পৃথিবী ও মহাকাশ বিজ্ঞান · বই 4 · স্নাতক দ্বিতীয় বর্ষ

Ciências da Terra e do espaço universitárias — 2.º ano

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Ciências da Terra e do espaço universitárias — 2.º ano · স্নাতক দ্বিতীয় বর্ষ

30Geologia da energia

O petróleo é o resto de organismos microscópicos, soterrados com lama e cozidos durante milhões de anos a cerca de 100 ∘C100\,{}^{\circ}\mathrm{C}; a energia geotérmica é esse mesmo calor da Terra, captado diretamente. Ambos são regidos pela temperatura e pelo tempo: o primeiro pela velocidade de uma reação química à medida que as rochas soterradas se aquecem lentamente, o segundo pela quantidade de calor que um volume de rocha armazena e pela rapidez com que a água consegue levá-lo a um poço. Este capítulo quantifica o sistema petrolífero, passa aos recursos aos quais falta um de seus elementos, ao calor geotérmico e ao urânio, e termina com a operação inversa: devolver o dióxido de carbono ao subsolo.

O que você já sabe

Dos volumes escolares: rocha geradora, querogênio, maturação, janela do petróleo, migração, rocha reservatório, rocha selante, armadilha, sobrecarga, sistema petrolífero; o carvão e seu grau de carbonificação; a energia geotérmica. Do volume do primeiro ano: o fluxo de calor e o geotermo; a porosidade e a permeabilidade; a pressão de fluido nos poros, a tensão efetiva e o critério de Coulomb; a perfilagem de poço; a bacia sedimentar e a subsidência. Dos livros de química: a lei de Arrhenius, a energia de ativação, a reação de primeira ordem. Dos livros de física: o decaimento radioativo, a constante de decaimento, a meia-vida; o ponto crítico de um fluido. Do Capítulo 16: a curva de subsidência. Do Capítulo 29: o tipo de jazida, a tonelagem.

30.1 O sistema petrolífero quantificado

Um sistema petrolífero precisa de uma rocha geradora rica em querogênio, de um reservatório, de uma rocha selante, de uma armadilha e de sobrecarga suficiente para aquecer a rocha geradora, e seus eventos devem ocorrer na ordem certa: a armadilha deve existir quando o petróleo migra. Quantificá-lo significa responder a três perguntas: que tipo de querogênio a rocha geradora contém, até que ponto ele foi convertido, e quanto do produto está na armadilha.

Definição 30.1 (Tipo de querogênio, diagrama de van Krevelen)

Os querogênios dividem-se em três tipos de querogênio segundo sua composição elementar: o tipo I, sapropélico, o mais rico em hidrogênio, que gera sobretudo óleo; o tipo III, húmico ou carbonoso, pobre em hidrogênio, que gera sobretudo metano; e o tipo II, intermediário, fonte de óleo e de gás. O diagrama de van Krevelen representa a razão atômica H/C de um querogênio em função de sua razão atômica O/C; os tipos ocupam regiões diferentes dele, e a maturação desloca um querogênio para H/C baixa e O/C baixa.

Sete querogênios imaturos de tipo conhecido, analisados num mesmo estudo de laboratório, têm H/C atômica de 1.51 e 1.61 (tipo I, entre eles o folhelho betuminoso de Green River, em Utah, depositado em lagos e rico em restos de algas), 1.22 a 1.28 (tipo II, entre eles a Kimmeridge Clay do mar do Norte), 1.13 (um tipo misto II/III) e 0.99 (tipo III, o carvão de Cameo, no Colorado). O querogênio de Green River, com 77 %77\,\% de carbono em massa, tem em média a fórmula C100_{100}H150_{150}N3_3O8_8S: H/C 1.50 e O/C 0.08. Aquecido em laboratório a 10 K10\,\mathrm{K} por minuto, deixa um resíduo cuja H/C cai para 1.20 a 460 ∘C460\,{}^{\circ}\mathrm{C} e para 0.54 a 525 ∘C525\,{}^{\circ}\mathrm{C}, enquanto sua O/C cai de 0.08 para cerca de 0.01: o caminho traçado à esquerda da figura abaixo.

À esquerda: um diagrama de van Krevelen. O caminho vermelho é o do querogênio de tipo I de Green River e de seus resíduos após aquecimento em laboratório a 10\, K por minuto até 400–525\, C; os traços à direita marcam a H/C de sete querogênios imaturos de tipo I (vermelho), II (laranja), II/III (cinza) e III (azul), cuja O/C não foi informada. Dados: Fletcher e Pugmire (2014); Advanced Chemistry Basins Project (2004). À direita: taxa de transformação do querogênio de Green River aquecido a taxas constantes a partir de 10\, C, com sua distribuição de energias de ativação (contínua) e só com sua energia média, segundo  (tracejada).
À esquerda: um diagrama de van Krevelen. O caminho vermelho é o do querogênio de tipo I de Green River e de seus resíduos após aquecimento em laboratório a 10\, K por minuto até 400–525\, C; os traços à direita marcam a H/C de sete querogênios imaturos de tipo I (vermelho), II (laranja), II/III (cinza) e III (azul), cuja O/C não foi informada. Dados: Fletcher e Pugmire (2014); Advanced Chemistry Basins Project (2004). À direita: taxa de transformação do querogênio de Green River aquecido a taxas constantes a partir de 10\, C, com sua distribuição de energias de ativação (contínua) e só com sua energia média, segundo  (tracejada).
À esquerda: um diagrama de van Krevelen. O caminho vermelho é o do querogênio de tipo I de Green River e de seus resíduos após aquecimento em laboratório a 10 K10\,\mathrm{K} por minuto até 400–525 ∘C525\,{}^{\circ}\mathrm{C}; os traços à direita marcam a H/C de sete querogênios imaturos de tipo I (vermelho), II (laranja), II/III (cinza) e III (azul), cuja O/C não foi informada. Dados: Fletcher e Pugmire (2014); Advanced Chemistry Basins Project (2004). À direita: taxa de transformação do querogênio de Green River aquecido a taxas constantes a partir de 10 ∘C10\,{}^{\circ}\mathrm{C}, com sua distribuição de energias de ativação (contínua) e só com sua energia média, segundo (30.1) (tracejada).

A conversão do querogênio em petróleo é um conjunto de reações de primeira ordem, cada uma obedecendo à lei de Arrhenius. Numa bacia em subsidência a temperatura de uma rocha geradora sobe de modo lento e quase constante, o que faz do resultado a seguir o núcleo dos modelos de maturação.

Proposição 30.2 (Reação de primeira ordem a taxa de aquecimento constante)

Seja uma reação de primeira ordem de constante de velocidade k=A e−E/RTk = A\,e^{-E/RT} num material aquecido à taxa constante β=dT/dt\beta = \mathrm{d}T/\mathrm{d}t a partir de uma temperatura T0T_0 na qual kk é desprezível. A fração não convertida à temperatura TT é

x(T)=exp⁡[−Aβ∫T0Te−E/RT′ dT′]≈exp⁡[−ART2βE e−E/RT],(30.1)x(T) = \exp\Bigl[-\frac{A}{\beta}\int_{T_0}^{T} e^{-E/RT'}\,\mathrm{d}T'\Bigr] \approx \exp\Bigl[-\frac{A R T^2}{\beta E}\,e^{-E/RT}\Bigr] ,\tag{30.1}

valendo a aproximação quando E/RT≫1E/RT \gg 1; a taxa de transformação é 1−x1 - x.

Demonstração. Ser de primeira ordem significa que dx/dt=−kx\mathrm{d}x/\mathrm{d}t = -k x. Com dt=dT/β\mathrm{d}t = \mathrm{d}T/\beta, dln⁡x=−(A/β) e−E/RT dT\mathrm{d}\ln x = -(A/\beta)\,e^{-E/RT}\,\mathrm{d}T, e integrar a partir de x=1x = 1 em T0T_0 dá a primeira forma. Quanto à integral, ddT[RT2Ee−E/RT]=(1+2RTE)e−E/RT\frac{\mathrm{d}}{\mathrm{d}T}\bigl[\frac{RT^2}{E}e^{-E/RT}\bigr] = \bigl(1 + \frac{2RT}{E}\bigr)e^{-E/RT}, de modo que a integral vale RT2Ee−E/RT\frac{RT^2}{E}e^{-E/RT} a menos de uma correção relativa da ordem de 2RT/E2RT/E, sem contribuição do limite inferior, pois e−E/RT0≪e−E/RTe^{-E/RT_0} \ll e^{-E/RT}. ∎

Seguem-se duas consequências. A conversão ocorre numa faixa estreita de temperatura, porque e−E/RTe^{-E/RT} varia muito depressa (exercício 30.11). E um aquecimento mais lento converte a uma temperatura mais baixa: fazendo x=1/2x = 1/2, uma taxa de aquecimento dez vezes maior eleva a temperatura de meia conversão em cerca de (RT2/E)ln⁡10(RT^2/E)\ln 10. A cinética do querogênio de Green River, ajustada à pirólise de laboratório, é A=9.21×1013 s−1A = 9.21 \times 10^{13}\,\mathrm{s}^{-1} e E/R=26 800 KE/R = 26\,800\,\mathrm{K} (E=223 kJ/molE = 223\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}); com essa energia única, a meia conversão ocorre a 136.4 ∘C136.4\,{}^{\circ}\mathrm{C} para 1 ∘C/Myr1\,{}^{\circ}\mathrm{C}/\mathrm{Myr} e a 150.9 ∘C150.9\,{}^{\circ}\mathrm{C} para 10 ∘C/Myr10\,{}^{\circ}\mathrm{C}/\mathrm{Myr}, um deslocamento de 14.5 ∘C14.5\,{}^{\circ}\mathrm{C} contra 6.26×ln⁡10=14.4 K6.26 \times \ln 10 = 14.4\,\mathrm{K} previstos. Aquecido a 10 K10\,\mathrm{K} por minuto, o mesmo querogênio converte-se perto de 450 ∘C450\,{}^{\circ}\mathrm{C} (exercício 30.6): o tempo substitui a temperatura, e é por isso que a cinética é medida por pirólise a cerca de 250 a 600 ∘C600\,{}^{\circ}\mathrm{C}, e que extrapolá-la ao longo de doze ordens de grandeza em taxa de aquecimento deixa incerta a profundidade prevista da janela do petróleo.

Um querogênio real contém ligações de muitas energias, de modo que sua cinética é uma distribuição de energias de ativação, cada fração obedecendo à proposição; para o querogênio de Green River a distribuição é normal, com desvio-padrão σ/R=481 K\sigma/R = 481\,\mathrm{K}. A distribuição alarga a conversão, como mostra a direita da figura: a 150 ∘C150\,{}^{\circ}\mathrm{C} o querogênio aquecido a 1 ∘C/Myr1\,{}^{\circ}\mathrm{C}/\mathrm{Myr} está 93 %93\,\% convertido, o aquecido dez vezes mais depressa 48 %48\,\%.

Definição 30.3 (Refletância da vitrinita, índice tempo–temperatura)

A refletância da vitrinita, RoR_o, é a porcentagem da luz incidente refletida por grãos polidos de vitrinita, um componente orgânico do carvão e do querogênio, medida ao microscópio; ela cresce irreversivelmente com o aquecimento e registra a maior maturidade térmica que uma rocha atingiu. O índice tempo–temperatura (TTI) de Lopatin é a soma ∑nΔtn 2n\sum_n \Delta t_n\,2^n sobre os intervalos de 10 ∘C10\,{}^{\circ}\mathrm{C} que uma rocha atravessou, sendo Δtn\Delta t_n o tempo em milhões de anos passado no intervalo de número nn, com n=0n = 0 para 100 a 110 ∘C110\,{}^{\circ}\mathrm{C}, n=1n = 1 para 110 a 120 ∘C120\,{}^{\circ}\mathrm{C}, n=−1n = -1 para 90 a 100 ∘C100\,{}^{\circ}\mathrm{C}, e assim por diante.

Na escala de refletância, a geração de óleo pelos querogênios de tipos I e II começa perto de Ro=0.60 %R_o = 0.60\,\%; acima de 1.20 a 1.30 %1.30\,\% o óleo é instável e decompõe-se em metano; o tipo III começa a produzir metano perto de 0.73 %0.73\,\%, e a geração de gás prossegue até cerca de 4.8 %4.8\,\%. Os modelos calculam RoR_o como um querogênio: o modelo Easy%Ro trata a vitrinita como vinte reações paralelas de primeira ordem com A=1013 s−1A = 10^{13}\,\mathrm{s}^{-1} e energias de 34 a 72 kcal/mol72\,\mathrm{kcal}/\mathrm{mol} (142 a 301 kJ/mol301\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}), e converte sua fração convertida FF, no máximo 0.85, em Ro=exp⁡(−1.6+3.7F)R_o = \exp(-1.6 + 3.7F), que vai de 0.20 a 4.7 %4.7\,\%.

A refletância é calculada da mesma maneira ao longo de cada horizonte de uma bacia. Na bacia inventada da figura abaixo, os sedimentos acumularam-se a 100 m100\,\mathrm{m} por milhão de anos de 100 a 70 Ma70\,\mathrm{Ma}, depois a 35 m35\,\mathrm{m} por milhão de anos, sob uma superfície a 10 ∘C10\,{}^{\circ}\mathrm{C} e com um gradiente constante de 30 ∘C/km30\,{}^{\circ}\mathrm{C}/\mathrm{km}. Seu horizonte mais antigo atingiu Ro=0.6 %R_o = 0.6\,\% a 67.6 Ma67.6\,\mathrm{Ma}, a 3080 m3080\,\mathrm{m} e 102 ∘C102\,{}^{\circ}\mathrm{C}, e 1.3 %1.3\,\% a 11.6 Ma11.6\,\mathrm{Ma}, a 5040 m5040\,\mathrm{m} e 161 ∘C161\,{}^{\circ}\mathrm{C}; hoje ele está a 5450 m5450\,\mathrm{m} e 173.5 ∘C173.5\,{}^{\circ}\mathrm{C}, com Ro=1.54 %R_o = 1.54\,\%. Como o geotermo é estacionário, as frentes de refletância seguem quase as isotermas, e o início da geração de óleo fica perto de 100 ∘C100\,{}^{\circ}\mathrm{C}, dentro dos 60 a 120 ∘C120\,{}^{\circ}\mathrm{C} dos volumes escolares.

Em cima: história de soterramento de uma bacia inventada (em preto: horizontes depositados a cada 10 milhões de anos, o mais espesso sendo a rocha geradora), isotermas (tracejadas), e as profundidades onde o Easy%Ro atinge 0.6\,\% (azul) e 1.3\,\% (vermelho). Embaixo: seu quadro de eventos; a geração vai de R_o = 0.6\,\% a 1.3\,\% na rocha geradora, depois da formação da armadilha.
Em cima: história de soterramento de uma bacia inventada (em preto: horizontes depositados a cada 10 milhões de anos, o mais espesso sendo a rocha geradora), isotermas (tracejadas), e as profundidades onde o Easy%Ro atinge 0.6 %0.6\,\% (azul) e 1.3 %1.3\,\% (vermelho). Embaixo: seu quadro de eventos; a geração vai de Ro=0.6 %R_o = 0.6\,\% a 1.3 %1.3\,\% na rocha geradora, depois da formação da armadilha.

O TTI é mais antigo e mais grosseiro. Ele supõe que a maturação dobra de velocidade a cada 10 ∘C10\,{}^{\circ}\mathrm{C}, como faz uma lei de Arrhenius com E≈82 kJ/molE \approx 82\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} perto de 100 ∘C100\,{}^{\circ}\mathrm{C} (exercício 30.5); em sua escala, Waples situou o início da geração de óleo num TTI de 15, seu pico em 75 e seu fim em 160.

Método 30.4 (Calcular um índice tempo–temperatura)

Os dados são a história de soterramento da rocha geradora e o geotermo, suposto estacionário.

  1. Caminho de temperatura. Converta a profundidade em temperatura a cada instante: temperatura da superfície mais gradiente vezes profundidade.
  2. Tempos nos intervalos. Encontre o tempo Δtn\Delta t_n passado em cada intervalo de 10 ∘C10\,{}^{\circ}\mathrm{C}; onde a taxa de aquecimento β\beta é constante, Δtn=10 ∘C/β\Delta t_n = 10\,{}^{\circ}\mathrm{C}/\beta.
  3. Soma. Some os produtos Δtn 2n\Delta t_n\,2^n em ordem cronológica; o início, o pico e o fim da geração de óleo são atingidos quando a soma acumulada passa de 15, 75 e 160.

Os modelos de bacia exprimem a conversão como uma taxa de transformação: a fração do potencial de hidrocarbonetos original de uma rocha geradora já convertida. Num modelo de uma bacia californiana, supôs-se que a expulsão da rocha geradora começava a uma taxa de 10 %10\,\%, atingia o pico a 50 %50\,\% e terminava a 95 %95\,\%. O óleo expulso, mais leve que a água, migra para cima até rochas reservatório permeáveis, e fica retido onde uma rocha selante fecha uma armadilha.

Proposição 30.5 (Óleo in situ)

Sejam uma armadilha de área AA e um reservatório de espessura útil hh, porosidade ϕ\phi e saturação em água SwS_w, e seja BoB_o o fator volume-formação de seu óleo, a razão entre o volume que uma quantidade de óleo ocupa no reservatório e seu volume na superfície. O volume de óleo inicialmente in situ em condições de tanque, o volume de óleo medido na superfície, é

STOIIP=A h ϕ (1−Sw)Bo.(30.2)\mathrm{STOIIP} = \frac{A\,h\,\phi\,(1 - S_w)}{B_o} .\tag{30.2}

Demonstração. O volume total do reservatório é AhAh e seu volume poroso AhϕAh\phi; uma fração 1−Sw1 - S_w dos poros contém óleo, de modo que o óleo ocupa Ahϕ(1−Sw)Ah\phi(1 - S_w) no reservatório, e 1/Bo1/B_o vezes isso na superfície. ∎

Definição 30.6 (Fator de recuperação)

O fator de recuperação de um reservatório é a fração do óleo (ou do gás) inicialmente in situ que é produzida ao longo de sua vida.

A produção primária e a recuperação secundária por injeção de água recuperam juntas, tipicamente, de 30 a 40 %40\,\% do óleo in situ; a injeção de dióxido de carbono recupera de 10 a 15 %15\,\% a mais. Uma armadilha de 10 km210\,\mathrm{km}^{2} com 30 m30\,\mathrm{m} de espessura útil de reservatório, porosidade 0.20, saturação em óleo 0.70 e Bo=1.2B_o = 1.2 contém 3.5×107 m33.5 \times 10^{7}\,\mathrm{m}^{3} de óleo em condições de tanque, dos quais de 1.05 a 1.4×107 m31.4 \times 10^{7}\,\mathrm{m}^{3} seriam produzidos.

30.2 Recursos não convencionais

Definição 30.7 (Reservatório não convencional)

Um reservatório não convencional é uma rocha de permeabilidade tão baixa que o óleo ou o gás contido em seus poros microscópicos não consegue fluir até um poço a uma vazão econômica sem estimulação artificial; ele é produzido por poços perfurados horizontalmente ao longo dele e fraturados hidraulicamente. O óleo e o gás de folhelho estão contidos na própria rocha geradora, o gás tight em arenitos e carbonatos de baixa permeabilidade.

Uma acumulação não convencional é portanto uma rocha geradora, ou uma rocha ao lado dela, que reteve parte do que gerou. O produto que ela contém decorre de sua maturidade: um folhelho na janela do petróleo contém óleo, um que passou de Ro≈1.3 %R_o \approx 1.3\,\%, gás. A produção de gás de folhelho em grande escala começou por volta de 2000 no Barnett Shale, no Texas, e a maior parte do crescimento da produção de gás dos Estados Unidos desde 2005 veio da perfuração horizontal e do fraturamento hidráulico em folhelhos, arenitos, carbonatos e outras formações de baixa permeabilidade; também se produz gás de camadas de carvão.

30.3 A energia geotérmica

Definição 30.8 (Sistema geotérmico, calor in situ, classes de entalpia, EGS)

Um sistema geotérmico é um volume da crosta onde calor, permeabilidade e água se reúnem de modo que água quente ou vapor possam ser produzidos por poços. O calor in situ de um reservatório é o calor que ele cederia ao se resfriar de sua temperatura até uma temperatura de referência. Um recurso de alta entalpia é um sistema geotérmico acima de cerca de 150 ∘C150\,{}^{\circ}\mathrm{C}; um recurso de baixa entalpia, um sistema abaixo de cerca de 90 ∘C90\,{}^{\circ}\mathrm{C}; entre os dois o recurso é chamado de média entalpia. As três classes servem ao uso direto do calor, mas em geral só as classes média e alta podem gerar eletricidade. Um sistema geotérmico estimulado (EGS) é um corpo de rocha quente de baixa permeabilidade natural no qual a permeabilidade é criada por engenharia, de modo que a água possa circular através dele e seu calor seja recuperado.

Proposição 30.9 (Calor in situ e potência recuperável)

Um reservatório de volume VV, temperatura média TRT_R e capacidade térmica volumétrica CC (rocha e fluido dos poros juntos) contém, acima da temperatura de referência T0T_0, o calor

qR=C V (TR−T0).(30.3)q_R = C\,V\,(T_R - T_0) .\tag{30.3}

Se uma fração RgR_g dele chega às cabeças de poço ao longo de um tempo de produção τ\tau, a potência térmica média produzida é P=Rg qR/τP = R_g\,q_R/\tau.

Demonstração. Um volume dV\mathrm{d}V à temperatura TT libera C dV (T−T0)C\,\mathrm{d}V\,(T - T_0) ao se resfriar até T0T_0; somando sobre o reservatório com CC uniforme obtém-se C V (TR−T0)C\,V\,(T_R - T_0), sendo TRT_R a temperatura média. A potência é o calor recuperado dividido pelo tempo. ∎

As avaliações de recursos usam esse método volumétrico com uma referência de 15 ∘C15\,{}^{\circ}\mathrm{C}. O fator de recuperação RgR_g é a parte incerta: as primeiras avaliações adotavam 0.25, entre 0 e 0.5; a produção de reservatórios fraturados aponta para cerca de 0.1, entre 0.05 e 0.2. Com C=2.5 MJ m−3 K−1C = 2.5\,\mathrm{MJ}\,\mathrm{m}^{-3}\,\mathrm{K}^{-1} (as matrizes rochosas contêm de 2 a 3 MJ m−3 K−13\,\mathrm{MJ}\,\mathrm{m}^{-3}\,\mathrm{K}^{-1}), um reservatório de 3×4×1 km3 \times 4 \times 1\,\mathrm{km} a 220 ∘C220\,{}^{\circ}\mathrm{C} contém 6.15×1018 J6.15 \times 10^{18}\,\mathrm{J}; com Rg=0.1R_g = 0.1 ao longo de 30 anos ele fornece uma potência térmica média de 650 MW650\,\mathrm{MW}. Os campos convencionais geram de 10 a 20 MW20\,\mathrm{MW} de eletricidade por quilômetro quadrado de campo.

Os sistemas geotérmicos naturais precisam tanto de permeabilidade quanto de calor. A maioria dos grandes fica perto das bordas das placas tectônicas, entre vulcões, fumarolas, fontes termais e gêiseres, e sua permeabilidade é tipicamente a de fraturas abertas por falhas ativas: a água subterrânea aquecida em profundidade sobe por elas, e os poços captam o reservatório fraturado, como no corte abaixo. Um EGS não precisa de reservatório natural: seus poços, perfurados até cerca de 5 km5\,\mathrm{km}, atingem rocha quente cuja permeabilidade é criada por engenharia, e uma avaliação dos Estados Unidos de 2008 estimou seu potencial provisório em 517 800 MW517\,800\,\mathrm{MW} de eletricidade, contra 9057 MW9057\,\mathrm{MW} dos sistemas convencionais identificados.

À esquerda: um sistema geotérmico de alta entalpia (esquemático, sem escala): a água recarregada nas margens (azul) é aquecida sobre uma intrusão e sobe por um reservatório fraturado (vermelho) até uma fonte termal; poços captam o reservatório. À direita: uma usina geotérmica perto de Geyserville, Califórnia, em 1982, com tubulações de vapor na encosta. Fotografia: Departamento de Defesa dos EUA (domínio público).
À esquerda: um sistema geotérmico de alta entalpia (esquemático, sem escala): a água recarregada nas margens (azul) é aquecida sobre uma intrusão e sobe por um reservatório fraturado (vermelho) até uma fonte termal; poços captam o reservatório. À direita: uma usina geotérmica perto de Geyserville, Califórnia, em 1982, com tubulações de vapor na encosta. Fotografia: Departamento de Defesa dos EUA (domínio público).
À esquerda: um sistema geotérmico de alta entalpia (esquemático, sem escala): a água recarregada nas margens (azul) é aquecida sobre uma intrusão e sobe por um reservatório fraturado (vermelho) até uma fonte termal; poços captam o reservatório. À direita: uma usina geotérmica perto de Geyserville, Califórnia, em 1982, com tubulações de vapor na encosta. Fotografia: Departamento de Defesa dos EUA (domínio público).

Definição 30.10 (Sismicidade induzida)

A sismicidade induzida é a atividade sísmica causada por operações humanas que mudam a tensão ou a pressão de fluido nos poros da crosta, na maioria das vezes a injeção de fluido no subsolo.

O mecanismo é o critério de Coulomb com pressão de fluido nos poros: uma falha desliza quando a tensão cisalhante atinge μ(σn−p)\mu(\sigma_n - p), de modo que elevar pp leva à ruptura uma falha já tensionada sem nenhuma mudança da carga tectônica. Nos anos 1960, fluidos residuais injetados no embasamento pré-cambriano fraturado sob o Rocky Mountain Arsenal, perto de Denver, a profundidades de 3.7 a 7.0 km7.0\,\mathrm{km}, desencadearam sismos; eles ficaram confinados à parte do reservatório onde a pressão havia subido mais de 32 bar32\,\mathrm{bar} (3.2 MPa3.2\,\mathrm{MPa}). O forte aumento dos sismos de Oklahoma foi atribuído ao descarte de águas residuais: quatro poços de alto volume poderiam explicar um quinto da sismicidade do centro dos Estados Unidos, desencadeando sismos a mais de 30 km30\,\mathrm{km} de distância. A estimulação de um reservatório EGS eleva a pressão nos poros da mesma maneira, de propósito.

30.4 O urânio

Dois tipos de jazida ilustram como o urânio se concentra: um numa discordância antiga, o outro em arenito.

Definição 30.11 (Jazidas de urânio associadas a discordância e de tipo roll-front)

Uma jazida de urânio associada a discordância é um corpo de pechblenda e uraninita que preenche fraturas e brechas em pelitos carbonosos metamorfizados e nos quartzo-arenitos sobrejacentes, abaixo, acima ou através de uma discordância entre rochas do Proterozoico Inferior e Médio numa bacia intracratônica. Uma jazida de urânio de tipo roll-front é um corpo em forma de crescente de minerais de urânio que corta o acamamento de um arenito feldspático ou tufáceo no limite entre terreno oxidado e terreno reduzido, onde o urânio foi depositado num ambiente localmente redutor, em meio à pirita.

As jazidas de discordância estão hospedadas em rochas de 1800 a 1200 Ma1200\,\mathrm{Ma}, os pelitos metamorfizados abaixo da discordância e os arenitos não metamorfizados acima dela; suas rochas encaixantes são cloritizadas, e os xistos grafitosos que acompanham muitas delas são fortes condutores elétricos, um alvo para os levantamentos eletromagnéticos. Key Lake, Cluff Lake e Rabbit Lake, em Saskatchewan, e Jabiluka e Ranger, no norte da Austrália, são exemplos. As frentes de oxirredução (roll fronts) são mais jovens, na maioria terciárias: em arenitos alimentados por cinza vulcânica félsica ou por granito, os minerais de ferro oxidados ficam a montante do mergulho em relação à frente e os reduzidos a jusante, como nas bacias de Wyoming e da Costa do Golfo do Texas.

Proposição 30.12 (O urânio-235 no passado)

Sejam r0r_0 a razão atômica atual 235^{235}U/238^{238}U e λ5\lambda_5, λ8\lambda_8 as constantes de decaimento dos dois isótopos. Há um tempo tt, a razão era

r(t)=r0 e(λ5−λ8) t,(30.4)r(t) = r_0\,e^{(\lambda_5 - \lambda_8)\,t} ,\tag{30.4}

e o 235^{235}U constituía uma fração r/(1+r)r/(1 + r) dos átomos de urânio, desprezando o traço de 234^{234}U.

Demonstração. Cada um dos isótopos decai de modo exponencial: N5(hoje)=N5(t) e−λ5tN_5(\text{hoje}) = N_5(t)\,e^{-\lambda_5 t} e N8(hoje)=N8(t) e−λ8tN_8(\text{hoje}) = N_8(t)\,e^{-\lambda_8 t}. Dividindo, r0=r(t) e−(λ5−λ8)tr_0 = r(t)\,e^{-(\lambda_5 - \lambda_8)t}. ∎

Com λ5=9.8485×10−10 yr−1\lambda_5 = 9.8485 \times 10^{-10}\,\mathrm{yr}^{-1}, λ8=1.551 25×10−10 yr−1\lambda_8 = 1.551\,25 \times 10^{-10}\,\mathrm{yr}^{-1} e as abundâncias atuais 0.7204 %0.7204\,\% e 99.2742 %99.2742\,\%, r0=0.0072567r_0 = 0.0072567; há 2.0 Ga2.0\,\mathrm{Ga}, r=0.0381r = 0.0381 e o urânio natural continha 3.67 %3.67\,\% de 235^{235}U, cinco vezes a proporção atual.

História — Um reator de dois bilhões de anos

Em 1972, cientistas franceses que mediam minério de urânio encontraram déficits pequenos mas significativos de 235^{235}U, que atribuíram à mina de Oklo, no Gabão. Ali, bolsões de rocha continham até 65 %65\,\% de urânio com apenas metade da proporção normal de 235^{235}U, e neodímio empobrecido em seu isótopo primordial 142^{142}Nd mas enriquecido nos isótopos 143 a 150 que a fissão produz: reações em cadeia haviam ocorrido no minério há cerca de dois bilhões de anos, a cerca de 300 bar300\,\mathrm{bar} e 400 a 500 ∘C500\,{}^{\circ}\mathrm{C}. Conhecem-se dezesseis desses reatores naturais em Oklo e na vizinha Bangombé, as duas únicas jazidas do mundo onde foram encontrados; a matéria orgânica havia ajudado a concentrar o urânio, e o óxido de urânio reteve no lugar a maior parte dos actinídeos e dos produtos de fissão não voláteis desde então.

30.5 O armazenamento geológico do dióxido de carbono

Definição 30.13 (Armazenamento geológico de COX2\ce{CO2}, mecanismos de aprisionamento, fator de eficiência de armazenamento)

O armazenamento geológico de COX2\ce{CO2} é a injeção de dióxido de carbono em formações rochosas porosas profundas, reservatórios de óleo e gás depletados, formações salinas profundas ou camadas de carvão, para retenção por longos períodos. Os mecanismos de aprisionamento de COX2\ce{CO2} que o retêm são o aprisionamento estrutural (e estratigráfico) sob uma rocha selante; o aprisionamento residual, como fase imóvel retida nos poros por forças capilares; o aprisionamento por solubilidade, por dissolução na água de formação; o aprisionamento mineral, por reação com minerais formando carbonatos; e, no carvão e no folhelho, a adsorção na matéria orgânica. O fator de eficiência de armazenamento EE de uma formação é a fração de seu volume poroso que se espera que o COX2\ce{CO2} injetado preencha.

O dióxido de carbono é um gás na superfície, mas seu ponto crítico fica a 31.0 ∘C31.0\,{}^{\circ}\mathrm{C} e 7.38 MPa7.38\,\mathrm{MPa}. Ao longo de um geotermo de 25 ∘C/km25\,{}^{\circ}\mathrm{C}/\mathrm{km} a partir de 15 ∘C15\,{}^{\circ}\mathrm{C} sob pressão hidrostática, a temperatura passa o valor crítico a 641 m641\,\mathrm{m} e a pressão a 742 m742\,\mathrm{m}; a densidade do COX2\ce{CO2} puro salta de 234 kg m−3234\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3} a 700 m700\,\mathrm{m} para 583 kg m−3583\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3} a 900 m900\,\mathrm{m}, e depois se estabiliza perto de 670 a 700 kg m−3700\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3} abaixo de 1.5 km1.5\,\mathrm{km}. Uma tonelada ocupa 534 m3534\,\mathrm{m}^{3} na superfície e 1.6 m31.6\,\mathrm{m}^{3} a 1000 m1000\,\mathrm{m}, 330 vezes menos; é por isso que as avaliações de armazenamento só consideram formações mais profundas que 800 m800\,\mathrm{m}.

À esquerda: densidade do CO2 puro em função da profundidade ao longo de um geotermo de 25\, C/ km a partir de 15\, C, sob pressão hidrostática. Dados: NIST Chemistry WebBook (equação de estado de Span–Wagner), nas condições do Relatório Especial do IPCC sobre Captura e Armazenamento de Dióxido de Carbono (2005). À direita: como os mecanismos de aprisionamento repartem o CO2 armazenado ao longo do tempo (esquemático, segundo o mesmo relatório): o aprisionamento pela rocha selante dá lugar às formas residual, dissolvida e mineral, que são menos móveis.
À esquerda: densidade do CO2 puro em função da profundidade ao longo de um geotermo de 25\, C/ km a partir de 15\, C, sob pressão hidrostática. Dados: NIST Chemistry WebBook (equação de estado de Span–Wagner), nas condições do Relatório Especial do IPCC sobre Captura e Armazenamento de Dióxido de Carbono (2005). À direita: como os mecanismos de aprisionamento repartem o CO2 armazenado ao longo do tempo (esquemático, segundo o mesmo relatório): o aprisionamento pela rocha selante dá lugar às formas residual, dissolvida e mineral, que são menos móveis.
À esquerda: densidade do COX2\ce{CO2} puro em função da profundidade ao longo de um geotermo de 25 ∘C/km25\,{}^{\circ}\mathrm{C}/\mathrm{km} a partir de 15 ∘C15\,{}^{\circ}\mathrm{C}, sob pressão hidrostática. Dados: NIST Chemistry WebBook (equação de estado de Span–Wagner), nas condições do Relatório Especial do IPCC sobre Captura e Armazenamento de Dióxido de Carbono (2005). À direita: como os mecanismos de aprisionamento repartem o COX2\ce{CO2} armazenado ao longo do tempo (esquemático, segundo o mesmo relatório): o aprisionamento pela rocha selante dá lugar às formas residual, dissolvida e mineral, que são menos móveis.

Proposição 30.14 (Capacidade de armazenamento de uma formação)

Uma formação de área AA, espessura hh e porosidade ϕ\phi, na qual o COX2\ce{CO2} tem densidade ρ\rho e o fator de eficiência de armazenamento é EE, pode armazenar a massa

M=A h ϕ ρ E.(30.5)M = A\,h\,\phi\,\rho\,E .\tag{30.5}

Para um campo de petróleo depletado que produziu um volume em condições de tanque NpN_p, substituir o óleo produzido volume por volume dá M=ρ Np BoM = \rho\,N_p\,B_o.

Demonstração. O volume poroso é AhϕAh\phi, do qual o COX2\ce{CO2} preenche uma fração EE, à densidade ρ\rho. No campo de petróleo, o óleo produzido ocupava NpBoN_pB_o no reservatório, o volume que o COX2\ce{CO2} passa a ocupar. ∎

Para as formações salinas profundas, as simulações dão EE entre 1 e 4 %4\,\% do volume poroso numa faixa de confiança de 15 a 85 por cento, com mediana perto de 2 %2\,\%: a maior parte do espaço poroso nunca é atingida, ou conserva sua água. Uma formação de 1000 km21000\,\mathrm{km}^{2}, com 50 m50\,\mathrm{m} de espessura e porosidade 0.20 a 2000 m2000\,\mathrm{m} (ρ=686 kg m−3\rho = 686\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3}) armazena 137 Mt137\,\mathrm{Mt} com E=2 %E = 2\,\%.

Uma vez injetado, o COX2\ce{CO2} sobe sob a rocha selante e se espalha. Atrás da pluma em migração, as forças capilares retêm saturações residuais que podem chegar a 15 a 25 %25\,\% do espaço poroso; a dissolução absorve de 20 a 60 kg60\,\mathrm{kg} de COX2\ce{CO2} por metro cúbico de água de formação, e em formações de fluxo lento até 30 %30\,\% do COX2\ce{CO2} injetado se dissolve em algumas dezenas de anos. O aprisionamento por solubilidade domina ao longo de dezenas a centenas de anos, as formas iônicas ao longo de centenas a milhares, o aprisionamento mineral ao longo de milhares a milhões: as reações com minerais carbonáticos levam dias, com silicatos centenas a milhares de anos. O armazenamento torna-se mais seguro com o tempo, e em locais bem escolhidos e bem geridos a retenção de 99 %99\,\% ou mais do COX2\ce{CO2} ao longo de 1000 anos foi julgada provável.

Dados de 2005

Em Sleipner, no mar do Norte, a cerca de 250 km250\,\mathrm{km} da costa da Noruega, o COX2\ce{CO2} separado do gás natural do campo, cerca de 9 %9\,\% dele, é injetado desde outubro de 1996 na formação Utsira, um arenito salino inconsolidado de 800 a 1000 m1000\,\mathrm{m} abaixo do fundo do mar, a cerca de 1 Mt1\,\mathrm{Mt} por ano. No início de 2005 mais de 7 Mt7\,\mathrm{Mt} haviam sido armazenadas, dos 20 Mt20\,\mathrm{Mt} previstos para a vida do projeto. Levantamentos sísmicos repetidos imageiam a pluma, cuja área era então de cerca de 5 km25\,\mathrm{km}^{2}, e mostram que a rocha capeadora acima dela a veda.

No campo — Ler um poço enquanto ele é perfurado

Uma sonda de perfuração terrestre à noite (ilustração gerada por IA).
Uma sonda de perfuração terrestre à noite (ilustração gerada por IA).

Quando um trecho de um poço é concluído, os geofísicos descem ferramentas num cabo e registram em função da profundidade as propriedades das rochas em volta do furo. Uma registra sua radioatividade natural, baixa no arenito e mais alta no folhelho; outra sua densidade total, da qual a porosidade decorre como (densidade dos grãos −- densidade total)/(densidade dos grãos −- densidade do fluido), com 2.65 g/cm32.65\,\mathrm{g}/\mathrm{cm}^{3} para grãos de quartzo e cerca de 1 g/cm31\,\mathrm{g}/\mathrm{cm}^{3} para a água. Lidos em conjunto, esses perfis de poço dão a espessura útil do reservatório e a porosidade que entram nas fórmulas volumétricas deste capítulo.

Exercícios

Dados para os exercícios, salvo indicação em contrário: R=8.314 J mol−1 K−1R = 8.314\,\mathrm{J}\,\mathrm{mol}^{-1}\,\mathrm{K}^{-1}; um milhão de anos vale 3.156×1013 s3.156 \times 10^{13}\,\mathrm{s}; querogênio de Green River A=9.21×1013 s−1A = 9.21 \times 10^{13}\,\mathrm{s}^{-1}, E/R=26 800 KE/R = 26\,800\,\mathrm{K}; massas atômicas C 12.011, H 1.008, O 15.999; densidade do COX2\ce{CO2} ao longo do perfil da figura: 1.872 kg m−31.872\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3} na superfície, 583 a 900 m900\,\mathrm{m}, 621 a 1000 m1000\,\mathrm{m}, 686 a 2000 m2000\,\mathrm{m}. Arredonde a três algarismos significativos.

Exercício 30.1 ★

(a) Quatro querogênios imaturos têm H/C atômica de 1.58, 0.95, 1.24 e 1.12. Atribua um tipo a cada um e diga qual produziria sobretudo gás. (b) Verifique as razões H/C e O/C da fórmula C100_{100}H150_{150}N3_3O8_8S. (c) Encontre-as a partir da composição em massa C 77.4 %77.4\,\%, H 9.8 %9.8\,\%, O 8.2 %8.2\,\%.

Solução

Solução de Exercício 30.1.

(a) 1.58: tipo I; 0.95: tipo III; 1.24: tipo II; 1.12: tipo misto II/III. O querogênio de tipo III, com 0.95, produz sobretudo gás. (b) H/C =150/100=1.50= 150/100 = 1.50, O/C =8/100=0.08= 8/100 = 0.08. (c) Por 100 g100\,\mathrm{g}: 77.4/12.011=6.444 mol77.4/12.011 = 6.444\,\mathrm{mol} de C, 9.8/1.008=9.722 mol9.8/1.008 = 9.722\,\mathrm{mol} de H, 8.2/15.999=0.513 mol8.2/15.999 = 0.513\,\mathrm{mol} de O; H/C =1.51= 1.51 e O/C =0.0795= 0.0795, de acordo com a fórmula.

Exercício 30.2 ★

(a) Cinco amostras de uma rocha geradora de tipo II têm RoR_o = 0.45, 0.68, 1.1, 1.6 e 2.5 %2.5\,\%. Descreva o estado de cada uma em relação ao óleo e ao gás. (b) Um querogênio de tipo III com Ro=0.68 %R_o = 0.68\,\% está gerando metano? (c) Que fração convertida FF do Easy%Ro corresponde a Ro=0.6R_o = 0.6 e a 1.3 %1.3\,\%?

Solução

Solução de Exercício 30.2.

(a) 0.45: imaturo, abaixo do início em 0.60 %0.60\,\%; 0.68: gerando óleo; 1.1: ainda na janela do petróleo, perto de seu fim; 1.6: além de 1.20–1.30 %1.30\,\%, de modo que o óleo se decompõe em metano e a rocha produz gás; 2.5: só gás, com a geração prosseguindo até cerca de 4.8 %4.8\,\%. (b) Não: a geração de metano pelo tipo III começa perto de 0.73 %0.73\,\%. (c) F=(ln⁡Ro+1.6)/3.7F = (\ln R_o + 1.6)/3.7: (−0.511+1.6)/3.7=0.294(-0.511 + 1.6)/3.7 = 0.294 e (0.262+1.6)/3.7=0.503(0.262 + 1.6)/3.7 = 0.503.

Exercício 30.3 ★

Uma armadilha cobre 6 km26\,\mathrm{km}^{2}; seu reservatório tem 25 m25\,\mathrm{m} de espessura útil, porosidade 0.18 e saturação em água 0.30, e Bo=1.25B_o = 1.25. (a) Encontre o volume de óleo no reservatório e o STOIIP. (b) Encontre o volume produzido para fatores de recuperação de 0.30 e 0.40.

Solução

Solução de Exercício 30.3.

(a) No reservatório, 6×106×25×0.18×0.70=1.89×107 m36 \times 10^6 \times 25 \times 0.18 \times 0.70 = 1.89 \times 10^{7}\,\mathrm{m}^{3}; STOIIP=1.89×107/1.25=1.51×107 m3\mathrm{STOIIP} = 1.89 \times 10^7/1.25 = 1.51 \times 10^{7}\,\mathrm{m}^{3}. (b) 0.30×1.512×107=4.54×106 m30.30 \times 1.512 \times 10^7 = 4.54 \times 10^{6}\,\mathrm{m}^{3} e 0.40×1.512×107=6.05×106 m30.40 \times 1.512 \times 10^7 = 6.05 \times 10^{6}\,\mathrm{m}^{3}.

Exercício 30.4 ★

Um aquífero arenítico de 200 m200\,\mathrm{m} de espessura sob 10 km210\,\mathrm{km}^{2} está a 75 ∘C75\,{}^{\circ}\mathrm{C}. (a) Encontre seu calor in situ acima de 15 ∘C15\,{}^{\circ}\mathrm{C}, com C=2.5 MJ m−3 K−1C = 2.5\,\mathrm{MJ}\,\mathrm{m}^{-3}\,\mathrm{K}^{-1}. (b) A que classe de entalpia ele pertence? (c) Encontre a potência térmica média ao longo de 30 anos para Rg=0.25R_g = 0.25.

Solução

Solução de Exercício 30.4.

(a) V=107×200=2×109 m3V = 10^7 \times 200 = 2 \times 10^{9}\,\mathrm{m}^{3} e qR=2.5×106×2×109×60=3.0×1017 Jq_R = 2.5 \times 10^6 \times 2 \times 10^9 \times 60 = 3.0 \times 10^{17}\,\mathrm{J}. (b) Abaixo de 90 ∘C90\,{}^{\circ}\mathrm{C}: um recurso de baixa entalpia, para uso direto do calor. (c) P=0.25×3.0×1017/(30×3.156×107 s)=79.2 MWP = 0.25 \times 3.0 \times 10^{17}/(30 \times 3.156 \times 10^{7}\,\mathrm{s}) = 79.2\,\mathrm{MW} de calor.

Exercício 30.5 ★★

(a) Encontre a energia de ativação para a qual uma velocidade de Arrhenius dobra entre 100 e 110 ∘C110\,{}^{\circ}\mathrm{C}. (b) Por que fator cresce a velocidade da reação de Green River no mesmo intervalo? (c) Qual das duas regras dá mais peso ao tempo que uma rocha passou a baixa temperatura, e o que isso implica para um TTI calculado para uma rocha geradora de tipo I?

Solução

Solução de Exercício 30.5.

(a) k2/k1=exp⁡[(E/R)(1/T1−1/T2)]=2k_2/k_1 = \exp[(E/R)(1/T_1 - 1/T_2)] = 2 com 1/373.15−1/383.15=6.994×10−5 K−11/373.15 - 1/383.15 = 6.994 \times 10^{-5}\,\mathrm{K}^{-1} dá E=8.314×ln⁡2/(6.994×10−5)=82.4 kJ/molE = 8.314 \times \ln 2/(6.994 \times 10^{-5}) = 82.4\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol}. (b) exp⁡(26800×6.994×10−5)=6.52\exp(26800 \times 6.994 \times 10^{-5}) = 6.52. (c) A regra da duplicação, cuja energia efetiva é mais baixa, dá relativamente mais peso aos longos tempos passados a baixa temperatura; para um querogênio de tipo I de alta energia de ativação, o TTI anuncia a geração cedo demais.

Exercício 30.6 ★★

(a) Mostre a partir de (30.1) que a temperatura de meia conversão obedece a T=(E/R)/ln⁡[AT2/(β (E/R)ln⁡2)]T = (E/R)\big/\ln\bigl[A T^2/(\beta\,(E/R)\ln 2)\bigr], e resolva-a por iteração para o querogênio de Green River aquecido a 1 ∘C/Myr1\,{}^{\circ}\mathrm{C}/\mathrm{Myr} e a 10 K10\,\mathrm{K} por minuto. (b) Compare a diferença com a estimativa (RT2/E)ln⁡(β2/β1)(RT^2/E)\ln(\beta_2/\beta_1) tomada à temperatura mais baixa, e explique a discrepância.

Solução

Solução de Exercício 30.6.

(a) x=1/2x = 1/2 na aproximação dá (ART2/βE) e−E/RT=ln⁡2(ART^2/\beta E)\,e^{-E/RT} = \ln 2; tomando logaritmos, E/RT=ln⁡[AT2/(β(E/R)ln⁡2)]E/RT = \ln[AT^2/(\beta(E/R)\ln 2)], donde a forma enunciada. Partindo de qualquer estimativa perto de 400 K400\,\mathrm{K} e iterando com β\beta em kelvins por segundo: a 1 ∘C/Myr1\,{}^{\circ}\mathrm{C}/\mathrm{Myr} (β=3.169×10−14 K/s\beta = 3.169 \times 10^{-14}\,\mathrm{K}/\mathrm{s}), T=409.6 KT = 409.6\,\mathrm{K}, 136.4 ∘C136.4\,{}^{\circ}\mathrm{C}; a 10 K10\,\mathrm{K} por minuto (β=0.1667 K/s\beta = 0.1667\,\mathrm{K}/\mathrm{s}, 5.26×10125.26 \times 10^{12} vezes mais rápido), T=719.0 KT = 719.0\,\mathrm{K}, 445.9 ∘C445.9\,{}^{\circ}\mathrm{C}. (b) A diferença é de 309.5 K309.5\,\mathrm{K}; a estimativa 6.259×ln⁡(5.26×1012)=6.259×29.29=183 K6.259 \times \ln(5.26 \times 10^{12}) = 6.259 \times 29.29 = 183\,\mathrm{K} é pequena demais, porque o próprio RT2/ERT^2/E cresce com TT (até 19.3 K19.3\,\mathrm{K} a 719 K719\,\mathrm{K}): o deslocamento linear só vale para pequenas variações de taxa.

Exercício 30.7 ★★

Usando (30.4) e os dados do texto: (a) encontre a proporção de 235^{235}U no urânio natural há 2.0 Ga2.0\,\mathrm{Ga} e há 1.8 Ga1.8\,\mathrm{Ga}; (b) quando ela era de 3.00 %3.00\,\%? (c) O minério de Oklo contém apenas metade da proporção normal atual de 235^{235}U. Ignorando o 238^{238}U consumido, que fração do 235^{235}U presente na época das reações sofreu fissão, e por que o decaimento posterior não muda a resposta?

Solução

Solução de Exercício 30.7.

λ5−λ8=8.297 25×10−10 yr−1\lambda_5 - \lambda_8 = 8.297\,25 \times 10^{-10}\,\mathrm{yr}^{-1} e r0=0.7204/99.2742=0.0072567r_0 = 0.7204/99.2742 = 0.0072567. (a) Há 2.0 Ga2.0\,\mathrm{Ga}, r=0.0072567 e1.6595=0.03814r = 0.0072567\,e^{1.6595} = 0.03814, proporção 0.03814/1.03814=3.67 %0.03814/1.03814 = 3.67\,\%; há 1.8 Ga1.8\,\mathrm{Ga}, r=0.03231r = 0.03231, proporção 3.13 %3.13\,\%. (b) r=3/97=0.030928r = 3/97 = 0.030928 e t=ln⁡(0.030928/0.0072567)/(8.29725×10−10)=1.75 Gat = \ln(0.030928/0.0072567)/(8.29725 \times 10^{-10}) = 1.75\,\mathrm{Ga}. (c) O minério empobrecido e o urânio normal decaíram desde então pelos mesmos fatores, de modo que a razão entre suas proporções de 235^{235}U é hoje a mesma que logo após as reações: o minério tinha então metade da proporção normal, de modo que cerca de metade de seu 235^{235}U havia sofrido fissão.

Exercício 30.8 ★★

(a) Encontre o volume de 1 Mt1\,\mathrm{Mt} de COX2\ce{CO2} na superfície, a 1000 m1000\,\mathrm{m} e a 2000 m2000\,\mathrm{m}. (b) Em Sleipner mais de 7 Mt7\,\mathrm{Mt} haviam sido injetadas até 2005, a cerca de 900 m900\,\mathrm{m}, numa pluma de área 5 km25\,\mathrm{km}^{2}. Tomando uma porosidade de 0.35 e uma saturação em COX2\ce{CO2} de 0.30 na pluma, encontre o volume de rocha que ela ocupa e sua espessura média.

Solução

Solução de Exercício 30.8.

(a) 109/1.872=5.34×108 m310^9/1.872 = 5.34 \times 10^{8}\,\mathrm{m}^{3}; 109/621.4=1.61×106 m310^9/621.4 = 1.61 \times 10^{6}\,\mathrm{m}^{3}; 109/686.4=1.46×106 m310^9/686.4 = 1.46 \times 10^{6}\,\mathrm{m}^{3}. (b) 7×109/583=1.20×107 m37 \times 10^9/583 = 1.20 \times 10^{7}\,\mathrm{m}^{3} de COX2\ce{CO2}, que preenchem 0.35×0.30=0.1050.35 \times 0.30 = 0.105 do volume de rocha: 1.20×107/0.105=1.14×108 m31.20 \times 10^7/0.105 = 1.14 \times 10^{8}\,\mathrm{m}^{3} de rocha, uma espessura média de 1.143×108/(5×106)=22.9 m1.143 \times 10^8/(5 \times 10^6) = 22.9\,\mathrm{m}.

Exercício 30.9 ★★

Um reservatório de alta entalpia mede 3×2×1.5 km3 \times 2 \times 1.5\,\mathrm{km} a 250 ∘C250\,{}^{\circ}\mathrm{C}, com C=2.6 MJ m−3 K−1C = 2.6\,\mathrm{MJ}\,\mathrm{m}^{-3}\,\mathrm{K}^{-1}. (a) Encontre seu calor in situ acima de 15 ∘C15\,{}^{\circ}\mathrm{C}. (b) Encontre a potência térmica média ao longo de 30 anos para Rg=0.1R_g = 0.1 e 0.250.25. (c) Seu campo cobre 6 km26\,\mathrm{km}^{2}; a 10 a 20 MW20\,\mathrm{MW} de eletricidade por quilômetro quadrado, que fração da potência térmica com Rg=0.1R_g = 0.1 se torna eletricidade?

Solução

Solução de Exercício 30.9.

(a) V=9×109 m3V = 9 \times 10^{9}\,\mathrm{m}^{3} e qR=2.6×106×9×109×235=5.50×1018 Jq_R = 2.6 \times 10^6 \times 9 \times 10^9 \times 235 = 5.50 \times 10^{18}\,\mathrm{J}. (b) Em 30×3.156×107 s=9.47×108 s30 \times 3.156 \times 10^{7}\,\mathrm{s} = 9.47 \times 10^{8}\,\mathrm{s}: Rg=0.1R_g = 0.1 dá 581 MW581\,\mathrm{MW} e 0.250.25 dá 1450 MW1450\,\mathrm{MW} de calor. (c) 6×(10 a 20)=606 \times (10 \text{ a } 20) = 60 a 120 MW120\,\mathrm{MW} de eletricidade, 60/581=0.1060/581 = 0.10 a 120/581=0.21120/581 = 0.21 da potência térmica: a maior parte do calor é rejeitada, como em qualquer usina que trabalha com uma diferença de temperatura modesta.

Exercício 30.10 ★★★

Uma falha a cerca de 4 km4\,\mathrm{km} suporta uma tensão normal de 80 MPa80\,\mathrm{MPa} e uma tensão cisalhante de 22 MPa22\,\mathrm{MPa}; seu coeficiente de atrito é 0.6 e a pressão nos poros é hidrostática, 39 MPa39\,\mathrm{MPa}. (a) A falha é estável? Encontre o aumento de pressão nos poros que a leva à ruptura, em megapascals e em bars, e compare com o limiar de Denver. (b) O mesmo se a tensão cisalhante for de 24 MPa24\,\mathrm{MPa}. (c) Explique por que sismos podem ser desencadeados a quilômetros de um poço de injeção, e anos depois do início da injeção.

Solução

Solução de Exercício 30.10.

(a) A resistência é 0.6×(80−39)=24.6 MPa>22 MPa0.6 \times (80 - 39) = 24.6\,\mathrm{MPa} > 22\,\mathrm{MPa}: estável. A ruptura exige 0.6 Δp=24.6−220.6\,\Delta p = 24.6 - 22, Δp=4.33 MPa=43 bar\Delta p = 4.33\,\mathrm{MPa} = 43\,\mathrm{bar}, da mesma ordem que os 32 bar32\,\mathrm{bar} que delimitaram os sismos de Denver. (b) (24.6−24)/0.6=1.0 MPa=10 bar(24.6 - 24)/0.6 = 1.0\,\mathrm{MPa} = 10\,\mathrm{bar}: uma falha já perto da ruptura precisa só de um pequeno aumento. (c) O fluido injetado eleva a pressão numa zona que se propaga por difusão através da rocha permeável e das zonas de falha, a quilômetros de distância ao longo de anos; onde quer que encontre uma falha já perto da ruptura, um aumento modesto basta.

Exercício 30.11 ★★★

(a) A partir da aproximação em (30.1), mostre que, a uma taxa de aquecimento constante, a taxa de transformação sobe de 10 %10\,\% a 90 %90\,\% num intervalo de temperatura ΔT≈[ln⁡ln⁡10−ln⁡ln⁡(10/9)] RT2/E\Delta T \approx \bigl[\ln\ln 10 - \ln\ln(10/9)\bigr]\,RT^2/E. (b) Calcule-o para o querogênio de Green River a 1 ∘C/Myr1\,{}^{\circ}\mathrm{C}/\mathrm{Myr}. (c) Compare com a curva contínua da figura e explique a diferença.

Solução

Solução de Exercício 30.11.

(a) Escreva x=e−ux = e^{-u} com u=(ART2/βE) e−E/RTu = (ART^2/\beta E)\,e^{-E/RT}. Uma taxa de transformação de 10 %10\,\% significa x=0.9x = 0.9, u=ln⁡(10/9)u = \ln(10/9); 90 %90\,\% significa u=ln⁡10u = \ln 10. Como dln⁡u/dT=E/RT2+2/T≈E/RT2\mathrm{d}\ln u/\mathrm{d}T = E/RT^2 + 2/T \approx E/RT^2, Δ(ln⁡u)≈(E/RT2) ΔT\Delta(\ln u) \approx (E/RT^2)\,\Delta T, o que dá a fórmula, com ln⁡ln⁡10−ln⁡ln⁡(10/9)=0.834+2.250=3.084\ln\ln 10 - \ln\ln(10/9) = 0.834 + 2.250 = 3.084. (b) Com T=409.6 KT = 409.6\,\mathrm{K}, RT2/E=6.26 KRT^2/E = 6.26\,\mathrm{K} e ΔT=19.3 K\Delta T = 19.3\,\mathrm{K}; a curva exata de energia única dá 18.6 K18.6\,\mathrm{K}, de 125.3 a 143.8 ∘C143.8\,{}^{\circ}\mathrm{C}. (c) A curva contínua sobe de 10 %10\,\% perto de 122 ∘C122\,{}^{\circ}\mathrm{C} a 90 %90\,\% perto de 148 ∘C148\,{}^{\circ}\mathrm{C}, ao longo de cerca de 26 K26\,\mathrm{K}: a dispersão das energias de ativação alarga o intervalo de conversão.

Exercício 30.12 ★★★

Sleipner deve armazenar 20 Mt20\,\mathrm{Mt} de COX2\ce{CO2}. (a) Encontre o volume de água de formação necessário para dissolvê-lo todo, a 20 e a 60 kg m−360\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3}. (b) Encontre seu volume como fase livre a 1000 m1000\,\mathrm{m}. (c) Com E=2 %E = 2\,\%, encontre o volume poroso de formação necessário, e a área de uma formação de 50 m50\,\mathrm{m} de espessura e porosidade 0.30.

Solução

Solução de Exercício 30.12.

(a) 2×1010/20=1.0×109 m32 \times 10^{10}/20 = 1.0 \times 10^{9}\,\mathrm{m}^{3} (1.0 km31.0\,\mathrm{km}^{3}) e 2×1010/60=3.3×108 m32 \times 10^{10}/60 = 3.3 \times 10^{8}\,\mathrm{m}^{3}. (b) 2×1010/621.4=3.22×107 m32 \times 10^{10}/621.4 = 3.22 \times 10^{7}\,\mathrm{m}^{3}. (c) 3.22×107/0.02=1.61×109 m33.22 \times 10^7/0.02 = 1.61 \times 10^{9}\,\mathrm{m}^{3} de poros, o que, com 50×0.30=15 m50 \times 0.30 = 15\,\mathrm{m} de espaço poroso por metro quadrado, exige 1.61×109/15=1.07×108 m21.61 \times 10^9/15 = 1.07 \times 10^{8}\,\mathrm{m}^{2}, cerca de 107 km2107\,\mathrm{km}^{2}.

Problema 30.1

Problema de fim de semana — uma bacia, dois usos

Numa bacia inventada, uma rocha geradora de tipo I foi depositada a 120 Ma120\,\mathrm{Ma} na superfície. Os sedimentos acumularam-se depois a 60 m60\,\mathrm{m} por milhão de anos até 70 Ma70\,\mathrm{Ma}, e a 30 m30\,\mathrm{m} por milhão de anos desde então. A superfície está a 15 ∘C15\,{}^{\circ}\mathrm{C} e o geotermo é estacionário, de 25 ∘C/km25\,{}^{\circ}\mathrm{C}/\mathrm{km}. O querogênio tem a cinética de Green River do texto (energia única). Sua cozinha de geração, a parte matura da rocha geradora, cobre 400 km2400\,\mathrm{km}^{2}, tem 50 m50\,\mathrm{m} de espessura e densidade 2400 kg m−32400\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3}, e pode produzir 30 kg30\,\mathrm{kg} de óleo por tonelada de rocha com conversão completa; o óleo tem densidade na superfície de 850 kg m−3850\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3}. O óleo preenche uma armadilha de 12 km212\,\mathrm{km}^{2} cujo reservatório, centrado a 2000 m2000\,\mathrm{m}, tem espessura útil de 40 m40\,\mathrm{m}, porosidade 0.22 e saturação em água 0.25, com Bo=1.30B_o = 1.30. Use os dados dos exercícios; arredonde a três algarismos significativos.

Parte I — Soterramento e índice tempo–temperatura.

  1. Encontre a profundidade e a temperatura da rocha geradora a 70 Ma70\,\mathrm{Ma} e hoje.
  2. Encontre sua taxa de aquecimento em cada fase.
  3. Encontre o tempo que ela passou em cada intervalo de 10 ∘C10\,{}^{\circ}\mathrm{C}, de 15 ∘C15\,{}^{\circ}\mathrm{C} até sua temperatura atual.
  4. Calcule seu TTI hoje (método do texto).
  5. Quando, a que temperatura e a que profundidade ela passou um TTI de 15?
  6. O mesmo para 75 e 160.
  7. Pelo TTI, a rocha geradora ainda está gerando óleo?

Parte II — A conversão pela cinética.

  1. Encontre a constante de velocidade a 90 ∘C90\,{}^{\circ}\mathrm{C} e mostre que menos de 0.2 %0.2\,\% do querogênio pode ter sido convertido antes de 70 Ma70\,\mathrm{Ma}.
  2. Usando (30.1) com a taxa de aquecimento da segunda fase, encontre a fração não convertida e a taxa de transformação hoje.
  3. Encontre a temperatura de meia conversão a essa taxa de aquecimento (exercício 30.6).
  4. Quando ela foi atingida?
  5. Compare com a época do pico de geração dada pelo TTI, e explique a diferença.
  6. Um querogênio de tipo II com energia de ativação média mais baixa teria se convertido mais cedo ou mais tarde?

Parte III — Óleo gerado, in situ e recuperável.

  1. Tomando uma taxa de transformação de 0.92, encontre a massa de óleo gerada na cozinha de geração.
  2. Encontre seu volume na superfície.
  3. Encontre o STOIIP da armadilha.
  4. Que fração do óleo gerado a armadilha contém? Mantenha 1.56×109 m31.56 \times 10^{9}\,\mathrm{m}^{3} para (15).
  5. Encontre o óleo produzido para um fator de recuperação de 0.35.
  6. Por que o fator de recuperação é muito menor que um, e o que mudaria a injeção de COX2\ce{CO2}?

Parte IV — O campo depletado como reservatório de COX2\ce{CO2}.

  1. Encontre a temperatura e a pressão hidrostática do reservatório. O COX2\ce{CO2} injetado está supercrítico ali? Leia sua densidade na figura.
  2. Mantendo Np=2.13×107 m3N_p = 2.13 \times 10^{7}\,\mathrm{m}^{3}, encontre o volume de reservatório liberado pela produção.
  3. Exprima-o como um fator de eficiência de armazenamento do volume poroso da armadilha, e compare com as formações salinas.
  4. Uma formação salina sob o campo cobre 600 km2600\,\mathrm{km}^{2}, tem 80 m80\,\mathrm{m} de espessura, porosidade 0.20, com COX2\ce{CO2} a 691 kg m−3691\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3}. Encontre sua capacidade com E=2 %E = 2\,\%.
  5. Quantos anos de injeção ao ritmo de Sleipner a preencheriam?
  6. Com ρ=686 kg m−3\rho = 686\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3} e o volume liberado arredondado para 2.77×107 m32.77 \times 10^{7}\,\mathrm{m}^{3}, encontre a capacidade de armazenamento de COX2\ce{CO2} do reservatório depletado, em megatoneladas.
Solução

Solução de Problema 30.1.

Parte I. 1. A 70 Ma70\,\mathrm{Ma}: 50×60=3000 m50 \times 60 = 3000\,\mathrm{m}, 15+25×3.0=90 ∘C15 + 25 \times 3.0 = 90\,{}^{\circ}\mathrm{C}. Hoje: 3000+70×30=5100 m3000 + 70 \times 30 = 5100\,\mathrm{m}, 142.5 ∘C142.5\,{}^{\circ}\mathrm{C}. 2. 60×0.025=1.5 ∘C/Myr60 \times 0.025 = 1.5\,{}^{\circ}\mathrm{C}/\mathrm{Myr}, depois 30×0.025=0.75 ∘C/Myr30 \times 0.025 = 0.75\,{}^{\circ}\mathrm{C}/\mathrm{Myr}. 3. 15–20 ∘C20\,{}^{\circ}\mathrm{C}: 3.33 Myr3.33\,\mathrm{Myr}; cada intervalo de 20 a 90 ∘C90\,{}^{\circ}\mathrm{C}: 10/1.5=6.67 Myr10/1.5 = 6.67\,\mathrm{Myr}; cada um de 90 a 140 ∘C140\,{}^{\circ}\mathrm{C}: 10/0.75=13.3 Myr10/0.75 = 13.3\,\mathrm{Myr}; 140–142.5 ∘C142.5\,{}^{\circ}\mathrm{C}: 3.33 Myr3.33\,\mathrm{Myr}. 4. Valores por intervalo Δtn2n\Delta t_n 2^n, com as somas acumuladas: 15–20 (n=−9n = -9) 0.0065; 20–30 0.026 (0.033); 30–40 0.052 (0.085); 40–50 0.104 (0.189); 50–60 0.208 (0.397); 60–70 0.417 (0.814); 70–80 0.833 (1.65); 80–90 1.67 (3.31); 90–100 6.67 (9.98); 100–110 13.3 (23.3); 110–120 26.7 (50.0); 120–130 53.3 (103); 130–140 107 (210); 140–142.5 (n=4n = 4) 53.3: TTI atual 263. 5. O valor 15 é ultrapassado no intervalo 100–110 ∘C110\,{}^{\circ}\mathrm{C}, a 100+10×(15−9.98)/13.33=103.8 ∘C100 + 10 \times (15 - 9.98)/13.33 = 103.8\,{}^{\circ}\mathrm{C}, atingidos (103.8−90)/0.75=18.4 Myr(103.8 - 90)/0.75 = 18.4\,\mathrm{Myr} depois de 70 Ma70\,\mathrm{Ma}: a 51.6 Ma51.6\,\mathrm{Ma} e a (103.8−15)/0.025=3550 m(103.8 - 15)/0.025 = 3550\,\mathrm{m}. 6. 75: 124.7 ∘C124.7\,{}^{\circ}\mathrm{C}, 23.7 Ma23.7\,\mathrm{Ma}, 4390 m4390\,\mathrm{m}. 160: 135.3 ∘C135.3\,{}^{\circ}\mathrm{C}, 9.6 Ma9.6\,\mathrm{Ma}, 4810 m4810\,\mathrm{m}. 7. Não: com 263 ela já passou do fim da geração de óleo (160), desde cerca de 10 Ma10\,\mathrm{Ma}.

Parte II. 8. k=9.21×1013 e−26800/363.15=8.20×10−19 s−1k = 9.21 \times 10^{13}\,e^{-26800/363.15} = 8.20 \times 10^{-19}\,\mathrm{s}^{-1}. A rocha esteve abaixo de 90 ∘C90\,{}^{\circ}\mathrm{C} durante os 50 Myr50\,\mathrm{Myr} anteriores a 70 Ma70\,\mathrm{Ma}, de modo que a fração convertida é menor que k t=8.20×10−19×50×3.156×1013=1.29×10−3k\,t = 8.20 \times 10^{-19} \times 50 \times 3.156 \times 10^{13} = 1.29 \times 10^{-3}. 9. β=0.75/(3.156×1013)=2.376×10−14 K/s\beta = 0.75/(3.156 \times 10^{13}) = 2.376 \times 10^{-14}\,\mathrm{K}/\mathrm{s}, T=415.65 KT = 415.65\,\mathrm{K}: ART2/(βE)=2.498×1028ART^2/(\beta E) = 2.498 \times 10^{28} e e−E/RT=9.95×10−29e^{-E/RT} = 9.95 \times 10^{-29}, logo u=2.486u = 2.486, x=0.0833x = 0.0833 e a taxa de transformação é 0.917. 10. 134.7 ∘C134.7\,{}^{\circ}\mathrm{C}. 11. 70−(134.7−90)/0.75=10.4 Ma70 - (134.7 - 90)/0.75 = 10.4\,\mathrm{Ma}. 12. O TTI situa o pico de geração a 23.7 Ma23.7\,\mathrm{Ma}, a cinética 13 Myr13\,\mathrm{Myr} mais tarde, porque a regra da duplicação corresponde a E≈82 kJ/molE \approx 82\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} e pondera demais as baixas temperaturas para um querogênio de 223 kJ/mol223\,\mathrm{kJ}/\mathrm{mol} (exercício 30.5). 13. Mais cedo: uma energia mais baixa abaixa a temperatura de meia conversão.

Parte III. 14. Rocha: 4×108×50×2400=4.8×1013 kg4 \times 10^8 \times 50 \times 2400 = 4.8 \times 10^{13}\,\mathrm{kg}; potencial 0.030×4.8×1013=1.44×1012 kg0.030 \times 4.8 \times 10^{13} = 1.44 \times 10^{12}\,\mathrm{kg}; gerado 0.92×1.44×1012=1.32×1012 kg0.92 \times 1.44 \times 10^{12} = 1.32 \times 10^{12}\,\mathrm{kg}. 15. 1.3248×1012/850=1.56×109 m31.3248 \times 10^{12}/850 = 1.56 \times 10^{9}\,\mathrm{m}^{3}. 16. 1.2×107×40×0.22×0.75/1.30=6.09×107 m31.2 \times 10^7 \times 40 \times 0.22 \times 0.75/1.30 = 6.09 \times 10^{7}\,\mathrm{m}^{3}. 17. 6.09×107/1.56×109=0.0396.09 \times 10^7/1.56 \times 10^9 = 0.039, 3.9 %3.9\,\%: a maior parte do óleo gerado fica na rocha geradora, perde-se ao longo dos caminhos de migração ou escapa para a superfície. 18. 0.35×6.09×107=2.13×107 m30.35 \times 6.09 \times 10^7 = 2.13 \times 10^{7}\,\mathrm{m}^{3}. 19. Cerca de dois terços do óleo ficam no reservatório após a recuperação primária e a secundária; a injeção de COX2\ce{CO2} poderia recuperar mais 10 a 15 %15\,\% do óleo in situ.

Parte IV. 20. 15+25×2=65 ∘C15 + 25 \times 2 = 65\,{}^{\circ}\mathrm{C} e 0.101+1000×9.807×2000/106=19.7 MPa0.101 + 1000 \times 9.807 \times 2000/10^6 = 19.7\,\mathrm{MPa}: ambos acima do ponto crítico (31.0 ∘C31.0\,{}^{\circ}\mathrm{C}, 7.38 MPa7.38\,\mathrm{MPa}), de modo que o COX2\ce{CO2} é supercrítico, a cerca de 686 kg m−3686\,\mathrm{kg}\,\mathrm{m}^{-3}. 21. 2.13×107×1.30=2.77×107 m32.13 \times 10^7 \times 1.30 = 2.77 \times 10^{7}\,\mathrm{m}^{3}. 22. Volume poroso 1.2×107×40×0.22=1.056×108 m31.2 \times 10^7 \times 40 \times 0.22 = 1.056 \times 10^{8}\,\mathrm{m}^{3}, e E=2.77×107/1.056×108=0.262E = 2.77 \times 10^7/1.056 \times 10^8 = 0.262, muito acima dos 1 a 4 %4\,\% das formações salinas: o óleo produzido esvaziou um espaço conhecido e vedado. 23. 6×108×80×0.20×691×0.02=1.33×1011 kg6 \times 10^8 \times 80 \times 0.20 \times 691 \times 0.02 = 1.33 \times 10^{11}\,\mathrm{kg}, 133 Mt133\,\mathrm{Mt}. 24. A 1 Mt1\,\mathrm{Mt} por ano, cerca de 133 anos. 25. M=ρ Np Bo=686×2.77×107=1.90×1010 kgM = \rho\,N_p\,B_o = 686 \times 2.77 \times 10^7 = 1.90 \times 10^{10}\,\mathrm{kg}: o reservatório depletado pode armazenar 19.0 Mt19.0\,\mathrm{Mt} de COX2\ce{CO2}.

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