পৃথিবী ও মহাকাশ বিজ্ঞান · বই 4 · স্নাতক দ্বিতীয় বর্ষ

Ciências da Terra e do espaço universitárias — 2.º ano

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Ciências da Terra e do espaço universitárias — 2.º ano · স্নাতক দ্বিতীয় বর্ষ

28Ameaças e riscos geológicos

Um edifício projetado para o movimento do solo que é excedido, em média, uma vez em 475 anos tem uma chance em dez de enfrentá-lo durante uma vida útil de cinquenta anos. As duas afirmações são o mesmo número lido de duas maneiras, e passar de uma à outra é o trabalho diário da ciência das ameaças. Este capítulo constrói suas ferramentas: a probabilidade dos eventos raros, a curva de ameaça de um local, a estabilidade de uma encosta, a velocidade e a altura máxima de inundação de um tsunami, a frequência das cheias, e a física que fixa quanto aviso prévio cada ameaça pode dar.

O que você já sabe

Dos volumes escolares: ameaça natural, desastre natural e deslizamento; vulnerabilidade, risco, prevenção e o mapa de ameaças; o tsunami; o período de retorno de uma cheia, e a fórmula dos postos T=(n+1)/mT = (n + 1)/m para um registro de nn picos anuais. Do volume do primeiro ano: a lei de Gutenberg–Richter log⁡10N(≥M)=a−bM\log_{10} N(\geq M) = a - bM e seu valor b; o momento sísmico e a magnitude de momento; a pressão de fluido nos poros, a tensão efetiva σ′=σ−u\sigma' = \sigma - u e o critério de ruptura de Coulomb τ=c′+σ′tan⁡φ′\tau = c' + \sigma' \tan\varphi'. Do Capítulo 6: as correntes de densidade piroclásticas, os lahares e a queda de tefra. Dos livros de matemática: as distribuições de Poisson e exponencial, a distribuição normal e sua função de distribuição Φ\Phi. Do volume do segundo ano dos livros de física: a relação de dispersão das ondas de gravidade de superfície, ω2=gktanh⁡(kh)\omega^2 = gk\tanh(kh).

28.1 Ameaça, exposição e risco

Definição 28.1 (Ameaça geológica, exposição, risco de desastre)

Uma ameaça geológica é um processo ou fenômeno que se origina nos processos internos da Terra — um terremoto, uma erupção, um movimento de massa como um deslizamento ou um fluxo de detritos — e pode causar perda de vidas, ferimentos, danos ou perturbações. Ela é caracterizada por sua localização, sua intensidade ou magnitude, e sua frequência ou probabilidade. A exposição a uma ameaça é a situação das pessoas, dos edifícios, da infraestrutura e de outros bens situados onde a ameaça pode chegar, medida por seu número ou seu valor. O risco de desastre é a perda potencial de vidas, de saúde ou de bens que poderia ocorrer num período dado, determinada probabilisticamente a partir da ameaça, da exposição e da vulnerabilidade do que está exposto.

A terminologia internacional classifica os tsunamis à parte: desencadeados por terremotos e outros eventos geológicos, eles se tornam um processo oceânico e atingem como uma ameaça costeira, ligada à água. Este capítulo trata-os com as outras, porque sua fonte é geológica.

A definição contém um produto. Se eventos de intensidade ii ocorrem a uma taxa anual λi\lambda_i, se os bens expostos valem EE, e se um evento de intensidade ii destrói uma fração ViV_i deles (a vulnerabilidade, entre 0 e 1), a perda anual esperada é

L=∑iλi E Vi,(28.1)L = \sum_i \lambda_i \, E \, V_i ,\tag{28.1}

frequentemente abreviada como risco = ameaça ×\times exposição ×\times vulnerabilidade. O risco anula-se quando qualquer fator se anula: um vulcão violento numa ilha vazia, uma cidade populosa num cráton tranquilo, ou edifícios que resistem ao abalo. A ciência das ameaças mede o primeiro fator; a figura abaixo o situa entre os três.

Os três fatores do risco de desastre. A perda esperada só é não nula onde os três se sobrepõem: uma ameaça que atinge algo exposto e capaz de ser prejudicado.
Os três fatores do risco de desastre. A perda esperada só é não nula onde os três se sobrepõem: uma ameaça que atinge algo exposto e capaz de ser prejudicado.

28.2 A probabilidade dos eventos raros

Definição 28.2 (Período de retorno)

Sejam eventos de um tipo dado — uma cheia acima de uma vazão, um movimento do solo acima de um nível, um terremoto acima de uma magnitude — que ocorrem a uma taxa anual média λ\lambda. Seu período de retorno é T=1/λT = 1/\lambda: o intervalo médio entre dois deles, e o inverso de sua taxa anual, não um calendário.

Definição 28.3 (Probabilidade de excedência)

A probabilidade de excedência de um nível num tempo de exposição tt é a probabilidade de que o nível seja igualado ou excedido pelo menos uma vez durante tt.

Proposição 28.4 (Modelo de recorrência de Poisson)

Suponha-se que os eventos ocorram um de cada vez, independentemente uns dos outros e do tempo decorrido, a uma taxa média constante λ=1/T\lambda = 1/T. Então o número NN de eventos num tempo tt segue a distribuição de Poisson de média λt\lambda t; a probabilidade de excedência em tt é

P(t)=1−e−t/T;(28.2)P(t) = 1 - e^{-t/T};\tag{28.2}

e o intervalo entre eventos sucessivos segue a distribuição exponencial de média TT.

Demonstração. Seja Pk(t)P_k(t) a probabilidade de kk eventos em [0,t][0, t]. Num intervalo curto dt\mathrm{d}t um evento ocorre com probabilidade λ dt\lambda\,\mathrm{d}t, independentemente do passado, e dois com uma probabilidade de ordem superior. Logo P0(t+dt)=P0(t)(1−λ dt)P_0(t + \mathrm{d}t) = P_0(t)(1 - \lambda\,\mathrm{d}t), isto é, P0′=−λP0P_0' = -\lambda P_0 com P0(0)=1P_0(0) = 1: P0(t)=e−λtP_0(t) = e^{-\lambda t}, e P(t)=1−P0(t)P(t) = 1 - P_0(t). Da mesma forma Pk′=λ(Pk−1−Pk)P_k' = \lambda(P_{k-1} - P_k) para k≥1k \geq 1, resolvido por indução: Pk(t)=(λt)ke−λt/k!P_k(t) = (\lambda t)^k e^{-\lambda t}/k!, a distribuição de Poisson de média λt\lambda t. A partir de um evento, o mesmo argumento dá a probabilidade de que o seguinte venha depois de tt: e−λte^{-\lambda t}, a função de sobrevivência da distribuição exponencial, cuja média é ∫0∞e−λt dt=1/λ=T\int_0^\infty e^{-\lambda t}\,\mathrm{d}t = 1/\lambda = T. ∎

Duas consequências são usadas em toda parte. Para uma probabilidade pp num tempo de exposição tt, o período de retorno é T=−t/ln⁡(1−p)T = -t/\ln(1 - p): 10 %10\,\% em 50 anos dá T=50/0.10536=474.6T = 50/0.10536 = 474.6 anos, o movimento “de 475 anos” das normas de construção, e 2 %2\,\% em 50 anos dá 2475 anos. E quando t≪Tt \ll T, P≈t/TP \approx t/T: a taxa pode ser lida como uma probabilidade por ano. Ao longo de um período de retorno inteiro, ao contrário, a probabilidade é 1−e−1=63 %1 - e^{-1} = 63\,\%, não 1. A figura abaixo (à esquerda) traça (28.2) para três períodos de retorno.

O modelo é verdadeiro? O catálogo global de terremotos de magnitude pelo menos 7 contém 696 eventos de 1976 a 2025, 695 intervalos com uma média de 26.2 dias. Se fossem um processo de Poisson, a fração de intervalos mais longos que tt seria e−t/26.2e^{-t/26.2}, uma reta num eixo logarítmico. A figura abaixo (à direita) mostra que quase é: 30.4 %30.4\,\% dos intervalos são mais longos que 30 dias, contra 31.8 %31.8\,\% para o modelo, e o desvio-padrão dos intervalos é 1.07 vez sua média, contra exatamente 1. O defeito está nos intervalos curtos: 36 pares caem no mesmo dia, réplicas e dupletos que um processo sem memória não agruparia. Os mapas de ameaça por isso removem de um catálogo os eventos dependentes, desagrupando-o, de modo que os choques principais restantes possam ser tratados como um processo de Poisson; suas taxas por magnitude vêm da lei de Gutenberg–Richter.

À esquerda: a probabilidade de pelo menos um evento num tempo de exposição t para períodos de retorno de 50, 475 e 2475 anos; o evento de 475 anos tem uma chance de 10\,\% em 50 anos. À direita: os intervalos entre os 696 terremotos de magnitude pelo menos 7 do catálogo global de 1976–2025, comparados com a lei exponencial de um processo de Poisson de mesma taxa. Dados: catálogo ANSS ComCat do USGS.
À esquerda: a probabilidade de pelo menos um evento num tempo de exposição t para períodos de retorno de 50, 475 e 2475 anos; o evento de 475 anos tem uma chance de 10\,\% em 50 anos. À direita: os intervalos entre os 696 terremotos de magnitude pelo menos 7 do catálogo global de 1976–2025, comparados com a lei exponencial de um processo de Poisson de mesma taxa. Dados: catálogo ANSS ComCat do USGS.
À esquerda: a probabilidade de pelo menos um evento num tempo de exposição tt para períodos de retorno de 50, 475 e 2475 anos; o evento de 475 anos tem uma chance de 10 %10\,\% em 50 anos. À direita: os intervalos entre os 696 terremotos de magnitude pelo menos 7 do catálogo global de 1976–2025, comparados com a lei exponencial de um processo de Poisson de mesma taxa. Dados: catálogo ANSS ComCat do USGS.

28.3 A ameaça sísmica

Definição 28.5 (Análise probabilística da ameaça sísmica, equação de predição do movimento do solo, aceleração de pico do solo, curva de ameaça)

A aceleração de pico do solo (PGA) num local é a maior aceleração horizontal absoluta do solo durante um terremoto, expressa em geral como uma fração de gg. Uma equação de predição do movimento do solo (GMPE) dá a distribuição de probabilidade de uma medida do abalo, como a PGA, num local — uma mediana e uma dispersão — em função da magnitude, da distância à fonte e das condições do terreno. A análise probabilística da ameaça sísmica (PSHA) combina todos os terremotos que podem afetar um local, com suas taxas e distâncias, com uma GMPE, para dar a taxa anual à qual cada nível de abalo é excedido. A curva dessa taxa em função do nível é a curva de ameaça do local.

A PGA é o que uma partícula do solo sente. Um edifício responde à parte do movimento perto de seu próprio período natural, e as normas também mapeiam essa resposta, a aceleração espectral; a PGA mantém o raciocínio simples e é usada aqui.

Método 28.6 (Uma análise probabilística da ameaça sísmica)

  1. Fontes. Mapeie as falhas e as zonas sismogênicas em torno do local, e a distância dd de cada uma ao local.
  2. Recorrência. Para cada fonte, tome a taxa anual de terremotos por magnitude a partir de uma lei de Gutenberg–Richter, truncada numa magnitude máxima Mmax⁡M_{\max}: N(≥m)=10a−bm−10a−bMmax⁡N(\geq m) = 10^{a - bm} - 10^{a - bM_{\max}}, a partir de uma magnitude mínima Mmin⁡M_{\min}. Corte o intervalo em faixas de taxa νj\nu_j em torno das magnitudes mjm_j.
  3. Movimento do solo. A partir da GMPE, tome a mediana μj=log⁡10PGA\mu_j = \log_{10}\mathrm{PGA} e a dispersão σ\sigma para cada faixa; a probabilidade de que a PGA exceda aa é 1−Φ((log⁡10a−μj)/σ)1 - \Phi\bigl((\log_{10} a - \mu_j)/\sigma\bigr).
  4. Soma. A taxa anual de excedência de aa é λ(a)=∑jνj[1−Φ((log⁡10a−μj)/σ)]\lambda(a) = \sum_j \nu_j \bigl[1 - \Phi\bigl((\log_{10} a - \mu_j)/\sigma\bigr)\bigr], somada sobre todas as fontes.
  5. Leitura. A PGA com uma probabilidade pp de excedência em tt anos é o nível em que λ(a)=−ln⁡(1−p)/t\lambda(a) = -\ln(1 - p)/t: 2.107×10−32.107 \times 10^{-3} por ano para 10 %10\,\% em 50 anos.

A GMPE usada neste capítulo é a de Boore, Joyner e Fumal, ajustada a 271 registros de 20 terremotos do oeste da América do Norte: para uma componente horizontal aleatória, em unidades de gg,

log⁡10PGA=−0.105+0.229 (M−6)−0.778log⁡10r+0.162 GB+0.251 GC,r=d2+5.572,(28.3)\log_{10}\mathrm{PGA} = -0.105 + 0.229\,(M - 6) - 0.778\log_{10} r + 0.162\,G_B + 0.251\,G_C, \qquad r = \sqrt{d^2 + 5.57^2},\tag{28.3}

com MM a magnitude de momento, dd a distância em quilômetros à projeção na superfície da ruptura, e uma dispersão σ=0.230\sigma = 0.230 em torno da mediana. Ela vale para 5.0≤M≤7.75.0 \leq M \leq 7.7 e d≤100 kmd \leq 100\,\mathrm{km}. A constante 5.57 km5.57\,\mathrm{km} é uma profundidade fictícia ajustada pela regressão, que mantém o movimento finito acima da fonte. Uma magnitude 6 a 15 km15\,\mathrm{km} dá uma mediana de 0.091 g0.091\,\mathrm{g}, uma magnitude 7.5 0.200 g0.200\,\mathrm{g}; um desvio-padrão multiplica ou divide a mediana por 100.230=1.7010^{0.230} = 1.70.

Os termos GBG_B e GCG_C carregam o efeito de sítio. Os locais são classificados pela velocidade média das ondas de cisalhamento em seus 30 m30\,\mathrm{m} superiores: classe A acima de 750 m s−1750\,\mathrm{m}\,\mathrm{s}^{-1} (GB=GC=0G_B = G_C = 0), classe B de 360 a 750 m s−1750\,\mathrm{m}\,\mathrm{s}^{-1} (GB=1G_B = 1) e classe C de 180 a 360 m s−1360\,\mathrm{m}\,\mathrm{s}^{-1} (GC=1G_C = 1). Um terreno mole multiplica o movimento da rocha por 100.162=1.4510^{0.162} = 1.45 na classe B e 100.251=1.7810^{0.251} = 1.78 na classe C: uma onda que entra num material mais lento desacelera, encurta e cresce em amplitude, e uma camada mole ou uma bacia preenchida de sedimentos pode entrar em ressonância e aprisioná-la.

A figura abaixo aplica o método a uma única zona sismogênica a 15 km15\,\mathrm{km} de um local em rocha, com a=4.0a = 4.0, b=1.0b = 1.0, Mmin⁡=5M_{\min} = 5 e Mmax⁡=7.5M_{\max} = 7.5: cerca de 0.1 terremoto de magnitude 5 ou mais por ano. Para PGA pequenas a curva tende a essa taxa, pois todo terremoto excede um nível fraco. A PGA de 10 %10\,\% em 50 anos é 0.22 g0.22\,\mathrm{g}. Se cada terremoto tivesse produzido exatamente sua mediana, a mesma taxa seria atingida a 0.13 g0.13\,\mathrm{g}, e nenhum nível acima da mediana do maior terremoto, 0.20 g0.20\,\mathrm{g}, poderia jamais ser excedido. A dispersão domina os níveis raros: o movimento de 475 anos vem em grande parte de terremotos moderados que abalam mais forte que sua mediana.

Uma curva de ameaça: a taxa anual à qual a PGA num local em rocha excede cada nível, para uma zona sismogênica a 15\, km (recorrência de Gutenberg–Richter truncada, b = 1, magnitudes 5 a 7.5) e a GMPE de Boore, Joyner e Fumal. As linhas pontilhadas leem o nível de 10\,\% em 50 anos. Sem a dispersão (tracejado) a curva para no movimento mediano do maior terremoto.
Uma curva de ameaça: a taxa anual à qual a PGA num local em rocha excede cada nível, para uma zona sismogênica a 15 km15\,\mathrm{km} (recorrência de Gutenberg–Richter truncada, b=1b = 1, magnitudes 5 a 7.5) e a GMPE de Boore, Joyner e Fumal. As linhas pontilhadas leem o nível de 10 %10\,\% em 50 anos. Sem a dispersão (tracejado) a curva para no movimento mediano do maior terremoto.

28.4 A ameaça vulcânica

Um vulcão ameaça por meio de vários processos ao mesmo tempo, cada um com seu próprio alcance: a tefra cai longe na direção do vento, as correntes de densidade piroclásticas e os lahares seguem os vales, os derrames de lava avançam lentamente (Capítulo 6). Seu mapa de ameaças traça uma zona para cada um, a partir dos depósitos de erupções passadas e de modelos de escoamento e de queda. As probabilidades são construídas de modo diferente das dos terremotos, porque um vulcão que desperta não é um processo estacionário. Uma árvore de eventos leva da agitação aos desfechos por ramos, cada um de um evento prévio necessário a um desfecho mais específico — agitação, magmática ou não; erupção ou não; explosiva ou efusiva; um fluxo piroclástico que atinge um dado vale ou não. A probabilidade de um desfecho é o produto das probabilidades condicionais ao longo de seu ramo. Com MM uma agitação magmática, EE uma erupção, XX uma erupção explosiva e VV um fluxo no vale,

P(V)=P(M) P(E∣M) P(X∣E) P(V∣X),P(V) = P(M) \, P(E \mid M) \, P(X \mid E) \, P(V \mid X),

cada fator estimado a partir do passado do vulcão, de vulcões comparáveis ou de modelos, e revisto com o teorema de Bayes à medida que chegam novos dados de monitoramento (Exercício 28.8).

28.5 Os deslizamentos

Uma encosta permanece de pé enquanto a resistência de seu material, ao longo de qualquer superfície sobre a qual poderia deslizar, excede a tensão que a gravidade aplica ali. A resistência é o critério de Coulomb do volume do primeiro ano, escrito em tensão efetiva: a água nos poros suporta parte da carga normal e reduz o atrito.

Definição 28.7 (Fator de segurança, fluxo de detritos)

O fator de segurança FF de uma encosta ao longo de uma superfície potencial de deslizamento é a razão entre a resistência ao cisalhamento disponível na superfície e a tensão de cisalhamento necessária para o equilíbrio. A encosta é estável para F>1F > 1 e rompe quando FF cai a 1. Um fluxo de detritos é um escoamento rápido de lama, areia, cascalho, blocos e madeira saturados de água que desce por um canal como uma só massa densa, os grãos suportando grande parte de seu peso, e se espalha no leque na saída do canal.

Proposição 28.8 (Encosta infinita)

Uma camada de solo de peso específico γ\gamma e espessura zz, medida na vertical, repousa sobre uma superfície de deslizamento paralela ao terreno a um ângulo β\beta; sua resistência é c′c' e φ′\varphi', e a pressão neutra na superfície é u=ruγzu = r_u \gamma z. Se a camada for longa o bastante para que suas extremidades sejam desprezadas,

F=c′+γz (cos⁡2β−ru)tan⁡φ′γzsin⁡βcos⁡β.(28.4)F = \frac{c' + \gamma z\,(\cos^2\beta - r_u)\tan\varphi'}{\gamma z \sin\beta\cos\beta}.\tag{28.4}

Para uma camada seca e sem coesão, F=tan⁡φ′/tan⁡βF = \tan\varphi'/\tan\beta: ela se mantém até β=φ′\beta = \varphi'.

Demonstração. Tome-se uma coluna da camada de largura horizontal bb. Seu peso é W=γzbW = \gamma z b por unidade de comprimento transversal à encosta, e sua base, paralela à superfície, tem comprimento b/cos⁡βb/\cos\beta. As forças em seus dois lados são iguais e opostas numa encosta infinita e se anulam. Decompondo WW normal e paralelamente à base, e dividindo por seu comprimento, as tensões normal e de cisalhamento na base são σ=γzcos⁡2β\sigma = \gamma z\cos^2\beta e τ=γzsin⁡βcos⁡β\tau = \gamma z \sin\beta\cos\beta. A tensão normal efetiva é σ′=σ−u=γz(cos⁡2β−ru)\sigma' = \sigma - u = \gamma z(\cos^2\beta - r_u), a resistência disponível c′+σ′tan⁡φ′c' + \sigma'\tan\varphi', e FF é a razão entre elas. Com c′=0c' = 0 e ru=0r_u = 0, F=cos⁡2βtan⁡φ′/(sin⁡βcos⁡β)=tan⁡φ′/tan⁡βF = \cos^2\beta \tan\varphi'/(\sin\beta\cos\beta) = \tan\varphi'/\tan\beta. ∎

À esquerda: a encosta infinita, uma camada de espessura z sobre uma superfície de deslizamento paralela ao terreno, com uma coluna de peso W. À direita: seu fator de segurança em função da razão de pressão neutra, para c' = 5\, kPa, ' = 35, = 19\, kN\, m-3 e z = 2\, m, para três ângulos de encosta. A pressão neutra crescente leva cada encosta à ruptura.
À esquerda: a encosta infinita, uma camada de espessura z sobre uma superfície de deslizamento paralela ao terreno, com uma coluna de peso W. À direita: seu fator de segurança em função da razão de pressão neutra, para c' = 5\, kPa, ' = 35, = 19\, kN\, m-3 e z = 2\, m, para três ângulos de encosta. A pressão neutra crescente leva cada encosta à ruptura.
À esquerda: a encosta infinita, uma camada de espessura zz sobre uma superfície de deslizamento paralela ao terreno, com uma coluna de peso WW. À direita: seu fator de segurança em função da razão de pressão neutra, para c′=5 kPac' = 5\,\mathrm{kPa}, φ′=35∘\varphi' = 35{}^{\circ}, γ=19 kN m−3\gamma = 19\,\mathrm{kN}\,\mathrm{m}^{-3} e z=2 mz = 2\,\mathrm{m}, para três ângulos de encosta. A pressão neutra crescente leva cada encosta à ruptura.

A equação (28.4) nomeia os dois gatilhos comuns. A chuva eleva o nível freático e com ele rur_u; FF cai linearmente com rur_u, de modo que uma encosta segura quando seca rompe quando molhada: na figura acima, a encosta de 35∘35{}^{\circ} rompe em ru=0.19r_u = 0.19, a de 25∘25{}^{\circ} só em 0.46. O abalo acrescenta uma força horizontal: se ela é representada por kWkW, sendo kk uma fração de gg, o numerador perde γzksin⁡βcos⁡βtan⁡φ′\gamma z k \sin\beta\cos\beta\tan\varphi' e o denominador ganha γzkcos⁡2β\gamma z k\cos^2\beta — uma análise pseudoestática, admitida aqui, que substitui um abalo breve por uma força constante. O termo de coesão, c′/(γzsin⁡βcos⁡β)c'/(\gamma z\sin\beta\cos\beta), diminui à medida que a camada se espessa, de modo que a coesão protege os solos finos mais que os profundos.

Em dezembro de 1999 uma tempestade de três dias despejou 911 mm911\,\mathrm{mm} de chuva em Maiquetía, no litoral ao norte de Caracas. Milhares de deslizamentos rasos começaram nas encostas da Serra de Ávila, em declives de 30∘30{}^{\circ} a mais de 60∘60{}^{\circ}, 42∘42{}^{\circ} em média. Nos canais eles se juntaram em fluxos de detritos, que se moviam a 3 a 14 m s−114\,\mathrm{m}\,\mathrm{s}^{-1} segundo a superelevação de sua superfície nas curvas, e transportaram blocos de até 11 m11\,\mathrm{m} de comprimento. No leque de Caraballeda, mostrado abaixo, deixaram até 6 m6\,\mathrm{m} de detritos com blocos, cerca de 1.8 milhão de metros cúbicos. O número de mortos é geralmente dado como cerca de 30 00030\,000.

Depósitos de fluxos de detritos no leque de Caraballeda, no litoral da Venezuela, depois da tempestade de dezembro de 1999: os fluxos saíram do canal principal e soterraram a cidade sob blocos. Fotografia de Lawson Smith, U.S. Army Corps of Engineers (domínio público).
Depósitos de fluxos de detritos no leque de Caraballeda, no litoral da Venezuela, depois da tempestade de dezembro de 1999: os fluxos saíram do canal principal e soterraram a cidade sob blocos. Fotografia de Lawson Smith, U.S. Army Corps of Engineers (domínio público).

28.6 Os tsunamis

Um tsunami produzido pelo soerguimento brusco do fundo do mar tem um comprimento de onda de dezenas a centenas de quilômetros, muito mais que a profundidade do oceano. É uma onda longa, e sua velocidade depende apenas da profundidade.

Proposição 28.9 (Ondas longas)

Uma onda de gravidade de superfície cujo comprimento de onda é muito maior que a profundidade hh da água propaga-se a c=ghc = \sqrt{gh}, qualquer que seja seu comprimento de onda. Onde ela avança lentamente para águas mais rasas sem se refletir nem quebrar, sua amplitude AA cresce como h−1/4h^{-1/4}.

Demonstração. A relação de dispersão dá a velocidade de fase c=ω/k=(g/k)tanh⁡(kh)c = \omega/k = \sqrt{(g/k)\tanh(kh)}. Para uma onda longa kh=2πh/λ≪1kh = 2\pi h/\lambda \ll 1, e tanh⁡(kh)≈kh\tanh(kh) \approx kh, logo c=ghc = \sqrt{gh}, independente de kk: as ondas longas não se dispersam. A energia da onda por unidade de área da superfície do mar é 12ρgA2\frac12 \rho g A^2, e ela se propaga a cc. Se nenhuma energia é refletida ou perdida, o fluxo 12ρgA2c\frac12\rho g A^2 c através de qualquer seção é o mesmo ao longo do trajeto: A2hA^2 \sqrt{h} é constante, e A∝h−1/4A \propto h^{-1/4}. ∎

Sobre 4000 m4000\,\mathrm{m} de água um tsunami propaga-se a 198 m s−1198\,\mathrm{m}\,\mathrm{s}^{-1}, 713 km/h713\,\mathrm{km}/\mathrm{h}; sobre 5000 m5000\,\mathrm{m}, 797 km/h797\,\mathrm{km}/\mathrm{h}, os “mais de 800 km/h” citados pelos serviços de alerta. Perto da costa, em 10 m10\,\mathrm{m} de água, ele desacelera para 36 km/h36\,\mathrm{km}/\mathrm{h}; sua frente é alcançada pela água de trás, a onda encurta e se empina, e sua altura cresce.

Definição 28.10 (Altura máxima de inundação de um tsunami)

A altura máxima de inundação de um tsunami num ponto da costa é a altura, acima do nível do mar no momento, do terreno mais alto que a água atinge ali, terra adentro. A distância horizontal da linha de costa até esse ponto é a distância de inundação.

As equipes de levantamento medem as alturas máximas de inundação a partir de marcas de água, linhas de detritos e danos depois de cada tsunami. O banco de dados global de tsunamis contém 21772177 observações de altura máxima de inundação para o tsunami do oceano Índico de 26 de dezembro de 2004, produzido por um terremoto de magnitude 9.1 ao largo de Sumatra, com uma altura máxima da água de 50.9 m50.9\,\mathrm{m}, e 64296429 para o tsunami de 11 de março de 2011 ao largo de Honshu, também de magnitude 9.1, com um máximo de 39.3 m39.3\,\mathrm{m}. Os dois mataram 227 899227\,899 e 18 42318\,423 pessoas. Em Banda Aceh, a água atingiu o meio do segundo andar da mesquita abaixo.

Banda Aceh, Sumatra, em 21 de janeiro de 2005, depois do tsunami de 26 de dezembro de 2004: uma mesquita permanece de pé no meio dos escombros dos edifícios ao seu redor. Fotografia do U.S. Geological Survey (domínio público).
Banda Aceh, Sumatra, em 21 de janeiro de 2005, depois do tsunami de 26 de dezembro de 2004: uma mesquita permanece de pé no meio dos escombros dos edifícios ao seu redor. Fotografia do U.S. Geological Survey (domínio público).

28.7 As cheias

Definição 28.11 (Curva de frequência de cheias)

A curva de frequência de cheias de um rio numa estação fluviométrica é a curva da vazão de pico anual em função de seu período de retorno, ou de sua probabilidade anual de excedência, construída a partir do registro de picos anuais da estação e em geral estendida por uma lei de probabilidade ajustada.

A fórmula dos postos dos volumes escolares posiciona os pontos da curva. Ela tem uma razão.

Proposição 28.12 (Posição de plotagem de Weibull)

Sejam nn picos anuais independentes e extraídos da mesma distribuição contínua, e seja G(x)G(x) a probabilidade de que o pico de um ano exceda xx. O pico de posto mm, contado a partir do maior, tem uma probabilidade de excedência esperada m/(n+1)m/(n + 1), de modo que é plotado em T=(n+1)/mT = (n + 1)/m.

Demonstração. U=G(X)U = G(X) é uniforme em [0,1][0, 1] para uma lei contínua, e GG é decrescente, logo o mm-ésimo maior pico corresponde ao mm-ésimo menor de nn variáveis uniformes independentes, U(m)U_{(m)}. Sua densidade é f(u)=n!(m−1)! (n−m)!um−1(1−u)n−mf(u) = \frac{n!}{(m-1)!\,(n-m)!}u^{m-1}(1-u)^{n-m}: um dos nn valores em uu, m−1m - 1 abaixo e n−mn - m acima. Com a integral Beta ∫01up(1−u)q du=p! q!/(p+q+1)!\int_0^1 u^{p}(1-u)^{q}\,\mathrm{d}u = p!\,q!/(p + q + 1)!,

E[U(m)]=n!(m−1)! (n−m)!⋅m! (n−m)!(n+1)!=mn+1.\mathbb{E}[U_{(m)}] = \frac{n!}{(m-1)!\,(n-m)!}\cdot\frac{m!\,(n-m)!}{(n+1)!} = \frac{m}{n+1}. \qedhere

∎

O maior pico de um registro de 30 anos é portanto plotado em 31 anos, e nada no registro fixa a cheia de 100 anos. Para alcançá-la, os picos são ajustados com uma lei de extremos, frequentemente a de Gumbel, Pr⁡(pico≤x)=exp⁡(−e−(x−u)/α)\Pr(\text{pico} \leq x) = \exp\bigl(-e^{-(x - u)/\alpha}\bigr), cuja cheia de TT anos é xT=u−αln⁡(−ln⁡(1−1/T))x_T = u - \alpha\ln\bigl(-\ln(1 - 1/T)\bigr): uma reta em função de −ln⁡(−ln⁡(1−1/T))-\ln(-\ln(1 - 1/T)), extrapolada além do registro com um risco que cresce com a distância.

28.8 Monitoramento e alerta precoce

Definição 28.13 (Sistema de alerta precoce)

Um sistema de alerta precoce é um sistema integrado de monitoramento de ameaças, previsão, avaliação de risco, comunicação e preparação que permite uma ação oportuna antes de um evento perigoso. Ele reúne quatro elementos: o conhecimento do risco; a detecção, o monitoramento e a previsão da ameaça; a difusão dos alertas; e a preparação para responder.

A física fixa quanto tempo cada alerta pode dar. As ondas sísmicas não podem ser ultrapassadas, mas as ondas S destrutivas propagam-se a cerca de 3.2 km s−13.2\,\mathrm{km}\,\mathrm{s}^{-1} na crosta superior, contra 5.8 km s−15.8\,\mathrm{km}\,\mathrm{s}^{-1} para as ondas P: um alerta calculado a partir das primeiras ondas P registradas perto do epicentro chega a uma cidade antes das ondas S, em d(1/3.2−1/5.8)=0.14 sd(1/3.2 - 1/5.8) = 0.14\,\mathrm{s} por quilômetro de distância dd, menos o tempo de detectar e calcular. Uma cidade a 100 km100\,\mathrm{km} ganha no máximo 14 s14\,\mathrm{s}; perto da fonte uma zona cega não ganha nada (Exercício 28.12). Um tsunami que atravessa 100 km100\,\mathrm{km} de mar de 2000 m2000\,\mathrm{m} de profundidade leva 12 minutos; através de um oceano, leva horas. Em 2011, o alerta japonês foi emitido cerca de três minutos depois do terremoto, mas com uma magnitude estimada baixa demais, porque os instrumentos saturaram; ele foi atualizado com dados de uma boia GPS ao largo cerca de 28 minutos depois. Registradores de pressão de oceano profundo, que convertem a pressão no fundo do mar a cada 15 segundos numa altura da superfície do mar, transmitem hoje por satélite a passagem dos tsunamis.

No campo — Acompanhar uma encosta em movimento

Numa encosta conhecida por rastejar, as equipes de monitoramento instalam instrumentos que medem as variáveis da equação da encosta infinita. Piezômetros em furos de sondagem registram a pressão neutra na superfície de deslizamento; tubos inclinométricos, lidos a intervalos de profundidade, mostram onde o terreno se curva e com que rapidez; estações GNSS e extensômetros registram o movimento da superfície; um pluviômetro registra o gatilho. As equipes comparam o movimento com a chuva e a pressão da água, estação após estação, e procuram a aceleração que precede a ruptura.

Exercícios

Dados para os exercícios, salvo indicação em contrário: g=9.81 m s−2g = 9.81\,\mathrm{m}\,\mathrm{s}^{-2}; peso específico da água 9.81 kN m−39.81\,\mathrm{kN}\,\mathrm{m}^{-3}; a GMPE (28.3) em rocha (GB=GC=0G_B = G_C = 0), σ=0.230\sigma = 0.230; velocidades P e S na crosta superior 5.8 e 3.2 km s−13.2\,\mathrm{km}\,\mathrm{s}^{-1}. Arredonde a três algarismos significativos.

Exercício 28.1 ★

Pelo modelo de Poisson: (a) qual é a probabilidade de pelo menos uma cheia de 100 anos em 30 anos? (b) Qual é a probabilidade de que um século passe sem uma cheia de 100 anos? (c) Encontre o período de retorno do movimento com uma chance de 5 %5\,\% de excedência em 50 anos.

Solução

Solução de Exercício 28.1.

(a) 1−e−30/100=0.2591 - e^{-30/100} = 0.259. (b) e−100/100=e−1=0.368e^{-100/100} = e^{-1} = 0.368: mais de um século em cada três passa sem nenhuma. (c) T=−50/ln⁡0.95=975T = -50/\ln 0.95 = 975 anos.

Exercício 28.2 ★

Duas cidades enfrentam abalos fortes. Na cidade A, eles ocorrem a uma taxa de uma vez em 200 anos e destruiriam 2 %2\,\% de seus 5000 edifícios; na cidade B, uma vez em 50 anos, destruindo 10 %10\,\% de seus 800 edifícios. (a) Encontre o número esperado de edifícios destruídos por ano em cada cidade. (b) Qual cidade tem o maior risco, embora tenha a menor exposição? (c) Qual dos três fatores faz a diferença?

Solução

Solução de Exercício 28.2.

(a) Cidade A: (1/200)×5000×0.02=0.5(1/200) \times 5000 \times 0.02 = 0.5 edifício por ano; cidade B: (1/50)×800×0.10=1.6(1/50) \times 800 \times 0.10 = 1.6. (b) A cidade B, com 6.25 vezes menos edifícios expostos. (c) Sua ameaça é 4 vezes mais frequente e sua vulnerabilidade 5 vezes maior: juntas, um fator 20, que supera a exposição menor.

Exercício 28.3 ★

(a) Encontre a velocidade de um tsunami sobre profundidades de 4000, 200 e 10 m10\,\mathrm{m}. (b) Quanto tempo ele leva para atravessar 1500 km1500\,\mathrm{km} de oceano de 4000 m4000\,\mathrm{m} de profundidade? (c) A que profundidade ele se propagaria a 800 km/h800\,\mathrm{km}/\mathrm{h}?

Solução

Solução de Exercício 28.3.

(a) 9.81×4000=198 m s−1\sqrt{9.81 \times 4000} = 198\,\mathrm{m}\,\mathrm{s}^{-1}; 9.81×200=44.3 m s−1\sqrt{9.81 \times 200} = 44.3\,\mathrm{m}\,\mathrm{s}^{-1}; 9.81×10=9.90 m s−1\sqrt{9.81 \times 10} = 9.90\,\mathrm{m}\,\mathrm{s}^{-1}. (b) 1.5×106/198.1=7570 s1.5 \times 10^{6}/198.1 = 7570\,\mathrm{s}, 2.10 h2.10\,\mathrm{h}. (c) 800/3.6=222.2 m s−1800/3.6 = 222.2\,\mathrm{m}\,\mathrm{s}^{-1}, e h=c2/g=222.22/9.81=5030 mh = c^2/g = 222.2^2/9.81 = 5030\,\mathrm{m}.

Exercício 28.4 ★

Uma areia seca e sem coesão com φ′=33∘\varphi' = 33{}^{\circ} forma uma encosta longa. (a) Encontre seu fator de segurança a 25∘25{}^{\circ}. (b) Qual é a encosta mais íngreme que ela pode formar? (c) A encosta fica saturada, com o nível freático na superfície e percolação paralela a ela, de modo que ru=γwcos⁡2β/γr_u = \gamma_w\cos^2\beta/\gamma com γ=20 kN m−3\gamma = 20\,\mathrm{kN}\,\mathrm{m}^{-3}. Mostre que F=(1−γw/γ)tan⁡φ′/tan⁡βF = (1 - \gamma_w/\gamma)\tan\varphi'/\tan\beta e calcule-o a 25∘25{}^{\circ}.

Solução

Solução de Exercício 28.4.

(a) tan⁡33∘/tan⁡25∘=0.6494/0.4663=1.39\tan33{}^{\circ}/\tan25{}^{\circ} = 0.6494/0.4663 = 1.39. (b) F=1F = 1 quando β=φ′=33∘\beta = \varphi' = 33{}^{\circ}. (c) Com c′=0c' = 0, F=(cos⁡2β−ru)tan⁡φ′/(sin⁡βcos⁡β)F = (\cos^2\beta - r_u)\tan\varphi'/(\sin\beta\cos\beta), e cos⁡2β−ru=cos⁡2β (1−γw/γ)\cos^2\beta - r_u = \cos^2\beta\,(1 - \gamma_w/\gamma), logo F=(1−γw/γ)tan⁡φ′/tan⁡βF = (1 - \gamma_w/\gamma)\tan\varphi'/\tan\beta: a água reduz o atrito à metade. (1−9.81/20)×1.393=0.510×1.393=0.710(1 - 9.81/20) \times 1.393 = 0.510 \times 1.393 = 0.710: a encosta rompe.

Exercício 28.5 ★★

O catálogo global contém 696 terremotos de magnitude pelo menos 7 nos 50 anos de 1976–2025, e o intervalo médio entre eles é de 26.2 dias. (a) Encontre sua taxa anual média. (b) Pelo modelo de Poisson, qual é a probabilidade de que 30 dias passem sem nenhum? Compare com a fração observada de intervalos mais longos que 30 dias, 0.304. (c) Qual é a probabilidade de pelo menos um numa semana dada?

Solução

Solução de Exercício 28.5.

(a) 696/50=13.9696/50 = 13.9 por ano. (b) e−30/26.2=0.318e^{-30/26.2} = 0.318, contra 0.304 observado: próximo. O valor observado é um pouco menor porque as réplicas e os dupletos agrupados acrescentam intervalos curtos. (c) 1−e−7/26.2=0.2341 - e^{-7/26.2} = 0.234.

Exercício 28.6 ★★

(a) Encontre a PGA mediana de um terremoto de magnitude 6.5 em rocha a d=0d = 0, 10, 30 e 100 km100\,\mathrm{km}. (b) Qual seria ela a 10 km10\,\mathrm{km} num local de classe C? (c) Entre que valores fica a PGA em rocha a 10 km10\,\mathrm{km} com uma probabilidade de cerca de 68 %68\,\%?

Solução

Solução de Exercício 28.6.

(a) O termo de magnitude é −0.105+0.229×0.5=0.0095-0.105 + 0.229 \times 0.5 = 0.0095. Para d=0d = 0, 10, 30 e 100 km100\,\mathrm{km}, r=5.57r = 5.57, 11.45, 30.51 e 100.2 km100.2\,\mathrm{km}, log⁡10PGA=−0.571\log_{10}\mathrm{PGA} = -0.571, −0.814-0.814, −1.145-1.145 e −1.547-1.547, e a PGA mediana é 0.269, 0.153, 0.0715 e 0.0284 g0.0284\,\mathrm{g}. (b) 0.153×100.251=0.153×1.78=0.272 g0.153 \times 10^{0.251} = 0.153 \times 1.78 = 0.272\,\mathrm{g}. (c) Um desvio-padrão de cada lado: de 0.153/1.70=0.0900 g0.153/1.70 = 0.0900\,\mathrm{g} a 0.153×1.70=0.260 g0.153 \times 1.70 = 0.260\,\mathrm{g}.

Exercício 28.7 ★★

Os picos anuais de um rio ao longo de 12 anos foram, em m3 s−1\mathrm{m}^{3}\,\mathrm{s}^{-1}: 212, 148, 305, 176, 251, 133, 188, 420, 160, 229, 195, 268. (a) Dê os períodos de retorno dos quatro maiores. (b) Estime a cheia de 10 anos interpolando linearmente em ln⁡T\ln T entre os dois maiores. (c) Por que este registro não pode dizer nada confiável sobre a cheia de 100 anos?

Solução

Solução de Exercício 28.7.

(a) Em ordem: 420 (T=13/1=13T = 13/1 = 13 anos), 305 (6.5), 268 (4.33), 251 (3.25). (b) 305+(420−305)ln⁡(10/6.5)/ln⁡(13/6.5)=305+115×0.621=376 m3 s−1305 + (420 - 305)\ln(10/6.5)/\ln(13/6.5) = 305 + 115 \times 0.621 = 376\,\mathrm{m}^{3}\,\mathrm{s}^{-1}. (c) O maior pico é plotado em 13 anos; qualquer valor em 100 anos extrapola muito além do registro, com uma lei de extremos cuja escolha e cujos parâmetros os 12 pontos mal restringem.

Exercício 28.8 ★★

Num vulcão agitado o observatório estima: agitação magmática 0.6; erupção se magmática 0.4; explosiva se houver erupção 0.5; um fluxo piroclástico que atinge um dado vale se explosiva 0.3. (a) Encontre a probabilidade de um fluxo piroclástico no vale. (b) Encontre a probabilidade de uma erupção, e de uma erupção sem fluxo no vale. (c) Novos dados de deformação elevam a probabilidade de uma erupção, se a agitação é magmática, para 0.7. Atualize (a).

Solução

Solução de Exercício 28.8.

(a) 0.6×0.4×0.5×0.3=0.0360.6 \times 0.4 \times 0.5 \times 0.3 = 0.036. (b) P(erupc¸a˜o)=0.6×0.4=0.24P(\text{erupção}) = 0.6 \times 0.4 = 0.24; sem fluxo no vale, 0.24−0.036=0.2040.24 - 0.036 = 0.204. (c) 0.6×0.7×0.5×0.3=0.0630.6 \times 0.7 \times 0.5 \times 0.3 = 0.063.

Exercício 28.9 ★★

Um solo seco com c′=8 kPac' = 8\,\mathrm{kPa}, φ′=30∘\varphi' = 30{}^{\circ} e γ=19 kN m−3\gamma = 19\,\mathrm{kN}\,\mathrm{m}^{-3} repousa sobre uma encosta de 35∘35{}^{\circ}. (a) Encontre a espessura zcz_c para a qual F=1F = 1. (b) Encontre FF para uma camada de 2 m2\,\mathrm{m} de espessura. (c) A mesma camada fica saturada, com o nível freático na superfície e ru=γwcos⁡2β/γr_u = \gamma_w\cos^2\beta/\gamma. Encontre FF.

Solução

Solução de Exercício 28.9.

Aqui sin⁡βcos⁡β=0.4698\sin\beta\cos\beta = 0.4698, cos⁡2β=0.6710\cos^2\beta = 0.6710 e tan⁡30∘/tan⁡35∘=0.8245\tan30{}^{\circ}/\tan35{}^{\circ} = 0.8245. (a) F=c′/(γzsin⁡βcos⁡β)+0.8245=1F = c'/(\gamma z\sin\beta\cos\beta) + 0.8245 = 1 dá zc=8/(19×0.4698×0.1755)=5.11 mz_c = 8/(19 \times 0.4698 \times 0.1755) = 5.11\,\mathrm{m}. (b) 8/(19×2×0.4698)+0.8245=0.448+0.825=1.278/(19 \times 2 \times 0.4698) + 0.8245 = 0.448 + 0.825 = 1.27. (c) ru=9.81×0.6710/19=0.3465r_u = 9.81 \times 0.6710/19 = 0.3465; F=[8+38×(0.6710−0.3465)×0.5774]/(38×0.4698)=15.12/17.85=0.847F = [8 + 38 \times (0.6710 - 0.3465) \times 0.5774]/(38 \times 0.4698) = 15.12/17.85 = 0.847: a camada saturada rompe.

Exercício 28.10 ★★★

(a) Mostre que o modelo de Poisson não tem memória: a probabilidade de nenhum evento em [s,s+t][s, s + t], dado que não houve nenhum em [0,s][0, s], é e−t/Te^{-t/T}, qualquer que seja ss. (b) Uma falha tem um período de retorno de 475 anos para seus grandes terremotos e não teve nenhum nos últimos 400 anos. Qual é, segundo o modelo, a probabilidade de um nos próximos 50 anos? (c) O rebote elástico do volume do primeiro ano sugere que a probabilidade deveria, ao contrário, crescer com o tempo desde o último terremoto. Que hipótese do modelo de Poisson ele contradiz, e por que os mapas de ameaça mantêm o modelo para as fontes areais?

Solução

Solução de Exercício 28.10.

(a) Pr⁡(nenhum em [0,s+t]∣nenhum em [0,s])=e−(s+t)/T/e−s/T=e−t/T\Pr(\text{nenhum em } [0, s+t] \mid \text{nenhum em } [0, s]) = e^{-(s+t)/T}/e^{-s/T} = e^{-t/T}. (b) Os 400 anos tranquilos não mudam nada: 1−e−50/475=0.09991 - e^{-50/475} = 0.0999, 10 %10\,\%. (c) Ele contradiz a hipótese de que a taxa não depende do tempo decorrido: depois do rebote a tensão precisa acumular-se de novo, de modo que a taxa é baixa logo após um terremoto e cresce depois. Uma zona sismogênica contém muitas falhas em fases diferentes de seus ciclos; a soma de muitas sequências independentes de eventos comporta-se quase como um processo de Poisson, e a taxa é tudo o que se conhece de cada uma.

Exercício 28.11 ★★★

Um tsunami de amplitude 0.5 m0.5\,\mathrm{m} e período de 20 minutos atravessa um oceano de 4000 m4000\,\mathrm{m} de profundidade. (a) Usando o argumento do fluxo de energia da proposição sobre as ondas longas, encontre sua amplitude em 10 m10\,\mathrm{m} de água. (b) Encontre seu comprimento de onda nas duas profundidades. (c) Dê duas razões pelas quais a altura máxima de inundação na costa pode diferir muito desta estimativa.

Solução

Solução de Exercício 28.11.

(a) A=0.5×(4000/10)1/4=0.5×4.47=2.24 mA = 0.5 \times (4000/10)^{1/4} = 0.5 \times 4.47 = 2.24\,\mathrm{m}. (b) λ=cT\lambda = cT: 198.1×1200=238 km198.1 \times 1200 = 238\,\mathrm{km} no oceano profundo, 9.90×1200=11.9 km9.90 \times 1200 = 11.9\,\mathrm{km} em 10 m10\,\mathrm{m} de água. (c) A amplitude já não é pequena diante da profundidade (2.2 m2.2\,\mathrm{m} em 10 m10\,\mathrm{m}), de modo que a onda se empina e pode quebrar; parte da energia é refletida ou concentrada pela forma do fundo do mar e das baías; em terra a altura máxima de inundação depende da declividade e da rugosidade do terreno.

Exercício 28.12 ★★★

Um sistema de alerta sísmico precoce emite um alerta 4 segundos depois que a onda P atinge sua estação mais próxima do epicentro, a 10 km10\,\mathrm{km}. Despreze a profundidade da fonte. (a) Quando o alerta é emitido depois do terremoto? (b) Quantos segundos antes da onda S uma cidade a 50 km50\,\mathrm{km} do epicentro o recebe? E uma cidade a 100 km100\,\mathrm{km}? (c) Encontre o raio da zona cega, onde a onda S chega antes do alerta.

Solução

Solução de Exercício 28.12.

(a) 10/5.8+4=1.72+4=5.72 s10/5.8 + 4 = 1.72 + 4 = 5.72\,\mathrm{s}. (b) A onda S atinge 50 km50\,\mathrm{km} depois de 50/3.2=15.6 s50/3.2 = 15.6\,\mathrm{s}: 15.6−5.72=9.90 s15.6 - 5.72 = 9.90\,\mathrm{s} de aviso; a 100 km100\,\mathrm{km}, 31.3−5.72=25.5 s31.3 - 5.72 = 25.5\,\mathrm{s}. (c) 3.2×5.72=18.3 km3.2 \times 5.72 = 18.3\,\mathrm{km}.

Problema 28.1

Problema de fim de semana — uma cidade entre uma falha e uma encosta

Uma cidade sobre rocha fica a 10 km10\,\mathrm{km} de uma zona sismogênica; todos os seus terremotos são tomados a d=10 kmd = 10\,\mathrm{km}. Sua recorrência é log⁡10N(≥M)=4.0−1.0 M\log_{10} N(\geq M) = 4.0 - 1.0\,M por ano para M≥5M \geq 5, truncada em Mmax⁡=7.5M_{\max} = 7.5. O abalo segue a GMPE (28.3) com σ=0.230\sigma = 0.230. Acima da cidade, uma camada de solo de 3 m3\,\mathrm{m} de espessura repousa sobre uma encosta de 30∘30{}^{\circ}, com γ=19 kN m−3\gamma = 19\,\mathrm{kN}\,\mathrm{m}^{-3}, c′=4 kPac' = 4\,\mathrm{kPa} e φ′=34∘\varphi' = 34{}^{\circ}; a água tem peso específico 9.81 kN m−39.81\,\mathrm{kN}\,\mathrm{m}^{-3}. Arredonde a três algarismos significativos.

Parte I — Recorrência.

  1. Encontre as taxas anuais de terremotos de magnitude pelo menos 5, 6 e 7, ignorando a truncagem.
  2. Dê os períodos de retorno correspondentes.
  3. Com a truncagem, encontre a taxa de terremotos acima de 7.5, e a taxa dos que ficam entre 7 e 7.5.
  4. Encontre as taxas das classes de magnitude 5–6 e 6–7.
  5. Qual é a probabilidade de pelo menos um terremoto de magnitude 6 ou mais em 50 anos?
  6. E de magnitude 7 ou mais?

Parte II — O movimento do solo na cidade.

  1. Encontre rr, e o termo de distância −0.778log⁡10r-0.778\log_{10} r.
  2. Represente as três classes pelas magnitudes 5.5, 6.5 e 7.25. Encontre o log⁡10PGA\log_{10}\mathrm{PGA} mediano e a PGA mediana de cada uma.
  3. Encontre a PGA excedida com uma probabilidade de 16 %16\,\% por uma magnitude 6.5.
  4. Qual é a probabilidade de que uma magnitude 6.5 produza mais de 0.3 g0.3\,\mathrm{g}?
  5. Qual é a PGA mediana do maior terremoto possível?

Parte III — A curva de ameaça.

  1. Encontre a taxa anual de excedência de 0.2 g0.2\,\mathrm{g}, somada sobre as três classes.
  2. O mesmo para 0.3 g0.3\,\mathrm{g}.
  3. O mesmo para 0.4 g0.4\,\mathrm{g}.
  4. Que taxa anual corresponde a 10 %10\,\% em 50 anos?
  5. Entre quais dos três níveis fica essa taxa?
  6. Interpolando linearmente em ln⁡λ\ln\lambda em função de ln⁡a\ln a, encontre a PGA com uma chance de 10 %10\,\% de excedência em 50 anos.
  7. Que classes contribuem mais para a taxa a 0.3 g0.3\,\mathrm{g}? Comente, usando a resposta à questão 11.

Parte IV — A encosta acima da cidade.

  1. Encontre o fator de segurança da encosta seca.
  2. Encontre-o quando a camada está saturada, com o nível freático na superfície (ru=γwcos⁡2β/γr_u = \gamma_w\cos^2\beta/\gamma).
  3. Até que fração da espessura da camada o nível freático pode subir antes que a encosta rompa?
  4. Numa análise pseudoestática (admitida), o abalo acrescenta uma força horizontal kWkW. Encontre o kk crítico da encosta seca, para o qual F=1F = 1.
  5. Tomando kk igual à PGA em unidades de gg, que magnitude produz o valor crítico como sua mediana na cidade? Compare com a resposta à questão 17.
  6. Em resumo: qual é a aceleração de pico do solo com uma chance de 10 %10\,\% de ser excedida em 50 anos na cidade?
Solução

Solução de Problema 28.1.

Os logaritmos são mantidos com quatro casas decimais nas etapas intermediárias. 1. 104−5=0.110^{4-5} = 0.1, 104−6=0.0110^{4-6} = 0.01 e 104−7=0.00110^{4-7} = 0.001 por ano. 2. 10, 100 e 1000 anos. 3. 104−7.5=3.16×10−410^{4-7.5} = 3.16 \times 10^{-4} por ano; 0.001−3.16×10−4=6.84×10−40.001 - 3.16 \times 10^{-4} = 6.84 \times 10^{-4} por ano. 4. 0.1−0.01=0.090.1 - 0.01 = 0.09 e 0.01−0.001=0.0090.01 - 0.001 = 0.009 por ano. 5. 1−e−0.01×50=0.3931 - e^{-0.01 \times 50} = 0.393. 6. 1−e−0.001×50=0.04881 - e^{-0.001 \times 50} = 0.0488. 7. r=102+5.572=11.45 kmr = \sqrt{10^2 + 5.57^2} = 11.45\,\mathrm{km}; log⁡10r=1.0588\log_{10} r = 1.0588 e −0.778×1.0588=−0.8237-0.778 \times 1.0588 = -0.8237. 8. μ=−0.105+0.229(M−6)−0.8237\mu = -0.105 + 0.229(M - 6) - 0.8237: −1.0432-1.0432, −0.8142-0.8142 e −0.6424-0.6424; medianas 0.0905, 0.153 e 0.228 g0.228\,\mathrm{g}. 9. 10−0.8142+0.230=0.260 g10^{-0.8142 + 0.230} = 0.260\,\mathrm{g}. 10. z=(log⁡100.3+0.8142)/0.230=(−0.5229+0.8142)/0.230=1.266z = (\log_{10} 0.3 + 0.8142)/0.230 = (-0.5229 + 0.8142)/0.230 = 1.266, e 1−Φ(1.266)=0.1031 - \Phi(1.266) = 0.103. 11. −0.105+0.229×1.5−0.8237=−0.5852-0.105 + 0.229 \times 1.5 - 0.8237 = -0.5852: 0.260 g0.260\,\mathrm{g}. 12. As probabilidades de exceder 0.2 g0.2\,\mathrm{g} (log⁡100.2=−0.6990\log_{10} 0.2 = -0.6990) são 0.0672 (z=1.497z = 1.497), 0.308 (z=0.501z = 0.501) e 0.597 (z=−0.246z = -0.246): λ=0.09×0.0672+0.009×0.308+6.84×10−4×0.597=6.05×10−3+2.77×10−3+4.08×10−4=9.23×10−3\lambda = 0.09 \times 0.0672 + 0.009 \times 0.308 + 6.84 \times 10^{-4} \times 0.597 = 6.05 \times 10^{-3} + 2.77 \times 10^{-3} + 4.08 \times 10^{-4} = 9.23 \times 10^{-3} por ano. 13. Para 0.3 g0.3\,\mathrm{g}: z=2.262z = 2.262, 1.266 e 0.520, probabilidades 0.0118, 0.103 e 0.302; λ=1.07×10−3+9.24×10−4+2.06×10−4=2.20×10−3\lambda = 1.07 \times 10^{-3} + 9.24 \times 10^{-4} + 2.06 \times 10^{-4} = 2.20 \times 10^{-3} por ano. 14. Para 0.4 g0.4\,\mathrm{g} (log⁡100.4=−0.3979\log_{10} 0.4 = -0.3979): z=2.805z = 2.805, 1.810 e 1.063, probabilidades 0.00251, 0.0352 e 0.144; λ=2.26×10−4+3.17×10−4+9.84×10−5=6.41×10−4\lambda = 2.26 \times 10^{-4} + 3.17 \times 10^{-4} + 9.84 \times 10^{-5} = 6.41 \times 10^{-4} por ano. 15. −ln⁡0.9/50=2.107×10−3-\ln 0.9/50 = 2.107 \times 10^{-3} por ano, um período de retorno de 475 anos. 16. Entre 0.3 g0.3\,\mathrm{g} (2.20×10−32.20 \times 10^{-3}) e 0.4 g0.4\,\mathrm{g} (6.41×10−46.41 \times 10^{-4}). 17. A inclinação é ln⁡(6.41/22.0)/ln⁡(4/3)=−1.233/0.2877=−4.29\ln(6.41/22.0)/\ln(4/3) = -1.233/0.2877 = -4.29, e a=0.3×(2.107/2.20)−1/4.29=0.3×1.0101=0.303 ga = 0.3 \times (2.107/2.20)^{-1/4.29} = 0.3 \times 1.0101 = 0.303\,\mathrm{g}. 18. A 0.3 g0.3\,\mathrm{g}, a classe 5–6 dá 48.5 %48.5\,\% da taxa, a 6–7 42.1 %42.1\,\% e a 7–7.5 apenas 9.4 %9.4\,\%. Mesmo o maior terremoto tem uma mediana de 0.260 g0.260\,\mathrm{g}, abaixo de 0.3 g0.3\,\mathrm{g}: o nível só é atingido na cauda superior da dispersão, e são os terremotos moderados frequentes que fornecem a maior parte dele. 19. 4/(19×3×0.4330)+tan⁡34∘/tan⁡30∘=0.162+1.168=1.334/(19 \times 3 \times 0.4330) + \tan34{}^{\circ}/\tan30{}^{\circ} = 0.162 + 1.168 = 1.33. 20. ru=9.81×0.75/19=0.387r_u = 9.81 \times 0.75/19 = 0.387; F=[4+57×(0.75−0.387)×0.6745]/(57×0.4330)=17.95/24.68=0.727F = [4 + 57 \times (0.75 - 0.387) \times 0.6745]/(57 \times 0.4330) = 17.95/24.68 = 0.727: a encosta saturada rompe. 21. Com o nível freático a uma fração mm da espessura, ru=0.387 mr_u = 0.387\,m. F=1F = 1 quando 0.75−0.387 m=(24.68−4)/(57×0.6745)=0.5380.75 - 0.387\,m = (24.68 - 4)/(57 \times 0.6745) = 0.538: m=0.548m = 0.548, um nível freático a 55 %55\,\% da camada. 22. Dividindo F=1F = 1 por γz\gamma z: 0.0702+(0.75−0.4330 k)×0.6745=0.4330+0.75 k0.0702 + (0.75 - 0.4330\,k) \times 0.6745 = 0.4330 + 0.75\,k, logo kc=(0.0702+0.5059−0.4330)/(0.2921+0.75)=0.1431/1.042=0.137k_c = (0.0702 + 0.5059 - 0.4330)/(0.2921 + 0.75) = 0.1431/1.042 = 0.137. 23. log⁡100.137=−0.8633=−0.105+0.229(M−6)−0.8237\log_{10} 0.137 = -0.8633 = -0.105 + 0.229(M - 6) - 0.8237 dá M=6.29M = 6.29. Esses terremotos ocorrem a 104−6.29−10−3.5=4.81×10−310^{4 - 6.29} - 10^{-3.5} = 4.81 \times 10^{-3} por ano, cerca de uma vez em 208 anos, e a PGA de 475 anos da questão 17 é mais que o dobro dos 0.137 g0.137\,\mathrm{g} críticos: segundo esta análise, a encosta seca rompe com um abalo muito inferior ao movimento de 475 anos. 24. A aceleração de pico do solo com uma chance de 10 %10\,\% de ser excedida em 50 anos na cidade é de 0.303 g0.303\,\mathrm{g}.

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