Biologia universitária — 2.º ano · Bachelor Year 2
18Regulação da pressão arterial e exercício
Levante-se depressa depois de estar deitado e, por um segundo, meio litro de sangue escoa para as veias das pernas; o coração, recebendo menos, bombeia menos, a pressão na cabeça cai, e o encéfalo — que fica acima do coração e não consegue armazenar oxigênio — está a um ou dois segundos de desmaiar. Isso quase nunca acontece, porque, em um único batimento, um reflexo contraiu as arteríolas e acelerou o coração. Corra atrás de um ônibus, e os músculos precisam de dez vezes o sangue que tinham em repouso; eles o recebem em um minuto, e a pressão que o impulsiona se mantém estável enquanto a resistência do corpo inteiro cai dois terços. Este capítulo trata dessa regulação: o que fixa a pressão, como ela é percebida, o reflexo rápido e os hormônios lentos que a corrigem, e como o sistema é reorganizado, e não sobrepujado, pelo exercício.
18.1 O que é a pressão
Teorema 18.1 (A equação da circulação)
A pressão arterial média é o produto do que o coração introduz pelo que os vasos deixam sair:
em que é o débito cardíaco (frequência cardíaca vezes volume sistólico ), a resistência periférica total — as arteríolas de todos os órgãos em paralelo — e a pressão venosa, próxima de zero. Em repouso, dá . Toda regulação da pressão age sobre uma de três grandezas: a frequência, o volume sistólico (por meio do enchimento e da contratilidade do Capítulo 17) ou a resistência (por meio do raio arteriolar, na quarta potência). Como os órgãos estão em paralelo, o fluxo para cada um é sua parcela da pressão dividida por sua própria resistência: dilatar as arteríolas de um órgão aumenta seu fluxo sem mudar o dos outros, desde que a pressão seja mantida — e manter a pressão é a razão de ser da regulação.
Demonstração. A lei de Ohm para um fluido: o fluxo através de uma resistência é a queda de pressão através dela dividida pela resistência (Poiseuille, Capítulo 16); para resistências em paralelo, os fluxos se somam e . A pressão média ao longo de um batimento é aproximadamente a diastólica mais um terço da pressão de pulso: . ∎
Proposição 18.2 (Por que a pressão precisa ser regulada)
Baixa demais, e o encéfalo — acima do coração num adulto de pé, o que custa de coluna hidrostática — e o próprio músculo cardíaco ficam mal irrigados: o encéfalo falha em segundos. Alta demais, e os vasos são danificados: a parede arterial se espessa e enrijece, os glomérulos do rim cicatrizam, a retina sangra e o coração trabalha contra a pressão até entrar em insuficiência. A pressão também precisa permanecer estável enquanto as demandas dos órgãos mudam em uma ordem de grandeza — o intestino após uma refeição, os músculos no exercício, a pele no calor — e enquanto o próprio volume sanguíneo se perde numa hemorragia ou no suor. Dois sistemas fazem isso: um reflexo nervoso que age, em um batimento, sobre a frequência, o volume sistólico e a resistência, e sistemas hormonais que agem, ao longo de horas e dias, sobre a resistência e, sobretudo, sobre o volume sanguíneo, por meio do rim.
18.2 A alça rápida: o barorreflexo
Definição 18.3 (O barorreflexo)
Receptores de estiramento nas paredes dos seios carotídeos (na bifurcação de cada artéria carótida, abaixo da mandíbula) e do arco aórtico — os barorreceptores — disparam a uma frequência que aumenta com a pressão que os distende, mais depressa quando a pressão está subindo. Seus nervos chegam aos centros cardiovasculares do bulbo, que controlam os dois ramos da eferência autônoma: o vago, cuja acetilcolina desacelera o nó sinoatrial, e os nervos simpáticos, cuja noradrenalina acelera o nó, fortalece o ventrículo, contrai as arteríolas (elevando ) e contrai as veias (empurrando o sangue armazenado em direção ao coração e aumentando o enchimento). Uma elevação da pressão aumenta os disparos dos barorreceptores, o que excita o vago e inibe a eferência simpática: a frequência cai, as arteríolas relaxam, a pressão baixa. Uma queda faz o inverso. A alça é uma retroalimentação negativa com um valor de referência perto de , um atraso de cerca de um segundo e um ganho tal que uma perturbação é corrigida até um quinto de seu tamanho: é a razão pela qual você não desmaia ao se levantar.
Evidências. Hering (1923) verificou que pressionar o seio carotídeo desacelerava o coração e baixava a pressão, e que seccionar o nervo do seio abolia a resposta. Perfundir um seio carotídeo isolado a pressões fixas enquanto se registrava a pressão arterial do animal deu a curva sigmoide do reflexo: a pressão do animal cai à medida que a pressão no seio é elevada, de modo acentuado em torno de e pouco fora de . Cães com os nervos do seio e da aorta seccionados mantêm uma pressão média normal ao longo de dias, mas extremamente variável de um minuto para outro — o reflexo é um amortecedor, e não o que fixa o nível de longo prazo. ∎
Teorema 18.4 (O ganho de uma alça de retroalimentação negativa)
Se uma perturbação mudaria a pressão, sem regulação, em , e a alça responde a qualquer desvio com uma correção de (o ganho de alça aberta ), o desvio que resta depois que a alça agiu é
O barorreflexo tem : levantar-se, o que baixaria a pressão no coração em cerca de , a baixa em ; uma hemorragia que reduziria a pressão à metade a baixa em um décimo — até que a perda ultrapasse o que vasos mais contraídos e um coração mais rápido conseguem disfarçar. O reflexo não abole uma perturbação; ele a divide por cinco. E ele se reajusta: mantidos numa nova pressão durante horas, os barorreceptores se adaptam e defendem o novo nível, e é por isso que o reflexo não consegue curar a hipertensão e que o nível de longo prazo é fixado em outro lugar.
Demonstração. O desvio final é a perturbação mais a correção: , donde . Com , . ∎
18.3 As alças lentas: os hormônios e o rim
Proposição 18.5 (Renina, angiotensina, aldosterona e o volume)
Ao longo de horas e dias, a pressão é fixada pelo volume sanguíneo, e o volume, pelo rim. Quando a pressão ou o sódio que chega ao rim cai, ou quando os nervos simpáticos disparam, células das arteríolas do rim liberam no sangue a enzima renina; a renina corta uma proteína plasmática em angiotensina I, que uma enzima dos capilares pulmonares converte em angiotensina II — o mais potente vasoconstritor do corpo, que eleva em minutos, e um hormônio que faz o córtex suprarrenal secretar aldosterona, a qual faz o rim reter sódio, e com ele água, nos dias seguintes. O hormônio antidiurético da hipófise (vasopressina), liberado quando o sangue fica concentrado ou seu volume cai, faz o rim reter água diretamente e também contrai os vasos. E, quando os átrios são distendidos demais por um volume excessivo, eles secretam peptídeo natriurético, que faz o rim excretar sódio e água. O rim é, assim, o árbitro final: ele pode excretar ou reter litros, e uma pressão que persiste acima do valor de referência do rim é corrigida, ao longo de dias, pela perda de volume — a menos que o próprio valor de referência do rim esteja elevado, e é isso que é a maior parte das hipertensões. (A maquinaria própria do rim é o assunto do volume do Ano 3.)
Evidências. Goldblatt (1934) estreitou a artéria de um dos rins de um cão: o animal se tornou hipertenso em poucos dias e assim permaneceu; verificou-se que o rim mal irrigado liberava renina, e sua remoção curava o animal. Os fármacos que bloqueiam a conversão da angiotensina (inibidores da ECA) ou seu receptor baixam a pressão da maioria dos hipertensos, e um rim transplantado de uma linhagem de ratos hipertensos torna hipertenso um receptor normal. ∎
Exemplo 18.6 (Uma hemorragia)
Um doador dá , um décimo do sangue. Em segundos, o barorreflexo contrai as arteríolas e as veias e acelera o coração: a pressão quase não se altera, a pele fica pálida e fria (suas arteríolas se fecharam), o pulso fica mais rápido. Em minutos, a pressão capilar reduzida deixa o líquido intersticial passar para os vasos (o equilíbrio de Starling do Capítulo 16), restaurando metade do volume até a hora seguinte; a renina, a angiotensina e o hormônio antidiurético reduzem a urina a um fio, e vem a sede; ao longo de dias, o rim retém sal e água e o volume plasmático se recompõe, e ao longo de semanas a medula óssea repõe as hemácias. Uma perda de supera tudo isso: o reflexo fica saturado, a pressão desaba, os tecidos mal irrigados liberam lactato e os capilares vazam — é o choque, do qual só uma transfusão tira o paciente.
18.4 O exercício: o sistema reorganizado
Proposição 18.7 (O exercício)
No exercício intenso, o consumo de oxigênio dos músculos esqueléticos aumenta vinte vezes, e seu fluxo sanguíneo passa de a . Três coisas acontecem ao mesmo tempo. Localmente, os metabólitos do músculo em atividade — , lactato, adenosina, potássio, calor, pouco oxigênio — relaxam suas arteríolas (vasodilatação metabólica) e abrem os capilares, reduzindo a resistência do músculo a um décimo. Centralmente, um comando do córtex motor para o bulbo, reforçado por sinais dos próprios receptores musculares, reajusta o barorreflexo para um valor de referência mais alto e ativa a eferência simpática: frequência a 180, contratilidade aumentada, arteríolas do intestino, dos rins e dos músculos em repouso contraídas, veias comprimidas; a bomba muscular e a respiração profunda devolvem o sangue mais depressa. O resultado é um débito de com uma resistência total de um terço do valor de repouso, uma pressão sistólica de e uma diastólica que não passa da de repouso; quatro quintos do fluxo vão para os músculos, a parcela do encéfalo não muda em valor absoluto, a do intestino cai à metade, a da pele aumenta para dissipar o calor. O reflexo não é sobrepujado, mas reajustado: ele defende uma pressão mais alta enquanto os vasos reabrem o corpo.
Teorema 18.8 (A entrega de oxigênio e o princípio de Fick)
O oxigênio que um corpo consome por minuto é igual ao débito cardíaco vezes a diferença de conteúdo de oxigênio entre o sangue arterial e o sangue venoso misto:
Em repouso, ; no exercício máximo, , um aumento de dezesseis vezes a partir de um aumento de cinco vezes do fluxo e de três vezes da extração. Essa taxa máxima, , é a medida padrão da aptidão de resistência, e seu teto é o coração: os músculos poderiam extrair ainda mais e os pulmões poderiam carregar ainda mais, mas o débito não consegue subir mais. O treino aumenta o volume sistólico (um ventrículo maior e mais complacente, mais volume sanguíneo) e, portanto, o débito — a frequência de repouso de 45 de um atleta é o sinal de um volume sistólico de — e acrescenta capilares e mitocôndrias ao músculo, para que ele extraia mais. Inversamente, o princípio de Fick é o modo como o próprio débito é medido num paciente, a partir do oxigênio consumido e das duas amostras de sangue.
Demonstração. Cada litro de sangue que passa pelos tecidos deixa para trás mililitros de oxigênio, e passam litros por minuto; em regime estacionário, é isso que os pulmões captam e o corpo consome. Isolando , obtém-se a medida. ∎
Exemplo 18.9 (Levantar-se, desmaiar e o astronauta)
Ao se levantar, de sangue passam para as veias das pernas, o retorno venoso e o volume sistólico caem um terço, e a pressão no seio carotídeo baixa — o barorreflexo responde em um batimento com um coração mais rápido e vasos mais contraídos, e a pressão na cabeça se restabelece em dez segundos. Um soldado parado imóvel num desfile sob o calor perde a bomba muscular, acumula sangue nas veias dilatadas da pele e desmaia: deitá-lo o recupera imediatamente. Um astronauta, após meses sem gravidade, perdeu um litro de volume sanguíneo (o rim excretou o que interpretou como excesso quando o sangue se acumulou no tórax) e, no pouso, o reflexo, sem prática, não consegue mantê-lo de pé. E a girafa, cuja cabeça fica dois metros acima do coração, mantém uma pressão média de e usa meias de compressão feitas de pele — a hidrostática do Capítulo 16 fixa as exigências, e os reflexos deste capítulo as atendem.
18.5 Exercícios
Exercício 18.1 ★
Escreva a equação que relaciona a pressão média, o débito cardíaco e a resistência periférica, e liste as três grandezas que o corpo pode alterar e o órgão ou tecido que altera cada uma.
Solução
Solução de Exercício 18.1.
. Frequência cardíaca (o nó sinoatrial, sob o vago e os nervos simpáticos); volume sistólico (o ventrículo: seu enchimento, fixado pelas veias, e sua contratilidade, fixada pelos nervos simpáticos); resistência (o músculo liso arteriolar, sob os nervos simpáticos, os hormônios e os metabólitos locais).
Exercício 18.2 ★
Descreva o barorreflexo: sensores, centro, efetores, sinal da retroalimentação e atraso. O que acontece com a pressão, de minuto a minuto, num animal cujos nervos barorreceptores foram seccionados?
Solução
Solução de Exercício 18.2.
Sensores: receptores de estiramento nos seios carotídeos e no arco aórtico. Centro: os centros cardiovasculares do bulbo. Efetores: o vago (frequência) e os nervos simpáticos (frequência, contratilidade, tônus arteriolar e venoso). Retroalimentação negativa, cerca de um segundo de atraso. Sem os sensores, a pressão média ao longo de um dia permanece normal, mas a pressão de minuto a minuto oscila violentamente a cada mudança de postura e a cada emoção.
Exercício 18.3 ★
Dê a sequência renina angiotensina aldosterona, com o órgão que produz cada uma e o que cada uma faz, e diga o que a desencadeia.
Solução
Solução de Exercício 18.3.
O rim (células arteriolares) libera renina quando sua perfusão ou o aporte de sódio cai ou quando seus nervos simpáticos disparam; a renina corta o angiotensinogênio (fígado) em angiotensina I; uma enzima pulmonar a converte em angiotensina II, que contrai as arteríolas e estimula o córtex suprarrenal a secretar aldosterona; a aldosterona faz o rim reter sódio e água, elevando o volume sanguíneo.
Exercício 18.4 ★
Cite os três mecanismos que multiplicam por vinte o fluxo sanguíneo de um músculo em atividade, e diga que órgãos cedem fluxo para torná-lo possível.
Solução
Solução de Exercício 18.4.
A dilatação metabólica das próprias arteríolas do músculo por seus metabólitos; um débito cardíaco cinco vezes maior, impulsionado pelos nervos simpáticos e pela bomba muscular; a constrição simpática das arteríolas do intestino, dos rins e dos músculos em repouso, que cedem fluxo.
Exercício 18.5 ★★
Calcule a pressão média para e ; para e . No segundo caso, por que fator o raio arteriolar médio mudou?
Solução
Solução de Exercício 18.5.
; . Resistência reduzida por um fator : raio aumentado por um fator .
Exercício 18.6 ★★
Uma perturbação baixaria a pressão em . Calcule a queda residual para ganhos do reflexo de 2, 4 e 8. Um fármaco reduz à metade o ganho do barorreflexo de uma paciente: o que ela sente ao se levantar?
Solução
Solução de Exercício 18.6.
: 10, 6 e . Com metade do ganho, a queda residual dobra: ela fica tonta ao se levantar, vê tudo cinza e pode desmaiar.
Exercício 18.7 ★★
Densidade do sangue: ; o encéfalo fica acima do coração num adulto de pé, e os pés abaixo. Calcule as diferenças de pressão hidrostática em mmHg, e a pressão arterial no encéfalo e no tornozelo quando a do coração é de . De que precisa uma girafa cuja cabeça fica acima do coração?
Solução
Solução de Exercício 18.7.
: ; . Encéfalo ; tornozelo . A cabeça de uma girafa a custa : ela precisa de uma pressão média de uns no coração, e de paredes vasculares espessas e de uma pele justa nas pernas.
Exercício 18.8 ★★
Usando o princípio de Fick, calcule o débito cardíaco de um paciente que consome de oxigênio por minuto, com conteúdo arterial de e venoso misto de . Uma atleta consome no máximo, com conteúdos de 200 e : calcule seu débito e, a uma frequência de 190, seu volume sistólico.
Exercício 18.9 ★★
Uma hemorragia de baixaria a pressão, sem regulação, em . Dê a pressão após o barorreflexo (), liste as quatro coisas que restauram o volume, com suas escalas de tempo, e explique a pele pálida e fria.
Solução
Solução de Exercício 18.9.
a menos: cerca de . Restauração do volume: reabsorção de líquido intersticial para os capilares (de minutos a uma hora); redução da urina sob o hormônio antidiurético e a aldosterona (de horas a dias); sede e ingestão de água (horas); hemácias da medula óssea (semanas). A pele fica pálida e fria porque o reflexo fechou suas arteríolas para reservar a pressão ao encéfalo e ao coração.
Exercício 18.10 ★★★
Em repouso, o músculo tem e recebe ; no exercício, sua resistência cai a um décimo. Se a pressão fosse mantida em e nada mais mudasse, que fluxo o músculo absorveria, e de que débito o coração precisaria? Se, em vez disso, o débito do coração ficasse fixo em , até onde a pressão cairia? Explique por que o corpo não faz nem uma coisa nem outra, e o que ele faz.
Solução
Solução de Exercício 18.10.
Músculo com : , ; com os dos outros órgãos, o coração precisaria de . Com fixo em , a resistência total cai de 1.14 para e a pressão para — o encéfalo desmaiaria. O corpo eleva o débito na direção do primeiro caso e contrai os outros leitos vasculares, de modo que a pressão se mantém e o músculo recebe seu fluxo.
Exercício 18.11 ★★★
Goldblatt estreitou uma artéria renal; o cão se tornou hipertenso de modo permanente, com respostas normais do barorreflexo. Explique (a) por que o rim elevou a pressão, (b) por que o barorreflexo não o impediu, (c) por que a remoção do rim o curou, (d) o que um inibidor da ECA teria feito.
Solução
Solução de Exercício 18.11.
(a) O rim mal irrigado leu uma pressão baixa, liberou renina, e a angiotensina e a aldosterona elevaram a resistência e o volume. (b) O barorreflexo amortece as mudanças, mas se reajusta a qualquer nível que persista, e não consegue alterar a retenção de volume pelo rim. (c) A fonte de renina, e o órgão que exigia uma pressão mais alta, tinham desaparecido. (d) Teria bloqueado a conversão em angiotensina II: resistência menor, menos aldosterona, pressão mais baixa.
Exercício 18.12 ★★★
“O barorreflexo é um amortecedor; o rim é um termostato.” Discuta as escalas de tempo, os ganhos e os valores de referência dos dois sistemas, e o que cada um pode e não pode fazer diante de uma pressão cronicamente elevada.
Solução
Solução de Exercício 18.12.
O barorreflexo age em um segundo, com um ganho de cerca de quatro e um valor de referência que deriva para a pressão predominante: ele amortece as flutuações e não consegue manter um nível. O rim age ao longo de horas e dias, com um ganho na prática infinito — continua excretando ou retendo até atingir a pressão para a qual está ajustado —, e seu valor de referência é fixado por sua própria fisiologia: ele mantém o nível. Uma elevação crônica significa, portanto, que o valor de referência do rim se deslocou, e só os fármacos que agem sobre a alça do rim ou sobre a resistência que ele exige a fazem baixar.
18.6 Problema: De pé, sangrando, correndo
Problema 18.1
Problema de fim de semana — uma circulação submetida a três desafios, com sua pressão, seus fluxos, as correções do reflexo e a entrega de oxigênio calculados, até a queda residual ao se levantar, a pressão após uma hemorragia, e o débito e a captação de oxigênio no exercício
Dados em repouso: , frequência de 70, , , sangue , ganho do barorreflexo , oxigênio arterial , venoso . Resistências dos órgãos em repouso (): encéfalo 7.6, coração 22.8, intestino e fígado 4.1, rins 5.2, músculos 5.7, pele 19, outros 28.5. Densidade do sangue: ; .
Parte I — Em repouso.
- Calcule a resistência periférica total a partir das resistências dos órgãos em paralelo, e confira com .
- Calcule o fluxo para cada órgão e a fração do débito que ele recebe.
- Calcule o volume sistólico e o consumo de oxigênio.
- O encéfalo pesa e os rins . Calcule seus fluxos por quilograma e comente.
- Por que a variável regulada precisa ser a pressão, e não o fluxo?
- O músculo cardíaco recebe e extrai do oxigênio; o músculo em repouso extrai . Calcule o oxigênio usado por cada um por minuto e explique por que a única reserva do coração é mais fluxo.
Parte II — Levantar-se.
- Ao se levantar, passam para as veias das pernas e o volume sistólico cai . Calcule a queda de sem regulação (resistência inalterada).
- Calcule a queda residual após o barorreflexo.
- O reflexo consegue isso elevando a frequência para 85 e a resistência. Calcule a nova resistência necessária.
- Calcule a diferença de pressão hidrostática entre o coração e um encéfalo acima, e a pressão arterial no encéfalo antes e depois do reflexo.
- Uma paciente que toma um fármaco que bloqueia os nervos simpáticos tem . Calcule sua queda residual e a pressão no encéfalo, e diga o que ela sente.
- Explique por que deitar a paciente desmaiada restaura a consciência em segundos.
Parte III — A hemorragia.
- Uma perda de baixaria , sem regulação, em . Calcule a pressão após o reflexo.
- O reflexo contrai as arteríolas da pele e do intestino, de modo que suas resistências dobram. Recalcule a resistência total e os fluxos para a pele, o intestino e o encéfalo à pressão da questão 13.
- Na hora seguinte, de líquido intersticial entram nos capilares. Explique o mecanismo com as forças de Starling, e o que acontece com o hematócrito.
- Em três dias, o rim restaura o volume plasmático. Cite os dois hormônios responsáveis e o que os desencadeia.
- Quanto tempo a medula óssea leva para repor as hemácias a milhões por segundo ( por litro)?
- Uma perda de satura o reflexo. Explique, com o ganho e a curva do reflexo, por que a pressão então desaba.
Parte IV — A corrida. No exercício intenso, a resistência dos músculos cai para , a da pele para 5, as do intestino e dos rins dobram, e as resistências do encéfalo e do coração caem de modo que o encéfalo mantém seu fluxo e o músculo cardíaco quadruplica o seu à nova pressão; sobe para .
- Calcule o fluxo para os músculos e para a pele.
- Calcule a resistência total e o débito cardíaco.
- A uma frequência de 180, calcule o volume sistólico.
- O oxigênio venoso cai para . Calcule a captação de oxigênio e o fator pelo qual ela supera a de repouso.
- Atribua esse fator ao fluxo e à extração.
- Explique como o barorreflexo pode permitir uma pressão de , em vez de corrigi-la.
- Enuncie o resultado: a queda residual ao se levantar, a pressão após a hemorragia de , e o débito e a captação de oxigênio no exercício.
Solução
Solução de Problema 18.1.
1. : ; . 2. : encéfalo 0.75, coração 0.25, intestino e fígado 1.39, rins 1.10, músculos 1.0, pele 0.30, outros ; frações de 15, 5, 28, 22, 20, 6 e . 3. ; de oxigênio por minuto. 4. Encéfalo ; rins , sete vezes o do encéfalo e cinquenta vezes a média do corpo: os rins são irrigados para filtrar, e não para se nutrir. 5. Com uma única pressão compartilhada por todos os órgãos, cada um recebe o fluxo que sua própria resistência fixa; regular os fluxos de modo central privaria qualquer órgão cuja demanda mudasse. A pressão é a moeda comum. 6. Coração: ; músculo: . O coração já extrai a maior parte do que passa, de modo que só pode ganhar oxigênio com mais fluxo, e é por isso que suas arteríolas se dilatam no momento em que ele trabalha mais. 7. menor com fixo: menor, , até . 8. : cerca de . 9. ; , um aumento de . 10. ; encéfalo antes do reflexo, depois. 11. : no coração, no encéfalo — tontura, visão cinzenta, um quase desmaio cada vez que ela se levanta de uma cadeira. 12. Deitar-se elimina a perda hidrostática de e devolve ao coração o sangue acumulado; o volume sistólico e a pressão no encéfalo se restabelecem em poucos batimentos. 13. : . 14. : . Encéfalo ; pele ; intestino . 15. Com menos sangue e arteríolas mais contraídas, a pressão capilar cai abaixo da pressão oncótica ao longo de todo o capilar, de modo que o líquido é reabsorvido em vez de filtrado; o plasma se dilui e o hematócrito cai. 16. A aldosterona, por meio da renina e da angiotensina, desencadeada pela baixa perfusão do rim e pela estimulação simpática; o hormônio antidiurético, desencadeado pela queda do volume e pelo aumento da concentração plasmática. 17. células a por segundo: s, cerca de três semanas. 18. Abaixo de cerca de , a curva do reflexo é plana: os vasos estão tão contraídos e o coração tão rápido quanto podem, o ganho é zero, e cada perda adicional baixa a pressão por inteiro; os tecidos mal irrigados liberam então ácidos e se dilatam, e a pressão desaba. 19. Músculos ; pele . 20. Resistência do encéfalo (fluxo de 0.75 a 110), do coração (fluxo de 1.0): : ; . 21. . 22. , dezesseis vezes os de repouso. 23. Fluxo , extração ; . 24. O comando do córtex motor e os sinais dos receptores musculares reponderam, no bulbo, a informação dos barorreceptores, de modo que o reflexo defende em vez de 95 — o valor de referência é elevado, e a alça não é desativada. 25. Queda residual ao se levantar de ; após a hemorragia; e de oxigênio por minuto no exercício.