Mathematics · Livro 5 · Bachelor Year 3

Matemática universitária — Graduação 3

Matemática universitária — Graduação 3 · Bachelor Year 3

8Espaços de Banach e os teoremas fundamentais

A análise funcional estuda os espaços normados de dimensão infinita por meio dos operadores e funcionais que vivem sobre eles. Sua descoberta fundadora é que a completude, via o teorema de Baire, impõe fortes uniformidades: famílias de operadores pontualmente limitadas são limitadas em norma (Banach–Steinhaus), bijeções contínuas têm inversas contínuas (aplicação aberta) e os gráficos detectam a continuidade (gráfico fechado). O outro pilar, Hahn–Banach, não exige completude alguma — apenas o lema de Zorn — e garante que os espaços duais sejam ricos o bastante para enxergar todo vetor. Este capítulo demonstra os quatro teoremas e os testa nos espaços clássicos de sequências ℓp\ell^p, em cálculos concretos de duais e em uma aplicação genuinamente surpreendente: existem funções contínuas 2π2\pi-periódicas cuja série de Fourier diverge em um ponto — resolvendo negativamente uma questão que o segundo ano deixou em aberto.

Ao longo de todo o capítulo, E,FE, F são espaços normados sobre K=RK = \R ou C\C; espaço de Banach significa espaço normado completo.

8.1 Operadores limitados; espaços de sequências

Definição 8.1

L(E,F)\mathcal L(E, F) denota o espaço das aplicações lineares limitadas (= contínuas, segundo ano) com a norma de operador ∣∣∣T∣∣∣=sup⁡∥x∥≤1∥Tx∥\vertiii T = \sup_{\norm x \leq 1}\norm{Tx}; ela é submultiplicativa: ∣∣∣ST∣∣∣≤∣∣∣S∣∣∣ ∣∣∣T∣∣∣\vertiii{ST} \leq \vertiii S\,\vertiii T. O dual é E′=L(E,K)E' = \mathcal L(E, K).

Proposição 8.2

Se FF é um espaço de Banach, L(E,F)\mathcal L(E, F) também é; em particular, E′E' é sempre um espaço de Banach.

Demonstração. Seja (Tn)(T_n) de Cauchy para ∣∣∣⋅∣∣∣\vertiii\cdot. Para cada xx, ∥Tnx−Tmx∥≤∣∣∣Tn−Tm∣∣∣∥x∥\norm{T_nx - T_mx} \leq \vertiii{T_n - T_m}\norm x: (Tnx)(T_nx) é de Cauchy em FF e, portanto, convergente; chame o limite de TxTx. TT é linear (limites de identidades lineares); passando ao limite em ∥Tnx−Tmx∥≤ε∥x∥\norm{T_nx - T_mx} \leq \varepsilon\norm x (n,m≥Nn, m \geq N) obtém-se ∥Tnx−Tx∥≤ε∥x∥\norm{T_nx - Tx} \leq \varepsilon\norm x: Tn→TT_n \to T em norma de operador, e ∣∣∣T∣∣∣≤∣∣∣TN∣∣∣+ε<∞\vertiii T \leq \vertiii{T_N} + \varepsilon < \infty. ∎

Definição 8.3

Os espaços clássicos de sequências (sobre KK, indexados por N\N):

ℓp={x=(xn):∥x∥p=(∑n∣xn∣p)1/p<∞}(1≤p<∞),\ell^p = \Bigl\{x = (x_n) : \norm x_p = \Bigl(\sum_n \abs{x_n}^p\Bigr)^{1/p} < \infty\Bigr\}\quad (1 \leq p < \infty),
ℓ∞={x:∥x∥∞=sup⁡∣xn∣<∞},\ell^\infty = \{x : \norm x_\infty = \sup\abs{x_n} < \infty\},

e c0={x:xn→0}c_0 = \{x : x_n \to 0\} com ∥⋅∥∞\norm\cdot_\infty. Que ∥⋅∥p\norm\cdot_p é uma norma decorre da desigualdade de Minkowski, demonstrada no caso discreto exatamente como no Capítulo 12 (ou somando a desigualdade em dimensão finita do segundo ano). Todos são espaços de Banach, e c0c_0 é um subespaço fechado de ℓ∞\ell^\infty (Exercício 8.3).

Bolas unitárias das normas p no plano, encaixadas à medida que p cresce de 1 (losango), passando por 2 (disco) e 4 (superelipse), até ∈fty (quadrado). A convexidade de cada bola é a desigualdade de Minkowski; os cantos em p = 1 e p = ∈fty são onde a convexidade estrita, a unicidade das melhores aproximações e os casos de igualdade do  degeneram todos de uma só vez.
Bolas unitárias das normas pp no plano, encaixadas à medida que pp cresce de 11 (losango), passando por 22 (disco) e 44 (superelipse), até ∞\infty (quadrado). A convexidade de cada bola é a desigualdade de Minkowski; os cantos em p=1p = 1 e p=∞p = \infty são onde a convexidade estrita, a unicidade das melhores aproximações e os casos de igualdade do Exercício 12.12 degeneram todos de uma só vez.

Proposição 8.4 (Série de Neumann)

Sejam EE de Banach e T∈L(E)=L(E,E)T \in \mathcal L(E) = \mathcal L(E,E) com ∣∣∣T∣∣∣<1\vertiii T < 1. Então I−TI - T é inversível em L(E)\mathcal L(E), com (I−T)−1=∑n≥0Tn(I - T)^{-1} = \sum_{n\geq0}T^n (convergente em norma de operador). Consequentemente, o conjunto dos operadores inversíveis é aberto, e a inversão é contínua nele.

Demonstração. A série converge absolutamente (∣∣∣Tn∣∣∣≤∣∣∣T∣∣∣n\vertiii{T^n} \leq \vertiii T^n, geométrica) no espaço de Banach L(E)\mathcal L(E) (Proposição 8.2; Exercício 7.1(b)). Telescopando, (I−T)∑n≤NTn=I−TN+1→I(I - T)\sum_{n \leq N}T^n = I - T^{N+1} \to I, e analogamente do outro lado. Quanto à abertura: se SS é inversível e ∣∣∣H∣∣∣<1/∣∣∣S−1∣∣∣\vertiii{H} < 1/\vertiii{S^{-1}}, então S+H=S(I+S−1H)S + H = S(I + S^{-1}H) com ∣∣∣S−1H∣∣∣<1\vertiii{S^{-1}H} < 1: inversível. Continuidade da inversão: a expressão em série dá ∣∣∣(S+H)−1−S−1∣∣∣=O(∣∣∣H∣∣∣)\vertiii{(S+H)^{-1} - S^{-1}} = O(\vertiii H) localmente. ∎

Exemplo 8.5 (Uma equação de Volterra, resolvida por Neumann)

Em E=C([0, 1])E = \mathcal C(\intcc01), considere a equação integral

u(x)=1+λ∫0xu(t)  ⁣dt,isto eˊu=1+λTu,(Tu)(x)=∫0xu.u(x) = 1 + \lambda\int_0^xu(t)\,\dd t, \qquad\text{isto é}\qquad u = \mathbf 1 + \lambda Tu, \quad (Tu)(x) = \int_0^xu .

Aqui ∣∣∣T∣∣∣≤1\vertiii T \leq 1, de modo que, para ∣λ∣<1\abs\lambda < 1, a série de Neumann se aplica diretamente: u=(I−λT)−11=∑nλnTn1u = (I - \lambda T)^{-1}\mathbf 1 = \sum_n\lambda^nT^n\mathbf 1. Calculando, Tn1=xnn!T^n\mathbf 1 = \frac{x^n}{n!}, logo

u(x)=∑n≥0(λx)nn!=eλx,u(x) = \sum_{n\geq0}\frac{(\lambda x)^n}{n!} = \eu^{\lambda x} ,

como a derivação confirma. Melhor ainda: ∣∣∣Tn∣∣∣≤1n!\vertiii{T^n} \leq \frac1{n!} (o núcleo iterado encolhe fatorialmente), de modo que ∑λnTn\sum\lambda^nT^n converge para todo λ\lambda — o operador I−λTI - \lambda T é inversível para todo λ∈C\lambda \in \C, ainda que ∣∣∣λT∣∣∣≥1\vertiii{\lambda T} \geq 1 acabe ocorrendo: o que importa é o decaimento espectral das potências, não a primeira norma. Os operadores de Volterra trazem esse decaimento fatorial embutido (Exercício 7.4(a) explorou exatamente isso), e é por isso que os problemas de valor inicial nunca sofrem os fenômenos de ressonância dos problemas de valores de contorno (Capítulo 15).

8.2 Hahn–Banach

Teorema 8.6 (Hahn–Banach, forma analítica)

Sejam EE um espaço vetorial real, p ⁣:E→Rp \colon E \to \R sublinear (p(x+y)≤p(x)+p(y)p(x + y) \leq p(x) + p(y) e p(tx)=tp(x)p(tx) = tp(x) para t≥0t \geq 0), F⊆EF \subseteq E um subespaço e f ⁣:F→Rf \colon F \to \R linear com f≤pf \leq p em FF. Então ff se estende a uma aplicação linear f~ ⁣:E→R\tilde f \colon E \to \R com f~≤p\tilde f \leq p em EE.

Demonstração. Extensão de um passo. Seja x0∉Fx_0 \notin F; estendemos ff a F⊕Rx0F \oplus \R x_0 escolhendo α=f~(x0)\alpha = \tilde f(x_0) corretamente: precisamos que, para todos y∈Fy \in F e t>0t > 0,

f(y)+tα≤p(y+tx0)ef(y)−tα≤p(y−tx0),f(y) + t\alpha \leq p(y + tx_0) \quad\text{e}\quad f(y) - t\alpha \leq p(y - tx_0),

o que, após dividir por tt (sublinearidade), se reduz a

sup⁡v∈F [f(v)−p(v−x0)]  ≤  α  ≤  inf⁡u∈F [p(u+x0)−f(u)].\sup_{v \in F}\ \bigl[f(v) - p(v - x_0)\bigr] \;\leq\; \alpha \;\leq\; \inf_{u \in F}\ \bigl[p(u + x_0) - f(u)\bigr].

Um tal α\alpha existe se, e somente se, todo membro esquerdo é ≤\leq a todo membro direito: com efeito, f(v)+f(u)=f(u+v)≤p(u+v)≤p(u+x0)+p(v−x0)f(v) + f(u) = f(u + v) \leq p(u + v) \leq p(u + x_0) + p(v - x_0), isto é, f(v)−p(v−x0)≤p(u+x0)−f(u)f(v) - p(v - x_0) \leq p(u + x_0) - f(u).

Zorn. Ordene por extensão as extensões de ff dominadas por pp (pares: subespaço, funcional); uma cadeia tem a reunião por cota superior; um elemento maximal tem de estar definido em todo EE, pois do contrário a extensão de um passo contradiria a maximalidade. ∎

Corolário 8.7

Seja EE um espaço normado (K=RK = \R ou C\C).

  1. Todo f∈F′f \in F' (com FF subespaço) se estende a f~∈E′\tilde f \in E' com ∥f~∥E′=∥f∥F′\norm{\tilde f}_{E'} = \norm f_{F'}.
  2. Para todo x≠0x \neq 0 existe f∈E′f \in E' com ∥f∥=1\norm f = 1 e f(x)=∥x∥f(x) = \norm x. Em particular, E′E' separa os pontos de EE, e ∥x∥=sup⁡∥f∥≤1∣f(x)∣\norm x = \sup_{\norm f \leq 1}\abs{f(x)}.
  3. Para um subespaço fechado FF e x∉Fx \notin F, existe f∈E′f \in E' que se anula em FF, com f(x)=d(x,F)f(x) = d(x, F) e ∥f∥≤1\norm f \leq 1.

Demonstração. (1) Caso real: aplique o Teorema 8.6 com p(x)=∥f∥F′ ∥x∥p(x) = \norm f_{F'}\,\norm x (sublinear); a extensão satisfaz ±f~(x)=f~(±x)≤p(x)\pm\tilde f(x) = \tilde f(\pm x) \leq p(x), logo ∥f~∥≤∥f∥\norm{\tilde f} \leq \norm f, e ≥\geq vem da restrição. Caso complexo: ponha u=Re⁡fu = \operatorname{Re}f, um funcional real com ∣u∣≤∥f∥∥⋅∥\abs u \leq \norm f\norm\cdot; note que f(x)=u(x)−i u(ix)f(x) = u(x) - \iu\,u(\iu x) (verifique nas partes real e imaginária: Im⁡f(x)=−Re⁡f(ix)\operatorname{Im}f(x) = -\operatorname{Re}f(\iu x)). Estenda uu de maneira real-linear com a mesma cota e ponha f~(x)=u~(x)−iu~(ix)\tilde f(x) = \tilde u(x) - \iu\tilde u(\iu x): é C\C-linear (verificação direta na multiplicação por i\iu) e estende ff; quanto à norma, para xx dado escreva f~(x)=reiθ\tilde f(x) = r\eu^{\iu\theta}, e então ∣f~(x)∣=f~(e−iθx)=u~(e−iθx)≤∥f∥ ∥x∥\abs{\tilde f(x)} = \tilde f(\eu^{-\iu\theta}x) = \tilde u(\eu^{-\iu\theta}x) \leq \norm f\,\norm x.

(2) Em F=KxF = Kx, defina f(tx)=t∥x∥f(tx) = t\norm x: de norma 11 em FF; estenda por (1). A fórmula de dualidade: ≤\leq é claro, e ≥\geq vem desse ff.

(3) Em F⊕KxF \oplus Kx, defina f(y+tx)=t d(x,F)f(y + tx) = t\,d(x, F); então, para t≠0t \neq 0, ∥y+tx∥=∣t∣ ∥x+y/t∥≥∣t∣ d(x,F)=∣f(y+tx)∣\norm{y + tx} = \abs t\,\norm{x + y/t} \geq \abs t\,d(x, F) = \abs{f(y + tx)}: ∥f∥≤1\norm f \leq 1 no subespaço; estenda por (1). ∎

Observação 8.8

Por (2), a aplicação canônica J ⁣:E→E′′J \colon E \to E'', J(x)(f)=f(x)J(x)(f) = f(x), é uma isometria (Exercício 8.10): todo espaço normado se aloja dentro de seu bidual. Os espaços com JJ sobrejetora são chamados reflexivos; o problema de fim de semana mostra que ℓp\ell^p (1<p<∞1 < p < \infty) é reflexivo, ao passo que ℓ1\ell^1 não é.

8.3 A trilogia de Baire

Teorema 8.9 (Banach–Steinhaus, limitação uniforme)

Sejam EE um espaço de Banach, FF normado e (Ti)i∈I⊆L(E,F)(T_i)_{i\in I} \subseteq \mathcal L(E, F) uma família com sup⁡i∥Tix∥<∞\sup_i \norm{T_ix} < \infty para todo x∈Ex \in E. Então sup⁡i∣∣∣Ti∣∣∣<∞\sup_i \vertiii{T_i} < \infty.

Demonstração. Os conjuntos Fn={x:sup⁡i∥Tix∥≤n}F_n = \{x : \sup_i\norm{T_ix} \leq n\} são fechados (interseções de pré-imagens de bolas fechadas) e cobrem EE. Baire (Teorema 7.6) dá n0n_0 e uma bola B(x0,r)⊆Fn0B(x_0, r) \subseteq F_{n_0}. Para ∥z∥<r\norm z < r: ∥Tiz∥≤∥Ti(x0+z)∥+∥Tix0∥≤2n0\norm{T_iz} \leq \norm{T_i(x_0 + z)} + \norm{T_ix_0} \leq 2n_0, logo ∣∣∣Ti∣∣∣≤2n0/r\vertiii{T_i} \leq 2n_0/r para todo ii. ∎

Corolário 8.10

Se EE é de Banach e Tn∈L(E,F)T_n \in \mathcal L(E,F) convergem pontualmente (Tnx→TxT_nx \to Tx para cada xx), então sup⁡n∣∣∣Tn∣∣∣<∞\sup_n \vertiii{T_n} < \infty, T∈L(E,F)T \in \mathcal L(E, F), e ∣∣∣T∣∣∣≤lim inf⁡∣∣∣Tn∣∣∣\vertiii T \leq \liminf \vertiii{T_n}.

Demonstração. Sequências convergentes são limitadas: eis a limitação pontual; Banach–Steinhaus limita as normas por algum MM; então ∥Tx∥=lim⁡∥Tnx∥≤M∥x∥\norm{Tx} = \lim\norm{T_nx} \leq M\norm x (TT é linear por ser limite pontual), e a cota mais fina segue passando a lim inf⁡\liminf em ∥Tnx∥≤∣∣∣Tn∣∣∣∥x∥\norm{T_nx} \leq \vertiii{T_n}\norm x. ∎

Teorema 8.11 (Séries de Fourier divergentes)

Existem funções contínuas 2π2\pi-periódicas ff cuja série de Fourier diverge em 00: sup⁡N∣SN(f)(0)∣=∞\sup_N\abs{S_N(f)(0)} = \infty. Mais ainda, tais ff formam um subconjunto denso de C(S1)\mathcal C(S^1).

Demonstração. Trabalhamos em E=(C(S1),∥⋅∥∞)E = (\mathcal C(S^1), \norm\cdot_\infty), um espaço de Banach, com os funcionais ΛN(f)=SN(f)(0)=12π∫−ππf(t) DN(t)  ⁣dt\Lambda_N(f) = S_N(f)(0) = \frac1{2\pi}\int_{-\pi}^{\pi}f(t)\,D_N(t)\,\dd t (núcleo de Dirichlet, segundo ano). Cada ΛN\Lambda_N é contínuo, com

∥ΛN∥=12π∫−ππ∣DN(t)∣  ⁣dt  =  LN.\norm{\Lambda_N} = \frac1{2\pi}\int_{-\pi}^\pi\abs{D_N(t)}\,\dd t \;=\; L_N .

(≤\leq é claro; ≥\geq: tome ff contínua, ∥f∥∞≤1\norm f_\infty \leq 1, aproximando sign⁡DN\operatorname{sign}D_N — o sinal tem um número finito de saltos; suavizar cada salto em um intervalo de comprimento ε\varepsilon altera a integral de O(Nε)O(N\varepsilon).) As constantes de Lebesgue LNL_N tendem ao infinito:

LN=12π∫−ππ∣sin⁡((N+12)t)∣∣sin⁡(t/2)∣  ⁣dt≥2π∫0π∣sin⁡((N+12)t)∣t  ⁣dt=2π∫0(N+12)π∣sin⁡u∣u  ⁣duL_N = \frac1{2\pi}\int_{-\pi}^{\pi} \frac{\abs{\sin\bigl((N{+}\tfrac12)t\bigr)}}{\abs{\sin(t/2)}} \,\dd t \geq \frac{2}{\pi}\int_0^{\pi} \frac{\abs{\sin\bigl((N{+}\tfrac12)t\bigr)}}{t}\,\dd t = \frac{2}{\pi}\int_0^{(N+\frac12)\pi}\frac{\abs{\sin u}}{u}\,\dd u

(usando ∣sin⁡(t/2)∣≤t/2\abs{\sin(t/2)} \leq t/2 em [0,π][0, \pi] e substituindo em seguida u=(N+12)tu = (N + \tfrac12)t). Cortando em arcos:

∫(k−1)πkπ∣sin⁡u∣u  ⁣du≥1kπ∫(k−1)πkπ∣sin⁡u∣  ⁣du=2kπ,logoLN≥4π2∑k=1N1k→N→∞∞.\int_{(k-1)\pi}^{k\pi}\frac{\abs{\sin u}}u\,\dd u \geq \frac1{k\pi}\int_{(k-1)\pi}^{k\pi}\abs{\sin u}\,\dd u = \frac{2}{k\pi}, \qquad\text{logo}\qquad L_N \geq \frac{4}{\pi^2}\sum_{k=1}^N\frac1k \xrightarrow[N\to\infty]{} \infty .

Se toda ff contínua tivesse sup⁡N∣ΛN(f)∣<∞\sup_N \abs{\Lambda_N(f)} < \infty, Banach–Steinhaus forçaria sup⁡N∥ΛN∥<∞\sup_N\norm{\Lambda_N} < \infty: contradição. Logo alguma ff — de fato, um conjunto não magro e denso de ff (o complementar de ⋃M{f:sup⁡N∣ΛNf∣≤M}\bigcup_M\{f: \sup_N\abs{\Lambda_Nf}\leq M\}, uma reunião enumerável de fechados que, não tendo interior pelo que precede aplicado em qualquer bola, é magra) — satisfaz sup⁡N∣SNf(0)∣=∞\sup_N\abs{S_Nf(0)} = \infty. ∎

Teorema 8.12 (Aplicação aberta)

Sejam E,FE, F espaços de Banach e T∈L(E,F)T \in \mathcal L(E, F) sobrejetora. Então TT é aberta: T(BE(0,1))⊇BF(0,c)T(B_E(0,1)) \supseteq B_F(0, c) para algum c>0c > 0. Consequentemente, um operador limitado bijetor entre espaços de Banach tem inversa limitada.

Demonstração. Escreva B=BE(0,1)B = B_E(0,1). A sobrejetividade dá F=⋃nT(nB)‾=⋃nn T(B)‾F = \bigcup_n \overline{T(nB)} = \bigcup_n n\,\overline{T(B)}; Baire (Teorema 7.6) dá interior a T(B)‾\overline{T(B)}: algum BF(y0,4c)⊆T(B)‾B_F(y_0, 4c) \subseteq \overline{T(B)}. Recentrando em 00: para ∥y∥<4c\norm y < 4c, tanto y0+yy_0 + y quanto y0y_0 são limites de imagens TukTu_k, TvkTv_k com uk,vk∈Bu_k, v_k \in B, de modo que y=lim⁡T(uk−vk)y = \lim T(u_k - v_k) com uk−vk∈2Bu_k - v_k \in 2B: BF(0,4c)⊆T(2B)‾B_F(0, 4c) \subseteq \overline{T(2B)}, isto é, BF(0,2c)⊆T(B)‾B_F(0, 2c) \subseteq \overline{T(B)}.

Removendo o fecho (é aqui que entra a completude de EE): seja ∥y∥<c\norm y < c. Tome x1∈12Bx_1 \in \frac12 B com ∥y−Tx1∥<c/2\norm{y - Tx_1} < c/2 (BF(0,2c)⊆T(B)‾B_F(0,2c) \subseteq \overline{T(B)} reescalado por 12\frac12); e, indutivamente, xk∈2−kBx_k \in 2^{-k}B com ∥y−T(x1+⋯+xk)∥<c 2−k\norm{y - T(x_1 + \dots + x_k)} < c\,2^{-k}. A série ∑xk\sum x_k converge absolutamente no espaço de Banach EE, para um x∈Bx \in B (de norma <∑2−k=1< \sum 2^{-k} = 1), e Tx=yTx = y por continuidade: BF(0,c)⊆T(B)B_F(0, c) \subseteq T(B). A abertura de TT em abertos arbitrários segue por translação e reescalamento; quanto ao corolário, ser TT aberta significa que T−1T^{-1} é contínua. ∎

Corolário 8.13 (Normas equivalentes)

Se um espaço vetorial é completo para duas normas comparáveis (∥⋅∥a≤C∥⋅∥b\norm\cdot_a \leq C\norm\cdot_b), então as normas são equivalentes.

Demonstração. A identidade (E,∥⋅∥b)→(E,∥⋅∥a)(E, \norm\cdot_b) \to (E, \norm\cdot_a) é limitada e bijetora entre espaços de Banach: sua inversa é limitada. ∎

Teorema 8.14 (Gráfico fechado)

Sejam E,FE, F de Banach e T ⁣:E→FT \colon E \to F linear. Se o gráfico Γ={(x,Tx)}\Gamma = \{(x, Tx)\} é fechado em E×FE \times F (isto é, xn→xx_n \to x e Txn→yTx_n \to y implicam y=Txy = Tx), então TT é limitada.

Demonstração. E×FE \times F com ∥(x,y)∥=∥x∥+∥y∥\norm{(x,y)} = \norm x + \norm y é de Banach; Γ\Gamma, subespaço fechado, é de Banach. A projeção πE ⁣:Γ→E\pi_E\colon \Gamma \to E é limitada e bijetora, de modo que sua inversa x↦(x,Tx)x \mapsto (x, Tx) é limitada (Teorema 8.12): ∥Tx∥≤∥(x,Tx)∥≤C∥x∥\norm{Tx} \leq \norm{(x, Tx)} \leq C\norm x. ∎

Método 8.15

Quando recorrer a qual teorema. Hahn–Banach: para produzir um funcional com comportamento prescrito (normar um vetor, anular-se em um subespaço, estender de um subespaço) — não é preciso completude alguma. Banach–Steinhaus: para converter informação pontual em cotas uniformes — tipicamente, para mostrar que uma operação de limite é contínua ou, na contrapositiva, para demonstrar divergência para algum elemento, como no caso das séries de Fourier. Aplicação aberta / gráfico fechado: para obter continuidade de graça a partir da bijetividade algébrica ou de uma propriedade de fecho do gráfico — uso típico: comparar duas normas completas, ou demonstrar continuidade automática. Os três teoremas de Baire exigem completude da fonte; do contrário há contraexemplos (Exercício 8.7).

8.4 Espaços duais, concretamente

Teorema 8.16

Isometricamente: (c0)′≅ℓ1(c_0)' \cong \ell^1 e (ℓ1)′≅ℓ∞(\ell^1)' \cong \ell^\infty, por meio do emparelhamento ⟨x,y⟩=∑nxnyn\langle x, y\rangle = \sum_n x_ny_n.

Demonstração. Demonstramos (c0)′≅ℓ1(c_0)' \cong \ell^1; a segunda identificação é o Exercício 8.5. A y∈ℓ1y \in \ell^1 associe Λy(x)=∑xnyn\Lambda_y(x) = \sum x_ny_n (x∈c0x \in c_0): absolutamente convergente, com ∣Λy(x)∣≤∥x∥∞∥y∥1\abs{\Lambda_y(x)} \leq \norm x_\infty\norm y_1, de modo que ∥Λy∥≤∥y∥1\norm{\Lambda_y} \leq \norm y_1. Reciprocamente, seja Λ∈(c0)′\Lambda \in (c_0)'; ponha yn=Λ(en)y_n = \Lambda(e_n) (com ene_n as sequências unitárias). Para todo NN, teste em x(N)=∑n≤Nsign⁡(yn‾) en∈c0x^{(N)} = \sum_{n \leq N} \operatorname{sign}(\overline{y_n})\,e_n \in c_0 (de norma ≤1\leq 1; no caso complexo, use fatores unimodulares yˉn/∣yn∣\bar y_n/\abs {y_n}): Λ(x(N))=∑n≤N∣yn∣≤∥Λ∥\Lambda(x^{(N)}) = \sum_{n\leq N}\abs{y_n} \leq \norm\Lambda. Logo y∈ℓ1y \in \ell^1 com ∥y∥1≤∥Λ∥\norm y_1 \leq \norm\Lambda. Por fim, Λ=Λy\Lambda = \Lambda_y: ambos coincidem nos ene_n, portanto nas sequências finitas, densas em c0c_0 (truncamento: ∥x−∑n≤Nxnen∥∞=sup⁡n>N∣xn∣→0\norm{x - \sum_{n \leq N}x_ne_n}_\infty = \sup_{n > N}\abs{x_n} \to 0 precisamente porque xn→0x_n \to 0); e funcionais contínuos que coincidem em um conjunto denso são iguais. A correspondência é linear, bijetora e isométrica (∥Λy∥=∥y∥1\norm{\Lambda_y} = \norm y_1, pelas duas desigualdades). ∎

8.5 Exercícios

Exercício 8.1 ★

Calcule as normas de operador: (a) dos deslocamentos S(x1,x2,… )=(0,x1,x2,… )S(x_1, x_2, \dots) = (0, x_1, x_2, \dots) e S∗(x1,x2,… )=(x2,x3,… )S^*(x_1, x_2, \dots) = (x_2, x_3, \dots) em ℓ2\ell^2; (b) do operador de multiplicação Max=(anxn)M_a x = (a_nx_n) em ℓ2\ell^2, para a∈ℓ∞a \in \ell^\infty; (c) do funcional Λ(f)=∫01/2f−∫1/21f\Lambda(f) = \int_0^{1/2}f - \int_{1/2}^1f em C([0, 1])\mathcal C(\intcc01) — mostre que ∥Λ∥=1\norm\Lambda = 1 e que a norma não é atingida.

Solução

Solução de Exercício 8.1.

(a) ∥Sx∥2=∥x∥2\norm{Sx}_2 = \norm x_2: SS é uma isometria, ∣∣∣S∣∣∣=1\vertiii S = 1. Para o deslocamento à esquerda: ∥S∗x∥22=∑n≥2∣xn∣2≤∥x∥22\norm{S^*x}_2^2 = \sum_{n \geq 2}\abs{x_n}^2 \leq \norm x_2^2, com igualdade para x=e2x = e_2: ∣∣∣S∗∣∣∣=1\vertiii{S^*} = 1.

(b) ∥Max∥22=∑∣an∣2∣xn∣2≤∥a∥∞2∥x∥22\norm{M_ax}_2^2 = \sum\abs{a_n}^2\abs{x_n}^2 \leq \norm a_\infty^2\norm x_2^2; testar x=enx = e_n dá ∣∣∣Ma∣∣∣≥∣an∣\vertiii{M_a} \geq \abs{a_n} para todo nn: ∣∣∣Ma∣∣∣=∥a∥∞\vertiii{M_a} = \norm a_\infty.

(c) ∣Λ(f)∣≤∫01∣f∣≤∥f∥∞\abs{\Lambda(f)} \leq \int_0^1\abs f \leq \norm f_\infty: ∥Λ∥≤1\norm\Lambda \leq 1. Para ε>0\varepsilon > 0, seja fεf_\varepsilon igual a 11 em [0,12−ε][0, \frac12 - \varepsilon], −1-1 em [12+ε,1][\frac12 + \varepsilon, 1], afim entre eles: ∥fε∥∞=1\norm{f_\varepsilon}_\infty = 1 e Λ(fε)≥1−2ε\Lambda(f_\varepsilon) \geq 1 - 2\varepsilon: ∥Λ∥=1\norm\Lambda = 1. Não atingida: Λ(f)=1\Lambda(f) = 1 com ∥f∥∞≤1\norm f_\infty \leq 1 força ∫01/2f=12\int_0^{1/2}f = \frac12 e ∫1/21f=−12\int_{1/2}^1 f = -\frac12, isto é (continuidade, ∣f∣≤1\abs f \leq 1), f≡1f \equiv 1 em [0,12][0, \frac12] e f≡−1f \equiv -1 em [12,1][\frac12, 1]: contradição em 12\frac12.

Exercício 8.2 ★

Sejam EE de Banach, T∈L(E)T \in \mathcal L(E) inversível e SS com ∣∣∣S−T∣∣∣<1/∣∣∣T−1∣∣∣\vertiii{S - T} < 1/\vertiii{T^{-1}}. Mostre que SS é inversível e estime ∣∣∣S−1−T−1∣∣∣\vertiii{S^{-1} - T^{-1}}. Aplicação: se um sistema linear Tx=bTx = b é solúvel com TT inversível, uma perturbação suficientemente pequena de TT o mantém unicamente solúvel, com uma cota quantitativa para a variação da solução.

Solução

Solução de Exercício 8.2.

Escreva S=T(I−T−1(T−S))S = T\bigl(I - T^{-1}(T - S)\bigr) com ∣∣∣T−1(T−S)∣∣∣≤∣∣∣T−1∣∣∣ ∣∣∣T−S∣∣∣=θ<1\vertiii{T^{-1}(T-S)} \leq \vertiii{T^{-1}}\,\vertiii{T - S} = \theta < 1: pela Proposição 8.4, SS é inversível com S−1=∑n≥0(T−1(T−S))nT−1S^{-1} = \sum_{n\geq0}\bigl(T^{-1}(T - S)\bigr)^nT^{-1}, donde

∣∣∣S−1−T−1∣∣∣≤∑n≥1θn ∣∣∣T−1∣∣∣=∣∣∣T−1∣∣∣2 ∣∣∣T−S∣∣∣1−θ.\vertiii{S^{-1} - T^{-1}} \leq \sum_{n\geq1}\theta^n\,\vertiii{T^{-1}} = \frac{\vertiii{T^{-1}}^2\,\vertiii{T - S}}{1 - \theta}.

Para o sistema linear: xT=T−1bx_T = T^{-1}b e xS=S−1bx_S = S^{-1}b diferem, no máximo, dessa cota vezes ∥b∥\norm b — pequenas perturbações de um sistema inversível permanecem unicamente solúveis, com dependência lipschitziana da solução em relação ao operador.

Exercício 8.3 ★★

(a) Demonstre que ℓ1\ell^1, ℓ∞\ell^\infty e c0c_0 são espaços de Banach, e que c0c_0 é o fecho em ℓ∞\ell^\infty do espaço das sequências finitas. (b) Mostre que ℓp⊆ℓq\ell^p \subseteq \ell^q com ∥⋅∥q≤∥⋅∥p\norm\cdot_q \leq \norm\cdot_p para 1≤p≤q≤∞1 \leq p \leq q \leq \infty, e que a inclusão é estrita.

Solução

Solução de Exercício 8.3.

(a) ℓ1\ell^1: seja (x(k))(x^{(k)}) de Cauchy. Cada coordenada é de Cauchy (∣xn(k)−xn(l)∣≤∥x(k)−x(l)∥1\abs{x^{(k)}_n - x^{(l)}_n} \leq \norm{x^{(k)} - x^{(l)}}_1): seja xn=lim⁡kxn(k)x_n = \lim_kx^{(k)}_n. Dado ε\varepsilon, para k,l≥Kk, l \geq K: ∑n≤N∣xn(k)−xn(l)∣≤ε\sum_{n \leq N}\abs{x^{(k)}_n - x^{(l)}_n} \leq \varepsilon para todo NN; faça l→∞l \to \infty e depois N→∞N \to \infty: ∥x(k)−x∥1≤ε\norm{x^{(k)} - x}_1 \leq \varepsilon, e x=x(k)−(x(k)−x)∈ℓ1x = x^{(k)} - (x^{(k)} - x) \in \ell^1. ℓ∞\ell^\infty: ser de Cauchy para ∥⋅∥∞\norm\cdot_\infty é ser uniformemente de Cauchy: converge uniformemente para uma sequência limitada. c0c_0 é fechado em ℓ∞\ell^\infty: se x(k)→xx^{(k)} \to x uniformemente com xn(k)→n0x^{(k)}_n \to_n 0, então ∣xn∣≤∥x−x(k)∥∞+∣xn(k)∣\abs{x_n} \leq \norm{x - x^{(k)}}_\infty + \abs{x^{(k)}_n} dá lim sup⁡n∣xn∣≤ε\limsup_n\abs{x_n} \leq \varepsilon: x∈c0x \in c_0; um subespaço fechado de um espaço de Banach é de Banach. Sequências finitas: seu fecho contém todo x∈c0x \in c_0 (as truncaturas convergem: sup⁡n>N∣xn∣→0\sup_{n>N}\abs{x_n} \to 0) e está contido no fechado c0c_0.

(b) Por homogeneidade, suponha ∥x∥p=1\norm x_p = 1: então ∣xn∣≤1\abs{x_n} \leq 1 para todo nn, de modo que ∣xn∣q≤∣xn∣p\abs{x_n}^q \leq \abs{x_n}^p e ∥x∥q≤1=∥x∥p\norm x_q \leq 1 = \norm x_p; para q=∞q = \infty, ∣xn∣≤∥x∥p\abs{x_n} \leq \norm x_p diretamente. Estrita: xn=n−αx_n = n^{-\alpha} com 1q<α≤1p\frac1q < \alpha \leq \frac1p está em ℓq∖ℓp\ell^q \setminus \ell^p (série de Riemann).

Exercício 8.4 ★★

Sejam F⊆EF \subseteq E um subespaço fechado e x∉Fx \notin F. Usando o Corolário 8.7, demonstre a fórmula de dualidade

d(x,F)=max⁡{∣f(x)∣:f∈E′, ∥f∥≤1, f↾F=0}d(x, F) = \max\bigl\{\abs{f(x)} : f \in E',\ \norm f \leq 1,\ f\restriction_F = 0\bigr\}

(atenção: um máximo). Deduza que F=⋂{ker⁡f:f∈E′, f↾F=0}F = \bigcap\{\ker f : f \in E',\ f\restriction_F = 0\}: os subespaços fechados são exatamente as interseções de núcleos de funcionais.

Solução

Solução de Exercício 8.4.

(≤\leq) Se ∥f∥≤1\norm f \leq 1 e f↾F=0f\restriction_F = 0: para todo y∈Fy \in F, ∣f(x)∣=∣f(x−y)∣≤∥x−y∥\abs{f(x)} = \abs{f(x - y)} \leq \norm{x - y}; tome o ínfimo. (≥\geq, atingido) O Corolário 8.7(3) produz ff com f↾F=0f\restriction_F = 0, ∥f∥≤1\norm f \leq 1, f(x)=d(x,F)f(x) = d(x, F): o supremo é um máximo. Consequência: F⊆⋂{ker⁡f:f↾F=0}F \subseteq \bigcap\{\ker f : f\restriction_F = 0\} trivialmente, e um ponto x∉Fx \notin F é excluído da interseção pelo funcional acima (f(x)=d(x,F)>0f(x) = d(x,F) > 0, sendo FF fechado).

Exercício 8.5 ★★

Demonstre (ℓ1)′≅ℓ∞(\ell^1)' \cong \ell^\infty isometricamente, seguindo o esquema do Teorema 8.16 (as sequências finitas são densas em ℓ1\ell^1). Onde o argumento se quebra para (ℓ∞)′(\ell^\infty)'?

Solução

Solução de Exercício 8.5.

Para y∈ℓ∞y \in \ell^\infty: ∣Λy(x)∣=∣∑xnyn∣≤∥y∥∞∥x∥1\abs{\Lambda_y(x)} = \abs{\sum x_ny_n} \leq \norm y_\infty\norm x_1, de modo que ∥Λy∥≤∥y∥∞\norm{\Lambda_y} \leq \norm y_\infty; testando em ene_n: ∣yn∣=∣Λy(en)∣≤∥Λy∥\abs{y_n} = \abs{\Lambda_y(e_n)} \leq \norm{\Lambda_y}: igualdade. Reciprocamente, dado Λ∈(ℓ1)′\Lambda \in (\ell^1)', ponha yn=Λ(en)y_n = \Lambda(e_n): ∣yn∣≤∥Λ∥\abs{y_n} \leq \norm\Lambda, de modo que y∈ℓ∞y \in \ell^\infty; Λ\Lambda e Λy\Lambda_y coincidem nas sequências finitas, densas em ℓ1\ell^1 (∥x−∑n≤Nxnen∥1=∑n>N∣xn∣→0\norm{x - \sum_{n\leq N}x_ne_n}_1 = \sum_{n>N}\abs{x_n} \to 0): Λ=Λy\Lambda = \Lambda_y. A aplicação y↦Λyy \mapsto \Lambda_y é linear, isométrica e sobrejetora. Para (ℓ∞)′(\ell^\infty)', o mesmo início produz uma sequência yn=Λ(en)y_n = \Lambda(e_n), mas as sequências finitas não são densas em ℓ∞\ell^\infty (a sequência constante 1\mathbf 1 está à distância 11 de todas elas), de modo que Λ\Lambda não fica determinada pelos yny_n — e, de fato, (ℓ∞)′≠ℓ1(\ell^\infty)' \neq \ell^1 (Problema 8.1).

Exercício 8.6 ★★

Sejam E,F,GE, F, G normados com EE de Banach, e B ⁣:E×F→GB \colon E \times F \to G bilinear, contínua em cada variável separadamente. Mostre que BB é (conjuntamente) contínua: ∥B(x,y)∥≤C∥x∥∥y∥\norm{B(x,y)} \leq C\norm x\norm y. (Aplique Banach–Steinhaus à família (B(⋅,y))∥y∥≤1(B(\cdot, y))_{\norm y \leq 1}.)

Solução

Solução de Exercício 8.6.

Para cada xx fixo, y↦B(x,y)y \mapsto B(x, y) é linear contínua: sup⁡∥y∥≤1∥B(x,y)∥<∞\sup_{\norm y \leq 1}\norm{B(x,y)} < \infty. Logo a família {B(⋅,y):∥y∥≤1}⊆L(E,G)\{B(\cdot, y) : \norm y \leq 1\} \subseteq \mathcal L(E, G) (cada membro contínuo, pela continuidade em xx) é pontualmente limitada no espaço de Banach EE: Banach–Steinhaus (Teorema 8.9) fornece CC com ∥B(x,y)∥≤C∥x∥\norm{B(x,y)} \leq C\norm x para todo ∥y∥≤1\norm y \leq 1; a homogeneidade em yy conclui: ∥B(x,y)∥≤C∥x∥∥y∥\norm{B(x,y)} \leq C\norm x\norm y.

Exercício 8.7 ★★

(a) Em E=C([0, 1])E = \mathcal C(\intcc01), compare ∥⋅∥∞\norm\cdot_\infty e ∥⋅∥1\norm\cdot_1: a identidade (E,∥⋅∥∞)→(E,∥⋅∥1)(E, \norm\cdot_\infty) \to (E, \norm\cdot_1) é limitada e bijetora, mas sua inversa é ilimitada. Que hipótese do Corolário 8.13 falha? (b) Exiba uma aplicação linear descontínua de um subespaço denso de ℓ2\ell^2 em KK (por exemplo, nas sequências finitas) e explique por que isso não contradiz o teorema do gráfico fechado.

Solução

Solução de Exercício 8.7.

(a) ∥f∥1≤∥f∥∞\norm f_1 \leq \norm f_\infty: a identidade é limitada e bijetora. Sua inversa é ilimitada: fn(x)=xnf_n(x) = x^n tem ∥fn∥1=1n+1→0\norm{f_n}_1 = \frac1{n+1} \to 0, mas ∥fn∥∞=1\norm{f_n}_\infty = 1. Nenhuma contradição com o Corolário 8.13: (C([0, 1]),∥⋅∥1)(\mathcal C(\intcc01), \norm\cdot_1) não é completo (Exercício 7.1); o corolário exige completude dos dois lados.

(b) No espaço E0E_0 das sequências finitas (denso em ℓ2\ell^2), φ(x)=∑nn xn\varphi(x) = \sum_n n\,x_n é linear e ilimitado (φ(en)=n\varphi(e_n) = n com ∥en∥2=1\norm{e_n}_2 = 1). O teorema do gráfico fechado não se aplica: E0E_0 não é completo — e φ\varphi não tem extensão contínua a ℓ2\ell^2, ilustrando que densidade sem continuidade uniforme nada pode (Teorema 7.2).

Exercício 8.8 ★★★

(Hellinger–Toeplitz) Seja T ⁣:ℓ2→ℓ2T \colon \ell^2 \to \ell^2 linear (definida em toda parte) e simétrica: ⟨Tx,y⟩=⟨x,Ty⟩\langle Tx, y\rangle = \langle x, Ty\rangle para todos x,yx, y, em que ⟨x,y⟩=∑xnyˉn\langle x, y \rangle = \sum x_n\bar y_n. Mostre que TT é limitada. (Gráfico fechado: se xk→xx_k \to x e Txk→zTx_k \to z, teste contra yy arbitrário.) Moral: operadores simétricos ilimitados — as hamiltonianas da mecânica quântica — jamais podem ser definidos no espaço todo.

Solução

Solução de Exercício 8.8.

Verificamos a hipótese do gráfico fechado. Sejam xk→xx_k \to x e Txk→zTx_k \to z em ℓ2\ell^2. Para todo yy:

⟨z,y⟩=lim⁡k⟨Txk,y⟩=lim⁡k⟨xk,Ty⟩=⟨x,Ty⟩=⟨Tx,y⟩,\langle z, y\rangle = \lim_k\langle Tx_k, y\rangle = \lim_k \langle x_k, Ty\rangle = \langle x, Ty\rangle = \langle Tx, y\rangle,

usando a continuidade do produto interno em cada entrada (Cauchy–Schwarz) e a simetria duas vezes. Logo z−Txz - Tx é ortogonal a todo yy, em particular a si mesmo: z=Txz = Tx. O gráfico é fechado e ℓ2\ell^2 é de Banach: TT é limitado (Teorema 8.14). Assim, um operador simétrico definido em todo ℓ2\ell^2 é automaticamente limitado; operadores simétricos genuinamente ilimitados (posição, momento, hamiltonianos) devem viver em subespaços densos próprios.

Exercício 8.9 ★★★

(Teorema de Pólya sobre quadraturas) Para cada nn, seja Λn(f)=∑i=0nwi,nf(xi,n)\Lambda_n(f) = \sum_{i=0}^{n} w_{i,n}f(x_{i,n}) uma regra de quadratura em C([0, 1])\mathcal C(\intcc01) (xi,n∈[0, 1]x_{i,n} \in \intcc01, wi,n∈Rw_{i,n} \in \R). Mostre que Λn(f)→∫01f\Lambda_n(f) \to \int_0^1f para toda ff contínua se, e somente se: (i) Λn(P)→∫01P\Lambda_n(P) \to \int_0^1P para todo polinômio PP, e (ii) sup⁡n∑i∣wi,n∣<∞\sup_n\sum_i\abs{w_{i,n}} < \infty. (Calcule ∥Λn∥\norm{\Lambda_n}; use Banach–Steinhaus e Weierstrass.) Verifique que as regras com pesos positivos exatas nas constantes satisfazem (ii) automaticamente.

Solução

Solução de Exercício 8.9.

Primeiro, ∥Λn∥=∑i∣wi,n∣\norm{\Lambda_n} = \sum_i\abs{w_{i,n}}: ≤\leq é a desigualdade triangular; ≥\geq testando com uma ff linear por partes com ∥f∥∞≤1\norm f_\infty \leq 1 e f(xi,n)=sign⁡(wi,n)f(x_{i,n}) = \operatorname{sign}(w_{i,n}) (interpole linearmente entre os finitos nós; onde os nós coincidem, os sinais concordam).

(⇒\Rightarrow) A convergência pontual em toda ff implica (i) e a limitação pontual, de modo que Banach–Steinhaus (Teorema 8.9) no espaço de Banach C([0, 1])\mathcal C(\intcc01) dá (ii).

(⇐\Leftarrow) Seja M=sup⁡n∥Λn∥+1M = \sup_n\norm{\Lambda_n} + 1. Dados ff e ε\varepsilon, escolha um polinômio PP com ∥f−P∥∞<ε/(2M)\norm{f - P}_\infty < \varepsilon/(2M) (Corolário 7.16); então

∣Λnf−∫01f∣≤∣Λn(f−P)∣+∣ΛnP−∫01P∣+∣∫01(P−f)∣≤ε+∣ΛnP−∫01P∣→ε.\Bigl|\Lambda_n f - \int_0^1 f\Bigr| \leq \abs{\Lambda_n(f - P)} + \Bigl|\Lambda_nP - \int_0^1P\Bigr| + \Bigl|\int_0^1(P - f)\Bigr| \leq \varepsilon + \Bigl|\Lambda_nP - \int_0^1P\Bigr| \to \varepsilon .

Pesos positivos, exatidão nas constantes: ∑i∣wi,n∣=∑iwi,n=Λn(1)=∫011=1\sum_i\abs{w_{i,n}} = \sum_iw_{i,n} = \Lambda_n(\mathbf 1) = \int_0^1 1 = 1 para regras exatas nas constantes — (ii) vale com constante 11.

Exercício 8.10 ★★

Mostre que J ⁣:E→E′′J \colon E \to E'', J(x)(f)=f(x)J(x)(f) = f(x), é uma isometria linear (use o Corolário 8.7(2)) e que ela é sobrejetora quando dim⁡E<∞\dim E < \infty. Mostre também que, se E′E' é separável, então EE também é. (Tome xnx_n que quase normem uma sequência densa de E′E' e mostre que o subespaço fechado que geram é EE, via o Corolário 8.7(3).)

Solução

Solução de Exercício 8.10.

A linearidade de JJ é formal; ∥J(x)∥=sup⁡∥f∥≤1∣f(x)∣=∥x∥\norm{J(x)} = \sup_{\norm f \leq 1}\abs{f(x)} = \norm x pelo Corolário 8.7(2). Se dim⁡E=n\dim E = n: dim⁡E′=n\dim E' = n (uma base dá os funcionais coordenados), de modo que dim⁡E′′=n\dim E'' = n, e o JJ injetor (isométrico) é sobrejetor. Separabilidade: seja (fn)(f_n) denso em E′E' e escolha ∥xn∥=1\norm{x_n} = 1 com ∣fn(xn)∣≥12∥fn∥\abs{f_n(x_n)} \geq \frac12\norm{f_n}. Seja F=Vect⁡‾(xn)F = \overline{\operatorname{Vect}}(x_n); se F≠EF \neq E, tome g∈E′g \in E', g≠0g \neq 0, nulo em FF (Corolário 8.7(3)); escolha fnk→gf_{n_k} \to g:

∥fnk−g∥≥∣(fnk−g)(xnk)∣=∣fnk(xnk)∣≥12∥fnk∥≥12(∥g∥−∥fnk−g∥),\norm{f_{n_k} - g} \geq \abs{(f_{n_k} - g)(x_{n_k})} = \abs{f_{n_k}(x_{n_k})} \geq \tfrac12\norm{f_{n_k}} \geq \tfrac12\bigl(\norm g - \norm{f_{n_k} - g}\bigr),

de modo que ∥fnk−g∥≥13∥g∥>0\norm{f_{n_k} - g} \geq \frac13\norm g > 0: contradição. Logo F=EF = E, e as combinações racionais (ou Q+iQ\Q + \iu\Q) dos xnx_n formam um conjunto enumerável denso.

Exercício 8.11 ★★

(Espaços quocientes) Sejam EE um espaço de Banach e F⊆EF \subseteq E um subespaço fechado. Em E/FE/F, defina

∥xˉ∥  =  d(x,F)=inf⁡y∈F∥x−y∥.\norm{\bar x} \;=\; d(x, F) = \inf_{y\in F}\norm{x - y} .

(a) Mostre que isso define uma norma em E/FE/F (onde entra o fato de FF ser fechado?) e que a projeção π ⁣:E→E/F\pi \colon E \to E/F satisfaz ∣∣∣π∣∣∣≤1\vertiii\pi \leq 1 e leva a bola unitária aberta sobre a bola unitária aberta. (b) Mostre que E/FE/F é completo. (Use o critério de séries do Exercício 7.1(b): dadas classes xˉk\bar x_k com ∑∥xˉk∥<∞\sum\norm{\bar x_k} < \infty, levante cada uma a xk∈Ex_k \in E com ∥xk∥≤∥xˉk∥+2−k\norm{x_k} \leq \norm{\bar x_k} + 2^{-k} e some em EE.) (c) Calcule: para E=cE = c (sequências convergentes) e F=c0F = c_0, mostre que c/c0≅Kc/c_0 \cong K isometricamente, via xˉ↦lim⁡nxn\bar x \mapsto \lim_nx_n.

Solução

Solução de Exercício 8.11.

(a) Boa definição: d(x,F)d(x, F) depende apenas de xˉ\bar x (transladar xx por FF não muda a distância). A homogeneidade e a desigualdade triangular passam de ∥⋅∥\norm\cdot pelo ínfimo. A separação precisa que o subespaço seja fechado: ∥xˉ∥=0\norm{\bar x} = 0 significa d(x,F)=0d(x, F) = 0, isto é, x∈Fˉ=Fx \in \bar F = F, isto é, xˉ=0\bar x = 0. ∣∣∣π∣∣∣≤1\vertiii\pi \leq 1: ∥xˉ∥≤∥x∥\norm{\bar x} \leq \norm x. Bola aberta sobre bola aberta: se ∥xˉ∥<1\norm{\bar x} < 1, algum representante tem ∥x−y∥<1\norm{x - y} < 1; reciprocamente, π(BE(0,1))⊆BE/F(0,1)\pi(B_E(0,1)) \subseteq B_{E/F}(0,1) pela desigualdade entre normas — de modo que π\pi é aberta, o caso modelo do teorema da aplicação aberta.

(b) Seja ∑k∥xˉk∥<∞\sum_k\norm{\bar x_k} < \infty e levante com ∥xk∥≤∥xˉk∥+2−k\norm{x_k} \leq \norm{\bar x_k} + 2^{-k}: então ∑∥xk∥<∞\sum\norm{x_k} < \infty, de modo que s=∑kxks = \sum_kx_k converge no espaço de Banach EE (Exercício 7.1(b)), e a continuidade de π\pi dá ∑kxˉk=sˉ\sum_k\bar x_k = \bar s: toda série absolutamente convergente de E/FE/F converge, o que é equivalente à completude (mesmo exercício).

(c) A aplicação λ(x)=lim⁡nxn\lambda(x) = \lim_nx_n é linear c→Kc \to K, anula-se exatamente em c0c_0 e, portanto, induz uma bijeção linear c/c0→Kc/c_0 \to K. Isometria: d(x,c0)=∣λ(x)∣d(x, c_0) = \abs{\lambda(x)} — ≤\leq: subtraia de xx a sequência x−λ(x)1∈c0x - \lambda(x)\mathbf 1 \in c_0, deixando λ(x)1\lambda(x)\mathbf 1 de norma ∣λ(x)∣\abs{\lambda(x)}; ≥\geq: para y∈c0y \in c_0, ∥x−y∥∞≥lim sup⁡n∣xn−yn∣=∣λ(x)∣\norm{x - y}_\infty \geq \limsup_n\abs{x_n - y_n} = \abs{\lambda(x)}.

Exercício 8.12 ★★

(Projeções limitadas e subespaços complementados) Sejam EE um espaço de Banach e P ⁣:E→EP \colon E \to E linear com P2=PP^2 = P (uma projeção algébrica), V=im⁡PV = \operatorname{im}P, W=ker⁡PW = \ker P. (a) Suponha PP limitada. Mostre que VV e WW são fechados e que E=V⊕WE = V \oplus W, com a decomposição x=Px+(x−Px)x = Px + (x - Px). (b) Reciprocamente, suponha E=V⊕WE = V \oplus W com V,WV, W ambos fechados, e seja PP a projeção sobre VV ao longo de WW. Mostre que PP é limitada. (Gráfico fechado: se xn→xx_n \to x e Pxn→zPx_n \to z, então z∈Vz \in V, xn−Pxn→x−z∈Wx_n - Px_n \to x - z \in W, e a unicidade da decomposição identifica z=Pxz = Px.) (c) Deduza a equivalência: um subespaço VV admite projeção limitada se, e somente se, é fechado e tem complemento algébrico fechado — e note (sem demonstração) que existem subespaços fechados sem essa propriedade (c0c_0 dentro de ℓ∞\ell^\infty é o exemplo clássico): os espaços de Hilbert, em que V⊥V^\perp sempre funciona (Capítulo 13), são a exceção, não a regra.

Solução

Solução de Exercício 8.12.

(a) W=ker⁡PW = \ker P é fechado (pré-imagem de 00 por uma aplicação contínua); V=im⁡P=ker⁡(I−P)V = \operatorname{im}P = \ker(I - P) (de fato, Px=xPx = x se, e somente se, x∈im⁡Px \in \operatorname{im}P, usando P2=PP^2 = P), fechado do mesmo modo. Todo xx se reparte como Px+(x−Px)Px + (x - Px) com Px∈VPx \in V, x−Px∈Wx - Px \in W, e V∩W=0V \cap W = 0 (x=Px=0x = Px = 0): E=V⊕WE = V \oplus W.

(b) O argumento do gráfico: sejam xn→xx_n \to x e Pxn→zPx_n \to z. Então z∈Vz \in V (VV fechado, Pxn∈VPx_n \in V) e xn−Pxn→x−z∈Wx_n - Px_n \to x - z \in W (WW fechado). Logo x=z+(x−z)x = z + (x - z) com z∈Vz \in V, x−z∈Wx - z \in W; pela unicidade da decomposição, z=Pxz = Px. O gráfico de PP é fechado e EE é de Banach: PP é limitado (Teorema 8.14).

(c) (a) e (b) juntos são a equivalência. Num espaço de Hilbert, todo VV fechado tem o complemento fechado V⊥V^\perp (Capítulo 13): todo subespaço fechado é complementado. Em espaços de Banach gerais isso falha — c0c_0 não tem complemento fechado em ℓ∞\ell^\infty (teorema de Phillips, além de nossas ferramentas) —, de modo que projeções limitadas são um privilégio, e o teorema do gráfico fechado é exatamente o que converte decomposições geométricas em operadores limitados.

8.6 Problema: a dualidade dos espaços ℓp\ell^p

Problema 8.1

Problema de fim de semana — (ℓp)′=ℓq(\ell^p)' = \ell^q, reflexividade e a estranheza de ℓ∞\ell^\infty

Fixe 1<p<∞1 < p < \infty e seja qq o expoente conjugado, 1p+1q=1\frac1p + \frac1q = 1. O emparelhamento em todo o problema é ⟨x,y⟩=∑nxnyn\langle x, y\rangle = \sum_n x_ny_n.

Parte I — Hölder e Minkowski para sequências.

  1. (Desigualdade de Young) Para a,b≥0a, b \geq 0, mostre que ab≤app+bqqab \leq \frac{a^p}p + \frac{b^q}q, usando a concavidade de log⁡\log ou estudando t↦tpp+1q−tt \mapsto \frac{t^p}p + \frac1q - t.
  2. (Hölder) Deduza: ∣⟨x,y⟩∣≤∥x∥p∥y∥q\abs{\langle x, y\rangle} \leq \norm x_p\norm y_q para x∈ℓpx \in \ell^p, y∈ℓqy \in \ell^q; identifique o caso de igualdade.
  3. (Minkowski) Deduza a desigualdade triangular para ∥⋅∥p\norm\cdot_p. (Escreva ∣xn+yn∣p≤∣xn∣ ∣xn+yn∣p−1+∣yn∣ ∣xn+yn∣p−1\abs{x_n + y_n}^p \leq \abs{x_n}\,\abs{x_n{+}y_n}^{p-1} + \abs{y_n}\,\abs{x_n{+}y_n}^{p-1} e aplique Hölder a cada termo.)
  4. Demonstre que ℓp\ell^p é completo e que as sequências finitas são densas nele.

Parte II — A dualidade (ℓp)′=ℓq(\ell^p)' = \ell^q.

  1. Para y∈ℓqy \in \ell^q, mostre que Λy(x)=⟨x,y⟩\Lambda_y(x) = \langle x, y\rangle define Λy∈(ℓp)′\Lambda_y \in (\ell^p)' com ∥Λy∥≤∥y∥q\norm{\Lambda_y} \leq \norm y_q e, testando em xn=∣yn∣q−1sign⁡(yn)x_n = \abs{y_n}^{q-1}\operatorname{sign}(y_n) (convenientemente truncado e normalizado), que ∥Λy∥=∥y∥q\norm{\Lambda_y} = \norm y_q.
  2. Reciprocamente, dado Λ∈(ℓp)′\Lambda \in (\ell^p)', ponha yn=Λ(en)y_n = \Lambda(e_n); mostre que y∈ℓqy \in \ell^q com ∥y∥q≤∥Λ∥\norm y_q \leq \norm\Lambda (teste em truncamentos como na questão 5 e faça o comprimento do truncamento crescer), e conclua Λ=Λy\Lambda = \Lambda_y: a aplicação y↦Λyy \mapsto \Lambda_y é um isomorfismo isométrico ℓq→(ℓp)′\ell^q \to (\ell^p)'.
  3. Deduza que ℓp\ell^p é reflexivo para 1<p<∞1 < p < \infty: compondo as duas dualidades, todo elemento de (ℓp)′′(\ell^p)'' provém de ℓp\ell^p; verifique com cuidado que a composta é a aplicação canônica JJ.

Parte III — ℓ1\ell^1 e ℓ∞\ell^\infty são animais diferentes.

  1. Mostre que ℓp\ell^p (1≤p<∞1 \leq p < \infty) e c0c_0 são separáveis, mas ℓ∞\ell^\infty não é. (As não enumeráveis sequências indicadoras de subconjuntos de N\N estão duas a duas a distância 11.)
  2. Deduza do Exercício 8.10 que (ℓ1)′≅ℓ∞(\ell^1)' \cong \ell^\infty, mas (ℓ∞)′≇ℓ1(\ell^\infty)' \not\cong \ell^1: ℓ1\ell^1 não é reflexivo. (Se (ℓ∞)′(\ell^\infty)' fosse ℓ1\ell^1, ele seria separável, o que forçaria ℓ∞\ell^\infty separável.)
  3. (Um limite de Banach, explicitamente) Em ℓR∞\ell^\infty_\R, ponha p(x)=lim sup⁡nx1+⋯+xnnp(x) = \limsup_n \frac{x_1 + \dots + x_n}{n}. Mostre que pp é sublinear e que, no subespaço cc das sequências convergentes, LIM(x)=lim⁡x\mathrm{LIM}(x) = \lim x satisfaz LIM≤p\mathrm{LIM} \leq p. Estenda por Hahn–Banach a LIM ⁣:ℓR∞→R\mathrm{LIM} \colon \ell^\infty_\R \to \R e mostre: LIM\mathrm{LIM} é positivo (x≥0⇒LIM(x)≥0x \geq 0 \Rightarrow \mathrm{LIM}(x) \geq 0), invariante por deslocamento (LIM(x2,x3,… )=LIM(x)\mathrm{LIM}(x_2, x_3, \dots) = \mathrm{LIM}(x)), estende o limite e satisfaz lim inf⁡x≤LIM(x)≤lim sup⁡x\liminf x \leq \mathrm{LIM}(x)\leq \limsup x.
  4. Mostre que um tal LIM\mathrm{LIM}, visto em (ℓ∞)′(\ell^\infty)', não é da forma Λy\Lambda_y para nenhum y∈ℓ1y \in \ell^1; conclua de novo que (ℓ∞)′≠ℓ1(\ell^\infty)' \neq \ell^1. (Avalie nas sequências unitárias ene_n e, depois, na sequência constante 11.)
  5. Avalie LIM\mathrm{LIM} em (0,1,0,1,… )(0,1,0,1,\dots) e mostre que não pode existir extensão multiplicativa do limite que seja invariante por deslocamento (considere x=(0,1,0,1,… )x = (0,1,0,1,\dots) e x⋅Sxx\cdot Sx, em que SS é o deslocamento).

Parte IV — Epílogo: por que a reflexividade importa.

  1. Usando o Corolário 8.10 e a questão 6, mostre que toda sequência limitada de ℓp\ell^p (1<p<∞1 < p < \infty) tem uma subsequência (x(k))(x^{(k)}) que converge fracamente: Λ(x(k))\Lambda(x^{(k)}) converge para todo Λ∈(ℓp)′\Lambda \in (\ell^p)'. (Extração diagonal nas enumeráveis coordenadas; identifique o limite fraco em ℓp\ell^p usando a limitação uniforme das normas e Hölder.) Mostre com um exemplo (ene_n em ℓ1\ell^1, contra elementos bem escolhidos de ℓ∞\ell^\infty) que isso falha em ℓ1\ell^1: a compacidade fraca é um privilégio dos espaços reflexivos.

Parte V — A topologia fraca em ação, e a surpresa de Schur. Escreva x(k)⇀xx^{(k)} \rightharpoonup x em um espaço normado EE (convergência fraca) quando Λ(x(k))→Λ(x)\Lambda(x^{(k)}) \to \Lambda(x) para todo Λ∈E′\Lambda \in E'.

  1. Complete o censo: mostre que (c0)′≅ℓ1(c_0)' \cong \ell^1 isometricamente, pelo esquema das questões 5–6 (o que substitui as sequências de teste?). Monte a cadeia c0→ℓ1→ℓ∞→…c_0 \to \ell^1 \to \ell^\infty \to \dots de duais sucessivos e assinale onde a reflexividade falha.
  2. Mostre que toda sequência fracamente convergente de um espaço de Banach é limitada: veja os x(k)x^{(k)}, através do mergulho canônico JJ, como funcionais em E′E' e aplique Banach–Steinhaus (Teorema 8.9) — em qual espaço de Banach, e por que a completude está disponível ali?
  3. Mostre que, em ℓp\ell^p com 1<p<∞1 < p < \infty: x(k)⇀xx^{(k)} \rightharpoonup x se, e somente se, sup⁡k∥x(k)∥p<∞\sup_k\norm{x^{(k)}}_p < \infty e xn(k)→xnx^{(k)}_n \to x_n para toda coordenada nn (uma das implicações usa Banach–Steinhaus através do mergulho canônico; para a outra, aproxime y∈ℓqy \in \ell^q por sequências finitas). Deduza ek⇀0e_k \rightharpoonup 0 em ℓ2\ell^2, embora ∥ek∥2=1\norm{e_k}_2 = 1: os limites fracos podem perder massa.
  4. Mostre que a norma é fracamente semicontínua inferiormente: x(k)⇀xx^{(k)} \rightharpoonup x implica ∥x∥≤lim inf⁡k ∥x(k)∥\norm x \leq \liminf_k\,\norm{x^{(k)}} (tome um funcional que norme xx, Corolário 8.7).
  5. (Radon–Riesz em ℓ2\ell^2) Mostre que, em ℓ2\ell^2, a convergência fraca junto com a convergência das normas implica convergência em norma (expanda ∥x(k)−x∥22\norm{x^{(k)} - x}_2^2). Dê um contraexemplo para o mesmo enunciado sem a hipótese sobre as normas.
  6. (Schur, etapa 1) Seja x(k)⇀0x^{(k)} \rightharpoonup 0 em ℓ1\ell^1 e suponha, por absurdo, ∥x(k)∥1≥δ>0\norm{x^{(k)}}_1 \geq \delta > 0 ao longo de uma subsequência. Mostre primeiro que xn(k)→0x^{(k)}_n \to 0 para cada nn (quais funcionais?), e depois construa recursivamente índices k1<k2<⋯k_1 < k_2 < \cdots e inteiros 0=N0<N1<N2<⋯0 = N_0 < N_1 < N_2 < \cdots tais que a massa de x(kj)x^{(k_j)} se concentre no bloco Bj=(Nj−1, Nj]B_j = \intoc{N_{j-1}}{N_j}:

    ∑n∈Bj∣xn(kj)∣≥∥x(kj)∥1−δ10.\sum_{n \in B_j}\bigl|x^{(k_j)}_n\bigr| \geq \norm{x^{(k_j)}}_1 - \frac\delta{10} .
  7. (Schur, etapa 2) Defina y∈ℓ∞y \in \ell^\infty por yn=sign⁡(xn(kj))y_n = \operatorname{sign}\bigl(x^{(k_j)}_n\bigr) para n∈Bjn \in B_j. Mostre que ⟨x(kj),y⟩≥∥x(kj)∥1−2δ10≥8δ10\langle x^{(k_j)}, y\rangle \geq \norm{x^{(k_j)}}_1 - \frac{2\delta}{10} \geq \frac{8\delta}{10} e obtenha uma contradição com x(k)⇀0x^{(k)} \rightharpoonup 0. Conclua o teorema de Schur: em ℓ1\ell^1, as sequências fracamente convergentes convergem em norma.
  8. Deduza que (ek)(e_k) não tem subsequência fracamente convergente em ℓ1\ell^1 (seu único candidato a limite é 00, coordenada a coordenada — aplique então Schur), recuperando a falha de compacidade fraca da questão 13; e resolva o aparente paradoxo: em ℓ1\ell^1 as convergências fraca e em norma de sequências coincidem, e no entanto as topologias fraca e da norma diferem e os conjuntos limitados continuam a não ser fracamente sequencialmente compactos — não há contradição, apenas a falha da reflexividade.
  9. (Tabela de síntese) Para E∈{c0, ℓ1, ℓp (1<p<∞), ℓ∞}E \in \{c_0,\ \ell^1,\ \ell^p\ (1{<}p{<}\infty),\ \ell^\infty\}, tabule: o dual; a separabilidade; a reflexividade; se as sequências limitadas admitem subsequências fracamente convergentes; e uma propriedade característica de cada espaço, justificada em uma linha a partir deste problema.

Parte VI — Complementos: pontos mais próximos, convergência em média e o valor de um limite de Banach.

  1. (Pontos mais próximos: um dividendo da reflexividade) Sejam FF um subespaço fechado de ℓp\ell^p (1<p<∞1 < p < \infty) e x∈ℓpx \in \ell^p. Mostre que d=dist⁡(x,F)d = \operatorname{dist}(x, F) é atingida: extraia de uma sequência minimizante uma subsequência fracamente convergente (questão 13), mantenha o limite fraco dentro de FF construindo, via Hahn–Banach, um funcional que se anula em FF mas não em um ponto fora dele, e conclua com a questão 17. Mostre em seguida que o privilégio não é universal: em c0c_0, para Λ(x)=∑n2−nxn\Lambda(x) = \sum_n2^{-n}x_n, demonstre que ∥Λ∥=1\norm\Lambda = 1 não é atingida na bola unitária, estabeleça a fórmula de distância dist⁡(x,ker⁡Λ)=∣Λ(x)∣\operatorname{dist}(x, \ker\Lambda) = \abs{\Lambda(x)} e deduza que nenhum x∉ker⁡Λx \notin \ker\Lambda tem ponto mais próximo no hiperplano fechado ker⁡Λ\ker\Lambda.
  2. (Banach–Saks em ℓ2\ell^2) Seja x(k)⇀0x^{(k)} \rightharpoonup 0 em ℓR2\ell^2_{\R} com ∥x(k)∥2≤C\norm{x^{(k)}}_2 \leq C. Construa uma subsequência (yj)(y_j) com ∣⟨yi,yj⟩∣≤1j\abs{\langle y_i, y_j\rangle} \leq \frac1j para todos i<ji < j, e deduza

    ∥y1+⋯+ymm∥22≤C2+2m⟶0:\Bigl\lVert\frac{y_1 + \dots + y_m}m\Bigr\rVert_2^2 \leq \frac{C^2 + 2}m \longrightarrow 0 :

    após extração, as médias de Cesàro convergem em norma. Confira em (ek)(e_k), cujas médias têm norma 1m\frac1{\sqrt m}: a convergência fraca, inútil para a própria sequência (questão 16), torna-se convergência em norma para as médias.

  3. (O valor de um limite de Banach) Sejam LL um limite de Banach qualquer (questão 10) e Amx=1m(x+Sx+⋯+Sm−1x)A_mx = \frac1m(x + Sx + \dots + S^{m-1}x). Mostre que L(Amx)=L(x)L(A_mx) = L(x) e lim inf⁡Amx≤L(x)≤lim sup⁡Amx\liminf A_mx \leq L(x) \leq \limsup A_mx; deduza que todos os limites de Banach coincidem nas sequências periódicas, com valor a média sobre um período — 13\frac13 em (1,0,0,1,0,0,… )(1, 0, 0, 1, 0, 0, \dots), coerente com o 12\frac12 da questão 12. Mostre em seguida que a coincidência falha em geral: para a sequência em blocos xx igual a 11 em (3j−1, 3j]\intoc{3^{j-1}}{3^j} para jj par e a 00 nos demais índices, mostre que as médias de Cesàro oscilam entre ≤13\leq \frac13 e ≥23\geq \frac23, e construa dois limites de Banach L±L_\pm com L−(x)≤13<23≤L+(x)L_-(x) \leq \frac13 < \frac23 \leq L_+(x) (estenda a partir de c⊕Rxc \oplus \R x com os valores admissíveis extremos ±\pm: verifique que Λ(y+tx)=lim⁡y+t p(x)\Lambda(y + tx) = \lim y + t\,p(x) é dominado pelo pp sublinear da questão 10).
Solução

Solução de Problema 8.1.

1. Para a,b>0a, b > 0: pela concavidade de log⁡\log, log⁡(app+bqq)≥1plog⁡ap+1qlog⁡bq=log⁡(ab)\log\bigl(\tfrac{a^p}p + \tfrac{b^q}q\bigr) \geq \tfrac1p\log a^p + \tfrac1q\log b^q = \log(ab); exponencie. (Se ab=0ab = 0, a desigualdade é trivial.) Igualdade se, e somente se, ap=bqa^p = b^q.

2. Podemos supor ∥x∥p=∥y∥q=1\norm x_p = \norm y_q = 1 (homogeneidade; os casos nulos são triviais). Então

∣⟨x,y⟩∣≤∑n∣xn∣∣yn∣≤∑n(∣xn∣pp+∣yn∣qq)=1p+1q=1=∥x∥p∥y∥q.\abs{\langle x, y\rangle} \leq \sum_n\abs{x_n}\abs{y_n} \leq \sum_n\Bigl(\frac{\abs{x_n}^p}p + \frac{\abs{y_n}^q}q\Bigr) = \frac1p + \frac1q = 1 = \norm x_p\norm y_q .

A igualdade exige ∣xn∣p=∣yn∣q\abs{x_n}^p = \abs{y_n}^q para todo nn (caso de igualdade em Young) e o alinhamento das fases de xnynx_ny_n.

3. ∣xn+yn∣p≤(∣xn∣+∣yn∣)∣xn+yn∣p−1\abs{x_n + y_n}^p \leq \bigl(\abs{x_n} + \abs{y_n}\bigr)\abs{x_n + y_n}^{p-1}; somando e aplicando Hölder (pp contra qq, notando (p−1)q=p(p - 1)q = p):

∥x+y∥pp≤(∥x∥p+∥y∥p) (∑n∣xn+yn∣p)1/q=(∥x∥p+∥y∥p) ∥x+y∥pp/q;\norm{x + y}_p^p \leq \bigl(\norm x_p + \norm y_p\bigr)\,\Bigl(\sum_n\abs{x_n + y_n}^{p}\Bigr)^{1/q} = \bigl(\norm x_p + \norm y_p\bigr)\,\norm{x+y}_p^{p/q};

se ∥x+y∥p≠0\norm{x + y}_p \neq 0 (senão é trivial), divida por ∥x+y∥pp/q\norm{x+y}_p^{p/q} e use p−pq=1p - \frac pq = 1. (Finitude de ∥x+y∥p\norm{x+y}_p antes: ∣xn+yn∣p≤2p(∣xn∣p+∣yn∣p)\abs{x_n+y_n}^p \leq 2^p(\abs{x_n}^p + \abs{y_n}^p).)

4. Completude: como para ℓ1\ell^1 (Exercício 8.3), limites coordenada a coordenada mais a cota uniforme das caudas ∑n≤N∣xn(k)−xn(l)∣p≤εp\sum_{n\leq N}\abs{x^{(k)}_n - x^{(l)}_n}^p \leq \varepsilon^p, fazendo ll e depois NN tenderem ao infinito. Densidade das sequências finitas: ∥x−∑n≤Nxnen∥pp=∑n>N∣xn∣p→0\norm{x - \sum_{n\leq N}x_ne_n}_p^p = \sum_{n > N}\abs{x_n}^p \to 0.

5. Hölder dá ∣Λy(x)∣≤∥x∥p∥y∥q\abs{\Lambda_y(x)} \leq \norm x_p\norm y_q: ∥Λy∥≤∥y∥q\norm{\Lambda_y} \leq \norm y_q. Testando: seja xn(N)=∣yn∣q−1sign⁡‾(yn)x^{(N)}_n = \abs{y_n}^{q-1}\overline{\operatorname{sign}}(y_n) para n≤Nn \leq N, 00 além disso (com sign⁡\operatorname{sign} a fase unimodular, de modo que xnyn=∣yn∣qx_ny_n = \abs{y_n}^q). Então Λy(x(N))=∑n≤N∣yn∣q\Lambda_y(x^{(N)}) = \sum_{n\leq N}\abs{y_n}^q e ∥x(N)∥p=(∑n≤N∣yn∣q)1/p\norm{x^{(N)}}_p = \bigl(\sum_{n\leq N}\abs{y_n}^{q}\bigr)^{1/p} (pois (q−1)p=q(q-1)p = q), de modo que

∥Λy∥≥(∑n≤N∣yn∣q)1−1/p→N→∞∥y∥q.\norm{\Lambda_y} \geq \Bigl(\sum_{n\leq N}\abs{y_n}^q\Bigr)^{1 - 1/p} \xrightarrow[N\to\infty]{} \norm y_q .

6. Ponha yn=Λ(en)y_n = \Lambda(e_n). Com os mesmos vetores de teste, ∑n≤N∣yn∣q=Λ(x(N))≤∥Λ∥ (∑n≤N∣yn∣q)1/p\sum_{n \leq N}\abs{y_n}^q = \Lambda(x^{(N)}) \leq \norm\Lambda\,\bigl(\sum_{n\leq N}\abs{y_n}^q\bigr)^{1/p}, donde (∑n≤N∣yn∣q)1/q≤∥Λ∥\bigl(\sum_{n\leq N}\abs{y_n}^q\bigr)^{1/q} \leq \norm\Lambda para todo NN: y∈ℓqy \in \ell^q, ∥y∥q≤∥Λ∥\norm y_q \leq \norm\Lambda. Os funcionais Λ\Lambda e Λy\Lambda_y coincidem nas sequências finitas densas (questão 4): Λ=Λy\Lambda = \Lambda_y. Com a questão 5, y↦Λyy \mapsto \Lambda_y é um isomorfismo isométrico ℓq≅(ℓp)′\ell^q \cong (\ell^p)'.

7. Seja ξ∈(ℓp)′′\xi \in (\ell^p)''. Compondo com a isometria ℓq≅(ℓp)′\ell^q \cong (\ell^p)' da questão 6, ξ\xi define um elemento de (ℓq)′(\ell^q)', que (questão 6 com p,qp, q trocados) é Λz\Lambda_z para um único z∈ℓpz \in \ell^p: para todo y∈ℓqy \in \ell^q, ξ(Λy)=∑nznyn\xi(\Lambda_y) = \sum_nz_ny_n. Por outro lado, J(z)(Λy)=Λy(z)=∑nynznJ(z)(\Lambda_y) = \Lambda_y(z) = \sum_ny_nz_n: o mesmo valor. Como todo elemento de (ℓp)′(\ell^p)' é algum Λy\Lambda_y, ξ=J(z)\xi = J(z): JJ é sobrejetora — ℓp\ell^p é reflexivo.

8. As sequências finitas com entradas racionais (parte real e imaginária) são enumeráveis e densas em ℓp\ell^p (p<∞p < \infty) e em c0c_0. Em ℓ∞\ell^\infty: a família {1A:A⊆N}\{\mathbf 1_A : A \subseteq \N\} é não enumerável, com ∥1A−1B∥∞=1\norm{\mathbf 1_A - \mathbf 1_B}_\infty = 1 para A≠BA \neq B; as bolas B(1A,12)B(\mathbf 1_A, \frac12) são duas a duas disjuntas, e um conjunto denso deve encontrar cada uma: não existe conjunto denso enumerável.

9. Se ℓ1\ell^1 fosse reflexivo, então (ℓ∞)′≅((ℓ1)′)′=J(ℓ1)(\ell^\infty)' \cong ((\ell^1)')' = J(\ell^1) seria separável (imagem isométrica do separável ℓ1\ell^1); pelo Exercício 8.10, a separabilidade do dual (ℓ∞)′(\ell^\infty)' forçaria ℓ∞\ell^\infty separável — contradizendo a questão 8. Logo ℓ1\ell^1 não é reflexivo (e (ℓ∞)′(\ell^\infty)' é estritamente maior que ℓ1\ell^1, como a questão 11 torna concreto).

10. A homogeneidade de pp é clara; a subaditividade: as médias são lineares, e lim sup⁡(un+vn)≤lim sup⁡un+lim sup⁡vn\limsup(u_n + v_n) \leq \limsup u_n + \limsup v_n. Em cc: as médias de Cesàro de uma convergente convergem para seu limite, de modo que p(x)=lim⁡x=LIM(x)p(x) = \lim x = \mathrm{LIM}(x) ali; em particular, LIM≤p\mathrm{LIM} \leq p em cc. Hahn–Banach (Teorema 8.6) estende LIM\mathrm{LIM} a ℓR∞\ell^\infty_\R com LIM≤p\mathrm{LIM} \leq p globalmente. Positividade: para x≥0x \geq 0, −LIM(x)=LIM(−x)≤p(−x)=lim sup⁡meˊd(−x)≤0-\mathrm{LIM}(x) = \mathrm{LIM}(-x) \leq p(-x) = \limsup\text{méd}(-x) \leq 0. Invariância por deslocamento: as médias de x−Sxx - Sx telescopam em x1−xn+1n→0\frac{x_1 - x_{n+1}}n \to 0, de modo que p(±(x−Sx))=0p(\pm(x - Sx)) = 0 e LIM(x−Sx)=0\mathrm{LIM}(x - Sx) = 0. Cotas: LIM(x)≤p(x)≤lim sup⁡x\mathrm{LIM}(x) \leq p(x) \leq \limsup x (as médias ficam atrás dos supremos), e aplicar isso a −x-x dá a cota inferior.

11. en∈c0e_n \in c_0, de modo que LIM(en)=0\mathrm{LIM}(e_n) = 0 para todo nn. Se LIM=Λy\mathrm{LIM} = \Lambda_y com y∈ℓ1y \in \ell^1, então yn=Λy(en)=0y_n = \Lambda_y(e_n) = 0 para todo nn: Λy=0\Lambda_y = 0; mas LIM(1)=1\mathrm{LIM}(\mathbf 1) = 1. Logo LIM∈(ℓ∞)′∖{Λy:y∈ℓ1}\mathrm{LIM} \in (\ell^\infty)' \setminus \{\Lambda_y : y \in \ell^1\}: (ℓ∞)′≠ℓ1(\ell^\infty)' \neq \ell^1, de novo.

12. Para x=(0,1,0,1,… )x = (0,1,0,1,\dots): x+Sx=1x + Sx = \mathbf 1, de modo que 2 LIM(x)=LIM(x)+LIM(Sx)=12\,\mathrm{LIM}(x) = \mathrm{LIM}(x) + \mathrm{LIM}(Sx) = 1: LIM(x)=12\mathrm{LIM}(x) = \frac12. Se φ\varphi fosse uma extensão multiplicativa e invariante por deslocamento do limite: x⋅Sx=0x\cdot Sx = 0 dá φ(x)φ(Sx)=φ(x)2=0\varphi(x)\varphi(Sx) = \varphi(x)^2 = 0, de modo que φ(x)=0\varphi(x) = 0; mas φ(x)+φ(Sx)=φ(1)=1\varphi(x) + \varphi(Sx) = \varphi(\mathbf 1) = 1 dá 2φ(x)=12\varphi(x) = 1: contradição. Média e multiplicação não podem coexistir.

13. Seja ∥x(k)∥p≤M\norm{x^{(k)}}_p \leq M. As coordenadas são limitadas por MM: uma extração diagonal dá uma subsequência (ainda escrita x(k)x^{(k)}) com xn(k)→xnx^{(k)}_n \to x_n para todo nn. Então x∈ℓpx \in \ell^p: ∑n≤N∣xn∣p=lim⁡k∑n≤N∣xn(k)∣p≤Mp\sum_{n\leq N}\abs{x_n}^p = \lim_k\sum_{n\leq N}\abs{x^{(k)}_n}^p \leq M^p para todo NN. Convergência fraca: para y∈ℓqy \in \ell^q e NN arbitrário,

∣Λy(x(k)−x)∣≤∣∑n≤N(xn(k)−xn)yn∣+2M(∑n>N∣yn∣q)1/q,\abs{\Lambda_y(x^{(k)} - x)} \leq \Bigl|\sum_{n \leq N}(x^{(k)}_n - x_n)y_n\Bigr| + 2M\Bigl(\sum_{n>N}\abs{y_n}^q\Bigr)^{1/q},

em que o primeiro termo tende a 00 quando k→∞k \to \infty (finitas coordenadas) e o segundo é pequeno para NN grande (Hölder na cauda): Λy(x(k))→Λy(x)\Lambda_y(x^{(k)}) \to \Lambda_y(x) para todo yy — convergência fraca, já que todo funcional é um Λy\Lambda_y (questão 6). Em ℓ1\ell^1 isso falha: considere (en)(e_n), limitada. Toda subsequência (enk)(e_{n_k}) converge coordenada a coordenada para 00, de modo que seu único candidato a limite fraco é 00; mas, testando contra y∈ℓ∞y \in \ell^\infty definida por ynk=(−1)ky_{n_k} = (-1)^k (e 00 nas demais), Λy(enk)=(−1)k\Lambda_y(e_{n_k}) = (-1)^k diverge. Nenhuma subsequência fracamente convergente: a compacidade sequencial fraca das bolas caracteriza o mundo reflexivo.

14. Para y∈ℓ1y \in \ell^1, Λy(x)=∑xnyn\Lambda_y(x) = \sum x_ny_n está definida em c0c_0 com ∣Λy(x)∣≤∥x∥∞∥y∥1\abs{\Lambda_y(x)} \leq \norm x_\infty\norm y_1, e testar em x(N)=(sign⁡y1,…,sign⁡yN,0,… )∈c0x^{(N)} = (\operatorname{sign}y_1, \dots, \operatorname{sign}y_N, 0, \dots) \in c_0 dá Λy(x(N))=∑n≤N∣yn∣→∥y∥1\Lambda_y(x^{(N)}) = \sum_{n\leq N}\abs{y_n} \to \norm y_1: ∥Λy∥=∥y∥1\norm{\Lambda_y} = \norm y_1. Reciprocamente, para Λ∈(c0)′\Lambda \in (c_0)' ponha yn=Λ(en)y_n = \Lambda(e_n); os mesmos testes dão ∑n≤N∣yn∣=Λ(x(N))≤∥Λ∥\sum_{n \leq N}\abs{y_n} = \Lambda(x^{(N)}) \leq \norm\Lambda, de modo que y∈ℓ1y \in \ell^1, e Λ=Λy\Lambda = \Lambda_y nas sequências finitas densas, logo em toda parte. A cadeia dos duais: (c0)′=ℓ1(c_0)' = \ell^1, (ℓ1)′=ℓ∞(\ell^1)' = \ell^\infty (Exercício 8.10), (ℓ∞)′⊋ℓ1(\ell^\infty)' \supsetneq \ell^1 (questões 9–11): a reflexividade falha logo no primeiro passo — c0′′=ℓ∞≠c0c_0'' = \ell^\infty \neq c_0 — e nunca se recupera.

15. Jx(k)∈E′′=(E′)′J x^{(k)} \in E'' = (E')' é uma família de funcionais limitados no espaço de Banach E′E' (duais são completos, Proposição 8.2); para cada Λ∈E′\Lambda \in E', a sequência Jx(k)(Λ)=Λ(x(k))Jx^{(k)}(\Lambda) = \Lambda(x^{(k)}) converge, logo é limitada. Banach–Steinhaus em E′E' dá sup⁡k∥Jx(k)∥<∞\sup_k\norm{Jx^{(k)}} < \infty, e JJ é isométrica (Observação 8.8): sup⁡k∥x(k)∥<∞\sup_k\norm{x^{(k)}} < \infty.

16. (⇒\Rightarrow) A limitação é a questão 15; as coordenadas são os funcionais Λen\Lambda_{e_n}. (⇐\Leftarrow) Sejam M=sup⁡k∥x(k)∥pM = \sup_k\norm{x^{(k)}}_p, y∈ℓqy \in \ell^q, ε>0\varepsilon > 0; escolha NN com (∑n>N∣yn∣q)1/q<ε\bigl(\sum_{n>N}\abs{y_n}^q\bigr)^{1/q} < \varepsilon. Então

∣Λy(x(k)−x)∣≤∑n≤N∣xn(k)−xn∣ ∣yn∣+∥x(k)−x∥p ε≤∑n≤N∣xn(k)−xn∣∣yn∣+(M+∥x∥p) ε,\abs{\Lambda_y(x^{(k)} - x)} \leq \sum_{n\leq N}\abs{x^{(k)}_n - x_n}\,\abs{y_n} + \norm{x^{(k)} - x}_p\,\varepsilon \leq \sum_{n\leq N}\abs{x^{(k)}_n - x_n}\abs{y_n} + (M + \norm x_p)\,\varepsilon,

e a soma finita tende a 00: lim sup⁡≤(M+∥x∥p)ε\limsup \leq (M + \norm x_p)\varepsilon para todo ε\varepsilon. (Que x∈ℓpx \in \ell^p com ∥x∥p≤M\norm x_p \leq M decorre de cotas de seções finitas ao estilo de Fatou: ∑n≤N∣xn∣p=lim⁡k∑n≤N∣xn(k)∣p≤Mp\sum_{n \leq N}\abs{x_n}^p = \lim_k\sum_{n\leq N}\abs{x^{(k)}_n}^p \leq M^p.) Para eke_k em ℓ2\ell^2: limitada, coordenada a coordenada →0\to 0, de modo que ek⇀0e_k \rightharpoonup 0, mas ∥ek∥=1\norm{e_k} = 1: a unidade de massa escapa para índices infinitos, invisível a todo funcional fixo.

17. Tome Λ\Lambda com ∥Λ∥=1\norm\Lambda = 1 e Λ(x)=∥x∥\Lambda(x) = \norm x (Corolário 8.7). Então ∥x∥=lim⁡Λ(x(k))≤lim inf⁡∥Λ∥ ∥x(k)∥=lim inf⁡∥x(k)∥\norm x = \lim\Lambda(x^{(k)}) \leq \liminf\norm\Lambda\,\norm{x^{(k)}} = \liminf\norm{x^{(k)}}. (Com ek⇀0e_k \rightharpoonup 0: 0≤lim inf⁡10 \leq \liminf 1, e a desigualdade pode ser estrita.)

18. Em ℓ2\ell^2, ∥x(k)−x∥22=∥x(k)∥22−2Re⁡⟨x(k),x⟩+∥x∥22\norm{x^{(k)} - x}_2^2 = \norm{x^{(k)}}_2^2 - 2\operatorname{Re}\langle x^{(k)}, x\rangle + \norm x_2^2 (caso real: −2⟨x(k),x⟩-2\langle x^{(k)}, x\rangle). A convergência fraca aplicada ao funcional Λx\Lambda_x dá ⟨x(k),x⟩→∥x∥22\langle x^{(k)}, x\rangle \to \norm x_2^2, e as normas convergem por hipótese: o membro direito tende a ∥x∥2−2∥x∥2+∥x∥2=0\norm x^2 - 2\norm x^2 + \norm x^2 = 0. Contraexemplo sem convergência das normas: ek⇀0e_k \rightharpoonup 0, ∥ek−0∥=1↛0\norm{e_k - 0} = 1 \not\to 0.

19. Convergência das coordenadas: aplique os funcionais Λen∈(ℓ1)′=ℓ∞\Lambda_{e_n} \in (\ell^1)' = \ell^\infty (y=eny = e_n). Construção: tendo escolhido kj−1,Nj−1k_{j-1}, N_{j-1}, tome kj>kj−1k_j > k_{j-1} tão grande que ∑n≤Nj−1∣xn(kj)∣<δ20\sum_{n \leq N_{j-1}}\abs{x^{(k_j)}_n} < \frac\delta{20} (finitas coordenadas, cada uma →0\to 0), e depois Nj>Nj−1N_j > N_{j-1} tão grande que a cauda satisfaça ∑n>Nj∣xn(kj)∣<δ20\sum_{n > N_j}\abs{x^{(k_j)}_n} < \frac\delta{20} (convergência da série que define ∥x(kj)∥1\norm{x^{(k_j)}}_1). O bloco Bj=(Nj−1, Nj]B_j = \intoc{N_{j-1}}{N_j} carrega então tudo, salvo δ10\frac\delta{10}, da massa de x(kj)x^{(k_j)}.

20. Com yy como definida (∣yn∣≤1\abs{y_n} \leq 1 em toda parte):

⟨x(kj),y⟩=∑n∈Bj∣xn(kj)∣+∑n∉Bjxn(kj)yn≥(∥x(kj)∥1−δ10)−δ10≥δ−2δ10=4δ5>0,\langle x^{(k_j)}, y\rangle = \sum_{n \in B_j}\abs{x^{(k_j)}_n} + \sum_{n \notin B_j}x^{(k_j)}_ny_n \geq \Bigl(\norm{x^{(k_j)}}_1 - \frac\delta{10}\Bigr) - \frac\delta{10} \geq \delta - \frac{2\delta}{10} = \frac{4\delta}5 > 0,

a desigualdade do meio porque a massa fora do bloco é no máximo δ10\frac\delta{10} (questão 19). Mas y∈ℓ∞=(ℓ1)′y \in \ell^\infty = (\ell^1)' e x(k)⇀0x^{(k)} \rightharpoonup 0 forçam ⟨x(kj),y⟩→0\langle x^{(k_j)}, y\rangle \to 0: contradição. Logo as sequências fracamente nulas de ℓ1\ell^1 são nulas em norma e, por translação, as fracamente convergentes convergem em norma: o teorema de Schur.

21. Uma subsequência fracamente convergente de (ek)(e_k) teria limite 00 (coordenadas), logo, por Schur, ∥ekj∥1→0\norm{e_{k_j}}_1 \to 0 — mas as normas valem 11. Assim, não existe subsequência fracamente convergente, como se viu à mão na questão 13. Nenhum paradoxo: Schur diz que as sequências não conseguem distinguir a topologia fraca da topologia da norma em ℓ1\ell^1 (as topologias, essas, diferem — vizinhanças fracas nunca são limitadas em norma), e a compacidade sequencial fraca da bola unitária é uma propriedade diferente, mais forte, equivalente à reflexividade (Eberlein–Šmulian, além de nossas ferramentas; a falha, ao menos, nós demonstramos).

22. O censo.

EEE′E'sep.refl.bolas fraca. seq. cpt.
c0c_0ℓ1\ell^1simnãonão (e1+…+eke_1{+}\dots{+}e_k)
ℓ1\ell^1ℓ∞\ell^\inftysimnãonão (eke_k, q. 21)
ℓp\ell^pℓq\ell^qsimsimsim (q. 13)
ℓ∞\ell^\infty⊋ℓ1\supsetneq\ell^1nãonãonão

Assinaturas: c0c_0 — seu bidual é ℓ∞\ell^\infty: o primeiro passo não reflexivo (questão 14); ℓ1\ell^1 — a propriedade de Schur (questão 20); ℓp\ell^p — reflexividade e compacidade fraca (questões 7 e 13); ℓ∞\ell^\infty — não separabilidade e limites de Banach: funcionais que sequência alguma representa (questões 8 e 10–11). Uma família de espaços, quatro mundos diferentes.

23. Seja (fk)⊆F(f_k) \subseteq F com ∥x−fk∥→d\norm{x - f_k} \to d. Então ∥fk∥≤∥x∥+sup⁡k∥x−fk∥\norm{f_k} \leq \norm x + \sup_k\norm{x - f_k}: limitada, de modo que, pela questão 13, uma subsequência fkj⇀ff_{k_j} \rightharpoonup f. Se f∉Ff \notin F, então δ=dist⁡(f,F)>0\delta = \operatorname{dist}(f, F) > 0 (FF fechado); em F⊕RfF \oplus \R f, a forma linear λ(g+tf)=t\lambda(g + tf) = t satisfaz ∣λ(u)∣≤∥u∥/δ\abs{\lambda(u)} \leq \norm u/\delta (pois ∥g+tf∥≥∣t∣ δ\norm{g + tf} \geq \abs t\,\delta), e Hahn–Banach a estende a Λ∈(ℓp)′\Lambda \in (\ell^p)' com Λ↾F=0\Lambda\restriction_F = 0, Λ(f)=1\Lambda(f) = 1; mas então 0=Λ(fkj)→Λ(f)=10 = \Lambda(f_{k_j}) \to \Lambda(f) = 1: contradição. Logo f∈Ff \in F, e x−fkj⇀x−fx - f_{k_j} \rightharpoonup x - f dá, pela questão 17,

d≤∥x−f∥≤lim inf⁡j ∥x−fkj∥=d:d \leq \norm{x - f} \leq \liminf_j\,\norm{x - f_{k_j}} = d :

a distância é atingida em ff. Em c0c_0: ∣Λ(x)∣≤∑n2−n∣xn∣<∥x∥∞\abs{\Lambda(x)} \leq \sum_n2^{-n}\abs{x_n} < \norm x_\infty para todo x≠0x \neq 0 (uma sequência nula não nula não pode satisfazer ∣xn∣=∥x∥∞\abs{x_n} = \norm x_\infty para todo nn), ao passo que as truncadas (1,…,1,0,… )(1, \dots, 1, 0, \dots) dão Λ=1−2−N→1\Lambda = 1 - 2^{-N} \to 1: logo ∥Λ∥=1\norm\Lambda = 1, nunca atingido. Fórmula da distância: para f∈ker⁡Λf \in \ker\Lambda, ∣Λ(x)∣=∣Λ(x−f)∣≤∥x−f∥\abs{\Lambda(x)} = \abs{\Lambda(x - f)} \leq \norm{x - f}, de modo que dist⁡(x,ker⁡Λ)≥∣Λ(x)∣\operatorname{dist}(x, \ker\Lambda) \geq \abs{\Lambda(x)}; reciprocamente, para uu na bola unitária com Λ(u)≥1−ε\Lambda(u) \geq 1 - \varepsilon, o vetor f=x−Λ(x)Λ(u)uf = x - \frac{\Lambda(x)}{\Lambda(u)}u está em ker⁡Λ\ker\Lambda com ∥x−f∥≤∣Λ(x)∣1−ε\norm{x - f} \leq \frac{\abs{\Lambda(x)}}{1 - \varepsilon}: igualdade. Se algum f∈ker⁡Λf \in \ker\Lambda a atingisse, z=x−fz = x - f satisfaria ∣Λ(z)∣=∣Λ(x)∣=∥z∥≠0\abs{\Lambda(z)} = \abs{\Lambda(x)} = \norm z \neq 0, de modo que Λ\Lambda atingiria sua norma em z/∥z∥z/\norm z: impossível. Um hiperplano fechado de c0c_0 sem pontos mais próximos em lugar algum — a reflexividade não era decorativa.

24. Ponha y1=x(1)y_1 = x^{(1)}. Dado y1,…,yjy_1, \dots, y_j, cada aplicação k↦⟨yi,x(k)⟩k \mapsto \langle y_i, x^{(k)}\rangle tende a 00 (yi∈ℓ2=(ℓ2)′y_i \in \ell^2 = (\ell^2)'), de modo que existe kj+1k_{j+1} além do índice anterior com ∣⟨yi,x(kj+1)⟩∣≤1j+1\abs{\langle y_i, x^{(k_{j+1})}\rangle} \leq \frac1{j+1} para i=1,…,ji = 1, \dots, j; chame a escolha de yj+1y_{j+1}. Então

∥∑j=1myj∥22=∑j=1m∥yj∥22+2∑j=2m∑i<j⟨yi,yj⟩≤mC2+2∑j=2mj−1j≤mC2+2m,\Bigl\lVert\sum_{j=1}^my_j\Bigr\rVert_2^2 = \sum_{j=1}^m\norm{y_j}_2^2 + 2\sum_{j=2}^m\sum_{i<j}\langle y_i, y_j\rangle \leq mC^2 + 2\sum_{j=2}^m\frac{j-1}j \leq mC^2 + 2m,

e, dividindo por m2m^2: ∥1m∑jyj∥22≤C2+2m→0\norm{\frac1m\sum_jy_j}_2^2 \leq \frac{C^2 + 2}m \to 0. (Para um limite fraco x≠0x \neq 0, aplique isso a x(k)−xx^{(k)} - x.) Na base ortonormal (ek)(e_k) nem sequer é preciso extrair: ∥1m(e1+⋯+em)∥2=mm=1m\norm{\frac1m(e_1 + \dots + e_m)}_2 = \frac{\sqrt m}m = \frac1{\sqrt m}. As médias convertem convergência fraca em convergência em norma: a propriedade de Banach–Saks de ℓ2\ell^2.

25. Amx=1m∑i=0m−1SixA_mx = \frac1m\sum_{i=0}^{m-1}S^ix, de modo que a linearidade e a invariância por deslocamento dão L(Amx)=L(x)L(A_mx) = L(x). Para qualquer uu limitada e ε>0\varepsilon > 0, tome NN com un≤lim sup⁡u+εu_n \leq \limsup u + \varepsilon para n≥Nn \geq N; a positividade aplicada a (lim sup⁡u+ε)1−SNu≥0(\limsup u + \varepsilon)\mathbf 1 - S^Nu \geq 0 e L(SNu)=L(u)L(S^Nu) = L(u) dá L(u)≤lim sup⁡u+εL(u) \leq \limsup u + \varepsilon e, simetricamente, L(u)≥lim inf⁡u−εL(u) \geq \liminf u - \varepsilon: logo lim inf⁡Amx≤L(x)≤lim sup⁡Amx\liminf A_mx \leq L(x) \leq \limsup A_mx para todo mm. Se xx é TT-periódica, ATxA_Tx é a sequência constante igual à média do período μ\mu: L(x)=μL(x) = \mu para todo limite de Banach — 13\frac13 em (1,0,0,… )(1,0,0,\dots), 12\frac12 em (0,1,0,1,… )(0,1,0,1,\dots), como na questão 12. Para a sequência de blocos: em N=3jN = 3^j com jj par, o último bloco é só de uns, de modo que a média de Cesàro vale ≥3j−3j−13j=23\geq \frac{3^j - 3^{j-1}}{3^j} = \frac23; em N=3jN = 3^j com jj ímpar, todos os uns estão em (0, 3j−1]\intoc0 {3^{j-1}}, de modo que a média vale ≤13\leq \frac13. Logo p(x)≥23p(x) \geq \frac23 e −p(−x)=lim inf⁡nx1+⋯+xnn≤13-p(-x) = \liminf_n\frac{x_1 + \dots + x_n}n \leq \frac13. Em M=c⊕RxM = c \oplus \R x, defina Λ+(y+tx)=lim⁡y+t p(x)\Lambda_+(y + tx) = \lim y + t\,p(x). Dominação por pp: para t>0t > 0, a sublinearidade dá p(tx)≤p(y+tx)+p(−y)p(tx) \leq p(y + tx) + p(-y), isto é, p(y+tx)≥t p(x)+lim⁡yp(y + tx) \geq t\,p(x) + \lim y (note p(±y)=±lim⁡yp(\pm y) = \pm\lim y para y∈cy \in c: as médias de Cesàro de uma convergente convergem para seu limite); para t=−s<0t = -s < 0, p(y)≤p(y−sx)+p(sx)p(y) \leq p(y - sx) + p(sx) dá p(y−sx)≥lim⁡y−s p(x)p(y - sx) \geq \lim y - s\,p(x); para t=0t = 0 há igualdade. Logo Λ+≤p\Lambda_+ \leq p em MM, e Hahn–Banach o estende a L+≤pL_+ \leq p em ℓR∞\ell^\infty_\R, que é um limite de Banach exatamente como na questão 10 (a dominação por pp fornece a positividade, a invariância por deslocamento e o valor lim⁡\lim em cc), com L+(x)=p(x)≥23L_+(x) = p(x) \geq \frac23. O mesmo cálculo com Λ−(y+tx)=lim⁡y−t p(−x)\Lambda_-(y + tx) = \lim y - t\,p(-x) (usando p(−sx)≤p(y−sx)+p(−y)p(-sx) \leq p(y - sx) + p(-y) para o caso t=−s<0t = -s < 0) fornece um limite de Banach L−L_- com L−(x)=−p(−x)≤13L_-(x) = -p(-x) \leq \frac13. Dois limites de Banach, uma sequência, dois valores: fora do mundo periódico (e, mais geralmente, quase convergente), um limite de Banach é uma escolha genuína.

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