Chemistry · Livro 1 · Grades 1–12

Química dos ensinos fundamental e médio

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35Oxidação e redução

Uma placa de zinco é mergulhada numa solução azul de sulfato de cobre. Em poucos minutos, a sua superfície escurece sob uma camada esponjosa, castanho-avermelhada; uma hora depois, o azul da solução desbotou. Apareceu cobre metálico onde não havia nenhum, e o zinco passou para a solução na forma de íons invisíveis. Nada foi aquecido, nenhum gás foi liberado, nenhum oxigênio participou — e, mesmo assim, os químicos chamam isso de oxidação. A palavra queria dizer “combinar-se com o oxigênio”; hoje ela quer dizer uma coisa mais geral e mais útil: a perda de elétrons. Este capítulo acompanha os elétrons.

O que você já sabe

Um íon é um átomo ou um grupo de átomos que ganhou ou perdeu elétrons (Capítulo 17). Um metal como o ferro ou o zinco reage com o ácido clorídrico e dá hidrogênio e íons metálicos (Capítulo 19). Uma quantidade de matéria nn, em mols, é calculada a partir de uma massa mm por n=m/Mn = m/M (Capítulo 25).

Uma placa de zinco numa solução de sulfato de cobre: o cobre se deposita sobre o zinco, e os íons zinco tomam o seu lugar na solução.
Uma placa de zinco numa solução de sulfato de cobre: o cobre se deposita sobre o zinco, e os íons zinco tomam o seu lugar na solução.

35.1 Oxidantes e redutores

Definição 35.1 (Oxidante e redutor)

Um oxidante é uma espécie capaz de ganhar um ou mais elétrons. Um redutor é uma espécie capaz de ceder um ou mais elétrons.

Definição 35.2 (Oxidação e redução)

Uma oxidação é uma perda de elétrons; uma redução é um ganho de elétrons. Um redutor é oxidado; um oxidante é reduzido.

Observação 35.3 (Um jeito de lembrar)

Na redução, a carga da espécie é reduzida: CuX2+\ce{Cu^{2+}}, ganhando dois elétrons, vira Cu\ce{Cu}, carga +2→0+2 \to 0. Numa oxidação, a carga sobe: Zn→ZnX2++2 eX−\ce{Zn -> Zn^{2+} + 2e-}, 0→+20 \to +2.

Definição 35.4 (Par redox e semirreação)

Um oxidante e o redutor em que ele se transforma ganhando elétrons formam um par redox, escrito Ox/Red com o oxidante primeiro: CuX2+\ce{Cu^{2+}}/Cu\ce{Cu}, ZnX2+\ce{Zn^{2+}}/Zn\ce{Zn}. A troca de elétrons dentro de um par é descrita pela sua semirreação,

Ox+n eX−⇌Red,\text{Ox} + n\,\ce{e-} \ce{<=>} \text{Red},

balanceada em átomos e em carga, por exemplo CuX2+(aq)+2 eX−⇌Cu(s)\ce{Cu^{2+}(aq) + 2e- <=> Cu(s)}. A seta dupla diz que a troca pode acontecer nos dois sentidos.

Exemplo 35.5 (Os metais e os seus íons)

Cada metal forma um par com o seu íon:

parsemirreação
AgX+\ce{Ag+}/Ag\ce{Ag}AgX++eX−⇌Ag\ce{Ag+ + e- <=> Ag}
CuX2+\ce{Cu^{2+}}/Cu\ce{Cu}CuX2++2 eX−⇌Cu\ce{Cu^{2+} + 2e- <=> Cu}
FeX2+\ce{Fe^{2+}}/Fe\ce{Fe}FeX2++2 eX−⇌Fe\ce{Fe^{2+} + 2e- <=> Fe}
ZnX2+\ce{Zn^{2+}}/Zn\ce{Zn}ZnX2++2 eX−⇌Zn\ce{Zn^{2+} + 2e- <=> Zn}
AlX3+\ce{Al^{3+}}/Al\ce{Al}AlX3++3 eX−⇌Al\ce{Al^{3+} + 3e- <=> Al}

Os íons também podem formar pares: FeX3++eX−⇌FeX2+\ce{Fe^{3+} + e- <=> Fe^{2+}} para o par FeX3+\ce{Fe^{3+}}/FeX2+\ce{Fe^{2+}}, e IX2+2 eX−⇌2 IX−\ce{I2 + 2e- <=> 2I-} para IX2\ce{I2}/IX−\ce{I-}. O hidrogênio também: 2 HX++2 eX−⇌HX2\ce{2H+ + 2e- <=> H2} para HX+\ce{H+}/HX2\ce{H2}.

Observação 35.6 (Uma espécie, dois papéis)

Uma espécie pode ser o redutor de um par e o oxidante de outro. O íon FeX2+\ce{Fe^{2+}} é o oxidante de FeX2+\ce{Fe^{2+}}/Fe\ce{Fe} e o redutor de FeX3+\ce{Fe^{3+}}/FeX2+\ce{Fe^{2+}}. O papel que ele desempenha depende do seu parceiro na reação.

35.2 As reações de oxirredução

Definição 35.7 (Reação de oxirredução)

Uma reação de oxirredução é uma transferência de elétrons do redutor de um par para o oxidante de outro. O redutor é oxidado e o oxidante é reduzido, ao mesmo tempo.

Proposição 35.8 (Nenhum elétron livre)

Os elétrons não existem livres numa solução: cada elétron cedido pelo redutor é tomado pelo oxidante. A equação de uma reação de oxirredução é obtida, portanto, somando as duas semirreações, cada uma multiplicada pelo número que torna os elétrons cedidos iguais aos elétrons tomados; os elétrons se cancelam então e não aparecem na equação.

Exemplo 35.9 (O zinco e os íons cobre)

Na cena de abertura, o zinco é oxidado e os íons cobre são reduzidos:

Zn(s)→ZnX2+(aq)+2 eX−(oxidac¸a˜o)CuX2+(aq)+2 eX−→Cu(s)(reduc¸a˜o)Zn(s)+CuX2+(aq)→ZnX2+(aq)+Cu(s)\begin{array}{ll} \ce{Zn(s) -> Zn^{2+}(aq) + 2e-} & \text{(oxidação)}\\ \ce{Cu^{2+}(aq) + 2e- -> Cu(s)} & \text{(redução)}\\ \hline \ce{Zn(s) + Cu^{2+}(aq) -> Zn^{2+}(aq) + Cu(s)} & \end{array}

Dois elétrons passam de cada átomo de zinco para um íon cobre. A cor azul da solução é a cor dos íons CuX2+\ce{Cu^{2+}}; ela desbota à medida que eles são consumidos, enquanto os íons ZnX2+\ce{Zn^{2+}}, incolores, tomam o seu lugar.

Na superfície do zinco. Um átomo de zinco perde dois elétrons e sai como um íon Zn2+; os dois elétrons atravessam o metal até um íon Cu2+ que toca a superfície, que vira um átomo de cobre e fica na placa.
Na superfície do zinco. Um átomo de zinco perde dois elétrons e sai como um íon ZnX2+\ce{Zn^{2+}}; os dois elétrons atravessam o metal até um íon CuX2+\ce{Cu^{2+}} que toca a superfície, que vira um átomo de cobre e fica na placa.
O que se vê: o depósito de cobre na parte mergulhada da placa, e o desbotamento da cor azul dos íons Cu2+.
O que se vê: o depósito de cobre na parte mergulhada da placa, e o desbotamento da cor azul dos íons CuX2+\ce{Cu^{2+}}.

Exemplo 35.10 (Os metais no ácido, de novo)

Quando o ferro se dissolve no ácido clorídrico, o ferro é oxidado e os íons HX+\ce{H+} são reduzidos a hidrogênio:

Fe(s)+2 HX+(aq)→FeX2+(aq)+HX2(g).\ce{Fe(s) + 2H+(aq) -> Fe^{2+}(aq) + H2(g)}.

Os pares são FeX2+\ce{Fe^{2+}}/Fe\ce{Fe} e HX+\ce{H+}/HX2\ce{H2}; os íons cloreto não participam.

No laboratório — A árvore de prata

Uma espiral de fio de cobre limpo é pendurada num béquer com uma solução diluída de nitrato de prata, AgX+(aq)+NOX3X−(aq)\ce{Ag+(aq) + NO3^-(aq)}. Em menos de uma hora, agulhas ramificadas de prata brilhante crescem ao longo do fio, e a solução incolor fica azul-clara: Cu(s)+2 AgX+(aq)→CuX2+(aq)+2 Ag(s)\ce{Cu(s) + 2Ag+(aq) -> Cu^{2+}(aq) + 2Ag(s)}. O experimento é feito pelo professor, com luvas e óculos de proteção, e a solução é depois recolhida como resíduo perigoso.

Segurança

Nitrato de prata: um oxidante que pode alimentar um incêndio (GHS03); corrosivo para a pele e os olhos, e mancha a pele de preto (GHS05); um perigo para a saúde (GHS08); muito tóxico para os organismos aquáticos, por isso nunca vai para a pia (GHS09).

Cristais de prata crescendo num fio de cobre numa solução de nitrato de prata.
Cristais de prata crescendo num fio de cobre numa solução de nitrato de prata.

35.3 Balancear semirreações

Muitos pares importantes contêm oxigênio e são escritos para soluções ácidas, em que há íons HX+\ce{H+}. As suas semirreações precisam de moléculas de água e de íons HX+\ce{H+} para ser balanceadas.

Método 35.11 (Balancear uma semirreação em solução ácida)

Para escrever a semirreação de um par Ox/Red em solução ácida:

  1. escreva Ox à esquerda e Red à direita, e balanceie o átomo que não é nem O nem H;
  2. balanceie os átomos de oxigênio com moléculas de água HX2O\ce{H2O};
  3. balanceie os átomos de hidrogênio com íons HX+\ce{H+};
  4. balanceie a carga com elétrons eX−\ce{e-}, à esquerda;
  5. verifique: o mesmo número de cada átomo e a mesma carga total dos dois lados.

Exemplo 35.12 (O íon permanganato)

Para o par MnOX4X−\ce{MnO4^-}/MnX2+\ce{Mn^{2+}} (de violeta intenso a quase incolor): o manganês está balanceado; quatro O à esquerda dão 4 HX2O\ce{4H2O} à direita; os seus oito H dão 8 HX+\ce{8H+} à esquerda; a carga à esquerda é −1+8=+7-1 + 8 = +7, à direita +2+2, por isso acrescentam-se cinco elétrons à esquerda:

MnOX4X−(aq)+8 HX+(aq)+5 eX−⇌MnX2+(aq)+4 HX2O(l).\ce{MnO4^-(aq) + 8H+(aq) + 5e- <=> Mn^{2+}(aq) + 4H2O(l)}.

Exemplo 35.13 (O íon dicromato)

Para CrX2OX7X2−\ce{Cr2O7^{2-}}/CrX3+\ce{Cr^{3+}} (de laranja a verde): dois cromos à direita; sete O dão 7 HX2O\ce{7H2O}; catorze H dão 14 HX+\ce{14H+}; carga −2+14=+12-2 + 14 = +12 à esquerda contra 2×3=+62 \times 3 = +6 à direita, logo seis elétrons:

CrX2OX7X2−(aq)+14 HX+(aq)+6 eX−⇌2 CrX3+(aq)+7 HX2O(l).\ce{Cr2O7^{2-}(aq) + 14H+(aq) + 6e- <=> 2Cr^{3+}(aq) + 7H2O(l)}.

Método 35.14 (Escrever uma equação de oxirredução)

Para escrever a equação da reação entre o oxidante Ox1_1 de um par e o redutor Red2_2 de outro:

  1. escreva as duas semirreações, a primeira no sentido da redução (Ox1→_1 \to Red1_1), a segunda no sentido da oxidação (Red2→_2 \to Ox2_2);
  2. multiplique-as pelos menores números que igualam os elétrons;
  3. some-as; os elétrons se cancelam, e talvez também alguns HX+\ce{H+} e HX2O\ce{H2O} que aparecem dos dois lados;
  4. verifique mais uma vez os átomos e a carga.

Exemplo 35.15 (O permanganato e o ferro(II))

O íon permanganato oxida os íons FeX2+\ce{Fe^{2+}} a FeX3+\ce{Fe^{3+}}:

MnOX4X−+8 HX++5 eX−→MnX2++4 HX2O×1FeX2+→FeX3++eX−×5MnOX4X−+8 HX++5 FeX2+→MnX2++5 FeX3++4 HX2O\begin{array}{ll} \ce{MnO4^- + 8H+ + 5e- -> Mn^{2+} + 4H2O} & \times 1\\ \ce{Fe^{2+} -> Fe^{3+} + e-} & \times 5\\ \hline \ce{MnO4^- + 8H+ + 5Fe^{2+} -> Mn^{2+} + 5Fe^{3+} + 4H2O} & \end{array}

Carga à esquerda: −1+8+10=+17-1 + 8 + 10 = +17; à direita: 2+15=+172 + 15 = +17. Essa reação é usada no próximo capítulo para medir uma quantidade de ferro(II).

35.4 Oxidantes e redutores à nossa volta

Proposição 35.16 (Alguns oxidantes e redutores comuns)

As espécies seguintes aparecem o tempo todo no laboratório e na vida cotidiana:

espéciepapelsemirreação do seu par
gás oxigênio OX2\ce{O2}oxidanteOX2+4 HX++4 eX−⇌2 HX2O\ce{O2 + 4H+ + 4e- <=> 2H2O}
gás cloro ClX2\ce{Cl2}oxidanteClX2+2 eX−⇌2 ClX−\ce{Cl2 + 2e- <=> 2Cl-}
hipoclorito ClOX−\ce{ClO-} (água sanitária)oxidante2 ClOX−+4 HX++2 eX−⇌ClX2+2 HX2O\ce{2ClO- + 4H+ + 2e- <=> Cl2 + 2H2O}
peróxido de hidrogênio HX2OX2\ce{H2O2}oxidanteHX2OX2+2 HX++2 eX−⇌2 HX2O\ce{H2O2 + 2H+ + 2e- <=> 2H2O}
permanganato MnOX4X−\ce{MnO4^-}oxidanteMnOX4X−+8 HX++5 eX−⇌MnX2++4 HX2O\ce{MnO4^- + 8H+ + 5e- <=> Mn^{2+} + 4H2O}
metais M\ce{M} (Fe\ce{Fe}, Zn\ce{Zn}, Al\ce{Al}…)redutoresMXn++n eX−⇌M\ce{M^{n+} + $n$ e- <=> M}
iodeto IX−\ce{I-}redutorIX2+2 eX−⇌2 IX−\ce{I2 + 2e- <=> 2I-}
tiossulfato SX2OX3X2−\ce{S2O3^{2-}}redutorSX4OX6X2−+2 eX−⇌2 SX2OX3X2−\ce{S4O6^{2-} + 2e- <=> 2S2O3^{2-}}
ácido ascórbico CX6HX8OX6\ce{C6H8O6} (vitamina C)redutorCX6HX6OX6+2 HX++2 eX−⇌CX6HX8OX6\ce{C6H6O6 + 2H+ + 2e- <=> C6H8O6}

Exemplo 35.17 (O cobre fica verde)

Os telhados e as estátuas de cobre, deixados ao ar livre durante décadas, vão ficando verde-claros. O oxigênio do ar oxida o cobre a íons CuX2+\ce{Cu^{2+}}, que, com a água e o dióxido de carbono, formam uma fina crosta verde, a pátina. Ao contrário da ferrugem do ferro, a pátina gruda no metal e o protege de novos ataques.

Um telhado de cobre depois de décadas ao ar: o cobre oxidado forma uma pátina verde.
Um telhado de cobre depois de décadas ao ar: o cobre oxidado forma uma pátina verde.

Observação 35.18 (Antioxidantes)

Um “antioxidante” acrescentado aos alimentos é um redutor que é oxidado pelo oxigênio do ar antes do alimento. A vitamina C (ácido ascórbico) é o mais comum: uma maçã cortada regada com suco de limão escurece muito mais devagar, porque a vitamina C do limão é oxidada primeiro.

35.5 Exercícios

Exercício 35.2 ★

Para cada dupla, escreva o par redox na forma Ox/Red: Fe\ce{Fe} e FeX2+\ce{Fe^{2+}}; Ag\ce{Ag} e AgX+\ce{Ag+}; IX−\ce{I-} e IX2\ce{I2}; FeX2+\ce{Fe^{2+}} e FeX3+\ce{Fe^{3+}}.

Solução

Solução de Exercício 35.2.

FeX2+\ce{Fe^{2+}}/Fe\ce{Fe}; AgX+\ce{Ag+}/Ag\ce{Ag}; IX2\ce{I2}/IX−\ce{I-}; FeX3+\ce{Fe^{3+}}/FeX2+\ce{Fe^{2+}}.

Exercício 35.3 ★

Escreva as semirreações dos pares AgX+\ce{Ag+}/Ag\ce{Ag}, AlX3+\ce{Al^{3+}}/Al\ce{Al}, FeX3+\ce{Fe^{3+}}/FeX2+\ce{Fe^{2+}} e ClX2\ce{Cl2}/ClX−\ce{Cl-}.

Solução

Solução de Exercício 35.3.

AgX++eX−⇌Ag\ce{Ag+ + e- <=> Ag}; AlX3++3 eX−⇌Al\ce{Al^{3+} + 3e- <=> Al}; FeX3++eX−⇌FeX2+\ce{Fe^{3+} + e- <=> Fe^{2+}}; ClX2+2 eX−⇌2 ClX−\ce{Cl2 + 2e- <=> 2Cl-}.

Exercício 35.5 ★

Na reação Zn+CuX2+→ZnX2++Cu\ce{Zn + Cu^{2+} -> Zn^{2+} + Cu}, dê o nome da espécie oxidada, da espécie reduzida, do oxidante e do redutor, e dê o número de elétrons transferidos para cada átomo de zinco.

Solução

Solução de Exercício 35.5.

O zinco é oxidado e é o redutor; o CuX2+\ce{Cu^{2+}} é reduzido e é o oxidante. Dois elétrons por átomo de zinco.

Exercício 35.6 ★★

Balanceie, em solução ácida, a semirreação do par HX2OX2\ce{H2O2}/HX2O\ce{H2O}, seguindo o Método 35.11 passo a passo.

Solução

Solução de Exercício 35.6.

Parte-se de HX2OX2→HX2O\ce{H2O2 -> H2O}: oxigênio: dois O à esquerda, logo 2 HX2O\ce{2H2O} à direita; hidrogênio: 2 à esquerda, 4 à direita, logo 2 HX+\ce{2H+} à esquerda; carga: +2+2 à esquerda, 0 à direita, logo dois elétrons à esquerda: HX2OX2+2 HX++2 eX−⇌2 HX2O\ce{H2O2 + 2H+ + 2e- <=> 2H2O}.

Exercício 35.7 ★★

Escreva a equação da reação entre o iodo IX2\ce{I2} e o íon tiossulfato SX2OX3X2−\ce{S2O3^{2-}}, que dá íons iodeto e íons tetrationato SX4OX6X2−\ce{S4O6^{2-}}.

Solução

Solução de Exercício 35.7.

IX2+2 eX−→2 IX−\ce{I2 + 2e- -> 2I-} e 2 SX2OX3X2−→SX4OX6X2−+2 eX−\ce{2S2O3^{2-} -> S4O6^{2-} + 2e-}; dois elétrons em cada uma, logo IX2+2 SX2OX3X2−→2 IX−+SX4OX6X2−\ce{I2 + 2S2O3^{2-} -> 2I- + S4O6^{2-}}.

Exercício 35.8 ★★

Escreva a equação da reação da árvore de prata a partir das suas duas semirreações, e explique por que a solução fica azul.

Solução

Solução de Exercício 35.8.

Cu→CuX2++2 eX−\ce{Cu -> Cu^{2+} + 2e-} e 2×2\times (AgX++eX−→Ag\ce{Ag+ + e- -> Ag}): Cu+2 AgX+→CuX2++2 Ag\ce{Cu + 2Ag+ -> Cu^{2+} + 2Ag}. Os íons CuX2+\ce{Cu^{2+}} formados são azuis.

Exercício 35.9 ★★

A vitamina C, CX6HX8OX6\ce{C6H8O6}, reage com o iodo IX2\ce{I2}. Escreva a equação da reação, e diga qual espécie é o redutor.

Solução

Solução de Exercício 35.9.

CX6HX8OX6→CX6HX6OX6+2 HX++2 eX−\ce{C6H8O6 -> C6H6O6 + 2H+ + 2e-} e IX2+2 eX−→2 IX−\ce{I2 + 2e- -> 2I-}: CX6HX8OX6+IX2→CX6HX6OX6+2 IX−+2 HX+\ce{C6H8O6 + I2 -> C6H6O6 + 2I- + 2H+}. A vitamina C é o redutor.

Exercício 35.10 ★★

O alumínio reage com os íons cobre(II). Escreva a equação, e explique por que as semirreações devem ser multiplicadas por 2 e por 3.

Solução

Solução de Exercício 35.10.

Al→AlX3++3 eX−\ce{Al -> Al^{3+} + 3e-} dá 3 elétrons, CuX2++2 eX−→Cu\ce{Cu^{2+} + 2e- -> Cu} toma 2; o menor número comum é 6, por isso a primeira é multiplicada por 2 e a segunda por 3: 2 Al+3 CuX2+→2 AlX3++3 Cu\ce{2Al + 3Cu^{2+} -> 2Al^{3+} + 3Cu}.

Exercício 35.11 ★★

O peróxido de hidrogênio oxida os íons ferro(II) a íons ferro(III) em solução ácida. Escreva a equação.

Solução

Solução de Exercício 35.11.

HX2OX2+2 HX++2 eX−→2 HX2O\ce{H2O2 + 2H+ + 2e- -> 2H2O} e 2×2\times (FeX2+→FeX3++eX−\ce{Fe^{2+} -> Fe^{3+} + e-}): HX2OX2+2 HX++2 FeX2+→2 HX2O+2 FeX3+\ce{H2O2 + 2H+ + 2Fe^{2+} -> 2H2O + 2Fe^{3+}}.

Exercício 35.12 ★★★

Uma placa de zinco perde 1.30 g1.30\,\mathrm{g} numa solução que contém um excesso de íons cobre(II). Que massa de cobre se deposita? Tome M(Zn)=65.4 g/molM(\ce{Zn}) = 65.4\,\mathrm{g}/\mathrm{mol} e M(Cu)=63.5 g/molM(\ce{Cu}) = 63.5\,\mathrm{g}/\mathrm{mol}.

Solução

Solução de Exercício 35.12.

n(Zn)=1.30/65.4=1.99×10−2 moln(\ce{Zn}) = 1.30/65.4 = 1.99 \times 10^{-2}\,\mathrm{mol}. Deposita-se um átomo de cobre por átomo de zinco oxidado, logo n(Cu)=1.99×10−2 moln(\ce{Cu}) = 1.99 \times 10^{-2}\,\mathrm{mol} e m(Cu)=1.99×10−2×63.5=1.26 gm(\ce{Cu}) = 1.99\times 10^{-2} \times 63.5 = 1.26\,\mathrm{g}.

Exercício 35.13 ★★★

Escreva a equação da oxidação dos íons ferro(II) pelos íons dicromato em solução ácida. Que quantidade de FeX2+\ce{Fe^{2+}} é oxidada por 0.010 mol0.010\,\mathrm{mol} de íons dicromato?

Solução

Solução de Exercício 35.13.

CrX2OX7X2−+14 HX++6 eX−→2 CrX3++7 HX2O\ce{Cr2O7^{2-} + 14H+ + 6e- -> 2Cr^{3+} + 7H2O} e 6×6\times (FeX2+→FeX3++eX−\ce{Fe^{2+} -> Fe^{3+} + e-}): CrX2OX7X2−+14 HX++6 FeX2+→2 CrX3++6 FeX3++7 HX2O\ce{Cr2O7^{2-} + 14H+ + 6Fe^{2+} -> 2Cr^{3+} + 6Fe^{3+} + 7H2O}. Seis FeX2+\ce{Fe^{2+}} por íon dicromato: 6×0.010=0.060 mol6 \times 0.010 = 0.060\,\mathrm{mol}.

Exercício 35.14 ★★★

A água sanitária contém íons hipoclorito ClOX−\ce{ClO-} e íons cloreto ClX−\ce{Cl-}. Usando os pares ClOX−\ce{ClO-}/ClX2\ce{Cl2} e ClX2\ce{Cl2}/ClX−\ce{Cl-}, escreva a equação da reação que acontece quando a água sanitária encontra um ácido, e explique por que os rótulos da água sanitária e dos removedores de calcário ácidos avisam, os dois, para nunca misturá-los.

Solução

Solução de Exercício 35.14.

2 ClOX−+4 HX++2 eX−→ClX2+2 HX2O\ce{2ClO- + 4H+ + 2e- -> Cl2 + 2H2O} e 2 ClX−→ClX2+2 eX−\ce{2Cl- -> Cl2 + 2e-}; somando e dividindo por 2: ClOX−+ClX−+2 HX+→ClX2+HX2O\ce{ClO- + Cl- + 2H+ -> Cl2 + H2O}. Um ácido fornece os íons HX+\ce{H+}, e a reação libera gás cloro, um gás tóxico: daí o aviso para nunca misturar os dois produtos.

Exercício 35.15 ★★★

Na figura da superfície do zinco, os elétrons atravessam o metal, e não a solução. Usando a Proposição 35.8, explique por que o cobre se deposita na própria placa de zinco, e não em outro lugar do béquer.

Solução

Solução de Exercício 35.15.

Os elétrons não conseguem circular livremente pela solução (Proposição 35.8): os que os átomos de zinco perdem só podem ser tomados por um íon CuX2+\ce{Cu^{2+}} que toca o metal. O átomo de cobre se forma, portanto, na superfície da placa, e fica ali.

35.6 Problema: o teste do bafômetro

Problema 35.1

Problema de fim de semana — a química de um tubo de bafômetro: dois pares, uma mudança de cor do laranja para o verde, a massa de etanol que um tubo consegue detectar, e a pilha a combustível que o substituiu

Os primeiros testes de álcool no ar expirado usavam um tubo de vidro cheio de grãos de sílica cobertos de dicromato de potássio laranja, KX2CrX2OX7\ce{K2Cr2O7}, em meio ácido. O etanol, CHX3CHX2OH\ce{CH3CH2OH}, do ar soprado pelo tubo reduz os íons dicromato a íons CrX3+\ce{Cr^{3+}} verdes e é oxidado a ácido etanoico, CHX3COOH\ce{CH3COOH}; o comprimento da zona verde mede o etanol. Suponha que um tubo contenha 2.0 mg2.0\,\mathrm{mg} de dicromato de potássio. Use M(K)=39.1M(\ce{K}) = 39.1, M(Cr)=52.0M(\ce{Cr}) = 52.0, M(O)=16.0M(\ce{O}) = 16.0, M(C)=12.0M(\ce{C}) = 12.0, M(H)=1.0 g/molM(\ce{H}) = 1.0\,\mathrm{g}/\mathrm{mol}, NA=6.02×1023 mol−1N_A = 6.02 \times 10^{23}\,\mathrm{mol}^{-1} e e=1.60×10−19 Ce = 1.60 \times 10^{-19}\,\mathrm{C}.

Parte I — Dois pares.

  1. Dê o nome dos dois pares redox envolvidos, com o oxidante primeiro.
  2. O etanol é oxidado ou reduzido? Ele é o oxidante ou o redutor?
  3. Escreva a semirreação do par CrX2OX7X2−\ce{Cr2O7^{2-}}/CrX3+\ce{Cr^{3+}} em solução ácida.
  4. Escreva a semirreação do par CHX3COOH\ce{CH3COOH}/CHX3CHX2OH\ce{CH3CH2OH} em solução ácida.
  5. Deduza a equação da reação no tubo.

Parte II — O que um tubo consegue medir.

  1. Explique a mudança de cor dos grãos.
  2. Calcule a massa molar do dicromato de potássio.
  3. Calcule a quantidade de íons dicromato no tubo.
  4. Que quantidade de etanol é necessária para deixar o tubo inteiro verde?
  5. Deduza a maior massa de etanol que um tubo consegue medir.

Parte III — Do ar expirado ao sangue. Uma pessoa sopra 1.0 L1.0\,\mathrm{L} de ar pelo tubo; a zona verde cresce em proporção à massa de etanol que chega até ela.

  1. O ar expirado contém 0.25 mg0.25\,\mathrm{mg} de etanol por litro. Que fração do dicromato é consumida?
  2. O tubo tem 10 cm10\,\mathrm{cm} de comprimento. Qual é o comprimento da zona verde?
  3. Os bafômetros supõem que 2100 L2100\,\mathrm{L} de ar expirado carregam tanto etanol quanto 1 L1\,\mathrm{L} de sangue. Estime a massa de etanol por litro de sangue, em gramas.
  4. Por que a zona verde começa na entrada do tubo e cresce em direção à saída, em vez de o tubo inteiro ficar levemente verde?
  5. Por que um tubo só pode ser usado uma vez?

Parte IV — A pilha a combustível. O dicromato de potássio traz os pictogramas . Os aparelhos modernos usam, em vez disso, uma pilha a combustível, em que o etanol do ar expirado é oxidado pelo gás oxigênio num eletrodo, e os elétrons liberados circulam por um fio.

  1. Dê duas razões, lidas nos pictogramas, pelas quais os tubos de dicromato foram abandonados.
  2. Escreva a equação da oxidação do etanol pelo gás oxigênio, usando o par OX2\ce{O2}/HX2O\ce{H2O}.
  3. Quantos elétrons uma molécula de etanol cede quando é oxidada a ácido etanoico?
  4. Para 0.25 mg0.25\,\mathrm{mg} de etanol, calcule a quantidade de etanol, e depois o número de elétrons liberados.
  5. Deduza a carga elétrica que circula pela pilha a combustível. Por que essa carga é uma boa medida do etanol do ar expirado?
Solução

Solução de Problema 35.1.

1. CrX2OX7X2−\ce{Cr2O7^{2-}}/CrX3+\ce{Cr^{3+}} e CHX3COOH\ce{CH3COOH}/CHX3CHX2OH\ce{CH3CH2OH}.

2. O etanol é oxidado: ele é o redutor.

3. CrX2OX7X2−+14 HX++6 eX−⇌2 CrX3++7 HX2O\ce{Cr2O7^{2-} + 14H+ + 6e- <=> 2Cr^{3+} + 7H2O}.

4. O carbono está balanceado (dois de cada lado). Oxigênio: dois à esquerda, um à direita, logo HX2O\ce{H2O} à direita. Hidrogênio: quatro à esquerda, 6+2=86 + 2 = 8 à direita, logo 4 HX+\ce{4H+} à esquerda. Carga: +4+4 à esquerda, 0 à direita, logo quatro elétrons à esquerda: CHX3COOH+4 HX++4 eX−⇌CHX3CHX2OH+HX2O\ce{CH3COOH + 4H+ + 4e- <=> CH3CH2OH + H2O}.

5. Doze elétrons: 2×2\times a primeira, 3×3\times a segunda invertida: 2 CrX2OX7X2−+3 CHX3CHX2OH+16 HX+→4 CrX3++3 CHX3COOH+11 HX2O\ce{2Cr2O7^{2-} + 3CH3CH2OH + 16H+ -> 4Cr^{3+} + 3CH3COOH + 11H2O}.

6. Os íons CrX2OX7X2−\ce{Cr2O7^{2-}} laranja são reduzidos a íons CrX3+\ce{Cr^{3+}} verdes onde quer que o etanol chegue até eles.

7. M=2×39.1+2×52.0+7×16.0=294.2 g/molM = 2\times 39.1 + 2\times 52.0 + 7\times 16.0 = 294.2\,\mathrm{g}/\mathrm{mol}.

8. n=2.0×10−3/294.2=6.8×10−6 moln = 2.0\times 10^{-3}/294.2 = 6.8 \times 10^{-6}\,\mathrm{mol}.

9. Três moléculas de etanol para dois íons dicromato: n=32×6.8×10−6=1.0×10−5 moln = \tfrac{3}{2}\times 6.8\times 10^{-6} = 1.0 \times 10^{-5}\,\mathrm{mol}.

10. M(CX2HX6O)=46.0 g/molM(\ce{C2H6O}) = 46.0\,\mathrm{g}/\mathrm{mol}, logo m=1.02×10−5×46.0=4.7×10−4 gm = 1.02\times 10^{-5}\times 46.0 = 4.7 \times 10^{-4}\,\mathrm{g}, cerca de 0.47 mg0.47\,\mathrm{mg}.

11. 0.25/0.47≈0.530.25/0.47 \approx 0.53: cerca de 53 %53\,\% do dicromato.

12. 0.53×10≈5.3 cm0.53 \times 10 \approx 5.3\,\mathrm{cm}.

13. 0.25 mg×2100=525 mg0.25\,\mathrm{mg} \times 2100 = 525\,\mathrm{mg} por litro de sangue, cerca de 0.53 g/L0.53\,\mathrm{g}/\mathrm{L}.

14. O ar expirado encontra primeiro os grãos da entrada; o dicromato que está ali está em excesso e retira todo o etanol, por isso a reação é completa num primeiro trecho do tubo, que fica inteiramente verde, antes que qualquer etanol chegue mais longe.

15. A reação é total: os íons CrX3+\ce{Cr^{3+}} verdes não voltam a ser dicromato, por isso um tubo usado não consegue medir de novo.

16. Ele tem toxicidade aguda (GHS06) e é um perigo grave para a saúde (GHS08: entre as suas frases de perigo está “pode provocar câncer”), além de ser corrosivo e tóxico para os organismos aquáticos; um aparelho usado pelo público não pode contê-lo.

17. OX2+4 HX++4 eX−→2 HX2O\ce{O2 + 4H+ + 4e- -> 2H2O} e CHX3CHX2OH+HX2O→CHX3COOH+4 HX++4 eX−\ce{CH3CH2OH + H2O -> CH3COOH + 4H+ + 4e-}: CHX3CHX2OH+OX2→CHX3COOH+HX2O\ce{CH3CH2OH + O2 -> CH3COOH + H2O}.

18. Quatro elétrons.

19. n=0.25×10−3/46.0=5.4×10−6 moln = 0.25\times 10^{-3}/46.0 = 5.4 \times 10^{-6}\,\mathrm{mol} de etanol; elétrons 4n=2.2×10−5 mol4n = 2.2 \times 10^{-5}\,\mathrm{mol}, isto é, 2.2×10−5×6.02×1023=1.3×10192.2\times 10^{-5}\times 6.02\times 10^{23} = 1.3 \times 10^{19} elétrons.

20. Q=1.3×1019×1.60×10−19≈2.1 CQ = 1.3\times 10^{19}\times 1.60\times 10^{-19} \approx 2.1\,\mathrm{C}. Cada molécula de etanol manda exatamente quatro elétrons pelo fio, por isso a carga é proporcional à quantidade de etanol: medi-la é medir o etanol.

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