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Ciências da Terra e do espaço universitárias — 2.º ano · 本科二年级
4Geoquímica isotópica
Mangaia, no Pacífico Sul, e Tristão da Cunha, no Atlântico Sul, são ambas ilhas vulcânicas construídas de basalto, e uma amostra de mão de uma se parece muito com uma amostra de mão da outra, ou de uma dorsal meso-oceânica. Seus isótopos as distinguem. O estrôncio dos basaltos de Mangaia tem a mesma proporção de estrôncio-87 que o das dorsais, cerca de , enquanto seu chumbo está entre os mais radiogênicos da Terra, com perto de 21.6 contra 18.4 para as dorsais. Os basaltos de Tristão contêm mais estrôncio-87, de 0.7050 a 0.7054, e menos neodímio-143 do que os dois outros. A fusão não separa os isótopos desses elementos pesados, de modo que cada lava carrega a assinatura isotópica do manto que fundiu para produzi-la: o manto da Terra não é um reservatório, mas vários, que mantiveram razões pai–filho diferentes durante bilhões de anos. Este capítulo usa o decaimento radioativo do rubídio, do samário, do urânio e do tório como um conjunto de traçadores, acompanha a evolução do manto e da crosta continental por meio dos isótopos de neodímio, separa o manto em reservatórios e misturas de reservatórios, discute a velocidade com que os continentes cresceram e termina com os isótopos estáveis leves do oxigênio, do hidrogênio e do carbono, que traçam a água e o carbono através da Terra.
O que você já sabe
Um pai radioativo decai à taxa e, em um sistema fechado, a razão do filho cresce como , sendo um isótopo estável do filho; minerais ou rochas formados juntos se alinham sobre uma isócrona, cuja inclinação dá a idade e cujo intercepto dá a razão inicial (volume do ensino médio, último ano; volume do primeiro ano, capítulo sobre a datação radiométrica). Um espectrômetro de massa separa os íons por sua razão massa/carga (livros de química, volume do segundo ano). O valor de uma amostra é , em por mil, e o fator de fracionamento entre duas fases A e B é , sendo a razão entre o isótopo pesado e o leve; ambos são apresentados, com as energias de ponto zero que causam o fracionamento isotópico, no volume do terceiro ano dos livros de química. Os elementos incompatíveis, o MORB e o OIB foram definidos no Capítulo 3.
4.1 Isótopos radiogênicos como traçadores
Três sistemas de decaimento carregam a maior parte da informação sobre o manto e a crosta. O rubídio-87 decai em estrôncio-87, o samário-147 em neodímio-143, e o urânio e o tório, por meio de suas cadeias de decaimento, em três isótopos do chumbo. Cada pai e seu filho diferem em seu comportamento durante a fusão, e cada filho tem um isótopo estável, não radiogênico, em relação ao qual é medido.
| pai | filho | razão medida | constante de decaimento (por ano) | meia-vida (Ga) |
|---|---|---|---|---|
| Rb | Sr | 49.6 | ||
| Sm | Nd | 106.25 | ||
| U | Pb | 4.47 |
Definição 4.1 (Traçador isotópico radiogênico)
Um traçador isotópico radiogênico é a razão entre um isótopo filho produzido por um pai radioativo de longa vida e um isótopo estável do mesmo elemento, como ou , usada para identificar a fonte de uma rocha em vez de datá-la. A razão de um reservatório cresce a uma taxa fixada por sua razão pai–filho e, assim, registra a história dessa razão.
Os dois elementos de um par de decaimento se separam sempre que o manto funde. No Capítulo 3, o rubídio se mostrou mais incompatível que o estrôncio, e o neodímio mais incompatível que o samário. Um fundido, e a crosta que ele constrói, deixa portanto o manto com uma Rb/Sr alta e uma Sm/Nd baixa; o resíduo fica com uma Rb/Sr baixa e uma Sm/Nd alta. Com o tempo, a crosta ganha estrôncio-87 mais depressa que sua fonte e neodímio-143 mais devagar; o manto empobrecido faz o contrário. As razões dos dois pares se movem em sentidos opostos, um ponto que o diagrama Sr–Nd abaixo torna evidente.
Proposição 4.2 (As razões isotópicas sobrevivem à fusão)
Quando uma rocha funde e o fundido se separa do resíduo, as razões e do fundido são iguais às da fonte dentro da precisão das medidas; só as razões pai–filho, Rb/Sr e Sm/Nd, são alteradas.
Demonstração. Admitido neste nível. ∎
O enunciado repousa sobre dois fatos. Os isótopos de um elemento têm a mesma estrutura eletrônica, de modo que entram em um cristal ou em um fundido quase igualmente; a diferença relativa de massa entre o estrôncio-87 e o estrôncio-86, cerca de um por cento, é muito menor do que para o oxigênio ou o hidrogênio, e, a alta temperatura, o logaritmo de um fator de fracionamento de equilíbrio cai com o inverso do quadrado da temperatura, tendendo a 1. E a própria medida corrige o fracionamento que ocorre no espectrômetro de massa fixando uma razão entre dois isótopos não radiogênicos (para o neodímio, ), o que apagaria também qualquer pequeno fracionamento natural. Uma lava, portanto, amostra as razões isotópicas de sua fonte, enquanto suas razões de elementos-traço refletem também a fusão.
4.2 A evolução do manto e da crosta
4.2.1 O reservatório condrítico
O samário e o neodímio são ambos terras raras litófilas refratárias (Capítulo 3): a Terra silicática total deve ter conservado sua razão condrítica. Os condritos dão então a história Sm–Nd da Terra indiferenciada.
Definição 4.3 (Reservatório condrítico uniforme)
O reservatório condrítico uniforme (CHUR) é um reservatório modelo com a composição em samário e neodímio dos condritos, fechado desde a formação do Sistema Solar. Suas razões atuais são e .
Calculando para trás com a equação da isócrona, o CHUR tinha, quando os primeiros sólidos se condensaram, há (Capítulo 2),
Desde então sua razão cresceu 1.2 por cento. As diferenças entre as rochas terrestres são mil vezes menores e são expressas em uma unidade mais cômoda.
Definição 4.4 (Notação épsilon)
A notação épsilon exprime a razão de uma amostra, em um instante antes do presente, como seu desvio relativo em relação ao CHUR no mesmo instante, em partes por dez mil:
Sem indicação de tempo, é o valor atual.
O MORB médio, com , tem ; a maioria das rochas fica entre e . Um valor positivo significa que a fonte da rocha teve, em média ao longo da história da Terra, uma Sm/Nd mais alta que a dos condritos: ela é empobrecida no elemento mais incompatível, o neodímio. Um valor negativo significa o contrário. O afastamento da Sm/Nd condrítica é medido pelo desvio fracionário
que é o mesmo quer as razões sejam em massa, quer em átomos. Com os valores CI do Capítulo 3 (Sm 0.145, Nd , ), a crosta continental superior (4.7 e , 0.174) tem .
Proposição 4.5 (Crescimento linear de )
Um reservatório que se separou do CHUR e conservou o desvio fracionário desde então varia seu , avançando no tempo, à taxa
onde é o tempo contado para a frente. Um reservatório com em sua separação, há um tempo , tem hoje .
Demonstração. Escreva-se para e para . Em um reservatório fechado, , sendo o tempo antes do presente; como , o fator difere de 1 em no máximo 3 por cento, e . Então , já que . Dividir por , que varia apenas 1.2 por cento ao longo da idade da Terra, dá . Com , e , por ano, . ∎
Uma crosta com a Sm/Nd da crosta superior () perde portanto cerca de 11 unidades épsilon por bilhão de anos em relação ao CHUR, ao passo que a um reservatório mantélico basta para subir de 0 ao valor do MORB, , em . A figura abaixo segue as equações exatas para três reservatórios: o CHUR, um manto empobrecido fechado desde a formação da Terra com a Sm/Nd que o leva hoje ao valor do MORB (), e uma crosta extraída desse manto há 2.7 bilhões de anos com a Sm/Nd da crosta superior (). A crosta começou em , o valor de sua fonte naquela época, e está hoje em .
Definição 4.6 (Manto empobrecido, manto enriquecido)
Um manto empobrecido é uma parte do manto que perdeu elementos incompatíveis para fundidos, de modo que sua Sm/Nd é mais alta e sua Rb/Sr mais baixa que as condríticas; com o tempo seu torna-se positivo e sua baixa. Um manto enriquecido é uma parte do manto que ganhou elementos incompatíveis, por exemplo de crosta reciclada ou de pequenos fundidos, com um negativo ou uma alta.
4.2.2 Dois reservatórios complementares
Se a crosta continental e o manto empobrecido foram feitos a partir de um único reservatório condrítico, seu neodímio deve somar de volta o valor condrítico. O neodímio é o portador: cada reservatório conta na proporção do neodímio que contém.
Proposição 4.7 (Balanço de massa isotópico)
Sejam reservatórios , de massas e concentrações de neodímio , provenientes da divisão de um único reservatório pai. Então, com muito boa aproximação,
sendo os dois membros avaliados no mesmo instante, e o pai sendo acompanhado como se tivesse permanecido inteiro.
Demonstração. O número de átomos de e o número de átomos de se conservam cada um na divisão, e cada um depois cresce (para o ) ou permanece (para o ) em cada reservatório exatamente como no todo. Logo a média, ponderada pelo , das razões é igual à razão do pai, . A fração de no neodímio varia entre reservatórios muito menos que uma parte em mil, de modo que ponderar por é o mesmo que ponderar pelo . Por fim, é uma função linear de em um instante dado, , e uma média ponderada de funções lineares é a função linear da média ponderada. ∎
Tomando-se o valor de de neodímio da crosta superior para toda a crosta, uma crosta continental de a , isto é, ou 0.51 por cento da massa da Terra silicática, contém por cento do neodímio da Terra silicática (manto primitivo, ). Se a crosta tem um médio de , uma contribuição negativa de unidade precisa ser compensada pelo manto: um reservatório no valor do MORB, , precisaria conter cerca de um quinto do neodímio da Terra silicática (Exercício 4.9). Este é um dos argumentos de que o manto empobrecido amostrado pelas dorsais não é o manto inteiro.
4.3 Os reservatórios do manto
As razões isotópicas dos basaltos oceânicos amostram o manto sem passar pela crosta continental. Lançadas umas contra as outras, elas mostram ao mesmo tempo a complementaridade entre a crosta e o manto empobrecido e a existência de outros reservatórios.
Os isótopos de estrôncio e de neodímio são anticorrelacionados na maioria dos basaltos oceânicos: uma lava com alto tem uma baixa. Essa faixa é chamada de faixa mantélica; ela decorre do comportamento oposto dos dois pares durante a fusão (o rubídio é menos compatível que o estrôncio, o samário mais compatível que o neodímio). O MORB médio fica em sua extremidade empobrecida, com e . Os basaltos de ilhas oceânicas se espalham a partir daí em direção a mais baixos e mais altas, mas não ao longo de uma única linha.
Definição 4.8 (Componente extremo do manto)
Um componente extremo do manto é uma das composições isotópicas extremas a partir das quais as razões isotópicas de Sr, Nd e Pb dos basaltos oceânicos podem ser construídas por mistura. Quatro são comumente nomeados: DMM, o manto empobrecido fonte do MORB ( baixa, alto); HIMU, de um alto em sua fonte (chumbo muito radiogênico, acima de 20, com baixa); EM1, manto enriquecido 1 ( moderadamente alta, negativo, chumbo pouco radiogênico); e EM2, manto enriquecido 2 ( alta).
Os grupos de ilhas da figura acima não são aleatórios. O grupo de Santa Helena, que inclui as ilhas Austrais (entre elas Mangaia e Tubuai) e Ascensão, fica abaixo da faixa principal e tem o chumbo mais radiogênico ( acima de 20; Mangaia chega a 21.5 a 22.0). O grupo de Kerguelen, Tristão da Cunha, Gough e Kerguelen, fica em moderadamente alta e negativo, sempre com chumbo pouco radiogênico. O grupo da Sociedade, com Samoa e as Marquesas, define uma tendência Sr–Nd menos inclinada que chega a razões de estrôncio muito altas: duas lavas de Samoa têm de 0.7186 e 0.7205, mais alta que a da água do mar atual (0.7092). Os grupos de Santa Helena, de Kerguelen e da Sociedade são os tipos HIMU, EM1 e EM2.
Uma razão que difere entre duas partes do manto deve ter sido mantida por uma diferença de razão pai–filho durante muito tempo: uma diferença de 10 unidades de leva, pela proposição do crescimento linear, 1 bilhão de anos com ou 4 bilhões de anos com . Os reservatórios do manto são portanto antigos. O que eles são se lê nas razões pai–filho que seus isótopos exigem. O HIMU requer uma U/Pb alta e uma Rb/Sr baixa durante muito tempo, o que corresponde a uma crosta oceânica que perdeu chumbo e rubídio nos fluidos liberados acima de uma zona de subducção e foi depois armazenada no manto durante um ou dois bilhões de anos. O EM1 e o EM2 requerem uma Sm/Nd baixa e, para o EM2, uma Rb/Sr alta: a assinatura de material derivado dos continentes, como sedimento reciclado, ou de manto enriquecido por pequenos fundidos. Essas interpretações são debatidas; as medidas, não.
4.4 Mistura
Muitos alinhamentos isotópicos são misturas. Uma lava pode vir de uma fonte que é uma mistura de dois reservatórios, ou um magma pode incorporar parte da crosta que atravessa. Os dois casos obedecem à mesma álgebra.
Proposição 4.9 (Hipérbole de mistura)
Suponha-se que uma mistura contenha uma fração em massa do componente A e do componente B. Para um elemento de concentrações , e razões isotópicas , :
- a concentração da mistura, , e sua razão isotópica, , satisfazem com constantes e : as misturas ficam sobre uma reta em um gráfico de contra ;
- duas dessas razões de dois elementos, e , ficam sobre uma hipérbole, chamada hipérbole de mistura, que só é uma reta se a razão entre os dois elementos for a mesma em A e em B. Sua curvatura é fixada por .
Demonstração. (1) Elimine-se : . Então é linear em , , e . (2) A fração do elemento que vem de A é , e é linear em ; do mesmo modo é linear em . Com , e . Eliminar dá , uma hipérbole no plano , logo no plano ; é a reta quando . ∎
Um componente rico em um elemento domina a razão isotópica desse elemento na mistura. Um sedimento reciclado contém dezenas de vezes mais neodímio que o manto empobrecido, e alguns por cento dele em uma fonte mantélica puxam o da mistura a maior parte do caminho em direção ao seu (problema). As ilhas de tipo HIMU da figura Sr–Nd ficam fora de qualquer curva de mistura entre o MORB e as ilhas EM1: nenhuma mistura de dois componentes explica todos os basaltos oceânicos, e os componentes extremos são pelo menos quatro. Um magma que assimila crosta continental se desloca ao longo de uma curva de mistura em direção à crosta; sua posição na curva dá a proporção de crosta incorporada, um cálculo retomado com a cristalização no Capítulo 8.
4.5 O crescimento da crosta continental
A crosta continental é o complemento do manto empobrecido; a velocidade com que foi extraída é uma das questões mais antigas da geoquímica isotópica, e continua aberta. Vários registros dizem respeito a ela.
Definição 4.10 (Curva de crescimento crustal)
Uma curva de crescimento crustal dá o volume, ou a massa, de crosta continental existente em função do tempo, como fração do volume atual. Ela reflete o equilíbrio entre a geração de crosta nova a partir do manto e sua destruição por reciclagem no manto.
As rochas preservadas hoje dão uma primeira curva: menos de um quarto do volume da crosta continental juvenil preservada hoje é mais antigo que , e nenhuma rocha conhecida tem idade de cristalização superior a . Mas a crosta preservada é o que sobreviveu, não o que foi produzido. Outras curvas são construídas a partir dos isótopos de neodímio dos folhelhos, que fazem a média da crosta superior exposta à erosão na época de sua deposição; dos isótopos de háfnio dos grãos de zircão, que registram se o magma que os cristalizou veio de crosta nova ou retrabalhada; ou dos isótopos de argônio do quartzo hidrotermal, que acompanham a desgaseificação da crosta. Vários modelos recentes desse tipo colocam pelo menos 60 a 80 por cento do volume atual de crosta continental no lugar já em . As duas visões só podem ser conciliadas se muita crosta primitiva foi destruída: em um modelo de caixas ajustado aos dois registros, de 2.3 a 2.6 vezes o volume atual de crosta continental foram gerados desde a formação da Terra, e de 1.3 a 1.6 vezes esse volume voltaram ao manto.
As zonas de subducção atuais mostram a reciclagem em ação. O magmatismo de arco acrescenta cerca de 2.5 quilômetros cúbicos de crosta nova por ano, 1.5 nos arcos intraoceânicos e 1.0 nas margens continentais (2.7 como média de longo prazo), enquanto a subducção leva de volta cerca de 3.2 quilômetros cúbicos por ano; dentro das incertezas, os continentes não cresceram pelo menos durante o Fanerozoico. Os isótopos dos componentes extremos do manto, que exigem crosta e sedimento reciclados, são o outro lado da mesma conta.
4.6 Isótopos estáveis
Os isótopos dos elementos leves, hidrogênio, carbono, nitrogênio, oxigênio e enxofre, não são produzidos por decaimento em quantidades mensuráveis. Eles são, em vez disso, fracionados por processos físicos, químicos e biológicos, com diferenças relativas de massa de até um fator dois entre o hidrogênio e o deutério, e suas variações são expressas como valores em relação a padrões convencionados.
Definição 4.11 (Padrão isotópico de referência)
Um padrão isotópico de referência é um material cuja razão isotópica define o zero de uma escala . Dois são usados nas ciências da Terra. O VSMOW (Vienna Standard Mean Ocean Water) define o e o das águas, dos silicatos e da maioria dos outros materiais; suas razões absolutas são e . O VPDB (Vienna Pee Dee Belemnite) define o e o dos carbonatos de baixa temperatura; suas razões absolutas são e .
Os nomes lembram a história: o SMOW era uma água oceânica média, e o PDB o carbonato de um belemnite fóssil da formação Pee Dee; os materiais originais se esgotaram e foram substituídos por materiais de referência calibrados com eles, distribuídos pela Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena, e pelo NIST. Na escala VSMOW, o oxigênio do VPDB tem por mil (Exercício 4.2): um carbonato marinho é mais pesado, nessa medida, do que a água oceânica em que se formou.
4.6.1 A água
A água do oceano fica perto de , pela definição do VSMOW. A evaporação favorece os isótopos leves: em equilíbrio com a água líquida a , com fatores de fracionamento de 1.0098 para o oxigênio-18 e 1.084 para o deutério, o vapor teria por mil e por mil; o vapor acima dos oceanos é ainda mais leve, cerca de por mil em , porque a evaporação também é um processo cinético. À medida que uma massa de ar avança para o interior e em direção aos polos e se resfria, ela perde água por chuva, e cada chuva leva primeiro os isótopos pesados; o vapor restante, e a chuva e a neve que se seguem, tornam-se cada vez mais leves. O gelo da Groenlândia tem tipicamente de a por mil, o gelo antártico chega a .
Proposição 4.12 (Reta meteórica)
A chuva e a neve do mundo inteiro, e as águas doces delas derivadas, ficam perto da reta meteórica
estabelecida empiricamente por Craig em 1961. Seu intercepto, 10 por mil, é chamado de excesso de deutério; as diversas regiões têm valores entre cerca de 0 e 20.
Demonstração. Admitido neste nível. ∎
A inclinação pode ser entendida sem a teoria completa da condensação, que fica para o volume do terceiro ano. Em cada etapa da condensação, o líquido e o vapor diferem de cerca de por mil em cada isótopo, e os dois deslocamentos estão na razão , que vale 8.6 a e 9.5 a : à medida que o vapor se empobrece etapa por etapa, o cai cerca de oito vezes mais depressa que o . O intercepto não é nulo porque o vapor que deixa o oceano se forma fora do equilíbrio. A água do oceano, na origem, fica portanto abaixo da reta.
4.6.2 As rochas e o carbono
O manto é notavelmente uniforme em oxigênio: os xenólitos de peridotito têm um total de cerca de por mil, e o MORB médio ; os magmas vindos do manto ficam a cerca de um por mil desses valores. As rochas que se equilibraram com a água na superfície da Terra diferem: as argilas cauliníticas, por exemplo, são cerca de 27 por mil mais ricas em oxigênio-18 que a água meteórica na qual se formaram. Um magma que assimila tais rochas se afasta do valor do manto: um segundo teste de contaminação crustal, independente dos isótopos radiogênicos.
O carbono tem dois isótopos estáveis, e o grande fracionamento da fotossíntese separa seus reservatórios. As plantas que fixam o carbono pela via C3, a mais comum, têm em média por mil, as da via C4, sobretudo gramíneas tropicais, cerca de . O carbono do manto, amostrado pelo MORB menos desgaseificado, pelos carbonatitos e pela maioria dos diamantes, fica perto de a por mil; o bicarbonato da água do mar é cerca de 8.5 por mil mais pesado que o dióxido de carbono atmosférico. O carbono orgânico é portanto cerca de 20 por mil mais leve que o manto, e o soterramento de matéria orgânica nos sedimentos deixa mais pesado o carbono restante do oceano e da atmosfera: o dos carbonatos marinhos registra a fração do carbono soterrada como matéria orgânica ao longo do tempo, um dos indicadores do Capítulo 24.
No laboratório — Medir uma razão isotópica com cinco casas decimais

Para medir , um geoquímico dissolve um grama ou menos de pó de rocha em ácidos em um laboratório limpo, onde o ar filtrado mantém a poeira do lado de fora. O neodímio é separado dos outros elementos em colunas de resina de troca iônica, porque um isóbaro de mesma massa, como o samário-144, se somaria ao sinal do neodímio-144. Algumas centenas de nanogramas do neodímio purificado são depositadas sobre um filamento metálico e ionizadas por aquecimento em um espectrômetro de massa por ionização térmica, ou nebulizadas em um plasma em um instrumento multicoletor; os coletores medem vários isótopos ao mesmo tempo. As razões são corrigidas do fracionamento interno ao instrumento fixando-se em 0.7219, e um material de referência é analisado com cada lote: um laboratório cujo padrão deriva de algumas partes por milhão em relação ao valor aceito corrige suas amostras do mesmo valor.
4.7 Exercícios
Exercício 4.1 ★
Um basalto de Tristão da Cunha tem e um de Mangaia 0.51285. Calcule seus e o do MORB médio (0.513074). Quais fontes tiveram uma Sm/Nd mais alta que a dos condritos?
Solução
Solução de Exercício 4.1.
Tristão: . Mangaia: . MORB: . As fontes de Mangaia e do MORB, com positivo, tiveram em média uma Sm/Nd mais alta que a dos condritos; a fonte de Tristão, uma mais baixa.
Exercício 4.2 ★
A razão é no VSMOW e no VPDB. Qual é o do VPDB na escala VSMOW? Uma calcita tem por mil (VPDB); calcule sua razão e seu na escala VSMOW.
Exercício 4.3 ★
Calcule a do CHUR há e há (, , hoje 0.512638).
Solução
Solução de Exercício 4.3.
A : , e . A : , e .
Exercício 4.4 ★
Uma amostra de neve de uma estação de montanha tem por mil. Que a reta meteórica prevê? Uma água de lago tem e por mil: calcule seu excesso de deutério e diga se ela fica acima ou abaixo da reta.
Solução
Solução de Exercício 4.4.
por mil. Para o lago, por mil, abaixo dos 10 da reta: a água fica abaixo da reta meteórica, como as águas superficiais evaporadas (os isótopos leves saíram primeiro).
Exercício 4.5 ★★
Calcule o da proposição do crescimento linear. Um granito tem Sm e Nd (CI: 0.145 e ). Calcule seu e a variação de seu ao longo de .
Solução
Solução de Exercício 4.5.
por ano, ou . O granito tem , contra para o CI: . Ao longo de : unidades.
Exercício 4.6 ★★
Uma crosta separou-se há de um manto com , com . Estime seu atual com a proposição do crescimento linear. O cálculo exato dá ; de quanto a aproximação difere, e por que ela é alta demais ou baixa demais?
Solução
Solução de Exercício 4.6.
, contra : a aproximação é 0.4 unidade alta demais (não negativa o bastante). A maior parte da diferença, cerca de 0.3 unidade, vem de : o pai, e portanto o déficit de crescimento em relação ao CHUR, era mais abundante no passado que hoje (Exercício 4.10); o resto vem do arredondamento de e do valor inicial.
Exercício 4.7 ★★
Um magma basáltico (Sr , ) assimila um granito (Sr , 0.7200). Calcule a de misturas com 5, 10 e 20 por cento de granito. Mostre que é uma reta em função de e dê sua inclinação e seu intercepto.
Solução
Solução de Exercício 4.7.
Com uma fração em massa de granito, e . Para : Sr , ; : 149.0, 0.70665; : 168.0, 0.70948. Pela demonstração da proposição de mistura, é linear em Sr: , uma reta de inclinação (ppm) e intercepto 0.7316 em função de . Verificação em : .
Exercício 4.8 ★★
Com os fatores de fracionamento líquido–vapor 1.0098 (O) e 1.084 (D) a , calcule o e o de um vapor em equilíbrio com a água do oceano (0, 0), e a inclinação da reta que vai da água ao vapor. Repita a (1.0117 e 1.111). Compare com a reta meteórica.
Solução
Solução de Exercício 4.8.
A : por mil, por mil, inclinação . A : e por mil, inclinação 8.64. Ambas estão próximas da inclinação 8 da reta meteórica: só o fracionamento de equilíbrio da água entre líquido e vapor já fixa perto de 8 a razão entre os deslocamentos do deutério e do oxigênio-18.
Exercício 4.9 ★★
A crosta continental representa 0.51 por cento da massa da Terra silicática e contém, em média, de Nd contra para a Terra silicática. Tome o da crosta como e o da Terra silicática como 0. Que fração do neodímio a crosta contém? Se o resto do manto fosse uniforme, qual seria seu ? Que fração do neodímio deve conter um reservatório empobrecido a se o restante do manto for condrítico?
Solução
Solução de Exercício 4.9.
A crosta contém , 11 por cento do neodímio. Balanço de massa: , logo . Com um reservatório empobrecido contendo uma fração a e o resto a 0: , : cerca de um quinto do neodímio.
Exercício 4.10 ★★★
Mostre que, na proposição do crescimento linear, os termos desprezados têm tamanho relativo de cerca de . Ao longo da idade da Terra, quanto vale isso, e que erro isso causa em para ao longo de ?
Solução
Solução de Exercício 4.10.
A taxa de crescimento é , com ; em média sobre o intervalo que vai da separação até o presente, o fator é , de modo que os termos desprezados têm tamanho relativo . Ao longo da idade da Terra, , 1.5 por cento. Para a crosta do Exercício 4.6, , e o erro é unidade. A lenta variação da razão do CHUR pela qual se divide acrescenta outro termo, menor, da ordem de , aqui 0.02 unidade.
Exercício 4.11 ★★★
Dois componentes têm razões Sr/Nd de 13.3 (A) e 5.0 (B). Usando a demonstração da hipérbole de mistura, encontre a fração do estrôncio vinda de A em uma mistura na qual A fornece uma fração do neodímio. Para que valor de as duas frações diferem mais?
Solução
Solução de Exercício 4.11.
. Com : . A diferença é máxima onde , em , onde : uma diferença de 0.24.
Exercício 4.12 ★★★
Um modelo de caixas dá de 2.3 a 2.6 vezes o volume atual de crosta continental, , gerados desde a formação da Terra, há , e de 1.3 a 1.6 vezes destruídos. Calcule as taxas médias de geração e de destruição em por ano. Compare-as com as taxas atuais nas zonas de subducção, por ano acrescentados e por ano removidos.
Solução
Solução de Exercício 4.12.
Geração: a a por ano. Destruição: a a por ano. As taxas atuais diferem: os acréscimos (2.7) estão abaixo da geração média do modelo, a remoção (3.2) acima de sua destruição média. No modelo, a crosta cresceu cedo, quando a geração era mais rápida, e o presente é uma época de equilíbrio ou de leve perda, como diz o balanço das zonas de subducção.
4.8 Problema: três ilhas, três mantos
Problema 4.1
Problema de fim de semana — situar as lavas de três ilhas na faixa mantélica, separar uma mistura de um terceiro componente e datar o sedimento reciclado
Três ilhas vulcânicas de um oceano imaginário, Kora, Vel e Asha, emitem basaltos com as razões isotópicas abaixo. Um geoquímico modela suas fontes com dois componentes: um manto empobrecido como a fonte do MORB (Sr , Nd , , ) e um sedimento antigo devolvido ao manto pela subducção (Sr , Nd , , ; , ). Kora: , ; Vel: , ; Asha: , (, ). CHUR hoje: , ; , .
Parte I — Situar as ilhas.
- Calcule o dos dois componentes.
- Calcule o das três ilhas.
- Situe as cinco composições em um diagrama Sr–. Quais ilhas ficam do lado enriquecido do CHUR?
- Asha tem quase a razão de estrôncio do manto empobrecido, mas um muito mais baixo. Onde ela fica em relação à faixa mantélica, e com qual grupo de ilhas do capítulo ela se parece?
- Por que as razões isotópicas das lavas podem ser tomadas como as de suas fontes, embora as lavas tenham Sm/Nd e Rb/Sr muito diferentes das de suas fontes?
- Uma lava de Kora com tem . Quanto cresceu sua desde a erupção, em unidades épsilon? Isso importa?
Parte II — Misturar os dois componentes.
- Escreva a concentração de Nd e a de uma mistura com uma fração em massa de sedimento.
- Calcule o de misturas com , 1, 2 e 5 por cento.
- Calcule a das mesmas misturas.
- Mostre que a das misturas é uma reta em função de e dê sua inclinação.
- Calcule . Qual razão, a do Sr ou a do Nd, se move mais depressa em direção ao sedimento quando cresce?
- Quantas vezes o sedimento é mais rico que o manto em Nd, e em Sr? Explique com esses números por que um por cento de sedimento desloca em cerca de 11 unidades.
- Que fração do neodímio de uma mistura com por cento vem do sedimento?
Parte III — Quanto sedimento?
- Resolva a equação de mistura do Nd em , dada a razão da mistura.
- Calcule para Kora a partir de seu neodímio.
- Calcule para Kora a partir de seu estrôncio. Os dois concordam?
- Calcule para Vel a partir de seu neodímio e de seu estrôncio.
- Calcule para Asha a partir de seu neodímio, e a razão de estrôncio que esse prevê. Compare com o valor medido: o que você conclui sobre a fonte de Asha?
- Sugira um terceiro componente para Asha, tirado do capítulo, e as razões pai–filho que ele deve ter tido.
Parte IV — A idade do sedimento.
- O sedimento foi subductado há e está fechado desde então. Calcule sua , a do CHUR e seu naquela época.
- Refaça o cálculo com a proposição do crescimento linear.
- Calcule a do sedimento há .
- Há , a crosta da figura de tinha . O valor do sedimento na subducção é compatível com uma origem por erosão de uma crosta continental tão jovem?
- Indique a fração em massa de sedimento reciclado na fonte da ilha mais enriquecida, o número-chave deste problema.
Solução
Solução de Problema 4.1.
1. Manto: . Sedimento: .
2. Kora , Vel , Asha .
3. Com na horizontal e na vertical: manto (0.70282, ), Kora (0.70410, ), Vel (0.70618, ), sedimento (0.72000, ), Asha (0.70290, ). Só Vel, com um negativo, fica do lado enriquecido do CHUR.
4. Abaixo da faixa: na razão de estrôncio do manto empobrecido, a faixa teria perto de ; Asha tem . Ela se parece com o grupo de Santa Helena, de tipo HIMU (Mangaia, Tubuai, Santa Helena).
5. A fusão altera as razões pai–filho, mas não, de modo mensurável, as razões isotópicas do estrôncio e do neodímio (proposição sobre a fusão); as lavas são jovens, de modo que suas razões não cresceram desde a erupção (questão 6).
6. , ou unidade épsilon: muito abaixo das diferenças entre as ilhas, e abaixo da precisão de uma medida.
7. , e .
8. por cento: Nd , ; 1 por cento: 1.1425, ; 2 por cento: 1.535, ; 5 por cento: 2.7125, .
9. Sr 10.95, 11.90, 13.80 e ; , 0.70571, 0.70780 e 0.71163.
10. e ; eliminando , , logo : uma reta de inclinação (ppm) em função de . Verificação em por cento: .
11. . O manto é relativamente mais rico em estrôncio, o sedimento em neodímio, de modo que a razão do Nd se move em direção ao sedimento mais depressa: um pouco de sedimento desloca muito o antes que a se mova muito.
12. 53 vezes mais rico em Nd (), 20 vezes em Sr. Com por cento, o sedimento fornece por cento do neodímio, o que desloca em unidades, mas só por cento do estrôncio.
13. : 35 por cento.
14. De : , e o mesmo com 200 e 10 para o estrôncio.
15. : 0.40 por cento.
16. : 0.40 por cento; os dois concordam.
17. Neodímio: ; estrôncio: . Ambos dão 1.2 por cento.
18. , o que prevê Sr e , contra 0.70290 medido. Asha não está sobre a curva de mistura manto–sedimento: sua fonte contém outro componente.
19. Crosta oceânica reciclada antiga, o tipo HIMU: seus isótopos de Nd exigem uma Sm/Nd um pouco abaixo da do manto empobrecido, seus isótopos de Sr uma Rb/Sr baixa, e seu chumbo (não medido aqui) uma U/Pb alta, tudo isso durante um a dois bilhões de anos.
20. . Sedimento: ; CHUR: ; .
21. ; desde a subducção, variou , logo , a 0.2 unidade do valor exato.
22. ; .
23. Na subducção, o sedimento tinha , próximo dos de uma crosta com apenas 0.7 bilhão de anos naquela época, e bem acima dos valores fortemente negativos da crosta antiga: ele corresponde à erosão de crosta jovem, talvez misturada com algum material derivado do manto. Sua de 0.7058 naquela época também é a de uma rocha crustal jovem.
24. A fonte de Vel, a ilha mais enriquecida, contém de sedimento reciclado.