地球与空间科学 · 第 4 册 · 本科二年级

Ciências da Terra e do espaço universitárias — 2.º ano

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Ciências da Terra e do espaço universitárias — 2.º ano · 本科二年级

8A diferenciação magmática

Em 20 de fevereiro de 1943, um vulcão entrou em erupção no oeste do México, e a erupção continuou durante nove anos. Suas primeiras lavas foram andesitos basálticos com 55 %55\,\% de sílica; as últimas, em fevereiro de 1952, andesitos com pouco mais de 60 %60\,\%. O vulcão, o Parícutin, não mudou de fonte nesse meio-tempo, e suas lavas foram analisadas uma após a outra à medida que saíam. O magma sob ele mudou por si mesmo: formou cristais e os deixou para trás, e assimilou parte da rocha granítica ao seu redor. Um magma que deixa o manto como basalto pode terminar como riolito, e as rochas que ele deixa pelo caminho registram como isso aconteceu. Este capítulo acompanha um magma enquanto ele se resfria: a ordem em que os minerais cristalizam, as leis que dizem como os elementos maiores e os elementos-traço mudam quando cristais são removidos, as rochas construídas com esses cristais, e o que acontece quando o magma incorpora outro magma ou a crosta.

O que você já sabe

Do volume do ensino médio: as rochas ígneas e suas texturas; a ordem em que os minerais cristalizam a partir de um magma basáltico, a olivina primeiro e o quartzo por último, encontrada pelos experimentos de Bowen. Do volume do segundo ano dos livros de química: os diagramas de fase binários, as soluções sólidas e a regra da alavanca. Do volume do primeiro ano: o plagioclásio, uma solução sólida entre a anortita CaAlX2SiX2OX8\ce{CaAl2Si2O8} e a albita NaAlSiX3OX8\ce{NaAlSi3O8}, e os outros silicatos formadores de rochas; as lâminas delgadas entre polarizadores cruzados. Do Capítulo 3: os coeficientes de partição mineral–fundido e global, Dˉ=∑ixiDi\bar D = \sum_i x_i D_i, os elementos compatíveis e incompatíveis, os diagramas normalizados e a anomalia de európio. Do Capítulo 4: as razões isotópicas como traçadores e a hipérbole de mistura. Do Capítulo 7: o eutético diopsídio–anortita, a fusão incongruente, os diagramas ternários e os magmas primários.

8.1 Sequências de cristalização

Um magma basáltico não cristaliza todos os seus minerais de uma vez. Bowen verificou experimentalmente que a olivina normalmente cristaliza primeiro, entre 1200 e 1300 ∘C1300\,{}^{\circ}\mathrm{C}; que o plagioclásio rico em cálcio começa mais ou menos quando começa o piroxênio; e que o último líquido, rico em sílica, dá feldspato potássico, quartzo e talvez muscovita, por volta de 750 a 800 ∘C800\,{}^{\circ}\mathrm{C}. Entre os dois, os minerais máficos não simplesmente se acumulam: cada um reage com o líquido para dar o seguinte.

Definição 8.1 (Série de reações de Bowen)

A série de reações de Bowen é a ordem em que os silicatos comuns cristalizam a partir de um magma basáltico que se resfria, como dois ramos que se encontram no final. No ramo descontínuo, cada mineral máfico reage com o líquido para formar um novo mineral de outra estrutura: olivina, piroxênio, anfibólio, biotita. No ramo contínuo, o plagioclásio cristaliza durante todo o processo, com sua composição variando continuamente de rica em cálcio a rica em sódio. O último líquido cristaliza feldspato potássico, muscovita e quartzo.

A série de reações de Bowen. A olivina e o plagioclásio rico em cálcio cristalizam primeiro a partir de um magma basáltico; à esquerda, cada mineral máfico reage com o líquido para dar o seguinte; à direita, o plagioclásio fica cada vez mais rico em sódio; o último líquido, rico em sílica, dá feldspato potássico, muscovita e quartzo. As temperaturas são valores típicos para um magma basáltico a baixa pressão.
A série de reações de Bowen. A olivina e o plagioclásio rico em cálcio cristalizam primeiro a partir de um magma basáltico; à esquerda, cada mineral máfico reage com o líquido para dar o seguinte; à direita, o plagioclásio fica cada vez mais rico em sódio; o último líquido, rico em sílica, dá feldspato potássico, muscovita e quartzo. As temperaturas são valores típicos para um magma basáltico a baixa pressão.

Os dois ramos correspondem aos dois tipos de diagrama de fase do Capítulo 7. Uma reação descontínua é a fusão incongruente da enstatita percorrida ao contrário: cristais de forsterita reagem com um líquido mais rico em sílica para dar enstatita. O ramo contínuo é uma solução sólida. Bowen a mediu em 1913 em plagioclásios sintéticos, mantendo cada composição a uma temperatura conhecida e procurando vidro e cristais: a anortita funde a 1550 ∘C1550\,{}^{\circ}\mathrm{C}, a albita a cerca de 1100 ∘C1100\,{}^{\circ}\mathrm{C}, e todo plagioclásio intermediário funde em um intervalo entre uma curva inferior, o solidus, e uma superior, o liquidus (a figura abaixo).

Os feldspatos plagioclásios à pressão atmosférica, segundo os experimentos de têmpera de Bowen (1913): início (círculos) e fim (pontos) da fusão, com curvas traçadas pelas medidas. Em vermelho, a cristalização em equilíbrio de um líquido com 50\,\% de anortita: o primeiro cristal, a 1450\, C, tem 81\,\% de anortita; a 1394\, C, cristais com 71\,\% coexistem com um líquido com 33\,\%; o último líquido, a 1287\, C, tem 14\,\% ().
Os feldspatos plagioclásios à pressão atmosférica, segundo os experimentos de têmpera de Bowen (1913): início (círculos) e fim (pontos) da fusão, com curvas traçadas pelas medidas. Em vermelho, a cristalização em equilíbrio de um líquido com 50 %50\,\% de anortita: o primeiro cristal, a 1450 ∘C1450\,{}^{\circ}\mathrm{C}, tem 81 %81\,\% de anortita; a 1394 ∘C1394\,{}^{\circ}\mathrm{C}, cristais com 71 %71\,\% coexistem com um líquido com 33 %33\,\%; o último líquido, a 1287 ∘C1287\,{}^{\circ}\mathrm{C}, tem 14 %14\,\% (Exercício 8.1).

Um líquido que cristaliza uma solução sólida se enriquece no componente que funde à temperatura mais baixa: o primeiro plagioclásio de um líquido com 50 %50\,\% de anortita tem 81 %81\,\%, e o líquido se desloca em direção à albita. O que acontece em seguida depende de os cristais continuarem ou não a dialogar com o líquido.

Definição 8.2 (Cristalização em equilíbrio e cristalização fracionada)

Na cristalização em equilíbrio, os cristais permanecem em equilíbrio químico com a totalidade do líquido até o fim, reequilibrando-se à medida que o líquido muda; o sistema termina com a composição com que começou. Na cristalização fracionada, cada cristal, uma vez formado, é retirado da reação com o líquido, por decantação, por ser colado às paredes da câmara ou por ser encapsulado por um crescimento posterior; o líquido evolui então como se os cristais tivessem sido retirados do sistema.

Na cristalização em equilíbrio, o plagioclásio da figura acima passa de 81 %81\,\% a 50 %50\,\% de anortita à medida que cresce, cada cristal se reequilibrando por difusão com o líquido, e o último líquido desaparece no solidus, a 1287 ∘C1287\,{}^{\circ}\mathrm{C}. A difusão no feldspato é lenta, e os cristais naturais raramente acompanham: o interior de cada cristal fica isolado do líquido, que então se comporta como na cristalização fracionada e pode chegar a composições próximas da albita. A figura da última seção deste capítulo calcula os dois caminhos.

Definição 8.3 (Linha de descida do líquido)

A linha de descida do líquido de um magma é a sequência das composições assumidas por seu líquido à medida que ele cristaliza, lançada em um diagrama de variação ou em um diagrama de fase.

Uma linha de descida do líquido é uma propriedade apenas do líquido. As lavas emitidas com cristais não ficam exatamente sobre ela, e Wilcox, estudando as lavas do Parícutin, usou tanto suas análises de rocha total quanto as composições de sua matriz, a parte líquida, calculadas removendo-se os cristais.

8.2 Cristalização fracionada dos elementos maiores

Remover cristais altera a composição do líquido de maneira simples e linear, e a ferramenta mais antiga para lê-la é um gráfico de cada óxido em função da sílica.

Definição 8.4 (Diagrama de Harker)

Um diagrama de Harker (diagrama de variação em sílica) lança a porcentagem em massa de cada óxido de uma suíte de rochas aparentadas em função de sua porcentagem em massa de SiOX2\ce{SiO2}, um painel por óxido.

As lavas do Parícutin mostram tais tendências (os diagramas de Harker depois da próxima proposição): à medida que a sílica aumenta, a magnésia, a cal e a alumina diminuem e a potassa aumenta. É o que faria a remoção de olivina e de plagioclásio: a olivina retira magnésia e ferro, o plagioclásio cal e alumina, e ambos deixam o líquido mais rico em sílica e em álcalis. Saber se a remoção de minerais conhecidos pode explicar quantitativamente as tendências é uma questão de balanço de massa.

Proposição 8.5 (Balanço de massa da remoção de cristais)

Suponha-se que um magma parental de composição p\mathbf p (um vetor de frações em massa de óxidos) cristalize minerais de composições m1,…,mk\mathbf m_1, \dots, \mathbf m_k em massas x1,…,xkx_1, \dots, x_k por unidade de massa de magma parental, e seja d\mathbf d a composição do líquido restante. Então

p=(1−∑ixi)d+∑iximi.\mathbf p = \Big(1 - \sum_i x_i\Big)\mathbf d + \sum_i x_i \mathbf m_i .

Para um único mineral, o magma parental fica sobre o segmento de reta que une o líquido e o mineral em todo diagrama de variação, e a fração em massa removida é x=(pj−dj)/(mj−dj)x = (p_j - d_j)/(m_j - d_j) para qualquer óxido jj: a regra da alavanca.

Demonstração. Todo óxido se conserva: a massa pjp_j do óxido jj em uma unidade de massa de magma parental termina ou no líquido, de massa 1−∑ixi1 - \sum_i x_i e concentração djd_j, ou nos minerais. Escrever isso para cada jj dá a equação vetorial. Com um único mineral, ela se escreve p=(1−x)d+xm\mathbf p = (1-x)\mathbf d + x\mathbf m, um ponto do segmento de d\mathbf d a m\mathbf m que o divide na razão x:(1−x)x : (1-x), em qualquer par de eixos; resolver uma componente dá xx. ∎

Diagramas de Harker das 22 lavas do Parícutin analisadas por Wilcox (1954), emitidas de fevereiro de 1943 (sílica mais baixa) a fevereiro de 1952. À medida que a sílica aumenta cinco por cento, a magnésia, a cal e a alumina diminuem e a potassa quase dobra.
Diagramas de Harker das 22 lavas do Parícutin analisadas por Wilcox (1954), emitidas de fevereiro de 1943 (sílica mais baixa) a fevereiro de 1952. À medida que a sílica aumenta cinco por cento, a magnésia, a cal e a alumina diminuem e a potassa quase dobra.

Com vários minerais, as massas são encontradas resolvendo as equações de conservação de outros tantos óxidos. Wilcox fez isso graficamente em 1954; hoje é um pequeno sistema linear.

Método 8.6 (Balanço de massa por mínimos quadrados)

Para testar se um líquido derivado d\mathbf d provém de um magma parental p\mathbf p pela remoção dos minerais m1,…,mk\mathbf m_1, \dots, \mathbf m_k (e pela adição, se necessário, de uma rocha assimilada, introduzida com massa negativa): (1) para cada óxido jj, escreva-se a conservação da proposição reorganizada como uma equação linear nas massas removidas por 100 g100\,\mathrm{g} de magma parental,

∑ixi (mij−dj)=100 (pj−dj);\sum_i x_i\,(m_{ij} - d_j) = 100\,(p_j - d_j);

(2) com exatamente kk óxidos, escolhidos entre os que os minerais mais alteram, resolva-se o sistema k×kk \times k; com mais óxidos, resolva-se por mínimos quadrados (minimizando a soma dos quadrados das diferenças entre os dois membros); (3) recalcule-se o líquido derivado a partir das massas encontradas e compare-se com a análise, óxido por óxido: resíduos maiores que os erros analíticos, ou uma massa negativa para um mineral, rejeitam o modelo.

Wilcox escolheu a sílica, a alumina e a magnésia como seus três controles, e três materiais: olivina de composição Fo80_{80}, plagioclásio An70_{70} e a média de quatro xenólitos graníticos (72.5 %72.5\,\% de SiOX2\ce{SiO2}, 3.6 %3.6\,\% de KX2O\ce{K2O}) encontrados nas lavas. Ele mostrou que nenhuma combinação de olivina e plagioclásio sozinhos se ajusta à série, e que acrescentar 25.4 g25.4\,\mathrm{g} de xenólito e remover 2.9 g2.9\,\mathrm{g} de olivina e 9.6 g9.6\,\mathrm{g} de plagioclásio de 100 g100\,\mathrm{g} da matriz da primeira lava dá 112.9 g112.9\,\mathrm{g} de um material próximo da matriz da lava de 1950. Resolver exatamente suas três equações dá 24.6 g24.6\,\mathrm{g}, 3.1 g3.1\,\mathrm{g} e 9.9 g9.9\,\mathrm{g}; os mínimos quadrados sobre sete óxidos dão uma resposta diferente, 28.7 g28.7\,\mathrm{g}, 2.4 g2.4\,\mathrm{g} e 5.7 g5.7\,\mathrm{g}, o que lembra que tais resultados dependem dos controles escolhidos. De um modo ou de outro, o magma incorporou mais granito do que cristalizou. As lavas do Parícutin registram um sistema aberto, o assunto da última seção.

8.3 Os elementos-traço

Um elemento-traço não altera os minerais que cristalizam; ele os acompanha, com seu coeficiente de partição global Dˉ\bar D (Capítulo 3), aqui escrito DD, entre os cristais que se formam a cada momento e o líquido.

Teorema 8.7 (Lei de fracionamento de Rayleigh)

Na cristalização fracionada perfeita com um coeficiente de partição global constante DD, a concentração de um elemento-traço no líquido é

CLC0=F D−1,\frac{C_L}{C_0} = F^{\,D-1},

onde C0C_0 é sua concentração no líquido inicial e FF a fração em massa de líquido restante. Esta é a lei de fracionamento de Rayleigh.

Demonstração. Seja MM a massa de líquido. Quando uma pequena massa −dM>0-\mathrm dM > 0 de cristais se forma, em equilíbrio com o líquido apenas naquele momento, ela leva o elemento à concentração DCLDC_L. A massa do elemento no líquido, MCLMC_L, varia portanto de d(MCL)=DCL dM\mathrm d(MC_L) = DC_L\,\mathrm dM. Desenvolvendo, M dCL=(D−1)CL dMM\,\mathrm dC_L = (D-1)C_L\, \mathrm dM, logo dCL/CL=(D−1) dM/M\mathrm dC_L/C_L = (D-1)\,\mathrm dM/M. Integrar a partir de M0M_0, onde CL=C0C_L = C_0, dá ln⁡(CL/C0)=(D−1)ln⁡(M/M0)\ln(C_L/C_0) = (D-1)\ln(M/M_0), e F=M/M0F = M/M_0. ∎

Proposição 8.8 (Cristalização em equilíbrio de um elemento-traço)

Se os cristais permanecem em equilíbrio com o líquido, CL/C0=1/(D+F(1−D))C_L/C_0 = 1/(D + F(1-D)).

Demonstração. Toda a massa cristalina 1−F1-F (por unidade de massa inicial) contém DCLDC_L, de modo que a conservação da massa do elemento se escreve C0=FCL+(1−F)DCLC_0 = FC_L + (1-F)DC_L. ∎

Corolário 8.9 (Razões de elementos incompatíveis)

Para dois elementos de coeficientes de partição D1D_1 e D2D_2, a razão entre suas concentrações no líquido muda pelo fator F D1−D2F^{\,D_1-D_2} na cristalização fracionada. Se ambos são fortemente incompatíveis (D1,D2≪1D_1, D_2 \ll 1), a razão quase não muda: conserva o valor do magma parental, e portanto de sua fonte.

Demonstração. Dividam-se as duas leis de Rayleigh: (C1/C2)/(C1,0/C2,0)=FD1−1/FD2−1(C_1/C_2)/(C_{1,0}/C_{2,0}) = F^{D_1-1}/F^{D_2-1}; para F=0.5F = 0.5 e D1−D2=0.05D_1 - D_2 = 0.05, o fator é 0.50.05=0.970.5^{0.05} = 0.97. ∎

Concentração de um elemento-traço no líquido em função da fração de líquido restante, para coeficientes de partição globais de 0.01 a 10: cristalização fracionada (linhas cheias, lei de Rayleigh) e cristalização em equilíbrio (tracejadas, para D = 0.01, 0.1, 2 e 10). Os elementos incompatíveis aumentam no máximo como 1/F; os elementos compatíveis despencam, tanto mais depressa quanto maior for D, e a cristalização fracionada os remove quase completamente.
Concentração de um elemento-traço no líquido em função da fração de líquido restante, para coeficientes de partição globais de 0.01 a 10: cristalização fracionada (linhas cheias, lei de Rayleigh) e cristalização em equilíbrio (tracejadas, para D=0.01D = 0.01, 0.1, 2 e 10). Os elementos incompatíveis aumentam no máximo como 1/F1/F; os elementos compatíveis despencam, tanto mais depressa quanto maior for DD, e a cristalização fracionada os remove quase completamente.

A figura acima se lê em dois sentidos. Os elementos incompatíveis (D≪1D \ll 1) se comportam quase da mesma forma: sua concentração aumenta quase como 1/F1/F, de modo que um líquido enriquecido dez vezes em zircônio cristalizou cerca de nove décimos de sua massa. Os elementos compatíveis são muito mais sensíveis. O níquel entra na olivina com um coeficiente de partição de cerca de 5 nos líquidos magnesianos quentes: medido em 3.8 a 1550 ∘C1550\,{}^{\circ}\mathrm{C} e em 5.0 a 1400 ∘C1400\,{}^{\circ}\mathrm{C}, ele aumenta cerca de 0.8 a cada 100 ∘C100\,{}^{\circ}\mathrm{C} de resfriamento; o estrôncio entra no plagioclásio com cerca de 2.7; um basalto que cristaliza um quinto de sua massa como olivina perde mais da metade de seu níquel (Exercício 8.5). O níquel é portanto o registro mais sensível do fracionamento da olivina, e um basalto rico em níquel está próximo de um magma primário (Capítulo 7).

Duas observações fixam o alcance dessas leis. Primeiro, DD não é uma constante: ele muda quando um novo mineral se junta à assembleia que cristaliza, e a lei é então aplicada por etapas (Exercício 8.12). Segundo, as mesmas equações, com os papéis do sólido e do líquido trocados, descrevem a fusão de uma fonte; como a fusão em lote e a fusão fracionada fracionam os elementos-traço é tratado no volume do terceiro ano.

8.4 Cumulatos e intrusões acamadas

Para onde vão os cristais removidos de um magma? Em uma câmara magmática que se resfria lentamente, eles decantam em seu assoalho, crescem em suas paredes e em seu teto, e constroem rochas de um tipo particular.

Definição 8.10 (Cumulato; intrusão acamada)

Um cumulato é uma rocha ígnea formada pela acumulação de cristais (os cristais cúmulus) a partir de um magma, junto com os minerais que cresceram depois a partir do líquido aprisionado entre eles (o material intercúmulus); sua composição é a de cristais mais um pouco de líquido, e não a de um magma. Uma intrusão acamada é um grande corpo, resfriado lentamente, de cumulatos máficos ou ultramáficos dispostos em camadas, que registra a cristalização fracionada do magma que o preencheu.

A intrusão de Skaergaard, no leste da Groenlândia, com cerca de 56 Ma56\,\mathrm{Ma}, é a referência. Seus gabros acamados afloram em cerca de 11 por 8 km8\,\mathrm{km}, e registram a diferenciação ininterrupta de um basalto toleítico: uma Série Acamada cresceu no assoalho, uma Série Marginal nas paredes e no teto, e as duas se encontraram no Horizonte Sanduíche, onde o último líquido, o mais evoluído, cristalizou no interior (a figura abaixo). Os cumulatos do assoalho são divididos, da base para o topo, em uma Zona Oculta, não exposta, e nas Zonas Inferior, Média e Superior, expostas. Seus estudiosos estimaram a fração em massa FF de líquido restante quando cada nível cristalizou, ajustada ao longo da seção de referência da Série Acamada por

F=1.091×10−7 H2−5.9064×10−4 H+0.7678F = 1.091 \times 10^{-7}\,H^2 - 5.9064 \times 10^{-4}\,H + 0.7678

(HH em metros acima da base da Zona Inferior). Um quarto do magma já tinha cristalizado, nas paredes, no teto e em uma zona oculta, quando a sequência exposta do assoalho começou; o Horizonte Sanduíche, F=0F = 0, fica uns 2.2 km2.2\,\mathrm{km} acima (Exercício 8.7).

Uma intrusão acamada do tipo Skaergaard (esquemático, fora de escala). Os cumulatos cresceram para dentro a partir de todos os lados da câmara ao mesmo tempo: a Série Acamada no assoalho (laranja, com acamamento), a Série Marginal Lateral nas paredes e a Série Marginal Superior sob o teto (azul), cada uma com a mesma sucessão de zonas. Elas se encontraram no Horizonte Sanduíche, onde o último líquido cristalizou.
Uma intrusão acamada do tipo Skaergaard (esquemático, fora de escala). Os cumulatos cresceram para dentro a partir de todos os lados da câmara ao mesmo tempo: a Série Acamada no assoalho (laranja, com acamamento), a Série Marginal Lateral nas paredes e a Série Marginal Superior sob o teto (azul), cada uma com a mesma sucessão de zonas. Elas se encontraram no Horizonte Sanduíche, onde o último líquido cristalizou.

As análises de rocha total de 134 amostras ao longo dessa seção mostram as leis da seção anterior em ação (a figura abaixo). O níquel, compatível, cai de cerca de 180 ppm180\,\mathrm{ppm} nos cumulatos da Zona Inferior para 54 ppm54\,\mathrm{ppm} na Zona Média e 6 ppm6\,\mathrm{ppm} na Zona Superior. Um cumulato contém DD vezes o níquel do líquido a partir do qual cresceu, de modo que, em eixos logarítmicos, ln⁡Ni=const+(D−1)ln⁡F\ln \mathrm{Ni} = \text{const} + (D-1)\ln F: a inclinação sobre as Zonas Inferior e Média, 1.38, dá um coeficiente aparente D≈2.4D \approx 2.4. O zircônio, incompatível, quase não varia nos cumulatos: ele permanece no líquido, e só entra em um cumulato pelo líquido aprisionado, até as últimas rochas da Zona Superior, cristalizadas a partir de um líquido em que ele havia se acumulado.

Níquel e zircônio em 134 cumulatos da seção de referência da Série Acamada de Skaergaard em função da fração de fundido restante (dados de Tegner e colaboradores, 2023, CC BY 4.0). O níquel, compatível, cai por um fator trinta; o zircônio, incompatível, permanece baixo até os últimos cumulatos. A reta é o ajuste por mínimos quadrados de Ni em F sobre as Zonas Inferior e Média.
Níquel e zircônio em 134 cumulatos da seção de referência da Série Acamada de Skaergaard em função da fração de fundido restante (dados de Tegner e colaboradores, 2023, CC BY 4.0). O níquel, compatível, cai por um fator trinta; o zircônio, incompatível, permanece baixo até os últimos cumulatos. A reta é o ajuste por mínimos quadrados de ln⁡Ni\ln \mathrm{Ni} em ln⁡F\ln F sobre as Zonas Inferior e Média.

As intrusões mais espessas contêm minério: as intrusões acamadas que hospedam cromititos têm em média pelo menos 2 km2\,\mathrm{km} de espessura. O Complexo de Bushveld, na África do Sul, com (2043±11) Ma(2043 \pm 11)\,\mathrm{Ma}, cobre 60 000 a 65 000 km260\,000\text{ a }65\,000\,\mathrm{km}^{2}, e sua suíte acamada tem cerca de 5 km5\,\mathrm{km} de espessura, até 9 km9\,\mathrm{km} em alguns lugares. Sua Zona Crítica, de 1500 a 1700 m1700\,\mathrm{m} de espessura, repete ciclos de piroxenito, norito e anortosito e contém camadas de cromitito, uma rocha com mais de 90 %90\,\% de cromita; uma delas, a camada LG6, tem de 0.5 a 1.05 m1.05\,\mathrm{m} de espessura. Os modelos térmicos dão cerca de 75 00075\,000 anos ao alojamento de seus magmas e 200 000200\,000 à sua cristalização. Como se formam camadas tão finas e tão regulares, por decantação de cristais, por cristalização no lugar sobre o assoalho, por afluxos de magma novo, ainda é debatido.

À esquerda: camadas de cromitito negro e de anortosito cinza da Zona Crítica do Complexo de Bushveld, África do Sul (Kevin Walsh, CC BY 2.0). À direita: os gabros acamados da Zona Média da intrusão de Skaergaard, leste da Groenlândia, inclinados do alto à esquerda para baixo à direita (C. Tegner, CC BY 4.0).
À esquerda: camadas de cromitito negro e de anortosito cinza da Zona Crítica do Complexo de Bushveld, África do Sul (Kevin Walsh, CC BY 2.0). À direita: os gabros acamados da Zona Média da intrusão de Skaergaard, leste da Groenlândia, inclinados do alto à esquerda para baixo à direita (C. Tegner, CC BY 4.0).
À esquerda: camadas de cromitito negro e de anortosito cinza da Zona Crítica do Complexo de Bushveld, África do Sul (Kevin Walsh, CC BY 2.0). À direita: os gabros acamados da Zona Média da intrusão de Skaergaard, leste da Groenlândia, inclinados do alto à esquerda para baixo à direita (C. Tegner, CC BY 4.0).

8.5 Sistemas abertos

Uma câmara magmática raramente é fechada. Magma novo chega por baixo, e as paredes da câmara são rochas que o magma pode aquecer, fundir e dissolver.

Definição 8.11 (Mistura de magmas; assimilação crustal; AFC)

A mistura de magmas é a combinação de dois magmas de composições diferentes em um só. A assimilação crustal é a incorporação de rocha crustal a um magma, por fusão e dissolução da rocha das paredes ou de blocos caídos nele. A assimilação–cristalização fracionada (AFC) é sua combinação em uma mesma câmara: o magma cristaliza, e o calor latente liberado funde e assimila a rocha das paredes.

Proposição 8.12 (A mistura é linear nas concentrações)

Uma mistura de uma fração em massa ss do magma A e 1−s1-s do magma B tem toda concentração C=sCA+(1−s)CBC = sC_A + (1-s)C_B: em qualquer diagrama de uma concentração em função de outra, as misturas ficam sobre o segmento de reta de A a B, e a regra da alavanca dá ss.

Demonstração. Cada elemento se conserva: C(mA+mB)=mACA+mBCBC(m_A + m_B) = m_AC_A + m_BC_B; divida-se por mA+mBm_A + m_B. ∎

A mistura e a remoção de cristais traçam ambas retas nos diagramas de Harker; as razões isotópicas as distinguem. A cristalização não altera uma razão isotópica, ao passo que a mistura com uma rocha de razão diferente a altera, ao longo da hipérbole do Capítulo 4. Um aumento de 87^{87}Sr/86^{86}Sr com a sílica em uma suíte vulcânica é portanto a marca da assimilação.

Proposição 8.13 (Assimilação com cristalização fracionada)

Um magma cristaliza cristais de coeficiente de partição global DD para um elemento e assimila rocha das paredes de concentração CaC_a a uma taxa igual a rr vezes a taxa de cristalização (r≠1r \ne 1). Sendo FF a massa de magma relativa à sua massa inicial e z=(r+D−1)/(r−1)z = (r + D - 1)/(r - 1),

CC0=F−z+rr−1+D CaC0 (1−F−z).\frac{C}{C_0} = F^{-z} + \frac{r}{r - 1 + D}\,\frac{C_a}{C_0}\,\bigl(1 - F^{-z}\bigr).

Para r=0r = 0, esta é a lei de Rayleigh. A razão isotópica do elemento no magma é a média da do magma inicial e da da rocha das paredes, ponderada pelos dois termos desta soma.

Demonstração. Por unidade de massa inicial, quando uma massa dmc\mathrm dm_c cristaliza, uma massa r dmcr\,\mathrm dm_c é assimilada e a massa de magma varia de dM=−(1−r) dmc\mathrm dM = -(1-r)\,\mathrm dm_c. O balanço do elemento é d(MC)=rCa dmc−DC dmc\mathrm d(MC) = rC_a\,\mathrm dm_c - DC\,\mathrm dm_c. Desenvolvendo o membro da esquerda e substituindo dmc\mathrm dm_c por −dM/(1−r)-\mathrm dM/(1-r),

MdCdM=−C−rCa−DC1−r=(r−1+D) C−rCa1−r=−z (C−C∗),C∗=rCar−1+D.M\frac{\mathrm dC}{\mathrm dM} = -C - \frac{rC_a - DC}{1-r} = \frac{(r - 1 + D)\,C - rC_a}{1 - r} = -z\,\bigl(C - C^*\bigr), \qquad C^* = \frac{rC_a}{r - 1 + D}.

Assim, d(C−C∗)/(C−C∗)=−z dM/M\mathrm d(C - C^*)/(C - C^*) = -z\,\mathrm dM/M, e C−C∗C - C^* é proporcional a M−zM^{-z}; com C=C0C = C_0 em M=1M = 1, C=C∗+(C0−C∗)F−zC = C^* + (C_0 - C^*)F^{-z}, que é a fórmula. Para r=0r = 0, z=1−Dz = 1 - D e C∗=0C^* = 0. Os átomos que vêm do magma inicial obedecem à mesma equação com Ca=0C_a = 0, de modo que sua concentração é C0F−zC_0F^{-z}; o resto vem da parede: daí a ponderação das razões isotópicas. ∎

DePaolo deu essas equações em 1981, e elas são o modelo padrão de um magma contaminado em sua passagem pela crosta. Elas escondem uma restrição térmica. O calor para assimilar rocha vem do calor latente dos cristais: aquecer crosta de 150 a 1150 ∘C1150\,{}^{\circ}\mathrm{C} exige cerca de 1 kJ/g1\,\mathrm{kJ}/\mathrm{g}, fundi-la 300 J/g300\,\mathrm{J}/\mathrm{g}, enquanto o magma que cristaliza fornece cerca de 400 J/g400\,\mathrm{J}/\mathrm{g}; assim, uns 3.25 g3.25\,\mathrm{g} de magma precisam cristalizar para cada grama de rocha assimilada, e rr fica bem abaixo de 1. Wilcox fez o mesmo cálculo para o Parícutin: seus 25.4 g25.4\,\mathrm{g} de quartzo-monzonito, tomados a cerca de 200 ∘C200\,{}^{\circ}\mathrm{C}, precisavam de uns 31 350 J31\,350\,\mathrm{J} para serem aquecidos a 1100 ∘C1100\,{}^{\circ}\mathrm{C} e fundidos, o calor da cristalização de cerca de 85 g85\,\mathrm{g} de plagioclásio, muito mais que os 12.5 g12.5\,\mathrm{g} de cristais que seu balanço de massa removia. O magma emitido não poderia ter pago sua própria assimilação: o calor deve ter vindo de um corpo de magma maior que aquele que entrou em erupção, cristalizando longe da vista (Exercício 8.11).

Assimilação com cristalização fracionada para o estrôncio (D = 1.5, rocha das paredes com metade do estrôncio do magma e 87Sr/86Sr = 0.7200, magma 0.7035; valores ilustrativos). À esquerda: a concentração cai mais depressa à medida que a taxa de assimilação r aumenta, já que a rocha das paredes traz menos estrôncio e mais cristais se formam para o mesmo F. À direita: a razão isotópica, inalterada pela cristalização sozinha (r = 0), sobe em direção à da parede.
Assimilação com cristalização fracionada para o estrôncio (D=1.5D = 1.5, rocha das paredes com metade do estrôncio do magma e 87^{87}Sr/86^{86}Sr = 0.7200, magma 0.7035; valores ilustrativos). À esquerda: a concentração cai mais depressa à medida que a taxa de assimilação rr aumenta, já que a rocha das paredes traz menos estrôncio e mais cristais se formam para o mesmo FF. À direita: a razão isotópica, inalterada pela cristalização sozinha (r=0r = 0), sobe em direção à da parede.

8.6 Ler cristais zonados

Definição 8.14 (Zonação composicional)

Um cristal de uma solução sólida apresenta zonação composicional quando sua composição varia do núcleo à borda, registrando o líquido em mudança a partir do qual cresceram as camadas sucessivas. A zonação é normal quando a borda é mais rica no componente de baixa temperatura (o sódio no plagioclásio), inversa quando é mais rica no de alta temperatura, e oscilatória quando alterna.

Um cristal zonado é a cristalização fracionada apanhada em flagrante: seu núcleo não se reequilibrou com o líquido posterior. A figura abaixo calcula, sobre o fuso de Bowen, o plagioclásio que cresce a partir de um líquido com 50 %50\,\% de anortita. Em equilíbrio, os cristais permanecem homogêneos e terminam com 50 %50\,\%; na cristalização fracionada perfeita, cada nova camada está em equilíbrio com um líquido cada vez mais sódico, e a borda dos últimos cristais é quase albita pura. A zonação normal, de núcleo cálcico a borda sódica, é o que a série de Bowen prevê para um magma que se resfria. Uma zona inversa, uma faixa cálcica por fora de uma faixa sódica, diz que o cristal foi subitamente banhado por um líquido mais quente ou mais cálcico: muitas vezes a chegada de magma novo, a mistura na câmara.

Plagioclásio que cristaliza a partir de um líquido com 50\,\% de anortita, calculado sobre o fuso de Bowen (1913). Na cristalização fracionada, as camadas sucessivas dos cristais, do núcleo (à esquerda) à borda (à direita), ficam cada vez mais sódicas, e o líquido chega à albita quando cerca de 82\,\% cristalizaram; na cristalização em equilíbrio, os cristais permanecem uniformes e terminam com a composição do líquido de onde vieram.
Plagioclásio que cristaliza a partir de um líquido com 50 %50\,\% de anortita, calculado sobre o fuso de Bowen (1913). Na cristalização fracionada, as camadas sucessivas dos cristais, do núcleo (à esquerda) à borda (à direita), ficam cada vez mais sódicas, e o líquido chega à albita quando cerca de 82 %82\,\% cristalizaram; na cristalização em equilíbrio, os cristais permanecem uniformes e terminam com a composição do líquido de onde vieram.

No laboratório — Ler cristais zonados

Os petrólogos leem a zonação primeiro entre polarizadores cruzados, onde as zonas de um plagioclásio se extinguem em ângulos ligeiramente diferentes e aparecem como faixas concêntricas. Em seguida, eles a medem: uma microssonda eletrônica (Capítulo 31) analisa pontos de alguns micrômetros ao longo de um perfil do núcleo à borda, e mapas de cálcio e de sódio mostram as zonas diretamente. A partir de tal perfil, eles calculam a composição do líquido a partir do qual cada zona cresceu, com o fuso da figura acima ou com coeficientes de partição, e contam as zonas inversas como o número de recargas da câmara. Os elementos-traço medidos ao longo do mesmo perfil por ablação a laser, e as razões isotópicas medidas zona por zona, separam cristalização, mistura e assimilação na história de um único cristal.

8.7 Exercícios

Exercício 8.1 ★

Use as medidas de Bowen sobre os plagioclásios (solidus / liquidus, ∘C{}^{\circ}\mathrm{C}): An100_{100} 1550 / 1550; An83.3_{83.3} 1465 / 1521; An66.7_{66.7} 1372 / 1490; An50_{50} 1287 / 1450; An33.3_{33.3} 1205 / 1394; An20_{20} liquidus 1334; An11.1_{11.1} liquidus 1265, e interpole linearmente entre pontos vizinhos. Um líquido com 50 %50\,\% de anortita se resfria em equilíbrio. (a) A que temperatura ele começa a cristalizar, e qual é a composição do primeiro cristal? (b) A 1394 ∘C1394\,{}^{\circ}\mathrm{C}, quais são as composições do líquido e dos cristais, e que fração em massa cristalizou (use as frações molares como se fossem frações em massa)? (c) Qual é a composição da última gota de líquido?

Solução

Solução de Exercício 8.1.

(a) O liquidus de An50_{50} é 1450 ∘C1450\,{}^{\circ}\mathrm{C}. O primeiro cristal fica sobre o solidus a essa temperatura, entre An66.7_{66.7} (1372) e An83.3_{83.3} (1465): 66.7+16.6×(1450−1372)/(1465−1372)=66.7+13.9=80.6 %66.7 + 16.6\times(1450 - 1372)/(1465 - 1372) = 66.7 + 13.9 = 80.6\,\% de anortita. (b) A 1394 ∘C1394\,{}^{\circ}\mathrm{C}, o líquido está sobre o liquidus, An33.3_{33.3}; os cristais, sobre o solidus, 66.7+16.6×22/93=70.6 %66.7 + 16.6\times22/93 = 70.6\,\%. Pela regra da alavanca, a fração cristalizada é (50−33.3)/(70.6−33.3)=16.7/37.3=0.448(50 - 33.3)/(70.6 - 33.3) = 16.7/37.3 = 0.448. (c) O último líquido desaparece quando os cristais chegam a An50_{50}, à temperatura do solidus 1287 ∘C1287\,{}^{\circ}\mathrm{C}; o liquidus ali fica entre An11.1_{11.1} (1265) e An20_{20} (1334): 11.1+8.9×22/69=13.9 %11.1 + 8.9\times22/69 = 13.9\,\% de anortita.

Exercício 8.2 ★

Um cumulato gabroico contém 50 %50\,\% de plagioclásio, 35 %35\,\% de clinopiroxênio e 15 %15\,\% de olivina. Com os coeficientes de partição (olivina / clinopiroxênio / plagioclásio) Sr 0.000063 / 0.157 / 2.7, Zr 0.00068 / 0.195 / 0.001 e Rb 0.000044 / 0.0033 / 0.025, calcule o coeficiente de partição global de cada elemento, e diga qual é compatível.

Solução

Solução de Exercício 8.2.

DˉSr=0.15×0.000063+0.35×0.157+0.50×2.7=0.00001+0.0550+1.35=1.40\bar D_{\ce{Sr}} = 0.15\times0.000063 + 0.35\times0.157 + 0.50\times2.7 = 0.00001 + 0.0550 + 1.35 = 1.40; DˉZr=0.0001+0.0683+0.0005=0.069\bar D_{\ce{Zr}} = 0.0001 + 0.0683 + 0.0005 = 0.069; DˉRb=0.00001+0.0012+0.0125=0.014\bar D_{\ce{Rb}} = 0.00001 + 0.0012 + 0.0125 = 0.014. Só o estrôncio, retido pelo plagioclásio, é compatível (Dˉ>1\bar D > 1); o zircônio e o rubídio são incompatíveis, o rubídio ainda mais.

Exercício 8.3 ★

O cumulato do Exercício 8.2 cristaliza a partir de um basalto, por cristalização fracionada, até que reste metade do líquido. (a) Por que fator cada um de Sr, Zr e Rb variou no líquido (tome os coeficientes globais 1.40, 0.069 e 0.014)? (b) Por que fator a razão Zr/Rb variou? Comente com o corolário sobre as razões.

Solução

Solução de Exercício 8.3.

(a) CL/C0=0.5D−1C_L/C_0 = 0.5^{D-1}: Sr 0.50.40=0.7580.5^{0.40} = 0.758 (ele cai); Zr 0.5−0.931=1.9070.5^{-0.931} = 1.907; Rb 0.5−0.986=1.9810.5^{-0.986} = 1.981, perto do limite 2. (b) Zr/Rb varia por um fator de 0.50.069−0.014=0.50.055=0.9630.5^{0.069 - 0.014} = 0.5^{0.055} = 0.963, menos de 4 %4\,\%, enquanto cada elemento quase dobrou: como diz o corolário, a razão de dois elementos incompatíveis conserva o valor do magma parental, e assim informa sobre a fonte, não sobre a cristalização.

Exercício 8.4 ★

A primeira lava do Parícutin (fevereiro de 1943) tinha 55.04 %55.04\,\% de SiOX2\ce{SiO2}, 5.68 %5.68\,\% de MgO\ce{MgO} e 0.85 %0.85\,\% de KX2O\ce{K2O}; a última (fevereiro de 1952), 60.07, 3.73 e 1.67 %1.67\,\%. (a) Calcule a variação de cada óxido. (b) A potassa não entra em nenhum dos minerais que cristalizam. Se ela tivesse sido concentrada apenas pela cristalização fracionada, que fração do líquido teria restado? (c) O balanço de massa de Wilcox remove apenas cerca de 12.5 g12.5\,\mathrm{g} de cristais por 100 g100\,\mathrm{g} de magma. O que a comparação sugere?

Solução

Solução de Exercício 8.4.

(a) SiOX2\ce{SiO2} +5.03+5.03, MgO\ce{MgO} −1.95-1.95, KX2O\ce{K2O} +0.82+0.82 (por cento), a potassa multiplicada por 1.67/0.85=1.961.67/0.85 = 1.96. (b) Para um elemento perfeitamente incompatível, CL/C0=1/FC_L/C_0 = 1/F, logo F=0.85/1.67=0.509F = 0.85/1.67 = 0.509: metade do magma teria de cristalizar. (c) Remover 12.5 g12.5\,\mathrm{g} por 100 g100\,\mathrm{g} deixa F≈0.88F \approx 0.88 e elevaria a potassa apenas por um fator de cerca de 1/0.88=1.141/0.88 = 1.14: a cristalização sozinha não pode explicar o aumento. A potassa veio de fora, dos xenólitos graníticos, ricos em potassa (3.6 %3.6\,\%), que o magma assimilou.

Exercício 8.5 ★★

Compare a cristalização fracionada e a cristalização em equilíbrio: calcule CL/C0C_L/C_0 pelas duas leis (a) para o níquel, D=5D = 5, quando 20 %20\,\% do líquido cristalizou; (b) para um elemento incompatível, D=0.01D = 0.01, quando 90 %90\,\% cristalizaram. (c) Quais são os limites das duas leis quando F→0F \to 0? Qual lei pode esgotar completamente um líquido de um elemento compatível?

Solução

Solução de Exercício 8.5.

(a) F=0.8F = 0.8, D=5D = 5. Fracionada: 0.84=0.4100.8^{4} = 0.410; equilíbrio: 1/(5+0.8×(1−5))=1/1.8=0.5561/(5 + 0.8\times(1 - 5)) = 1/1.8 = 0.556. (b) F=0.1F = 0.1, D=0.01D = 0.01. Fracionada: 0.1−0.99=9.770.1^{-0.99} = 9.77; equilíbrio: 1/(0.01+0.1×0.99)=1/0.109=9.171/(0.01 + 0.1\times0.99) = 1/0.109 = 9.17. (c) Quando F→0F \to 0, a lei de Rayleigh tende a 00 para D>1D > 1 e ao infinito para D<1D < 1, ao passo que a lei de equilíbrio tende a 1/D1/D (o último líquido em equilíbrio com cristais da composição global). Só a cristalização fracionada pode esgotar completamente um líquido de um elemento compatível.

Exercício 8.6 ★★

(a) Calcule as porcentagens em massa de MgO\ce{MgO}, FeO\ce{FeO} e SiOX2\ce{SiO2} na olivina Fo80_{80}, (Mg0.8Fe0.2)2SiOX4(\ce{Mg}_{0.8}\ce{Fe}_{0.2})_2\ce{SiO4} (MM = 40.30, 71.84 e 60.08 g/mol60.08\,\mathrm{g}/\mathrm{mol}). (b) Um basalto com 10.0 %10.0\,\% de MgO\ce{MgO} e 49.0 %49.0\,\% de SiOX2\ce{SiO2} cristaliza apenas essa olivina até que seu líquido tenha 8.0 %8.0\,\% de MgO\ce{MgO}. Que fração em massa de olivina foi removida? (c) Qual é então o teor de sílica do líquido?

Solução

Solução de Exercício 8.6.

(a) Uma unidade de fórmula contém 1.6 MgO\ce{MgO}, 0.4 FeO\ce{FeO} e um SiOX2\ce{SiO2}: 1.6×40.30=64.481.6\times 40.30 = 64.48, 0.4×71.84=28.740.4\times71.84 = 28.74, 60.08, total 153.30 g153.30\,\mathrm{g}. Porcentagens em massa: MgO\ce{MgO} 42.06 %42.06\,\%, FeO\ce{FeO} 18.75 %18.75\,\%, SiOX2\ce{SiO2} 39.19 %39.19\,\%. (b) Regra da alavanca sobre MgO\ce{MgO}: x=(10.0−8.0)/(42.06−8.0)=2.0/34.06=0.0587x = (10.0 - 8.0)/(42.06 - 8.0) = 2.0/34.06 = 0.0587, cerca de 6 %6\,\% de olivina. (c) Sílica do líquido: (49.0−0.0587×39.19)/(1−0.0587)=46.70/0.9413=49.61 %(49.0 - 0.0587\times39.19)/(1 - 0.0587) = 46.70/0.9413 = 49.61\,\%. Remover olivina, mais pobre em sílica que o basalto, eleva a sílica do líquido, mas só lentamente.

Exercício 8.7 ★★

Para a intrusão de Skaergaard, F=1.091×10−7H2−5.9064×10−4H+0.7678F = 1.091 \times 10^{-7}H^2 - 5.9064 \times 10^{-4}H + 0.7678. (a) Calcule FF em H=0H = 0, 1000 e 2000 m2000\,\mathrm{m}. (b) A que altura F=0F = 0? (c) Que fração do magma tinha cristalizado antes de se formar a base da sequência exposta do assoalho, e onde ela poderia estar?

Solução

Solução de Exercício 8.7.

(a) F(0)=0.768F(0) = 0.768; F(1000)=0.1091−0.5906+0.7678=0.286F(1000) = 0.1091 - 0.5906 + 0.7678 = 0.286; F(2000)=0.4364−1.1813+0.7678=0.023F(2000) = 0.4364 - 1.1813 + 0.7678 = 0.023. (b) O discriminante é (5.9064×10−4)2−4×1.091×10−7×0.7678=3.4885×10−7−3.3507×10−7=1.379×10−8(5.9064\times10^{-4})^2 - 4\times1.091\times10^{-7}\times0.7678 = 3.4885\times10^{-7} - 3.3507\times10^{-7} = 1.379\times10^{-8}, de raiz quadrada 1.174×10−41.174\times10^{-4}; a raiz menor é H=(5.9064−1.174)×10−4/(2.182×10−7)=2169 mH = (5.9064 - 1.174)\times10^{-4}/(2.182\times10^{-7}) = 2169\,\mathrm{m}, o Horizonte Sanduíche. (c) 1−0.768=0.2321 - 0.768 = 0.232: quase um quarto do magma tinha cristalizado antes de se formar a base da Zona Inferior exposta, na Zona Oculta abaixo dela e na Série Marginal ao longo das paredes e do teto.

Exercício 8.8 ★★

Ao longo da seção de Skaergaard, o cumulato mediano contém 177 ppm177\,\mathrm{ppm} de Ni em F=0.70F = 0.70 (Zona Inferior a), 54 ppm54\,\mathrm{ppm} em F=0.29F = 0.29 (Zona Média) e 6.2 ppm6.2\,\mathrm{ppm} em F=0.17F = 0.17 (Zona Superior a). (a) Supondo que os cumulatos contêm DD vezes o níquel de seu líquido e que o líquido segue a lei de Rayleigh, calcule o DD aparente entre os dois primeiros níveis. (b) Faça o mesmo entre os dois últimos. (c) O que pode fazer o DD aparente variar?

Solução

Solução de Exercício 8.8.

O cumulato contém D CL=D C0FD−1D\,C_L = D\,C_0F^{D-1}, de modo que, entre dois níveis, ln⁡(Ni2/Ni1)=(D−1)ln⁡(F2/F1)\ln(\mathrm{Ni}_2/\mathrm{Ni}_1) = (D - 1)\ln(F_2/F_1). (a) D−1=ln⁡(54/177)/ln⁡(0.29/0.70)=(−1.187)/(−0.881)=1.35D - 1 = \ln(54/177)/ \ln(0.29/0.70) = (-1.187)/(-0.881) = 1.35, logo D≈2.35D \approx 2.35 (a regressão sobre os 66 cumulatos com F≥0.23F \ge 0.23 dá 2.38). (b) D−1=ln⁡(6.2/54)/ln⁡(0.17/0.29)=(−2.164)/(−0.534)=4.05D - 1 = \ln(6.2/54)/\ln(0.17/0.29) = (-2.164)/(-0.534) = 4.05, logo D≈5.05D \approx 5.05. (c) O DD global muda quando a assembleia que cristaliza muda (um novo mineral que capta níquel, ou um que sai), e os próprios coeficientes mineral–fundido aumentam à medida que o líquido se resfria e muda de composição, como foi medido para a olivina; o líquido aprisionado nos cumulatos borra a estimativa.

Exercício 8.9 ★★

Verifique a resposta de Wilcox: 100 g100\,\mathrm{g} de matriz da primeira lava (SiOX2\ce{SiO2} 55.53, MgO\ce{MgO} 4.66, KX2O\ce{K2O} 0.88 %0.88\,\%) mais 25.4 g25.4\,\mathrm{g} de xenólito médio (72.48, 0.77, 3.64) menos 2.9 g2.9\,\mathrm{g} de olivina Fo80_{80} (39.19, 42.06, 0) menos 9.6 g9.6\,\mathrm{g} de plagioclásio An70_{70} (50.54, 0, 0). (a) Que massa resta? (b) Calcule seus teores de SiOX2\ce{SiO2}, MgO\ce{MgO} e KX2O\ce{K2O} e compare com a matriz da lava 19 (60.16, 3.19 e 1.75 %1.75\,\%). (c) Qual óxido se ajusta pior?

Solução

Solução de Exercício 8.9.

(a) 100+25.4−2.9−9.6=112.9 g100 + 25.4 - 2.9 - 9.6 = 112.9\,\mathrm{g}. (b) Gramas de SiOX2\ce{SiO2}: 55.53+25.4×0.7248−2.9×0.3919−9.6×0.5054=55.53+18.41−1.14−4.85=67.95 g55.53 + 25.4\times0.7248 - 2.9\times0.3919 - 9.6\times0.5054 = 55.53 + 18.41 - 1.14 - 4.85 = 67.95\,\mathrm{g}, logo 67.95/112.9=60.19 %67.95/112.9 = 60.19\,\%, contra 60.16. MgO\ce{MgO}: 4.66+0.20−1.22=3.64 g4.66 + 0.20 - 1.22 = 3.64\,\mathrm{g}, 3.22 %3.22\,\% contra 3.19. KX2O\ce{K2O}: 0.88+0.92=1.80 g0.88 + 0.92 = 1.80\,\mathrm{g}, 1.60 %1.60\,\% contra 1.75. (c) A sílica e a magnésia, dois dos três controles, ajustam-se a menos de 0.03; a potassa, não usada como controle, fica baixa em 0.15, quase um décimo de seu valor: o material assimilado tinha mais potassa que o xenólito médio, ou um fundido rico em potassa foi tomado preferencialmente.

Exercício 8.10 ★★★

Um magma assimila rocha das paredes a r=0.2r = 0.2 enquanto cristaliza, com DSr=1.5D_{\ce{Sr}} = 1.5, Ca/C0=0.5C_a/C_0 = 0.5, 87^{87}Sr/86^{86}Sr inicial = 0.7035 e rocha das paredes 0.7200. (a) Calcule zz, F−zF^{-z} e C/C0C/C_0 em F=0.7F = 0.7. (b) Compare com a cristalização fracionada pura no mesmo FF, e explique a diferença pela massa de cristais formada em cada caso. (c) Calcule a 87^{87}Sr/86^{86}Sr do magma.

Solução

Solução de Exercício 8.10.

(a) z=(0.2+1.5−1)/(0.2−1)=0.7/(−0.8)=−0.875z = (0.2 + 1.5 - 1)/(0.2 - 1) = 0.7/(-0.8) = -0.875; F−z=0.70.875=0.7319F^{-z} = 0.7^{0.875} = 0.7319; C∗/C0=0.2×0.5/(0.2−1+1.5)=0.1/0.7=0.1429C^*/C_0 = 0.2\times0.5/(0.2 - 1 + 1.5) = 0.1/0.7 = 0.1429, logo C/C0=0.7319+0.1429×(1−0.7319)=0.7319+0.0383=0.770C/C_0 = 0.7319 + 0.1429\times(1 - 0.7319) = 0.7319 + 0.0383 = 0.770. (b) Rayleigh: 0.70.5=0.8370.7^{0.5} = 0.837. O magma AFC tem menos estrôncio por duas razões: para perder 30 %30\,\% de sua massa enquanto ganha rr vezes o que cristaliza, ele precisa cristalizar (1−0.7)/(1−0.2)=0.375(1 - 0.7)/(1 - 0.2) = 0.375 em vez de 0.30, e o estrôncio que ganha vem de uma rocha duas vezes mais pobre. (c) (0.7319×0.7035+0.0383×0.7200)/0.7702=(0.5149+0.0276)/0.7702=0.70432(0.7319\times0.7035 + 0.0383\times0.7200)/0.7702 = (0.5149 + 0.0276)/0.7702 = 0.70432: a razão subiu 0.0008, ao passo que a cristalização sozinha a teria deixado em 0.7035.

Exercício 8.11 ★★★

Siga o balanço térmico de Wilcox para o Parícutin. (a) Quanto calor um grama de quartzo-monzonito precisa para ir de 200 a 1100 ∘C1100\,{}^{\circ}\mathrm{C} (capacidade térmica 1.1 J/(g K)1.1\,\mathrm{J}/(\mathrm{g}\,\mathrm{K})) e depois fundir (250 J/g250\,\mathrm{J}/\mathrm{g})? (b) Quanto para 25.4 g25.4\,\mathrm{g}? (c) Que massa de plagioclásio An70_{70} (calor latente 370 J/g370\,\mathrm{J}/\mathrm{g}) precisa cristalizar para fornecê-lo? (d) Compare com os 12.5 g12.5\,\mathrm{g} de cristais do balanço de massa, calcule a razão rr entre assimilação e cristalização, e diga o que isso implica.

Solução

Solução de Exercício 8.11.

(a) 1.1×(1100−200)+250=990+250=1240 J1.1\times(1100 - 200) + 250 = 990 + 250 = 1240\,\mathrm{J} por grama. (b) 25.4×1240=31 496 J25.4\times1240 = 31\,496\,\mathrm{J}, perto dos 31 350 J31\,350\,\mathrm{J} de Wilcox. (c) 31496/370=85.1 g31496/370 = 85.1\,\mathrm{g} de plagioclásio. (d) O balanço de massa removia apenas 2.9+9.6=12.5 g2.9 + 9.6 = 12.5\,\mathrm{g} de cristais, cujo calor latente (cerca de 4600 J4600\,\mathrm{J}) cobre menos de um sexto da necessidade; r=25.4/12.5=2.03r = 25.4/12.5 = 2.03, duas vezes mais rocha assimilada que cristais formados, ao passo que o balanço térmico admite rr bem abaixo de 1. O magma emitido não pode ter fornecido o calor por si mesmo: uma massa maior de magma deve ter cristalizado e se resfriado em profundidade, longe da vista.

Exercício 8.12 ★★★

Um basalto com 250 ppm250\,\mathrm{ppm} de Ni cristaliza primeiro só olivina (D=5D = 5) até F=0.8F = 0.8, depois olivina com plagioclásio e clinopiroxênio (coeficiente global D=1.5D = 1.5). (a) Calcule o fator pelo qual o níquel varia em cada etapa, e o teor de níquel do líquido em F=0.5F = 0.5. (b) O que uma lei única com D=5D = 5 teria previsto? (c) Explique por que a lei de Rayleigh deve ser aplicada por etapas.

Solução

Solução de Exercício 8.12.

(a) Etapa 1, FF de 1 a 0.8 com D=5D = 5: fator 0.84=0.40960.8^{4} = 0.4096. Etapa 2, de 0.8 a 0.5 com D=1.5D = 1.5: a lei se aplica ao líquido restante, de modo que o fator é (0.5/0.8)0.5=0.7906(0.5/0.8)^{0.5} = 0.7906. Níquel: 250×0.4096×0.7906=81.0 ppm250\times0.4096\times0.7906 = 81.0\,\mathrm{ppm}. (b) 250×0.54=15.6 ppm250\times0.5^{4} = 15.6\,\mathrm{ppm}, cinco vezes baixo demais. (c) A lei de Rayleigh supõe um DD constante; quando a assembleia que cristaliza muda, DD salta, e a lei deve ser reiniciada a partir da composição do líquido atingida na mudança, com FF medido em relação a esse líquido.

8.8 Problema: a intrusão que escreveu sua própria história

Problema 8.1

Problema de fim de semana — das camadas de um gabro à fração de seu magma que ainda estava líquida no fim

Uma soleira de gabro acamado (inventada) cristalizou a partir de um basalto cuja margem resfriada fornece a composição parental: SiOX2\ce{SiO2} 49.5, AlX2OX3\ce{Al2O3} 16.0, FeO\ce{FeO} 10.0, MgO\ce{MgO} 9.0, CaO\ce{CaO} 11.5, NaX2O\ce{Na2O} 2.5, KX2O\ce{K2O} 0.30 %0.30\,\%; 150 ppm150\,\mathrm{ppm} de Ni e 80 ppm80\,\mathrm{ppm} de Zr. Os cumulatos da zona inferior são formados de 20 %20\,\% de olivina, 50 %50\,\% de plagioclásio e 30 %30\,\% de clinopiroxênio; acima do nível em que a olivina desaparece, de 55 %55\,\% de plagioclásio e 45 %45\,\% de clinopiroxênio. Tome os coeficientes de partição (olivina / plagioclásio / clinopiroxênio) Ni 5.0 / 0 / 2.0 e Zr 0.0007 / 0.001 / 0.195. Composições dos minerais (%\%): olivina MgO\ce{MgO} 42.06, CaO\ce{CaO} 0, AlX2OX3\ce{Al2O3} 0, SiOX2\ce{SiO2} 39.19; plagioclásio 0, 14.36, 31.70, 50.54; clinopiroxênio 16.0, 20.5, 3.0, 51.5. Um dique de rocha de granulação fina, alimentado pela câmara quando a camada mais alta cristalizou, tem SiOX2\ce{SiO2} 50.0, AlX2OX3\ce{Al2O3} 14.1, FeO\ce{FeO} 16.7, MgO\ce{MgO} 4.9, CaO\ce{CaO} 7.3, NaX2O\ce{Na2O} 3.4, KX2O\ce{K2O} 0.75 %0.75\,\% e 188 ppm188\,\mathrm{ppm} de Zr.

Parte I — Os coeficientes de partição das camadas.

  1. Calcule o coeficiente de partição global do níquel na zona inferior.
  2. Calcule o do zircônio na zona inferior.
  3. Calcule ambos na zona superior.
  4. Qual elemento é compatível em cada zona? O níquel continua compatível quando a olivina desaparece?
  5. Que mineral contém a maior parte do zircônio dos cumulatos, e por quê?
  6. Por que fator Ni/Zr no líquido varia a cada redução de FF à metade na zona inferior?

Parte II — Curvas de Rayleigh ao longo da seção.

  1. Que teor de níquel você espera no cumulato mais baixo, cristalizado em F=1F = 1?
  2. Um cumulato da zona inferior, mais acima, contém 190 ppm190\,\mathrm{ppm} de Ni. Em que FF ele se formou?
  3. Qual era então o teor de zircônio do líquido?
  4. Nesse FF, compare o níquel do líquido dado pelas leis fracionada e de equilíbrio.
  5. A olivina desaparece em F=0.55F = 0.55. Calcule o teor de níquel do líquido nesse ponto.
  6. Calcule o níquel dos cumulatos formados logo abaixo e logo acima desse nível. Que feição um geólogo veria no perfil?
  7. Calcule o níquel do líquido e do cumulato em F=0.40F = 0.40. Explique a tendência.

Parte III — O balanço de massa do último líquido.

  1. Escreva a equação de conservação do método para um óxido, com as massas xol,xpl,xcpxx_{\mathrm{ol}}, x_{\mathrm{pl}}, x_{\mathrm{cpx}} removidas por 100 g100\,\mathrm{g} de magma parental e o dique como líquido derivado.
  2. Escreva-a para MgO\ce{MgO}, CaO\ce{CaO} e AlX2OX3\ce{Al2O3}.
  3. Resolva o sistema 3×33 \times 3.
  4. Que fração do magma parental resta como líquido?
  5. Verifique a resposta com SiOX2\ce{SiO2}: recalcule a sílica do líquido a partir das massas encontradas.
  6. Compare as proporções dos minerais removidos com as modas das duas zonas.
  7. A potassa não entra em nenhum dos minerais: que fração de líquido ela dá?

Parte IV — A fração de líquido no topo.

  1. Por que fator o zircônio tinha aumentado no líquido quando a olivina desapareceu em F=0.55F = 0.55? Dê o teor de zircônio nesse momento.
  2. A partir do zircônio do dique, calcule a fração de líquido restante quando ele se formou, aplicando a lei da zona superior a partir de F=0.55F = 0.55.
  3. Refaça o cálculo com um D=0.07D = 0.07 único desde o início. A resposta é sensível aos detalhes de DD?
  4. O ferro subiu de 10.0 para 16.7 %16.7\,\% no líquido enquanto a sílica quase não mudou. Que minerais são responsáveis, e que tipo de série magmática isso prenuncia (Capítulo 9)?
  5. Os cumulatos mais altos contêm 47 ppm47\,\mathrm{ppm} de Zr. Os cristais cúmulus sozinhos conteriam Dˉ\bar D vezes o zircônio do líquido; que fração em massa de líquido aprisionado (com a composição do dique) explica a análise?
  6. Indique a fração do magma original ainda líquida quando a camada mais alta cristalizou, o número-chave deste problema, e compare as três estimativas (elementos maiores, potassa, zircônio).
Solução

Solução de Problema 8.1.

Parte I.

1. DˉNi=0.20×5.0+0.50×0+0.30×2.0=1.60\bar D_{\ce{Ni}} = 0.20\times5.0 + 0.50\times0 + 0.30\times2.0 = 1.60.

2. DˉZr=0.20×0.0007+0.50×0.001+0.30×0.195=0.00014+0.0005+0.0585=0.059\bar D_{\ce{Zr}} = 0.20\times0.0007 + 0.50\times0.001 + 0.30\times0.195 = 0.00014 + 0.0005 + 0.0585 = 0.059.

3. Zona superior: DˉNi=0.45×2.0=0.90\bar D_{\ce{Ni}} = 0.45\times2.0 = 0.90; DˉZr=0.55×0.001+0.45×0.195=0.088\bar D_{\ce{Zr}} = 0.55\times0.001 + 0.45\times0.195 = 0.088.

4. O níquel é compatível na zona inferior (1.60) e se torna ligeiramente incompatível (0.90) quando a olivina desaparece; o zircônio é incompatível nas duas.

5. O clinopiroxênio: ele fornece 0.05850.0585 dos 0.0590.059 da zona inferior, quase tudo, porque é o único mineral com um coeficiente longe de zero.

6. (CNi/CZr)(C_{\ce{Ni}}/C_{\ce{Zr}}) varia por um fator de FDNi−DZrF^{D_{\ce{Ni}} - D_{\ce{Zr}}}; a cada redução à metade, 0.51.60−0.059=0.51.541=0.3440.5^{1.60 - 0.059} = 0.5^{1.541} = 0.344.

Parte II.

7. 1.60×150=240 ppm1.60\times150 = 240\,\mathrm{ppm}.

8. O líquido tinha 190/1.60=118.75 ppm190/1.60 = 118.75\,\mathrm{ppm}; F=(118.75/150)1/0.6=0.79171.667=0.68F = (118.75/150)^{1/0.6} = 0.7917^{1.667} = 0.68.

9. 80×0.68−0.941=80×1.438=115 ppm80\times0.68^{-0.941} = 80\times1.438 = 115\,\mathrm{ppm}.

10. Fracionada: 150×0.680.6=150×0.793=119.0 ppm150\times0.68^{0.6} = 150\times0.793 = 119.0\,\mathrm{ppm}; equilíbrio: 150/(1.6+0.68×(1−1.6))=150×0.839=125.8 ppm150/(1.6 + 0.68\times(1 - 1.6)) = 150\times0.839 = 125.8\,\mathrm{ppm}. A diferença é de apenas 6 %6\,\% depois que um terço do magma cristalizou: para um elemento moderadamente compatível, as duas leis permanecem próximas no início.

11. 150×0.550.6=104.8 ppm150\times0.55^{0.6} = 104.8\,\mathrm{ppm}.

12. Logo abaixo: 1.60×104.8=167.7 ppm1.60\times104.8 = 167.7\,\mathrm{ppm}; logo acima: 0.90×104.8=94.3 ppm0.90\times104.8 = 94.3\,\mathrm{ppm}. O perfil de níquel dos cumulatos cai abruptamente 44 %44\,\% no nível em que a olivina desaparece das camadas: um degrau, não uma curva suave.

13. Líquido: 104.8×(0.40/0.55)0.90−1=104.8×1.032=108.2 ppm104.8\times(0.40/0.55)^{0.90 - 1} = 104.8\times1.032 = 108.2\,\mathrm{ppm}; cumulato 0.90×108.2=97.4 ppm0.90\times108.2 = 97.4\,\mathrm{ppm}. Com Dˉ<1\bar D < 1, o níquel agora sobe lentamente no líquido e nos cumulatos: o perfil, depois de seu degrau, sobe suavemente.

Parte III.

14. xol(mol,j−dj)+xpl(mpl,j−dj)+xcpx(mcpx,j−dj)=100 (pj−dj)x_{\mathrm{ol}}(m_{\mathrm{ol},j} - d_j) + x_{\mathrm{pl}} (m_{\mathrm{pl},j} - d_j) + x_{\mathrm{cpx}}(m_{\mathrm{cpx},j} - d_j) = 100\,(p_j - d_j).

15. MgO\ce{MgO}: 37.16 xol−4.9 xpl+11.1 xcpx=41037.16\,x_{\mathrm{ol}} - 4.9\,x_{\mathrm{pl}} + 11.1\,x_{\mathrm{cpx}} = 410; CaO\ce{CaO}: −7.3 xol+7.06 xpl+13.2 xcpx=420-7.3\,x_{\mathrm{ol}} + 7.06\,x_{\mathrm{pl}} + 13.2\,x_{\mathrm{cpx}} = 420; AlX2OX3\ce{Al2O3}: −14.1 xol+17.6 xpl−11.1 xcpx=190-14.1\,x_{\mathrm{ol}} + 17.6\,x_{\mathrm{pl}} - 11.1\,x_{\mathrm{cpx}} = 190.

16. Resolvendo (por eliminação ou pela regra de Cramer): xol=9.03x_{\mathrm{ol}} = 9.03, xpl=30.84x_{\mathrm{pl}} = 30.84, xcpx=20.32x_{\mathrm{cpx}} = 20.32 gramas por 100 g100\,\mathrm{g}.

17. Cristais 9.03+30.84+20.32=60.19 g9.03 + 30.84 + 20.32 = 60.19\,\mathrm{g}; líquido 39.81 g39.81\,\mathrm{g}: F=0.398F = 0.398.

18. (4950−9.03×39.19−30.84×50.54−20.32×51.5)/39.81=(4950−353.9−1558.7−1046.5)/39.81=1990.9/39.81=50.0 %(4950 - 9.03\times39.19 - 30.84\times50.54 - 20.32\times51.5)/39.81 = (4950 - 353.9 - 1558.7 - 1046.5)/39.81 = 1990.9/39.81 = 50.0\,\%, como no dique: o óxido não usado como controle é reproduzido.

19. Os cristais removidos são 9.03/60.19=15 %9.03/60.19 = 15\,\% de olivina, 51 %51\,\% de plagioclásio e 34 %34\,\% de clinopiroxênio, entre as modas das duas zonas. Eles correspondem à assembleia inferior cristalizando de F=1F = 1 a 0.55 (0.45×20=9.00.45\times20 = 9.0, 0.45×50=22.50.45\times50 = 22.5, 0.45×30=13.50.45\times30 = 13.5) seguida da superior de 0.55 a 0.40 (0.15×55=8.250.15\times55 = 8.25, 0.15×45=6.750.15\times45 = 6.75): 9.0, 30.75 e 20.25 gramas.

20. 0.30/0.75=0.400.30/0.75 = 0.40.

Parte IV.

21. 0.550.059−1=0.55−0.941=1.7550.55^{0.059 - 1} = 0.55^{-0.941} = 1.755; 80×1.755=140.4 ppm80\times1.755 = 140.4\,\mathrm{ppm}.

22. 188/140.4=1.339=(F/0.55)0.088−1188/140.4 = 1.339 = (F/0.55)^{0.088 - 1}, logo F=0.55×1.339−1/0.912=0.55×0.726=0.399F = 0.55\times1.339^{-1/ 0.912} = 0.55\times0.726 = 0.399.

23. (188/80)1/(0.07−1)=2.35−1.075=0.399(188/80)^{1/(0.07 - 1)} = 2.35^{-1.075} = 0.399. Para elementos incompatíveis, CL/C0≈1/FC_L/C_0 \approx 1/F qualquer que seja o DD pequeno: a resposta quase não depende dos detalhes de DD, o que faz dos elementos incompatíveis os melhores medidores de FF.

24. O plagioclásio, que não contém ferro, forma metade dos cristais, e o piroxênio e a olivina juntos contêm menos ferro do que magnésia: o líquido se enriquece em ferro e se empobrece em magnésia sem ganhar sílica. Esse enriquecimento em ferro com sílica quase constante é a marca da série toleítica do capítulo seguinte.

25. Cristais cúmulus puros conteriam 0.088×188=16.5 ppm0.088\times188 = 16.5\,\mathrm{ppm}. Com uma fração em massa tt de líquido aprisionado, 16.5(1−t)+188 t=4716.5(1 - t) + 188\,t = 47, logo t=(47−16.5)/(188−16.5)=30.5/171.5=0.18t = (47 - 16.5)/(188 - 16.5) = 30.5/171.5 = 0.18: cerca de 18 %18\,\% de líquido aprisionado.

26. As três estimativas, elementos maiores (0.398), potassa (0.40) e zircônio (0.399), concordam: quando a camada mais alta cristalizou, 40 %40\,\% do magma original ainda estava líquido.

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