Física universitária — 3.º ano · Bachelor Year 3
17O ensemble canônico
Os sistemas isolados são uma ficção de teórico: as amostras reais ficam em termostatos, em salas, em oceanos de ar — em contato com um reservatório que não fixa a energia delas, mas a temperatura. O volume do segundo ano encontrou empiricamente a lei resultante: a probabilidade de um estado de energia carrega o fator . Este capítulo deduz esse fator de Boltzmann em quatro linhas a partir da contagem do Capítulo 16 e depois constrói a máquina que faz da física estatística uma disciplina industrial: a função de partição , uma única soma da qual a energia, a entropia, a pressão, a capacidade térmica e as flutuações caem todas por derivação. As primeiras vitórias da máquina são recontadas aqui: por que as capacidades térmicas morrem em baixa temperatura (Einstein, 1907 — a primeira teoria quântica da matéria), por que a capacidade térmica do hidrogênio sobe uma escadaria, por que o céu rarefaz exponencialmente — e como Perrin, observando grãos microscópicos assentarem numa gota d’água, contou o número de Avogadro e encerrou o debate sobre a realidade dos átomos.
17.1 A distribuição de Boltzmann, deduzida
Teorema 17.1 (Distribuição canônica)
Um sistema que troca energia com um grande reservatório à temperatura ocupa seu microestado (de energia ) com probabilidade
( daqui em diante). O , a função de partição, normaliza as probabilidades — e acaba por conter toda a termodinâmica do sistema.
Demonstração. O sistema no estado deixa ao reservatório a energia : pelo postulado fundamental aplicado ao todo, . Expanda a entropia do reservatório, enorme e suave, até primeira ordem: , pela definição de temperatura. Logo, . (As ordens superiores morrem com o tamanho do reservatório.) ∎
Proposição 17.2 (A máquina)
A partir de :
em que é a energia livre; e a capacidade térmica é uma flutuação:
Para subsistemas independentes e distinguíveis, ; para partículas idênticas numa caixa comum, . A e fixos, o equilíbrio minimiza : a natureza troca energia por entropia à taxa de câmbio — o princípio isolado mais útil da física da matéria.
Demonstração parcial. ; mais uma derivada dá , e a regra da cadeia converte em . As identificações de , e decorrem de comparar com o termodinâmico; a fatoração é a exponencial de uma soma. O princípio de mínimo: decrescer é crescer, pois . ∎
17.2 As primeiras vitórias
Exemplo 17.3 (Dois níveis, em duas linhas)
Para os níveis : , o que dá — o resultado que custou uma página de Stirling à rota microcanônica (Exercício 16.8). O formalismo canônico é o microcanônico com a combinatória pré-digerida; a corcova de Schottky em decorre de uma única derivação.
Exemplo 17.4 (O sólido de Einstein e a morte de Dulong–Petit)
Modele um cristal como osciladores quânticos de frequência (Capítulo 9). Por oscilador,
Em alto: por oscilador e — a lei de Dulong–Petit do volume do primeiro ano, explicada. Em baixo, o quantum fica inacessível e desaba exponencialmente — como se mede, e inexplicável classicamente. A curva de Einstein de 1907, com um parâmetro por elemento, foi a primeira aplicação dos quanta à matéria comum; o diamante, de ligações duras e átomos leves (), ainda está “congelado” à temperatura ambiente — a anomalia que intrigara os químicos por oitenta anos (Exercício 17.6).
Teorema 17.5 (A equipartição, com sua licença)
Toda coordenada ou momento que entre quadraticamente na energia contribui, no regime clássico (de alta temperatura), com
para a energia média: para um átomo de gás monoatômico, para uma diatômica que gira, para um oscilador. A licença expira quando o cai abaixo do espaçamento de níveis do modo: o modo congela e sua contribuição some — a solução dos escândalos das capacidades térmicas do século XIX, desenhada como a escadaria acima.
Exemplo 17.6 (O gás, canonicamente)
Um átomo numa caixa: (a contagem de estados da Proposição 7.5 ponderada por Boltzmann); com átomos idênticos: . Então , e a derivação entrega , a entropia de Sackur–Tetrode e — o gás ideal inteiro, a partir de uma só integral gaussiana. O fator de Boltzmann aplicado à energia cinética de uma molécula dá a distribuição de velocidades de Maxwell do volume do primeiro ano, agora deduzida; aplicado à energia potencial , dá a atmosfera exponencial — e, numa gota d’água, a escada de grãos de Perrin (Problema 17.1).
Método 17.7 (Ofício canônico)
(1) Liste os estados e as energias de uma unidade; calcule . (2) Fatore: (ou para partículas idênticas que compartilham o espaço); tome o cedo. (3) Derive: em para a energia, em para a entropia via , em para a pressão; uma segunda derivada para e para as flutuações. (4) Confira as duas pontas: o alto tem de reproduzir a equipartição, e o baixo tem de congelar com uma cauda . (5) Competições (enovelamento, ligação, alinhamento): escreva para cada alternativa e deixe vencer a menor — a transição fica em .
17.3 Exercícios
Exercício 17.1 ★
(a) Escreva a razão de populações de dois níveis separados por à temperatura . (b) Numa chama a , que fração dos átomos de sódio fica no estado excitado de da linha D (degenerescência 2 no fundamental e 6 no excitado: razão de populações )? (c) Por que a chama, ainda assim, arde em amarelo (quantos átomos por cm bastam)? (d) A que temperatura a fração excitada chegaria a ?
Solução
Solução de Exercício 17.1.
(a) . (b) : fração . (c) Uma chama carrega átomos de sódio por cm: mesmo deles, reciclando a cada poucos nanossegundos, despejam fótons amarelos por segundo — ofuscante. (d) : — uma fotosfera estelar, não uma chama.
Exercício 17.2 ★
Um sistema de três níveis: . (a) Escreva . (b) Calcule e confira os dois limites de temperatura. (c) A que o nível do meio fica maximamente povoado em termos absolutos? (d) Mostre que temperatura alguma, por mais alta, torna um nível superior mais povoado que um inferior — que conceito do capítulo 16 seria necessário para isso?
Solução
Solução de Exercício 17.2.
(a) . (b) : em baixo, (o nível médio) em temperatura alta. (c) cresce monotonamente com , aproximando-se do seu supremo apenas quando . (d) Os pesos de Boltzmann só decrescem com a energia em ; uma inversão de população exige as temperaturas negativas do Exemplo 16.8, inatingíveis por reservatório algum.
Exercício 17.3 ★
A atmosfera isotérmica. (a) Aplique o fator de Boltzmann à energia potencial e deduza . (b) Calcule a altura de escala do ar () a . (c) A pressão no cume do Everest como fração da do nível do mar. (d) Por que o decaimento da atmosfera real é próximo, mas não exatamente exponencial (o que mantivemos constante e não é)?
Solução
Solução de Exercício 17.3.
(a) O fator de Boltzmann sobre a uniforme. (b) . (c) : um terço de uma atmosfera — e por isso os alpinistas levam oxigênio. (d) A atmosfera real não é isotérmica: a temperatura cai com a altura, e por isso o perfil se afasta de uma única exponencial.
Exercício 17.4 ★
Contabilidade da equipartição. Conte os termos quadráticos e preveja o molar (a) do argônio; (b) do N à temperatura ambiente (rotação ligada, vibração congelada); (c) do N a ; (d) de um sólido cristalino (Dulong–Petit). Onde os valores medidos , , e concordam, e o que cada discrepância ensina?
Solução
Solução de Exercício 17.4.
(a) Três translações: , exatamente de acordo. (b) Some duas rotações: , como se mede: a vibração está congelada. (c) Previsão de ; o valor medido mostra a vibração apenas em parte descongelada (). (d) : Dulong–Petit, obedecida à temperatura ambiente pela maioria dos metais e desobedecida pelo diamante — a história do congelamento do Exercício 17.6.
Exercício 17.5 ★★
O oscilador quântico, canonicamente. (a) Some a série geométrica de . (b) Deduza e identifique — o resultado do Exercício 9.6, agora sem esforço. (c) Derive para obter e verifique os dois limites. (d) Por que a forma de está prestes a ficar famosa (Capítulo 20)?
Solução
Solução de Exercício 17.5.
(a) . (b) dá a forma enunciada, com . (c) em alto; em temperatura baixa. (d) Sendo a energia de um quantum de luz, é o número térmico de fótons por modo: a lei de Planck está a um capítulo de distância.
Exercício 17.6 ★★
Einstein contra os dados. (a) Pela fórmula da figura, em que o caiu à metade do valor de Dulong–Petit? (b) Diamante: — calcule a e explique a “anomalia do diamante” do século XIX. (c) Chumbo: — por que o chumbo sempre foi “bem-comportado”? (d) As medidas em muito baixo mostram , e não exponencial: qual das hipóteses de Einstein falha (todos os osciladores com uma só frequência), e quem a consertou (Capítulo 20)?
Solução
Solução de Exercício 17.6.
(a) Numericamente, perto de . (b) : — à temperatura ambiente, o diamante mal tem um quarto da capacidade térmica clássica: a “anomalia” é o congelamento quântico à vista de todos. (c) põe o chumbo bem dentro do regime clássico a . (d) A hipótese de frequência única: os sólidos reais têm um espectro de modos que desce até o som de longo comprimento de onda, cujos quanta baratos dão a lei — o conserto de Debye, no Capítulo 20.
Exercício 17.7 ★★
A cauda de Maxwell e o hidrogênio ausente. (a) A partir do fator de Boltzmann sobre a energia cinética, escreva a distribuição de velocidades e localize a velocidade mais provável do N e do H a . (b) A velocidade de escape da Terra é : calcule para os dois gases. (c) A fração que escapa vai como : compare os dois expoentes e conclua que gás vaza em tempo geológico. (d) Conecte com a composição observada das atmosferas da Terra (sem H livre) e de Júpiter (quase toda H) — que dois parâmetros invertem o veredito?
Solução
Solução de Exercício 17.7.
(a) : : para o N e para o H. (b) para o N e para o H. (c) é nunca; por tempo de residência é lento — mas a alta atmosfera quente () suaviza o expoente do hidrogênio para : o hidrogênio sangra ao longo do tempo geológico, e o nitrogênio fica. (d) A velocidade de escape e a temperatura da exosfera: o poço de de Júpiter torna astronômico até o expoente do hidrogênio — os gigantes gasosos guardam o que os mundos pequenos e mornos perdem.
Exercício 17.8 ★★
As flutuações encontram a resposta. (a) Demonstre a partir de duas derivadas de . (b) Verifique isso explicitamente no sistema de dois níveis. (c) Para unidades independentes, mostre que a flutuação de energia relativa cai como . (d) Enuncie a moral: o que a disposição de um sistema a absorver calor (uma resposta) tem a ver com o quanto sua energia vibra (uma flutuação) — a barganha recorrente da física estatística.
Solução
Solução de Exercício 17.8.
(a) , e . (b) Os dois lados dão . (c) e . (d) O quanto um sistema responde ao aquecimento é igual ao quanto sua energia vibra espontaneamente — resposta e flutuação são duas leituras da mesma segunda derivada, um padrão (flutuação–dissipação) que reaparece por toda a física.
Exercício 17.9 ★★
Boltzmann no laboratório de química. As taxas de reação carregam o fator (a travessia de uma barreira de ativação — Arrhenius). (a) Mostre que a regra prática “a taxa dobra a cada perto da temperatura ambiente” corresponde a . (b) Por que fator essa reação desacelera numa geladeira ()? (c) Cozinhar um ovo em altitude: a água ferve a num passo de — estime o tempo extra de cozimento. (d) Por que é a cauda além da barreira, e não a energia média, que governa a química (quais moléculas reagem)?
Solução
Solução de Exercício 17.9.
(a) com e : . (b) De a : um fator mais lento — e é por isso que as geladeiras conservam alimentos. (c) : a taxa cai por : o ovo de onze minutos precisa de um quarto de hora. (d) As reações são vencidas pela cauda exponencial das moléculas acima da barreira: desloque um pouco a temperatura e a população da cauda se desloca enormemente — a média quase não importa.
Exercício 17.10 ★★★
Enovelamento de dois estados. Uma biomolécula está enovelada (energia , uma configuração) ou desenovelada (energia , configurações). (a) Escreva a fração enovelada em função de . (b) Mostre que o ponto médio da “fusão” é e interprete-o como um empate em . (c) Com e (a unidade cooperativa de uma proteína pequena): calcule e a largura da transição. (d) Por que a cooperatividade (muitos contatos que se rompem juntos, com e grandes) torna a fusão mais abrupta — e como as máquinas de ciclagem térmica de DNA (PCR) exploram exatamente isso?
Solução
Solução de Exercício 17.10.
(a) , com a entropia do estado desenovelado embutida na energia livre dele. (b) Em as duas energias livres empatam: meio a meio. (c) (); largura . (d) A cooperatividade multiplica tanto quanto pelo número de contatos que se rompem juntos, mantendo e encolhendo a largura : as fitas de DNA se separam ao longo de uns poucos kelvins, o que é o que permite a uma máquina de PCR ciclar limpamente entre “fundido” e “anelado”.
Exercício 17.11 ★★★
Paramagnetismo e resfriamento magnético. spins de momento num campo . (a) Mostre que e expanda até a lei de Curie . (b) Avalie o alinhamento para momentos eletrônicos em e , e depois a . (c) Desmagnetização adiabática: magnetize a , isole e reduza dez vezes — mostre que entropia constante significa constante, de modo que cai dez vezes. (d) O que fixa o piso dessa geladeira (as interações entre os spins — estime a escala dipolar para , em unidades de temperatura)?
Solução
Solução de Exercício 17.11.
(a) ; para argumento pequeno: o de Curie. (b) : a ; a — de indiferente a fortemente alinhado. (c) O depende só de ; baixar a entropia fixa arrasta para baixo na mesma proporção: . (d) Quando o alcança a energia spin–spin, a entropia deixa de ser controlada pelo campo: — o piso clássico (os momentos nucleares, mil vezes mais fracos, o empurram para microkelvins).
Exercício 17.12 ★★★
A escadaria rotacional, quantitativamente. Os níveis rotacionais de uma diatômica são , com degenerescência (Capítulo 10). (a) Escreva e mostre que, para , a soma vira a integral : o da equipartição recuperado em . (b) Defina e avalie-o para o H () e o N (): que gás mostra o degrau rotacional em temperaturas acessíveis? (c) Esboce a escadaria completa do do hidrogênio, com seus três patamares e dois degraus, pondo números nos dois. (d) O comportamento medido em baixo do H é ainda complicado pela mistura orto–para 3:1 do Exercício 14.8: diga numa frase como a estatística de spin nuclear chega até a capacidade térmica de um gás.
Solução
Solução de Exercício 17.12.
(a) : então e . (b) H: — o degrau fica na faixa do laboratório; N: , congelado só perto do hélio líquido, de modo que o nitrogênio mostra sempre . (c) Patamares em (abaixo de ) e em (de a ), subindo rumo a perto de . (d) Os ímpares e pares pertencem a espécies de spin nuclear diferentes, que se interconvertem devagar, e por isso o do hidrogênio frio depende da história orto–para dele — a estatística nuclear auditada por um calorímetro.
17.4 Problema: Contar Avogadro numa gota d’água
Problema 17.1
Problema de fim de semana — os grãos de Perrin e a realidade dos átomos
Em 1908, Jean Perrin suspendeu grãos microscópicos de resina em água, deixou-os assentar e os contou camada a camada ao microscópio. A escada exponencial que ele encontrou era o fator de Boltzmann tornado visível — e, da altura de escala dela, ele extraiu o número de Avogadro, convencendo os últimos céticos de que os átomos existem. Prêmio Nobel, 1926. Dados: grãos de goma-guta de raio e densidade ; água com ; ; .
Parte I — O fator de Boltzmann visível.
- Um grão na água sente a gravidade menos o empuxo: calcule sua massa efetiva e o peso dela.
- Escreva o perfil de concentração de equilíbrio a partir do fator de Boltzmann.
- Calcule a altura de escala com o moderno.
- Por que os grãos precisam ter tamanho tão precisamente único (como depende de )?
- Compare com a mesma fórmula para as moléculas do ar: por que a atmosfera dos grãos tem micrômetros de altura, e a do ar tem quilômetros?
- Perrin contou (numa das rodadas) concentrações relativas de em quatro profundidades igualmente espaçadas, a uma da outra: verifique que isso é uma escada exponencial e extraia o dela.
Parte II — Pesar o invisível.
- Inverta: a partir do medido do item 6 e do conhecido, extraia .
- A constante dos gases já era conhecida da química macroscópica: combine-a com o seu para obter o número de Avogadro .
- As rodadas de Perrin deram entre e : compare com o valor moderno e comente o feito, dados o microscópio e o cronômetro dele.
- A partir de , calcule a massa de um único átomo de hidrogênio — o número que os atomistas queriam havia um século.
- Explique a estrutura lógica: que medidas macroscópicas (; o tamanho e a densidade dos grãos; a escada) se combinam para pesar um átomo, sem que átomo algum jamais seja visto?
- Por que os grãos — de massas atômicas cada — obedecem à mesma estatística de Boltzmann que as moléculas (o que, na dedução do Teorema 17.1, se importa com o tamanho)?
Parte III — O tremor que sela o caso.
- Os mesmos grãos tremem: a fórmula de Einstein de 1905 para o movimento browniano dá com (água: ). Calcule para os grãos de Perrin.
- Quanto um grão vagueia em um minuto? Perrin poderia medi-lo com uma ocular micrométrica e um cronômetro?
- Perrin verificou e extraiu de novo, de modo independente: por que duas rotas sem relação (uma escada estática; um tremor dinâmico) até um mesmo número tiveram tanto peso probatório?
- O tremor é a equipartição aplicada ao grão: cada componente da velocidade carrega . Estime a velocidade térmica quadrática média do grão ().
- Por que essa velocidade nunca é vista diretamente (o que interrompe o voo livre depois de nanômetros), e o que se vê no lugar dela?
- Diga que dois capítulos deste livro se encontram na observação: a mecânica do arrasto (volume do segundo ano, viscosidade) e a estatística deste capítulo.
Parte IV — O que ficou resolvido.
- Ostwald e Mach sustentavam que os átomos eram ficções contábeis: diga numa frase por que um contado a partir de escadas de grãos encerrou essa posição.
- Liste outras três rotas dos anos 1900 que convergiram para o mesmo (o azul do céu, Exercício 16.12; a eletrólise mais a carga do elétron; a produção de hélio pela radioatividade) — por que a convergência importou mais que qualquer valor isolado?
- A escada de Perrin é um equilíbrio entre quais duas moedas deste capítulo (a energia puxando para baixo, a entropia espalhando para cima), cotadas a que taxa?
- Usos modernos da mesma física: as ultracentrífugas analíticas giram proteínas a para comprimir as “atmosferas” delas em escadas mensuráveis — mostre que multiplicar por divide pelo mesmo fator, e estime para uma proteína de massa efetiva a e .
- Dobrar o raio do grão divide por oito: delimite a janela prática de tamanhos de grão entre “escada alta demais para se ver um gradiente” e “escada mais fina que um grão”, para um campo de microscópio de de profundidade.
- Desde 2019, o SI define exatamente e : diga o que um experimento à moda de Perrin mede hoje (uma verificação de coerência, ou uma calibração do aparelho e dos grãos) — e por que a física não mudou.
- Resuma o resultado central: a concentração de um grão de cai à metade a cada de altura; lida com , essa escada rendeu — átomos contados, e não conjecturados, numa gota d’água sobre a platina de um microscópio.
Solução
Solução de Problema 17.1.
1. : , com peso . 2. : a lei barométrica, encolhida a uma lâmina de microscópio. 3. . 4. : uma dispersão de no raio é uma dispersão de na altura de escala — grãos polidispersos borram a escada até virar mingau. Perrin fracionou os seus durante meses, por centrifugações repetidas. 5. Mesma fórmula, com massas vezes diferentes: a “atmosfera” dos grãos é vezes mais rasa — quilômetros encolhem a dezenas de micrômetros, que é precisamente o que a torna observável por inteiro ao microscópio. 6. Razões sucessivas de , e : constantes dentro do erro de contagem — exponencial. . 7. . 8. . 9. Aqui, dentro de alguns por cento (com dados idealizados); as rodadas reais de Perrin se espalhavam em torno do valor moderno — espantoso para grãos contados à mão, e absolutamente decisivo para a ordem de grandeza. 10. . 11. A química macroscópica fornece ; a microscopia óptica e a pesagem fornecem ; a contagem fornece a escada: três medidas de bancada triangulam a massa de um átomo que ninguém consegue ver. 12. Nada: a dedução usou apenas “um sistema que troca energia com um reservatório” — o fator de Boltzmann é cego ao tamanho, que é exatamente o que Perrin verificou. 13. . 14. por minuto: confortavelmente mensurável com uma ocular graduada e paciência. 15. Dois fenômenos independentes, duas fórmulas independentes, um só número: a concordância entre a escada estática e o tremor dinâmico não deixou nicho algum para a coincidência — a hipótese molecular previa os dois. 16. por componente. 17. O grão é golpeado vezes por segundo e esquece sua velocidade em poucos nanômetros: o voo balístico é inobservável, e o que o olho vê é a integral dele — a caminhada aleatória difusiva. 18. O arrasto de Stokes (a viscosidade dos fluidos do volume do segundo ano) fornece o ; o ensemble canônico fornece o : o de Einstein é o quociente dos dois, mecânica e estatística numa só fração. 19. Uma ficção não pode ser contada: uma vez que é a razão entre dois números medidos, com barras de erro, os átomos passam a ser objetos de experimento — Ostwald cedeu por escrito em 1909. 20. O espalhamento que faz o céu azul, a eletrólise com a carga do elétron medida, o hélio acumulado a partir do rádio: quatro canais físicos sem relação entre si convergindo para um mesmo fizeram do número uma propriedade da natureza, e não de teoria alguma. 21. A energia gravitacional puxando os grãos para baixo, a entropia configuracional espalhando-os para cima, trocadas à taxa : a escada é o mínimo de . 22. : a , para a proteína — o equilíbrio de sedimentação, o experimento de Perrin refeito todo dia nos departamentos de bioquímica. 23. De “alta demais” ( profundidade do campo: nenhum gradiente visível) a “fina demais” (): os raios utilizáveis vão de cerca de a — a escolha de Perrin não foi sorte, foi projeto. 24. Com o agora exato por definição, o mesmo experimento calibra os grãos (o tamanho ou a densidade deles) ou audita a montagem: a física — a escada de Boltzmann — fica intocada; só mudou que grandeza conta como incógnita. 25. A população de um grão de cai à metade a cada ; lida por , a escada devolveu : o número de Avogadro contado grão a grão — e o debate atômico encerrado sobre a platina de um microscópio.