Physics · Livro 5 · Bachelor Year 3

Física universitária — 3.º ano

Física universitária — 3.º ano · Bachelor Year 3

7A equação de Schrödinger em três dimensões

A tela de uma televisão moderna brilha com cristais tão pequenos que é o tamanho deles que fixa sua cor: um grão de seleneto de cádmio de quatro nanômetros brilha em vermelho; a mesma substância, com dois nanômetros, brilha em azul-esverdeado. Nada difere na química — apenas o tamanho da caixa que confina os elétrons. O volume do segundo ano terminou com a mecânica quântica em uma dimensão: funções de onda sobre uma reta, poços, barreiras e tunelamento. Mas os elétrons vivem em três dimensões, e o passo da reta ao espaço traz física genuinamente nova: a probabilidade escoa pelo espaço como uma corrente, as energias de uma caixa se empilham com degenerescências que denunciam sua simetria, os estados precisam ser contados — a contagem que mais tarde governará toda a física estatística — e os problemas esféricos se reduzem, no caso mais simples, a uma equação unidimensional disfarçada sobre o raio. Este capítulo dá esses passos, e suas peças centrais são o ponto quântico de uma televisão e o núcleo mais leve da natureza.

7.1 Funções de onda no espaço

Definição 7.1 (Função de onda e probabilidade em três dimensões)

O estado de uma partícula é um campo complexo ψ(r,t)\psi(\vect r, t) com a regra de Born

 ⁣dP=ψ(r,t)2 ⁣d3r,ψ2 ⁣d3r=1,\dd\mathcal P = |\psi(\vect r, t)|^2\,\dd^3r , \qquad \int|\psi|^2\,\dd^3r = 1 ,

e sua evolução é a equação de Schrödinger com o laplaciano no lugar da derivada segunda:

iψt=22mΔψ+V(r)ψ,Δ=2x2+2y2+2z2.\iu\hbar\,\frac{\partial\psi}{\partial t} = -\frac{\hbar^2}{2m}\,\Delta\psi + V(\vect r)\,\psi , \qquad \Delta = \frac{\partial^2}{\partial x^2} + \frac{\partial^2}{\partial y^2} + \frac{\partial^2}{\partial z^2} .

Tudo o que o volume do segundo ano estabeleceu sobrevive literalmente: a linearidade e a superposição, os estados estacionários φ(r)eiEt/\varphi(\vect r)\,\eu^{-\iu Et/\hbar} com 22mΔφ+Vφ=Eφ-\tfrac{\hbar^2}{2m}\Delta\varphi + V\varphi = E\varphi e o operador momento, agora o gradiente p^=i\hat{\vect p} = -\iu\hbar\vect\nabla.

Proposição 7.2 (A probabilidade escoa: a corrente)

A densidade ρ=ψ2\rho = |\psi|^2 obedece a uma equação de continuidade,

ρt+divȷ=0,ȷ=mIm(ψψ):\frac{\partial\rho}{\partial t} + \operatorname{div}\vect\jmath = 0 , \qquad \vect\jmath = \frac{\hbar}{m}\, \operatorname{Im}\big(\psi^*\vect\nabla\psi\big) :

a probabilidade se conserva localmente, transportada pela corrente ȷ\vect\jmath — para uma onda plana AeikrA\eu^{\iu\vect k\cdot\vect r}, ȷ=A2k/m=ρv\vect\jmath = |A|^2\hbar\vect k/m = \rho\vect v, um escoamento uniforme; para qualquer φ\varphi de valores reais, ȷ=0\vect\jmath = \vect 0: os estados estacionários ligados não transportam escoamento líquido algum.

Demonstração. Como em uma dimensão: t(ψψ)\partial_t(\psi^*\psi) a partir da equação e de sua conjugada; os termos do potencial se cancelam, e (i/2m)(ψΔψψΔψ)=div[(/m)Im(ψψ)](\iu\hbar/2m) (\psi^*\Delta\psi - \psi\Delta\psi^*) = -\operatorname{div}\big[(\hbar/m)\operatorname{Im}(\psi^*\vect\nabla \psi)\big] pela regra do produto para a divergência.

A corrente de probabilidade: uma onda progressiva transporta sua densidade como um fluido; uma função de onda real (ligada, estacionária) fica parada — a nuvem eletrônica do átomo não circula a menos que o estado seja complexo.
A corrente de probabilidade: uma onda progressiva transporta sua densidade como um fluido; uma função de onda real (ligada, estacionária) fica parada — a nuvem eletrônica do átomo não circula a menos que o estado seja complexo.

7.2 Caixas, degenerescência e a contagem de estados

Teorema 7.3 (Separação de variáveis)

Se o potencial se separa como V=V1(x)+V2(y)+V3(z)V = V_1(x) + V_2(y) + V_3(z), os estados estacionários podem ser tomados como produtos φ(r)=φ1(x)φ2(y)φ3(z)\varphi(\vect r) = \varphi_1(x)\,\varphi_2(y)\,\varphi_3(z), em que cada fator resolve seu próprio problema unidimensional, e as energias se somam: E=E1+E2+E3E = E_1 + E_2 + E_3. Nesses casos, três dimensões são uma dimensão três vezes.

Demonstração. Insira o produto na equação estacionária e divida por φ\varphi: a soma de três expressões de uma variável cada é igual à constante EE, de modo que cada uma é separadamente constante. Que todo estado seja uma superposição de tais produtos é a completude das soluções unidimensionais, admitida.

Proposição 7.4 (A caixa cúbica e suas degenerescências)

Numa caixa de aresta aa com paredes impenetráveis, os estados são indexados por três inteiros positivos,

φn1n2n3sinn1πxasinn2πyasinn3πza,E=h28ma2(n12+n22+n32).\varphi_{n_1n_2n_3} \propto \sin\frac{n_1\pi x}{a}\sin\frac{n_2\pi y}{a}\sin\frac{n_3\pi z}{a} , \qquad E = \frac{h^2}{8ma^2}\,(n_1^2 + n_2^2 + n_3^2) .

Agora estados distintos compartilham energias: o nível (2,1,1)(2,1,1) vem em três cópias, sendo (1,2,1)(1,2,1) e (1,1,2)(1,1,2) estados fisicamente distintos de mesmo EE. Uma tal degenerescência é a assinatura de uma simetria — aqui, a permutabilidade dos três eixos da caixa; achate um pouco a caixa e o tripleto se desdobra.

Demonstração. Separação com três poços infinitos do volume do segundo ano; as energias se somam.

Os níveis mais baixos da caixa cúbica: energias em unidades de h2/8ma2 com seus números quânticos. As permutações de n_i desiguais dão tripletos e sextetos degenerados — a impressão digital da simetria cúbica.
Os níveis mais baixos da caixa cúbica: energias em unidades de h2/8ma2h^2/8ma^2 com seus números quânticos. As permutações de nin_i desiguais dão tripletos e sextetos degenerados — a impressão digital da simetria cúbica.

Proposição 7.5 (Contagem de estados)

O número de estados da caixa com energia abaixo de EE é, para EE grande,

N(E)V6π2(2mE2)3/2,V=a3:N(E) \approx \frac{V}{6\pi^2}\Big(\frac{2mE}{\hbar^2}\Big)^{3/2} , \qquad V = a^3 :

proporcional ao volume e a E3/2E^{3/2}. De modo equivalente, o espaço de fases contém um estado quântico por volume h3h^3 — a célula de Bohr–Sommerfeld do Capítulo 2, agora deduzida. Essa única contagem é a matéria-prima da física estatística e da física do estado sólido mais adiante neste volume: os elétrons nos metais, os fótons nas cavidades e o brilho dos corpos quentes começam todos aqui.

Demonstração. Os estados são pontos de rede (n1,n2,n3)(n_1, n_2, n_3) no octante positivo; EEmaxE \le E_{\max} guarda os que estão dentro da esfera de raio R=8ma2E/h2R = \sqrt{8ma^2E/h^2}. Para RR grande, a contagem é o volume do octante, 1843πR3\tfrac18\cdot\tfrac43\pi R^3; substitua. (Versão no espaço de fases: N=V43πp3h3N = \tfrac{V\cdot\frac43\pi p^3}{h^3} com p=2mEp = \sqrt{2mE} — o mesmo número.)

Exemplo 7.6 (Um metal, primeira estimativa)

O cobre oferece aproximadamente um elétron móvel por átomo, n=8.5×1028m3n = 8.5 \times 10^{28}\,\mathrm{m}^{-3}. Preencher os estados da caixa com dois elétrons cada (spin, Capítulo 12) até a energia que acomoda todos dá, invertendo a contagem, EF7eVE_{\text{F}} \approx 7\,\mathrm{eV} — uma energia enorme em comparação com a agitação térmica (kBT25meVk_{\text{B}}T \approx 25\,\mathrm{meV}): mesmo à temperatura ambiente, os elétrons de um metal são uma multidão profundamente quântica. A história completa é o Capítulo 24.

Exemplo 7.7 (O oscilador isotrópico)

Para V=12mω2r2=12mω2(x2+y2+z2)V = \tfrac12 m\omega^2r^2 = \tfrac12 m\omega^2(x^2 + y^2 + z^2), a separação dá E=(nx+ny+nz+32)ωE = (n_x + n_y + n_z + \tfrac32)\hbar\omega: níveis 32,52,72ω\tfrac32, \tfrac52, \tfrac72\hbar\omega\ldots com degenerescências 1,3,6,10,1, 3, 6, 10, \dots — crescentes, ao contrário do padrão irregular da caixa, com regularidade perfeita. Uma degenerescência extra, além do que a permutação dos eixos explica, sinaliza uma simetria oculta maior; o átomo de hidrogênio repetirá o truque de modo espetacular. Preenchidas com partículas emparelhadas por spin, essas camadas do oscilador comportam 2,8,20,2, 8, 20, \dots — a primeira aproximação dos “números mágicos” da física nuclear (Capítulo 25).

7.3 Problemas esféricos: o truque da onda s

Proposição 7.8 (Estados de simetria esférica)

Para um potencial central V(r)V(r), procure estados que dependam só de rr (os estados s; o caso geral, com estrutura angular, espera pelo Capítulo 10). Escrevendo φ(r)=u(r)/r\varphi(r) = u(r)/r, a função uu obedece a

22mu+V(r)u=Eu,u(0)=0:-\frac{\hbar^2}{2m}\,u'' + V(r)\,u = E\,u , \qquad u(0) = 0 :

exatamente a equação de Schrödinger unidimensional numa semirreta, com uma parede na origem. Toda ferramenta unidimensional do volume do segundo ano — poços, casamento de soluções, tunelamento — se aplica literalmente aos problemas esféricos, ao preço de uma substituição.

Demonstração. Para φ(r)\varphi(r), o laplaciano se reduz a Δφ=1r(rφ)=u/r\Delta\varphi = \tfrac1r(r\varphi)'' = u''/r; insira e multiplique por rr. A condição u(0)=0u(0) = 0 mantém φ=u/r\varphi = u/r finita na origem; a normalização é 0u2 ⁣dr\int_0^\infty|u|^2\dd r vezes 4π4\piuu é uma genuína função de onda unidimensional.

Exemplo 7.9 (O dêuteron: mal chega a ser núcleo)

O dêuteron — um próton e um nêutron — é o núcleo mais simples: energia de ligação B=2.2MeVB = 2.2\,\mathrm{MeV}, minúscula ao lado das escalas nucleares. Como modelo, ponha o movimento relativo (massa reduzida mp/2m_{\text{p}}/2) num poço esférico de alcance R=2.1fmR = 2.1\,\mathrm{fm} e profundidade V0V_0: a equação de uu é o poço unidimensional finito. O casamento das soluções interna e externa exige uma profundidade mínima V0>π22/8μR223MeVV_0 > \pi^2\hbar^2/8\mu R^2 \approx 23\,\mathrm{MeV} para que exista algum estado ligado, e reproduzir B=2.2MeVB = 2.2\,\mathrm{MeV} exige V035MeVV_0 \approx 35\,\mathrm{MeV} (Exercício 7.10): a força forte liga o dêuteron com apenas dez por cento de margem. A função de onda vaza muito para fora do poço — o par de núcleons passa a maior parte do tempo além do alcance da força — e não há um segundo estado ligado: o segundo núcleo mais simples da natureza, o hélio, precisa de um terceiro núcleon.

A função de onda radial u(r) do dêuteron no modelo do poço esférico: mal cabe um quarto de oscilação dentro do poço, e o estado sobrevive graças a uma cauda que alcança muito além do alcance da força — um núcleo ligado por 2.2\, MeV num poço de 35\, MeV de profundidade.
A função de onda radial u(r)u(r) do dêuteron no modelo do poço esférico: mal cabe um quarto de oscilação dentro do poço, e o estado sobrevive graças a uma cauda que alcança muito além do alcance da força — um núcleo ligado por 2.2MeV2.2\,\mathrm{MeV} num poço de 35MeV35\,\mathrm{MeV} de profundidade.

Método 7.10 (Problemas tridimensionais)

(1) Potencial aditivo (V1+V2+V3V_1 + V_2 + V_3)? Separe; as energias se somam; reúna as degenerescências pela simetria. (2) Potencial central, estado esférico? Substitua φ=u/r\varphi = u/r e reaproveite todo resultado unidimensional com u(0)=0u(0) = 0. (3) Para contar estados, pense no espaço de n\vect n ou no espaço de fases, com um estado por h3h^3 (por estado de spin). (4) Correntes: calcule ȷ\vect\jmath quando um escoamento ou um fluxo importar; lembre que função de onda real == corrente nula. (5) Estimativas primeiro: a energia de confinamento h2/8mL2\sim h^2/8mL^2 por direção decide as escalas, dos pontos quânticos aos núcleos, antes que qualquer equação seja resolvida.

Pontos quânticos sob luz ultravioleta: o mesmo semicondutor, em cristais cada vez menores, brilha do vermelho ao azul. A cor é fixada pelas energias da partícula na caixa deste capítulo — confinamento que se pode ver.
Pontos quânticos sob luz ultravioleta: o mesmo semicondutor, em cristais cada vez menores, brilha do vermelho ao azul. A cor é fixada pelas energias da partícula na caixa deste capítulo — confinamento que se pode ver.

7.4 Exercícios

Exercício 7.1

O estado gaussiano ψ(r)=Aer2/4σ2\psi(\vect r) = A\,\eu^{-r^2/4\sigma^2}. (a) Normalize-o (0x2ex2 ⁣dx=π/4\int_0^\infty x^2\eu^{-x^2}\dd x = \sqrt\pi/4). (b) Calcule r2\langle r^2\rangle e Δx\Delta x (a isotropia ajuda). (c) Quanto vale ȷ\vect\jmath para esse estado, e por quê? (d) Multiplique por eik0r\eu^{\iu\vect k_0\cdot\vect r}: quanto valem agora p\langle\vect p\rangle e ȷ\vect\jmath?

Solução

Solução de Exercício 7.1.

(a) ψ2 ⁣d3r=A24π0r2er2/2σ2 ⁣dr=A2(2πσ2)3/2\int|\psi|^2\dd^3r = |A|^2\,4\pi\int_0^\infty r^2\eu^{-r^2/2 \sigma^2}\dd r = |A|^2(2\pi\sigma^2)^{3/2}: A=(2πσ2)3/4A = (2\pi\sigma^2)^{ -3/4}. (b) Por isotropia, r2=3x2=3σ2\langle r^2\rangle = 3\langle x^2\rangle = 3\sigma^2, logo Δx=σ\Delta x = \sigma. (c) ȷ=0\vect\jmath = \vect 0: a função de onda é real. (d) p=k0\langle\vect p\rangle = \hbar\vect k_0 e ȷ=ρk0/m\vect\jmath = \rho\,\hbar\vect k_0/m: a mesma nuvem, agora em deriva.

Exercício 7.2

Para a caixa cúbica, liste todos os níveis até E=15E = 15 (em unidades de h2/8ma2h^2/8ma^2) com suas degenerescências. Depois mostre que o nível 2727 é degenerado além das permutações: encontre suas duas famílias de números quânticos e diga por que uma degenerescência “acidental” assim não decorre da simetria cúbica.

Solução

Solução de Exercício 7.2.

3(1)3\,(1), 6(3)6\,(3), 9(3)9\,(3), 11(3)11\,(3), 12(1)12\,(1), 14(6)14\,(6) — depois nada até 1717. Nível 2727: (3,3,3)(3,3,3) e as permutações de (5,1,1)(5,1,1) — quatro estados, já que 27=9+9+9=25+1+127 = 9+9+9 = 25+1+1. A simetria cúbica só permuta eixos, e nenhuma permutação liga (3,3,3)(3,3,3) a (5,1,1)(5,1,1): a coincidência é aritmética (duas representações como soma de três quadrados), não geométrica.

Exercício 7.3

Calcule a corrente ȷ\vect\jmath para: (a) a onda plana AeikxA\eu^{\iu kx}; (b) a onda estacionária AsinkxA\sin kx; (c) a superposição A(eikx+reikx)A(\eu^{\iu kx} + r\,\eu^{-\iu kx}), com rr real — interprete o resultado como fluxo incidente menos fluxo refletido; (d) o estado AeimφA\,\eu^{\iu m\varphi} num anel de raio bb (ali, =(1/b)φ|\vect\nabla| = (1/b)\partial_\varphi): uma corrente que circula para sempre.

Solução

Solução de Exercício 7.3.

(a) ȷ=A2k/mex\vect\jmath = |A|^2\hbar k/m\,\vect e_x. (b) Nula: função real. (c) j=(A2k/m)(1r2)j = (|A|^2\hbar k/m)(1 - r^2): fluxo incidente menos fluxo refletido — os termos cruzados se cancelam. (d) j=ρm/Mbj = \rho\,\hbar m/Mb com ρ=1/2π\rho = 1/2\pi (por unidade de ângulo): uma circulação permanente, o ancestral microscópico das correntes persistentes.

Exercício 7.4

Um cristalito de ponto quântico confina um par elétron–buraco de massa efetiva μ=0.10me\mu = 0.10\,m_{\text{e}}; a energia do fóton que ele emite é a banda proibida do material maciço, Eg=1.74eVE_{\text{g}} = 1.74\,\mathrm{eV}, mais a energia de confinamento de uma caixa esférica, π22/2μR2\pi^2\hbar^2/2\mu R^2. (a) Calcule a energia de confinamento em R=3nmR = 3\,\mathrm{nm}. (b) O comprimento de onda emitido. (c) Para que lado a cor se desloca quando o ponto encolhe? (d) Por que o seleneto de cádmio maciço (RR grande) mostra uma única cor fixa?

Solução

Solução de Exercício 7.4.

O coeficiente vale π2(c)2/2μc2=3.76eVnm2\pi^2(\hbar c)^2/2\mu c^2 = 3.76\,\mathrm{eV}\,\mathrm{nm}^{2}. (a) Em R=3nmR = 3\,\mathrm{nm}: 0.42eV0.42\,\mathrm{eV}. (b) E=2.16eVE = 2.16\,\mathrm{eV}: λ=1240/2.16=575nm\lambda = 1240/2.16 = 575\,\mathrm{nm}, verde-amarelado. (c) RR menor, EE maior: rumo ao azul. (d) No material maciço o termo de confinamento desaparece: banda proibida fixa de 1.74eV1.74\,\mathrm{eV}, λ=713nm\lambda = 713\,\mathrm{nm}, o mesmo vermelho profundo em qualquer amostra.

Exercício 7.5 ★★

Uma partícula num anel (raio bb, coordenada φ\varphi): os estados estacionários são ψm=eimφ/2π\psi_m = \eu^{\iu m\varphi}/\sqrt{2\pi}. (a) Por que mm tem de ser inteiro? (b) Mostre que Em=2m2/2mb2E_m = \hbar^2m^2/2mb^2 — cuidado com os dois mm: escreva Em=2m2/2Mb2E_m = \hbar^2 m^2/2Mb^2 para a massa MM — e note que cada nível com m0m \neq 0 é duplamente degenerado: que simetria emparelha +m+m com m-m? (c) Calcule a corrente de ψm\psi_m e o momento magnético “orbital” associado, se a partícula carrega carga qq. (d) Os seis elétrons móveis do benzeno vivem num anel de b1.4A˚b \approx 1.4\,\text{Å}: estime a energia do fóton da primeira excitação permitida (m=±1±2m = \pm1 \to \pm2) e compare com a absorção ultravioleta do benzeno perto de 180nm180\,\mathrm{nm} — um anel, nenhuma química.

Solução

Solução de Exercício 7.5.

(a) Univocidade: ψ(φ+2π)=ψ(φ)\psi(\varphi + 2\pi) = \psi(\varphi) obriga e2πim=1\eu^{2\pi\iu m} = 1. (b) Em=2m2/2Mb2E_m = \hbar^2m^2/2Mb^2; os estados ±m\pm m circulam em sentidos opostos e são trocados por uma reflexão especular (ou pela inversão temporal) — uma simetria do anel, daí a degenerescência. (c) A espira de corrente I=qm/2πMb2I = q\hbar m/2\pi Mb^2 carrega o momento magnético μ=Iπb2=mq/2M\mu = I\pi b^2 = m\,q\hbar/2M — quantizado em passos de q/2Mq\hbar/2M, o padrão do magnéton de Bohr do Capítulo 10. (d) 2/2meb2=1.9eV\hbar^2/2m_{\text{e}}b^2 = 1.9\,\mathrm{eV}; os seis elétrons preenchem m=0,±1m = 0, \pm1, e a primeira excitação ±1±2\pm1 \to \pm2 custa (41)×1.95.8eV(4-1) \times 1.9 \approx 5.8\,\mathrm{eV}, isto é, λ210nm\lambda \approx 210\,\mathrm{nm} — a vizinhança ultravioleta certa, a partir de um anel e de mais nada.

Exercício 7.6 ★★

Degenerescências do oscilador isotrópico. (a) Mostre que o número de ternos com nx+ny+nz=nn_x + n_y + n_z = n é (n+1)(n+2)/2(n+1)(n+2)/2. (b) Liste as populações das camadas para n=0n = 0 a 33, dobradas pelo spin. (c) Mostre que os preenchimentos acumulados são 2,8,20,40,2, 8, 20, 40, \dots: os três primeiros coincidem com os números “mágicos” de núcleons extraestáveis da física nuclear — o que a falha em 4040 (os mágicos reais: 2828, 5050) sugere sobre o potencial nuclear? (d) Por que o padrão irregular de níveis da caixa, ao contrário do oscilador, não produz estrutura de camadas marcante?

Solução

Solução de Exercício 7.6.

(a) Escolha nx=0..nn_x = 0..n e ny=0..nnxn_y = 0..n - n_x: nx(nnx+1)=(n+1)(n+2)/2\sum_{n_x}(n - n_x + 1) = (n+1)(n+2)/2. (b) Com spin: 2,6,12,202, 6, 12, 20; acumulados 2,8,20,402, 8, 20, 40. (c) 22, 88 e 2020 são mágicos; a falha adiante diz que o poço nuclear não é harmônico — tem fundo mais chato e, sobretudo, um forte acoplamento spin–órbita que reembaralha as camadas em 28,50,8228, 50, 82. (d) A estrutura de camadas exige níveis agrupados e separados por lacunas; os níveis da caixa se espalham irregularmente, sem grandes lacunas, e por isso nenhum padrão de estabilidade do tipo nuclear emerge.

Exercício 7.7 ★★

O poço esférico infinito (raio RR): usando o truque da onda ss, (a) encontre os níveis En=n2π22/2MR2E_n = n^2\pi^2\hbar^2/2MR^2 e as funções de onda unu_n; (b) calcule E1E_1 para um núcleon (Mc2=939MeVMc^2 = 939\,\mathrm{MeV}) em R=5fmR = 5\,\mathrm{fm} (use c=197.3MeVfm\hbar c = 197.3\,\mathrm{MeV}\,\mathrm{fm}); (c) compare com os espaçamentos medidos de níveis de núcleon, de alguns MeV, em núcleos médios; (d) onde é mais provável encontrar a partícula no estado fundamental — calcule o máximo de u12|u_1|^2 e contraste com a resposta da caixa unidimensional para φ2|\varphi|^2.

Solução

Solução de Exercício 7.7.

(a) un=2/Rsin(nπr/R)u_n = \sqrt{2/R}\sin(n\pi r/R), En=n2π22/2MR2E_n = n^2\pi^2\hbar^2/2MR^2. (b) E1=π2(c)2/2Mc2R2=384210/(2×939×25)=8.2MeVE_1 = \pi^2(\hbar c)^2/2Mc^2R^2 = 384210/(2 \times 939 \times 25) = 8.2\,\mathrm{MeV}. (c) A escala certa: os núcleons nos núcleos são estados quânticos espaçados de MeV, como mostram seus espectros. (d) u12|u_1|^2 tem máximo em r=R/2r = R/2: a probabilidade radial é maior a meio caminho da borda (o r2r^2 do elemento de volume, escondido em u=rφu = r\varphi, empurra o máximo para fora do centro), ao passo que o φ2|\varphi|^2 da caixa unidimensional tem máximo no centro.

Exercício 7.8 ★★

Contar elétrons num metal. (a) A partir da Proposição 7.5 com dois estados de spin, mostre que preencher NN elétrons num volume VV alcança a energia de Fermi

EF=22me(3π2n)2/3,n=N/V.E_{\text{F}} = \frac{\hbar^2}{2m_{\text{e}}}\,(3\pi^2n)^{2/3} , \qquad n = N/V .

(b) Avalie-a para o cobre. (c) Calcule a velocidade de Fermi correspondente e a temperatura EF/kBE_{\text{F}}/k_{\text{B}}. (d) Numa frase: por que os elétrons não se acomodam todos no estado fundamental, e que princípio (antecipado aqui, demonstrado no Capítulo 14) o proíbe?

Solução

Solução de Exercício 7.8.

(a) Faça N=2Nest(EF)N = 2N_{\text{est}}(E_{\text{F}}) e inverta a contagem. (b) Cobre: EF=7.1eVE_{\text{F}} = 7.1\,\mathrm{eV}. (c) vF=2EF/me=1.6×106m/sv_{\text{F}} = \sqrt{2E_{\text{F}}/m_{\text{e}}} = 1.6 \times 10^{6}\,\mathrm{m}/\mathrm{s}; TF=EF/kB8×104KT_{\text{F}} = E_{\text{F}}/k_{\text{B}} \approx 8 \times 10^{4}\,\mathrm{K}. (d) Os elétrons são férmions idênticos: o princípio de exclusão de Pauli (Capítulo 14) admite no máximo dois por estado orbital, e por isso a multidão precisa se empilhar até energias de elétron-volt.

Exercício 7.9 ★★

Profundidade mínima de um poço esférico. Para o poço finito (V0-V_0 para r<Rr < R), o estado fundamental de onda ss tem u=sinkru = \sin kr dentro e eκr\eu^{-\kappa r} fora. (a) Escreva kk e κ\kappa e a condição de casamento kcotkR=κk\cot kR = -\kappa. (b) Mostre que um estado ligado aparece pela primeira vez quando kR=π/2kR = \pi/2, exatamente em E=0E = 0, dando V0,min=π22/8MR2V_{0,\min} = \pi^2\hbar^2/8MR^2. (c) Avalie-a para o dêuteron (Mμ=mp/2M \to \mu = m_{\text{p}}/2, R=2.1fmR = 2.1\,\mathrm{fm}). (d) Contraste com uma dimensão, em que o poço mais raso já liga: o que a parede u(0)=0u(0) = 0 muda fisicamente?

Solução

Solução de Exercício 7.9.

(a) k=2M(V0E)/k = \sqrt{2M(V_0 - |E|)}/\hbar, κ=2ME/\kappa = \sqrt{2M|E|}/\hbar; a continuidade de u/uu'/u em RRkcotkR=κk\cot kR = -\kappa. (b) Quando E0|E| \to 0, κ0\kappa \to 0: cotkR=0\cot kR = 0, kR=π/2kR = \pi/2, e então V0=2k2/2M=π22/8MR2V_0 = \hbar^2k^2/2M = \pi^2\hbar^2/8MR^2. (c) Com μc2=469MeV\mu c^2 = 469\,\mathrm{MeV} e R=2.1fmR = 2.1\,\mathrm{fm}: V0,min=23MeVV_{0,\min} = 23\,\mathrm{MeV}. (d) A parede u(0)=0u(0) = 0 faz do estado ss tridimensional o análogo de um estado unidimensional ímpar, que precisa acomodar um quarto de onda dentro do poço: um poço raso não consegue, ao passo que em uma dimensão o estado par sem nós sempre liga.

Exercício 7.10 ★★★

O dêuteron, resolvido. Com μc2=469MeV\mu c^2 = 469\,\mathrm{MeV}, R=2.1fmR = 2.1\,\mathrm{fm}, B=2.22MeVB = 2.22\,\mathrm{MeV}: (a) calcule κ\kappa a partir de BB e o comprimento da cauda 1/κ1/\kappa; (b) escreva a condição de casamento e mostre que ela se torna cotkR=κ/k\cot kR = -\kappa/k, com kk fixado por V0BV_0 - B; (c) resolva para V0V_0 (itere: parta de kR0.6πkR \approx 0.6\pi) e dê V0V_0 ao MeV mais próximo; (d) calcule a probabilidade de os núcleons estarem mais afastados que RR (integre a cauda) e comente “um núcleo que vive quase todo fora da própria força”.

Solução

Solução de Exercício 7.10.

(a) κ=2μc2B/c=2×469×2.22/197.3=0.231fm1\kappa = \sqrt{2\mu c^2B}/\hbar c = \sqrt{2 \times 469 \times 2.22}/197.3 = 0.231\,\mathrm{fm}^{-1}: comprimento da cauda 1/κ=4.3fm1/\kappa = 4.3\,\mathrm{fm}, o dobro do alcance da força. (b) k=2μ(V0B)/k = \sqrt{2\mu(V_0 - B)}/\hbar e cotkR=κ/k\cot kR = -\kappa/k. (c) Iterando: kR=1.83kR = 1.83, k=0.87fm1k = 0.87\,\mathrm{fm}^{-1}, V0B=(ck)2/μc21231MeVV_0 - B = (\hbar ck)^2/\mu c^2\cdot\tfrac12 \approx 31\,\mathrm{MeV}: V034MeVV_0 \approx 34\,\mathrm{MeV}. (d) Dentro: 0Rsin2kr ⁣dr1.19fm\int_0^R\sin^2kr\,\dd r \approx 1.19\,\mathrm{fm}; fora: sin2(kR)/2κ2.0fm\sin^2(kR)/2\kappa \approx 2.0\,\mathrm{fm}: cerca de 63%63\% da probabilidade fica além do poço — o dêuteron habita principalmente a região em que sua força de ligação já se esgotou, um halo puramente quântico.

Exercício 7.11 ★★★

Ehrenfest e a continuidade em três dimensões. (a) Demonstre que  ⁣dr/ ⁣dt=p/m\dd\langle\vect r\rangle/\dd t = \langle\vect p\rangle/m a partir da equação da continuidade (integre rtρ\vect r\,\partial_t\rho por partes). (b) Demonstre que  ⁣dp/ ⁣dt=V\dd\langle\vect p\rangle/\dd t = -\langle\vect\nabla V\rangle. (c) Sob que condição sobre VV o r\langle\vect r\rangle segue exatamente a trajetória clássica? (d) Dê um caso concreto em que isso não ocorre (um pacote dividido por um potencial de fenda dupla, digamos) e explique o que a média descreve então.

Solução

Solução de Exercício 7.11.

(a)  ⁣dx/ ⁣dt=xtρ ⁣d3r=xdivȷ ⁣d3r=jx ⁣d3r=px/m\dd\langle x\rangle/\dd t = \int x\,\partial_t\rho\,\dd^3r = -\int x\operatorname{div}\vect\jmath\,\dd^3r = \int j_x\,\dd^3r = \langle p_x\rangle/m (por partes, com os termos de fronteira nulos). (b) Derive p=iψψ\langle\vect p\rangle = -\iu\hbar\int\psi^*\vect\nabla \psi e use a equação duas vezes; os termos cinéticos se cancelam por partes, restando ψ2V-\int|\psi|^2\vect\nabla V. (c) VV no máximo quadrático: então V(r)=V(r)\langle\vect\nabla V(\vect r)\rangle = \vect\nabla V(\langle \vect r\rangle) exatamente. (d) Atrás de uma fenda dupla o pacote são dois lóbulos; r\langle\vect r\rangle desliza pelo eixo de simetria, onde a partícula praticamente nunca cai: a média descreve o centroide do conjunto, não a trajetória de ninguém.

Exercício 7.12 ★★★

Por que os átomos não colapsam. Modele o estado fundamental do hidrogênio pela função de teste ψer/a\psi \propto \eu^{-r/a}, com aa ajustável. (a) Admitindo Ek=2/2mea2\langle E_k\rangle = \hbar^2/2m_{\text{e}}a^2 e Ep=e2/4πε0a\langle E_p\rangle = -e^2/4\pi\varepsilon_0a, explique a origem de cada escala. (b) Minimize E(a)E(a) e mostre que o ótimo é o raio de Bohr, com E=13.6eVE = -13.6\,\mathrm{eV}. (c) Por que encolher aa abaixo do ótimo eleva a energia, embora o potencial se aprofunde? (d) O mesmo argumento com o 1/r1/r substituído pela atração gravitacional entre elétron e próton: encontre o “raio de Bohr gravitacional” e conclua por que a gravidade não constrói átomo algum.

Solução

Solução de Exercício 7.12.

(a) Cinética: gradientes de escala 1/a1/a dão 2/2mea2\hbar^2/2m_{\text{e}} a^2; potencial: a nuvem fica a distâncias a\sim a, o que dá ke2/a-ke^2/a (por acaso, os coeficientes exatos valem 11). (b)  ⁣dE/ ⁣da=0\dd E/\dd a = 0 em a=2/meke2=a0a = \hbar^2/m_{\text{e}}ke^2 = a_0; E(a0)=ke2/2a0=13.6eVE(a_0) = -ke^2/2a_0 = -13.6\,\mathrm{eV}. (c) Abaixo de a0a_0 o custo cinético cresce como 1/a21/a^2, mais rápido que o ganho em 1/a-1/a: a localização é taxada pelo princípio de incerteza, e o átomo flutua no tamanho de equilíbrio. (d) Substitua ke2ke^2 por Gmemp=1.0×1067JmGm_{\text{e}}m_{\text{p}} = 1.0 \times 10^{-67}\,\mathrm{J}\,\mathrm{m}: agrav=2/meGmemp1.2×1029ma_{\text{grav}} = \hbar^2/m_{\text{e}}G m_{\text{e}}m_{\text{p}} \approx 1.2 \times 10^{29}\,\mathrm{m} — maior que o universo observável: a gravidade é fraca demais para fechar uma órbita quântica, e constrói estrelas em vez de átomos.

7.5 Problema: A cor de um ponto quântico

Problema 7.1

Problema de fim de semana — fabricar luz contando nanômetros

O Prêmio Nobel de Química de 2023 foi para a descoberta e a síntese dos pontos quânticos: cristalitos tão pequenos que as energias da partícula na caixa deste capítulo fixam sua cor, hoje brilhando em telas de televisão e marcando moléculas em células vivas. Este problema projeta um display de pontos a partir da equação de Schrödinger. Modelo: o par elétron–buraco opticamente ativo, de massa efetiva μ=0.10me\mu = 0.10\,m_{\text{e}} (mec2=511keVm_{\text{e}}c^2 = 511\,\mathrm{keV}), confinado numa esfera de raio RR; energia do fóton emitido

E(R)=Eg+π222μR2,E(R) = E_{\text{g}} + \frac{\pi^2\hbar^2}{2\mu R^2} ,

com a banda proibida do material maciço Eg=1.74eVE_{\text{g}} = 1.74\,\mathrm{eV} (seleneto de cádmio). Use c=197.3eVnm\hbar c = 197.3\,\mathrm{eV}\,\mathrm{nm} e hc=1240eVnmhc = 1240\,\mathrm{eV}\,\mathrm{nm}.

Parte I — A física da fórmula.

  1. De onde vem o termo π22/2μR2\pi^2\hbar^2/2\mu R^2? Deduza-o como o nível fundamental do poço esférico infinito, pela substituição da onda ss.
  2. Por que o confinamento sempre eleva a energia emitida, e nunca a abaixa?
  3. Avalie a energia de confinamento para R=10R = 10, 44, 22 e 1nm1\,\mathrm{nm} e identifique o tamanho a partir do qual ela deixa de ser uma pequena correção a EgE_{\text{g}}.
  4. O modelo ignora a atração elétron–buraco. Em que direção incluí-la deslocaria a emissão, e por que a omissão é melhor para pontos pequenos (compare as leis de escala 1/R21/R^2 e 1/R1/R)?
  5. O seleneto de cádmio maciço emite em que comprimento de onda? Em que parte do espectro ele fica?
  6. Por que um frasco de solução de pontos brilha numa única cor pura, embora contenha 101510^{15} pontos? Que propriedade da síntese está sendo certificada?

Parte II — Projetar a paleta. Um display precisa de vermelho 630nm630\,\mathrm{nm}, verde 530nm530\,\mathrm{nm} e azul 460nm460\,\mathrm{nm}.

  1. Converta cada comprimento de onda numa energia de fóton.
  2. Para cada cor, calcule a energia de confinamento necessária e o raio do ponto.
  3. Tabele: quantos átomos de diâmetro tem, grosso modo, cada ponto (espaçamento de rede 0.6nm\approx 0.6\,\mathrm{nm})?
  4. O azul é o mais difícil para os pontos de seleneto de cádmio: a partir dos seus raios, explique por quê (o que acontece com a tolerância quando RR encolhe?).
  5. Mostre que a sensibilidade da energia emitida ao tamanho é

     ⁣dE ⁣dR=π22μR3,\frac{\dd E}{\dd R} = -\frac{\pi^2\hbar^2}{\mu R^3} ,

    e avalie-a, em meV\mathrm{meV} por nanômetro, no raio do ponto verde.

  6. Um lote varia ±5%\pm5\% em raio: calcule a dispersão de comprimento de onda da emissão verde e compare com a largura de linha de 25nm\sim25\,\mathrm{nm} que um bom display tolera.
  7. Por que os displays de pontos quânticos tiveram de esperar por uma química capaz de controlar o tamanho em escala atômica — e por que isso é um feito de nível Nobel?

Parte III — Mais brilhante, mais puro, mais estranho.

  1. Os aparelhos modernos usam os pontos como conversores de cor: um LED azul ilumina pontos vermelhos e verdes. Por que a energia do fóton de bombeio precisa exceder a energia de emissão do ponto, e para onde vai a diferença?
  2. Calcule a fração da energia de um fóton de bombeio de 460nm460\,\mathrm{nm} perdida como calor quando um fóton vermelho de 630nm630\,\mathrm{nm} é emitido.
  3. Um ponto também pode absorver em muitos comprimentos de onda e emitir num só: explique, a partir da estrutura de níveis, por que a absorção é de banda larga e a emissão é estreita.
  4. Os biólogos marcam proteínas com pontos de vários tamanhos excitados por uma única lâmpada ultravioleta: que propriedade dos pontos faz uma lâmpada bastar onde os corantes orgânicos precisam de um laser por cor?
  5. Estime o número de átomos do ponto vermelho (4/3πR34/3\pi R^3, com volume atômico (0.3nm)3\sim(0.3\,\mathrm{nm})^3): “átomo artificial” é um nome justo para um objeto desse tamanho com níveis discretos?
  6. Numa frase: o que faz o papel do “núcleo” nesse átomo artificial — o que segura o elétron?

Parte IV — Confinamento por toda a física.

  1. A mesma estimativa E1π22/2MR2E_1 \sim \pi^2\hbar^2/2MR^2 aplicada a um núcleon em R=3fmR = 3\,\mathrm{fm} dá que escala de energia? (É por isso que a física nuclear fala em MeV.)
  2. Aplicada a um elétron confinado ao tamanho nuclear, ela dá que energia escandalosa — e o que isso argumenta a respeito de elétrons “dentro” do núcleo (um argumento que um dia matou uma teoria do decaimento beta)?
  3. Aplicada a você (70kg70\,\mathrm{kg}) numa sala de 2m2\,\mathrm{m}: calcule a energia de confinamento e conclua.
  4. Inverta a fórmula: em que tamanho de confinamento a energia de confinamento de um elétron alcança sua energia de repouso mec2m_{\text{e}}c^2 — e que física nova (criação de pares de partículas, Capítulo 5) adverte que a equação de Schrödinger de uma partícula está então além de suas forças?
  5. Enuncie a lei geral de escala: energia de confinamento em função da massa e do tamanho.
  6. Resuma o resultado central: uma fórmula, Eg+π22/2μR2E_{\text{g}} + \pi^2\hbar^2/2\mu R^2, transforma raios de 4.04.0, 2.52.5 e 2.0nm2.0\,\mathrm{nm} em vermelho, verde e azul — cor fabricada contando nanômetros, à venda em qualquer loja de eletrônicos.
Solução

Solução de Problema 7.1.

1. Onda ss: u=rRu = rR obedece à equação livre unidimensional dentro da esfera com u(0)=u(R)=0u(0) = u(R) = 0: usin(πr/R)u \propto \sin(\pi r/R), de energia π22/2μR2\pi^2\hbar^2/2\mu R^2. 2. A energia fundamental de uma caixa é positiva e cresce quando a caixa encolhe — localizar custa sempre energia cinética (princípio de incerteza); ela só pode somar-se à banda proibida. 3. Com π2(c)2/2μc2=3.76eVnm2\pi^2(\hbar c)^2/2\mu c^2 = 3.76\,\mathrm{eV}\,\mathrm{nm}^{2}: 0.040.04, 0.240.24, 0.940.94, 3.8eV3.8\,\mathrm{eV} — em R2nmR \approx 2\,\mathrm{nm} a correção já rivaliza com a própria banda proibida. 4. A atração baixa a energia do par: a emissão se desloca para o vermelho. Ela escala como 1/R1/R, contra o 1/R21/R^2 do confinamento: para pontos pequenos o termo de caixa vence e a omissão melhora. 5. 1240/1.74=713nm1240/1.74 = 713\,\mathrm{nm}: na borda vermelha da visão. 6. Uma só cor vinda de 101510^{15} emissores certifica que a síntese os fez todos do mesmo tamanho — a monodispersidade, o feito químico por trás da física. 7. 1.971.97, 2.342.34 e 2.70eV2.70\,\mathrm{eV}. 8. Confinamento de 0.230.23, 0.600.60 e 0.96eV0.96\,\mathrm{eV}: R=3.76/ΔER = \sqrt{3.76/\Delta E}4.04.0, 2.52.5 e 2.0nm2.0\,\mathrm{nm}. 9. Diâmetros de 8.18.1, 5.05.0 e 4.0nm4.0\,\mathrm{nm}: cerca de 1313, 88 e 77 espaçamentos de rede de diâmetro. 10. O ponto azul é o menor, onde EE depende de RR do modo mais abrupto: um erro de um plano de rede desloca mais a cor — os pontos pequenos são os menos tolerantes. 11. Derivando:  ⁣dE/ ⁣dR=2ΔEconf/R=π22/μR3\dd E/\dd R = -2\Delta E_{\text{conf}}/R = -\pi^2\hbar^2/\mu R^3; em R=2.5nmR = 2.5\,\mathrm{nm}: 2×0.60/2.5=0.48eV/nm=480meV/nm2 \times 0.60/2.5 = 0.48\,\mathrm{eV}/\mathrm{nm} = 480\,\mathrm{meV}/\mathrm{nm}. 12. ±5%=±0.125nm\pm 5\% = \pm0.125\,\mathrm{nm}: ΔE=±60meV\Delta E = \pm 60\,\mathrm{meV}, isto é, Δλ=λ2ΔE/hc±14nm\Delta\lambda = \lambda^2\Delta E/hc \approx \pm14\,\mathrm{nm} — uma dispersão de 28nm\sim28\,\mathrm{nm}, bem no limite da tolerância do display: cinco por cento é a fronteira da química aceitável. 13. Porque a pureza de cor exige controle de tamanho no nível de um único plano de rede ao longo de 101510^{15} partículas — o crescimento controlado alcançado por Ekimov, Brus e Bawendi, e citado pelo comitê Nobel de 2023. 14. Um ponto só pode emitir na sua própria banda proibida (a mais baixa); absorver exige ao menos essa energia, e por isso o bombeio tem de ser mais azul. O excesso relaxa em vibrações da rede: calor. 15. 1460/630=27%1 - 460/630 = 27\% da energia de cada fóton de bombeio aquece a tela. 16. Acima do nível emissor, o espectro do ponto é denso (muitos estados de caixa): a absorção tem êxito numa banda larga; a excitação então despenca até o estado excitado mais baixo, e a emissão ocorre a partir desse único nível: estreita. 17. Todos os pontos absorvem de bom grado o mesmo ultravioleta (banda larga), enquanto cada tamanho emite a sua cor: uma lâmpada, muitos marcadores — o inverso da química dos corantes. 18. 43π(4.0)3/(0.3)3104\tfrac43\pi(4.0)^3/(0.3)^3 \approx 10^{4} átomos: dez mil átomos compartilhando um único conjunto de níveis discretos, do tipo hidrogenoide — “átomo artificial” é um nome merecido. 19. A fronteira do cristal: a parede confinante do grão semicondutor substitui a atração do núcleo como o agente que segura e quantiza o elétron. 20. π2(c)2/2Mc2R2=384210/(2×939×9)23MeV\pi^2(\hbar c)^2/2Mc^2R^2 = 384210/(2 \times 939 \times 9) \approx 23\,\mathrm{MeV}: a física nuclear fala em MeV porque as caixas de femtômetro falam. 21. Para um elétron, a estimativa de caixa torna-se relativística; honestamente, Eπc/R200MeVE \sim \pi\hbar c/R \approx 200\,\mathrm{MeV} — e, no entanto, os elétrons beta saem com alguns MeV: os elétrons não podem ser constituintes dos núcleos, o argumento que enterrou o velho modelo núcleo-elétron e preparou a invenção do neutrino. 22. π22/2ML22×1070J\pi^2\hbar^2/2ML^2 \approx 2 \times 10^{-70}\,\mathrm{J}: trinta e nove ordens abaixo do ruído térmico — as pessoas não estão confinadas quanticamente. 23. π22/2meR2=mec2\pi^2\hbar^2/2m_{\text{e}}R^2 = m_{\text{e}}c^2 em R=π/2mec0.9pmR = \pi\hbar/\sqrt2\,m_{\text{e}}c \approx 0.9\,\mathrm{pm}, a escala de Compton: ali a energia de confinamento basta para criar pares elétron–pósitron, e a equação de uma partícula abdica em favor da teoria quântica de campos. 24. Econf1/MR2E_{\text{conf}} \propto 1/MR^2: partículas mais leves e caixas menores são mais quânticas, numa só fórmula. 25. Eg+π22/2μR2E_{\text{g}} + \pi^2\hbar^2/2\mu R^2 leva 4.04.0 \to vermelho, 2.52.5 \to verde e 2.0nm2.0\,\mathrm{nm} \to azul: a partícula na caixa, ajustada por químicos ao nanômetro, acende a vitrine — a quantização por confinamento como eletrônica de consumo.

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