পৃথিবী ও মহাকাশ বিজ্ঞান · বই 3 · স্নাতক প্রথম বর্ষ

Ciências da Terra e do espaço universitárias — 1.º ano

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Ciências da Terra e do espaço universitárias — 1.º ano · স্নাতক প্রথম বর্ষ

10O balanço térmico da Terra

Sob uma montanha nos Alpes japoneses, em uma antiga cavidade de mina, um tanque com mil toneladas de cintilador líquido observa lampejos fracos de luz. A maioria vem de antineutrinos produzidos nos reatores nucleares do país em torno, mas alguns vêm de baixo: o urânio e o tório no interior da Terra emitem antineutrinos ao decair, e estes atravessam o planeta inteiro como se ele estivesse vazio. Em 2135 dias de contagem, o detector registrou 841 eventos candidatos, dos quais 106 foram atribuídos à própria Terra. A partir desse punhado de lampejos, sua equipe estimou em 2011 que o decaimento do urânio e do tório aquece a Terra em cerca de 20 terawatts. O planeta como um todo perde cerca de 47. Este capítulo explica a diferença: de onde vem o calor da Terra, como se mede o calor que sai dela, como a temperatura cresce com a profundidade quando o calor é transportado por condução, por que o manto precisa convectar, e por que as placas são o limite superior frio dessa convecção.

O que você já sabe

Calor flui do quente para o frio; a condutividade térmica kk de uma rocha mede a facilidade com que o calor a atravessa, e sua difusividade térmica κ=k/(ρc)\kappa = k/(\rho c) mede a rapidez com que uma variação de temperatura se propaga (física, segundo ano universitário). Núcleos radioativos decaem com meia-vida fixa (física). A temperatura cresce com a profundidade ao longo do geotermo, e o manto convecta (Livro 2, 11º e 12º anos). A litosfera é a casca externa resistente da Terra (Capítulo 9).

10.1 De onde vem o calor

Definição 10.1 (Fluxo de calor)

O fluxo de calor qq em um ponto da superfície da Terra, ou densidade de fluxo térmico superficial, é a potência de origem interna que atravessa a superfície ali, por unidade de área, contada positivamente para fora. Mede-se em W m−2\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-2}, na prática em mW m−2\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}. Integrado sobre toda a superfície, dá a perda de calor da Terra Q=∮q dSQ = \oint q\,\mathrm dS.

O fluxo de calor foi medido em dezenas de milhares de locais. Uma compilação de 38 34738\,347 medidas, publicada em 2010, dá os valores médios abaixo, com os oceanos e os continentes contados separadamente:

área (m2\mathrm{m}^{2})perda de calor (TW\mathrm{TW})fluxo médio de calor (mW m−2\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2})
continentes2.073×10142.073 \times 10^{14}14.770.9
oceanos3.028×10143.028 \times 10^{14}31.9105.4
Terra inteira5.101×10145.101 \times 10^{14}46.791.6

O total, arredondado à sua incerteza, é Q=(47±2) TWQ = (47 \pm 2)\,\mathrm{TW}. Dois terços dele saem pelo fundo oceânico, que é mais jovem e mais fino que os continentes. É um fluxo pequeno: o Sol entrega cerca de 173 000 TW173\,000\,\mathrm{TW} à Terra, e o calor interno corresponde a 0.03 %0.03\,\% do orçamento de energia na superfície. Mas é esse fluxo que move vulcões, placas e a formação de montanhas, e ele tem duas fontes.

Definição 10.2 (Produção de calor radiogênico)

A produção de calor radiogênico AA de uma rocha é o calor liberado por unidade de volume e por unidade de tempo pelo decaimento dos núcleos radioativos que ela contém, em W m−3\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-3}, na prática em µW m−3\text{µ}\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-3}. Uma rocha de densidade ρ\rho contendo frações mássicas CiC_i dos elementos produtores de calor, cada um liberando HiH_i watts por quilograma de elemento, tem

A=ρ∑iCiHi.A = \rho \sum_i C_i H_i .

Quatro isótopos produzem quase todo esse calor, porque são de vida longa, suficientemente abundantes e energéticos: X238X22238U\ce{^{238}U}, X235X22235U\ce{^{235}U}, X232X22232Th\ce{^{232}Th} e X40X2240K\ce{^{40}K}. O calor por quilograma de cada elemento é o calor por quilograma de seu isótopo radioativo vezes a parcela desse isótopo no elemento (Exercício 10.3):

isótopomeia-vidacalor por kg de isótopoparcela docalor por kg de elemento
(Gyr\mathrm{Gyr})(W kg−1\mathrm{W}\,\mathrm{kg}^{-1})elemento (átomos)(W kg−1\mathrm{W}\,\mathrm{kg}^{-1})
X238X22238U\ce{^{238}U}4.4689.513×10−59.513 \times 10^{-5}99.274 %99.274\,\%U: 9.85×10−59.85 \times 10^{-5}
X235X22235U\ce{^{235}U}0.7045.685×10−45.685 \times 10^{-4}0.720 %0.720\,\%
X232X22232Th\ce{^{232}Th}14.02.628×10−52.628 \times 10^{-5}quase todoTh: 2.63×10−52.63 \times 10^{-5}
X40X2240K\ce{^{40}K}1.2482.847×10−52.847 \times 10^{-5}0.0117 %0.0117\,\%K: 3.40×10−93.40 \times 10^{-9}

O potássio libera trinta mil vezes menos calor por quilograma que o urânio, mas é um elemento importante de muitas rochas, contado em porcentagem onde urânio e tório são contados em partes por milhão. As rochas ricas nos três são os granitos e rochas afins; as mais pobres são os peridotitos do manto. Uma compilação de 21882188 análises dá estas medianas, em µW m−3\text{µ}\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-3}:

riolito2.55lamitos1.44gabro0.35
granito2.43arenitos0.82basalto0.21
granodiorito1.88rochas carbonáticas0.42rochas ultramáficas0.11

A dispersão dentro de cada grupo é grande: um quarto dos granitos produz menos que 1.74 µW m−31.74\,\text{µ}\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-3}, e um quarto mais que 3.23 µW m−33.23\,\text{µ}\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-3}. A crosta continental é enriquecida nesses elementos; a crosta oceânica e o manto são empobrecidos; mas o manto é tão grande que ainda guarda uma parcela grande das fontes de calor do planeta.

Definição 10.3 (Resfriamento secular)

O resfriamento secular é a parte da perda de calor da Terra fornecida pela lenta diminuição da temperatura de seu interior, manto e núcleo: a liberação do calor armazenado desde a formação do planeta, a uma taxa −∑jMjcj dTj/dt-\sum_j M_j c_j\,\mathrm dT_j/\mathrm dt para reservatórios de massa MjM_j, calor específico cjc_j e temperatura média TjT_j.

A conservação da energia dá o balanço de toda a Terra: o calor perdido na superfície é a produção radiogênica mais o resfriamento secular,

Q=Hrad+Qsc.Q = H_{\text{rad}} + Q_{\text{sc}} .

Os geoneutrinos medem parte do primeiro termo: o resultado de 2011, que combinou dois detectores, atribui 20 TW20\,\mathrm{TW} ao urânio e ao tório, e X40X2240K\ce{^{40}K}, cujos antineutrinos são fracos demais para serem detectados dessa forma, é conhecido por acrescentar cerca de 4 TW4\,\mathrm{TW}.

Cerca da metade da perda de calor é, portanto, radiogênica, e a outra metade, cerca de 23 TW23\,\mathrm{TW}, é resfriamento secular. Parte desse resfriamento é do núcleo: o calor que atravessa a fronteira manto–núcleo é estimado em 5 a 15 TW5\text{ a }15\,\mathrm{TW}. Esses números são incertos: a própria medida tem uma incerteza de cerca de 9 TW9\,\mathrm{TW}, os resultados dos geoneutrinos até agora só restringem a parte radiogênica a 15 a 41 TW15\text{ a }41\,\mathrm{TW}, e modelos da Terra de tipos diferentes variam de 14 a 46 TW14\text{ a }46\,\mathrm{TW}. O total, medido na superfície, é o termo mais bem conhecido do balanço (figura abaixo).

O balanço térmico da Terra. Em cima: o calor perdido pelo fundo oceânico e pelos continentes, (47 ± 2)\, TW ao todo. Embaixo: suas fontes, com a parte radiogênica do urânio e do tório medida pelos geoneutrinos e a do potássio estimada; o restante, por diferença, é resfriamento secular, do qual o núcleo fornece uma parte mal conhecida. A barra laranja mostra a faixa da parte radiogênica permitida pelas medidas dos geoneutrinos.
O balanço térmico da Terra. Em cima: o calor perdido pelo fundo oceânico e pelos continentes, (47±2) TW(47 \pm 2)\,\mathrm{TW} ao todo. Embaixo: suas fontes, com a parte radiogênica do urânio e do tório medida pelos geoneutrinos e a do potássio estimada; o restante, por diferença, é resfriamento secular, do qual o núcleo fornece uma parte mal conhecida. A barra laranja mostra a faixa da parte radiogênica permitida pelas medidas dos geoneutrinos.

O calor radiogênico foi maior no passado, porque os isótopos eram mais abundantes: X235X22235U\ce{^{235}U} e X40X2240K\ce{^{40}K}, os de vida curta, contribuíam então muito mais (Livro 2, 12º ano). O motor térmico da Terra está se esgotando devagar, pelas duas razões.

10.2 Medindo o fluxo de calor

O fluxo de calor não é medido diretamente: ele é calculado a partir de um gradiente de temperatura e de uma condutividade.

Proposição 10.4 (Lei de Fourier)

Em um meio de condutividade térmica kk, o calor é conduzido descendo o gradiente de temperatura, a uma taxa por unidade de área proporcional a ele. Com zz a profundidade, contada positivamente para baixo, e qq contado positivamente para cima,

q=k dTdz.q = k\,\frac{\mathrm dT}{\mathrm dz} .

Demonstração. Admitido neste nível. ∎

A lei é estabelecida no volume de física do segundo ano universitário. A maioria das rochas conduz calor a 1.5 a 3 W m−1 K−11.5\text{ a }3\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1} abaixo de 200 ∘C200\,{}^{\circ}\mathrm{C}, menos quando quente; modelos do fluxo continental dão à crosta superior granítica cerca de 2.7 W m−1 K−12.7\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1};

um gradiente de 25 K km−125\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1} nela significa um fluxo de calor de cerca de 70 mW m−270\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}.

Quando as rochas atravessadas por um furo de sondagem têm condutividades diferentes, o gradiente muda de uma para outra, mas o fluxo de calor não muda, desde que nenhum calor seja produzido ou armazenado entre elas. A proposição seguinte transforma isso em um teste.

Proposição 10.5 (Gráfico de Bullard)

Seja R(z)=∫0zdζ/k(ζ)R(z) = \int_0^z \mathrm d\zeta/k(\zeta) a resistência térmica, por unidade de área, das rochas entre a superfície e a profundidade zz, em m2 K W−1\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{K}\,\mathrm{W}^{-1}. Se o fluxo de calor qq é o mesmo em cada profundidade de um furo, a temperatura é uma função linear da resistência térmica: T(z)=T0+q R(z)T(z) = T_0 + q\,R(z).

Demonstração. Pela lei de Fourier, dT/dz=q/k(z)\mathrm dT/\mathrm dz = q/k(z). Integrando de 00 a zz, com qq constante, T(z)−T0=q∫0zdζ/k(ζ)=q R(z)T(z) - T_0 = q\int_0^z \mathrm d\zeta/k(\zeta) = q\,R(z). ∎

Método 10.6 (O fluxo de calor a partir de um furo)

  1. Registre a temperatura ao longo do furo bem depois da perfuração, quando o distúrbio causado pelo fluido de perfuração já se dissipou, e descarte as dezenas de metros mais superficiais, que acompanham as estações do ano.
  2. Meça a condutividade de amostras de testemunho de cada rocha atravessada, em laboratório, e calcule a resistência térmica R(z)R(z) em cada profundidade registrada.
  3. Trace TT contra RR: a inclinação da reta é o fluxo de calor. Uma inflexão revela água circulando pelas rochas, uma mudança passada da temperatura da superfície ou um erro em uma condutividade.
  4. Corrija, quando necessário, a topografia, que curva as isotermas sob colinas e vales, e o lento aquecimento desde a última glaciação, que ainda perturba o quilômetro superior ou pouco mais.

No mar, não é preciso um furo. A temperatura no fundo do oceano profundo é muito estável, de modo que alguns metros de sedimento mole já carregam o gradiente de equilíbrio. Uma lança de aço com uma fileira de sensores de temperatura é lançada de um navio e cravada no sedimento por um peso pesado (figura abaixo); os sensores registram o gradiente, e um pulso de calor enviado ao longo da lança dá a condutividade do sedimento no próprio local. O fundo oceânico tem uma armadilha. Sobre crosta jovem, a água do mar circula pelo basalto fraturado e leva embora grande parte do calor por advecção, de modo que o fluxo de calor condutivo medido fica bem aquém da perda real. A perda através do fundo oceânico mais jovem é, portanto, calculada a partir do modelo de resfriamento de Seção 10.5, calibrado em crosta antiga, onde a circulação cessou: esta parte calculada, 23.1 TW23.1\,\mathrm{TW}, é cerca de metade do total global.

Medição do fluxo de calor (esquemática, fora de escala). (a) Em terra, a temperatura é registrada ao longo de um furo quando ele voltou ao equilíbrio, e a condutividade de cada rocha é medida em amostras de testemunho: o gradiente é mais íngreme onde a condutividade é menor, e o fluxo de calor, seu produto, é o mesmo. (b) No mar, uma lança com sensores é cravada alguns metros no sedimento do fundo oceânico.
Medição do fluxo de calor (esquemática, fora de escala). (a) Em terra, a temperatura é registrada ao longo de um furo quando ele voltou ao equilíbrio, e a condutividade de cada rocha é medida em amostras de testemunho: o gradiente é mais íngreme onde a condutividade é menor, e o fluxo de calor, seu produto, é o mesmo. (b) No mar, uma lança com sensores é cravada alguns metros no sedimento do fundo oceânico.

No campo — Fluxo de calor no mar

Uma sonda de fluxo de calor suspensa do guindaste de popa de um navio de pesquisa (ilustração gerada por IA).

Em um navio de pesquisa, a sonda de fluxo de calor é uma lança pesada suspensa do guindaste de popa. Ela é baixada pelo cabo do navio até logo acima do fundo do mar, e então solta: o peso a crava no sedimento, e a tripulação espera no convés enquanto os sensores se acomodam à temperatura da lama, depois a recolhe e vai para a próxima estação, a uma curta distância. Uma linha dessas estações através do flanco de uma dorsal mostra a diminuição do fluxo de calor com a idade do fundo, e a dispersão entre estações vizinhas mostra onde a água circula pela crosta abaixo.

10.3 O geotermo condutivo estacionário

Definição 10.7 (Geotermo)

O geotermo sob um ponto da superfície é a temperatura em função da profundidade ali, T(z)T(z). É um geotermo condutivo estacionário quando não muda com o tempo e o calor é transportado ao longo dele apenas por condução.

Dentro da litosfera, longe de vulcões ativos e da circulação de água, o calor é transportado por condução, e em escala de milhões de anos o geotermo é estacionário. Sua forma decorre então de um balanço de energia.

Teorema 10.8 (Condução estacionária com produção de calor)

Ao longo de um geotermo condutivo estacionário, em um meio de condutividade uniforme kk com produção de calor A(z)A(z) e sem fluxo horizontal de calor,

dqdz=−A(z),isto eˊk d2Tdz2=−A(z).\frac{\mathrm dq}{\mathrm dz} = -A(z), \qquad\text{isto é}\qquad k\,\frac{\mathrm d^2T}{\mathrm dz^2} = -A(z).

Demonstração. Considere uma placa horizontal de área SS entre as profundidades zz e z+dzz + \mathrm dz. O calor entra pela sua base à taxa q(z+dz) Sq(z + \mathrm dz)\,S, sai pelo seu topo à taxa q(z) Sq(z)\,S, e é produzido em seu interior à taxa A(z) S dzA(z)\,S\,\mathrm dz. Em regime estacionário nenhum calor é armazenado, logo q(z) S=q(z+dz) S+A(z) S dzq(z)\,S = q(z + \mathrm dz)\,S + A(z)\,S\,\mathrm dz, o que dá dq/dz=−A\mathrm dq/\mathrm dz = -A. Pela lei de Fourier q=k dT/dzq = k\,\mathrm dT/\mathrm dz, e com kk uniforme, k T′′=−Ak\,T'' = -A. ∎

Lido da superfície para baixo, o fluxo de calor diminui com a profundidade pelo calor produzido acima de cada nível: o que atravessa a superfície é o calor vindo de baixo mais todo o calor produzido no caminho. Duas distribuições de AA dão formas fechadas.

Proposição 10.9 (Uma camada radiogênica uniforme)

Seja a produção de calor igual a AA da superfície até a profundidade hh, e zero abaixo, a superfície esteja à temperatura T0T_0, e o fluxo de calor na superfície seja q0q_0. Então, para 0≤z≤h0 \le z \le h

q(z)=q0−Az,T(z)=T0+q0zk−Az22k,q(z) = q_0 - A z, \qquad T(z) = T_0 + \frac{q_0 z}{k} - \frac{A z^2}{2k},

e abaixo de hh o fluxo de calor é uniforme, qm=q0−Ahq_m = q_0 - A h, e o geotermo é uma reta de inclinação qm/kq_m/k.

Demonstração. Integre dq/dz=−A\mathrm dq/\mathrm dz = -A a partir de 00 com q(0)=q0q(0) = q_0: q=q0−Azq = q_0 - Az. Então dT/dz=(q0−Az)/k\mathrm dT/\mathrm dz = (q_0 - Az)/k; integrando com T(0)=T0T(0) = T_0 dá a parábola. Abaixo de hh, dq/dz=0\mathrm dq/\mathrm dz = 0 e qq mantém seu valor em hh. ∎

Teorema 10.10 (Produção exponencial de calor e a relação linear do fluxo de calor)

Seja a produção de calor diminuindo com a profundidade como A(z)=A0e−z/DA(z) = A_0 e^{-z/D}, o fluxo de calor tendendo a qmq_m em grande profundidade, e a superfície à temperatura T0T_0. Então

q(z)=qm+A0D e−z/D,T(z)=T0+qmzk+A0D2k(1−e−z/D),q(z) = q_m + A_0 D\,e^{-z/D}, \qquad T(z) = T_0 + \frac{q_m z}{k} + \frac{A_0 D^2}{k}\bigl(1 - e^{-z/D}\bigr),

e o fluxo de calor na superfície é

q0=qm+A0D.q_0 = q_m + A_0 D .

Demonstração. A partir de Teorema 10.8, dq/dz=−A0e−z/D\mathrm dq/\mathrm dz = -A_0e^{-z/D}, logo q(z)=A0De−z/D+Cq(z) = A_0 D e^{-z/D} + C; quando z→∞z \to \infty, q→Cq \to C, logo C=qmC = q_m. Em z=0z = 0, q0=qm+A0Dq_0 = q_m + A_0 D. Então dT/dz=q/k=qm/k+(A0D/k) e−z/D\mathrm dT/\mathrm dz = q/k = q_m/k + (A_0D/k)\,e^{-z/D}, e integrando desde 00 com T(0)=T0T(0) = T_0, T=T0+qmz/k+(A0D2/k)(1−e−z/D)T = T_0 + q_m z/k + (A_0 D^2/k)(1 - e^{-z/D}). ∎

A última linha é uma previsão que pode ser testada na superfície. Plútons graníticos de uma região compartilham o mesmo fluxo de calor profundo qmq_m e, se diferem apenas pela riqueza em urânio, tório e potássio, a mesma escala DD; então o fluxo de calor medido sobre cada plúton deve ser uma função linear da produção de calor medida em suas rochas, com inclinação DD, um comprimento, e intercepto qmq_m, o fluxo de calor reduzido, vindo de baixo da camada radiogênica. Francis Birch observou primeiro uma reta assim, relatada em 1968, e no mesmo ano três províncias foram definidas por suas retas:

provínciaintercepto qmq_m (mW m−2\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2})inclinação DD (km\mathrm{km})
leste dos Estados Unidos337.5
província Basin and Range599.4
província Sierra Nevada1710

Os interceptos, publicados nas unidades antigas como 0.8, 1.4 e 0.4×10−6 cal cm−2 s−10.4\times10^{-6}\,\mathrm{cal}\,\mathrm{cm}^{-2}\,\mathrm{s}^{-1}, são convertidos com 1 µcal cm−2 s−1=41.84 mW m−21\,\text{µ}\mathrm{cal}\,\mathrm{cm}^{-2}\,\mathrm{s}^{-1} = 41.84\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2} (Exercício 10.4). As inclinações variam pouco, de 7 a 10 km10\,\mathrm{km}; o fluxo de calor reduzido varia muito, e mapas dele mostram onde o manto abaixo está quente, como sob a crosta estirada da Basin and Range. A camada uniforme de Proposição 10.9 também dá uma reta, de inclinação hh: os dois modelos ajustam os dados, mas só o exponencial permanece uma reta de mesma inclinação quando os plútons são erodidos a profundidades diferentes (Exercício 10.10), e por isso é o preferido.

Geotermos condutivos estacionários de um continente com produção de calor A_0 = 2.5\, µ W\, m-3 decrescendo ao longo de D = 10\, km, k = 2.5\, W\, m-1\, K-1, para três fluxos de calor na superfície (fluxo reduzido 15, 30 e 45\, mW\, m-2). Cada um segue sua curva condutiva (tracejada além) até a adiabática do manto, que encontra no ponto: a base da litosfera térmica. O geotermo do fundo oceânico é o de um semiespaço resfriado por 60\, Myr. A condutividade uniforme é uma simplificação.
Geotermos condutivos estacionários de um continente com produção de calor A0=2.5 µW m−3A_0 = 2.5\,\text{µ}\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-3} decrescendo ao longo de D=10 kmD = 10\,\mathrm{km}, k=2.5 W m−1 K−1k = 2.5\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1}, para três fluxos de calor na superfície (fluxo reduzido 15, 30 e 45 mW m−245\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}). Cada um segue sua curva condutiva (tracejada além) até a adiabática do manto, que encontra no ponto: a base da litosfera térmica. O geotermo do fundo oceânico é o de um semiespaço resfriado por 60 Myr60\,\mathrm{Myr}. A condutividade uniforme é uma simplificação.

Método 10.11 (A temperatura em profundidade sob um plúton)

  1. Meça o fluxo de calor na superfície q0q_0 sobre o plúton (método do furo) e sua produção de calor A0A_0 a partir de seus teores de U, Th e K.
  2. A partir da reta da província, ou com um valor de DD de cerca de 10 km10\,\mathrm{km}, calcule qm=q0−A0Dq_m = q_0 - A_0 D.
  3. Aplique Teorema 10.10. Abaixo de algumas vezes DD, e−z/De^{-z/D} é desprezível e o geotermo é a reta T0+A0D2/k+qmz/kT_0 + A_0D^2/k + q_m z/k: a camada radiogênica elevou toda temperatura profunda de A0D2/kA_0D^2/k.

Na figura, a temperatura na Moho vai de cerca de 320∘C320{}^{\circ}\mathrm{C} para o menor fluxo de calor a mais de 700∘C700{}^{\circ}\mathrm{C} para o maior: o fluxo de calor na superfície traz uma leitura direta da temperatura da crosta profunda, que governa sua resistência (Capítulo 16).

10.4 Condução contra convecção

A condução é lenta. Quão lenta decorre da equação do calor, que os livros de física deduzem da lei de Fourier e do balanço de Teorema 10.8 com armazenamento incluído: em uma dimensão, sem produção de calor, ∂T/∂t=κ ∂2T/∂z2\partial T/\partial t = \kappa\,\partial^2 T/\partial z^2.

Proposição 10.12 (A escala de tempo condutiva)

Uma variação de temperatura imposta em uma fronteira de um corpo condutor se espalha por uma distância LL em um tempo da ordem de

τ=L2κ.\tau = \frac{L^2}{\kappa} .

Demonstração. Escreva z=Lz∗z = L z^*, t=τt∗t = \tau t^*, com z∗z^* e t∗t^* adimensionais. A equação do calor torna-se ∂T/∂t∗=(κτ/L2) ∂2T/∂z∗2\partial T/\partial t^* = (\kappa\tau/L^2)\,\partial^2 T/\partial z^{*2}. Suas soluções variam na escala z∗∼1z^* \sim 1 quando t∗∼1t^* \sim 1 só se o coeficiente for de ordem um, isto é, se τ∼L2/κ\tau \sim L^2/\kappa. ∎

As rochas têm κ≈10−6 m2 s−1\kappa \approx 10^{-6}\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{s}^{-1}. O ciclo diário de temperatura atinge algumas dezenas de centímetros no solo, o anual alguns metros, e o aquecimento desde a última glaciação cerca de um quilômetro. Através de uma litosfera de 100 km100\,\mathrm{km} de espessura, τ=1016 s\tau = 10^{16}\,\mathrm{s}, cerca de 300 Myr300\,\mathrm{Myr}. Através do manto, de 2900 km2900\,\mathrm{km} de espessura, τ=8.4×1018 s\tau = 8.4 \times 10^{18}\,\mathrm{s}, ou 270 Gyr270\,\mathrm{Gyr}: sessenta vezes a idade da Terra, 4.54 Gyr4.54\,\mathrm{Gyr}. Só a condução não poderia ter trazido o calor do manto profundo para perto da superfície. O manto convecta, e em seu interior o calor é transportado pelo próprio movimento da rocha, nas velocidades das placas, centímetros por ano.

Definição 10.13 (Adiabática do manto)

A adiabática do manto é o geotermo do interior bem misturado do manto em convecção: a temperatura que a rocha do manto assume ao subir ou afundar rápido o bastante para não trocar calor com seu entorno, resfriando por expansão ao subir e aquecendo por compressão ao afundar.

A termodinâmica dá seu gradiente, dT/dz=αgT/cp\mathrm dT/\mathrm dz = \alpha g T/c_p, com α\alpha a expansividade térmica e cpc_p o calor específico (física, admitido aqui). Ele é pequeno. Uma avaliação recente da física mineral dá 0.54 K km−10.54\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1} a 50 km50\,\mathrm{km} de profundidade, diminuindo para 0.36 K km−10.36\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1} a 410 km410\,\mathrm{km}, depois 0.41 até 0.23 K km−10.23\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1} através do manto inferior, com 1646 K1646\,\mathrm{K} a 50 km50\,\mathrm{km} e 2587 K2587\,\mathrm{K} a 2800 km2800\,\mathrm{km}.

Extrapolada até a superfície, a adiabática dá a temperatura potencial do manto, 1619 K1619\,\mathrm{K} ou cerca de 1350∘C1350{}^{\circ}\mathrm{C}: a temperatura que o manto teria se fosse trazido à superfície sem trocar calor. A noção de temperatura potencial é definida, para a atmosfera e o oceano, em Capítulo 26. Uma temperatura que aumenta apenas 0.5 K0.5\,\mathrm{K} por quilômetro enquanto o geotermo condutivo perto de a superfície sobe 25 K25\,\mathrm{K} é a assinatura da convecção.

História — John Perry e a Terra que esfria

Em 1862–1863 William Thomson, depois Lorde Kelvin, calculou a idade da Terra a partir de seu resfriamento. Ele a tratou como um sólido que resfriara por condução a partir de uma temperatura uniforme de cerca de 3900∘C3900{}^{\circ}\mathrm{C}; com o gradiente médio então que escolheu entre as medidas de sua época, de cerca de 36 K km−136\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1}, e uma difusividade de 1.2×10−6 m2 s−11.2 \times 10^{-6}\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{s}^{-1}, o tempo necessário para atingir o gradiente de hoje foi de cerca de 96 Myr96\,\mathrm{Myr}, entre limites de 24 e 400 Myr400\,\mathrm{Myr} (Exercício 10.9). Geólogos acharam isso curto demais. Em 1895, um ano antes de a radioatividade ser descoberta, seu antigo assistente John Perry apontou uma hipótese em seu lugar: se o interior fosse em parte fluido e convectasse, ele transportaria calor como se tivesse uma condutividade enorme, e todo o interior, e não uma casca externa fina, alimentaria o fluxo de calor na superfície. Seu argumento foi negligenciado e esquecido; a convecção do manto, estabelecida muito depois, lhe deu razão: o manto profundo esfria por convecção, e isso é o resfriamento secular do balanço.

Proposição 10.14 (A Terra bem misturada de Perry)

Seja uma esfera de raio RR com interior bem misturado, na temperatura uniforme Ti(t)T_i(t), com capacidade térmica ρc\rho c por unidade de volume, sob uma tampa condutora de espessura L≪RL \ll R e condutividade kk cuja superfície está a 0∘C0{}^{\circ}\mathrm{C}, e seja nula a produção de calor. Então

Ti(t)=Ti(0) e−t/τP,τP=RL3κ,T_i(t) = T_i(0)\,e^{-t/\tau_P}, \qquad \tau_P = \frac{RL}{3\kappa},

e o fluxo de calor na superfície kTi/LkT_i/L decai com a mesma constante de tempo.

Demonstração. Sendo a tampa fina, ela está em regime estacionário e transporta o fluxo de calor q=kTi/Lq = kT_i/L. O interior perde seu calor pela área 4πR24\pi R^2: 43πR3ρc dTi/dt=−4πR2kTi/L\tfrac43\pi R^3\rho c\,\mathrm dT_i/\mathrm dt = -4\pi R^2 kT_i/L, isto é dTi/dt=−3κTi/(RL)\mathrm dT_i/\mathrm dt = -3\kappa T_i/(RL) com κ=k/(ρc)\kappa = k/(\rho c), cuja solução é a exponencial de τP=RL/(3κ)\tau_P = RL/(3\kappa). ∎

Para R=6400 kmR = 6400\,\mathrm{km}, L=100 kmL = 100\,\mathrm{km} e κ=10−6 m2 s−1\kappa = 10^{-6}\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{s}^{-1}, τP=6.8 Gyr\tau_P = 6.8\,\mathrm{Gyr}: uma Terra em convecção mantém um fluxo de calor alto por bilhões de anos, enquanto a Terra condutiva de Kelvin o perdeu em dezenas de milhões (Exercício 10.11).

10.5 A litosfera como camada limite térmica

Definição 10.15 (Camada limite térmica, litosfera térmica)

Em um fluido em convecção, uma camada limite térmica é uma camada ao longo de uma fronteira através da qual o calor passa por condução, e a temperatura muda da que tem a fronteira para a do interior bem misturado. A litosfera térmica é a camada limite térmica superior do manto: a casca externa da Terra, da superfície para baixo até a profundidade em que o geotermo condutivo encontra a adiabática do manto.

As placas são o topo frio da convecção do manto, sua camada limite superior. Sua base, onde o geotermo condutivo íngreme se curva para a adiabática suave, fica a 70 a 230 km70\text{ a }230\,\mathrm{km} na figura dos geotermos para fluxos de calor continentais de 70 a 40 mW m−240\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}, na faixa medida pela sismologia (Capítulo 9): a litosfera definida por sua resistência e a litosfera definida por sua temperatura são aproximadamente a mesma casca, porque a resistência depende da temperatura. Na base do manto, a camada D′′'' é a camada limite inferior, aquecida de baixo pelo núcleo.

Sob os oceanos, a camada limite nasce na dorsal, onde o manto quente sobe até a superfície, e engrossa à medida que a placa se afasta e esfria. O resfriamento de um semiespaço a partir de uma temperatura uniforme, resolvido por Fourier e usado por Kelvin para a Terra inteira, descreve-o bem (Capítulo 13 e o Livro 5 o deduz): as isotermas se aprofundam como a raiz quadrada da idade do fundo (figura abaixo), e o fluxo de calor diminui como

q(t)=Ct,C≈490 mW m−2 Myr1/2,q(t) = \frac{C}{\sqrt t}, \qquad C \approx 490\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}\,\mathrm{Myr}^{1/2},

o valor usado no balanço global. Aos 100 Myr100\,\mathrm{Myr} o semiespaço resfriou até cerca de 130 km130\,\mathrm{km} (Exercício 10.12). A placa real deixa de engrossar mais cedo: ondas sísmicas que atravessam o Pacífico são melhor ajustadas por uma placa em resfriamento que tende a uma espessura de 85 a 95 km85\text{ a }95\,\mathrm{km}, o achatamento do fundo oceânico antigo, encontrado de novo em Capítulo 13.

O balanço de calor, o fluxo de calor e a estrutura térmica das placas se reúnem nos próximos capítulos: a placa que esfria afunda (Capítulo 13), e a litosfera fria que afunda nas zonas de subducção é a descida da convecção à qual pertence.

Isotermas em uma placa oceânica em resfriamento: um semiespaço inicialmente a 1350 C, resfriado a partir da superfície, com = 10-6\, m2\, s-1. Cada isoterma se aprofunda como a raiz quadrada da idade; a camada sombreada acima da isoterma de 1200 C é a litosfera térmica. As setas são esquemáticas.
Isotermas em uma placa oceânica em resfriamento: um semiespaço inicialmente a 1350∘C1350{}^{\circ}\mathrm{C}, resfriado a partir da superfície, com κ=10−6 m2 s−1\kappa = 10^{-6}\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{s}^{-1}. Cada isoterma se aprofunda como a raiz quadrada da idade; a camada sombreada acima da isoterma de 1200∘C1200{}^{\circ}\mathrm{C} é a litosfera térmica. As setas são esquemáticas.

10.6 Exercícios

Exercício 10.1 ★

Um furo em granito de condutividade 2.5 W m−1 K−12.5\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1} mostra um gradiente estacionário de 22 K km−122\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1}. Calcule o fluxo de calor e a potência que atravessa um quilômetro quadrado da superfície ali.

Solução

Solução de Exercício 10.1.

q=k dT/dz=2.5×0.022 K m−1=0.055 W m−2=55 mW m−2q = k\,\mathrm dT/\mathrm dz = 2.5\times0.022\,\mathrm{K}\,\mathrm{m}^{-1} = 0.055\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-2} = 55\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}. Através de 1 km21\,\mathrm{km}^{2} =106 m2= 10^{6}\,\mathrm{m}^{2}: 5.5×104 W5.5 \times 10^{4}\,\mathrm{W}, isto é, 55 kW55\,\mathrm{kW}.

Exercício 10.2 ★

A partir das áreas e dos fluxos médios de calor dos continentes (2.073×1014 m22.073 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2}, 70.9 mW m−270.9\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}) e dos oceanos (3.028×1014 m23.028 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2}, 105.4 mW m−2105.4\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}), calcule a perda de calor de cada um, o total e o fluxo médio de calor sobre a superfície da Terra (5.101×1014 m25.101 \times 10^{14}\,\mathrm{m}^{2}). Que fração do 173 000 TW173\,000\,\mathrm{TW} recebidos do Sol ela representa?

Solução

Solução de Exercício 10.2.

Continentes 2.073×1014×0.0709=1.470×1013 W=14.70 TW2.073 \times 10^{14}\times0.0709 = 1.470 \times 10^{13}\,\mathrm{W} = 14.70\,\mathrm{TW}; oceanos 3.028×1014×0.1054=31.92 TW3.028 \times 10^{14}\times0.1054 = 31.92\,\mathrm{TW}; total 46.61 TW46.61\,\mathrm{TW}, e o fluxo médio de calor 4.661×1013/5.101×1014=91.4 mW m−24.661 \times 10^{13}/5.101 \times 10^{14} = 91.4\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2} (o valor publicado, 46.7 e 91.6, difere apenas pelo arredondamento das duas médias). A fração da entrada solar é 46.6/173000=2.7×10−446.6/173000 = 2.7 \times 10^{-4}, ou 0.027 %0.027\,\%.

Exercício 10.3 ★

Pela tabela dos quatro isótopos, calcule o calor liberado por quilograma de urânio natural (99.274 %99.274\,\% X238X22238U\ce{^{238}U} e 0.720 %0.720\,\% X235X22235U\ce{^{235}U} dos átomos; suas massas diferem em cerca de 1 %1\,\%, então tome-os como frações mássicas) e por quilograma de potássio natural, cujo X40X2240K\ce{^{40}K} é 0.0117 %0.0117\,\% dos átomos (tome a massa de um átomo de X40X2240K\ce{^{40}K} como 39.96/39.1039.96/39.10 vezes a massa média de um átomo de potássio).

Solução

Solução de Exercício 10.3.

Urânio: 0.99274×9.513×10−5+0.00720×5.685×10−4=9.444×10−5+4.09×10−6=9.85×10−5 W kg−10.99274\times9.513 \times 10^{-5} + 0.00720\times5.685 \times 10^{-4} = 9.444 \times 10^{-5} + 4.09 \times 10^{-6} = 9.85 \times 10^{-5}\,\mathrm{W}\,\mathrm{kg}^{-1}; o raro X235X22235U\ce{^{235}U} fornece 4 %4\,\% dele. Potássio: a fração mássica de X40X2240K\ce{^{40}K} é 1.17×10−4×39.96/39.10=1.196×10−41.17 \times 10^{-4}\times39.96/39.10 = 1.196 \times 10^{-4}, logo 1.196×10−4×2.847×10−5=3.40×10−9 W kg−11.196 \times 10^{-4}\times2.847 \times 10^{-5} = 3.40 \times 10^{-9}\,\mathrm{W}\,\mathrm{kg}^{-1}.

Exercício 10.4 ★

Converta os interceptos das três províncias, 0.8, 1.4 e 0.4×10−6 cal cm−2 s−10.4\times10^{-6}\,\mathrm{cal}\,\mathrm{cm}^{-2}\,\mathrm{s}^{-1}, em mW m−2\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2} (1 cal=4.184 J1\,\mathrm{cal} = 4.184\,\mathrm{J}). Preveja o fluxo de calor na superfície sobre um granito de produção de calor 3.0 µW m−33.0\,\text{µ}\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-3} em cada província.

Solução

Solução de Exercício 10.4.

A conversão é 1 µcal cm−2 s−1=4.184×10−6 J s−1/10−4 m2=41.84 mW m−21\,\text{µ}\mathrm{cal}\,\mathrm{cm}^{-2}\,\mathrm{s}^{-1} = 4.184 \times 10^{-6}\,\mathrm{J}\,\mathrm{s}^{-1}/10^{-4}\,\mathrm{m}^{2} = 41.84\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}: leste dos Estados Unidos 33.5 mW m−233.5\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}, Basin and Range 58.6 mW m−258.6\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}, Sierra Nevada 16.7 mW m−216.7\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}. Com A0DA_0D em mW m−2\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2} quando A0A_0 está em µW m−3\text{µ}\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-3} e DD em km\mathrm{km}: 33.5+3.0×7.5=56.0 mW m−233.5 + 3.0\times7.5 = 56.0\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}, 58.6+3.0×9.4=86.8 mW m−258.6 + 3.0\times9.4 = 86.8\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}, 16.7+3.0×10=46.7 mW m−216.7 + 3.0\times10 = 46.7\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}. O mesmo granito dá fluxos de calor quase duas vezes maiores na Basin and Range do que na Sierra Nevada: a diferença está no manto abaixo.

Exercício 10.5 ★★

Uma crosta tem produção de calor uniforme de 2.0 µW m−32.0\,\text{µ}\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-3} em seus 10 km10\,\mathrm{km} superiores e nenhuma abaixo, condutividade de 2.5 W m−1 K−12.5\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1}, um fluxo de calor na superfície de 60 mW m−260\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2} e uma temperatura na superfície de 10∘C10{}^{\circ}\mathrm{C}. Calcule a temperatura a 10 km10\,\mathrm{km}, o fluxo de calor abaixo da camada radiogênica e a temperatura na Moho, 35 km35\,\mathrm{km} abaixo.

Solução

Solução de Exercício 10.5.

T(10 km)=10+0.060×1042.5−2×10−6×1082×2.5=10+240−40=210∘CT(10\,\text{km}) = 10 + \frac{0.060\times10^4}{2.5} - \frac{2 \times 10^{-6}\times10^8}{2\times2.5} = 10 + 240 - 40 = 210{}^{\circ}\mathrm{C}. Abaixo, qm=60−2.0×10=40 mW m−2q_m = 60 - 2.0\times10 = 40\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}, um gradiente de 16 K km−116\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1}, e T(35 km)=210+16×25=610∘CT(35\,\text{km}) = 210 + 16\times25 = 610{}^{\circ}\mathrm{C}.

Exercício 10.6 ★★

Um furo atravessa 300 m300\,\mathrm{m} de folhelho (k=1.5 W m−1 K−1k = 1.5\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1}), depois granito (k=3.0 W m−1 K−1k = 3.0\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1}). As temperaturas de equilíbrio são 12.0∘C12.0{}^{\circ}\mathrm{C} na superfície, 24.0∘C24.0{}^{\circ}\mathrm{C} a 300 m300\,\mathrm{m} e 34.0∘C34.0{}^{\circ}\mathrm{C} a 800 m800\,\mathrm{m}. Calcule o gradiente e o fluxo de calor em cada rocha, a resistência térmica a 300 m300\,\mathrm{m} e a 800 m800\,\mathrm{m}, e a inclinação do gráfico de Bullard. O fluxo de calor é constante?

Solução

Solução de Exercício 10.6.

Folhelho: gradiente 12.0/0.300=40 K km−112.0/0.300 = 40\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1}, q=1.5×0.040=60 mW m−2q = 1.5\times0.040 = 60\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}. Granito: 10.0/0.500=20 K km−110.0/0.500 = 20\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1}, q=3.0×0.020=60 mW m−2q = 3.0\times0.020 = 60\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}. R(300)=300/1.5=200 m2 K W−1R(300) = 300/1.5 = 200\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{K}\,\mathrm{W}^{-1}, R(800)=200+500/3.0=366.7 m2 K W−1R(800) = 200 + 500/3.0 = 366.7\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{K}\,\mathrm{W}^{-1}. Os três pontos (0,12.0)(0, 12.0), (200,24.0)(200, 24.0), (366.7,34.0)(366.7, 34.0) estão alinhados, com inclinação 22.0/366.7=0.0600 W m−222.0/366.7 = 0.0600\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-2}: o fluxo de calor é o mesmo, 60 mW m−260\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}, nas duas rochas; só o gradiente muda, em proporção inversa à condutividade.

Exercício 10.7 ★★

Com κ=10−6 m2 s−1\kappa = 10^{-6}\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{s}^{-1}, calcule a escala de tempo condutiva para L=1 mL = 1\,\mathrm{m}, 10 m10\,\mathrm{m}, 100 km100\,\mathrm{km} e 2900 km2900\,\mathrm{km}, cada uma em uma unidade adequada. Quais ciclos de temperatura da superfície ainda são sentidos a 10 m10\,\mathrm{m} abaixo do solo? Compare o último tempo com a idade da Terra.

Solução

Solução de Exercício 10.7.

τ=L2/κ\tau = L^2/\kappa: 1 m1\,\mathrm{m}, 106 s10^{6}\,\mathrm{s} ou 1212 dias; 10 m10\,\mathrm{m}, 108 s10^{8}\,\mathrm{s} ou 3.23.2 anos; 100 km100\,\mathrm{km}, 1016 s10^{16}\,\mathrm{s} ou 317 Myr317\,\mathrm{Myr}; 2900 km2900\,\mathrm{km}, 8.4×1018 s8.4 \times 10^{18}\,\mathrm{s} ou 267 Gyr267\,\mathrm{Gyr}. A 10 m10\,\mathrm{m} o ciclo diário não é sentido de forma alguma, e o ciclo anual, mais curto que os três anos necessários para atravessar 10 m10\,\mathrm{m}, só muito fracamente: passam apenas as mudanças que duram anos ou mais. O último caso dá 267/4.54=59267/4.54 = 59 vezes a idade da Terra.

Exercício 10.8 ★★

A adiabática do manto está a 1646 K1646\,\mathrm{K} a 50 km50\,\mathrm{km} de profundidade, com um gradiente de 0.54 K km−10.54\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1} ali, diminuindo para 0.36 K km−10.36\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1} a 410 km410\,\mathrm{km}. (a) Extrapole-a até a superfície com o gradiente a 50 km50\,\mathrm{km}, e dê a temperatura potencial em kelvins e em graus Celsius. (b) Estime a temperatura a 410 km410\,\mathrm{km} com a média dos dois gradientes, e compare com os 1799 K1799\,\mathrm{K} publicados logo acima da descontinuidade.

Solução

Solução de Exercício 10.8.

(a) 1646−0.54×50=1619 K1646 - 0.54\times50 = 1619\,\mathrm{K}, isto é 1346∘C1346{}^{\circ}\mathrm{C}, o valor publicado de 1350∘C1350{}^{\circ}\mathrm{C} arredondado. (b) Gradiente médio (0.54+0.36)/2=0.45 K km−1(0.54 + 0.36)/2 = 0.45\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1}, logo 1646+0.45×360=1808 K1646 + 0.45\times360 = 1808\,\mathrm{K}, 9 K9\,\mathrm{K} (0.5 %0.5\,\%) acima de 1799 K1799\,\mathrm{K}: o gradiente não diminui linearmente, mas a estimativa está próxima.

Exercício 10.9 ★★

Um semiespaço resfriado a partir da temperatura uniforme T0T_0, com sua superfície mantida em 0∘C0{}^{\circ}\mathrm{C}, tem, após um tempo tt, o gradiente superficial G=T0/πκtG = T_0/\sqrt{\pi\kappa t} (admitido). (a) Exprima tt em termos de GG. (b) Com os valores de Kelvin, T0=3900∘CT_0 = 3900{}^{\circ}\mathrm{C}, κ=1.2×10−6 m2 s−1\kappa = 1.2 \times 10^{-6}\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{s}^{-1} e G=1/50G = 1/50 de grau Fahrenheit por pé, calcule GG em K km−1\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1} e a idade. (c) Refaça com T0=1300∘CT_0 = 1300{}^{\circ}\mathrm{C}, κ=10−6 m2 s−1\kappa = 10^{-6}\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{s}^{-1} e G=36 K km−1G = 36\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1}.

Solução

Solução de Exercício 10.9.

(a) G2=T02/(πκt)G^2 = T_0^2/(\pi\kappa t) dá t=T02/(πκG2)t = T_0^2/(\pi\kappa G^2). (b) G=0.02×59 K/0.3048 m=0.036 45 K m−1=36.45 K km−1G = 0.02\times\tfrac59\,\mathrm{K}/0.3048\,\mathrm{m} = 0.036\,45\,\mathrm{K}\,\mathrm{m}^{-1} = 36.45\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1}; t=39002/(π×1.2×10−6×0.036452)=1.521×107/5.009×10−9=3.04×1015 st = 3900^2/(\pi\times1.2 \times 10^{-6}\times0.03645^2) = 1.521 \times 10^{7}/5.009 \times 10^{-9} = 3.04 \times 10^{15}\,\mathrm{s}, isto é 96 Myr96\,\mathrm{Myr}, a figura de Kelvin. (c) t=13002/(π×10−6×0.0362)=4.15×1014 s=13 Myrt = 1300^2/(\pi\times10^{-6}\times0.036^2) = 4.15 \times 10^{14}\,\mathrm{s} = 13\,\mathrm{Myr}: uma temperatura inicial mais realista torna a Terra condutiva ainda mais jovem.

Exercício 10.10 ★★★

Uma província sofre erosão: uma espessura ee é removida do topo de cada plúton, permanecendo inalterado o fluxo de calor profundo qmq_m. (a) No modelo exponencial, mostre que a nova produção de calor e o novo fluxo de calor na superfície, A0′A_0' e q0′q_0', ainda satisfazem q0′=qm+A0′Dq_0' = q_m + A_0'D. (b) No modelo de camada uniforme de espessura hh, mostre que um plúton erodido de ee está sobre uma reta de inclinação h−eh - e. (c) Plútons de uma província foram erodidos em quantidades diferentes. Qual modelo prevê que eles ainda caiam sobre uma única reta?

Solução

Solução de Exercício 10.10.

(a) Depois da erosão, a nova superfície é a antiga profundidade ee, onde a produção de calor era A0′=A0e−e/DA_0' = A_0e^{-e/D} e o fluxo de calor q(e)=qm+A0De−e/D=qm+A0′Dq(e) = q_m + A_0De^{-e/D} = q_m + A_0'D; medida a partir da nova superfície, a produção ainda decresce como A0′e−z′/DA_0'e^{-z'/D}. O plúton desce ao longo da mesma reta. (b) A camada agora tem espessura h−eh - e com o mesmo AA, logo q0′=qm+A(h−e)q_0' = q_m + A(h - e): sobre uma reta de inclinação h−eh - e passando por qmq_m. (c) Só o modelo exponencial: no modelo de camada uniforme, plútons erodidos a profundidades diferentes estariam sobre retas de inclinações diferentes, e os pontos de uma província se espalhariam. Que uma única reta seja observada favorece uma produção que decresce aproximadamente exponencialmente com a profundidade.

Exercício 10.11 ★★★

No modelo de Perry (Proposição 10.14) tome R=6400 kmR = 6400\,\mathrm{km}, κ=10−6 m2 s−1\kappa = 10^{-6}\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{s}^{-1}, k=3 W m−1 K−1k = 3\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1} e uma temperatura inicial do interior de 1300∘C1300{}^{\circ}\mathrm{C}. (a) Calcule τP\tau_P para tampas de 50 e 100 km100\,\mathrm{km}. (b) Para a tampa de 50 km50\,\mathrm{km}, calcule o fluxo de calor na superfície no início e após 2 Gyr2\,\mathrm{Gyr}. (c) O semiespaço condutivo de Kelvin, com o mesmo kk e T0T_0, tem um fluxo de calor na superfície kT0/πκtkT_0/\sqrt{\pi\kappa t}: calcule-o após 2 Gyr2\,\mathrm{Gyr}, e compare.

Solução

Solução de Exercício 10.11.

(a) τP=RL/(3κ)\tau_P = RL/(3\kappa): para 50 km50\,\mathrm{km}, 6.4×106×5×104/3×10−6=1.07×1017 s=3.4 Gyr6.4 \times 10^{6}\times5 \times 10^{4}/3 \times 10^{-6} = 1.07 \times 10^{17}\,\mathrm{s} = 3.4\,\mathrm{Gyr}; para 100 km100\,\mathrm{km}, 6.8 Gyr6.8\,\mathrm{Gyr}. (b) q=kTi/L=3×1300/5×104=78 mW m−2q = kT_i/L = 3\times1300/5 \times 10^{4} = 78\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2} no início, e 78 e−2/3.38=43 mW m−278\,e^{-2/3.38} = 43\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2} após 2 Gyr2\,\mathrm{Gyr}. (c) 3×1300/π×10−6×6.31×1016=3900/4.45×105=8.8 mW m−23\times1300/\sqrt{\pi\times10^{-6}\times6.31 \times 10^{16}} = 3900/4.45 \times 10^{5} = 8.8\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}: a Terra bem misturada ainda perde cinco vezes mais calor após dois bilhões de anos. Todo o seu interior alimenta a superfície, onde numa Terra condutiva só uma casca externa o faz.

Exercício 10.12 ★★★

O fluxo de calor na superfície de um semiespaço em resfriamento é q=k ΔT/πκtq = k\,\Delta T/\sqrt{\pi\kappa t} (Exercício 10.9). (a) Com k=3 W m−1 K−1k = 3\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1}, κ=10−6 m2 s−1\kappa = 10^{-6}\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{s}^{-1} e ΔT=1336 K\Delta T = 1336\,\mathrm{K} (da temperatura potencial até um fundo oceânico de cerca de 10∘C10{}^{\circ}\mathrm{C}), calcule a constante CC de q=C/tq = C/\sqrt t, com tt em milhões de anos, e compare-a com os 490 mW m−2 Myr1/2490\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}\,\mathrm{Myr}^{1/2} ajustados aos dados. (b) Com C=490C = 490, dê o fluxo de calor a 1, 10 e 100 Myr100\,\mathrm{Myr}. (c) A isoterma de 1200∘C1200{}^{\circ}\mathrm{C} da figura das isotermas em resfriamento está onde z=2×1.163κtz = 2\times1.163\sqrt{\kappa t}; calcule sua profundidade a 100 Myr100\,\mathrm{Myr}.

Solução

Solução de Exercício 10.12.

(a) πκ×1 Myr=π×10−6×3.156×1013=9957 m\sqrt{\pi\kappa\times1\,\mathrm{Myr}} = \sqrt{\pi\times10^{-6}\times3.156 \times 10^{13}} = 9957\,\mathrm{m}, logo C=3×1336/9957=0.403 W m−2C = 3\times1336/9957 = 0.403\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-2} para tt em Myr, 403 mW m−2 Myr1/2403\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}\,\mathrm{Myr}^{1/2}: 82 %82\,\% do valor ajustado de 490. O modelo precisa de um k ΔTk\,\Delta T maior (cerca de 4900 W m−14900\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-1}): uma condutividade mais alta do manto, ou um interior mais quente, como ao longo da adiabática. (b) 490/1=490490/\sqrt1 = 490, 490/10=155490/\sqrt{10} = 155 e 490/100=49 mW m−2490/\sqrt{100} = 49\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}. (c) z=2.32610−6×3.156×1015=2.326×56 180 m=131 kmz = 2.326\sqrt{10^{-6}\times3.156 \times 10^{15}} = 2.326\times56\,180\,\mathrm{m} = 131\,\mathrm{km}.

10.7 Problema: rochas quentes sob os plútons

Problema 10.1

Problema de fim de semana — fluxo de calor e produção de calor de cinco plútons graníticos, a relação linear e a temperatura da crosta profunda

Cinco plútons graníticos de uma província foram perfurados. Em cada furo a temperatura de equilíbrio foi registrada a 100 m100\,\mathrm{m} e a 500 m500\,\mathrm{m}, e a condutividade do granito foi medida em testemunhos; seus teores de urânio, tório e potássio foram analisados em amostras de superfície. Os cinco granitos têm uma densidade de 2650 kg m−32650\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3}.

plútonTT a 100 m100\,\mathrm{m} (∘C{}^{\circ}\mathrm{C})TT a 500 m500\,\mathrm{m} (∘C{}^{\circ}\mathrm{C})kk (W m−1 K−1\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1})U, Th (ppm)K (%\%)
A13.119.22.92.0, 83.0
B12.420.22.63.5, 143.5
C13.621.43.15.0, 184.0
D12.923.12.77.0, 254.2
E14.225.53.010.0, 354.5

Use os calores por quilograma de elemento 9.85×10−5 W kg−19.85 \times 10^{-5}\,\mathrm{W}\,\mathrm{kg}^{-1} (U), 2.63×10−5 W kg−12.63 \times 10^{-5}\,\mathrm{W}\,\mathrm{kg}^{-1} (Th) e 3.40×10−9 W kg−13.40 \times 10^{-9}\,\mathrm{W}\,\mathrm{kg}^{-1} (K). Abaixo dos plútons, tome k=2.5 W m−1 K−1k = 2.5\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1} para toda a crosta e uma temperatura na superfície de 10∘C10{}^{\circ}\mathrm{C}.

Parte I — Fluxo de calor.

  1. Calcule o gradiente de temperatura em cada furo.
  2. Por que as temperaturas devem ser registradas semanas ou meses depois da perfuração, e por que os primeiros 100 m100\,\mathrm{m} são deixados de fora?
  3. Calcule o fluxo de calor em cada plúton.
  4. Compare-os com o fluxo médio continental de calor, 70.9 mW m−270.9\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}.
  5. Os gradientes de B e C são iguais. Por que seus fluxos de calor não são?
  6. Os plútons estão sob colinas. A topografia elevaria ou reduziria o gradiente medido sob um cume? (Pense na forma das isotermas.)

Parte II — Produção de calor e a reta.

  1. Calcule a produção de calor devida ao urânio em cada plúton.
  2. O mesmo para o tório.
  3. O mesmo para o potássio.
  4. Some essas parcelas para obter A0A_0 em cada plúton. Qual elemento contribui menos?
  5. Marque q0q_0 contra A0A_0. Os pontos ficam perto de uma reta?
  6. Calcule as médias de A0A_0 e q0q_0, e as somas ∑(A0−Aˉ0)2\sum (A_0 - \bar A_0)^2 e ∑(A0−Aˉ0)(q0−qˉ0)\sum (A_0 - \bar A_0)(q_0 - \bar q_0).
  7. Deduza a reta de mínimos quadrados q0=qm+DA0q_0 = q_m + D A_0: sua inclinação DD (em km\mathrm{km}) e o intercepto qmq_m.
  8. Compare DD e qmq_m com as três províncias do capítulo. A qual delas esta província se parece?

Parte III — O geotermo sob o plúton E. Arredonde DD para 10 km10\,\mathrm{km} e qmq_m para 30 mW m−230\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}, e tome para o plúton E o valor arredondado A0=5.46 µW m−3A_0 = 5.46\,\text{µ}\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-3}.

  1. Escreva o geotermo T(z)T(z) de Teorema 10.10 com esses valores.
  2. Calcule o fluxo de calor a 10, 20 e 35 km35\,\mathrm{km}.
  3. Que fração do fluxo de calor na superfície sobre E vem de baixo da camada radiogênica?
  4. Calcule a temperatura a 10 km10\,\mathrm{km}.
  5. Calcule a temperatura a 20 km20\,\mathrm{km}.

Parte IV — A crosta profunda.

  1. Calcule a temperatura na Moho, 35 km35\,\mathrm{km} abaixo, sob o plúton A (A0=1.35 µW m−3A_0 = 1.35\,\text{µ}\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-3}).
  2. Em quanto as camadas radiogênicas de A e E elevam as temperaturas profundas? Explique a diferença entre os dois plútons.
  3. Abaixo de 50 km50\,\mathrm{km}, e−z/De^{-z/D} é desprezível. Encontre a profundidade da isoterma de 1300∘C1300{}^{\circ}\mathrm{C} sob o plúton E e sob o plúton A.
  4. Compare essas profundidades com a espessura da litosfera continental encontrada em Capítulo 9.
  5. Qual é a temperatura na Moho sob o plúton E?
Solução

Solução de Problema 10.1.

1. Gradiente =(T500−T100)/0.4 km= (T_{500} - T_{100})/0.4\,\mathrm{km}: A 15.25 K km−115.25\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1}, B 19.5019.50, C 19.5019.50, D 25.5025.50, E 28.25 K km−128.25\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1}.

2. A perfuração perturba a temperatura da rocha (o fluido de perfuração esfria ou aquece as paredes), e a perturbação leva semanas a meses para se dissipar. As dezenas de metros superiores seguem o ciclo sazonal e as mudanças recentes da temperatura da superfície.

3. q0=k×q_0 = k\timesgradiente: A 2.9×15.25=44.225 mW m−22.9\times15.25 = 44.225\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}, B 50.70 mW m−250.70\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}, C 60.45 mW m−260.45\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}, D 68.85 mW m−268.85\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}, E 84.75 mW m−284.75\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}.

4. A a D ficam abaixo da média continental, E acima dela em 13.9 mW m−213.9\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}, ou 20 %20\,\%.

5. O fluxo de calor é condutividade vezes gradiente: C conduz melhor (3.1 contra 2.6), então o mesmo gradiente carrega 19 %19\,\% mais calor.

6. As isotermas seguem a topografia só em parte: sob um cume elas sobem menos que a superfície, logo ficam mais afastadas embaixo dele, e o gradiente medido diminui (aumenta sob um vale). É preciso uma correção para a topografia antes de comparar os plútons.

7. ρCUHU\rho C_U H_U: A 2650×2.0×10−6×9.85×10−5=0.522 µW m−32650\times2.0 \times 10^{-6}\times9.85 \times 10^{-5} = 0.522\,\text{µ}\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-3}, B 0.914, C 1.305, D 1.827, E 2.610.

8. Tório: A 0.558, B 0.976, C 1.255, D 1.742, E 2.439.

9. Potássio: A 2650×0.030×3.40×10−9=0.2702650\times0.030\times3.40 \times 10^{-9} = 0.270, B 0.315, C 0.360, D 0.378, E 0.405.

10. A0A_0 = 1.35, 2.20, 2.92, 3.95 e 5.46 µW m−35.46\,\text{µ}\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-3}. O potássio contribui menos, de 20 %20\,\% do total em A a 7 %7\,\% em E; urânio e tório dividem o resto quase igualmente.

11. Sim: os cinco pontos sobem regularmente, a cerca de 1.5 mW m−21.5\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2} de uma reta.

12. Aˉ0=15.88/5=3.176\bar A_0 = 15.88/5 = 3.176, qˉ0=308.975/5=61.795\bar q_0 = 308.975/5 = 61.795; ∑(A0−Aˉ0)2=10.1681\sum(A_0 - \bar A_0)^2 = 10.1681; ∑(A0−Aˉ0)(q0−qˉ0)=101.146\sum(A_0 - \bar A_0)(q_0 - \bar q_0) = 101.146.

13. D=101.146/10.1681=9.95D = 101.146/10.1681 = 9.95 (em mW m−2\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2} por µW m−3\text{µ}\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-3}, isto é, em km): D=9.95 kmD = 9.95\,\mathrm{km}, e qm=61.795−9.95×3.176=30.20 mW m−2q_m = 61.795 - 9.95\times3.176 = 30.20\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}.

14. A inclinação, cerca de 10 km10\,\mathrm{km}, é a das três províncias; o fluxo de calor reduzido, 30 mW m−230\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2}, está perto dos 33 mW m−233\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2} do leste dos Estados Unidos: uma província calma, com um manto frio embaixo, ao contrário da Basin and Range.

15. qm/k=12 K km−1q_m/k = 12\,\mathrm{K}\,\mathrm{km}^{-1} e A0D2/k=5.46×10−6×108/2.5=218.4 KA_0D^2/k = 5.46 \times 10^{-6}\times10^{8}/2.5 = 218.4\,\mathrm{K}: T(z)=10+12z+218.4 (1−e−z/10)T(z) = 10 + 12z + 218.4\,(1 - e^{-z/10}), zz em km, TT em ∘C{}^{\circ}\mathrm{C}.

16. q(z)=30+54.6 e−z/10q(z) = 30 + 54.6\,e^{-z/10}: 50.1 mW m−250.1\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2} a 10 km10\,\mathrm{km}, 37.437.4 a 20 km20\,\mathrm{km} e 31.7 mW m−231.7\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2} a 35 km35\,\mathrm{km}.

17. 30/84.6=35 %30/84.6 = 35\,\%: quase dois terços do fluxo de calor sobre E são produzidos em sua camada radiogênica.

18. T(10)=10+120+218.4×0.632=268∘CT(10) = 10 + 120 + 218.4\times0.632 = 268{}^{\circ}\mathrm{C}.

19. T(20)=10+240+218.4×0.865=439∘CT(20) = 10 + 240 + 218.4\times0.865 = 439{}^{\circ}\mathrm{C}.

20. Sob A, A0D2/k=1.35×100/2.5=54.0 KA_0D^2/k = 1.35\times100/2.5 = 54.0\,\mathrm{K}: T(35)=10+420+54.0×0.970=482∘CT(35) = 10 + 420 + 54.0\times0.970 = 482{}^{\circ}\mathrm{C}.

21. Pelo A0D2/kA_0D^2/k: 54 K54\,\mathrm{K} sob A e 218 K218\,\mathrm{K} sob E. O fluxo profundo de calor é o mesmo; a crosta de E é quatro vezes mais rica em fontes de calor, e o calor que elas produzem precisa ser conduzido para cima pela mesma rocha, o que exige um gradiente mais íngreme em todo o trajeto.

22. 1300=10+218.4+12z1300 = 10 + 218.4 + 12z dá z=89.3 kmz = 89.3\,\mathrm{km} sob E; 1300=10+54.0+12z1300 = 10 + 54.0 + 12z dá 103.0 km103.0\,\mathrm{km} sob A.

23. Ambas estão dentro da faixa da litosfera continental, de cem quilômetros ou menos sob regiões jovens até cerca de 250 km250\,\mathrm{km} sob crátons, do lado fino dessa faixa: com um fluxo reduzido de 30 mW m−230\,\mathrm{mW}\,\mathrm{m}^{-2} e esta condutividade, o geotermo condutivo atinge temperaturas do manto a cerca de 100 km100\,\mathrm{km}; sob o plúton mais radioativo, 14 km14\,\mathrm{km} antes.

24. T(35)=10+420+218.4×(1−e−3.5)=430+211.8T(35) = 10 + 420 + 218.4\times(1 - e^{-3.5}) = 430 + 211.8: a Moho sob o plúton E está a 642∘C642{}^{\circ}\mathrm{C}.

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