পৃথিবী ও মহাকাশ বিজ্ঞান · বই 4 · স্নাতক দ্বিতীয় বর্ষ

Ciências da Terra e do espaço universitárias — 2.º ano

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Ciências da Terra e do espaço universitárias — 2.º ano · স্নাতক দ্বিতীয় বর্ষ

1O meio interestelar e a formação das estrelas

Na constelação de Touro, a cerca de 140 pc140\,\mathrm{pc} do Sol, uma mancha escura apaga as estrelas que estão atrás dela. Vista com um radiotelescópio sintonizado nas linhas do monóxido de carbono, a mancha é uma nuvem de gás frio com cerca de vinte mil vezes a massa do Sol, atravessada por filamentos; nos nós mais densos estão nascendo estrelas jovens e, em torno de uma delas, HL Tauri, um disco de poeira exibe um padrão de anéis claros e escuros onde planetas talvez já estejam se formando. O Sol, a Terra e cada átomo das rochas deste livro estiveram um dia em uma nuvem assim. Este capítulo acompanha a matéria de um sistema planetário desde o gás rarefeito entre as estrelas até um disco em torno de uma estrela recém-nascida: de que é feito o meio interestelar, por que uma nuvem sustentada pelo próprio calor chega a colapsar, quanto tempo dura o colapso, como uma estrela reúne sua massa e por que a matéria que não cai nela acaba em um disco.

O que você já sabe

Uma estrela da sequência principal brilha fundindo hidrogênio em hélio em seu núcleo e se sustenta pela própria pressão contra o próprio peso; sua posição no diagrama de Hertzsprung–Russell é fixada por sua massa (física, terceiro ano universitário). Um corpo em órbita fechada em torno de uma massa MM obedece à terceira lei de Kepler, T2=4π2a3/(GM)T^2 = 4\pi^2 a^3/(GM) (física, primeiro ano universitário). Um corpo negro à temperatura TT emite σT4\sigma T^4 por unidade de área (física, segundo ano universitário). Em um gás ideal de NN partículas, a energia cinética média de translação é 32NkBT\tfrac32 N k_{\mathrm B} T. O parsec, 3.086×1016 m3.086 \times 10^{16}\,\mathrm{m}, é a unidade de distância do volume do primeiro ano.

1.1 A matéria entre as estrelas

O espaço entre as estrelas não é vazio. Perto do Sol, ele contém em média cerca de um átomo de hidrogênio por centímetro cúbico, uma densidade de massa de 2.7×10−24 g cm−32.7 \times 10^{-24}\,\mathrm{g}\,\mathrm{cm}^{-3}; o ar que respiramos contém umas 101910^{19} vezes mais moléculas no mesmo volume (Exercício 1.1). Espalhada pela Galáxia, essa matéria rarefeita ainda soma 10 a 15 %10\text{ a }15\,\% da massa do disco galáctico.

Definição 1.1 (Meio interestelar, poeira interestelar)

O meio interestelar é o gás e a poeira que preenchem o espaço entre as estrelas de uma galáxia. A poeira interestelar é a parte dele na forma de grãos sólidos, de alguns nanômetros a cerca de um micrômetro de diâmetro, feitos de silicatos, compostos de carbono e, nas regiões frias, gelos.

Sua composição é a medida no Sol e nos meteoritos: em massa, 70.4 %70.4\,\% de hidrogênio, 28.1 %28.1\,\% de hélio e 1.5 %1.5\,\% de elementos mais pesados. Só 0.5 a 1 %0.5\text{ a }1\,\% da massa está na poeira, e no entanto a poeira retém a maior parte de certos elementos: o gás é mais pobre que o Sol em magnésio, silício e ferro por fatores de 10 a 100, porque esses átomos estão presos nos grãos, ao passo que carbono, nitrogênio e oxigênio são empobrecidos apenas por fatores de 1.2 a 3. Os grãos são os primeiros sólidos de um futuro sistema planetário; o Capítulo 2 os acompanha.

1.1.1 Cinco fases

O gás está longe de ser uniforme. Ele se apresenta em alguns estados distintos, ou fases, cada um com sua faixa de temperatura e de densidade (tabela abaixo). Cerca de metade de sua massa está em nuvens que ocupam apenas 1 a 2 %1\text{ a }2\,\% do volume; o resto, morno ou quente, preenche o espaço entre elas.

fasetemperatura (K)densidade nn (cm−3\mathrm{cm}^{-3})
molecular10–2010210^2–10610^6
atômica fria50–10020–50
atômica morna6000–10 0000.2–0.5
ionizada mornacerca de 80000.2–0.5
ionizada quentecerca de 10610^6cerca de 0.0065
Table 1.1. As fases do gás interestelar perto do Sol; nn é a densidade numérica de núcleos de hidrogênio.

A tabela esconde uma regularidade. A pressão de um gás ideal é P=nkBTP = n k_{\mathrm B} T, de modo que o produto nTnT a mede. Para o gás atômico frio, nTnT vale cerca de 30×75≈200030\times75 \approx 2000 (em K cm−3\mathrm{K}\,\mathrm{cm}^{-3}); para o gás atômico morno, cerca de 0.3×8000≈24000.3\times8000 \approx 2400; para o gás quente, cerca de 0.0065×106=65000.0065\times10^6 = 6500: a menos de um fator de poucas unidades, as três fases que dividem o espaço entre as nuvens estão à mesma pressão (figura abaixo). Onde um gás quente e um gás frio se tocam à mesma pressão, nenhum empurra o outro para longe; um gás que esfria a pressão constante fica mais denso na mesma proporção e passa da fase morna para a fria. As nuvens moleculares atingem pressões muito mais altas, até milhares de vezes maiores em suas partes densas: elas são mantidas coesas pela própria gravidade, e não pela pressão do meio que as cerca.

As fases do gás interestelar perto do Sol (faixas da tabela acima; as fases ionizada morna e quente, dadas por valores únicos, são desenhadas como caixas de largura igual a um fator 1.4). Ao longo de cada linha cinza, a pressão nk_ BT é constante: as fases fria, morna e quente ficam perto da mesma pressão, a menos de um fator de poucas unidades, enquanto as nuvens moleculares, ligadas pela própria gravidade, atingem pressões até milhares de vezes maiores. Dados: Ferrière (2001).
As fases do gás interestelar perto do Sol (faixas da tabela acima; as fases ionizada morna e quente, dadas por valores únicos, são desenhadas como caixas de largura igual a um fator 1.4). Ao longo de cada linha cinza, a pressão nkBTnk_{\mathrm B}T é constante: as fases fria, morna e quente ficam perto da mesma pressão, a menos de um fator de poucas unidades, enquanto as nuvens moleculares, ligadas pela própria gravidade, atingem pressões até milhares de vezes maiores. Dados: Ferrière (2001).

A poeira se revela de três maneiras. Ela atenua a luz das estrelas que estão atrás dela, e atenua mais a luz azul que a vermelha, de modo que as estrelas vistas através dela parecem mais vermelhas do que são. Ela brilha no infravermelho distante e em comprimentos de onda milimétricos, à temperatura de algumas dezenas de kelvins a que a luz das estrelas a aquece. E ela esconde dos telescópios ópticos o que existe no interior de uma nuvem densa, e é por isso que a formação estelar é observada em comprimentos de onda de rádio e de infravermelho. O gás é rastreado por suas linhas: o hidrogênio atômico por sua linha de rádio de 21 cm21\,\mathrm{cm}, o hidrogênio molecular, que quase não irradia quando frio, pelas linhas das moléculas que o acompanham, a começar pelo monóxido de carbono.

1.2 Nuvens moleculares

A fase mais fria e mais densa é aquela em que as estrelas se formam.

Definição 1.2 (Nuvem molecular, núcleo denso)

Uma nuvem molecular é uma região do meio interestelar densa e opaca o bastante para que seu hidrogênio esteja principalmente na forma de moléculas, HX2\ce{H2}, protegidas pela poeira da luz ultravioleta das estrelas, que as quebraria; sua temperatura é de cerca de 10 K10\,\mathrm{K} a 20 K20\,\mathrm{K}. Um núcleo denso é uma condensação compacta no interior de uma nuvem molecular, com alguns décimos de parsec de diâmetro ou menos, densidades de 10410^4 a 10510^5 partículas por centímetro cúbico, e da qual se forma uma única estrela ou um pequeno grupo de estrelas.

As nuvens se organizam em uma hierarquia (tabela abaixo). Uma nuvem escura como a de Touro contém grumos, e os grumos contêm núcleos, cada nível mais denso, menor e mais calmo que o de cima: em um núcleo, o gás se move a no máximo alguns décimos de quilômetro por segundo, a velocidade do som em um gás a 10 K10\,\mathrm{K}. A região de Touro mapeada em monóxido de carbono contém cerca de 2.4×1042.4 \times 10^{4} massas solares de gás; apenas 0.3 a 1.2 %0.3\text{ a }1.2\,\% dele se transformou nas estrelas jovens vistas ali, a uma taxa de cerca de oito estrelas a cada cem mil anos nos últimos três milhões de anos. A formação estelar é lenta e perdulária.

nuvens escurasgrumosnúcleos densos
massa (massas solares)10310^3–10410^450–5000.5–5
tamanho (pc)2–150.3–30.03–0.2
densidade média (cm−3\mathrm{cm}^{-3})50–50010310^3–10410^410410^4–10510^5
temperatura do gás (K)cerca de 1010–208–12
exemplosTouro, Musca—L1544, B68
Table 1.2. A hierarquia de uma nuvem molecular escura. As densidades contam todas as partículas. Dados: Bergin e Tafalla (2007).

Por que as nuvens são tão frias? Um gás perde energia emitindo fótons que escapam, e as moléculas são emissoras eficientes: uma colisão eleva uma molécula de monóxido de carbono a um nível de rotação mais alto, a molécula volta a cair emitindo um fóton de comprimento de onda milimétrico, e o fóton sai da nuvem, levando consigo a energia da colisão. A poeira, aquecida pela fraca luz estelar que penetra, irradia no infravermelho distante. O aquecimento, pelos raios cósmicos e pela luz estelar filtrada pela poeira, é fraco; o equilíbrio se estabelece perto de 10 K10\,\mathrm{K}. Em um gás assim, a pressão térmica é pequena, e a gravidade pode vencer.

Os “Pilares da Criação” na Nebulosa da Águia, fotografados pelo Telescópio Espacial Hubble em luz visível. As colunas são gás molecular frio e denso e poeira, com anos-luz de comprimento, erodidas e iluminadas de cima pela luz ultravioleta de estrelas jovens de grande massa situadas fora da imagem; a poeira as torna opacas. Pequenas condensações em suas pontas estão formando estrelas. NASA, ESA e Hubble Heritage Team (STScI/AURA), domínio público.
Os “Pilares da Criação” na Nebulosa da Águia, fotografados pelo Telescópio Espacial Hubble em luz visível. As colunas são gás molecular frio e denso e poeira, com anos-luz de comprimento, erodidas e iluminadas de cima pela luz ultravioleta de estrelas jovens de grande massa situadas fora da imagem; a poeira as torna opacas. Pequenas condensações em suas pontas estão formando estrelas. NASA, ESA e Hubble Heritage Team (STScI/AURA), domínio público.

1.3 Colapso gravitacional

Uma nuvem é um equilíbrio entre duas energias: a energia térmica de seu gás, que empurra para fora, e sua energia gravitacional, que puxa para dentro. A segunda cresce mais depressa com a massa que a primeira; acima de uma certa massa, a gravidade vence.

Proposição 1.3 (Energia gravitacional de uma esfera homogênea)

Uma esfera de densidade uniforme, de massa MM e raio RR, tem a energia potencial gravitacional

U=−35 GM2R.U = -\frac{3}{5}\,\frac{G M^2}{R}.

Demonstração. Construa-se a esfera camada por camada. Quando seu raio é rr, ela tem a massa m(r)=Mr3/R3m(r) = M r^3/R^3; trazer do infinito até sua superfície uma camada de espessura dr\mathrm dr, de massa dm=3Mr2 dr/R3\mathrm dm = 3M r^2\,\mathrm dr/R^3, libera a energia Gm(r) dm/rG m(r)\,\mathrm dm/r, porque uma esfera atrai, do lado de fora, como se sua massa estivesse em seu centro (o teorema das cascas, física). Logo

U=−∫0RGr Mr3R3 3Mr2R3 dr=−3GM2R6∫0Rr4 dr=−35 GM2R.U = -\int_0^R \frac{G}{r}\,\frac{M r^3}{R^3}\,\frac{3 M r^2}{R^3}\,\mathrm dr = -\frac{3 G M^2}{R^6}\int_0^R r^4\,\mathrm dr = -\frac{3}{5}\,\frac{G M^2}{R}. \qedhere

∎

Um corpo autogravitante em equilíbrio obedece ao teorema do virial: em média no tempo, o dobro de sua energia cinética mais sua energia gravitacional é nulo, 2K+U=02K + U = 0 (física, terceiro ano universitário, onde ele é deduzido das equações do movimento). Para uma nuvem em repouso, KK é a energia térmica de suas partículas. Se 2K>∣U∣2K > |U|, o gás se expande; se 2K<∣U∣2K < |U|, a gravidade não encontra equilíbrio que se oponha a ela, e a nuvem se contrai.

Proposição 1.4 (Critério de Jeans)

Uma nuvem homogênea e isotérmica de temperatura TT e densidade ρ\rho, formada de partículas de massa média μmu\mu m_u, colapsa sob a própria gravidade se sua massa excede a massa de Jeans

MJ=(5kBTGμmu)3/2(34πρ)1/2,M_J = \left(\frac{5 k_{\mathrm B} T}{G\mu m_u}\right)^{3/2} \left(\frac{3}{4\pi\rho}\right)^{1/2},

ou, de modo equivalente, se seu raio excede o comprimento de Jeans

RJ=(15kBT4πGμmu ρ)1/2.R_J = \left(\frac{15 k_{\mathrm B} T}{4\pi G\mu m_u\,\rho}\right)^{1/2}.

Este é o critério de Jeans.

Demonstração. A nuvem contém N=M/(μmu)N = M/(\mu m_u) partículas, com a energia térmica K=32NkBT=32MkBT/(μmu)K = \tfrac32 N k_{\mathrm B}T = \tfrac32 M k_{\mathrm B}T/(\mu m_u). Pela Proposição 1.3, ela colapsa se 2K<35GM2/R2K < \tfrac35 GM^2/R, isto é,

3MkBTμmu<35 GM2R  ⟺  M>5kBTGμmu R.\frac{3 M k_{\mathrm B} T}{\mu m_u} < \frac{3}{5}\,\frac{G M^2}{R} \iff M > \frac{5 k_{\mathrm B} T}{G \mu m_u}\, R .

Elimine-se RR com M=43πR3ρM = \tfrac43\pi R^3\rho, isto é, R=(3M/4πρ)1/3R = (3M/4\pi\rho)^{1/3}: M2/3>5kBTGμmu (3/4πρ)1/3M^{2/3} > \frac{5 k_{\mathrm B}T}{G\mu m_u}\,(3/4\pi\rho)^{1/3}, e elevar os dois membros à potência 3/23/2 dá M>MJM > M_J. Eliminando-se MM em vez disso, 43πR3ρ>5kBTR/(Gμmu)\tfrac43\pi R^3\rho > 5 k_{\mathrm B}T R/(G\mu m_u) dá R2>15kBT/(4πGμmuρ)R^2 > 15 k_{\mathrm B}T/(4\pi G\mu m_u\rho), isto é, R>RJR > R_J. ∎

Definição 1.5 (Massa de Jeans, comprimento de Jeans)

A massa de Jeans MJM_J e o comprimento de Jeans RJR_J de um gás de temperatura e densidade dadas são a massa e o raio acima dos quais uma esfera homogênea desse gás colapsa sob a própria gravidade (Proposição 1.4).

A massa de Jeans cresce como T3/2T^{3/2} e cai como ρ−1/2\rho^{-1/2}: o gás frio e denso é o que colapsa com mais facilidade. Em uma nuvem molecular, a massa média por partícula é μ=2.33\mu = 2.33 unidades de massa atômica: hidrogênio molecular com um átomo de hélio para cada cinco moléculas, aproximadamente. A 10 K10\,\mathrm{K} e 10410^4 partículas por centímetro cúbico, ρ=μmun=3.87×10−17 kg m−3\rho = \mu m_u n = 3.87 \times 10^{-17}\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3} e MJ=5.5M_J = 5.5 massas solares, dentro de um comprimento de Jeans de 0.13 pc0.13\,\mathrm{pc}: a massa e o tamanho de um núcleo denso. Na densidade média de uma nuvem escura, 100100 partículas por centímetro cúbico, a massa de Jeans é dez vezes maior, 55 massas solares, e uma nuvem de 24 00024\,000 massas solares como a de Touro contém centenas delas (figura abaixo).

(a) A massa de Jeans em função da densidade de partículas para três temperaturas (= 2.33). O retângulo sombreado marca as massas e densidades dos núcleos densos observados: a 10\, K, sua massa é próxima da massa de Jeans. (b) O tempo de queda livre da : um terço de milhão de anos com 104 partículas por centímetro cúbico, dez vezes mais com 102.
(a) A massa de Jeans em função da densidade de partículas para três temperaturas (μ=2.33\mu = 2.33). O retângulo sombreado marca as massas e densidades dos núcleos densos observados: a 10 K10\,\mathrm{K}, sua massa é próxima da massa de Jeans. (b) O tempo de queda livre da Proposição 1.6: um terço de milhão de anos com 10410^4 partículas por centímetro cúbico, dez vezes mais com 10210^2.

Uma nuvem que começa a colapsar fica mais densa, e sua massa de Jeans cai como ρ−1/2\rho^{-1/2} enquanto ela permanece fria, o que acontece enquanto ela consegue irradiar o calor da compressão. Partes da nuvem tornam-se então instáveis por conta própria e colapsam separadamente: a nuvem se fragmenta. É por isso que as estrelas se formam em grupos e que suas massas são pequenas comparadas com as das nuvens que as originam. A fragmentação cessa quando o gás fica denso demais para deixar sua radiação escapar: o calor da compressão fica aprisionado, a temperatura sobe e a massa de Jeans para de cair.

Quanto tempo dura um colapso? Se a pressão for desprezível, cada camada da nuvem cai livremente em direção ao centro.

Proposição 1.6 (Tempo de queda livre)

Uma esfera homogênea de densidade ρ\rho, inicialmente em repouso e sem pressão, colapsa até seu centro no tempo

tff=(3π32 Gρ)1/2,t_{\mathrm{ff}} = \left(\frac{3\pi}{32\,G\rho}\right)^{1/2},

independente de seu raio.

Demonstração. Considere-se uma partícula em repouso à distância RR do centro, na superfície da esfera. As camadas internas a ela caem mais depressa ou junto com ela, nunca atrás, de modo que a massa M=43πR3ρM = \tfrac43\pi R^3\rho que a atrai permanece a mesma durante todo o percurso. Sua trajetória é uma órbita de Kepler degenerada: uma elipse achatada até virar um segmento de reta, com a extremidade mais distante em RR e o centro de atração na outra extremidade, de modo que seu semieixo maior é a=R/2a = R/2. Cair da extremidade distante até o centro leva meio período; pela terceira lei de Kepler,

tff=12⋅2π(R/2)3GM=πR38 G⋅43πR3ρ=3π32 Gρ.t_{\mathrm{ff}} = \frac12\cdot 2\pi\sqrt{\frac{(R/2)^3}{GM}} = \pi\sqrt{\frac{R^3}{8\,G\cdot\frac43\pi R^3\rho}} = \sqrt{\frac{3\pi}{32\,G\rho}} .

RR se cancela: todas as camadas de uma esfera homogênea chegam ao centro no mesmo instante. ∎

Definição 1.7 (Tempo de queda livre)

O tempo de queda livre de um gás de densidade ρ\rho é tff=(3π/32Gρ)1/2t_{\mathrm{ff}} = (3\pi/32G\rho)^{1/2}, o tempo que uma esfera homogênea com essa densidade levaria para colapsar apenas sob a própria gravidade.

Para um núcleo denso de 10410^4 partículas por centímetro cúbico, o tempo de queda livre é de 0.34 Myr0.34\,\mathrm{Myr}; para uma nuvem escura inteira, de 10210^2, 3.4 Myr3.4\,\mathrm{Myr}. Se todas as nuvens moleculares da Galáxia colapsassem em um tempo de queda livre e se transformassem em estrelas, a Galáxia formaria estrelas muito mais depressa do que forma: em Touro, o gás efetivamente transformado em estrelas nos últimos três milhões de anos é cerca de um por cento da nuvem. As nuvens são contidas por movimentos turbulentos e por campos magnéticos que a fração ionizada do gás arrasta consigo, e a maior parte de seu gás é dispersa pelos ventos e pela luz das primeiras estrelas de grande massa antes de poder colapsar: daí a baixa eficiência medida em Touro.

História — James Jeans

James Jeans (1877–1946) publicou em 1902 a análise da estabilidade de um gás sob a própria gravidade da qual descendem a massa e o comprimento de Jeans. Ele estudou o crescimento de pequenas ondas de densidade em um gás homogêneo infinito e descobriu que as ondas mais longas que um comprimento crítico não são contidas pela pressão, mas crescem: o gás se divide em condensações com aproximadamente esse tamanho. Seu comprimento crítico difere do raio encontrado acima apenas por um fator numérico; a física, gravidade contra pressão térmica, é a mesma.

1.4 Protoestrelas

O colapso de um núcleo não é homogêneo. O centro, um pouco mais denso, cai primeiro; ali se forma um objeto pequeno, denso e quente, que cresce engolindo o gás que continua a chover sobre ele.

Definição 1.8 (Protoestrela)

Uma protoestrela é uma estrela em formação que ainda ganha a maior parte de sua massa por acreção do gás de seu núcleo de origem; ela brilha pela energia que o gás em queda libera, e não por fusão nuclear.

Com que rapidez cresce uma protoestrela? Um núcleo prestes a colapsar contém cerca de uma massa de Jeans e cai em cerca de um tempo de queda livre, de modo que a massa chega a uma taxa da ordem de MJ/tffM_J/t_{\mathrm{ff}}.

Proposição 1.9 (Taxa de acreção de uma protoestrela)

Seja cs=(kBT/μmu)1/2c_s = (k_{\mathrm B}T/\mu m_u)^{1/2} a velocidade do som isotérmica do gás de um núcleo. A razão entre a massa de Jeans e o tempo de queda livre não depende da densidade, e

MJtff≈10 cs3G:\frac{M_J}{t_{\mathrm{ff}}} \approx 10\,\frac{c_s^3}{G}:

uma protoestrela cresce a uma taxa da ordem de cs3/Gc_s^3/G, fixada apenas pela temperatura de seu núcleo.

Demonstração. Com kBT/(μmu)=cs2k_{\mathrm B}T/(\mu m_u) = c_s^2, MJ=53/2 cs3 G−3/2(3/4πρ)1/2M_J = 5^{3/2}\,c_s^3\,G^{-3/2} (3/4\pi\rho)^{1/2} e tff=(3π/32)1/2(Gρ)−1/2t_{\mathrm{ff}} = (3\pi/32)^{1/2}(G\rho)^{-1/2}, de modo que

MJtff=53/2(34π)1/2(323π)1/2cs3G=11.18×0.489×1.84 cs3G≈10 cs3G,\frac{M_J}{t_{\mathrm{ff}}} = 5^{3/2}\left(\frac{3}{4\pi}\right)^{1/2} \left(\frac{32}{3\pi}\right)^{1/2}\frac{c_s^3}{G} = 11.18\times0.489\times1.84\,\frac{c_s^3}{G} \approx 10\,\frac{c_s^3}{G},

em que ρ\rho se cancelou. O fator depende da forma do núcleo; modelos de núcleos cuja densidade decresce para fora, como se observa, dão taxas mais próximas do próprio cs3/Gc_s^3/G. ∎

A 10 K10\,\mathrm{K}, cs=0.19 km s−1c_s = 0.19\,\mathrm{km}\,\mathrm{s}^{-1} e cs3/Gc_s^3/G vale 1.6×10−61.6 \times 10^{-6} massas solares por ano: uma estrela como o Sol se forma em cerca de 600 000600\,000 anos, um tempo comparável ao tempo de queda livre de seu núcleo. Em um núcleo mais quente, a 20 K20\,\mathrm{K}, a taxa é 23/2=2.82^{3/2} = 2.8 vezes maior.

De um núcleo denso a um sistema planetário (esquema, fora de escala). (1) Um núcleo frio próximo da massa de Jeans. (2) Seu centro colapsa primeiro e uma protoestrela se forma. (3) A protoestrela cresce por acreção através de um disco, enquanto um fluxo bipolar limpa o gás ao longo do eixo de rotação. (4) Desaparecido o envelope, uma estrela T Tauri, ainda em contração, está cercada por seu disco. (5) O disco se dispersou; o que resta de seus sólidos são planetas. Tempos tirados das estimativas de queda livre e de acreção do texto e das durações de vida dos discos da última seção.
De um núcleo denso a um sistema planetário (esquema, fora de escala). (1) Um núcleo frio próximo da massa de Jeans. (2) Seu centro colapsa primeiro e uma protoestrela se forma. (3) A protoestrela cresce por acreção através de um disco, enquanto um fluxo bipolar limpa o gás ao longo do eixo de rotação. (4) Desaparecido o envelope, uma estrela T Tauri, ainda em contração, está cercada por seu disco. (5) O disco se dispersou; o que resta de seus sólidos são planetas. Tempos tirados das estimativas de queda livre e de acreção do texto e das durações de vida dos discos da última seção.

Enquanto acreta, a protoestrela brilha pela energia do gás em queda. Uma vez esgotado o envelope, ela continua a brilhar, ainda sem fusão, contraindo-se.

Proposição 1.10 (A contração alimenta uma estrela jovem)

Uma esfera de gás autogravitante em equilíbrio que se contrai lentamente irradia metade da energia gravitacional que libera e guarda a outra metade como calor: ela fica mais quente enquanto perde energia.

Demonstração. Em equilíbrio, o teorema do virial dá 2K+U=02K + U = 0, de modo que a energia total é E=K+U=U/2E = K + U = U/2. Se o raio diminui, UU diminui de uma quantidade Δ<0\Delta < 0; então EE varia de Δ/2\Delta/2, que é a energia irradiada para fora, e K=−U/2K = -U/2 varia de −Δ/2>0-\Delta/2 > 0: a energia térmica, e portanto a temperatura, aumentam da outra metade. ∎

Definição 1.11 (Escala de tempo de Kelvin–Helmholtz)

A escala de tempo de Kelvin–Helmholtz de uma estrela de massa MM, raio RR e luminosidade LL é tKH=GM2/(RL)t_{\mathrm{KH}} = GM^2/(RL), a ordem de grandeza do tempo durante o qual a contração sozinha consegue fornecer sua luminosidade.

Para o Sol atual, tKH=31 Myrt_{\mathrm{KH}} = 31\,\mathrm{Myr}: muito menos que sua idade, e é por isso que o Sol precisa queimar hidrogênio. Para uma estrela jovem de uma massa solar, com o dobro do raio do Sol e o dobro de sua luminosidade, são 8 Myr8\,\mathrm{Myr} (Exercício 1.6). A contração termina quando o centro fica quente o bastante para que a fusão do hidrogênio forneça a luminosidade: a estrela chega à sequência principal (como lembrado no início do capítulo).

Definição 1.12 (Estrela T Tauri, fluxo bipolar)

Uma estrela T Tauri é uma estrela jovem de menos de cerca de duas massas solares que já se livrou de seu envelope e se tornou visível, mas que ainda não chegou à sequência principal: ela brilha por contração, varia de brilho e em geral está cercada por um disco do qual ainda acreta matéria. Um fluxo bipolar é um par de jatos ou ventos rápidos de gás ejetados por uma estrela jovem em sentidos opostos ao longo do eixo de rotação de seu disco.

Os fluxos bipolares levam embora parte do momento angular do gás que o disco entrega à estrela, e limpam o envelope ao longo do eixo; a estrela de HL Tauri, no fim de seu estágio protoestelar, produz um fluxo fortemente colimado.

1.5 Discos

Um núcleo denso gira, lentamente: de um lado a outro de um núcleo, a velocidade do gás varia de alguns décimos de quilômetro por segundo por parsec. Quando o núcleo colapsa, seu momento angular se conserva, e a rotação lenta se torna rápida.

Proposição 1.13 (Raio centrífugo)

Um gás de momento angular específico jj (momento angular por unidade de massa) que cai em direção a uma massa MM não consegue chegar ao centro: ele se instala em uma órbita circular de raio

rc=j2GM.r_c = \frac{j^2}{G M}.

Demonstração. Sem atrito, o momento angular do gás em queda se conserva, de modo que à distância rr sua velocidade de rotação é v=j/rv = j/r. O gás pode circular em rr se a gravidade fornecer exatamente a aceleração centrípeta, GM/r2=v2/r=j2/r3GM/r^2 = v^2/r = j^2/r^3, isto é, em r=j2/(GM)r = j^2/(GM). Mais para dentro, a aceleração centrípeta necessária, j2/r3j^2/r^3, excede a atração da gravidade, e o gás não consegue avançar. ∎

O gás que cai ao longo do eixo de rotação tem pouco momento angular e vai direto para a estrela; o gás que cai no plano equatorial conserva sua rotação. O gás que cai de lados opostos por trajetórias diferentes colide acima e abaixo do plano equatorial, perde seu movimento vertical e se acumula em um disco fino em rotação, de raio da ordem de rcr_c. Para um núcleo de 0.1 pc0.1\,\mathrm{pc} que dá uma volta em uns vinte milhões de anos, rcr_c é de algumas centenas de unidades astronômicas (Exercício 1.11): o tamanho dos discos observados.

Definição 1.14 (Disco protoplanetário)

Um disco protoplanetário (ou disco protoestelar) é o disco achatado de gás e poeira em rotação quase kepleriana em torno de uma estrela jovem, formado pela matéria de seu núcleo de origem que conservou momento angular demais para cair na estrela; os planetas se formam nele.

O disco da estrela jovem HL Tauri, a 140\, pc de distância em Touro, fotografado pelo interferômetro ALMA em um comprimento de onda de cerca de um milímetro, em que a poeira fria brilha. O disco, com cerca de 120\, au de raio e visto inclinado de 47, mostra anéis claros e escuros de algumas unidades astronômicas de largura; o sistema tem no máximo um ou dois milhões de anos, e os anéis são interpretados como os primeiros sinais de planetas abrindo caminho. ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), CC BY 4.0.
O disco da estrela jovem HL Tauri, a 140 pc140\,\mathrm{pc} de distância em Touro, fotografado pelo interferômetro ALMA em um comprimento de onda de cerca de um milímetro, em que a poeira fria brilha. O disco, com cerca de 120 au120\,\mathrm{au} de raio e visto inclinado de 47∘47{}^{\circ}, mostra anéis claros e escuros de algumas unidades astronômicas de largura; o sistema tem no máximo um ou dois milhões de anos, e os anéis são interpretados como os primeiros sinais de planetas abrindo caminho. ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), CC BY 4.0.

O disco é aquecido pela estrela. Um grão à distância rr absorve a luz estelar em sua seção transversal e irradia por toda a sua superfície.

Proposição 1.15 (Temperatura de um grão iluminado por uma estrela)

Um grão pequeno que se comporta como um corpo negro, à distância rr de uma estrela de luminosidade LL e iluminado de um só lado, estabiliza-se à temperatura

T=(L16πσr2)1/4,T = \left(\frac{L}{16\pi\sigma r^2}\right)^{1/4},

que decresce como r−1/2r^{-1/2}.

Demonstração. Um grão esférico de raio aa intercepta a potência πa2 L/(4πr2)\pi a^2\,L/(4\pi r^2) e, à temperatura TT, irradia 4πa2σT44\pi a^2\sigma T^4 por sua superfície. No equilíbrio as duas são iguais: T4=L/(16πσr2)T^4 = L/(16\pi\sigma r^2); aa se cancela. ∎

A 1 au1\,\mathrm{au} de uma estrela como o Sol, o grão está a 278 K278\,\mathrm{K}; a 5.2 au5.2\,\mathrm{au}, onde Júpiter orbita, a 122 K122\,\mathrm{K}. O gelo de água se condensa onde os grãos estão mais frios que cerca de 180 K180\,\mathrm{K} (as temperaturas de condensação são as do Capítulo 2), isto é, além de cerca de 2.4 au2.4\,\mathrm{au}: o primeiro indício da fronteira, a linha de neve, que separa os planetas rochosos dos gelados. Um disco real é opaco, e seu plano médio fica protegido da luz estelar direta; a proposição dá a ordem de grandeza certa e a inclinação certa para as camadas superficiais que a estrela enxerga.

Os discos não duram. O excesso infravermelho, o brilho da poeira morna acima do que a estrela sozinha emitiria, revela se uma estrela ainda tem um disco. Contar as estrelas que têm esse excesso em aglomerados de idades diferentes dá a fração de estrelas que conservam seu disco em função do tempo (figura abaixo): a maioria das estrelas tem um ao nascer, metade já o perdeu por volta de três milhões de anos, e quase nenhuma o conserva além de seis. Os gigantes gasosos, que precisam reunir seu gás no disco, têm de se formar nesses poucos milhões de anos.

Fração das estrelas de aglomerados jovens que mostram o excesso infravermelho de um disco, em função da idade do aglomerado (com seu erro), segundo Haisch, Lada e Lada (2001). A reta tracejada é a reta de mínimos quadrados ajustada aos cinco aglomerados mais jovens: ela atinge 0.5 em 3.0\, Myr e zero em 6.1\, Myr ().
Fração das estrelas de aglomerados jovens que mostram o excesso infravermelho de um disco, em função da idade do aglomerado (com seu erro), segundo Haisch, Lada e Lada (2001). A reta tracejada é a reta de mínimos quadrados ajustada aos cinco aglomerados mais jovens: ela atinge 0.50.5 em 3.0 Myr3.0\,\mathrm{Myr} e zero em 6.1 Myr6.1\,\mathrm{Myr} (Exercício 1.12).

No laboratório — Ver através da poeira com ondas de rádio

Um conjunto de antenas de rádio em um planalto desértico elevado ao entardecer (ilustração gerada por IA).

O gás frio e a poeira são invisíveis aos telescópios ópticos, mas brilham em comprimentos de onda milimétricos, nos quais a atmosfera só é transparente acima de locais altos e secos. Uma antena de rádio do tamanho de uma casa resolve pouco nesses comprimentos de onda, por isso os astrônomos combinam muitas: em um interferômetro, cada par de antenas, separadas por uma linha de base, mede uma componente do padrão de brilho do céu, e um computador monta a imagem a partir das centenas de pares que umas trinta antenas formam. A resolução é a de um único telescópio tão largo quanto a linha de base mais longa: com antenas espalhadas por 15 km15\,\mathrm{km}, o disco de HL Tauri foi fotografado com detalhes de algumas unidades astronômicas a 140 pc140\,\mathrm{pc}. Operadores deslocam as antenas em transportadores entre configurações, e o correlacionador combina seus sinais em tempo real.

1.6 Exercícios

Exercício 1.1 ★

A densidade interestelar média perto do Sol é 2.7×10−24 g cm−32.7 \times 10^{-24}\,\mathrm{g}\,\mathrm{cm}^{-3}. Tomando a massa de um átomo de hidrogênio como 1.67×10−24 g1.67 \times 10^{-24}\,\mathrm{g}, calcule o número de átomos de hidrogênio por centímetro cúbico. Compare com o número de moléculas por centímetro cúbico do ar a 101 325 Pa101\,325\,\mathrm{Pa} e 288 K288\,\mathrm{K} (n=P/kBTn = P/k_{\mathrm B}T).

Solução

Solução de Exercício 1.1.

n=2.7×10−24/1.67×10−24=1.6n = 2.7 \times 10^{-24}/1.67 \times 10^{-24} = 1.6 átomos de hidrogênio por centímetro cúbico. No ar, n=P/kBT=101325/(1.381×10−23×288)=2.55×1025 m−3n = P/k_{\mathrm B}T = 101325/(1.381 \times 10^{-23}\times288) = 2.55 \times 10^{25}\,\mathrm{m}^{-3}, isto é, 2.5×10192.5 \times 10^{19} moléculas por centímetro cúbico: cerca de 1.6×10191.6\times10^{19} vezes mais.

Exercício 1.2 ★

Usando o valor MJ=5.46M_J = 5.46 massas solares a 10 K10\,\mathrm{K} e 10410^4 partículas por centímetro cúbico, e a dependência de MJM_J com a densidade, calcule a massa de Jeans a 10 K10\,\mathrm{K} e 10210^2 partículas por centímetro cúbico. Quantas massas de Jeans contém a nuvem de Touro, de 24 00024\,000 massas solares?

Solução

Solução de Exercício 1.2.

MJ∝n−1/2M_J \propto n^{-1/2}: dividir nn por 100 multiplica MJM_J por 10, de modo que MJ=54.6M_J = 54.6 massas solares com 10210^2 partículas por centímetro cúbico. A nuvem contém 24 000/54.6≈44024\,000/54.6 \approx 440 massas de Jeans: ela não pode ser estável como um todo e precisa se fragmentar.

Exercício 1.3 ★

Calcule a velocidade do som isotérmica cs=(kBT/μmu)1/2c_s = (k_{\mathrm B}T/\mu m_u)^{1/2} do gás molecular (μ=2.33\mu = 2.33, mu=1.661×10−27 kgm_u = 1.661 \times 10^{-27}\,\mathrm{kg}) a 10 K10\,\mathrm{K} e a 100 K100\,\mathrm{K}. Quanto tempo uma onda sonora leva para atravessar um núcleo de raio 0.1 pc0.1\,\mathrm{pc} a 10 K10\,\mathrm{K}, em milhões de anos?

Solução

Solução de Exercício 1.3.

cs=1.381×10−23×10/(2.33×1.661×10−27)=189 m s−1c_s = \sqrt{1.381 \times 10^{-23}\times10/(2.33\times1.661 \times 10^{-27})} = 189\,\mathrm{m}\,\mathrm{s}^{-1} a 10 K10\,\mathrm{K}; 10\sqrt{10} vezes mais, 597 m s−1597\,\mathrm{m}\,\mathrm{s}^{-1}, a 100 K100\,\mathrm{K}. Travessia de 0.1 pc0.1\,\mathrm{pc}: 3.086×1015/189=1.63×1013 s3.086 \times 10^{15}/189 = 1.63 \times 10^{13}\,\mathrm{s}, isto é, 0.52 Myr0.52\,\mathrm{Myr}.

Exercício 1.4 ★

Calcule o tempo de queda livre de um núcleo denso de 10510^5 partículas por centímetro cúbico e de uma nuvem escura de 10210^2 (μ=2.33\mu = 2.33). Qual colapsa mais depressa, e por que fator?

Solução

Solução de Exercício 1.4.

ρ=2.33×1.661×10−27×n\rho = 2.33\times1.661 \times 10^{-27}\times n com nn em m−3\mathrm{m}^{-3}. Para 10510^5 partículas por centímetro cúbico, ρ=3.87×10−16 kg m−3\rho = 3.87 \times 10^{-16}\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3} e tff=3π/(32Gρ)=3.38×1012 s=0.107 Myrt_{\mathrm{ff}} = \sqrt{3\pi/(32G\rho)} = 3.38 \times 10^{12}\,\mathrm{s} = 0.107\,\mathrm{Myr}; para 10210^2, ρ\rho é 10001000 vezes menor e tfft_{\mathrm{ff}}, 1000=31.6\sqrt{1000} = 31.6 vezes mais longo, 3.38 Myr3.38\,\mathrm{Myr}. O núcleo denso colapsa 32 vezes mais depressa.

Exercício 1.5 ★★

Mostre que MJM_J pode ser escrita MJ=53/2 (3/4π)1/2 cs3 G−3/2ρ−1/2M_J = 5^{3/2}\,(3/4\pi)^{1/2}\,c_s^3\,G^{-3/2}\rho^{-1/2}. A temperatura fixa, por que fator a densidade de um núcleo precisa aumentar para reduzir sua massa de Jeans à metade? A densidade fixa, por que fator muda a massa de Jeans se o núcleo se aquece de 10 K10\,\mathrm{K} para 20 K20\,\mathrm{K}?

Solução

Solução de Exercício 1.5.

Com kBT/(μmu)=cs2k_{\mathrm B}T/(\mu m_u) = c_s^2, (5kBT/Gμmu)3/2=53/2cs3G−3/2(5k_{\mathrm B}T/G\mu m_u)^{3/2} = 5^{3/2}c_s^3G^{-3/2}, o que dá a fórmula. Como MJ∝ρ−1/2M_J \propto \rho^{-1/2}, reduzir MJM_J à metade exige uma densidade quatro vezes maior. Como MJ∝T3/2M_J \propto T^{3/2}, aquecer de 10 K10\,\mathrm{K} para 20 K20\,\mathrm{K} a multiplica por 23/2=2.832^{3/2} = 2.83.

Exercício 1.6 ★★

Uma estrela jovem tem a massa do Sol, o dobro de seu raio e o dobro de sua luminosidade (M⊙=1.989×1030 kgM_\odot = 1.989 \times 10^{30}\,\mathrm{kg}, R⊙=6.96×108 mR_\odot = 6.96 \times 10^{8}\,\mathrm{m}, L⊙=3.83×1026 WL_\odot = 3.83 \times 10^{26}\,\mathrm{W}). Calcule seu tempo de Kelvin–Helmholtz em milhões de anos e compare-o com as durações de vida dos discos.

Solução

Solução de Exercício 1.6.

tKH=GM2/(RL)=6.674×10−11×(1.989×1030)2/(2×6.96×108×2×3.83×1026)=2.48×1014 st_{\mathrm{KH}} = GM^2/(RL) = 6.674 \times 10^{-11}\times(1.989 \times 10^{30})^2/(2\times 6.96 \times 10^{8}\times2\times3.83 \times 10^{26}) = 2.48 \times 10^{14}\,\mathrm{s}, isto é, 7.8 Myr7.8\,\mathrm{Myr}. É mais longo que a duração de vida da maioria dos discos (metade desaparece depois de cerca de 3 Myr3\,\mathrm{Myr}): a estrela ainda está se contraindo quando seu disco desaparece.

Exercício 1.7 ★★

Calcule a taxa de acreção cs3/Gc_s^3/G de uma protoestrela em um núcleo a 10 K10\,\mathrm{K}, em massas solares por ano, e o tempo que ela leva para reunir uma massa solar. Mesmas perguntas para um núcleo a 20 K20\,\mathrm{K}.

Solução

Solução de Exercício 1.7.

A 10 K10\,\mathrm{K}, cs3/G=1893/6.674×10−11=1.01×1017 kg s−1c_s^3/G = 189^3/6.674 \times 10^{-11} = 1.01 \times 10^{17}\,\mathrm{kg}\,\mathrm{s}^{-1}, isto é, 1.01×1017×3.156×107/1.989×1030=1.6×10−61.01 \times 10^{17}\times3.156 \times 10^{7}/1.989 \times 10^{30} = 1.6 \times 10^{-6} massas solares por ano, e uma massa solar leva 0.62 Myr0.62\,\mathrm{Myr}. A 20 K20\,\mathrm{K}, a taxa é 23/2=2.832^{3/2} = 2.83 vezes maior, 4.5×10−64.5 \times 10^{-6} massas solares por ano, e uma massa solar leva 0.22 Myr0.22\,\mathrm{Myr}.

Exercício 1.8 ★★

Com a Proposição 1.15 e L⊙=3.83×1026 WL_\odot = 3.83 \times 10^{26}\,\mathrm{W}, calcule a distância ao Sol, em unidades astronômicas, na qual um grão atinge 1300 K1300\,\mathrm{K}, perto da temperatura em que os silicatos comuns se condensam (Capítulo 2), e a temperatura de um grão à distância de Júpiter, 5.2 au5.2\,\mathrm{au}.

Solução

Solução de Exercício 1.8.

r=L/(16πσ)/T2r = \sqrt{L/(16\pi\sigma)}/T^2 com 3.83×1026/(16π×5.67×10−8)=1.159×1016 m K2\sqrt{3.83 \times 10^{26}/(16\pi\times5.67 \times 10^{-8})} = 1.159 \times 10^{16}\,\mathrm{m}\,\mathrm{K}^{2}: a 1300 K1300\,\mathrm{K}, r=6.86×109 m=0.046 aur = 6.86 \times 10^{9}\,\mathrm{m} = 0.046\,\mathrm{au}, bem dentro da órbita de Mercúrio. A 5.2 au5.2\,\mathrm{au}, T=278/5.2=122 KT = 278/\sqrt{5.2} = 122\,\mathrm{K}.

Exercício 1.9 ★★

O gás do disco de HL Tauri gira em torno de uma estrela de cerca de 1.31.3 massas solares. Calcule a velocidade kepleriana e o período orbital a 100 au100\,\mathrm{au}. Se o sistema tem um milhão de anos, quantas voltas o gás a 100 au100\,\mathrm{au} deu desde que a estrela se formou?

Solução

Solução de Exercício 1.9.

v=GM/r=6.674×10−11×1.3×1.989×1030/1.496×1013=3.40 km s−1v = \sqrt{GM/r} = \sqrt{6.674 \times 10^{-11}\times1.3\times1.989 \times 10^{30}/1.496 \times 10^{13}} = 3.40\,\mathrm{km}\,\mathrm{s}^{-1}, e P=2πr/v=2.77×1010 s=877P = 2\pi r/v = 2.77 \times 10^{10}\,\mathrm{s} = 877 anos (ou, de modo equivalente, 1003/1.3\sqrt{100^3/1.3} anos). Em um milhão de anos, o gás deu 106/877≈114010^6/877 \approx 1140 voltas: o disco é velho comparado com sua própria rotação, e é por isso que seus anéis são círculos regulares.

Exercício 1.10 ★★★

Determine a energia gravitacional de uma esfera de raio RR na qual a densidade decresce como ρ(r)=ρ0R/r\rho(r) = \rho_0 R/r, e compare-a com a de uma esfera homogênea de mesma massa e mesmo raio. Concentrar a massa em direção ao centro torna a nuvem mais fácil ou mais difícil de sustentar por sua energia térmica?

Solução

Solução de Exercício 1.10.

M=∫0R4πr2ρ0R/r dr=2πρ0R3M = \int_0^R 4\pi r^2\rho_0R/r\,\mathrm dr = 2\pi\rho_0R^3, e, dentro de rr, m(r)=2πρ0Rr2m(r) = 2\pi\rho_0Rr^2. Com dm=4πρ0Rr dr\mathrm dm = 4\pi\rho_0Rr\,\mathrm dr,

U=−∫0RG m(r)r dm=−8π2Gρ02R2∫0Rr2 dr=−8π23Gρ02R5=−23 GM2R,U = -\int_0^R \frac{G\,m(r)}{r}\,\mathrm dm = -8\pi^2G\rho_0^2R^2\int_0^R r^2\,\mathrm dr = -\frac{8\pi^2}{3}G\rho_0^2R^5 = -\frac23\,\frac{GM^2}{R},

usando ρ0=M/(2πR3)\rho_0 = M/(2\pi R^3). Ela vale 2/33/5=1.11\tfrac{2/3}{3/5} = 1.11 vezes o valor homogêneo: a nuvem concentrada é mais fortemente ligada e precisa de 11 %11\,\% mais energia térmica para ser sustentada; ela colapsa mais facilmente.

Exercício 1.11 ★★★

Um núcleo de raio 0.1 pc0.1\,\mathrm{pc} gira como um corpo rígido à velocidade angular Ω=1×10−14 rad s−1\Omega = 1 \times 10^{-14}\,\mathrm{rad}\,\mathrm{s}^{-1}. Calcule seu período de rotação, o momento angular específico j=ΩR2j = \Omega R^2 do gás em seu equador e o raio centrífugo desse gás em torno de uma estrela de uma massa solar, em unidades astronômicas. Por que o gás do interior do núcleo cai mais perto da estrela?

Solução

Solução de Exercício 1.11.

Período 2π/Ω=6.28×1014 s2\pi/\Omega = 6.28 \times 10^{14}\,\mathrm{s}, cerca de 20 Myr20\,\mathrm{Myr}. Com R=3.086×1015 mR = 3.086 \times 10^{15}\,\mathrm{m}, j=ΩR2=9.52×1016 m2 s−1j = \Omega R^2 = 9.52 \times 10^{16}\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{s}^{-1}, e rc=j2/(GM)=9.07×1033/1.327×1020=6.83×1013 m=457 aur_c = j^2/(GM) = 9.07 \times 10^{33}/1.327 \times 10^{20} = 6.83 \times 10^{13}\,\mathrm{m} = 457\,\mathrm{au}. Em rotação de corpo rígido, j=Ωr2j = \Omega r^2 cresce com o quadrado da distância ao eixo: o gás do interior do núcleo tem menos momento angular e cai mais perto da estrela.

Exercício 1.12 ★★★

As frações de estrelas com disco dos cinco aglomerados mais jovens da figura da última seção são 0.850.85, 0.800.80, 0.650.65, 0.520.52 e 0.120.12 a 0.3, 1.5, 2.3, 3.2 e 5.0 Myr5.0\,\mathrm{Myr}. Ajuste à mão uma reta de mínimos quadrados f=a−btf = a - bt (calcule as médias, depois ∑(t−tˉ)(f−fˉ)\sum(t - \bar t)(f - \bar f) e ∑(t−tˉ)2\sum(t - \bar t)^2). Com que idade ela atinge um meio, e zero? Por que uma reta é um modelo ruim além dessa idade?

Solução

Solução de Exercício 1.12.

tˉ=2.46\bar t = 2.46, fˉ=0.588\bar f = 0.588; ∑(t−tˉ)2=12.612\sum(t - \bar t)^2 = 12.612, ∑(t−tˉ)(f−fˉ)=−2.018\sum(t - \bar t)(f - \bar f) = -2.018, portanto b=2.018/12.612=0.160b = 2.018/12.612 = 0.160 por milhão de anos e a=0.588+0.160×2.46=0.982a = 0.588 + 0.160\times2.46 = 0.982. A reta atinge 0.50.5 em (0.982−0.5)/0.160=3.0 Myr(0.982 - 0.5)/0.160 = 3.0\,\mathrm{Myr} e zero em 0.982/0.160=6.1 Myr0.982/0.160 = 6.1\,\mathrm{Myr}, como na figura. Uma fração não pode cair abaixo de zero: aglomerados mais velhos, como NGC 1960, com 30 Myr30\,\mathrm{Myr}, conservam uma pequena fração próxima de zero que uma reta não consegue descrever.

1.7 Problema: um núcleo na nuvem de Aldra

Problema 1.1

Problema de fim de semana — a massa e a estabilidade de um núcleo denso lidas em um mapa de poeira, o nascimento de sua protoestrela e o tamanho de seu disco

A nuvem de Aldra é uma nuvem escura inventada. Um mapa milimétrico de sua poeira mostra um núcleo redondo de raio 0.08 pc0.08\,\mathrm{pc}, com uma densidade de coluna média de N(HX2)=1.5×1022N(\ce{H2}) = 1.5 \times 10^{22} moléculas de hidrogênio por centímetro quadrado. Uma linha da amônia dá a temperatura do gás, 10 K10\,\mathrm{K}, e um gradiente de velocidade de 0.4 km s−10.4\,\mathrm{km}\,\mathrm{s}^{-1} por parsec de um lado a outro do núcleo, interpretado como rotação de corpo rígido. Use G=6.674×10−11 m3 kg−1 s−2G = 6.674 \times 10^{-11}\,\mathrm{m}^{3}\,\mathrm{kg}^{-1}\,\mathrm{s}^{-2}, kB=1.381×10−23 J K−1k_{\mathrm B} = 1.381 \times 10^{-23}\,\mathrm{J}\,\mathrm{K}^{-1}, mu=1.661×10−27 kgm_u = 1.661 \times 10^{-27}\,\mathrm{kg}, 1 pc1\,\mathrm{pc} =3.086×1016 m= 3.086 \times 10^{16}\,\mathrm{m}, 1 au1\,\mathrm{au} =1.496×1011 m= 1.496 \times 10^{11}\,\mathrm{m}, um ano de 3.156×107 s3.156 \times 10^{7}\,\mathrm{s}, M⊙=1.989×1030 kgM_\odot = 1.989 \times 10^{30}\,\mathrm{kg}, R⊙=6.96×108 mR_\odot = 6.96 \times 10^{8}\,\mathrm{m}, L⊙=3.83×1026 WL_\odot = 3.83 \times 10^{26}\,\mathrm{W}, σ=5.67×10−8 W m−2 K−4\sigma = 5.67 \times 10^{-8}\,\mathrm{W}\,\mathrm{m}^{-2}\,\mathrm{K}^{-4}; a massa por molécula de hidrogênio, hélio incluído, é 2.8 mu2.8\,m_u, e a massa média por partícula, 2.33 mu2.33\,m_u.

Parte I — Massa e densidade.

  1. Converta o raio do núcleo em metros.
  2. Calcule a massa por metro quadrado da coluna, 2.8 muN2.8\,m_u N.
  3. Deduza a massa do núcleo, em quilogramas e em massas solares.
  4. Calcule seu volume e sua densidade média.
  5. Calcule o número de partículas por centímetro cúbico.
  6. Trata-se de um núcleo denso no sentido da tabela da segunda seção?

Parte II — Estabilidade.

  1. Calcule a massa de Jeans do gás do núcleo, em massas solares.
  2. Quantas massas de Jeans o núcleo contém? Ele é estável?
  3. Calcule o comprimento de Jeans e compare-o com o raio do núcleo.
  4. Qual seria a massa de Jeans se o gás estivesse a 20 K20\,\mathrm{K}? O núcleo ainda colapsaria?
  5. Calcule o tempo de queda livre do núcleo, em milhares de anos.
  6. Compare-o com o tempo que uma onda sonora leva para atravessar o núcleo. Qual processo é mais rápido, e o que isso significa?

Parte III — A protoestrela.

  1. Calcule a velocidade do som no núcleo.
  2. Calcule a taxa de acreção cs3/Gc_s^3/G, em massas solares por ano.
  3. Calcule o tempo necessário para reunir uma massa solar a essa taxa.
  4. Se um terço do núcleo acaba em estrelas, quantas estrelas de uma massa solar ele pode formar?
  5. Desaparecido o envelope, a estrela tem uma massa solar, três raios solares e quatro luminosidades solares. Calcule seu tempo de Kelvin–Helmholtz.
  6. Ele é mais longo ou mais curto que o tempo de acreção? Que tipo de estrela ela é então?

Parte IV — O disco.

  1. Converta o gradiente de velocidade em uma velocidade angular Ω\Omega, em rad s−1\mathrm{rad}\,\mathrm{s}^{-1}.
  2. Calcule o momento angular específico j=ΩR2j = \Omega R^2 do gás no equador do núcleo.
  3. Calcule seu raio centrífugo em torno de uma estrela de uma massa solar, em unidades astronômicas.
  4. Calcule a temperatura de um grão a 1 au1\,\mathrm{au} e a 30 au30\,\mathrm{au} de uma estrela de uma luminosidade solar.
  5. Onde fica a linha de neve desse disco, se o gelo de água sobrevive abaixo de 180 K180\,\mathrm{K}?
  6. Indique o tempo necessário para formar a estrela da pergunta 15, o número-chave deste problema, em milhares de anos, e compare-o com o tempo de queda livre da pergunta 11.
Solução

Solução de Problema 1.1.

1. R=0.08×3.086×1016=2.469×1015 mR = 0.08\times3.086 \times 10^{16} = 2.469 \times 10^{15}\,\mathrm{m}.

2. N=1.5×1026 m−2N = 1.5 \times 10^{26}\,\mathrm{m}^{-2}, portanto 2.8×1.661×10−27×1.5×1026=0.698 kg m−22.8\times1.661 \times 10^{-27}\times1.5 \times 10^{26} = 0.698\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-2}.

3. M=0.698×πR2=0.698×1.915×1031=1.34×1031 kgM = 0.698\times\pi R^2 = 0.698\times1.915 \times 10^{31} = 1.34 \times 10^{31}\,\mathrm{kg}, isto é, 6.76.7 massas solares.

4. V=43πR3=6.30×1046 m3V = \tfrac43\pi R^3 = 6.30 \times 10^{46}\,\mathrm{m}^{3} e ρ=M/V=2.12×10−16 kg m−3\rho = M/V = 2.12 \times 10^{-16}\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3}.

5. n=ρ/(2.33mu)=5.48×1010 m−3n = \rho/(2.33m_u) = 5.48 \times 10^{10}\,\mathrm{m}^{-3}, isto é, 5.5×1045.5 \times 10^{4} partículas por centímetro cúbico.

6. Sim: sua densidade fica entre 10410^4 e 10510^5, seu raio entre 0.03 e 0.2 pc0.2\,\mathrm{pc}; sua massa, 6.7 massas solares, está no topo da faixa dos núcleos.

7. MJ=5.46×(104/5.48×104)1/2=2.33M_J = 5.46\times(10^4/5.48 \times 10^{4})^{1/2} = 2.33 massas solares.

8. 6.7/2.33=2.96.7/2.33 = 2.9 massas de Jeans: o núcleo é instável e colapsa.

9. RJ=0.1316×(104/5.48×104)1/2=0.056 pcR_J = 0.1316\times(10^4/5.48 \times 10^{4})^{1/2} = 0.056\,\mathrm{pc}, menor que o raio, 0.08 pc0.08\,\mathrm{pc}: a mesma conclusão.

10. 23/2×2.33=6.62^{3/2}\times2.33 = 6.6 massas solares: aproximadamente a massa do núcleo. A 20 K20\,\mathrm{K}, o núcleo seria marginal; é o frio que o faz colapsar.

11. tff=3π/(32×6.674×10−11×2.12×10−16)=4.56×1012 st_{\mathrm{ff}} = \sqrt{3\pi/(32\times6.674 \times 10^{-11}\times2.12 \times 10^{-16})} = 4.56 \times 10^{12}\,\mathrm{s}, cerca de 145 000145\,000 anos.

12. R/cs=2.469×1015/189=1.31×1013 sR/c_s = 2.469 \times 10^{15}/189 = 1.31 \times 10^{13}\,\mathrm{s}, 414 000414\,000 anos: três vezes mais que a queda livre. Uma onda de pressão não consegue atravessar o núcleo antes que ele tenha colapsado; a pressão não consegue reagir depressa o bastante para deter o colapso.

13. cs=189 m s−1c_s = 189\,\mathrm{m}\,\mathrm{s}^{-1} (Exercício 1.3).

14. cs3/G=1.01×1017 kg s−1c_s^3/G = 1.01 \times 10^{17}\,\mathrm{kg}\,\mathrm{s}^{-1}, 1.6×10−61.6 \times 10^{-6} massas solares por ano.

15. 1/1.6×10−6=624 0001/1.6 \times 10^{-6} = 624\,000 anos.

16. Um terço de 6.7 é 2.22.2: duas estrelas de uma massa solar.

17. tKH=GM⊙2/(3R⊙×4L⊙)=8.25×1013 st_{\mathrm{KH}} = GM_\odot^2/(3R_\odot\times4L_\odot) = 8.25 \times 10^{13}\,\mathrm{s}, 2.6 Myr2.6\,\mathrm{Myr}.

18. Mais longo, quatro vezes o tempo de acreção: quando a acreção cessa, a estrela ainda está se contraindo, brilhando sem fusão; é uma estrela T Tauri, ainda fora da sequência principal.

19. Ω=0.4×103 m s−1/3.086×1016 m=1.30×10−14 rad s−1\Omega = 0.4 \times 10^{3}\,\mathrm{m}\,\mathrm{s}^{-1}/3.086 \times 10^{16}\,\mathrm{m} = 1.30 \times 10^{-14}\,\mathrm{rad}\,\mathrm{s}^{-1}.

20. j=1.30×10−14×(2.469×1015)2=7.90×1016 m2 s−1j = 1.30\times10^{-14}\times(2.469 \times 10^{15})^2 = 7.90 \times 10^{16}\,\mathrm{m}^{2}\,\mathrm{s}^{-1}.

21. rc=j2/(GM⊙)=6.24×1033/1.327×1020=4.70×1013 mr_c = j^2/(GM_\odot) = 6.24 \times 10^{33}/1.327 \times 10^{20} = 4.70 \times 10^{13}\,\mathrm{m}, isto é, 314 au314\,\mathrm{au}: maior que o disco de HL Tauri, como se espera de um gás vindo da borda do núcleo.

22. T=(L/16πσr2)1/4=278 KT = (L/16\pi\sigma r^2)^{1/4} = 278\,\mathrm{K} a 1 au1\,\mathrm{au}, e 278/30=51 K278/\sqrt{30} = 51\,\mathrm{K} a 30 au30\,\mathrm{au}.

23. r=1.159×1016/1802=3.58×1011 mr = 1.159 \times 10^{16}/180^2 = 3.58 \times 10^{11}\,\mathrm{m}, isto é, 2.4 au2.4\,\mathrm{au}, como no texto.

24. A estrela de uma massa solar leva 624 624\, mil anos para se formar, cerca de quatro vezes o tempo de queda livre de seu núcleo (145 000145\,000 anos): o gás exterior chega à protoestrela só aos poucos, de dentro para fora.

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