Física universitária — 3.º ano · Bachelor Year 3
9O oscilador harmônico quântico
Quase nada na natureza é exatamente um oscilador harmônico, e quase tudo é aproximadamente um: qualquer sistema afastado de um equilíbrio estável — a ligação de uma molécula, um átomo num cristal, uma ponte, um modo do campo eletromagnético — sente uma força restauradora proporcional ao deslocamento, porque todo potencial suave é uma parábola no fundo do seu poço. Quem resolve o oscilador quântico uma vez resolve, portanto, as pequenas vibrações do mundo inteiro. Este capítulo o resolve no estilo algébrico que se tornou a assinatura da mecânica quântica: dois operadores de escada sobem e descem uma escada perfeitamente regular de níveis , sendo o meio degrau de baixo — a energia de ponto zero — um teorema, e não uma opção. As consequências vão de por que o hélio nunca congela até como uma molécula de dióxido de carbono, ressoando no seu próprio , intercepta o calor que a Terra emite.
9.1 A escada
Definição 9.1 (Operadores de escada)
Para , introduza o par adimensional e não hermitiano
A partir de :
é hermitiano; seus autovalores contarão quanta, e , — os operadores de aniquilação e de criação — retirarão e acrescentarão um.
Teorema 9.2 (O espectro, só por álgebra)
Os autovalores de são exatamente
— uma escada infinita de degraus iguais acima de um nível fundamental que não é nulo: a energia de ponto zero . Os autoestados normalizados são ligados por
Demonstração. Do comutador, : se é autovetor de com autovalor , então é um autovetor de autovalor (ou o vetor nulo). Cada descida só é permitida enquanto , pois ; a descida tem, portanto, de terminar, e só termina num estado com , donde . Assim, percorre os inteiros não negativos. As normalizações seguem de e . ∎
Proposição 9.3 (Os estados no espaço)
O estado fundamental é a gaussiana
obtida resolvendo a equação de primeira ordem ; ela satura a desigualdade de Heisenberg, , com . Aplicar repetidamente gera : um polinômio de grau (com nós) vezes a mesma gaussiana. Para grande, oscila rapidamente em torno da distribuição clássica do tempo de permanência, máxima perto dos pontos de retorno — o princípio da correspondência em imagem.
Demonstração parcial. se lê : a gaussiana, normalizada. Saturação: a gaussiana é o caso de igualdade do Teorema 8.10. A estrutura polinomial decorre de ser de primeira ordem em e ; o enunciado para grande é verificado no Exercício 9.12. ∎
9.2 A energia de ponto zero é real
Observação 9.4 (Por que o piso não pode ser mais baixo)
Um estado de energia nula exigiria : perfeitamente parado e perfeitamente centrado, o que proíbe. O estado fundamental é o melhor compromisso que a desigualdade permite, e é o aluguel. Não se trata de uma constante de contabilidade: o movimento de ponto zero borra os padrões de difração de raios X no zero absoluto; ele dá aos isótopos mais leves ligações efetivas mais fracas (H e D se dissociam a energias mensuravelmente diferentes a partir do mesmo poço eletrônico); e no hélio ele é tão violento — átomos leves, atração débil — que o líquido nunca congela sob sua própria pressão de vapor: é o único elemento ainda líquido no zero absoluto, solidificando-se apenas com a ajuda de 25 atmosferas.
Exemplo 9.5 (Escalas de )
Ligação do monóxido de carbono (): , dez vezes o da temperatura ambiente — as vibrações moleculares estão paradas no ar do dia a dia, e é por isso que as capacidades térmicas dos diatômicos intrigaram o século XIX. Um pêndulo (): , irremediavelmente além da resolução — o limite da correspondência. Um espelho do LIGO de , suspenso de modo a oscilar a , tem como modo de oscilador a amplitude de ponto zero — e o observatório resolve rotineiramente deslocamentos nesse piso quântico: o movimento de ponto zero de um objeto de quarenta quilogramas é hoje um vínculo de engenharia (Exercício 9.3).
9.3 Estados coerentes: a face clássica do oscilador quântico
Definição 9.6 (Estados coerentes)
Um estado coerente é um autovetor do operador de aniquilação, , com um número complexo qualquer. Expandido na escada,
a contagem quântica segue uma distribuição de Poisson, de média e dispersão .
Proposição 9.7 (Por que os lasers são clássicos)
Um estado coerente é a gaussiana do estado fundamental deslocada no espaço de fases; sob a evolução do oscilador ele permanece coerente, com : seu centro executa exatamente o movimento clássico, , ao passo que suas larguras permanecem para sempre no mínimo — um pacote de onda que nunca se espalha. Os estados coerentes são o modo como um oscilador quântico imita um clássico; a luz de um laser é um estado coerente de um modo do campo, com número de fótons poissoniano (o ruído de disparo de todo fotodetector) e campo oscilando como Maxwell dizia.
Demonstração parcial. A expansão decorre de escrever em : . Evolução: cada ganha , o que se ressoma num estado coerente de (a menos de fase global). , a partir de . Que o estado seja a gaussiana deslocada é aqui admitido. ∎
Método 9.8 (Álgebra do oscilador)
(1) Exprima o que se pede em e : , . (2) Empurre os para a direita com ; use . (3) Elementos de matriz: liga apenas degraus vizinhos — a regra de seleção da espectroscopia vibracional. (4) Toda hamiltoniana quadrática (osciladores acoplados, circuitos, modos de campo) se diagonaliza em escadas independentes: encontre primeiro os modos normais e quantize cada um. (5) Números antes de tudo: contra decide se o sistema é quântico ou clássico antes de qualquer álgebra.
9.4 Exercícios
Exercício 9.1 ★
(a) Verifique a partir de . (b) Verifique por expansão direta. (c) Inverta para exprimir e . (d) Mostre que é hermitiano e explique por que sozinho não poderia ser um observável.
Solução
Solução de Exercício 9.1.
(a) Ao expandir, os termos em e se cancelam entre e , restando . (b) : multiplique por . (c) , . (d) ; não é hermitiano, e seus “autovalores” são complexos — nenhum aparelho de medida os devolve.
Exercício 9.2 ★
No autoestado : (a) mostre que ; (b) calcule e ; (c) deduza ; (d) verifique a razão do virial .
Solução
Solução de Exercício 9.2.
(a) e deslocam de : os elementos diagonais se anulam. (b) , (os termos ). (c) : só o estado fundamental é mínimo. (d) As duas médias valem : a equipartição do oscilador clássico, nível a nível.
Exercício 9.3 ★
Amplitudes de ponto zero : calcule-as para (a) a molécula de CO (, ), comparando com o comprimento de ligação de ; (b) um átomo de hidrogênio num sólido (, ); (c) um espelho do LIGO (, ); (d) ordene os três como frações do tamanho de seus sistemas e comente quem é “quântico”.
Solução
Solução de Exercício 9.3.
(a) : três por cento da ligação — uma molécula é um objeto ligeiramente borrado mesmo à temperatura nula. (b) , mais de um décimo de ångström: o hidrogênio é o átomo mais borrado de qualquer cristal, o que o espalhamento de nêutrons vê diretamente. (c) — vinte e cinco ordens abaixo do tamanho do espelho, e ainda assim a leitura do LIGO o alcança. (d) Em fração: molécula , hidrogênio , espelho : “quântico” não é uma questão de ser pequeno, mas de contra todo o resto — e, no entanto, com finesse bastante, até quarenta quilogramas mostram o seu piso.
Exercício 9.4 ★
(a) Usando as relações da escada, calcule e mostre que se anula a menos que . (b) Deduza a regra de seleção vibracional para a absorção de luz (o acoplamento é ). (c) Por que uma molécula heteronuclear (CO) absorve luz infravermelha e a N não? (d) As moléculas reais mostram linhas fracas de “sobretom” em : o que isso revela sobre o potencial?
Solução
Solução de Exercício 9.4.
(a) . (b) A interação com a luz, , só pode subir ou descer um degrau: , uma frequência infravermelha por modo. (c) A vibração do CO modula um dipolo não nulo; a nuvem de carga simétrica do N não produz dipolo algum em nenhum estiramento: é inativo no infravermelho. (d) Os sobretons só existem porque o potencial verdadeiro não é exatamente quadrático: a anarmonicidade mistura degraus e permite fracamente — e aproxima os degraus altos entre si, como mostram os espectros reais.
Exercício 9.5 ★★
(a) Resolva como equação diferencial e normalize. (b) Gere e aplicando . (c) Verifique só pela paridade. (d) Esboce as três densidades e confira a contagem de nós.
Solução
Solução de Exercício 9.5.
(a) : a gaussiana normalizada do texto. (b) ; . (c) é par e é ímpar: o integrando da superposição é ímpar. (d) Zero, um e dois nós — o teorema da oscilação em miniatura.
Exercício 9.6 ★★
Antecipando Boltzmann. Um conjunto de osciladores idênticos à temperatura ocupa o nível com probabilidade (volume do segundo ano, fator de Boltzmann). (a) Mostre que o número quântico médio é . (b) Avalie-o para a vibração do CO a e a . (c) Mostre que a energia média tende a em alta temperatura (equipartição recuperada) e a em baixa. (d) A que temperatura uma vibração de (a flexão do dióxido de carbono) tem ?
Solução
Solução de Exercício 9.6.
(a) Com : . (b) CO a : , — parado; a : , — despertando. (c) para ; para . (d) : , — a atmosfera da Terra mantém a flexão do dióxido de carbono parcialmente acesa.
Exercício 9.7 ★★
Estatística dos estados coerentes. (a) A partir da expansão de , mostre que é uma poissoniana de média . (b) Mostre que e . (c) Um laser de a : fótons por segundo e a flutuação relativa em um segundo. (d) Ruído de disparo: mostre que a razão ruído-sinal da fotocorrente cai como — por que os feixes intensos parecem lisos.
Solução
Solução de Exercício 9.7.
(a) : poissoniana. (b) A média e a variância de uma poissoniana valem ambas . (c) fótons por segundo; . (d) A fotocorrente herda a dispersão poissoniana: ruído sobre sinal — o piso de ruído de disparo, audível na luz fraca, desprezível na intensa.
Exercício 9.8 ★★
Evolução de um estado coerente. (a) Aplique as fases de evolução à expansão e mostre que se obtém com (a menos de uma fase global). (b) Deduza e e compare com a solução clássica. (c) Por que um autoestado de energia, apesar de estacionário, não descreve um pêndulo que oscila — e que característica do estado coerente descreve? (d) Estime para um pêndulo real (, amplitude de , ) e comente.
Solução
Solução de Exercício 9.8.
(a) Cada termo ganha (fase global à parte): a soma é de novo coerente, com . (b) : um cosseno puro em , com amplitude e fase fixadas por — exatamente clássico. (c) A densidade de um autoestado nunca se move; o pêndulo que vemos é uma superposição coerente de muitos degraus cujas fases conspiram para oscilar. (d) , : , — o movimento macroscópico é coerência com números quânticos astronômicos.
Exercício 9.9 ★★
O circuito LC quântico. Uma malha supercondutora com e faz a carga e o fluxo oscilarem como e . (a) Sua frequência de ressonância (volume do primeiro ano) e o quantum em . (b) Abaixo de que temperatura vale , de modo que o circuito fique no estado fundamental? (c) Por que os qubits supercondutores são operados em refrigeradores de diluição a ? (d) A flutuação de tensão de ponto zero com : avalie-a.
Solução
Solução de Exercício 9.9.
(a) (); . (b) : bem abaixo de uns . (c) A , a excitação térmica vale : o circuito fica em , pronto para ser um qubit — a temperatura ambiente enterraria o quantum sob quanta térmicos. (d) (algumas cargas de elétron); de zumbido irredutível.
Exercício 9.10 ★★★
Van der Waals a partir do movimento de ponto zero. Modele dois átomos neutros à distância como dois osciladores dipolares idênticos (carga , massa , frequência ) cujos deslocamentos se acoplam pela energia dipolar , com . (a) Mostre que as coordenadas normais oscilam a . (b) A energia fundamental é : expanda até segunda ordem em e mostre que a energia de interação vale
(c) Por que essa atração é universal — presente mesmo entre átomos sem dipolo permanente algum? (d) A lei é a força de van der Waals das correções de gás real do volume do primeiro ano: o que, microscopicamente, está “flutuando” — e o que aconteceria com essa força num mundo com ?
Solução
Solução de Exercício 9.10.
(a) Em coordenadas normais, a hamiltoniana se separa em dois osciladores com . (b) : , e dá . (c) Ela não precisa de dipolos permanentes — só das flutuações de ponto zero da nuvem de carga de cada átomo, que o acoplamento correlaciona de modo que a atração supere a repulsão. (d) A grandeza que flutua é o dipolo instantâneo do estado fundamental; com o estado fundamental estaria imóvel e sem dipolo, e a cola de van der Waals — lagartixas, gases liquefeitos, boa parte da matéria mole — desapareceria.
Exercício 9.11 ★★★
Bandas laterais de um íon aprisionado. Um íon numa armadilha harmônica () absorve luz de laser. Como o íon se move, seu espectro de absorção mostra a linha eletrônica em ladeada por linhas em : transições que mudam o número quântico de movimento de ao mesmo tempo que o eletrônico. (a) Quanto vale em , e por que resolver bandas laterais exige uma linha muito estreita? (b) Excitar a linha retira um quantum de movimento por ciclo: explique o resfriamento por banda lateral até o estado fundamental. (c) Uma vez que , a banda lateral inferior desaparece por completo — por que essa assimetria é uma prova de se ter alcançado o estado fundamental quântico? (d) É assim que o estado fundamental de movimento de um único átomo — e o dos espelhos de escala quilograma do LIGO, por outros meios — é certificado: diga que “temperatura” o íon alcançou para e .
Solução
Solução de Exercício 9.11.
(a) : a linha óptica precisa ser mais estreita que um megahertz — só as transições “de relógio”, de vida longa, servem. (b) Um fóton da banda lateral vermelha eleva o íon eletronicamente e ao mesmo tempo retira um quantum de movimento; o decaimento seguinte devolve, em média, a energia eletrônica na frequência da portadora: cada ciclo extrai de movimento. (c) A partir de não sobra nada a retirar: o desaparecimento da banda lateral vermelha é um certificado sem ruído de fundo do estado fundamental. (d) : .
Exercício 9.12 ★★★
O limite clássico, quantitativamente. Um oscilador clássico de amplitude passa em a fração . (a) Deduza essa distribuição do tempo de permanência. (b) Para o estado quântico , tome de e compare a distribuição clássica com o (dado) promediado localmente: onde as duas concordam e onde precisam diferir? (c) Mostre que o espaçamento relativo entre níveis vizinhos, , se anula como : a energia se torna efetivamente contínua. (d) Para o pêndulo do Exercício 9.8(d), estime e e conclua o argumento da correspondência numa frase.
Solução
Solução de Exercício 9.12.
(a) com , ao longo do semiperíodo . (b) Elas concordam em médias locais na região classicamente permitida; precisam diferir nos pontos de retorno (divergência clássica, picos quânticos finitos) e além deles (caudas quânticas na região proibida). (c) . (d) : espaçamento de uma parte em — nenhuma medida concebível resolve a escada, e a mecânica parece contínua.
9.5 Problema: A molécula que aquece a Terra
Problema 9.1
Problema de fim de semana — a escada quântica do dióxido de carbono e o efeito estufa
Uma molécula de dióxido de carbono é uma cadeia linear O=C=O: alguns osciladores quantizados. O fato de o do seu modo de flexão calhar de ficar no meio do brilho térmico que a Terra emite é a razão de esse gás traço — quatro moléculas em dez mil — governar o clima do planeta. Dados: número de onda da flexão (a unidade do espectroscopista: , ); estiramento assimétrico ; estiramento simétrico ; a vale ; lei de Wien (volume do segundo ano): .
Parte I — Os modos de uma molécula linear.
- Três átomos têm nove graus de liberdade: quantos são translações da molécula inteira, quantos são rotações (a molécula é linear) e quantas vibrações restam?
- Descreva as quatro vibrações: estiramento simétrico, estiramento assimétrico e uma flexão duplamente degenerada — por que a flexão vem duas vezes?
- A luz se acopla a um dipolo elétrico que vibra (Exercício 9.4). Que modos do O=C=O modulam o momento de dipolo, e qual deles é silencioso no infravermelho?
- Converta os três números de onda em comprimentos de onda de fóton e situe-os: quais estão no infravermelho térmico?
- Por que os dois principais gases do ar, N e O, quase não absorvem infravermelho algum — e com que consequência para a transparência da atmosfera?
- O vapor de água, angular e dipolar, absorve em boa parte do infravermelho: em que “janela” espectral a flexão do dióxido de carbono atua praticamente sozinha (compare os com as bandas fortes da água abaixo de e acima de )?
Parte II — A escada quântica da flexão.
- Calcule em meV e a escada .
- Que fração das moléculas ocupa a (relativamente a , pelo fator de Boltzmann)? E ?
- Que comprimento de onda de fóton conduz ? Por que o mesmo comprimento de onda domina a emissão?
- Justifique, a partir da escada harmônica, que um único comprimento de onda serve a escada inteira ( para todo ): que propriedade do espaçamento entre níveis está em ação?
- A molécula também gira, acrescentando estrutura fina: o traço de é, na verdade, uma banda de cerca de de largura. Por que a largura da banda importa para um gás de efeito estufa (pense no que acontece depois que o centro da banda fica opaco)?
- Um CO vibracionalmente excitado no ar tem muito mais chance de perder seu quantum por colisão do que por radiação (vida radiativa , tempo de colisão ): para onde vai, de fato, a energia radiante absorvida?
- Inversamente, o ar a mantém uma população térmica em (questão 8): o que essa população faz de importante para o balanço de energia?
Parte III — O balanço radiativo do planeta.
- O Sol irradia como um corpo a : calcule seu pico de Wien. A flexão do CO intercepta muita luz solar?
- O solo irradia como um corpo a : calcule seu pico de Wien e localize os nessa curva térmica.
- Explique o mecanismo do efeito estufa em quatro frases: a luz solar que entra, o infravermelho térmico que sai, a interceptação em e a reemissão tanto para cima quanto para baixo.
- A reemissão que escapa para o espaço vem de camadas altas e frias (): por que emitir de uma camada mais fria reduz a potência que o planeta emite nesses comprimentos de onda (lembre que a emissão térmica cresce com )?
- Mais CO empurra a camada emissora para cima e para o frio: diga numa frase por que a superfície precisa então se aquecer para reequilibrar as contas.
- O centro da banda já está opaco; o efeito do CO adicional atua nas asas da banda, o que dá um crescimento logarítmico do forçamento com a concentração: relacione isso com a questão 11.
Parte IV — Isótopos: a impressão digital quântica.
- A frequência de um oscilador escala como : para o estiramento assimétrico, substituir o C pelo C muda a massa efetiva; a linha observada se desloca de para cerca de . Verifique a ordem de grandeza desse deslocamento de a partir das massas.
- Lasers sintonizados nessas duas linhas contam separadamente o CO e o CO numa amostra de gás: explique por que a escada quantizada torna possível uma detecção resolvida por isótopo.
- As plantas preferem o isótopo mais leve, de modo que o carbono fóssil é pobre em C: o que a razão isotópica medida do CO atmosférico fez à medida que sua concentração subiu — e o que isso prova sobre a fonte do gás acrescentado?
- A mesma física dos opera em Vênus ( de CO, ): o que a sua superfície a ilustra?
- Marte também respira CO quase puro, mas a , e é gélido: o que o trio Vênus–Terra–Marte demonstra sobre qual variável controla a intensidade do efeito?
- Resuma o resultado central: um quantum de — o de um triatômico que se dobra — estacionado em no espectro térmico de um planeta a , absorvido, termalizado em nanossegundos e reemitido de altitudes frias, é o mecanismo pelo qual do ar fixa a temperatura da Terra.
Solução
Solução de Problema 9.1.
1. Três translações; duas rotações (girar em torno do eixo molecular não move nada); vibrações. 2. Modos de estiramento ao longo do eixo (simétrico: os dois O saem juntos; assimétrico: o C vai e vem entre eles); a flexão pode ocorrer em qualquer um de dois planos perpendiculares — mesma frequência, degenerescência dupla. 3. O estiramento assimétrico e as flexões afastam os centros de carga: dipolo oscilante, ativo no infravermelho. O estiramento simétrico mantém nulo o dipolo da molécula o tempo todo: silencioso no infravermelho. 4. , e : todos no infravermelho; os ficam bem dentro do infravermelho térmico das temperaturas terrestres. 5. As moléculas homonucleares nunca adquirem dipolo ao vibrar: o grosso da atmosfera é transparente ao infravermelho, e todo o efeito estufa se apoia em gases poliatômicos traço. 6. Entre as bandas da água fica a janela de –; a banda de do dióxido de carbono opera na borda dela, onde a água compete fracamente — o gás guarda um portão que a água deixa entreaberto. 7. ; . 8. em ; em : a escada fica levemente, e permanentemente, acesa. 9. ; o mesmo espaçamento que absorve é o espaçamento que emite — um comprimento de onda nos dois sentidos. 10. Espaçamento igual: todo passo custa o mesmo fóton, de modo que uma única linha serve a toda a população térmica. 11. Cada linha vibracional se desdobra em muitas linhas rotacional-vibracionais espalhadas por : uma vez que o centro da banda esteja completamente opaco, só essa largura oferece absorção nova — as asas da banda são onde o gás extra ainda age. 12. As colisões vencem por nove ordens de grandeza: a energia do fóton é repartida com N e O em nanossegundos — a radiação absorvida vira calor do ar. 13. Pelas mesmas colisões no sentido inverso, o ar continua alimentando moléculas em , que irradiam em todas as direções — inclusive para baixo: o próprio céu brilha no infravermelho sobre o solo. 14. : a luz solar tem pico no visível, longe dos — o dióxido de carbono deixa o Sol entrar. 15. : o brilho da Terra tem pico em dez mícrons, e os ficam em seu ombro largo, levando uma parcela substancial da potência que sai. 16. A luz solar entra quase sem obstáculo e aquece o solo. O solo reemite no infravermelho térmico. Em essa radiação é absorvida em poucos metros e termalizada. O ar aquecido reemite tanto para cima quanto para baixo, e a metade que desce é receita extra para a superfície: ela precisa se aquecer até que a saída iguale a entrada. 17. A emissão cresce abruptamente com a temperatura: a radiação que escapa de uma altitude a leva muito menos potência do que a superfície teria enviado diretamente — a banda é uma mancha mais escura no espectro de saída do planeta. 18. Com a potência de saída reduzida a insolação fixa, toda a coluna — superfície incluída — precisa se aquecer até que as contas fechem de novo. 19. Centro saturado, asas ativas: cada dobra da quantidade de gás alarga a região opaca por um incremento parecido, o que dá um forçamento aproximadamente logarítmico — as asas da questão 11 fazendo o trabalho. 20. A frequência do estiramento assimétrico, ao quadrado, escala como : a razão para C sobre C vale — uma queda de , que bate com . 21. A quantização dá a cada isotopólogo seu próprio pente nítido de linhas; um laser estacionado num pente conta um só isótopo — impossível se a absorção fosse um contínuo clássico. 22. À medida que o CO subiu, sua fração de C caiu (o efeito Suess): o carbono acrescentado é isotopicamente leve — feito por plantas, enterrado há muito tempo, isto é, fóssil. A atmosfera carrega a assinatura da própria fonte. 23. Vênus: o mesmo quantum de , aplicado a uma coluna vezes maior, mantém uma superfície mais quente que um forno — o mecanismo não tem teto embutido. 24. Marte, quase puro CO e ainda assim gelado, mostra que são a quantidade da coluna e a pressão (que alarga as linhas), e não a fração do gás, que fixam a intensidade. 25. Um quantum de em , absorvido no ombro térmico de um planeta a , termalizado em nanossegundos e reemitido de alturas frias: a escada do oscilador harmônico, pesada contra a lei de Wien, é a maquinaria pela qual quatro moléculas em dez mil governam um clima.