qualquer monômio). Os subanéis Z[α+β]\Z[\alpha + \beta] e Z[αβ]\Z[\alpha\beta] são Z\Z-submódulos do Z\Z-módulo finitamente gerado Z[α,β]\Z[\alpha, \beta], logo finitamente gerados (Z[α,β]\Z[\alpha,\beta], gerado por nmnm elementos, é imagem de Znm\Z^{nm}; um submódulo se levanta a um submódulo de Znm\Z^{nm}, livre de posto ≤nm\leq nm pelo Teorema 3.5, e sua imagem gera). Pela questão 1, α+β\alpha + \beta e αβ\alpha\beta são inteiros algébricos.

3. Se pq\frac pq (fração irredutível) é raiz de um polinômio mônico com coeficientes inteiros de grau nn, o teorema das raízes racionais (elimine os denominadores: pn=−q(⋯ )p^n = -q(\cdots)) dá q∣pnq \mid p^n, de modo que q=±1q = \pm1.

4. χ(g)\chi(g) é uma soma de raízes da unidade (Proposição 5.6), cada uma um inteiro algébrico (raiz de XN−1X^N - 1); conclua pela questão 2.

5. Para h∈Gh \in G: ρ(h)SCρ(h)−1=∑g∈Cρ(hgh−1)=SC\rho(h)S_C\rho(h)^{-1} = \sum_{g\in C}\rho(hgh^{-1}) = S_C (CC é uma classe). Por Schur, SC=ωC idS_C = \omega_C\,\mathrm{id}; tomando traços, ∣C∣ χ(gC)=ωC n\abs C\,\chi(g_C) = \omega_C\, n.

6. SCSC′=∑x∈C,y∈C′ρ(xy)=∑z∈Ga(z)ρ(z)S_CS_{C'} = \sum_{x \in C, y \in C'}\rho(xy) = \sum_{z \in G} a(z)\rho(z) com a(z)=#{(x,y)∈C×C′:xy=z}a(z) = \#\{(x,y) \in C\times C' : xy = z\}. A conjugação por hh estabelece uma bijeção entre as soluções para zz e as para hzh−1hzh^{-1}: aa é uma função de classe com valores em N\N, de modo que SCSC′=∑C′′aCC′C′′SC′′S_CS_{C'} = \sum_{C''}a_{CC'C''}S_{C''}. Substituindo SC=ωC idS_C = \omega_C\,\mathrm{id} em toda parte e identificando os escalares: ωCωC′=∑C′′aCC′C′′ ωC′′\omega_C\omega_{C'} = \sum_{C''}a_{CC'C''}\,\omega_{C''}.

7. Seja MM o Z\Z-módulo gerado por 11 e por todos os produtos ωC1⋯ωCk\omega_{C_1}\cdots\omega_{C_k}; pela questão 6, todo tal produto se reduz a uma Z\Z-combinação de 11 e dos ωC\omega_C: MM é finitamente gerado, e ωCM⊆M\omega_C M \subseteq M para cada CC. Em particular, Z[ωC]⊆M\Z[\omega_C] \subseteq M é finitamente gerado (submódulo, como na questão 2), e a questão 1 torna ωC\omega_C um inteiro algébrico.

8. Para um χ\chi irredutível de grau nn:

∣G∣n=∣G∣n⟨χ,χ⟩=1n∑gχ(g)χ(g)‾=∑C∣C∣ χ(gC)n χ(gC)‾=∑CωC χ(gC)‾.\frac{\abs G}{n} = \frac{\abs G}{n}\langle\chi,\chi\rangle = \frac1n \sum_{g}\chi(g)\overline{\chi(g)} = \sum_{C}\frac{\abs C\,\chi(g_C)}{n}\,\overline{\chi(g_C)} = \sum_C \omega_C\,\overline{\chi(g_C)} .

Cada χ(gC)‾=χ(gC−1)\overline{\chi(g_C)} = \chi(g_C^{-1}) é um inteiro algébrico (questão 4), de modo que o membro direito é um (questões 2 e 7); ele é racional, logo inteiro (questão 3): n∣∣G∣n \mid \abs G.

9. Bézout: u∣C∣+vn=1u\abs C + vn = 1 com u,v∈Zu, v \in \Z. Então

χ(gC)n=u ∣C∣ χ(gC)n+v χ(gC)=u ωC+v χ(gC),\frac{\chi(g_C)}{n} = u\,\frac{\abs C\,\chi(g_C)}{n} + v\,\chi(g_C) = u\,\omega_C + v\,\chi(g_C),

um inteiro algébrico.

10. Suponha 0<∣χ(gC)∣<n0 < \abs{\chi(g_C)} < n e seja α=χ(gC)/n\alpha = \chi(g_C)/n. Todos os valores χ(g)\chi(g) estão em Q(ζN)\Q(\zeta_N), N=∣G∣N = \abs G (somas de raízes NN-ésimas da unidade). Para σ∈Gal⁡(Q(ζN)/Q)\sigma \in \operatorname{Gal}(\Q(\zeta_N)/\Q): σ\sigma leva raízes da unidade em raízes da unidade (σ(ζk)=ζak\sigma(\zeta^k) = \zeta^{ak}, Teorema 4.23), de modo que σ(χ(gC))\sigma(\chi(g_C)) é de novo uma soma de nn raízes da unidade: ∣σ(α)∣≤1\abs{\sigma(\alpha)} \leq 1; além disso, σ(α)\sigma(\alpha) é um inteiro algébrico (tem o mesmo polinômio minimal que α\alpha). O produto P=∏σσ(α)P = \prod_\sigma \sigma(\alpha) é fixado por todo o grupo de Galois, logo é racional (Teorema 4.21(1)), e é um inteiro algébrico com

0<∣P∣≤∣α∣<10 < \abs P \leq \abs\alpha < 1

(nenhum fator se anula: σ(α)=0\sigma(\alpha) = 0 forçaria α=0\alpha = 0). Isso contradiz a questão 3. Logo χ(gC)=0\chi(g_C) = 0 ou ∣χ(gC)∣=n\abs{\chi(g_C)} = n, e neste último caso ρ(gC)\rho(g_C) é escalar (Proposição 5.6).

11. Ortogonalidade de colunas (C≠{e}C \neq \{e\}): ∑iχi(e)χi(gC)‾=0\sum_i \chi_i(e)\overline{\chi_i(g_C)} = 0, isto é, 1+∑i≥2niχi(gC)‾=01 + \sum_{i \geq 2} n_i\overline{\chi_i(g_C)} = 0. Se todo χi\chi_i não trivial com p∤nip \nmid n_i se anulasse em gCg_C, então, agrupando os demais por seu fator pp:

−1p=∑i≥2, p∣ninip χi(gC)‾,-\frac1p = \sum_{i \geq 2,\ p \mid n_i} \frac{n_i}{p}\,\overline{\chi_i(g_C)},

um inteiro algébrico — contradizendo a questão 3. Logo algum χi\chi_i não trivial tem p∤nip \nmid n_i e χi(gC)≠0\chi_i(g_C) \neq 0; como ∣C∣=pk\abs C = p^k, gcd⁡(∣C∣,ni)=1\gcd(\abs C, n_i) = 1, e a questão 10 torna ρi(gC)\rho_i(g_C) escalar. Agora, GG simples não abeliano: χi\chi_i é fiel (Exercício 5.6(c)), e Zi={g:ρi(g) escalar}Z_i = \{g : \rho_i(g) \text{ escalar}\} é um subgrupo normal (a pré-imagem por ρi\rho_i dos escalares, que formam um subgrupo normal — de fato central — da imagem) que contém gC≠eg_C \neq e: Zi=GZ_i = G. Então ρi(G)\rho_i(G) é abeliana e fiel, tornando GG abeliano: contradição. Nenhum grupo simples não abeliano tem classe de conjugação de tamanho potência de primo >1> 1.

12. Seja GG simples de ordem paqbp^aq^b. Se b=0b = 0 (GG um pp-grupo): Z(G)≠{e}Z(G) \neq \{e\} (Teorema 1.12) é normal, logo Z(G)=GZ(G) = G: abeliano. Caso contrário, tome QQ um qq-subgrupo de Sylow e z∈Z(Q)∖{e}z \in Z(Q) \setminus\{e\} (Teorema 1.12 de novo). Então Q⊆ZG(z)Q \subseteq Z_G(z), de modo que a classe de zz tem tamanho [G:ZG(z)][G : Z_G(z)] dividindo [G:Q]=pa[G : Q] = p^a: uma potência de pp. Se o tamanho é 11, z∈Z(G)z \in Z(G): o centro é um subgrupo normal não trivial, logo Z(G)=GZ(G) = G, abeliano. Se o tamanho é pk>1p^k > 1: a questão 11 o proíbe para GG simples não abeliano. De um jeito ou de outro, um grupo simples de ordem paqbp^aq^b é abeliano (≅Z/pZ\cong \Z/p\Z).

13. Indução sobre ∣G∣\abs G (∣G∣=1\abs G = 1: solúvel). Se GG é simples, a questão 12 o torna abeliano, logo solúvel. Caso contrário, tome NN um subgrupo normal próprio não trivial: ∣N∣\abs N e ∣G/N∣\abs{G/N} são de novo da forma pa′qb′p^{a'}q^{b'} e menores, de modo que NN e G/NG/N são solúveis por indução, e GG é solúvel (Proposição 1.29). — Com três primos, o passo-chave falha: o índice de um subgrupo de Sylow deixa de ser potência de primo, de modo que a classe de um elemento central de um Sylow não precisa ter tamanho potência de primo. E alguma falha é inevitável: A5A_5, de ordem 22⋅3⋅52^2\cdot3\cdot5, é simples e não solúvel.

14. As classes e os tamanhos são os do Exercício 1.11(a). A S5S_5-classe de cc tem tamanho 2424; se ela permanecesse uma única A5A_5-classe, a contagem órbita–estabilizador daria ∣ZA5(c)∣=60/24\abs{Z_{A_5}(c)} = 60/24, que não é inteiro — concretamente, ZS5(c)=⟨c⟩Z_{S_5}(c) = \langle c\rangle tem ordem 55 e está dentro de A5A_5, de modo que a A5A_5-classe de cc tem tamanho 60/5=1260/5 = 12: a S5S_5-classe se parte em duas (cc e c2c^2 só são conjugados em S5S_5 por uma permutação ímpar).

15. Um único caráter linear: uma representação de grau 11 se fatora através de G/D(G)G/D(G), e D(A5)=A5D(A_5) = A_5 (A5A_5 é simples não abeliano, e D(A5)D(A_5) é normal e não trivial — A5A_5 não é abeliano). Logo n1=1n_1 = 1 e n22+n32+n42+n52=59n_2^2 + n_3^2 + n_4^2 + n_5^2 = 59 com cada ni≥2n_i \geq 2. Quadrados disponíveis: 4,9,16,25,36,494, 9, 16, 25, 36, 49. Uma soma de quatro deles igual a 5959: o maior deve ser 2525 (36+4+4+9=53<5936 + 4 + 4 + 9 = 53 < 59 não se ajusta: 36+16+4+4=6036 + 16 + 4 + 4 = 60, 36+9+9+4=5836 + 9 + 9 + 4 = 58, 36+16+9+4=6536 + 16 + 9 + 4 = 65 — nenhuma combinação com 3636 ou 4949 funciona), e 59−25=34=16+9+959 - 25 = 34 = 16 + 9 + 9 (única possibilidade: 16+16+4=3616 + 16 + 4 = 36, 25+9+4=3825 + 9 + 4 = 38, 25+4+4=3325 + 4 + 4 = 33): graus 1,3,3,4,51, 3, 3, 4, 5.

16. ⟨π,1⟩=160(5+15⋅1+20⋅2+0+0)=1\langle\pi, \mathbf 1\rangle = \frac1{60}(5 + 15\cdot1 + 20\cdot2 + 0 + 0) = 1 (uma órbita — contagem de Burnside), e ⟨π,π⟩=160(25+15+80+0+0)=2\langle\pi, \pi\rangle = \frac1{60}(25 + 15 + 80 + 0 + 0) = 2: π\pi contém o caráter trivial uma vez, e seu outro constituinte é um único irredutível. Logo χ4=π−1\chi_4 = \pi - \mathbf 1 é irredutível, de grau 44, com valores 4,0,1,−1,−14, 0, 1, -1, -1.

17. Sobre os pares, um elemento fixa {i,j}\{i,j\} se, e somente se, fixa ou troca i,ji, j: as contagens são 1010 (ee), 22 (t=(1 2)(3 4)t = (1\,2)(3\,4) fixa {1,2},{3,4}\{1,2\}, \{3,4\}), 11 ((1 2 3)(1\,2\,3) fixa {4,5}\{4,5\}), 0,00, 0. Então ⟨π10,π10⟩=160(100+15⋅4+20⋅1)=3\langle\pi_{10}, \pi_{10}\rangle = \frac1{60}(100 + 15\cdot4 + 20\cdot1) = 3: três constituintes irredutíveis, cada um uma vez. E ⟨π10,1⟩=160(10+30+20)=1\langle\pi_{10}, \mathbf 1\rangle = \frac1{60}(10 + 30 + 20) = 1, ⟨π10,χ4⟩=160(40+0+20⋅1⋅1+0+0)=1\langle\pi_{10}, \chi_4\rangle = \frac1{60}(40 + 0 + 20\cdot1\cdot1 + 0 + 0) = 1: logo π10=1+χ4+χ\pi_{10} = \mathbf 1 + \chi_4 + \chi com χ\chi irredutível de grau 10−1−4=510 - 1 - 4 = 5 e valores χ5=π10−1−χ4=(5,1,−1,0,0)\chi_5 = \pi_{10} - \mathbf 1 - \chi_4 = (5, 1, -1, 0, 0).

18. Escreva a,a′a, a' para os valores de χ2,χ3\chi_2, \chi_3 em tt, e b,b′b, b' em s=(1 2 3)s = (1\,2\,3); os quatro são reais (tt e ss são conjugados a seus inversos). Coluna tt contra a coluna ee: 1+3a+3a′+4⋅0+5⋅1=01 + 3a + 3a' + 4\cdot0 + 5\cdot1 = 0, de modo que a+a′=−2a + a' = -2; coluna tt consigo mesma: 1+a2+a′2+0+1=6015=41 + a^2 + a'^2 + 0 + 1 = \frac{60}{15} = 4, de modo que a2+a′2=2a^2 + a'^2 = 2; logo (a+a′)2=4=2+2aa′(a + a')^2 = 4 = 2 + 2aa' dá aa′=1aa' = 1 e a=a′=−1a = a' = -1. Coluna ss contra ee: 1+3(b+b′)+4−5=01 + 3(b + b') + 4 - 5 = 0 dá b+b′=0b + b' = 0; coluna ss consigo mesma: 1+b2+b′2+1+1=6020=31 + b^2 + b'^2 + 1 + 1 = \frac{60} {20} = 3 dá b=b′=0b = b' = 0.

19. Coluna cc contra a coluna ee: 1+3(x+y)+4(−1)+5⋅0=01 + 3(x + y) + 4(-1) + 5\cdot0 = 0, de modo que x+y=1x + y = 1. Coluna cc contra a coluna c2c^2 (classes distintas, ortogonais): 1+xy+yx+1+0=01 + xy + yx + 1 + 0 = 0, de modo que xy=−1xy = -1. Assim x,yx, y resolvem T2−T−1=0T^2 - T - 1 = 0: {x,y}={φ,φˉ}\{x, y\} = \{\varphi, \bar\varphi\} com φ=1+52\varphi = \frac{1 + \sqrt5}2. Coerência: x2+y2=(x+y)2−2xy=3=6012−2x^2 + y^2 = (x+y)^2 - 2xy = 3 = \frac{60}{12} - 2 — em acordo com a identidade da coluna consigo mesma 1+x2+y2+1+0=51 + x^2 + y^2 + 1 + 0 = 5. A tabela:

ee15 t15\,t20 s20\,s12 c12\,c12 c212\,c^2
χ1\chi_11111111111
χ2\chi_233−1-100φ\varphiφˉ\bar\varphi
χ3\chi_333−1-100φˉ\bar\varphiφ\varphi
χ4\chi_4440011−1-1−1-1
χ5\chi_55511−1-10000

20. ∥χ2∥2=160(9+15⋅1+0+12φ2+12φˉ2)=9+15+3660=1\norm{\chi_2}^2 = \frac1{60}\bigl(9 + 15\cdot1 + 0 + 12\varphi^2 + 12\bar\varphi^2\bigr) = \frac{9 + 15 + 36}{60} = 1, usando φ2+φˉ2=(φ+φˉ)2−2φφˉ=1+2=3\varphi^2 + \bar\varphi^2 = (\varphi + \bar\varphi)^2 - 2\varphi\bar\varphi = 1 + 2 = 3. Analogamente, ⟨χ2,χ3⟩=160(9+15+0+12(2φφˉ))=9+15−2460=0\langle\chi_2, \chi_3\rangle = \frac1{60}(9 + 15 + 0 + 12(2\varphi\bar\varphi)) = \frac{9 + 15 - 24}{60} = 0. Divisibilidade de Frobenius: 1,3,3,4,51, 3, 3, 4, 5 dividem todos 6060. Os valores irracionais φ,φˉ\varphi, \bar\varphi são a diferença visível em relação a S5S_5: em S5S_5, todo elemento é conjugado a todos os geradores de seu grupo cíclico com o mesmo tipo de ciclo — em particular c∼c2c \sim c^2 —, forçando valores de caráter racionais (de fato inteiros); em A5A_5, a partição dos ciclos de comprimento cinco abre a porta para Q(5)\Q(\sqrt5).

21. Um subgrupo normal NN é uma união de classes, contém ee, e ∣N∣∣60\abs N \mid 60. As somas candidatas: 1+15=161{+}15 = 16, 1+20=211{+}20 = 21, 1+12=131{+}12 = 13, 1+24=251{+}24 = 25, 1+15+20=361{+}15{+}20 = 36, 1+15+12=281{+}15{+}12 = 28, 1+15+24=401{+}15{+}24 = 40, 1+20+12=331{+}20{+}12 = 33, 1+20+24=451{+}20{+}24 = 45, 1+12+12=251{+}12{+}12 = 25, 1+15+20+12=481{+}15{+}20{+}12 = 48, 1+15+20+24=60−12=…1{+}15{+}20{+}24 = 60 - 12 = \dots, listando todas as subsomas próprias que contêm 11: nenhum dos 13,16,21,25,28,33,36,40,45,48,13+…13, 16, 21, 25, 28, 33, 36, 40, 45, 48, 13{+}\dots divide 6060, exceto 11 ele próprio: N={e}N = \{e\} ou A5A_5. Simplicidade, lida em cinco números. E o critério da questão 11 também está visível: os tamanhos de classe 15=3⋅515 = 3\cdot5, 20=4⋅520 = 4\cdot5, 12=4⋅312 = 4\cdot3 são todos compostos de dois primos — nenhuma classe de tamanho potência de primo, exatamente como o critério de Burnside exige de um grupo simples.

22. Uma rotação de R3\R^3 de ângulo θ\theta tem autovalores 1,eiθ,e−iθ1, \eu^{\iu\theta}, \eu^{-\iu\theta}: traço 1+2cos⁡θ1 + 2\cos\theta. Para θ=2π5\theta = \frac{2\pi}5: 2cos⁡2π5=5−122\cos\frac{2\pi}5 = \frac{\sqrt5 - 1}2, de modo que o traço é 1+5−12=1+52=φ1 + \frac{\sqrt5-1}2 = \frac{1+\sqrt5}2 = \varphi. O elemento não trivial τ\tau de Gal⁡(Q(5)/Q)\operatorname{Gal}(\Q(\sqrt5)/\Q), aplicado entrada a entrada a uma tabela de caracteres, leva caracteres em caracteres (ele comuta com a álgebra que os define: τ∘χ\tau\circ\chi é o caráter da representação obtida transportando as matrizes por τ\tau nas entradas; ou, abstratamente: as relações de ortogonalidade são Q\Q-racionais, de modo que τ\tau permuta suas soluções); τ\tau fixa χ1,χ4,χ5\chi_1, \chi_4, \chi_5 (valores racionais) e deve, portanto, trocar χ2\chi_2 e χ3\chi_3: o segundo caráter de grau 33 carrega os valores conjugados, sem matriz alguma calculada. Geometricamente, as duas representações são a ação icosaédrica e sua composta com um automorfismo externo de A5A_5 (conjugação por uma transposição), que troca as duas classes de ciclos de comprimento cinco.

23. Para z∈Z(G)z \in Z(G), ρ(z)\rho(z) comuta com todo ρ(g)\rho(g), de modo que, pelo lema de Schur, ρ(z)=λ id\rho(z) = \lambda\, \mathrm{id}; como zz tem ordem finita, λ\lambda é uma raiz da unidade, e ∣χ(z)∣=∣λ∣ n=n\abs{\chi(z)} = \abs\lambda\,n = n. Então

∣G∣=∣G∣ ⟨χ,χ⟩=∑g∈G∣χ(g)∣2≥∑z∈Z(G)∣χ(z)∣2=∣Z(G)∣ n2,\abs G = \abs G\,\langle\chi, \chi\rangle = \sum_{g \in G}\abs{\chi(g)}^2 \geq \sum_{z \in Z(G)}\abs{\chi(z)}^2 = \abs{Z(G)}\,n^2,

isto é, n2≤[G:Z(G)]n^2 \leq [G : Z(G)]. Um grupo não abeliano de ordem 88 (D4D_4 ou Q8Q_8) tem cinco classes de conjugação, logo cinco graus irredutíveis com ∑ni2=8\sum n_i^2 = 8; a única maneira de escrever 88 como soma de cinco quadrados ≥1\geq 1 é 1+1+1+1+41 + 1 + 1 + 1 + 4: graus 1,1,1,1,21, 1, 1, 1, 2. Ambos os grupos têm centro de ordem 22, e o caráter de grau 22 atinge a igualdade: 22=4=[G:Z(G)]2^2 = 4 = [G : Z(G)] — a cota é atingida. Para A5A_5, Z={e}Z = \{e\} e a cota se lê n2≤60n^2 \leq 60: satisfeita por 1,3,3,4,51, 3, 3, 4, 5 com folga (25≤6025 \leq 60), como tem de ser, já que a igualdade forçaria (pela mesma cadeia) χ\chi a se anular fora do centro.

24. ρ(g)m=id\rho(g)^m = \mathrm{id} para mm a ordem de gg, de modo que ρ(g)\rho(g) é anulado por Xm−1X^m - 1, cindido com raízes simples sobre C\C: diagonalizável, com autovalores λ1,…,λn\lambda_1, \dots, \lambda_n raízes da unidade, numa base de autovetores (ei)(e_i). Os produtos eieje_ie_j (i≤ji \leq j) formam uma base de autovetores de Sym⁡2V\operatorname{Sym}^2V com autovalores λiλj\lambda_i\lambda_j, e ei∧eje_i \wedge e_j (i<ji < j) uma de Λ2V\Lambda^2V; como

∑i<jλiλj=(∑iλi)2−∑iλi22=χ(g)2−χ(g2)2,\sum_{i<j}\lambda_i\lambda_j = \frac{(\sum_i\lambda_i)^2 - \sum_i\lambda_i^2}2 = \frac{\chi(g)^2 - \chi(g^2)}2,

e a soma simétrica acrescenta ∑iλi2\sum_i\lambda_i^2 em vez de subtraí-lo, ambas as fórmulas seguem. Para χ2=(3,−1,0,φ,φˉ)\chi_2 = (3, -1, 0, \varphi, \bar\varphi) nas classes (e,(2,2)-,3-ciclos,c,c2)(e, (2,2)\text{-}, 3\text{-ciclos}, c, c^2): elevar ao quadrado leva as transposições duplas a ee, os três-ciclos em três-ciclos, a classe de cc sobre a de c2c^2 e reciprocamente (c−1∼cc^{-1} \sim c em A5A_5, de modo que c4∼cc^4 \sim c). Logo χ2(g2)\chi_2(g^2) se lê (3,3,0,φˉ,φ)(3, 3, 0, \bar\varphi, \varphi) e, usando φ2=φ+1\varphi^2 = \varphi + 1, φˉ=1−φ\bar\varphi = 1 - \varphi:

Λ2χ2=(3,−1,0,φ,φˉ)=χ2,Sym⁡2χ2=(6,2,0,1,1).\Lambda^2\chi_2 = (3, -1, 0, \varphi, \bar\varphi) = \chi_2, \qquad \operatorname{Sym}^2\chi_2 = (6, 2, 0, 1, 1) .

Decompondo o segundo, com os tamanhos de classe 1,15,20,12,121, 15, 20, 12, 12: ⟨⋅,1⟩=160(6+15⋅2+0+12+12)=1\langle\cdot, \mathbf 1\rangle = \frac1{60}(6 + 15\cdot2 + 0 + 12 + 12) = 1; ⟨⋅,χ5⟩=160(30+30)=1\langle\cdot, \chi_5\rangle = \frac1{60}(30 + 30) = 1; ⟨⋅,χ4⟩=160(24−12−12)=0\langle\cdot, \chi_4\rangle = \frac1{60}(24 - 12 - 12) = 0; ⟨⋅,χ2⟩=160(18−30+12(φ+φˉ))=0\langle\cdot, \chi_2\rangle = \frac1{60}(18 - 30 + 12(\varphi + \bar\varphi)) = 0, e do mesmo modo para χ3\chi_3. Assim Sym⁡2χ2=1+χ5\operatorname{Sym}^2\chi_2 = \mathbf 1 + \chi_5 (dimensões 6=1+56 = 1 + 5) e χ2⊗χ2=1+χ2+χ5\chi_2\otimes\chi_2 = \mathbf 1 + \chi_2 + \chi_5 (dimensões 9=1+3+59 = 1 + 3 + 5). Geometria: o isomorfismo equivariante Λ2R3→R3\Lambda^2\R^3 \to \R^3, u∧v↦u×vu \wedge v \mapsto u \times v, é exatamente Λ2χ2=χ2\Lambda^2\chi_2 = \chi_2 para um grupo de rotações; a parcela 1\mathbf 1 do quadrado simétrico é a forma quadrática invariante x2+y2+z2x^2 + y^2 + z^2, e χ5\chi_5 vive no espaço de dimensão cinco dos tensores simétricos de traço nulo (quadráticas harmônicas).

25. Coluna de cc contra a coluna de c2c^2:

1⋅1+φφˉ+φˉφ+(−1)(−1)+0=1−1−1+1+0=0,1\cdot1 + \varphi\bar\varphi + \bar\varphi\varphi + (-1)(-1) + 0 = 1 - 1 - 1 + 1 + 0 = 0,

como a ortogonalidade exige para classes distintas (φφˉ=−1\varphi \bar\varphi = -1). Coluna de cc consigo mesma: 1+φ2+φˉ2+1+0=1+3+1=5=60/12=∣ZA5(c)∣1 + \varphi^2 + \bar\varphi^2 + 1 + 0 = 1 + 3 + 1 = 5 = 60/12 = \abs{Z_{A_5}(c)}. Caráter regular ∑iniχi\sum_in_i\chi_i nas quatro colunas diferentes da identidade:

1−3−3+0+5=0,1+0+0+4−5=0,1 - 3 - 3 + 0 + 5 = 0, \qquad 1 + 0 + 0 + 4 - 5 = 0,

nas transposições duplas e nos três-ciclos, e na classe de cc (a de c2c^2 é sua conjugada de Galois):

1+3φ+3φˉ−4+0=1+3−4=0,1 + 3\varphi + 3\bar\varphi - 4 + 0 = 1 + 3 - 4 = 0,

usando φ+φˉ=1\varphi + \bar\varphi = 1. A tabela passa por toda auditoria: é a tabela de caracteres de A5A_5.

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