地球与空间科学 · 第 4 册 · 本科二年级

Ciências da Terra e do espaço universitárias — 2.º ano

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Ciências da Terra e do espaço universitárias — 2.º ano · 本科二年级

2Formação dos planetas e meteoritos

Todos os anos, cerca de quinze mil toneladas de poeira vinda do espaço entram na atmosfera da Terra; a maior parte queima ou se deposita como esférulas microscópicas, e de vez em quando uma pedra do tamanho de um punho cai com uma bola de fogo e um estrondo sônico. A maioria dessas pedras são fragmentos de asteroides, e muitas quase não mudaram desde que se formaram. Serrada uma delas e polida a superfície, ela mostra contas milimétricas de rocha que já esteve fundida, grãos brancos irregulares de minerais de cálcio e de alumínio, lascas de metal, tudo preso em um cimento escuro de grão fino. Os grãos brancos são os sólidos mais antigos do Sistema Solar: os isótopos do chumbo os datam de 4567 milhões de anos. Um segundo relógio, o decaimento de um isótopo radioativo do alumínio desaparecido há muito tempo, data os outros componentes em relação a eles com precisão de uma fração de milhão de anos. Este capítulo acompanha o disco do capítulo anterior enquanto ele se transforma em planetas: que sólidos se condensam a partir do gás que esfria, e onde; como a poeira cresce até corpos de quilômetros de diâmetro e depois até planetas; o que são os meteoritos, e como eles datam esses acontecimentos; e por que alguns dos primeiros corpos fundiram e formaram núcleos de ferro, enquanto outros permaneceram como se haviam formado.

O que você já sabe

As estrelas jovens são cercadas por discos protoplanetários, que desaparecem em poucos milhões de anos; um grão iluminado, à distância rr de uma estrela de luminosidade LL, estabiliza-se em T=(L/(16πσr2))1/4T = \bigl(L/(16\pi\sigma r^2)\bigr)^{1/4} (Capítulo 1). Os asteroides são os pequenos corpos rochosos ou metálicos do Sistema Solar, a maioria dos quais orbita entre Marte e Júpiter (volume do primeiro ano). Um núcleo radioativo decai com a probabilidade λ\lambda por unidade de tempo: N=N0e−λtN = N_0 e^{-\lambda t}; a meia-vida é ln⁡2/λ\ln 2/\lambda, e a vida média, τ=1/λ\tau = 1/\lambda (física). Em um sistema fechado, amostras cogenéticas de razões pai/filho diferentes ficam sobre uma reta, a isócrona, cuja inclinação dá a idade e cujo intercepto é a razão inicial (volume do primeiro ano). Aquecer uma massa mm de capacidade térmica específica cc de ΔT\Delta T exige a energia mc ΔTmc\,\Delta T (física).

2.1 A nebulosa solar

Definição 2.1 (Nebulosa solar)

A nebulosa solar é o disco protoplanetário de gás e poeira que cercava o Sol jovem e a partir do qual se formaram os planetas, seus satélites, os asteroides e os cometas.

Quanta matéria ela continha? Um limite inferior vem dos próprios planetas. Acrescente-se a cada planeta hidrogênio e hélio suficientes para lhe dar a composição do Sol, espalhe-se o resultado sobre um anel centrado em sua órbita, e a densidade superficial, a massa por unidade de área do disco, decresce com a distância ao Sol. Essa reconstrução é a nebulosa solar de massa mínima. Em uma versão muito usada, a densidade superficial do gás é

Σg=2200 g cm−2(r1 au)−3/2,\Sigma_g = 2200\,\mathrm{g}\,\mathrm{cm}^{-2}\left(\frac{r}{1\,\mathrm{au}}\right)^{-3/2},

e a dos sólidos, Σp=33 g cm−2 Zrel (r/1 au)−3/2\Sigma_p = 33\,\mathrm{g}\,\mathrm{cm}^{-2}\,Z_{\mathrm{rel}}\, (r/1\,\mathrm{au})^{-3/2}, em que ZrelZ_{\mathrm{rel}} é a fração da matéria condensável efetivamente sólida: 0.330.33 onde só a rocha e o metal se condensaram, cerca de 0.780.78 onde o gelo de água se juntou a eles, 11 além do ponto em que o metano congela. Os números são incertos: o teor de elementos pesados de Júpiter só é conhecido a menos de um fator quatro, e os planetas não precisam ter se formado onde orbitam hoje.

Proposição 2.2 (Massa de um disco)

Um disco de densidade superficial Σ(r)=Σ1(r/r1)−3/2\Sigma(r) = \Sigma_1 (r/r_1)^{-3/2} contém, dentro do raio RR, a massa

M(R)=4πΣ1r12(Rr1)1/2.M(R) = 4\pi\Sigma_1 r_1^2 \left(\frac{R}{r_1}\right)^{1/2}.

A maior parte da massa fica longe: dobrar o raio acrescenta 41 %41\,\% à massa.

Demonstração. Um anel de raio rr e largura dr\mathrm dr tem a área 2πr dr2\pi r\,\mathrm dr, de modo que

M(R)=∫0R2πr Σ1(rr1)−3/2dr=2πΣ1r13/2∫0Rr−1/2 dr=4πΣ1r13/2R1/2,M(R) = \int_0^R 2\pi r\,\Sigma_1 \left(\frac{r}{r_1}\right)^{-3/2}\mathrm dr = 2\pi\Sigma_1 r_1^{3/2}\int_0^R r^{-1/2}\,\mathrm dr = 4\pi\Sigma_1 r_1^{3/2} R^{1/2},

que é a fórmula; a integral converge em r=0r = 0. Dobrar RR multiplica MM por 2=1.41\sqrt 2 = 1.41. ∎

Com Σ1=2.2×104 kg m−2\Sigma_1 = 2.2 \times 10^{4}\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-2} em r1=1 aur_1 = 1\,\mathrm{au}, a nebulosa de massa mínima contém 0.030.03 massa solar dentro de 100 au100\,\mathrm{au} (Exercício 2.5). Os discos observados em torno de estrelas de um milhão de anos, pesados pelo brilho milimétrico de sua poeira, contêm 0.001 a 0.10.001\text{ a }0.1 massa solar: a nebulosa de massa mínima fica confortavelmente entre eles.

Quase toda essa massa é gás que nunca se condensará. O Sol nasceu com uma fração mássica de hidrogênio X0=0.711X_0 = 0.711, de hélio Y0=0.274Y_0 = 0.274 e de todos os elementos mais pesados juntos de apenas Z0=0.0149Z_0 = 0.0149. Resfriar um gás com essa composição até que tudo o que pode congelar tenha congelado transforma em sólidos apenas 1.5 %1.5\,\% de sua massa: 0.49 %0.49\,\% de rocha e metal, e 1.0 %1.0\,\% de gelos de água, metano e amônia, sendo o gelo de água sozinho 0.57 %0.57\,\%. Todos os planetas rochosos, e os núcleos dos gigantes, foram construídos a partir dessa pequena fração.

A temperatura do disco decide o que é sólido e onde. Um disco aquecido apenas por sua estrela, um disco passivo, é morno em sua superfície, onde os grãos veem a estrela diretamente (a proposição do Capítulo 1), e muito mais frio em seu plano médio, que recebe apenas o infravermelho reemitido por esses grãos superficiais. Para uma estrela jovem de uma massa solar, um modelo de disco assim dá a temperatura do plano médio

T=120 K(r1 au)−3/7.T = 120\,\mathrm{K}\left(\frac{r}{1\,\mathrm{au}}\right)^{-3/7}.

A acreção de gás através do disco, que libera energia gravitacional, torna o plano médio mais quente, sobretudo no início e perto da estrela (figura abaixo).

Duas temperaturas de um disco em torno de uma estrela de uma luminosidade solar. Vermelho: um grão negro iluminado diretamente pela estrela (). Azul: o plano médio de um disco passivo em torno de uma estrela jovem de uma massa solar, protegido da luz direta. O gelo de água é estável abaixo de 182\, K: as setas marcam onde cada curva cruza essa linha. A verdadeira linha de neve ficava entre esses limites e se deslocou à medida que o disco evoluiu. Dados: Chiang e Youdin (2010); Lodders (2003).
Duas temperaturas de um disco em torno de uma estrela de uma luminosidade solar. Vermelho: um grão negro iluminado diretamente pela estrela (Capítulo 1). Azul: o plano médio de um disco passivo em torno de uma estrela jovem de uma massa solar, protegido da luz direta. O gelo de água é estável abaixo de 182 K182\,\mathrm{K}: as setas marcam onde cada curva cruza essa linha. A verdadeira linha de neve ficava entre esses limites e se deslocou à medida que o disco evoluiu. Dados: Chiang e Youdin (2010); Lodders (2003).

2.2 A sequência de condensação

Imagine-se o gás da nebulosa, perto do Sol jovem, quente o bastante para que todos os elementos estejam em vapor, e deixe-se que ele esfrie devagar o bastante para que gás e sólidos permaneçam em equilíbrio químico. À medida que a temperatura cai, cada elemento deixa, por sua vez, o gás e passa para um sólido, seja como um composto próprio, seja dissolvido em um sólido que já se formou.

Definição 2.3 (Temperatura de condensação, sequência de condensação)

A temperatura de condensação de um elemento em um gás que esfria, de composição e pressão dadas, é a temperatura na qual metade dele passou para os sólidos em equilíbrio químico (a temperatura de condensação de 50 por cento; a temperatura em que aparece seu primeiro sólido é a temperatura de aparecimento). A sequência de condensação é a ordem em que os elementos e seus compostos sólidos aparecem à medida que o gás esfria.

Os cálculos para um gás de composição solar são feitos a uma pressão total de 10−410^{-4} bar, típica da nebulosa perto de 1 au1\,\mathrm{au}. Os primeiros sólidos são óxidos de alumínio e de cálcio (tabela abaixo), que se formam a cerca de 1700 K1700\,\mathrm{K}; a maior parte da matéria formadora de rochas, silicato de magnésio e ferro metálico, condensa-se perto de 1350 K1350\,\mathrm{K}; o sulfeto de ferro espera até 704 K704\,\mathrm{K}, e o gelo de água até 182 K182\,\mathrm{K}.

sólidofórmulaaparece a (K)
coríndonAlX2OX3\ce{Al2O3}1677
hibonitaCaAlX12OX19\ce{CaAl12O19}1659
perovskitaCaTiOX3\ce{CaTiO3}1593
espinélioMgAlX2OX4\ce{MgAl2O4}1397
metal ferro–níquelFe\ce{Fe}, com Ni\ce{Ni}, Co\ce{Co}, Cr\ce{Cr}1357
forsteritaMgX2SiOX4\ce{Mg2SiO4}1354
schreibersitaFeX3P\ce{Fe3P}1248
troilitaFeS\ce{FeS}704
magnetitaFeX3OX4\ce{Fe3O4}371
gelo de águaHX2O\ce{H2O}182
hidrato de amôniaNHX3 ⋅ HX2O\ce{NH3.H2O}131
clatrato de metanoCHX4 ⋅ 7 HX2O\ce{CH4.7H2O}78
Table 2.1. A sequência de condensação de um gás de composição do Sistema Solar a 10−410^{-4} bar: a temperatura em que cada sólido aparece pela primeira vez. O sódio e o potássio entram no feldspato; o níquel, o cobalto e o cromo se dissolvem no metal. Dados: Lodders (2003).

As temperaturas de condensação de 50 por cento classificam os elementos em grupos de volatilidade (figura abaixo). Os elementos que se condensam acima do magnésio, do silício e do ferro são refratários; os que se condensam abaixo deles, voláteis. Lodders subdivide cada lado: os elementos ultrarrefratários, acima de 1650 K1650\,\mathrm{K}, incluem o alumínio, o zircônio, as terras raras pesadas e os metais ósmio, rênio e tungstênio; os altamente refratários (1500 a 1650 K1500\text{ a }1650\,\mathrm{K}) incluem o cálcio e o titânio; os refratários (1360 a 1500 K1360\text{ a }1500\,\mathrm{K}) incluem o estrôncio, o bário, o vanádio e a platina; os elementos comuns magnésio, silício e ferro condensam-se entre 12901290 e 1360 K1360\,\mathrm{K}, junto com o níquel, o cobalto e o cromo; os elementos moderadamente voláteis, entre eles o sódio, o potássio, o fósforo, o cobre, o zinco e o chumbo, condensam-se entre 1290 K1290\,\mathrm{K} e o aparecimento da troilita, a 704 K704\,\mathrm{K}; os voláteis, entre eles o enxofre, o cádmio e o tálio, entre 704704 e 371 K371\,\mathrm{K}; e os elementos altamente voláteis, o carbono, o nitrogênio, o oxigênio na forma de gelo, os gases nobres e o mercúrio, abaixo disso.

As temperaturas de condensação de 50 por cento de 36 elementos em um gás de composição do Sistema Solar a 10-4 bar, coloridas segundo os grupos de volatilidade de Lodders (oxigênio: como gelo de água; carbono: como clatrato de metano e gelo). Dados: Lodders (2003).
As temperaturas de condensação de 50 por cento de 36 elementos em um gás de composição do Sistema Solar a 10−410^{-4} bar, coloridas segundo os grupos de volatilidade de Lodders (oxigênio: como gelo de água; carbono: como clatrato de metano e gelo). Dados: Lodders (2003).

A sequência explica um padrão que atravessa todo o Sistema Solar. Os sólidos mais antigos dos meteoritos são feitos dos primeiros condensados; a Terra e os outros planetas rochosos são pobres em elementos voláteis; as regiões distantes do disco, frias o bastante para conservar gelos, formaram corpos gelados. A fronteira mais importante é a da água, porque o gelo de água é o sólido mais abundante de todos: em massa, há em um gás de composição solar quase tanto gelo de água quanto rocha e metal juntos, 1.171.17 vezes mais.

Definição 2.4 (Linha de neve)

A linha de neve de um disco protoplanetário é a distância à estrela além da qual o plano médio é frio o bastante para que o gelo de água seja estável, cerca de 180 K180\,\mathrm{K} nas pressões do disco.

Proposição 2.5 (Linha de neve de um disco passivo)

Se a temperatura do plano médio decresce como T=T1(r/r1)−3/7T = T_1 (r/r_1)^{-3/7}, a linha de neve da água, que se condensa a TwT_w, fica em

rs=r1(T1Tw)7/3,r_s = r_1 \left(\frac{T_1}{T_w}\right)^{7/3},

e, além dela, a densidade superficial dos sólidos salta pelo fator 1+mw/mr1 + m_w/m_r, em que mwm_w e mrm_r são as massas de gelo de água e de rocha no gás.

Demonstração. Resolver Tw=T1(rs/r1)−3/7T_w = T_1 (r_s/r_1)^{-3/7} para rsr_s dá rs/r1=(T1/Tw)7/3r_s/r_1 = (T_1/T_w)^{7/3}. Dentro de rsr_s, só a rocha e o metal são sólidos; além dela, o gelo de água acrescenta sua massa mwm_w à rocha mrm_r do mesmo gás, de modo que a massa sólida é multiplicada por (mr+mw)/mr(m_r + m_w)/m_r. ∎

Para o disco passivo acima, T1=120 KT_1 = 120\,\mathrm{K} e Tw=182 KT_w = 182\,\mathrm{K} dão rs=0.38 aur_s = 0.38\,\mathrm{au}; o metano, a 41 K41\,\mathrm{K}, congela além de 12 au12\,\mathrm{au} (Exercício 2.6). Com 0.57 %0.57\,\% de gelo de água e 0.49 %0.49\,\% de rocha, os sólidos saltam por um fator 1+0.571/0.489=2.21 + 0.571/0.489 = 2.2. O modelo coloca a linha de neve bem dentro da órbita da Terra, o que mostra apenas que um disco jovem não era passivo: aquecido pela acreção, seu plano médio interno era mais quente, e a linha de neve ficava mais longe, deslocando-se para dentro à medida que o disco se adelgaçava. Além dela, os planetas tinham mais que o dobro de matéria sólida com que se construir, e isso, mais que qualquer outra coisa, separa os pequenos planetas rochosos dos gigantes.

2.3 Da poeira aos planetas

Entre os grãos micrométricos do meio interestelar e planetas de milhares de quilômetros de diâmetro há cerca de treze ordens de grandeza de tamanho. O crescimento é melhor descrito em três etapas. Abaixo de cerca de um centímetro, os grãos que colidem suavemente grudam, presos por ligações químicas e forças de van der Waals, e formam agregados fofos. Bem acima de um quilômetro, os corpos se mantêm coesos pela própria gravidade, e os fragmentos de uma colisão caem de volta sobre o corpo maior. Entre os dois fica a etapa mais difícil: corpos de centímetros a metros são grandes demais para grudar e pequenos demais para se atraírem, e o gás os arrasta para dentro. Em simulações numéricas, sólidos de 10 a 100 cm10\text{ a }100\,\mathrm{cm} se reúnem em enxames densos que colapsam sob o próprio peso diretamente em corpos de quilômetros de diâmetro, saltando os tamanhos problemáticos; como o Sistema Solar atravessou essa etapa ainda é debatido.

Definição 2.6 (Planetesimal, embrião planetário)

Um planetesimal é um corpo sólido de um disco protoplanetário grande o bastante, de cerca de um quilômetro a algumas centenas de quilômetros de diâmetro, para que seu crescimento seja governado pela gravidade e não pela aderência. Um embrião planetário é um corpo que cresceu, por acreção de planetesimais, o suficiente para dominar sua própria região do disco e varrê-la de planetesimais.

Uma vez que a gravidade passa a governar, o crescimento dispara: um corpo um pouco maior que seus vizinhos atrai para si planetesimais vindos de mais longe, cresce mais depressa que eles e se distancia. Seu crescimento só desacelera quando ele já varreu os sólidos a seu alcance. Cada embrião passa então a dominar seu próprio anel do disco, e muitos embriões dividem a região dos planetas rochosos.

Proposição 2.7 (Massa de isolamento)

Um embrião de massa MM à distância rr de uma estrela de massa M∗M_* atrai os sólidos de um anel cuja meia-largura é algumas vezes seu raio de Hill RH=r (M/3M∗)1/3R_H = r\,(M/3M_*)^{1/3}. Se ele reúne todos os sólidos de um anel de largura total bRHbR_H e densidade superficial Σp\Sigma_p, para de crescer na massa de isolamento

Miso=(2πb r2Σp)3/2(3M∗)1/2.M_{\mathrm{iso}} = \frac{(2\pi b\, r^2 \Sigma_p)^{3/2}}{(3M_*)^{1/2}} .

Demonstração. O anel de raio rr e largura bRHbR_H contém a massa 2πr bRH Σp2\pi r\, bR_H\,\Sigma_p. O embrião o engoliu quando M=2πbrΣp r (M/3M∗)1/3M = 2\pi b r\Sigma_p\, r\,(M/3M_*)^{1/3}, isto é, M2/3=2πbr2Σp/(3M∗)1/3M^{2/3} = 2\pi b r^2\Sigma_p/(3M_*)^{1/3}; elevar os dois membros à potência 3/23/2 dá a fórmula. ∎

Os modelos tomam b≈5b \approx 5. Na nebulosa de massa mínima, a massa de isolamento é de cerca de 0.050.05 massa terrestre a 1 au1\,\mathrm{au}, entre as massas da Lua (0.0120.012) e de Marte (0.110.11): os embriões do Sistema Solar interno eram corpos desse tamanho, e a Terra precisou de muitos deles. Além da linha de neve, a 5.2 au5.2\,\mathrm{au}, os sólidos ricos em gelo dão cerca de 0.80.8 massa terrestre, e um disco com 3.53.5 vezes a massa mínima de sólidos dá umas cinco massas terrestres (Exercício 2.7): o suficiente, nos modelos de crescimento de Júpiter, para que um núcleo capture seu envelope de gás em três milhões de anos. Os planetas gigantes tiveram de se formar antes que o gás do disco desaparecesse, em poucos milhões de anos; Urano e Netuno são 80 a 90 %80\text{ a }90\,\% rocha e gelo em massa: eles reuniram pouco gás.

A última etapa dos planetas rochosos foi violenta. Uma vez desaparecido o gás, as órbitas dos embriões se cruzaram, e eles se fundiram em colisões gigantes; acredita-se que a Lua tenha se formado a partir dos destroços de uma delas, que atingiu a Terra jovem. A figura abaixo resume a sequência.

Da poeira aos planetas na região dos planetas rochosos (esquema, fora de escala). Os grãos grudam em agregados; enxames de seixos colapsam em planetesimais; a gravidade faz alguns planetesimais crescerem descontroladamente até virar embriões, que acabam se fundindo em planetas. Além da linha de neve, os embriões cresceram mais e puderam capturar gás. Tamanhos segundo Chiang e Youdin (2010) e Lugaro e colaboradores (2018).
Da poeira aos planetas na região dos planetas rochosos (esquema, fora de escala). Os grãos grudam em agregados; enxames de seixos colapsam em planetesimais; a gravidade faz alguns planetesimais crescerem descontroladamente até virar embriões, que acabam se fundindo em planetas. Além da linha de neve, os embriões cresceram mais e puderam capturar gás. Tamanhos segundo Chiang e Youdin (2010) e Lugaro e colaboradores (2018).

Os planetas guardaram pouca memória dessa história: eles fundiram, misturaram e retrabalharam sua matéria. O registro está nos corpos que pararam de crescer, os asteroides, e nos fragmentos deles que chegam à Terra.

2.4 Meteoritos

Definição 2.8 (Meteorito, queda, achado)

Um meteorito é um objeto sólido natural vindo do espaço que sobreviveu à passagem pela atmosfera e chegou ao solo. Uma queda é um meteorito coletado depois que sua chegada foi observada, em geral como uma bola de fogo; um achado é um meteorito reconhecido no solo sem que sua queda tenha sido vista.

A Terra recolhe muito mais poeira que pedras. Medido na neve do planalto antártico, cerca de 5200 t5200\,\mathrm{t} de poeira extraterrestre chegam ao solo a cada ano como micrometeoritos e esférulas fundidas, de umas 15 000 t15\,000\,\mathrm{t} que entram na atmosfera, a maior parte liberada por cometas e cerca de um quinto por asteroides. Os meteoritos, as pedras e os ferros grandes o bastante para serem reconhecidos um a um, são menos numerosos: o catálogo mundial contém cerca de 45 00045\,000, dos quais apenas 11071107 são quedas.

A distinção é importante. Uma queda é coletada em poucos dias, antes que a chuva e o oxigênio a alterem, e todos os tipos de meteorito que caem são coletados da mesma forma; um achado pode ter ficado no solo por milhares de anos, e sua chance de ser encontrado depende de sua aparência e de onde caiu. Metade de todos os achados foi feita na Antártida (quadro abaixo), onde a busca é sistemática. As quedas são a amostra mais fiel do que chega (figura abaixo): mais de quatro em cada cinco são condritos, e três em cada quatro, condritos ordinários.

Meteoritos por classe, em porcentagem das quedas e dos achados (escala logarítmica); HED: howarditos, eucritos e diogenitos. Dados: exportação da NASA da Meteoritical Bulletin Database da The Meteoritical Society (45\,641 meteoritos válidos).
Meteoritos por classe, em porcentagem das quedas e dos achados (escala logarítmica); HED: howarditos, eucritos e diogenitos. Dados: exportação da NASA da Meteoritical Bulletin Database da The Meteoritical Society (45 64145\,641 meteoritos válidos).

No campo — Em busca de meteoritos no gelo azul

Uma fileira de pesquisadores em motos de neve atravessando um campo de gelo azul abaixo de um pico rochoso (ilustração gerada por IA).

A maior parte do manto de gelo antártico é neve branca, mas em cerca de 1 %1\,\% de sua superfície, onde montanhas bloqueiam o fluxo do gelo, cerca de 5 cm5\,\mathrm{cm} de gelo se perdem a cada ano e o gelo azul fica exposto. Os meteoritos que caíram sobre a neve a montante, ao longo de dezenas de milhares de anos, são soterrados, transportados no gelo e trazidos de volta à superfície onde ele se consome: o gelo azul é uma armadilha. Desde que a coleta sistemática começou, em meados da década de 1970, equipes recuperaram mais de 30 00030\,000 espécimes desses campos, e no catálogo metade de todos os achados vem do sul de 60∘60{}^{\circ} S. Os pesquisadores atravessam o gelo em fileiras, a pé ou em motos de neve, e toda pedra encontrada é coletada, por mais comum que pareça, para que a coleção não seja enviesada em favor das mais chamativas. Cada achado é fotografado onde está, para registrar seu contexto, e recebe um número de campo; mais tarde ele recebe seu nome oficial, um código de três letras para o campo de gelo seguido do ano da temporada e de um número de série. No laboratório de curadoria, as pedras são lascadas com ferramentas de aço inoxidável ou cortadas a seco com uma serra de fita; os condritos carbonáceos, que podem conter compostos orgânicos, têm um gabinete só para eles desde 1978.

2.4.1 Condritos

Definição 2.9 (Condrito, condrito carbonáceo, côndrulo, CAI)

Um condrito é um meteorito rochoso que nunca fundiu depois de agregado, e cuja composição, exceto pelos elementos mais voláteis, é próxima da do Sol. A maior parte dele é feita de côndrulos, gotículas arredondadas, de um décimo de milímetro a cerca de um centímetro de diâmetro, de rocha silicática solidificada a partir de um fundido, imersas em uma matriz de grão fino com grãos de metal ferro–níquel e sulfeto de ferro. Alguns condritos contêm inclusões ricas em cálcio e alumínio (CAIs), grãos brancos irregulares de minerais de cálcio, alumínio e titânio que são os primeiros condensados da nebulosa. Um condrito carbonáceo é um condrito rico em carbono, em minerais hidratados e em matriz, cujo teor de elementos voláteis é o mais próximo do do Sol.

Os côndrulos ficaram fundidos por apenas minutos e esfriaram em horas ou dias: um aquecimento breve, local e súbito na nebulosa, de causa ainda desconhecida, fundiu aglomerados de poeira, que se solidificaram como gotículas antes de serem varridos, junto com poeira e metal, para um planetesimal. Eles ocupam até 90 %90\,\% do volume dos meteoritos mais primitivos. As CAIs representam de menos de 1 %1\,\% dos condritos ordinários a mais de 10 %10\,\% de alguns carbonáceos, e elas se formaram com no máximo cerca de cem mil anos de diferença entre si.

Uma face cortada do condrito carbonáceo Allende (classe CV3), que caiu no norte do México em 1969: cerca de duas toneladas foram coletadas. Os grãos cinza arredondados são côndrulos; as manchas brancas irregulares são CAIs; o cimento escuro é a matriz. O campo tem alguns centímetros de largura. James St. John, CC BY 2.0.
Uma face cortada do condrito carbonáceo Allende (classe CV3), que caiu no norte do México em 1969: cerca de duas toneladas foram coletadas. Os grãos cinza arredondados são côndrulos; as manchas brancas irregulares são CAIs; o cimento escuro é a matriz. O campo tem alguns centímetros de largura. James St. John, CC BY 2.0.

Os condritos se dividem em grupos que diferem no tamanho e na abundância de seus côndrulos, em seu teor de metal, no teor de ferro de sua olivina e na proporção de sua matriz (tabela abaixo). Os condritos ordinários H, L e LL têm teores altos, baixos e muito baixos de metal e de ferro total (razões atômicas Fe/Si de 0.800.80, 0.590.59 e 0.530.53).

HLLLCICMCV
côndrulos (vol. %)60–8060–8060–80≪1\ll 12045
diâmetro médio dos côndrulos (mm)0.30.70.9—0.31.0
CAIs (vol. %)0.1–10.1–10.1–1≪1\ll 1510
matriz (vol. %)10–1510–1510–15>99> 997040
metal ferro–níquel (vol. %)105200.10–5
faialita na olivina (mol %)16–2023–2627–32
tipos petrológicos3–63–63–6123
temperatura máxima (K)122012201220430670870
Table 2.2. Propriedades dos condritos ordinários (H, L, LL) e de três grupos de condritos carbonáceos. Faialita: o membro extremo ferroso da olivina. Dados: Gail e colaboradores (2014).

Definição 2.10 (Tipo petrológico)

O tipo petrológico de um condrito é um número de 1 a 6 que registra o que lhe aconteceu em seu corpo parental: o tipo 3 é o menos alterado; os tipos 4 a 6 são cada vez mais aquecidos, com côndrulos esmaecidos e minerais recristalizados e de composição uniforme; os tipos 2 e 1 são cada vez mais alterados pela água líquida, que transformou seus minerais em argilas.

A última linha da tabela dá as temperaturas máximas atingidas por cada grupo: até cerca de 1220 K1220\,\mathrm{K} para os condritos ordinários mais aquecidos, nunca mais de 430 K430\,\mathrm{K} para os condritos CI, encharcados de água, mas nunca quentes. O aquecimento, como mostra a última seção, veio do interior dos corpos parentais.

2.4.2 Acondritos e meteoritos ferrosos

Definição 2.11 (Acondrito, meteorito ferroso, meteorito metalo-rochoso)

Um acondrito é um meteorito rochoso que cristalizou a partir de um fundido ou recristalizou a alta temperatura em um corpo que fundiu, e por isso não tem côndrulos. Um meteorito ferroso é feito principalmente de metal ferro–níquel. Um meteorito metalo-rochoso é feito de metal e silicato em quantidades aproximadamente iguais.

Eles são os fragmentos de corpos que fundiram e se diferenciaram: os acondritos são suas crostas e mantos, os ferrosos, seus núcleos metálicos, e os metalo-rochosos vêm do lugar onde metal e silicato se encontravam. A maior família de acondritos, a dos howarditos, eucritos e diogenitos (HED), basaltos e rochas ricas em piroxênio, representa 5.5 %5.5\,\% de todas as quedas. Sua fonte foi identificada, por seu espectro e sua órbita, como o asteroide Vesta, com cerca de 525 km525\,\mathrm{km} de diâmetro, e a sonda Dawn, que chegou a Vesta em 2011, confirmou isso: a química e a mineralogia da superfície de Vesta correspondem às dos meteoritos HED, uma bacia de 500 km500\,\mathrm{km} de largura perto de seu polo sul mostra de onde os fragmentos foram arrancados, e seu campo de gravidade indica um núcleo de ferro de cerca de 225 km225\,\mathrm{km} de diâmetro. Vesta fundiu, quase ou totalmente, no início de sua história. Outros acondritos vêm da Lua e de Marte. Os meteoritos das coleções parecem vir de cerca de cem corpos parentais diferentes.

Os meteoritos ferrosos guardam o registro de como seus núcleos esfriaram. Uma face cortada e atacada por ácido mostra um entrecruzado de placas (figura abaixo): a alta temperatura, o metal é uma única liga de ferro e níquel; com o resfriamento lento, uma liga pobre em níquel cresce em placas ao longo dos planos do cristal original, e quanto mais lento o resfriamento, mais largas as placas. Medidas em muitos meteoritos ferrosos, as larguras das placas dão as taxas de resfriamento dos núcleos de onde eles vieram.

A face cortada, polida e atacada por ácido de um fragmento do meteorito ferroso Gibeon, encontrado na Namíbia: o entrecruzado de placas de liga ferro–níquel (o padrão de Widmanstätten) cresceu enquanto o núcleo metálico de seu corpo parental esfriava lentamente. James St. John, CC BY 2.0.
A face cortada, polida e atacada por ácido de um fragmento do meteorito ferroso Gibeon, encontrado na Namíbia: o entrecruzado de placas de liga ferro–níquel (o padrão de Widmanstätten) cresceu enquanto o núcleo metálico de seu corpo parental esfriava lentamente. James St. John, CC BY 2.0.

2.5 Datando o Sistema Solar

A idade do Sistema Solar é a idade de seus sólidos mais antigos. As isócronas urânio–chumbo das CAIs, construídas como no volume do primeiro ano, dão 4567 a 4568 Ma4567\text{ a }4568\,\mathrm{Ma}; as CAIs se formaram com no máximo cerca de 0.1 Myr0.1\,\mathrm{Myr} de diferença entre si, um tempo curto o bastante para que sua idade seja tomada como o nascimento do Sol. Os acontecimentos dos poucos milhões de anos seguintes, a formação dos côndrulos e a agregação e a fusão dos primeiros corpos, são mais bem datados em relação às CAIs, com relógios que corriam depressa e pararam cedo.

Definição 2.12 (Radionuclídeo de vida curta)

Um radionuclídeo de vida curta é um nuclídeo radioativo com meia-vida de aproximadamente 0.10.1 a 100 Myr100\,\mathrm{Myr}, presente quando o Sistema Solar se formou e hoje extinto, cuja presença passada é revelada por um excesso de seu filho em minerais que eram ricos em seu elemento.

O mais conhecido é o alumínio-26, que decai em magnésio-26 com meia-vida de 0.717 Myr0.717\,\mathrm{Myr} (vida média de 1.035 Myr1.035\,\mathrm{Myr}). Quando as CAIs se formaram, um átomo de alumínio em cerca de 19 00019\,000 era alumínio-26: a razão X26X2226Al/X27X2227Al\ce{^{26}Al}/\ce{^{27}Al} era (5.23±0.13)×10−5(5.23 \pm 0.13)\times10^{-5}, o valor canônico. Outros nuclídeos de vida curta cobrem intervalos mais longos (tabela abaixo).

nuclídeofilhoreferênciameia-vida (Myr)razão inicial
X26X2226Al\ce{^{26}Al}X26X2226Mg\ce{^{26}Mg}X27X2227Al\ce{^{27}Al}0.7175.23×10−55.23\times10^{-5}
X60X2260Fe\ce{^{60}Fe}X60X2260Ni\ce{^{60}Ni}X56X2256Fe\ce{^{56}Fe}2.621.0×10−81.0\times10^{-8}
X53X2253Mn\ce{^{53}Mn}X53X2253Cr\ce{^{53}Cr}X55X2255Mn\ce{^{55}Mn}3.747×10−67\times10^{-6}
X107X22107Pd\ce{^{107}Pd}X107X22107Ag\ce{^{107}Ag}X108X22108Pd\ce{^{108}Pd}6.56.6×10−56.6\times10^{-5}
X182X22182Hf\ce{^{182}Hf}X182X22182W\ce{^{182}W}X180X22180Hf\ce{^{180}Hf}8.901.02×10−41.02\times10^{-4}
X129X22129I\ce{^{129}I}X129X22129Xe\ce{^{129}Xe}X127X22127I\ce{^{127}I}15.71.28×10−41.28\times10^{-4}
Table 2.3. Alguns radionuclídeos de vida curta do Sistema Solar primitivo, seu filho estável, o isótopo estável do mesmo elemento usado como referência, sua meia-vida e sua razão em relação à referência quando as CAIs se formaram. Dados: Lugaro e colaboradores (2018).

Proposição 2.13 (Idade relativa a partir de um nuclídeo extinto)

Se a razão entre um nuclídeo de vida curta e seu isótopo de referência era R0R_0 em toda parte quando as CAIs se formaram, e se constata que ela era RR em um objeto quando ele se formou, o objeto se formou

Δt=τln⁡R0R\Delta t = \tau \ln\frac{R_0}{R}

depois das CAIs, em que τ\tau é a vida média do nuclídeo. Um erro δR\delta R em RR dá o erro τ δR/R\tau\,\delta R/R em Δt\Delta t.

Demonstração. O isótopo de referência é estável, de modo que a razão decai como o próprio nuclídeo radioativo: R=R0e−Δt/τR = R_0 e^{-\Delta t/\tau}. Tomando logaritmos, Δt=τln⁡(R0/R)\Delta t = \tau\ln(R_0/R). Diferenciando, d(Δt)=−τ dR/R\mathrm d(\Delta t) = -\tau\,\mathrm dR/R. ∎

Um erro relativo de 10 %10\,\% na razão custa, assim, 0.1 Myr0.1\,\mathrm{Myr} com o alumínio-26, mas 0.54 Myr0.54\,\mathrm{Myr} com o manganês-53 e 1.3 Myr1.3\,\mathrm{Myr} com o háfnio-182: cada relógio só é preciso ao longo de algumas de suas próprias vidas médias, e o relógio certo depende do acontecimento. A razão RR em um objeto é lida em seus minerais.

Proposição 2.14 (Isócrona alumínio–magnésio)

Sejam vários minerais de um mesmo objeto formados juntos no instante Δt\Delta t com a mesma composição isotópica do magnésio, (X26X2226Mg/X24X2224Mg)0(\ce{^{26}Mg}/\ce{^{24}Mg})_0, mas razões X27X2227Al/X24X2224Mg\ce{^{27}Al}/\ce{^{24}Mg} diferentes, e fechados desde então. Hoje eles ficam sobre a reta

X26X2226MgX24X2224Mg=(X26X2226MgX24X2224Mg)0+R X27X2227AlX24X2224Mg,\frac{\ce{^{26}Mg}}{\ce{^{24}Mg}} = \left(\frac{\ce{^{26}Mg}}{\ce{^{24}Mg}}\right)_0 + R\,\frac{\ce{^{27}Al}}{\ce{^{24}Mg}},

cuja inclinação é a razão R=X26X2226Al/X27X2227AlR = \ce{^{26}Al}/\ce{^{27}Al} do objeto quando ele se formou.

Demonstração. Todo átomo de alumínio-26 presente na formação tornou-se desde então um átomo de magnésio-26, de modo que um mineral ganhou X26X2226Alinicial=R X27X2227Al\ce{^{26}Al}_{\text{inicial}} = R\,\ce{^{27}Al} átomos de magnésio-26, sendo o alumínio-27 estável. Dividir pelo número de átomos de magnésio-24, que não muda, dá a reta. ∎

Os minerais ricos em alumínio e pobres em magnésio, como o plagioclásio, mostram grandes excessos de magnésio-26; a olivina, quase sem alumínio, não mostra nenhum. Foi assim que se construiu a sequência temporal do Sistema Solar primitivo: primeiro as CAIs; os côndrulos ao longo dos poucos milhões de anos seguintes, com os indícios dos côndrulos fixando a duração de vida do disco de gás em menos de cinco milhões de anos; os corpos parentais dos condritos agregados depois de seus côndrulos mais jovens. Os diogenitos, rochas do manto de Vesta, começaram a cristalizar cerca de um milhão de anos depois das CAIs, e o núcleo de Vesta se formou entre o primeiro e o quarto milhão de anos: os meteoritos ferrosos e os acondritos são mais velhos que muitos condritos.

2.6 O calor do alumínio-26 e as primeiras fusões

De onde veio o calor que fundiu Vesta e metamorfizou os condritos ordinários? Modelos e meteoritos concordam que, nos corpos mais antigos, a fonte dominante foi o decaimento do alumínio-26. Em uma rocha de composição condrítica, ele trazia, no início, 5 MJ5\,\mathrm{MJ} por quilograma prontos para serem liberados em poucos milhões de anos: o suficiente para aquecer a rocha em milhares de kelvins, se o calor não pudesse escapar.

Proposição 2.15 (Aquecimento de um planetesimal pelo alumínio-26)

Uma rocha que recebe a potência radioativa H0e−t/τH_0 e^{-t/\tau} por quilograma, que tem a capacidade térmica específica cc e não perde calor, aquece-se depois de sua acreção no instante tat_a segundo

T(t)=T0+H0τc(e−ta/τ−e−t/τ),T(t) = T_0 + \frac{H_0\tau}{c}\left(e^{-t_a/\tau} - e^{-t/\tau}\right),

e tende para a temperatura máxima Tmax⁡=T0+(H0τ/c) e−ta/τT_{\max} = T_0 + (H_0\tau/c)\,e^{-t_a/\tau}. Uma temperatura crítica Tc>T0T_c > T_0 só é atingida se o corpo se agregou antes de

ta∗=τln⁡H0τc (Tc−T0).t_a^* = \tau\ln\frac{H_0\tau}{c\,(T_c - T_0)}.

Demonstração. Sem perdas, c dT/dt=H0e−t/τc\,\mathrm dT/\mathrm dt = H_0 e^{-t/\tau}. Integrar a partir de tat_a, em que T=T0T = T_0, dá c (T−T0)=H0τ (e−ta/τ−e−t/τ)c\,(T - T_0) = H_0\tau\,(e^{-t_a/\tau} - e^{-t/\tau}), que tende para H0τe−ta/τH_0\tau e^{-t_a/\tau} quando t→∞t \to \infty. Fazer Tmax⁡=TcT_{\max} = T_c e resolver para tat_a dá ta∗t_a^*; para uma acreção mais precoce, o máximo é mais alto. ∎

Um modelo do corpo parental dos condritos ordinários usa H0=1.9×10−7 W kg−1H_0 = 1.9 \times 10^{-7}\,\mathrm{W}\,\mathrm{kg}^{-1}, c=837 J kg−1 K−1c = 837\,\mathrm{J}\,\mathrm{kg}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1} e T0=250 KT_0 = 250\,\mathrm{K}. Então H0τ/cH_0\tau/c vale cerca de 7400 K7400\,\mathrm{K}. Três temperaturas importam: perto de 750 K750\,\mathrm{K}, a rocha porosa começa a sinterizar e se torna compacta; perto de 1200 K1200\,\mathrm{K}, o metal e o sulfeto de ferro começam a fundir juntos; perto de 1700 K1700\,\mathrm{K}, os últimos silicatos fundem. Um corpo que se agregou antes de 1.7 Myr1.7\,\mathrm{Myr} fundiu inteiramente; antes de 2.1 Myr2.1\,\mathrm{Myr}, seu metal e seu sulfeto fundiram e puderam afundar formando um núcleo; até cerca de 2.8 Myr2.8\,\mathrm{Myr}, ele foi pelo menos sinterizado e metamorfizado; os corpos posteriores permaneceram frios (figura abaixo).

Aquecimento pelo alumínio-26 do interior de um corpo condrítico sem perda de calor (a proposição acima; H_0 = 1.9 × 10-7\, W\, kg-1, c = 837\, J\, kg-1\, K-1, T_0 = 250\, K, = 1.035\, Myr). À esquerda: temperatura em função do tempo para corpos agregados 1.5, 2, 2.5 e 3\, Myr depois das CAIs. À direita: temperatura máxima em função do tempo de acreção; os corpos agregados antes de 1.7\, Myr fundiram, e, antes de 2.1\, Myr, seu metal e seu sulfeto fundiram. Os corpos reais gastam parte do calor na fusão, o que limita a temperatura, e perdem calor perto da superfície. Valores do modelo: Gail e colaboradores (2014).
Aquecimento pelo alumínio-26 do interior de um corpo condrítico sem perda de calor (a proposição acima; H0=1.9×10−7 W kg−1H_0 = 1.9 \times 10^{-7}\,\mathrm{W}\,\mathrm{kg}^{-1}, c=837 J kg−1 K−1c = 837\,\mathrm{J}\,\mathrm{kg}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1}, T0=250 KT_0 = 250\,\mathrm{K}, τ=1.035 Myr\tau = 1.035\,\mathrm{Myr}). À esquerda: temperatura em função do tempo para corpos agregados 1.5, 2, 2.5 e 3 Myr3\,\mathrm{Myr} depois das CAIs. À direita: temperatura máxima em função do tempo de acreção; os corpos agregados antes de 1.7 Myr1.7\,\mathrm{Myr} fundiram, e, antes de 2.1 Myr2.1\,\mathrm{Myr}, seu metal e seu sulfeto fundiram. Os corpos reais gastam parte do calor na fusão, o que limita a temperatura, e perdem calor perto da superfície. Valores do modelo: Gail e colaboradores (2014).

A proposição ignora a perda de calor, o que só é válido no interior profundo de um corpo grande. O calor se difunde na distância κt\sqrt{\kappa t} no tempo tt, em que κ\kappa é a difusividade térmica da rocha: com os valores do modelo, cerca de 5 km5\,\mathrm{km} em uma vida média do alumínio-26 (Exercício 2.12). Os corpos muito menores que isso perdem seu calor tão depressa quanto o produzem; modelos detalhados mostram que corpos de mais de 10 a 20 km10\text{ a }20\,\mathrm{km} de diâmetro podiam fundir.

Definição 2.16 (Diferenciação planetária)

A diferenciação planetária é a separação de um corpo, depois de fundido total ou parcialmente, em camadas de composição e densidade diferentes: um núcleo metálico, um manto silicático e uma crosta feita dos últimos fundidos.

Os meteoritos registram, assim, dois tipos de corpos primitivos. Os que se formaram nos primeiros dois milhões de anos, aproximadamente, tinham alumínio-26 suficiente para fundir e se diferenciar: seus núcleos são os meteoritos ferrosos, suas crostas e mantos, os acondritos, e Vesta é o sobrevivente. Os que se formaram mais tarde permaneceram condritos, aquecidos por dentro em um grau fixado por sua data de nascimento e pela profundidade de cada fragmento: os mais profundos tornaram-se tipo 6, os mais rasos permaneceram tipo 3. A própria Terra, construída a partir de embriões e planetesimais dos dois tipos e atingida por impactos gigantes, diferenciou-se em núcleo, manto e crosta.

2.7 Exercícios

Exercício 2.1 ★

Na nebulosa solar de massa mínima, calcule a densidade superficial do gás a 1 au1\,\mathrm{au} e a 5.2 au5.2\,\mathrm{au}, e a densidade superficial dos sólidos a 1 au1\,\mathrm{au} (só rocha, Zrel=0.33Z_{\mathrm{rel}} = 0.33) e a 5.2 au5.2\,\mathrm{au} (todos os gelos condensados, Zrel=1Z_{\mathrm{rel}} = 1). Quantas vezes mais pesado que os sólidos é o gás a 5.2 au5.2\,\mathrm{au}?

Solução

Solução de Exercício 2.1.

Gás: 2200 g cm−22200\,\mathrm{g}\,\mathrm{cm}^{-2} a 1 au1\,\mathrm{au}; a 5.2 au5.2\,\mathrm{au}, 2200×5.2−3/2=2200/11.86=186 g cm−22200\times5.2^{-3/2} = 2200/11.86 = 186\,\mathrm{g}\,\mathrm{cm}^{-2}. Sólidos: 33×0.33=10.9 g cm−233\times0.33 = 10.9\,\mathrm{g}\,\mathrm{cm}^{-2} a 1 au1\,\mathrm{au}; 33/11.86=2.78 g cm−233/11.86 = 2.78\,\mathrm{g}\,\mathrm{cm}^{-2} a 5.2 au5.2\,\mathrm{au}. A 5.2 au5.2\,\mathrm{au}, o gás é 186/2.78=67186/2.78 = 67 vezes mais pesado que os sólidos.

Exercício 2.2 ★

Usando a figura das temperaturas de condensação, ordene o alumínio, o sódio, o magnésio, o ferro, o enxofre e o oxigênio (como gelo de água) do primeiro a se condensar ao último, e dê o grupo de volatilidade de cada um. Quais deles você esperaria encontrar enriquecidos nas CAIs, e quais empobrecidos na Terra em comparação com o Sol?

Solução

Solução de Exercício 2.2.

Alumínio (1653 K1653\,\mathrm{K}, ultrarrefratário), magnésio (1336 K1336\,\mathrm{K}, comum), ferro (1334 K1334\,\mathrm{K}, comum), sódio (958 K958\,\mathrm{K}, moderadamente volátil), enxofre (664 K664\,\mathrm{K}, volátil), oxigênio como gelo de água (180 K180\,\mathrm{K}, altamente volátil). As CAIs, os primeiros condensados, são enriquecidas em alumínio (e em cálcio e titânio); a Terra é empobrecida nos voláteis, sódio, enxofre e água, em relação ao magnésio e ao alumínio.

Exercício 2.3 ★

O catálogo lista 11071107 quedas, das quais 856 são condritos ordinários e 49 ferrosos, e 44 53444\,534 achados, dos quais 38 64738\,647 são condritos ordinários, 10201020 ferrosos e 22 09622\,096 vêm do sul de 60∘60{}^{\circ} S. Calcule a parcela de condritos ordinários e de ferrosos entre as quedas e entre os achados, e a parcela de achados antárticos. Que amostra você usaria para estimar as proporções em que as classes chegam à Terra, e por quê?

Solução

Solução de Exercício 2.3.

Quedas: condritos ordinários 856/1107=77.3 %856/1107 = 77.3\,\%, ferrosos 49/1107=4.4 %49/1107 = 4.4\,\%. Achados: 38647/44534=86.8 %38647/44534 = 86.8\,\% e 1020/44534=2.3 %1020/44534 = 2.3\,\%. Achados antárticos: 22096/44534=49.6 %22096/44534 = 49.6\,\%. As quedas: toda queda observada é coletada, qualquer que seja sua classe, ao passo que um achado depende de quão bem o meteorito sobrevive no solo, de sua aparência e de onde as pessoas procuram, e metade dos achados vem de um único tipo de lugar.

Exercício 2.4 ★

Os minerais de um objeto dão a razão inicial X26X2226Al/X27X2227Al=1.0×10−5\ce{^{26}Al}/\ce{^{27}Al} = 1.0 \times 10^{-5}. Quanto tempo depois das CAIs ele se formou? Tome R0=5.23×10−5R_0 = 5.23 \times 10^{-5} e uma vida média de 1.035 Myr1.035\,\mathrm{Myr}.

Solução

Solução de Exercício 2.4.

Δt=1.035ln⁡(5.23×10−5/1.0×10−5)=1.035ln⁡5.23=1.035×1.654=1.71 Myr\Delta t = 1.035\ln(5.23 \times 10^{-5}/1.0 \times 10^{-5}) = 1.035\ln 5.23 = 1.035\times1.654 = 1.71\,\mathrm{Myr} depois das CAIs.

Exercício 2.5 ★★

Usando a Proposição 2.2 com Σ1=2.2×104 kg m−2\Sigma_1 = 2.2 \times 10^{4}\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-2} a 1 au1\,\mathrm{au} (1 au1\,\mathrm{au} =1.496×1011 m= 1.496 \times 10^{11}\,\mathrm{m}, M⊙=1.989×1030 kgM_\odot = 1.989 \times 10^{30}\,\mathrm{kg}), calcule a massa da nebulosa de massa mínima dentro de 30 au30\,\mathrm{au} e dentro de 100 au100\,\mathrm{au}, em massas solares. Compare com os discos observados, 0.001 a 0.10.001\text{ a }0.1 massa solar.

Solução

Solução de Exercício 2.5.

4πΣ1r12=4π×2.2×104×(1.496×1011)2=6.19×1027 kg4\pi\Sigma_1 r_1^2 = 4\pi\times2.2 \times 10^{4}\times(1.496 \times 10^{11})^2 = 6.19 \times 10^{27}\,\mathrm{kg}. Dentro de 30 au30\,\mathrm{au}: ×30=5.48\times\sqrt{30} = 5.48, portanto 3.39×1028 kg3.39 \times 10^{28}\,\mathrm{kg} =0.017= 0.017 massa solar; dentro de 100 au100\,\mathrm{au}: ×10\times10, 6.19×1028 kg6.19 \times 10^{28}\,\mathrm{kg} =0.031= 0.031 massa solar. Ambas ficam dentro da faixa observada, mais perto de seu limite superior: a nebulosa era um disco comum.

Exercício 2.6 ★★

No disco passivo T=120 K (r/1 au)−3/7T = 120\,\mathrm{K}\,(r/1\,\mathrm{au})^{-3/7}, determine onde o gelo de água (182 K182\,\mathrm{K}) e o gelo de metano (41 K41\,\mathrm{K}) se tornam estáveis. Um grão iluminado diretamente pelo Sol atinge 182 K182\,\mathrm{K} a 2.3 au2.3\,\mathrm{au}. Por que as duas estimativas da linha de neve diferem, e qual delas se aplica aos corpos que construíram os planetas?

Solução

Solução de Exercício 2.6.

r=(120/T)7/3r = (120/T)^{7/3} au: para a água, (120/182)7/3=0.6597/3=0.38 au(120/182)^{7/3} = 0.659^{7/3} = 0.38\,\mathrm{au}; para o metano, (120/41)7/3=2.937/3=12.3 au(120/41)^{7/3} = 2.93^{7/3} = 12.3\,\mathrm{au}. O grão iluminado diretamente pelo Sol é a camada superficial do disco; o plano médio, protegido pela poeira acima dele, é mais frio, de modo que o gelo sobrevive mais perto. Os planetesimais se formaram no plano médio, portanto vale a estimativa do plano médio, desde que o disco seja passivo; o aquecimento por acreção desloca a linha de neve para fora.

Exercício 2.7 ★★

Calcule a massa de isolamento, com b=5b = 5, de um embrião a 1 au1\,\mathrm{au} na nebulosa de massa mínima (Σp=10.9 g cm−2\Sigma_p = 10.9\,\mathrm{g}\,\mathrm{cm}^{-2}), e a 5.2 au5.2\,\mathrm{au}, além da linha de neve (Σp=2.78 g cm−2\Sigma_p = 2.78\,\mathrm{g}\,\mathrm{cm}^{-2}), em massas terrestres (M⊕=5.972×1024 kgM_\oplus = 5.972 \times 10^{24}\,\mathrm{kg}, M⊙=1.989×1030 kgM_\odot = 1.989 \times 10^{30}\,\mathrm{kg}). Em quanto ela se transforma a 5.2 au5.2\,\mathrm{au} em um disco com 3.53.5 vezes mais sólidos?

Solução

Solução de Exercício 2.7.

A 1 au1\,\mathrm{au}: r2=2.238×1022r^2 = 2.238 \times 10^{22}, Σp=109 kg m−2\Sigma_p = 109\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-2}, portanto 2πbr2Σp=31.42×2.238×1022×109=7.66×10252\pi b r^2\Sigma_p = 31.42\times2.238 \times 10^{22}\times109 = 7.66 \times 10^{25}; (7.66×1025)3/2=6.71×1038(7.66 \times 10^{25})^{3/2} = 6.71 \times 10^{38}, dividido por (3×1.989×1030)1/2=2.443×1015(3\times1.989 \times 10^{30})^{1/2} = 2.443 \times 10^{15}: 2.75×1023 kg2.75 \times 10^{23}\,\mathrm{kg} =0.046= 0.046 massa terrestre. A 5.2 au5.2\,\mathrm{au}: r2=6.05×1023r^2 = 6.05 \times 10^{23}, Σp=27.8 kg m−2\Sigma_p = 27.8\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-2}, 2πbr2Σp=5.29×10262\pi b r^2\Sigma_p = 5.29 \times 10^{26}, M=1.22×1040/2.443×1015=4.98×1024 kg=0.83M = 1.22 \times 10^{40}/2.443 \times 10^{15} = 4.98 \times 10^{24}\,\mathrm{kg} = 0.83 massa terrestre. Com 3.53.5 vezes mais sólidos, MM cresce como 3.53/2=6.553.5^{3/2} = 6.55: 5.5 massas terrestres.

Exercício 2.8 ★★

Uma rocha de composição CI continha 1.01×10161.01 \times 10^{16} átomos de alumínio-26 por grama quando as CAIs se formaram, e cada decaimento deixa 5.00×10−13 J5.00 \times 10^{-13}\,\mathrm{J} de calor. Calcule o calor liberado por quilograma ao longo de todo o decaimento, e o aumento de temperatura que ele daria com c=837 J kg−1 K−1c = 837\,\mathrm{J}\,\mathrm{kg}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1} e sem perdas. Quantas vezes maior ele é que o calor necessário para aquecer a rocha de 250250 a 1700 K1700\,\mathrm{K}?

Solução

Solução de Exercício 2.8.

Por quilograma, 1.01×10191.01 \times 10^{19} átomos, portanto 1.01×1019×5.00×10−13=5.05×106 J kg−11.01 \times 10^{19}\times5.00 \times 10^{-13} = 5.05 \times 10^{6}\,\mathrm{J}\,\mathrm{kg}^{-1}. O aumento de temperatura seria 5.05×106/837=6030 K5.05 \times 10^{6}/837 = 6030\,\mathrm{K}. Aquecer de 250250 a 1700 K1700\,\mathrm{K} exige 837×1450=1.21×106 J kg−1837\times1450 = 1.21 \times 10^{6}\,\mathrm{J}\,\mathrm{kg}^{-1}: o alumínio-26 fornecia cerca de quatro vezes isso.

Exercício 2.9 ★★

Ao longo de todo o seu decaimento, o alumínio-26 libera 5.07×1010 erg5.07 \times 10^{10}\,\mathrm{erg} por grama de rocha CI, e o ferro-60, 7.49×107 erg7.49 \times 10^{7}\,\mathrm{erg} por grama. Calcule a razão entre as duas energias. A meia-vida do ferro-60 é 2.62 Myr2.62\,\mathrm{Myr}: calcule sua vida média e a razão entre as duas potências de aquecimento iniciais, energia dividida pela vida média.

Solução

Solução de Exercício 2.9.

5.07×1010/7.49×107=6775.07 \times 10^{10}/7.49 \times 10^{7} = 677. A vida média do ferro-60 é 2.62/ln⁡2=3.78 Myr2.62/\ln2 = 3.78\,\mathrm{Myr}. Potências iniciais por grama: 5.07×1010/1.035=4.90×10105.07 \times 10^{10}/1.035 = 4.90 \times 10^{10} e 7.49×107/3.78=1.98×1077.49 \times 10^{7}/3.78 = 1.98 \times 10^{7} erg por grama por milhão de anos, uma razão de cerca de 24702470: o alumínio-26 dominava de longe.

Exercício 2.10 ★★★

Com os resultados do Exercício 2.9, determine o instante a partir do qual o ferro-60 aquece a rocha mais depressa que o alumínio-26. O ferro-60 poderia ter fundido um corpo agregado tão tarde? (Compare a energia que ele ainda tem a liberar nesse momento com os 1.2×106 J kg−11.2 \times 10^{6}\,\mathrm{J}\,\mathrm{kg}^{-1} necessários para aquecer a rocha de 250250 a 1700 K1700\,\mathrm{K}.)

Solução

Solução de Exercício 2.10.

As potências são iguais quando 4.90×1010 e−t/1.035=1.98×107 e−t/3.784.90 \times 10^{10}\,e^{-t/1.035} = 1.98 \times 10^{7}\,e^{-t/3.78}, isto é, t(1/1.035−1/3.78)=ln⁡(4.90×1010/1.98×107)=ln⁡2475=7.81t(1/1.035 - 1/3.78) = \ln(4.90 \times 10^{10}/1.98 \times 10^{7}) = \ln 2475 = 7.81; com 0.966−0.265=0.7020.966 - 0.265 = 0.702 por milhão de anos, t=11.1 Myrt = 11.1\,\mathrm{Myr}. Nesse momento, o ferro-60 tem ainda 7.49×107 e−11.1/3.78=7.49×107×0.053=4.0×106 erg g−17.49 \times 10^{7}\,e^{-11.1/3.78} = 7.49 \times 10^{7}\times0.053 = 4.0 \times 10^{6}\,\mathrm{erg}\,\mathrm{g}^{-1} a liberar, isto é, 400 J kg−1400\,\mathrm{J}\,\mathrm{kg}^{-1}: milhares de vezes menos do que o necessário para fundir qualquer coisa.

Exercício 2.11 ★★★

Com H0=1.9×10−7 W kg−1H_0 = 1.9 \times 10^{-7}\,\mathrm{W}\,\mathrm{kg}^{-1}, τ=1.035 Myr\tau = 1.035\,\mathrm{Myr}, c=837 J kg−1 K−1c = 837\,\mathrm{J}\,\mathrm{kg}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1} e T0=250 KT_0 = 250\,\mathrm{K} (um ano de 3.156×107 s3.156 \times 10^{7}\,\mathrm{s}), calcule os instantes de acreção mais tardios para os quais o centro de um corpo grande atinge 1200 K1200\,\mathrm{K} e 1700 K1700\,\mathrm{K}. Algumas medidas sugerem que o alumínio-26 inicial era só metade do valor canônico em partes do disco: de quanto se deslocariam os dois instantes? Mostre que o deslocamento não depende da temperatura crítica.

Solução

Solução de Exercício 2.11.

τ=1.035×3.156×1013=3.267×1013 s\tau = 1.035\times3.156 \times 10^{13} = 3.267 \times 10^{13}\,\mathrm{s} e H0τ=6.21×106 J kg−1H_0\tau = 6.21 \times 10^{6}\,\mathrm{J}\,\mathrm{kg}^{-1}. Para 1200 K1200\,\mathrm{K}: ta∗=1.035ln⁡(6.21×106/(837×950))=1.035ln⁡7.81=2.13 Myrt_a^* = 1.035\ln\bigl(6.21 \times 10^{6}/(837\times950)\bigr) = 1.035\ln7.81 = 2.13\,\mathrm{Myr}; para 1700 K1700\,\mathrm{K}: 1.035ln⁡(6.21×106/(837×1450))=1.035ln⁡5.12=1.69 Myr1.035\ln\bigl(6.21 \times 10^{6}/(837\times1450)\bigr) = 1.035\ln5.12 = 1.69\,\mathrm{Myr}. Reduzir H0H_0 à metade subtrai τln⁡2=0.72 Myr\tau\ln2 = 0.72\,\mathrm{Myr} dos dois, pois ta∗=τln⁡H0+τln⁡(τ/c(Tc−T0))t_a^* = \tau\ln H_0 + \tau\ln(\tau/c(T_c - T_0)) e só o primeiro termo muda: o deslocamento é uma meia-vida, qualquer que seja a temperatura crítica.

Exercício 2.12 ★★★

Uma rocha de condutividade 2.1 W m−1 K−12.1\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1}, densidade 3300 kg m−33300\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3} e capacidade térmica específica 837 J kg−1 K−1837\,\mathrm{J}\,\mathrm{kg}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1} tem a difusividade térmica κ=k/(ρc)\kappa = k/(\rho c). Calcule-a, e a distância κτ\sqrt{\kappa\tau} na qual o calor se difunde em uma vida média do alumínio-26. Explique por que a proposição do aquecimento se aplica ao centro de um corpo de 100 km100\,\mathrm{km} de diâmetro, mas não a um corpo de 2 km2\,\mathrm{km} de diâmetro, e compare com os menores corpos que podiam fundir, de 10 a 20 km10\text{ a }20\,\mathrm{km} de diâmetro.

Solução

Solução de Exercício 2.12.

κ=2.1/(3300×837)=7.60×10−7 m2 s−1\kappa = 2.1/(3300\times837) = 7.60 \times 10^{-7}\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{s}^{-1} e κτ=7.60×10−7×3.267×1013=4980 m\sqrt{\kappa\tau} = \sqrt{7.60 \times 10^{-7}\times3.267 \times 10^{13}} = 4980\,\mathrm{m}, cerca de 5 km5\,\mathrm{km}. O centro de um corpo de 100 km100\,\mathrm{km} de diâmetro está a 50 km50\,\mathrm{km} de profundidade, dez vezes essa distância: seu calor não consegue escapar enquanto o alumínio-26 decai, e a proposição se aplica. Um corpo de 2 km2\,\mathrm{km} de diâmetro perde seu calor tão depressa quanto o produz. A fusão exige um raio de algumas vezes 5 km5\,\mathrm{km}, isto é, um diâmetro de uns 10 a 20 km10\text{ a }20\,\mathrm{km} ou mais, como encontram os modelos.

2.8 Problema: a pedra que caiu no lago gelado

Problema 2.1

Problema de fim de semana — classificar uma pedra recém-caída, datar seus côndrulos com o alumínio-26 e descobrir quão quente seu corpo parental ficou

Em uma noite de inverno, uma bola de fogo cruza o céu acima de um lago setentrional inventado, e ouve-se um estrondo. Na manhã seguinte, uma pedra de crosta negra de 2.4 kg2.4\,\mathrm{kg} é recolhida no gelo, no meio de uma cratera recente na neve. A pedra cortada mostra côndrulos que ocupam 75 %75\,\% de seu volume, de 0.3 mm0.3\,\mathrm{mm} de diâmetro em média, com bordas esmaecidas; o metal ocupa 9 %9\,\% de seu volume, e sua olivina contém 18 por cento molares de faialita. Um laboratório analisa um côndrulo (tabela abaixo). Use as tabelas do capítulo, R0=5.23×10−5R_0 = 5.23 \times 10^{-5}, τ=1.035 Myr\tau = 1.035\,\mathrm{Myr}, um ano de 3.156×107 s3.156 \times 10^{7}\,\mathrm{s}, H0=1.9×10−7 W kg−1H_0 = 1.9 \times 10^{-7}\,\mathrm{W}\,\mathrm{kg}^{-1}, c=837 J kg−1 K−1c = 837\,\mathrm{J}\,\mathrm{kg}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1}, T0=250 KT_0 = 250\,\mathrm{K}, uma condutividade de 2.1 W m−1 K−12.1\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1}, uma densidade de 3300 kg m−33300\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3}, 1 au1\,\mathrm{au} =1.496×1011 m= 1.496 \times 10^{11}\,\mathrm{m}, M⊙=1.989×1030 kgM_\odot = 1.989 \times 10^{30}\,\mathrm{kg} e M⊕=5.972×1024 kgM_\oplus = 5.972 \times 10^{24}\,\mathrm{kg}.

mineralX27X2227Al/X24X2224Mg\ce{^{27}Al}/\ce{^{24}Mg}X26X2226Mg/X24X2224Mg\ce{^{26}Mg}/\ce{^{24}Mg}
olivina0.050.139 5000.139\,500
vidro3.000.139 5180.139\,518
plagioclásio15.00.139 5900.139\,590

Parte I — A pedra.

  1. A pedra é uma queda ou um achado? Por que isso a torna valiosa?
  2. Das 11071107 quedas do catálogo, 856 são condritos ordinários. Qual é a probabilidade de que uma queda, tomada ao acaso, seja um deles?
  3. Usando a tabela dos grupos de condritos, diga a que grupo a pedra pertence.
  4. Seus côndrulos têm bordas esmaecidas e seus minerais são de composição uniforme. Que tipos petrológicos isso sugere, e qual é a temperatura máxima que seu grupo atingiu, em kelvins e em graus Celsius?
  5. Por que você esperaria poucas CAIs nela, e por que a pedra é, ainda assim, mais jovem que qualquer CAI?

Parte II — Quando o côndrulo se formou?

  1. Explique por que a razão X26X2226Mg/X24X2224Mg\ce{^{26}Mg}/\ce{^{24}Mg} aumenta com X27X2227Al/X24X2224Mg\ce{^{27}Al}/\ce{^{24}Mg} de um mineral para outro.
  2. A partir da olivina e do plagioclásio, calcule a inclinação da isócrona. O que ela mede?
  3. Verifique que o vidro fica sobre a mesma reta.
  4. Quanto tempo depois das CAIs o côndrulo se formou?
  5. Tomando para as CAIs a idade de 4567.5 Ma4567.5\,\mathrm{Ma}, dê a idade do côndrulo.
  6. Qual teria sido a razão X26X2226Al/X27X2227Al\ce{^{26}Al}/\ce{^{27}Al} em um mineral formado 10 Myr10\,\mathrm{Myr} depois das CAIs? Que nuclídeo da tabela dataria melhor um tal acontecimento?

Parte III — O aquecimento do corpo parental. O corpo parental da pedra, de 20 km20\,\mathrm{km} de raio, agregou-se 2.4 Myr2.4\,\mathrm{Myr} depois das CAIs, pouco depois de seus côndrulos.

  1. Calcule a difusividade térmica da rocha e o tempo R2/κR^2/\kappa que o calor leva para escapar do centro, em milhões de anos. Pode-se considerar que o centro não perde calor?
  2. Calcule a potência de aquecimento do alumínio-26 por quilograma de rocha no instante da agregação.
  3. Calcule o calor ainda por liberar por quilograma depois da agregação.
  4. Calcule o aumento de temperatura e a temperatura máxima no centro.
  5. Compare com as três temperaturas críticas do capítulo. O centro fundiu? Isso é coerente com a pergunta 4?
  6. Qual é o instante de agregação mais tardio para o qual o metal e o sulfeto do centro teriam começado a fundir?
  7. Quanto tempo depois da agregação se atinge 90 %90\,\% do aumento de temperatura? Dê a data em relação às CAIs.

Parte IV — Os vizinhos.

  1. Um acondrito vem de um corpo que se agregou 0.8 Myr0.8\,\mathrm{Myr} depois das CAIs. Calcule a temperatura máxima que a proposição daria, e diga o que realmente aconteceu com o corpo.
  2. Quantas vezes mais alumínio-26 por quilograma esse corpo tinha em sua agregação do que o corpo parental da pedra?
  3. A pedra é mais pobre que o Sol em zinco e chumbo, mas não em magnésio nem em alumínio. Use as temperaturas de condensação para explicar por quê.
  4. Na nebulosa de massa mínima, calcule a densidade superficial da rocha (Zrel=0.33Z_{\mathrm{rel}} = 0.33) a 2.5 au2.5\,\mathrm{au}, onde o corpo parental orbitava.
  5. Calcule a massa de isolamento a 2.5 au2.5\,\mathrm{au}, com b=5b = 5, em quilogramas e em massas terrestres, e compare-a com a massa do corpo parental.
  6. Indique a temperatura máxima do centro do corpo parental, o número-chave deste problema, em graus Celsius.
Solução

Solução de Problema 2.1.

1. Uma queda: sua chegada foi vista e ela foi recolhida na manhã seguinte. Ela não está alterada pelo intemperismo e se soma à amostra não enviesada do que chega à Terra.

2. 856/1107=0.77856/1107 = 0.77: cerca de três chances em quatro.

3. Côndrulos de 0.3 mm0.3\,\mathrm{mm} de diâmetro, 9 %9\,\% de metal e olivina com 18 %18\,\% de faialita: um condrito H (10 %10\,\% de metal, Fa 16–20).

4. Côndrulos esmaecidos e minerais uniformes indicam metamorfismo térmico: tipos 5 a 6. Os condritos ordinários atingiram no máximo cerca de 1220 K1220\,\mathrm{K}, isto é, 947∘C947{}^{\circ}\mathrm{C}.

5. Os condritos ordinários contêm apenas 0.1 a 1 %0.1\text{ a }1\,\% de CAIs em volume. A pedra é feita de côndrulos e matriz agregados depois das CAIs, que são os sólidos mais antigos: toda rocha que os contém é mais jovem.

6. Cada mineral recebeu na formação o mesmo magnésio mais alumínio-26 em proporção ao seu alumínio; desde então, o alumínio-26 transformou-se em magnésio-26, de modo que, quanto mais alumínio por magnésio um mineral tinha, mais magnésio-26 ele ganhou.

7. (0.139590−0.139500)/(15.0−0.05)=0.000 090/14.95=6.02×10−6(0.139590 - 0.139500)/(15.0 - 0.05) = 0.000\,090/14.95 = 6.02 \times 10^{-6}: a razão X26X2226Al/X27X2227Al\ce{^{26}Al}/\ce{^{27}Al} do côndrulo quando ele se formou.

8. 0.139500+6.02×10−6×3.00=0.1395180.139500 + 6.02 \times 10^{-6}\times3.00 = 0.139518: sobre a reta.

9. Δt=1.035ln⁡(5.23×10−5/6.02×10−6)=1.035ln⁡8.69=1.035×2.162=2.24 Myr\Delta t = 1.035\ln(5.23 \times 10^{-5}/6.02 \times 10^{-6}) = 1.035\ln8.69 = 1.035\times2.162 = 2.24\,\mathrm{Myr}.

10. 4567.5−2.2=4565.3 Ma4567.5 - 2.2 = 4565.3\,\mathrm{Ma}.

11. 5.23×10−5 e−10/1.035=5.23×10−5×6.4×10−5=3.3×10−95.23 \times 10^{-5}\,e^{-10/1.035} = 5.23 \times 10^{-5}\times6.4 \times 10^{-5} = 3.3 \times 10^{-9}, magnésio-26 pouco demais para ser medido. O háfnio-182 (meia-vida de 8.9 Myr8.9\,\mathrm{Myr}) ou o manganês-53 (3.7 Myr3.7\,\mathrm{Myr}) convêm a acontecimentos ocorridos uns dez milhões de anos depois das CAIs.

12. κ=2.1/(3300×837)=7.60×10−7 m2 s−1\kappa = 2.1/(3300\times837) = 7.60 \times 10^{-7}\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{s}^{-1}; R2/κ=4×108/7.60×10−7=5.26×1014 s=16.7 MyrR^2/\kappa = 4 \times 10^{8}/7.60 \times 10^{-7} = 5.26 \times 10^{14}\,\mathrm{s} = 16.7\,\mathrm{Myr}, dezesseis vezes a vida média do alumínio-26: o centro conserva seu calor.

13. 1.9×10−7 e−2.4/1.035=1.9×10−7×0.0984=1.87×10−8 W kg−11.9 \times 10^{-7}\,e^{-2.4/1.035} = 1.9 \times 10^{-7}\times0.0984 = 1.87 \times 10^{-8}\,\mathrm{W}\,\mathrm{kg}^{-1}.

14. 1.87×10−8×3.267×1013=6.11×105 J kg−11.87 \times 10^{-8}\times3.267 \times 10^{13} = 6.11 \times 10^{5}\,\mathrm{J}\,\mathrm{kg}^{-1}.

15. ΔT=6.11×105/837=730 K\Delta T = 6.11 \times 10^{5}/837 = 730\,\mathrm{K}; máximo de 250+730=980 K250 + 730 = 980\,\mathrm{K}.

16. Acima de 750 K750\,\mathrm{K}, portanto a rocha sinterizou e foi metamorfizada; abaixo de 1200 K1200\,\mathrm{K}, portanto nem o metal nem o sulfeto fundiram. A pedra é um condrito aquecido, de tipo petrológico alto, abaixo dos 1220 K1220\,\mathrm{K} da pergunta 4: coerente.

17. 1.035ln⁡(6.21×106/(837×950))=2.13 Myr1.035\ln\bigl(6.21 \times 10^{6}/(837\times950)\bigr) = 2.13\,\mathrm{Myr}: cerca de 0.3 Myr0.3\,\mathrm{Myr} antes.

18. O aumento é ΔT(1−e−(t−ta)/τ)\Delta T(1 - e^{-(t - t_a)/\tau}); 90 %90\,\% exigem e−(t−ta)/τ=0.1e^{-(t - t_a)/\tau} = 0.1, t−ta=1.035ln⁡10=2.38 Myrt - t_a = 1.035\ln10 = 2.38\,\mathrm{Myr}, isto é, 4.8 Myr4.8\,\mathrm{Myr} depois das CAIs.

19. ΔT=7420 e−0.8/1.035=7420×0.462=3430 K\Delta T = 7420\,e^{-0.8/1.035} = 7420\times0.462 = 3430\,\mathrm{K}, máximo de 3680 K3680\,\mathrm{K}, muito acima dos 1700 K1700\,\mathrm{K} em que os silicatos estão fundidos. O corpo fundiu (o calor de fusão manteve sua temperatura mais baixa) e diferenciou-se em um núcleo metálico e um manto e uma crosta silicáticos.

20. e(2.4−0.8)/1.035=e1.546=4.7e^{(2.4 - 0.8)/1.035} = e^{1.546} = 4.7 vezes mais.

21. O zinco e o chumbo se condensam perto de 727 K727\,\mathrm{K}, moderadamente voláteis; o magnésio (1336 K1336\,\mathrm{K}) e o alumínio (1653 K1653\,\mathrm{K}) se condensam muito antes. Os sólidos da região da pedra se reuniram antes que o gás tivesse esfriado o bastante para que todo o zinco e todo o chumbo se condensassem.

22. 33×0.33×2.5−3/2=10.89/3.95=2.76 g cm−233\times0.33\times2.5^{-3/2} = 10.89/3.95 = 2.76\,\mathrm{g}\,\mathrm{cm}^{-2}, 27.6 kg m−227.6\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-2}.

23. r2=(3.74×1011)2=1.40×1023r^2 = (3.74\times10^{11})^2 = 1.40 \times 10^{23}; 2π×5×1.40×1023×27.6=1.21×10262\pi\times5\times1.40 \times 10^{23}\times27.6 = 1.21 \times 10^{26}; (1.21×1026)3/2/2.443×1015=5.45×1023 kg(1.21 \times 10^{26})^{3/2}/2.443 \times 10^{15} = 5.45 \times 10^{23}\,\mathrm{kg}, 0.0910.091 massa terrestre. O corpo parental, 43π(2×104)3×3300=1.1×1017 kg\tfrac43\pi(2 \times 10^{4})^3\times3300 = 1.1 \times 10^{17}\,\mathrm{kg}, é cinco milhões de vezes mais leve: um planetesimal, não um embrião.

24. O centro do corpo parental atingiu um máximo de cerca de 707∘C707{}^{\circ}\mathrm{C} (980−273980 - 273): quente o bastante para recristalizar o condrito, frio demais para fundir seu metal.

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