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Ciências da Terra e do espaço universitárias — 1.º ano · স্নাতক প্রথম বর্ষ
10O balanço térmico da Terra
Sob uma montanha nos Alpes japoneses, em uma antiga cavidade de mina, um tanque com mil toneladas de cintilador líquido observa lampejos fracos de luz. A maioria vem de antineutrinos produzidos nos reatores nucleares do país em torno, mas alguns vêm de baixo: o urânio e o tório no interior da Terra emitem antineutrinos ao decair, e estes atravessam o planeta inteiro como se ele estivesse vazio. Em 2135 dias de contagem, o detector registrou 841 eventos candidatos, dos quais 106 foram atribuídos à própria Terra. A partir desse punhado de lampejos, sua equipe estimou em 2011 que o decaimento do urânio e do tório aquece a Terra em cerca de 20 terawatts. O planeta como um todo perde cerca de 47. Este capítulo explica a diferença: de onde vem o calor da Terra, como se mede o calor que sai dela, como a temperatura cresce com a profundidade quando o calor é transportado por condução, por que o manto precisa convectar, e por que as placas são o limite superior frio dessa convecção.
O que você já sabe
Calor flui do quente para o frio; a condutividade térmica de uma rocha mede a facilidade com que o calor a atravessa, e sua difusividade térmica mede a rapidez com que uma variação de temperatura se propaga (física, segundo ano universitário). Núcleos radioativos decaem com meia-vida fixa (física). A temperatura cresce com a profundidade ao longo do geotermo, e o manto convecta (Livro 2, 11º e 12º anos). A litosfera é a casca externa resistente da Terra (Capítulo 9).
10.1 De onde vem o calor
Definição 10.1 (Fluxo de calor)
O fluxo de calor em um ponto da superfície da Terra, ou densidade de fluxo térmico superficial, é a potência de origem interna que atravessa a superfície ali, por unidade de área, contada positivamente para fora. Mede-se em , na prática em . Integrado sobre toda a superfície, dá a perda de calor da Terra .
O fluxo de calor foi medido em dezenas de milhares de locais. Uma compilação de medidas, publicada em 2010, dá os valores médios abaixo, com os oceanos e os continentes contados separadamente:
| área () | perda de calor () | fluxo médio de calor () | |
|---|---|---|---|
| continentes | 14.7 | 70.9 | |
| oceanos | 31.9 | 105.4 | |
| Terra inteira | 46.7 | 91.6 |
O total, arredondado à sua incerteza, é . Dois terços dele saem pelo fundo oceânico, que é mais jovem e mais fino que os continentes. É um fluxo pequeno: o Sol entrega cerca de à Terra, e o calor interno corresponde a do orçamento de energia na superfície. Mas é esse fluxo que move vulcões, placas e a formação de montanhas, e ele tem duas fontes.
Definição 10.2 (Produção de calor radiogênico)
A produção de calor radiogênico de uma rocha é o calor liberado por unidade de volume e por unidade de tempo pelo decaimento dos núcleos radioativos que ela contém, em , na prática em . Uma rocha de densidade contendo frações mássicas dos elementos produtores de calor, cada um liberando watts por quilograma de elemento, tem
Quatro isótopos produzem quase todo esse calor, porque são de vida longa, suficientemente abundantes e energéticos: , , e . O calor por quilograma de cada elemento é o calor por quilograma de seu isótopo radioativo vezes a parcela desse isótopo no elemento (Exercício 10.3):
| isótopo | meia-vida | calor por kg de isótopo | parcela do | calor por kg de elemento |
| () | () | elemento (átomos) | () | |
| 4.468 | U: | |||
| 0.704 | ||||
| 14.0 | quase todo | Th: | ||
| 1.248 | K: |
O potássio libera trinta mil vezes menos calor por quilograma que o urânio, mas é um elemento importante de muitas rochas, contado em porcentagem onde urânio e tório são contados em partes por milhão. As rochas ricas nos três são os granitos e rochas afins; as mais pobres são os peridotitos do manto. Uma compilação de análises dá estas medianas, em :
| riolito | 2.55 | lamitos | 1.44 | gabro | 0.35 |
| granito | 2.43 | arenitos | 0.82 | basalto | 0.21 |
| granodiorito | 1.88 | rochas carbonáticas | 0.42 | rochas ultramáficas | 0.11 |
A dispersão dentro de cada grupo é grande: um quarto dos granitos produz menos que , e um quarto mais que . A crosta continental é enriquecida nesses elementos; a crosta oceânica e o manto são empobrecidos; mas o manto é tão grande que ainda guarda uma parcela grande das fontes de calor do planeta.
Definição 10.3 (Resfriamento secular)
O resfriamento secular é a parte da perda de calor da Terra fornecida pela lenta diminuição da temperatura de seu interior, manto e núcleo: a liberação do calor armazenado desde a formação do planeta, a uma taxa para reservatórios de massa , calor específico e temperatura média .
A conservação da energia dá o balanço de toda a Terra: o calor perdido na superfície é a produção radiogênica mais o resfriamento secular,
Os geoneutrinos medem parte do primeiro termo: o resultado de 2011, que combinou dois detectores, atribui ao urânio e ao tório, e , cujos antineutrinos são fracos demais para serem detectados dessa forma, é conhecido por acrescentar cerca de .
Cerca da metade da perda de calor é, portanto, radiogênica, e a outra metade, cerca de , é resfriamento secular. Parte desse resfriamento é do núcleo: o calor que atravessa a fronteira manto–núcleo é estimado em . Esses números são incertos: a própria medida tem uma incerteza de cerca de , os resultados dos geoneutrinos até agora só restringem a parte radiogênica a , e modelos da Terra de tipos diferentes variam de . O total, medido na superfície, é o termo mais bem conhecido do balanço (figura abaixo).
O calor radiogênico foi maior no passado, porque os isótopos eram mais abundantes: e , os de vida curta, contribuíam então muito mais (Livro 2, 12º ano). O motor térmico da Terra está se esgotando devagar, pelas duas razões.
10.2 Medindo o fluxo de calor
O fluxo de calor não é medido diretamente: ele é calculado a partir de um gradiente de temperatura e de uma condutividade.
Proposição 10.4 (Lei de Fourier)
Em um meio de condutividade térmica , o calor é conduzido descendo o gradiente de temperatura, a uma taxa por unidade de área proporcional a ele. Com a profundidade, contada positivamente para baixo, e contado positivamente para cima,
Demonstração. Admitido neste nível. ∎
A lei é estabelecida no volume de física do segundo ano universitário. A maioria das rochas conduz calor a abaixo de , menos quando quente; modelos do fluxo continental dão à crosta superior granítica cerca de ;
um gradiente de nela significa um fluxo de calor de cerca de .
Quando as rochas atravessadas por um furo de sondagem têm condutividades diferentes, o gradiente muda de uma para outra, mas o fluxo de calor não muda, desde que nenhum calor seja produzido ou armazenado entre elas. A proposição seguinte transforma isso em um teste.
Proposição 10.5 (Gráfico de Bullard)
Seja a resistência térmica, por unidade de área, das rochas entre a superfície e a profundidade , em . Se o fluxo de calor é o mesmo em cada profundidade de um furo, a temperatura é uma função linear da resistência térmica: .
Demonstração. Pela lei de Fourier, . Integrando de a , com constante, . ∎
Método 10.6 (O fluxo de calor a partir de um furo)
- Registre a temperatura ao longo do furo bem depois da perfuração, quando o distúrbio causado pelo fluido de perfuração já se dissipou, e descarte as dezenas de metros mais superficiais, que acompanham as estações do ano.
- Meça a condutividade de amostras de testemunho de cada rocha atravessada, em laboratório, e calcule a resistência térmica em cada profundidade registrada.
- Trace contra : a inclinação da reta é o fluxo de calor. Uma inflexão revela água circulando pelas rochas, uma mudança passada da temperatura da superfície ou um erro em uma condutividade.
- Corrija, quando necessário, a topografia, que curva as isotermas sob colinas e vales, e o lento aquecimento desde a última glaciação, que ainda perturba o quilômetro superior ou pouco mais.
No mar, não é preciso um furo. A temperatura no fundo do oceano profundo é muito estável, de modo que alguns metros de sedimento mole já carregam o gradiente de equilíbrio. Uma lança de aço com uma fileira de sensores de temperatura é lançada de um navio e cravada no sedimento por um peso pesado (figura abaixo); os sensores registram o gradiente, e um pulso de calor enviado ao longo da lança dá a condutividade do sedimento no próprio local. O fundo oceânico tem uma armadilha. Sobre crosta jovem, a água do mar circula pelo basalto fraturado e leva embora grande parte do calor por advecção, de modo que o fluxo de calor condutivo medido fica bem aquém da perda real. A perda através do fundo oceânico mais jovem é, portanto, calculada a partir do modelo de resfriamento de Seção 10.5, calibrado em crosta antiga, onde a circulação cessou: esta parte calculada, , é cerca de metade do total global.
No campo — Fluxo de calor no mar

Em um navio de pesquisa, a sonda de fluxo de calor é uma lança pesada suspensa do guindaste de popa. Ela é baixada pelo cabo do navio até logo acima do fundo do mar, e então solta: o peso a crava no sedimento, e a tripulação espera no convés enquanto os sensores se acomodam à temperatura da lama, depois a recolhe e vai para a próxima estação, a uma curta distância. Uma linha dessas estações através do flanco de uma dorsal mostra a diminuição do fluxo de calor com a idade do fundo, e a dispersão entre estações vizinhas mostra onde a água circula pela crosta abaixo.
10.3 O geotermo condutivo estacionário
Definição 10.7 (Geotermo)
O geotermo sob um ponto da superfície é a temperatura em função da profundidade ali, . É um geotermo condutivo estacionário quando não muda com o tempo e o calor é transportado ao longo dele apenas por condução.
Dentro da litosfera, longe de vulcões ativos e da circulação de água, o calor é transportado por condução, e em escala de milhões de anos o geotermo é estacionário. Sua forma decorre então de um balanço de energia.
Teorema 10.8 (Condução estacionária com produção de calor)
Ao longo de um geotermo condutivo estacionário, em um meio de condutividade uniforme com produção de calor e sem fluxo horizontal de calor,
Demonstração. Considere uma placa horizontal de área entre as profundidades e . O calor entra pela sua base à taxa , sai pelo seu topo à taxa , e é produzido em seu interior à taxa . Em regime estacionário nenhum calor é armazenado, logo , o que dá . Pela lei de Fourier , e com uniforme, . ∎
Lido da superfície para baixo, o fluxo de calor diminui com a profundidade pelo calor produzido acima de cada nível: o que atravessa a superfície é o calor vindo de baixo mais todo o calor produzido no caminho. Duas distribuições de dão formas fechadas.
Proposição 10.9 (Uma camada radiogênica uniforme)
Seja a produção de calor igual a da superfície até a profundidade , e zero abaixo, a superfície esteja à temperatura , e o fluxo de calor na superfície seja . Então, para
e abaixo de o fluxo de calor é uniforme, , e o geotermo é uma reta de inclinação .
Demonstração. Integre a partir de com : . Então ; integrando com dá a parábola. Abaixo de , e mantém seu valor em . ∎
Teorema 10.10 (Produção exponencial de calor e a relação linear do fluxo de calor)
Seja a produção de calor diminuindo com a profundidade como , o fluxo de calor tendendo a em grande profundidade, e a superfície à temperatura . Então
e o fluxo de calor na superfície é
Demonstração. A partir de Teorema 10.8, , logo ; quando , , logo . Em , . Então , e integrando desde com , . ∎
A última linha é uma previsão que pode ser testada na superfície. Plútons graníticos de uma região compartilham o mesmo fluxo de calor profundo e, se diferem apenas pela riqueza em urânio, tório e potássio, a mesma escala ; então o fluxo de calor medido sobre cada plúton deve ser uma função linear da produção de calor medida em suas rochas, com inclinação , um comprimento, e intercepto , o fluxo de calor reduzido, vindo de baixo da camada radiogênica. Francis Birch observou primeiro uma reta assim, relatada em 1968, e no mesmo ano três províncias foram definidas por suas retas:
| província | intercepto () | inclinação () |
|---|---|---|
| leste dos Estados Unidos | 33 | 7.5 |
| província Basin and Range | 59 | 9.4 |
| província Sierra Nevada | 17 | 10 |
Os interceptos, publicados nas unidades antigas como 0.8, 1.4 e , são convertidos com (Exercício 10.4). As inclinações variam pouco, de 7 a ; o fluxo de calor reduzido varia muito, e mapas dele mostram onde o manto abaixo está quente, como sob a crosta estirada da Basin and Range. A camada uniforme de Proposição 10.9 também dá uma reta, de inclinação : os dois modelos ajustam os dados, mas só o exponencial permanece uma reta de mesma inclinação quando os plútons são erodidos a profundidades diferentes (Exercício 10.10), e por isso é o preferido.
Método 10.11 (A temperatura em profundidade sob um plúton)
- Meça o fluxo de calor na superfície sobre o plúton (método do furo) e sua produção de calor a partir de seus teores de U, Th e K.
- A partir da reta da província, ou com um valor de de cerca de , calcule .
- Aplique Teorema 10.10. Abaixo de algumas vezes , é desprezível e o geotermo é a reta : a camada radiogênica elevou toda temperatura profunda de .
Na figura, a temperatura na Moho vai de cerca de para o menor fluxo de calor a mais de para o maior: o fluxo de calor na superfície traz uma leitura direta da temperatura da crosta profunda, que governa sua resistência (Capítulo 16).
10.4 Condução contra convecção
A condução é lenta. Quão lenta decorre da equação do calor, que os livros de física deduzem da lei de Fourier e do balanço de Teorema 10.8 com armazenamento incluído: em uma dimensão, sem produção de calor, .
Proposição 10.12 (A escala de tempo condutiva)
Uma variação de temperatura imposta em uma fronteira de um corpo condutor se espalha por uma distância em um tempo da ordem de
Demonstração. Escreva , , com e adimensionais. A equação do calor torna-se . Suas soluções variam na escala quando só se o coeficiente for de ordem um, isto é, se . ∎
As rochas têm . O ciclo diário de temperatura atinge algumas dezenas de centímetros no solo, o anual alguns metros, e o aquecimento desde a última glaciação cerca de um quilômetro. Através de uma litosfera de de espessura, , cerca de . Através do manto, de de espessura, , ou : sessenta vezes a idade da Terra, . Só a condução não poderia ter trazido o calor do manto profundo para perto da superfície. O manto convecta, e em seu interior o calor é transportado pelo próprio movimento da rocha, nas velocidades das placas, centímetros por ano.
Definição 10.13 (Adiabática do manto)
A adiabática do manto é o geotermo do interior bem misturado do manto em convecção: a temperatura que a rocha do manto assume ao subir ou afundar rápido o bastante para não trocar calor com seu entorno, resfriando por expansão ao subir e aquecendo por compressão ao afundar.
A termodinâmica dá seu gradiente, , com a expansividade térmica e o calor específico (física, admitido aqui). Ele é pequeno. Uma avaliação recente da física mineral dá a de profundidade, diminuindo para a , depois 0.41 até através do manto inferior, com a e a .
Extrapolada até a superfície, a adiabática dá a temperatura potencial do manto, ou cerca de : a temperatura que o manto teria se fosse trazido à superfície sem trocar calor. A noção de temperatura potencial é definida, para a atmosfera e o oceano, em Capítulo 26. Uma temperatura que aumenta apenas por quilômetro enquanto o geotermo condutivo perto de a superfície sobe é a assinatura da convecção.
História — John Perry e a Terra que esfria
Em 1862–1863 William Thomson, depois Lorde Kelvin, calculou a idade da Terra a partir de seu resfriamento. Ele a tratou como um sólido que resfriara por condução a partir de uma temperatura uniforme de cerca de ; com o gradiente médio então que escolheu entre as medidas de sua época, de cerca de , e uma difusividade de , o tempo necessário para atingir o gradiente de hoje foi de cerca de , entre limites de 24 e (Exercício 10.9). Geólogos acharam isso curto demais. Em 1895, um ano antes de a radioatividade ser descoberta, seu antigo assistente John Perry apontou uma hipótese em seu lugar: se o interior fosse em parte fluido e convectasse, ele transportaria calor como se tivesse uma condutividade enorme, e todo o interior, e não uma casca externa fina, alimentaria o fluxo de calor na superfície. Seu argumento foi negligenciado e esquecido; a convecção do manto, estabelecida muito depois, lhe deu razão: o manto profundo esfria por convecção, e isso é o resfriamento secular do balanço.
Proposição 10.14 (A Terra bem misturada de Perry)
Seja uma esfera de raio com interior bem misturado, na temperatura uniforme , com capacidade térmica por unidade de volume, sob uma tampa condutora de espessura e condutividade cuja superfície está a , e seja nula a produção de calor. Então
e o fluxo de calor na superfície decai com a mesma constante de tempo.
Demonstração. Sendo a tampa fina, ela está em regime estacionário e transporta o fluxo de calor . O interior perde seu calor pela área : , isto é com , cuja solução é a exponencial de . ∎
Para , e , : uma Terra em convecção mantém um fluxo de calor alto por bilhões de anos, enquanto a Terra condutiva de Kelvin o perdeu em dezenas de milhões (Exercício 10.11).
10.5 A litosfera como camada limite térmica
Definição 10.15 (Camada limite térmica, litosfera térmica)
Em um fluido em convecção, uma camada limite térmica é uma camada ao longo de uma fronteira através da qual o calor passa por condução, e a temperatura muda da que tem a fronteira para a do interior bem misturado. A litosfera térmica é a camada limite térmica superior do manto: a casca externa da Terra, da superfície para baixo até a profundidade em que o geotermo condutivo encontra a adiabática do manto.
As placas são o topo frio da convecção do manto, sua camada limite superior. Sua base, onde o geotermo condutivo íngreme se curva para a adiabática suave, fica a na figura dos geotermos para fluxos de calor continentais de 70 a , na faixa medida pela sismologia (Capítulo 9): a litosfera definida por sua resistência e a litosfera definida por sua temperatura são aproximadamente a mesma casca, porque a resistência depende da temperatura. Na base do manto, a camada D é a camada limite inferior, aquecida de baixo pelo núcleo.
Sob os oceanos, a camada limite nasce na dorsal, onde o manto quente sobe até a superfície, e engrossa à medida que a placa se afasta e esfria. O resfriamento de um semiespaço a partir de uma temperatura uniforme, resolvido por Fourier e usado por Kelvin para a Terra inteira, descreve-o bem (Capítulo 13 e o Livro 5 o deduz): as isotermas se aprofundam como a raiz quadrada da idade do fundo (figura abaixo), e o fluxo de calor diminui como
o valor usado no balanço global. Aos o semiespaço resfriou até cerca de (Exercício 10.12). A placa real deixa de engrossar mais cedo: ondas sísmicas que atravessam o Pacífico são melhor ajustadas por uma placa em resfriamento que tende a uma espessura de , o achatamento do fundo oceânico antigo, encontrado de novo em Capítulo 13.
O balanço de calor, o fluxo de calor e a estrutura térmica das placas se reúnem nos próximos capítulos: a placa que esfria afunda (Capítulo 13), e a litosfera fria que afunda nas zonas de subducção é a descida da convecção à qual pertence.
10.6 Exercícios
Exercício 10.1 ★
Um furo em granito de condutividade mostra um gradiente estacionário de . Calcule o fluxo de calor e a potência que atravessa um quilômetro quadrado da superfície ali.
Solução
Solução de Exercício 10.1.
. Através de : , isto é, .
Exercício 10.2 ★
A partir das áreas e dos fluxos médios de calor dos continentes (, ) e dos oceanos (, ), calcule a perda de calor de cada um, o total e o fluxo médio de calor sobre a superfície da Terra (). Que fração do recebidos do Sol ela representa?
Solução
Solução de Exercício 10.2.
Continentes ; oceanos ; total , e o fluxo médio de calor (o valor publicado, 46.7 e 91.6, difere apenas pelo arredondamento das duas médias). A fração da entrada solar é , ou .
Exercício 10.3 ★
Pela tabela dos quatro isótopos, calcule o calor liberado por quilograma de urânio natural ( e dos átomos; suas massas diferem em cerca de , então tome-os como frações mássicas) e por quilograma de potássio natural, cujo é dos átomos (tome a massa de um átomo de como vezes a massa média de um átomo de potássio).
Solução
Solução de Exercício 10.3.
Urânio: ; o raro fornece dele. Potássio: a fração mássica de é , logo .
Exercício 10.4 ★
Converta os interceptos das três províncias, 0.8, 1.4 e , em (). Preveja o fluxo de calor na superfície sobre um granito de produção de calor em cada província.
Solução
Solução de Exercício 10.4.
A conversão é : leste dos Estados Unidos , Basin and Range , Sierra Nevada . Com em quando está em e em : , , . O mesmo granito dá fluxos de calor quase duas vezes maiores na Basin and Range do que na Sierra Nevada: a diferença está no manto abaixo.
Exercício 10.5 ★★
Uma crosta tem produção de calor uniforme de em seus superiores e nenhuma abaixo, condutividade de , um fluxo de calor na superfície de e uma temperatura na superfície de . Calcule a temperatura a , o fluxo de calor abaixo da camada radiogênica e a temperatura na Moho, abaixo.
Solução
Solução de Exercício 10.5.
. Abaixo, , um gradiente de , e .
Exercício 10.6 ★★
Um furo atravessa de folhelho (), depois granito (). As temperaturas de equilíbrio são na superfície, a e a . Calcule o gradiente e o fluxo de calor em cada rocha, a resistência térmica a e a , e a inclinação do gráfico de Bullard. O fluxo de calor é constante?
Solução
Solução de Exercício 10.6.
Folhelho: gradiente , . Granito: , . , . Os três pontos , , estão alinhados, com inclinação : o fluxo de calor é o mesmo, , nas duas rochas; só o gradiente muda, em proporção inversa à condutividade.
Exercício 10.7 ★★
Com , calcule a escala de tempo condutiva para , , e , cada uma em uma unidade adequada. Quais ciclos de temperatura da superfície ainda são sentidos a abaixo do solo? Compare o último tempo com a idade da Terra.
Solução
Solução de Exercício 10.7.
: , ou dias; , ou anos; , ou ; , ou . A o ciclo diário não é sentido de forma alguma, e o ciclo anual, mais curto que os três anos necessários para atravessar , só muito fracamente: passam apenas as mudanças que duram anos ou mais. O último caso dá vezes a idade da Terra.
Exercício 10.8 ★★
A adiabática do manto está a a de profundidade, com um gradiente de ali, diminuindo para a . (a) Extrapole-a até a superfície com o gradiente a , e dê a temperatura potencial em kelvins e em graus Celsius. (b) Estime a temperatura a com a média dos dois gradientes, e compare com os publicados logo acima da descontinuidade.
Solução
Solução de Exercício 10.8.
(a) , isto é , o valor publicado de arredondado. (b) Gradiente médio , logo , () acima de : o gradiente não diminui linearmente, mas a estimativa está próxima.
Exercício 10.9 ★★
Um semiespaço resfriado a partir da temperatura uniforme , com sua superfície mantida em , tem, após um tempo , o gradiente superficial (admitido). (a) Exprima em termos de . (b) Com os valores de Kelvin, , e de grau Fahrenheit por pé, calcule em e a idade. (c) Refaça com , e .
Solução
Solução de Exercício 10.9.
(a) dá . (b) ; , isto é , a figura de Kelvin. (c) : uma temperatura inicial mais realista torna a Terra condutiva ainda mais jovem.
Exercício 10.10 ★★★
Uma província sofre erosão: uma espessura é removida do topo de cada plúton, permanecendo inalterado o fluxo de calor profundo . (a) No modelo exponencial, mostre que a nova produção de calor e o novo fluxo de calor na superfície, e , ainda satisfazem . (b) No modelo de camada uniforme de espessura , mostre que um plúton erodido de está sobre uma reta de inclinação . (c) Plútons de uma província foram erodidos em quantidades diferentes. Qual modelo prevê que eles ainda caiam sobre uma única reta?
Solução
Solução de Exercício 10.10.
(a) Depois da erosão, a nova superfície é a antiga profundidade , onde a produção de calor era e o fluxo de calor ; medida a partir da nova superfície, a produção ainda decresce como . O plúton desce ao longo da mesma reta. (b) A camada agora tem espessura com o mesmo , logo : sobre uma reta de inclinação passando por . (c) Só o modelo exponencial: no modelo de camada uniforme, plútons erodidos a profundidades diferentes estariam sobre retas de inclinações diferentes, e os pontos de uma província se espalhariam. Que uma única reta seja observada favorece uma produção que decresce aproximadamente exponencialmente com a profundidade.
Exercício 10.11 ★★★
No modelo de Perry (Proposição 10.14) tome , , e uma temperatura inicial do interior de . (a) Calcule para tampas de 50 e . (b) Para a tampa de , calcule o fluxo de calor na superfície no início e após . (c) O semiespaço condutivo de Kelvin, com o mesmo e , tem um fluxo de calor na superfície : calcule-o após , e compare.
Solução
Solução de Exercício 10.11.
(a) : para , ; para , . (b) no início, e após . (c) : a Terra bem misturada ainda perde cinco vezes mais calor após dois bilhões de anos. Todo o seu interior alimenta a superfície, onde numa Terra condutiva só uma casca externa o faz.
Exercício 10.12 ★★★
O fluxo de calor na superfície de um semiespaço em resfriamento é (Exercício 10.9). (a) Com , e (da temperatura potencial até um fundo oceânico de cerca de ), calcule a constante de , com em milhões de anos, e compare-a com os ajustados aos dados. (b) Com , dê o fluxo de calor a 1, 10 e . (c) A isoterma de da figura das isotermas em resfriamento está onde ; calcule sua profundidade a .
Solução
Solução de Exercício 10.12.
(a) , logo para em Myr, : do valor ajustado de 490. O modelo precisa de um maior (cerca de ): uma condutividade mais alta do manto, ou um interior mais quente, como ao longo da adiabática. (b) , e . (c) .
10.7 Problema: rochas quentes sob os plútons
Problema 10.1
Problema de fim de semana — fluxo de calor e produção de calor de cinco plútons graníticos, a relação linear e a temperatura da crosta profunda
Cinco plútons graníticos de uma província foram perfurados. Em cada furo a temperatura de equilíbrio foi registrada a e a , e a condutividade do granito foi medida em testemunhos; seus teores de urânio, tório e potássio foram analisados em amostras de superfície. Os cinco granitos têm uma densidade de .
| plúton | a () | a () | () | U, Th (ppm) | K () |
|---|---|---|---|---|---|
| A | 13.1 | 19.2 | 2.9 | 2.0, 8 | 3.0 |
| B | 12.4 | 20.2 | 2.6 | 3.5, 14 | 3.5 |
| C | 13.6 | 21.4 | 3.1 | 5.0, 18 | 4.0 |
| D | 12.9 | 23.1 | 2.7 | 7.0, 25 | 4.2 |
| E | 14.2 | 25.5 | 3.0 | 10.0, 35 | 4.5 |
Use os calores por quilograma de elemento (U), (Th) e (K). Abaixo dos plútons, tome para toda a crosta e uma temperatura na superfície de .
Parte I — Fluxo de calor.
- Calcule o gradiente de temperatura em cada furo.
- Por que as temperaturas devem ser registradas semanas ou meses depois da perfuração, e por que os primeiros são deixados de fora?
- Calcule o fluxo de calor em cada plúton.
- Compare-os com o fluxo médio continental de calor, .
- Os gradientes de B e C são iguais. Por que seus fluxos de calor não são?
- Os plútons estão sob colinas. A topografia elevaria ou reduziria o gradiente medido sob um cume? (Pense na forma das isotermas.)
Parte II — Produção de calor e a reta.
- Calcule a produção de calor devida ao urânio em cada plúton.
- O mesmo para o tório.
- O mesmo para o potássio.
- Some essas parcelas para obter em cada plúton. Qual elemento contribui menos?
- Marque contra . Os pontos ficam perto de uma reta?
- Calcule as médias de e , e as somas e .
- Deduza a reta de mínimos quadrados : sua inclinação (em ) e o intercepto .
- Compare e com as três províncias do capítulo. A qual delas esta província se parece?
Parte III — O geotermo sob o plúton E. Arredonde para e para , e tome para o plúton E o valor arredondado .
- Escreva o geotermo de Teorema 10.10 com esses valores.
- Calcule o fluxo de calor a 10, 20 e .
- Que fração do fluxo de calor na superfície sobre E vem de baixo da camada radiogênica?
- Calcule a temperatura a .
- Calcule a temperatura a .
Parte IV — A crosta profunda.
- Calcule a temperatura na Moho, abaixo, sob o plúton A ().
- Em quanto as camadas radiogênicas de A e E elevam as temperaturas profundas? Explique a diferença entre os dois plútons.
- Abaixo de , é desprezível. Encontre a profundidade da isoterma de sob o plúton E e sob o plúton A.
- Compare essas profundidades com a espessura da litosfera continental encontrada em Capítulo 9.
- Qual é a temperatura na Moho sob o plúton E?
Solução
Solução de Problema 10.1.
1. Gradiente : A , B , C , D , E .
2. A perfuração perturba a temperatura da rocha (o fluido de perfuração esfria ou aquece as paredes), e a perturbação leva semanas a meses para se dissipar. As dezenas de metros superiores seguem o ciclo sazonal e as mudanças recentes da temperatura da superfície.
3. gradiente: A , B , C , D , E .
4. A a D ficam abaixo da média continental, E acima dela em , ou .
5. O fluxo de calor é condutividade vezes gradiente: C conduz melhor (3.1 contra 2.6), então o mesmo gradiente carrega mais calor.
6. As isotermas seguem a topografia só em parte: sob um cume elas sobem menos que a superfície, logo ficam mais afastadas embaixo dele, e o gradiente medido diminui (aumenta sob um vale). É preciso uma correção para a topografia antes de comparar os plútons.
7. : A , B 0.914, C 1.305, D 1.827, E 2.610.
8. Tório: A 0.558, B 0.976, C 1.255, D 1.742, E 2.439.
9. Potássio: A , B 0.315, C 0.360, D 0.378, E 0.405.
10. = 1.35, 2.20, 2.92, 3.95 e . O potássio contribui menos, de do total em A a em E; urânio e tório dividem o resto quase igualmente.
11. Sim: os cinco pontos sobem regularmente, a cerca de de uma reta.
12. , ; ; .
13. (em por , isto é, em km): , e .
14. A inclinação, cerca de , é a das três províncias; o fluxo de calor reduzido, , está perto dos do leste dos Estados Unidos: uma província calma, com um manto frio embaixo, ao contrário da Basin and Range.
15. e : , em km, em .
16. : a , a e a .
17. : quase dois terços do fluxo de calor sobre E são produzidos em sua camada radiogênica.
18. .
19. .
20. Sob A, : .
21. Pelo : sob A e sob E. O fluxo profundo de calor é o mesmo; a crosta de E é quatro vezes mais rica em fontes de calor, e o calor que elas produzem precisa ser conduzido para cima pela mesma rocha, o que exige um gradiente mais íngreme em todo o trajeto.
22. dá sob E; dá sob A.
23. Ambas estão dentro da faixa da litosfera continental, de cem quilômetros ou menos sob regiões jovens até cerca de sob crátons, do lado fino dessa faixa: com um fluxo reduzido de e esta condutividade, o geotermo condutivo atinge temperaturas do manto a cerca de ; sob o plúton mais radioativo, antes.
24. : a Moho sob o plúton E está a .